João Filipe Clemente

Taças de Vinho – Necessidade ou Frescura?

        Já faz um tempinho que escrevi sobre a importância das taças no mundo do vinho. Para ser exato, faz quase cinco anos e foi um de meus primeiros posts que segue sendo um de meus mais acessados estando sempre entre os top 10 na lista dos mais lidos. Para muitos dos iniciantes e até iniciados nos mistérios de nossa vinosfera, sempre fica uma tremenda de uma duvida do quanto do que se fala sobre o tema é frescura ou se há efetiva necessidade de se investir um pouco nesse tema.

       Sempre tive uma clara opinião sobre isso achando tão importante ao vinho quanto a temperatura adequada de serviço. Pode-se tomar vinho em copo de requeijão? Lógico que pode e eu mesmo já tive um imenso momento de prazer fazendo isso numa tasca no interior de Portugal acompanhado de pataniscas de bacalhau junto com um saudoso primo, no entanto cada momento é um momento e cada vinho é um vinho! Não dá para ir a um baile de formatura de tênis e bermuda, mas dá para ir ao churrasco do amigo! Cada momento, mesmo que o prazer seja semelhante, requer uma vestimenta diferente e na nossa vinosfera não é diferente.

       Quando galgamos degraus, saindo do vinho básico de mesa, de garrafão e partimos para apreciar vinhos finos de qualidade há que se dar um salto de qualidade na “ferramenta de trabalho” (rs) para melhor usufruir das nuances especificas que cada um desses vinhos tem a nos oferecer. Quanto melhor e mais sofisticados e complexos forem os vinhos, melhor e mais especificas devem ser as taças. Tem gente que gasta verdadeiras fortunas num vinho e depois o toma numa taça comum sem aproveitar tudo o que aquele caldo tem a lhe oferecer e isso é fato, não frescura, conforme pudemos comprovar numa deliciosa e esclarecedora degustação de taças realizada na Vino & Sapore para mais de 30 pessoas.

      Foi o Riedel Tasting, magnificamente apresentada pela brand manager da marca no Brasil, a Cristina Geremias. Foram colocadas sobre a mesa cinco taças de vinho específicos para vinhos de determinadas cepas; Chardonnay, Pinot Noir, Syrah, Cabernet Sauvignon e uma última de branco genérico com os seguintes vinhos; Catena Chardonnay, Alma Negra Pinot, Montes Alpha Syrah e Pisano Cabernet. (clique na imagem para aumentá-la)

         Começamos provando o de Chardonnay que me impressionou sobremaneira pois a engenharia falou mais alto aqui! O bojo e abertura intensificam os aromas enquanto o diâmetro e formato da borda da taça faz com que o vinho penetre a boca de forma diferente jogando o caldo para o final de boca aguçando a sensação de frescor devido à acidez percebida. Pegamos esse vinho e jogamos na taça genérica, onde foram parar os aromas?!! Agora colocamos o vinho num copo de plástico, onde foi parar o vinho?!!!!!!!!!!!!! Voltamos a colocar o vinho na taça de chardonnay e, como num passe de mágica, voltaram todas as sensações aromáticas e palativas, demais! Não acredita, contate qualquer um dos presentes e tire suas duvidas, inclusive com o amigo Alexandre Frias, autor do gostoso Diario de Baco, que esteve presente ao evento com sua charmosa e bonita esposa.

        Demos sequência com o restante dos vinhos e taças, porém não vou vos cansar contando a história de cada um, o importante foi a constatação de que sim, cada vinho tem sua taça e essa descoberta veio através da engenharia e conhecimento adquirido por uma das maiores, se não a maior, produtora de taças de vinho no mundo. Com todo o “expertese” adquirido na produção de cristais finos há mais de 250 anos e pioneira na criação de taças de cristal funcionais que visam extrair dos vinhos todo seu potencial, a Riedel mostra-nos como uma taça pode ser importante para melhor apreciar um bom vinho. Não é à toa que, mesmo sem nunca ter produzido uma única gota de vinho em sua vida, Georg Riedel, atual CEO do grupo e propulsor da marca da família pelo mundo, foi nomeado Home do Ano em 1996 pela conceituada revista inglesa especializada em vinhos, a Decanter Magazine.

       Não são taças baratas, porém se você ama e possui bons rótulos de Chardonnay,  recomendo que invista numa taça dessas, afinal custa basicamente a mesma coisa que uma garrafa de um bom vinho! O mesmo vale para qualquer uma que seja sua paixão;  Pinot Noir, Syrah ou Cabernet Sauvignon. Agora, é importante saber que nenhuma taça, nem as da Riedel, transformam vinho ruim em vinho bom! Essas taças vão é ressaltar e enaltecer as características de cada vinho e isso vale para o que ele tenha de bom e ruim!!!

      Uma taça para cada cepa, no entanto, pode ser um exagero e preciosismo desnecessário especialmente se você não é um colecionador e apreciador costumeiro de grandes vinhos. Nesse caso, recomendo uma taça mais genérica padrão Bordeaux, da Riedel uma boa opção é a Overture que produz resultados bastante interessantes e é mais econômica, que serve para a maioria dos tintos e uma para brancos assim como uma outra para espumantes. Uma bela e esclarecedora degustação que nos foi presenteada pela Riedel e Mistral, sua única e exclusiva importadora no Brasil. Uma chamada especial para a linha de decanteres, em especial o de nome EVE, em formato de serpente, SHOW de bola!

   Salute, kanimambo e hoje tem Happy Wine Time com os vinhos da Vínica (Xisto Alvarinho / Casa da Passarela Colheita Selecionada e Surani Costarossa Primitivo di Manduria) na Vino & Sapore. Vejo voces por lá?!

Ps. Última dia sobre este assunto. Preserve as taças, cuide você mesmo delas!!!

Vinhos de Primavera Bons e Baratos

          Buscar rótulos de boa relação Qualidade x Preço x Prazer em qualquer das faixas de preço vigentes no mercado, é e sempre será um dos muitos objetivos deste blog. Estou com uma listinha desses rótulos a publicar, porém hoje me atenho aos mais baratos e aos vinhos que têm tudo a ver com a estação que recém entramos. Mês de primavera com calor de verão, que aliás parece que nunca foi embora este ano, o que nos faz buscar vinhos mais refrescantes como os brancos, rosés e espumantes.

Amalaya Branco – Vinho á base da cepa Torrontés que produz alguns bons caldos na Argentina. Com um toque de Riesling qe aporta uma maior acidez ao blend, mostra aquele floral típico da cepa, porém de forma menos intensa com algo cítrico no nariz e na boca um frescor muito bom, pois a Riesling faz muito bem esse papel dando-lhe um equilíbrio importante porque muitos torrontés por aí tendem a ficar algo enjoativos. Este é suave, balanceado e fácil de se gostar com um único inconveniente, a garrafa tem a tendência a acabar rápido demais!

Man Vintners Chenin Blanc – originária da região do Loire na França, esta cepa se deu muito bem na África do Sul onde encontramos alguns vinhos muito bons. Este vinho é de gama de entrada para ser tomado bem geladinho, ao redor dos 6ºC, é super refrescante para acompanhar petiscos variados inclusive frutos do mar e queijos de cabra. Para quem gosta dos Sauvignons Blanc, vale enveredar por vinhos desta cepa pois apresentam características de frescor muito similares.

Arco de la Vega Rosado – um rosé espanhol á base de tempranillo, de ótimo custo x beneficio que vale muito a pena como um vinho de entrada, pois possui muito das característica dos brancos mais leves e vibrantes. Notas de cereja, boa acidez que elimina eventuais sensações doces, uma mineralidade presente que me surpreendeu, certamente acompanhará bem um arroz de mariscos e um papo informal.

VillaVid Blanco – mais um espanhol de ótima relação qualidade x preço x prazer, coisa que tem se tornado costumeiro encontrar em boa parte dos vinhos espanhóis encontrados nas prateleiras dos pontos de venda de vinho espalhados no mercado. A uva Verdejo prima pelo frescor e aqui se junta à Macabeo para produzir um vinho muito saboroso de frutas tropicais,  fresco, algo cítrico na boca mas com um tempero a mais!

Falernia Pedro Ximenez – mais um que sai da mesmice, tanto no quesito região, uma nova zona quase desértica no norte do Chile – Vale do Elqui, quanto na uva em si que, na Espanha, é tradicionalmente usado na elaboração de vinhos doces na região de Jerez, os famosos PX. Este é vinificado de forma diferente gerando um vinho fresco de aromas intensos lembrando frutas cítricas e tropicais e um leve toque mineral. Na boca, é fácil de gostar, tem uma acidez gostosa, bom volume de boca, é delicado e com um final, equilibrado e seco.

       Existem muitos mais rótulos interessantes que valem a pena ser provados, aos poucos falarei um pouco deles, mas o bom destes é que a média de preços anda ao redor dos 40 Reais (mais ou menos 10%) o que é uma prova de que para se beber bem não há necessidade de grandes gastos. Explore, aventure-se por novos sabores e curta estes vinhos mais refrescantes pois a estação pede por isso.

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Salvaguardas Enterradas, mas Ficou um Gosto Amargo na Boca

       Bem, já escrevi algo sobre este tema há pouco mais de dez dias, mas exagerei e, inclusive, alterei o título do post. Não existe a obrigatoriedade, o que mais me indignou, e o acordo, feito na verdade para que as partes (governo e Ibravin) não ficassem muito mal na fita, está mais para uma carta de intenções no qual o mais importante projeto a ser trabalhado será um esforço conjunto de todas as partes envolvidas no sentido de aumentar o consumo local até um patamar de 2,5 ltrs per capita dentro de um período de 4 anos. Melhor assim!

      O acordo sempre foi o objetivo dos Chatos, grupo de consumidores e cronistas do vinho contrários a essa excrecência das Salvaguardas e das entidades representativas, dos importadores e comerciantes de vinho em geral. Cansamos de estender a mão, mas só quando viram que a coisa estava perdida é que se deram ao trabalho de sentar para conversar. Não há como deixar de lado as imagens do Adriano Miolo fugindo do Didu, da falta de respostas dos Valduga, da truculenta ação da Ibravin ou da falta de tato, para não dizer educação, de seu assessor de imprensa no trato com o consumidor e imprensa. Tudo isso deixa um amargor de final de boca muito difícil de digerir e sabemos que temos que permanecer alertas, pois do lado de lá pode vir qualquer coisa a qualquer momento!

      No geral, vi pouca ênfase em solucionar alguns dos pontos mais problemáticos de nossa vinosfera tupiniquim que é a estrutura tributária desde insumos na produção e elaboração até a comercialização assim como o excesso de produção. Não temos que produzir mais, temos sim que produzir melhor e mais barato! De qualquer forma, minha proposta fica de pé:

Paguem 15% de meus custos na loja e coloquem os vinhos consignados e eu aloco 15% do espaço para a produção brasileira.

      Só não me peçam para assumir o risco sozinho pois meu empreendimento visa o lucro e, para tanto, preciso ocupar a loja com vinhos que meus clientes comprem! Filantropia é outro coisa e não se faz com o dinheiro dos outros meus amigos! Aliás, dizem (não vi) que os produtors locais, aqueles das salvaguardas, estão aumentando preços em 12.5% sem contar o que já aumentaram em Março! Imaginem só o que aconteceria se tivessem emplacado as Salvaguardas!!

      Antes de finalizar vai aqui meu recado aos produtores brasileiros envolvidos nessa tentativa de golpe ao bolso e liberdade de escolha do consumidor brasileiros, caiam na real! A saída para a sinuca de bico que se enfiaram não está em produzir mais, conseguir mais espaço de exposição nas gondolas ou prateleiras de supermercados e lojas especializadas, tão pouco pela ditribuição apesar que esta última tem importância no processo. Esses players não são seu target! O seu foco tem que ser o consumidor final que deseja qualidade a preço justo e, enquant não conseguirem equilibrar essa conta, não há ação que alcançe os objetivos desejados e aumentar preço não ajuda nada. Enfim, para quem ainda não teve a oportunidade de ver o acordo completo, segue abaixo.

  • ACORDO DE COOPERAÇÃO QUE ENTRE SI CELEBRAM A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SUPERMERCADOS (ABRAS), A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EXPORTADORES E IMPORTADORES DE ALIMENTOS E BEBIDAS (A.B.B.A.), A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE BEBIDAS (ABRABE), O INSTITUTO BRASILEIRO DO VINHO (IBRAVIN), A UNIÃO BRASILEIRA DE VITIVINICULTURA (UVIBRA), A FEDERAÇÃO DAS COOPERATIVAS VINÍCOLAS DO RS (FECOVINHO), O SINDICATO DAS INDÚSTRIAS VINÍCOLAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (SINDIVINHO-RS), A ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DE VINICULTORES (AGAVI) E A COMISSÃO INTERESTADUAL DA UVA (CIU).A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SUPERMERCADOS (ABRAS), por meio de seu representante legal abaixo firmado, com sede em São Paulo, Capital, na Av. Diógenes Ribeiro de Lima, 2872, Bairro Alto da Lapa, CEP 05083-901; a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EXPORTADORES E IMPORTADORES DE ALIMENTOS E BEBIDAS (ABBA), por seu representante legal abaixo firmado, com sede na Rua Machado Bitencourt, 190-conjunto 609, São Paulo – SP, CEP 04044-000; a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE BEBIDAS (ABRABE), por seu representante legal abaixo firmado, com sede na Avenida 9 de Julho, 5017, 1º andar – São Paulo – SP, CEP 01407-903 (doravante denominadas simplesmente de “Associações”; o INSTITUTO BRASILEIRO DO VINHO (IBRAVIN), por seu representante legal abaixo firmado, com sede na Alameda Fenavinho, 481 – Ed. 29 – Bento Gonçalves, RS, CEP 95700-000; a UNIÃO BRASILEIRA DE VITIVINICULTURA (UVIBRA), por seu representante legal abaixo firmado, com sede na Alameda Fenavinho, 481-D – Cx. Postal 101, Bento Gonçalves – RS, CEP 95700-000; a FEDERAÇÃO DAS VINÍCOLAS DO ESTADO DO RS (FECOVINHO), por seu representante legal abaixo firmado, com sede na Rodovia RST 453, km 117, em Farroupilha – RS; o SINDICATO das INDUSTRIAS DO VINHO DO RS (SINDIVINHO), por seu representante legal abaixo firmado, com sede na Rua Ítalo Victor Bersani, nº 1134, Caxias do Sul – RS; a ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DE VINICULTORES (AGAVI) por seu representante legal abaixo firmado, com sede na Rua John Kennedy, 2233, Sala 11, Flores da Cunha – RS; e a COMISSÃO INTERESTADUAL DA UVA (CIU) por seu representante legal abaixo firmado, com sede na Av. 25 de Julho, 1732, Flores da Cunha – RS; doravante denominados de “Setor Vitivinícola Brasileiro”, ante a análise das seguintes circunstâncias e:CONSIDERANDO

    1. que, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, fez publicar no Diário Oficial da União de 15/03/2012, a CIRCULAR Nº 9, de 14/03/2012, determinando a abertura de investigação para averiguar a necessidade de aplicação de medidas de salvaguarda sobre as importações brasileiras de vinho, comumente classificadas no item 2204.21.00 da Nomenclatura comum do MERCOSUL-NCM, tendo em vista o que consta no Processo MDIC/SECEX 52000.020287/2011-59, bem como do Parecer nº 4, de 14/03/2012, elaborado pelo Departamento de Defesa Comercial – DECOM;

    2. que, as “Associações” demonstram disposição a empreender esforços e compartilhar iniciativas necessárias para auxiliar na expansão do mercado nacional de vinho fino, o que deverá beneficiar o “Setor Vitivinícola Brasileiro”;

    3. que, conhecedoras as “Associações” e o “Setor Vitivinícola Brasileiro” que a salutar e leal concorrência dos vinhos importados estimula e amplia a cultura do vinho fundada na imensa variedade do produto, beneficiando o consumo do vinho no Brasil;

    4. que, o setor vitivinícola brasileiro em sua petição de salvaguarda compromete-se a fazer investimentos com o intuito de reduzir custos de produção, promover os produtos nacionais e aumentar o ganho de escala possibilitando assim a ampliação de sua competitividade;

    5. que o uso de instrumentos de Defesa Comercial são normatizados pela legislação brasileira e devem seguir os requisitos legais da OMC, e que as Associações e o Setor Vitivinícola Brasileiro esforçar-se-ão para, em comum acordo, evitar a adoção de barreiras às importações mediante o atingimento de objetivos comuns, estabelecidos entres as partes e contidos neste documento;

    6. que, é preciso estabelecer uma agenda positiva entre todos os atores envolvidos na cadeia do vinho: indústria, atacado, varejo, produtores, importadores, exportadores e governo.

    Deliberam as partes signatárias estabelecer o seguinte ACORDO DE COOPERAÇÃO:
    (i) as Associações e o Setor Vitivinícola brasileiro comprometem-se a buscar a comercialização de 27 milhões de litros de vinhos finos brasileiros em 2013, ampliando este volume paulatinamente até atingir 40 milhões de litros de vinhos finos em 2016, comumente classificados no item 2204.21.00 da NCM, por meio das seguintes ações:
    a. distribuição de 25% de vinhos finos nacionais nas redes de supermercados e 15% nos demais estabelecimentos varejistas;
    b. desenvolver parcerias entre vinícolas nacionais e importadores para aumentar a distribuição do produto nacional nas lojas, adegas, bares, restaurantes e demais pontos de venda;
    c. comunicar pró-ativamente este acordo e promover os vinhos brasileiros em seus estabelecimentos e instrumentos de comunicação;
    (ii) reunir esforços entre as “Associações”, com a indispensável colaboração do “Setor Vitivinícola Brasileiro”, na forma que serão detalhados em documentos apartados, com o objetivo de aumentar o consumo de vinhos, dos atuais 1,9 litros por habitante/ano para 2,5 litros por habitante/ano, o que se entende factível plenamente no espaço de quatro anos, ou seja, até o final de 2016;

    (iii) a ABBA, a ABRABE e a ABRAS apoiarão esforços, suas competências e as representações que dispõem no País, direcionando também o apoio ao “Setor Vitivinícola Brasileiro” junto aos órgãos do Governo, para os pleitos do segmento vitivinícola, quais sejam: (a) reduções de impostos; (b) ações de combate ao descaminho; (c) alongamento (securitização) das dívidas agrícolas; (d) programas de escoamento da produção vitivinícola.

    (iv) as “Associações” comprometem-se a não importar vinhos finos a preços aviltantes que possam ocasionar concorrência desleal. E disponibilizam-se a persistir no debate deste tema através de Grupo de Trabalho que já se encaminhará para formatação.

    (v) o “Setor Vitivinícola Brasileiro”, a seu turno, compromete-se a cessar quaisquer ações que visem à criação de barreiras tarifárias e/ou não tarifárias à importação de vinhos finos;

    (vi) o “Setor Vitivinícola Brasileiro” compromete-se ainda a realizar os investimentos propostos no Plano de Ajuste apresentado no processo de salvaguardas, no total de R$ 200 milhões, em ações especialmente voltadas para marketing, melhoria da qualidade, comunicação e indicação geográfica, a serem debatidos no Grupo de Trabalho que será constituído;

    (vii) As “Associações” e o “Setor Vitivinícola Brasileiro” se comprometem a repassar à SECEX, a cada três meses, estudo detalhado sobre as medidas conjuntas que forem implementadas em decorrência do acordo, com vistas a subsidiar aquela Secretaria na formulação de políticas públicas para o setor;

    (viii) em decorrência, as “Associações” e o “Setor Vitivinícola Brasileiro”, como acima aludido, decidem criar um Grupo de Trabalho para dar continuidade às ações conjuntas que visam atingir o objetivo de aumentar o consumo de vinhos finos nacionais, estudar a área de exposição para o vinho brasileiro, levando em consideração a diversidade de formatos e tipos de lojas, tipos de equipamentos de exposição, regiões geográficas, localização e logística. Para tanto, estabelecem como cronograma do Grupo de Trabalho e pauta inicial dessas reuniões o seguinte:

    (a) CRONOGRAMA:
    Em 08/11/2012 – a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) dará ciência da celebração do presente ACORDO DE COOPERAÇÃO aos seus conselheiros na ASSEMBLÉIA GERAL DA ABRAS que será instalada em São Paulo, quando elegerá o seu Presidente para o biênio 2013/2014;
    Em 08/11/2012 – No Jantar alusivo ao Dia Nacional do Supermercado, as Associações e o Setor Vitivinícola divulgarão de forma solene, na abertura deste, o ACORDO DE COOPERACAO firmado entre as partes. Este dia é festejado anualmente pela ABRAS com a Cadeia Produtiva, Parceiros Fornecedores e Autoridades, e a oportunidade será usada pelas partes como forma de, em âmbito efetivamente nacional publicitar e sinalizar para todo o País a implementação do ACORDO, reiterando as disposições contidas neste documento e agregando outras considerações que venham a ser consensadas para o aprimoramento de um trabalho conjunto;
    Em 19/11/2012 encontro em Porto Alegre;
    Em 10/12/2012 encontro em São Paulo;
    Em 28/01/2013 encontro em Porto Alegre.

    (b) PAUTA: desde agora estabelecem as partes uma pauta mínima para as discussões nas datas supra ajustadas:
    – ampliação de espaço para exposição de vinhos finos nacionais em supermercados, convidando-se a ABAD (Associação Brasileira de Distribuidores e Atacadistas) a participar desse e outros esforços;
    – estudo de formas de incentivo a bares e restaurantes em todo o País a ampliar suas Cartas de Vinhos com a participação de vinhos Nacionais, neste aspecto convidando a ABRASEL para fazer parte do Grupo de Trabalho;
    – realização de esforços conjuntos entre as signatárias para o detalhamento das Metas de Crescimento definidas acima, até o ano de 2016;
    – qualificação e atualização permanente (em esforço conjunto) dos trabalhadores que operam nas Seções de Vinhos;
    – estabelecimento de Parceria com o SEBRAE Nacional;
    – planejamento entre as partes visando uma preparação e o desenvolvimento de profissionais viabilizando palestras aos Consumidores em âmbito nacional, desenvolvendo parcerias para incluir o vinho fino brasileiro nos projetos que a ABS (Associação Brasileira de Sommelier) e as SBAV (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho) coordenam;
    – Debate em âmbito do Grupo de Trabalho que será constituído entre Associações e Setor Vitivinícola Brasileiro, de um Fundo de Promoção do Mercado Vitivinícola, cujo formato será discutido pelo Grupo de Trabalho a ser constituído

All Seasons 13 anos, Imperdível!

       Quem curte bons vinhos certamente tem uma queda pela boa gastronomia, pois um não vive sem o outro. Pois bem, você tem até dia 31 de Outubro próximo, no jantar,  para se esbaldar num cardápio de prima por apenas R$59,00! Já tinha divulgado aqui este restaurante e seus festivais de Fondues, porém ainda não tinha tido o prazer de o conhecer pessoalmente o que ocorreu nesta semana a convite de sua assessoria de imprensa, a amiga Denise Cavalcante, que ainda nos trouxe de lambuja uns vinhos da Chilcas, produtor chileno que a MaxBrands está lançando no mercado e sobre os quais falarei em separado.

       Realmente, a arte deste chef suíço, Cristophe Besse, (joguei com um Yves Besse na seleção de rugby de 74?) na cozinha satisfaz a visão, o olfato e o palato formidavelmente mostrando o porquê de estar há 13 anos fazendo sucesso com o All Seasons numa época em que tantos restaurantes abrem e fecham sem conseguirem se firmar.  O segredo, afora a comida, creio que advém do fato de estarem localizados num hotel o que certamente contribui para isso, porém sem qualidade não há local que dê jeito e foi isso que comprovei in loco! Excelente cozinha e serviço, tranquilidade e segurança, que está numa promoção comemorativa, veja foto abaixo, que torna o momento imperdível viz-a-viz os preços no mercado para gastronomia deste patamar de excelência. Sim, porque tanto quanto os vinhos, os preços de restaurante andam pela hora da morte, então garimpar é essencial.

    Escolhi dentro o cardápio acima; Mil Folhas de lagosta e aspargos frescos, Lasanha de Pato com Laranja e para terminar, Delicia Bacuri com Chocolate e Creme de Manga, dos DEUSES! O Mil Folhas de Lagosta é de uma delicadeza ímpar, a Lasanha (esqueça qualquer semelhança com a tradicional) de Pato com Laranja é divina, rica, com uma profusão de sabores em perfeita harmonia. Na sobremesa, deliciosa por sinal, um toque especial que mostra a excelência do serviço. Numa mesa de seis, creio que cinco pediram Bacuri (um fruto da amazonia) e o toque especial é que foram servidos em pratos de cor diferenciados com, imaginem, combinando com a cor de camisa de cada um, dez!

 

    O mais interessante desse maravilhoso jantar na mesa complementado pela excelência da companhia que, como no vinho, são essenciais para extrair o máximo de qualquer harmonização, é que mesmo com três pratos, saímos leves! A comida não pesa e olha que não restou nada em nenhum de meus pratos! Mais uma nota de destaque nessa saborosa experiência que custa tão somente R$59,00. Se calcularmos estacionamento (mais barato que os valets de rua por aí), 10% e algo para beber , essa experiência de dar água na boca enquanto escrevo, sai por cerca de uns R$85,00 por cabeça (sem vinho obviamente) o que, convenhamos, é uma pechincha!

 

    Duas dicas para quem se interessar por aproveitar este cardápio comemorativo, que recomendo entusiasticamente, são: Escolha o salão da adega (veja foto), bem mais aconchegante fazendo jus à comida e serviço, e ligue antes para perguntar sobre a possibilidade de levar seu próprio vinho e cobrança de rolha pois a carta, essa não me encantou e senti falta de vinhos mais acessíveis porém de qualidade coerente com os pratos. De resto, só alegria, aproveitem e se quiserem, pelas fotos do buffet no almoço, essa também é uma grande opção. o All Seasons fica na Alameda Santos 85, última quadra, o telefone para contato é: (11) 2627.1336 ou acessem o site http://www.restauranteallseasons.com.br/ 

Salute, kanimambo e aproveitem o All Seasons, eu me esbaldei!

ps. Clique nas fotos para ampliar

Nem a Pau Juvenal!

Estão aclamando o acordo feito pelos produtores nacionais, leia-se Ibravin e os Barões do Vinho nacionais, e deixando de enxergar o tremendo atentado contra o estado de direito e liberdade empresarial neste país. A essência golpista desse pessoal é impressionante! Na eminência de ter as salvaguardas negadas pelo MDIC e este, por seu lado, encurralado entre o parecer técnico e o pagamento de dividas politicas de seus aliados, optaram por chamar os importadores e demais entidades contrárias e fazer um acordo para uma retirada da petição, coisa que desde o inicio pedimos e sem sucesso,  porém sob a sombra do retorno da mesma.

Tudo bem que um mau acordo é preferível a um contencioso, porém o que alinhavaram, de acordo com a matéria publicada no jornal Valor e amplamente detalhada e comentada pelo Arthur Azevedo em seu site ArtWine, (recomendo ler) não é um mau acordo, é um atentado ao estado de direito e uma utopia sem pés nem cabeça impossível de ser aplicada. Fazer com que supermercados, importadoras e lojas especializadas sejam “OBRIGADOS” a ter 25 e 15%, respectivamente, de seu portfolio, ou estoque o que seria ainda pior, em produtos nacionais é um absurdo, uma verdadeira ingerência nos negócios particulares de cada um. É o Estado querendo controlar meu negócio em que país estamos; Venezuela, Cuba, China? O custo desse estoque, sim porque a venda desses produtos é pequena, alguém terá que pagar! Quem você acha?

O custo dos vinhos nacionais, é mais caro, os prazos de pagamento menores , os de entrega mais longos, a concorrência desleal via venda direta dos produtores isenta de impostos locais é um fato e as quantidades mínimas exigidas mais altas em função de problemas deles com logística! Tudo é pior quando o produto é nacional, inclusive a relação Qualidade x Preço x Prazer, porquê um enófilo compraria estes produtos? A ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) maiores importadores e comerciantes de vinhos no Brasil, ABRABE e ABBA (associações de importadores) toparam a parada. Os supermercados ainda podem diluir esse custo extra entre seus diversos outros produtos (carne, peixe, pãozinho, etc) já as lojas especializadas não têm como. E as lojas virtuais como ficam nessa?

    No entanto e para que não fiquem dizendo que sou radical, faço aqui uma proposta publica aos produtores brasileiros, eu topo colocar 15% de meus pouco mais de 400 rótulos com produtos nacionais, só que será CONSIGNADO!

    Ah, o espaço (m²) ocupado por esses vinhos também lhes será cobrado, meu aluguel não é barato e cada m² tem que obrigatoriamente ser rentável, dessa forma o risco é mutúo. Topam? Para facilitar, a Ibravin pode pagar a correspondente conta do aluguel, 15%,  do que meu locador me cobra! Como não quero ser acusado de falta de colaboração, cederei o espaço gratuitamente para que uma vez por mês eles desenvolvam atividades de degustação promocionais, que tal? Se acreditam tanto em seu produto, creio que deve chover proposta na minha horta, certo? Num negócio, qualquer que seja, compramos o que vende, não o que querem que compremos e quem manda no meu negócio é meu cliente não meu fornecedor, importador, produtor, Ibravin ou o Estado!

Por hoje chega e kanimambo pela visita, hoje sem brinde. Daqui a algumas semana conto para vocês quantas propostas e de quem foram recebidas ok?

Vinho nas Alturas

       Pesquisa da Skyscanner mostra quais os melhores vinhos a mais de 10.000 metros de altura. Um júri formado por enólogos realizou testes cegos com 21 vinhos servidos nas classes econômicas das maiores companhias aéreas europeias. Quinta maior empresa aérea da Europa, a Thomson Airways foi eleita como a que oferece o melhor vinho tinto – Finca La Linda, Cabernet Sauvignon 2011. Foi uma vitória clara entre os juízes, com a SAS em segundo e a turca Pegasus Airlines na terceira posição. A competição de vinhos brancos foi bem mais acirrada, com acordo entre os juízes de que a qualidade de todos os concorrentes era alta. Lufthansa venceu com pouca vantagem sobre a KLM e a EasyJet. Mais informações no site da Skyscanner.

Pena que eu não fui consultado, pois meu voto seria TAP na cabeça ou, quem sabe, a Ibéria que tem o Canforrales Classico na carta!

Poucas & Boas

          Hoje publico algumas dicas e algumas notícias de nossa vinosfera, na Segunda volto falando mais das coisa do vinho!

Salvaguardas, é não esquecemos não! Veja a noticia que deu em Mendoza, no El Sol Diario Online http://elsolonline.com/noticias/view/151283/perez-anuncio-una-inversion-brasilena-millonaria-en-mendoza . Um dos criadores e fiel escudeiro salvaguardista passando por dificuldades em função da vil e desleal concorrência dos importados, está em fase final de estudos de terroir para compra de terras em Mendoza e montagem de uma nova Bodega. Enfim, não vou tecer minha opinião, mas sugiro clicar e ler a noticia para depois tirar suas próprias conclusões sobre o tema. Aproveitando, seguem as informações de que as Salvaguardas foram rechaçadas pelo MDIC pela ausência de base técnica para tal o que já tínhamos demonstrado aqui há algum tempo! Como, no entanto, nesta terra de tanta falcatrua e interesses poderosos tudo muda muito rapidamente, quero ver isso publicado no site do MDIC e no Diário Oficial para, finalmente, conseguir festejar o enterro dessa excrecência, porque os autores, esses já estão enterrados por mim faz tempo, independentemente do resultado da partida.

Dia 31/10 tem Riedel Tasting na Vino & SaporeReserve a data, pois nesse dia teremos uma experiência sensorial diferenciada, vamos degustar taças! Sim, teremos 4 vinhos, todos com mais de 90 pontos na critica especializada, sendo degustados em taças desenvolvidas tecnicamente para varietais específicos – Chardonnay, Syrah, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir. No dia, teremos também a venda de taças e, especialmente do kit degustação, a preços para lá de especiais. Lugares limitados, então consulte e garanta seu lugar, serão 30 porém 20 já estão tomados, com investimento de R$35,00 por pessoa. Ligue para o telefone (11) 4612.6343 ou envie uma mensagem para comercial@vinoesapore.com.br .

Curitiba Here They Come! É gente, dia 27 chega a Curitiba a caravana do Encontro de Vinhos de nossos amigos Beto Duarte e Daniel Perches no hotel Bourbon a partir das 14 horas. Conheços-os bem e são muito capazes tendo conseguido fazer desses eventos momentos muito agradáveis em que o garimpo corre solto e, como sabem, não tem melhor forma de conhecer nossa vinosfera do que essas curtas viagens de descobrimento. Serão cerca de vinte expositores, entre eles as importadoras Au Vin (quebre preconceitos provando seus deliciosos vinhos Libaneses), MS Imports, Vinci, Calix, ChezFrance, Vinho Sul, Smart Buy, Cantu, Dominio Cassis, entre outros. Compre logo seu ingresso e garanta sua participação. Os Locais de venda estão listados aqui http://www.encontrodevinhos.com.br/pontos-de-venda-de-ingressos .Esse eu assino embaixo e recomendo, curta um belo passeio por estes caldos de Baco e aproveite para pesquisar e fazer um exercício comparativo de Qualidade x Preço de diversos rótulos e origens disponíveis no mercado.

Bordeaux- Século XXI no Enopira  com a palestra do connoisseur  Luis Otávio Peçanha lá mesmo em Piracicaba, interior de São Paulo. O evento se realizará no dia 6 de Dezembro a partir das 20 horas e terá presente alguns vinhos de muito renome e marcantes da região.

VINHOS APRESENTADOS:

1-      Château Saint Pierre 2009- 4 ème de St Julien

2-      Chãteau Pichon Baron 2008- 2ème de Pauillac

3-      Château Maslecot St-Exupéry 2006- 3ème de Margaux

4-      Château Leoville Barton 2005- 2ème de St Julien

5-      Château Montrose 2004- 2ème de St-Estèphe

6-      Chãteau Pape Clement 2003- GCC de Graves

7-      Château Cos D’Estournel 2002- 2ème de St-Estephe

8-      Château Pavie 2001- 1er GCC de Saint Emilion

9-      Chãteau Rauzan-Segla 2000- 2ème de Margaux

      Após a degustação Luis Otávio servirá um prato de Javali aos convivas presentes. São somente 15 vagas para 15 privilegiados enófilos ao preço de R$840,00 cada,  pagos em até três vezes. Quer mais informações ou fazer sua reserva, contate-o  pelos telefones  (019 ) 3424-1583-  Cel. ( 19 ) 82040406 ou por e-mail > luizotaviol@uol.com.br.

André “Déco” Rossi é o novo representante de Wines of Argentina no Brasil. Meu amigo e jovem enófilo que já mencionei aqui como sendo uma das estrelas em ascensão  em nossa vinosfera tupiniquim, emplacou mais uma. Melhor, quem emplacou mesmo foi a Wines of Argentina com esta escolha pois estavam precisando de uma lufada de ar fresco e mudança de foco sendo o Deco uma pessoa e profissional que certamente lhes beneficiará e muito! Deco será o encarregado de projetar e implementar planos de posicionamento do vinho argentino no mercado brasileiro; avaliar as oportunidades de relações públicas no Brasil; e planificar visitas e comunicações para a imprensa e o trade, entre outras ações de marketing e relações públicas. Considerando que em 2011 o mercado brasileiro comercializou 77 milhões de litros de vinhos importados, dos quais quase 20 milhões provieram da Argentina, o Brasil se apresenta como um grande potencial para o país hermano.

         Bagagem para isso o amigo Deco tem; começou sua carreira na Expand Group do Brasil sendo Responsável de Comunicação Visual e Promoção. Mais tarde, ingressou na Salles D´Arcy Publicidade e ainda foi parte das equipes de importantes agências como Leo Burnett, DPZ e Lew’Lara/TBWA. Também foi Diretor de Atendimento na W/McCann Publicidade (Ex W/Brasil). Atualmente é editor e criador do Blog EnoDeco, colunista do Portal de Conteúdo Bicofino. É o idealizador da Winet, consultoria especializada na área de vinhos e professor do “Curso de Negócios do Vinho” na Fundação Getúlio Vargas. Além disto participa como jurado e avaliador em concursos e feiras de vinhos em São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas e Ribeirão Preto. Deco, boa sorte meu amigo, pois competência, essa tens de sobra!

Happy Friday na Vino & Sapore. Hoje a partir das 18 horas com vinhos da Mercovino; um branco italiano e dois tintos, um do Douro e outro de Ribera del Duero. Ao pedir um combo, você ganha (até as 20 horas) e segunda taça de um vinho diferente do primeiro, totalmente na faixa. A idéia é fomentar o conhecimento e a diversidade a um preço camarada, somente 20 Reais, em um ambiente agradável, aconchegante e descontraído. Para ver mais acesse o site clicando no link do lado ou aqui. http://www.vinoesapore.com.br/happy_email.html

 Salute, kanimambo e um ótimo fim de semana para todos.

Terça Gorda, Taça Transbordando!!

        Existem alguns dias que são especiais na taça, mas a minha anteontem transbordou de alegria e luxúria! Por ela passaram; Quinta do Vesúvio, Altano Reserva Quinta do Ataíde, Chryseia, Post Scriptum, Pombal do Vesuvio, Graham´s Tawny 10 anos, Graham´s Porto Vintage 1997 e um incrível Poggio di Sotto Brunello di Montalcino 2006, entre outros! Este último tomado em companhia de alguns poucos e, também, especiais amigos. Não vou nem falar dos vinhos, seria chover no molhado, porém saõ vinhos de exceção, vinhos verdadeiramente marcantes que fizeram de anteontem um grande e abençoado dia!

       Aos amigos que me proporcionaram essa experiência, meus sinceros agradecimentos e que baco os abençoe! Salute, kanimambo e, se algum desses vinhos passar perto, estenda a taça porque são imperdíveis e dignos de qualquer wish list sendo elaborado.

Festival de Tempranillos ou Não!

       Sou fã desta uva e adorei a ideia das Enoladies, confraria de mulheres, em se reunir para provar vinhos desta cepa das mais variadas regiões da Espanha. Para apimentar um pouco o painel, inclui um (pensei eu) único vinho que não era 100% Tempranillo e não as deixei ver os contra rótulos das garrafas, mesmo sabendo o vinho sendo servido. Exercício sensorial legal, descobrir qual era o vinho que tinha um tempero extra! Seis vinhos que vieram de; Rioja, La Mancha, Ribera del Duero, Pago de la Guardia (Toledo), Castilla y Leon (Sardon del Duero) e Toro. Para começar os “trabalhos”, já marca registrada de todas as degustações que promovo, um espumante para limpar o palato preparando-o para o que está por vir, e desta feita um delicioso Collin Cremant de Limoux (Languedoc) muito fresco e cremoso, mais um fruto do garimpo que faço por esta vinosfera e que vale cada tostão gasto.

Canforrales Selección  (La Mancha) – um vinho bem saboroso e equilibrado, taninos sedosos, redondo e pronto que foi bem solo porém com a chegada dos outros vinhos de outro patamar de qualidade se ressentiu. Pelo preço, no entanto, um vinho que cumpre seu papel com galhardia. Abaixo de R$70,00.

Sierra Cantabria Crianza (Rioja) – riojano em sua essência, amadeirado no ponto, aquela baunilha típica, complexo e rico, taninos sedosos que evoluem na taça muito bem, fruta madura, notas terrosas, finalizando com toques achocolatados. Um vinho sedutor, tradicional, que não nega as caracteristicas desta região de origem. Preço ao redor de R$110,00.

Rivola (Castilla y Leon) – a Abadia Retuerta é uma Bodega que produz grandes vinhos em Sardon del Duero e este é um vinho de gama de entrada que leva 40% de Cabernet que apareciam nas nuances vegetais, em especial a azeitona, muito bem integradas, cremoso na boca um vinho que encantou a maioria. Muito boa paleta olfativa que convida ao próximo gole. Preço ao redor dos R$95,00

Elias Mora Tinto (Toro) – este rótulo é uma de minhas últimas descobertas, um vinho que consegue unir força com elegância num conjunto rico que encanta ao primeiro gole, pois é na boca que ele se mostra em todo seu esplendor com notas de fruto negros e algum tostado. O final de boca encanta, longo, algo especiado e vibrante. Preço por volta dos R$98,00.

Martúe (Campos Pago de la Guardia) – um vinho de Pago na Espanha significa que estamos diante de uma região ou vinhedo  de excepcional qualidade (são somente 13 no país) e este vinho não nega a raça. Já o comentei aqui, mas a cada garrafa que abro mais me seduz, um vinho encorpado,  muita fruta madura, complexo, taninos firmes mas aveludados e aqui minhas desculpas publicas às Enoladies pois este vinho também não era 100% Tempranillo, onde eu estava com a cabeça?!!  É sim um blend que justifica a complexidade do vinho, em que a menor parte é Tempranillo, mas valeu de qualquer forma porque o vinho é da hora. Cabernet Sauvignon (33%), Merlot (22%), Tempranillo (21%), Petit Verdot (13%) y Syrah (11%), um vinho imperdível, na minha opinião a melhor relação custo x prazer deste painel de vinhos, que custa R$98,00. Esteve presente no Happy Wine Time da Vino & Sapore faz umas duas semanas e foi um enorme sucesso.

Uma Cepa (Ribera del Duero) – uma garrafa por planta, é essa a relação fruta x garrafa desse vinho. Um vinho marcante, de produção meticulosa que aparece na taça. Já vendeu por R$135 chegou a 170,00. Está num patamar acima dos outros vinhos, mas o objetivo desses encontros não é só didático, é também se dar bem e este vinho cumpre com honras esse intento, um vinhaço que encanta e, se achado em promoção, tem que comprar de caixa. Denso, muito saboroso, untuoso, ótima textura, especiarias, frutos negros, musculoso porém com um toque de elegância no final de boca, fazendo jus aos vinhos da região que tradicionalmente se mostram bem mais encorpados do que os de Rioja. Um grande vinho a ser conhecido e não foi à toa que foi considerado o melhor vinho do encontro seguido do Elias Mora e Martùe.

No todo, uma seleção muito boa e muito saborosa que seduziu a maioria que posteriormente se esbaldou com um belo pedaço de Chipaguaçu, um quitute da hora trazido pela Mariana, mas esse é papo para outro post. Por hoje é só. Salute, kanimambo e nos vemos por aí ou por aqui, quem sabe onde nossos caminhos nos levam!

 

 

Um Sauvignon Blanc de Tirar o Fôlego!

          Há pouco mais de um mês tive a oportunidade de conhecer um Sauvignon Blanc como há muito não provava e num estilo “loirense” de ser que me seduz. O vinhos desta cepa elaborados nessa encantadora região da França, um de meus muitos desejos na lista de viagens a fazer antes da derradeira, são de uma elegância impar. Sedutores, sutis, plenos de frescor com boa mineralidade e vibrantes, me entusiasmam e no Chile também encontramos rótulos deste estilo, sendo o Laberinto Cenizas 2011 um exemplo onipresente e delicioso que comprova o que digo.

          Do Chile, especificamente da parte mais Andina do Vale do Maule beirando o lago Colbún, foi elaborado na edílica Viña Ribera del Lago (veja uma boa reportagem sobre o lugar aqui ) do respeitado enólogo Rafael Tirado que vem de uma família de winemakers famosa no Chile. Um projeto em que a qualidade se sobrepõe à quantidade com pouco mais de 25.000 mil garrafas produzidas entre 4 vinhos. Este Cenizas Sauvignon Blanc foi considerado pelo guia Descorchados 2012, mais importante guia do Chile, como o Melhor Vinho Branco Chileno. Como, no entanto, sou que nem São Tomé, tenho que experimentar sempre e o que comprovei é que todo esse retrospecto é mais do que merecido. Na minha taça aprovou com honras, verdadeiramente delicioso, um grande Sauvignon Blanc de notas mais vegetais que florais, ótima acidez, fino, com uma mineralidade sedutora na boca e uma persistência muito longa que pede  não a próxima taça, mas sim a próxima garrafa!

      Sem aqueles aspargo muito presente em boa parte dos Sauvignon Blancs chilenos, por vezes enjoativo quando em excesso o que não é tão incomum assim, estamos diante de um vinho muito fino onde os frutos brancos e as suaves nuances de grama cortada se juntam a uma acidez muito balanceada formando um conjunto difícil de bater para aqueles que preferem a sutileza à opulência. Mais para a delicadez da geisha do que a intensidade da madrinha de bateria, (faz algum sentido a comparação?!!) sem deixar de ser vibrante, é um grande parceiro para pratos de frutos do mar e saladas tropicais e foi uma das gratas surpesas que tive este ano, ainda mais porque mesmo com todos esse CV e retrospecto, possui um preço honesto que não chega aos 90 Reais e espero que permaneça assim. Importado pela Magnum.

Salute, kanimambo e amanhã tem Happy Wine Time na Vino & Sapore. Nos encontramos por lá?