João Filipe Clemente

Geisse – sinônimo de bons espumantes brasileiros

        Há tempos que conheço, gosto e recomendo os espumantes da Familia Geisse não sendo esta a primeira vez que falo deles por aqui no blog e minhas colunas. Recentemente, no entanto, tive a oportunidade de conhecer seus novos lançamentos; os Blanc de Blanc e Blanc de Noir nacionais e seu Champagne 1er Cru elaborado, em quantidade limitada,Geisse Champagne a quatro mãos com o produtor francês, Philippe Dumond. Das meras mil e quinhentas garrafas produzidas, metade vieram para o Brasil e farão neste final de ano a alegria de alguns poucos e privilegiados enófilos curiosos e amantes de bons espumantes.

        Falemos rapidamente dos Geisse e me refiro á família não aos vinhos. Mário Geisse é a alma por trás de tudo, enólogo experiente há muitos anos radicado no Brasil, também exercita suas atividades profissionais na Casa Silva, bodega chilena, em seu país de origem.  Seu cantinho de céu encontrou por aqui, mais precisamente em Pinto Bandeira, onde hoje com uvas de seus 22 hectares plantados e na companhia de seus três filhos (Rodrigo, Ignácio e Daniel) produz alguns dos melhores, se não os melhores, espumantes nacionais com reconhecimento internacional tendo Jancis Robinson pontuado seu Brut Magnum 98  com 18,5 pontos sobre 20, coisa que muito champagne de primeira linha ainda está na fila para conseguir! Sua plantação possui cerca de 65% de vinhedos de Chardonnay e o restante de Pinot Noir sendo as melhores parcelas usadas para estes dois novos lançamentos.

DSC01261Geisse Blanc de Blanc 2009 – incrível perlage, ótima mousse com colar de espuma completo, bonito e de boa duração. Aromas sutis com nuances cítricas. Na boca é pura elegância, borbulhas finas que expldem no céu da boca com muita persistência, fresco e muito agradável de tomar. Bom companheiro para frutos do mar e celebrações em geral. Safrado, 2009, é elaborado com as melhores parcelas de Chardonnay de vinhedos próprios.

Geisse Blanc de Noir 2009 – mais uma vez a presença de um colar e perlage exemplares que são características dos espumantes deste produtor, só que desta vez com uma cor diferenciada pois o breve contato com a película da Pinot Noir lhe dá uma cor com notas mais salmonadas do que verdeais que mais comumente verificamos nos espumantes tradicionais. Nariz algo mais frutado com maior volume de boca. Um espumante de mais corpo, cremosos e gastronômico tendo acompanhado maravilhosamente uns pedaços de pancetta que peguei no buffet.

Champagne Geisse / Philippe Dumond  2008 1er Cru – Tomamos história engarrafada! O primeiro sul americano a produzir vinho em Champagne, pelo menos é isso que me consta, num dos poucos produtores 1er Cru, só 43 de cerca de duzentos produtores na região. Um espumante de alma francesa com atitude brasileira! Chardonnay e Pinot Noir meio a meio gerando um vinho cremoso de espuma bem espessa e olfato com maior presença de brioche, leveduras e alguma fruta. É na boca que ele mostra a atitude brasileira onde o cítrico e ótimo frescor estão mais presentes, sustentado por uma magnifica perlage que resulta num final mineral longo e muito saboroso.

       Fui para conhecer esses três, porém também nos foi servido o Nature que é meu xodó e me esbaldei! Como já disse Cave Geisse natureantes, sempre gostei e recomendei estes vinhos porém foi com o tema das Salvaguardas que eles finalmente encontraram seu caminho para A Vino & Sapore. Como sabem, fui um ferrenho adversário da tentativa de golpe que boa parte dos produtores nacionais tentaram dar em nós consumidores então risquei de meu portfolio todos os que apoiaram aquela excrecência promovida pelos barões do vinho. Foi aí que me decidi por ter em meu portfolio a linha da Familia Geisse quase que completa (a linha de entrada Amadeu toda champenoise, é também muito boa e otimamente precificada),  fazendo companhia ao Valmarino & Churchill, Espumantes Bossa e, quem sabe um dia, ainda terei o Orus Rosé do Adolfo Lona. Bons vinhos de quem também se declarou contrário ás Salvaguardas, atitude que temos que valorizar.

      Por hoje é só, mas estes são mais alguns dos bons espumantes nacionais que você pode tomar neste final de ano e sempre, porque como já dizia Napoleão; nas derrotas é necessário e nas vitórias merecido!

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Descobrindo a Argentina e Seus Vinhos – Valles de Calchaquies, Você Conhece?

DSC01459         Numa região pouco conhecida entre nós, a de Salta, fica o coração dos Valles de Calchaquies uma sequência de vales que vão de Salta, passando por Tucuman até a região de Catamarca em longos 520kms, dos quais percorremos cerca de 200 nesta viagem. Uma região inóspita, de rios secos a maior parte do ano, de uma beleza agreste inacreditável e marcante, um lugar para não ir se você for do tipo que não vive sem uma balada e um shopping. Aqui, estamos num mundo diferente, com uma altitude média por volta dos 2000 metros e muita areia e cactos, um lugar seco, desértico com uma precipitação anual ao redor de 200ml ano! Como algo cresce por aqui é quase que um enigma que só o homem explica, uma região mística que tem em Colomé, primeira bodega Argentina datada de 1831 com vinhas de 1854 ainda produzindo, seu ápice. Lá, encontramos o vinhedo mais alto do mundo a 3100 metros, seguido de um vinhedo no Nepal e depois mais vinhedos da região de Colomé entre 2100 a 2600 metros, voltei de lá verdadeiramente enamorado pelo local, seu povo e seus vinhos que pouco conhecemos aqui no Brazil pois a grande mídia e importadores concentram suas ações em Mendoza e mais recentemente, a Patagonia.

      Nesta região, mais do que a Malbec que por si só já e diferenciada, sem aquela fruta compotada mais comum aos de Mendoza,  estamos em terra da Torrontés e estes vinhos evoluíram muito nos últimos anos desde meu Desafio de Torrontés realizado em Março de 2009, que agora me deu vontade de repetir com os mesmos corajosos degustadores da época! Estão menos enjoativos, mais equilibrados e finos, ótimos parceiros para as empanadas salteñas e frutos do mar grelhados ou fritos. Provei pelo menos uns sete que me deixaram muito entusiasmado então quero deixar aqui uma sugestão aos amigos, deixem de lado seu preconceito para com essa uva que a cada ano gera vinhos mais interessantes e quem a conheceu há três ou quatro anos, revisite estes vinhos. Tenho a certeza que, como eu, você também se surpreenderá.

DSC01456Amalaya Branco – Torrontés cortado com riesling que lhe aporta uma acidez muito gostosa. Está no Brasil e custa ao redor dos R$43,00 o que é uma ótima pedida para este verão e praia!

Colomé Torrontés 2011 – colhido em duas etapas, a primeira algo mais cedo para garantir uma melhor acidez e consequente frescor, possui uma paleta olfativa sedutora com toques sutis de flores brancas (jasmim), equilibrado, amplo certamente um belo companheiro para comida Thai ou Mexicana.  Muito bom, anos luz á frente do que tinha provado de 2007, e também está por terra brasilis custando algo ao redor de R$50,00.

Michel Torino Collecíon Torrontés – um degrau abaixo, mas muito saboroso na boca onde a fruta aparece de forma mais escancarada com final muito agradável e álcool bem integrado. Um bom vinho de gama de entrada para a cepa já que deve andar por aí ao redor dos R$30,00. Do mesmo produtor, bom também o Don David num patamar mais alto de preço e sofisticação que merece ser conhecido.

Felix Torrontés  – Um estilo diferenciado advindo de vinhedos com mais de 100 anos. Passa um tempo sur lie o que lhe dá mais complexidade e um nariz algo mais doce. Frutos sobre maduros, uma leve passagem por madeira que não atrapalha, um belo vinho que surpreende e custa por aqui algo ao redor de R$78,00, um outro patamar de produto e complexidade.

El Porvenir Laborum Torrontés 2012 – também faz colheitas em estágios, desta feita em três, para conseguir um vinho super elegante e equilibrado. Muito fino, encanta na boca com seu frescor e toques cítricos, um dos que me mais gostei desta leva de provas e só me arrependo de não ter trazido uma meia dúzia de garrafas. Preço em Sampa ao redor de R$60,00.

Yacochuya Torrontés 2012 – o vinho não agradou muito ao Marcos e Arnaldo Etchart, donos da respeitada vinícola, saindo algo fora do padrão deles, mas eu adorei! Que eles sigam errando sempre, modo de falar porque o vinho efetivamente reproduziu as características da safra! O desvio que não lhes agradou, no entanto, me seduziu o que mais uma vez comprova que nossa vinosfera não é, decididamente, binária. Por volta dos R$65,00.

Etchart Gran Linage 2012 – baita vinho. Sutil, fino, leve floral de flores brancas e algum toque de pessêgo, bom volume, balanceado, final de boca longo e muito agradável  com notas que nos fazem lembrar de grama molhada / lima e bom frescor. Uma seleção de uvas de diversos vinhedos que visam alcançar um estilo prédeterminado pelos enólogos da casa. Mais um que deixou saudades!

        Uma outra cepa que sequer sabia que se plantava por lá me surpreendeu muito positivamente com alguns rótulos realmente sedutores que me levam a querer provar mais, é a Tannat que aqui produz vinhos algo mais macios, taninos firmes e mais aveludados que o tornam algo mais apeteciveis  e fáceis de tomar. Dois rótulos (+ 1 em barrica) me chamaram muito a atenção mostrando que há aqui uma nova fronteira a ser explorada paraa tannat:

Colomè Lote Especial 2010 – que por aqui não chega, mas vi em Buenos Aires a 199 pesos, é um vinho de ótima paleta olfativa, frutos negros bem presentes e algum tabaco. Na boca é muito rico, sedoso e sedutor, adorei e está pronto a beber. Somente cerca de 1400 garrafas produzidas.

Quará Single Vineyard Vina El Recreo 2010 – marcante presença de boca, boa tipicidade, complexo, taninos aveludados presentes porém sem qualquer agressividade, um vinho que surpreende quem tem em mente os tannats dos vizinhos uruguaios e certamente disputaria com honras uma degustação comparativa às cegas.

Etchart – ainda em fase embrionária, porém provamos uma amostra de barrica de um vinho que faz parte de um novo projeto deles e foi de tirar o chapéu. Vem coisa boa por aí!

       Outra surpresa é que esperava vinhos bem mais estruturados, densos, alcoólicos e super extraídos, porém essa é mais a marca registrada de um produtor que escolheu esse caminho e tem sua leva de fiéis seguidores, do que da região como um todo, pelo menos considerando-se o que provamos e que não foi pouco, cerca de 70 vinhos! Durante este mês falarei um pouco mais dos vinhos que mais me surpreenderam e me seduziram, boa parte deles disponíveis por aqui no Brasil.

       Bem por hoje é só, mas seguirei postando mais de minha experiência pela diversidade dos vinhos argentinos. Sim, porque quem acha que na Argentina só há Malbec, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, está na hora de rever seus conceitos!

       Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui. Já reservou seu lugar na Grand Degustation 2012? Ainda existem seis lugares vagos, aproveite a oportunidade de curtir grandes vinhos, ótima comida e desfrutar do alto astral dos encontros enogastronomicos na Vino & Sapore num evento que, como os bons vinhos, promete ser de longa persistência, só que na memória!

Obs. Para boa ordem, esta viagem foi realizada a convite da Wines of Argentina. Fotos retiradas do livro Colomé 180 anos.

Dicas da Semana – Le Grand Degustation 2012

      Todos os anos finalizo o período de mais um ciclo da vida com uma grande degustação, mas desta feita botei para quebrar! rs Neste próximo dia 12 de Dezembro pretendo realizar, se houver quorum, a Grand Degustation 2012 na Vino & Sapore, um encontro que pretendemos venha a ser de longa persistência na memória de cada um dos participantes. Não é todo o dia que temos a oportunidade de degustar grandes vinhos na companhia de ótima gastronomia formando uma harmonização perfeita com os doze participantes desse encontro. O evento, no entanto, só ocorrerá caso tenhamos um quorum minímo de dez pessoas (já temos seis confirmados) e terá como parceira na gastronomia a amiga e Chef Wendy Elago já conhecida de alguns. Vejam abaixo o que espera os amigos que vierem a participar desse gostoso evento.

 Abertura: Receberemos os amigos participantes com o novo lançamento da Cave Geisse, o Blanc de Blanc elaborado com 100 % de Chardonnay. Um dos melhores produtores de espumantes no Brasil com reconhecimento internacional tendo o enólogo Mario Geisse, responsável também pelos vinhos da chilena Casa Silva, recentemente sido convidado a elaborar um Champagne por um produtor 1er Cru de lá. Uma grande honra já que é o primeiro Sul Americano a alcançar esse feito.

Entrada: Tapas de Camembert e Presunto Cru espanhol que será devidamente escoltado por um clássico da Rioja, o Viña Tondonia Reserva Branco 1991.  No mínimo uma experiência diferente pois é um branco diferenciado que prima pela complexidade e evolução oxidativa sem perder a acidez, porém sem aquele frescor típico dos vinhos brancos mais jovens já que falamos de um branco com vinte aninhos de vida!

Degustação: Três vinhos marcantes provados em 2012:

  • Tierga Garnacha 2008 – Espanha
  • Le Difese 2009 – Itália/Toscana
  • Watershed Shiraz 2001 – Austrália

Preparação para o Jantar: Para limpar o palato preparando-o para a continuação da refeição – Sorbet de limão

Primeiro Prato: Puligny-Montrachet 1er Cru Les Champs de Gain 2008, a quintessência dos chardonnays, de Domaine Bouzereau terá como parceiro Cauda de Lagosta com risoto de limão siciliano

Segundo Prato: Pio Cesare Barolo 2007, um produtor e um rótulo de fama mundial e história na elaboração de grandes vinhos, terá como companhia um Ragu de Ossobuco sob uma cama de polenta mole.

Sobremesa: Pandoro de Zabaione da Loison, produtor italiano de panetones, que terá a companhia de um Passito de Malvasia delicioso elaborado pela Gravisano.

Final: nossos já conhecidos Café do Atelié do Café

Grátis: A caminhada em volta da Estação do Sino (onde a Vino & Sapore está instalada) para fazer a digestão! rs

      De cada vinho serão servidos 50ml por participante e o investimento para participar desta verdaderia “Festa de Babete” regada por Baco será de R$320,00 por pessoa, com desconto de R$20 por participante no caso de duas pessoas ou mais. Caso deseje participar desta verdadeira viajem por sabores e aromas diferenciados,  nosso último evento do ano, agradeço entrar em contato através do e-mail: comercial@vinoesapore.com.br .

MOVI – Vinhos Chilenos com Personalidade Própria

Os vinhos do MOVI (Movimento dos Vinhateiros Independentes) do Chile, como falei um pouco antes de minha viagem, me surpreenderam muito positivamente . Alguns baita vinhos , outros muito bons num nível de qualidade poucas vezes provado numa degustação do genêro. São vinhos a nível geral mais caros, porém têm razão para sê-lo!

Dos 21 vinhos provados, alguns merecem um destaque especial tendo separado os que mais me marcaram para comentar:

I-Wines Chardonnay 2011 – Já conhecia o excelente e potente Syrah, porém este Chardonnay me impressionou. Bastante expressivo, untuoso, madeira bem integrada, um belo vinho de final bem longo e fresco. Importadora Berenguer

Lagar de Bezana Aluvion 2008 – um blend Syrah/Cabernet Sauvignon de muita qualidade onde a syrah é protagonista e dá suas caras com muita qualidade. Consegue equilibrar de forma harmoniosa a potência, extração e elegância o que nem sempre ocorrer. Rico e complexo, é um vinho marcante. Importadora Magnum

Meli 2010 – Carignam com mais de 50 anos que leva um tempero de 7% de Cabernet Sauvignon. Encorpado, denso, taninos finos e mito saboroso. É na boca que ele mostra todos seus encantos. Importadora La Charbonade

Garage Field Blend Carignan Old Vines 2010 – de vinhedos de Carignan com mais de 50 anos e um toque de Grenache, por volta de 10%, o vinho é vibrante, de bom corpo, taninos aveludados e um certo frescor de final de boca que nos seduz. Poucas garrafas, algo ao redor de 3500 gfs, para poucos apreciadores.  Importadora Premium

Rukumilla 2008 – Cabernet Sauvignon com Cabernet Franc num encontro muito saboroso e bem feito. Nariz intenso e mito atrativo nos faz levar a taça à boca onde taninos aveludados nos recebem com bom volume de boca onde se destacam notas achocolatadas e tem mais, um teor alcoólico de cordatos 13.2% que nos faz pedir bis. Procurando importador (eu acho!)

Tunken Wines Malbec 2011 – para quem é amante da  uva, è a chance de experimentar algo diferente pois esta interpretação da cepa é algo diferenciada do que se está habituado a tomar da Argentina e os produtores primam por vinhos sempre mais equilibrados e elegantes. De  boa estrutura, denso, extração correta sem exageros, bem frutado de final sedoso e apetecível mostrando bem a matiz do terroir e do conceito do produtor. Procurando importador.

Starry Night  2010 – Puro Syrah de região mais fresca (Maipo Costa – Cordilheira da Costa). Um vinho de muita classe e personalidade, sedutor na boca e no nariz, arrisco dizer que deve ser um dos melhores syrahs chilenos que já passaram por minha taça. Um excelente vinho, apetitoso, elegante, frutado com equilibrados toques de especiarias típicos da cepa, para mim o melhor vinho do evento, sem desmerecer qualquer um dos outros, porém este está um degrau acima dos demais e me seduziu. Procurando importador, acho, porém vi alusões à Vinoart que não conheço?

Para não alongar muito mais este post, listo mais alguns rótulos que estão pouco abaixo destes em minha avaliação, porém todos muito bons que merecem que você gaste um pouco de seu tempo e grana para conhecer e curtir:

Erasmo 2007, Flaherty Aconcagua blend 2008, Gillmore Hacedor de Mundos Cabernet Franc 2008, Von Siebenthal Carabantes blend 2009 e Lafken 2009, também um blend, todos muito bons e diferenciados.

         No total, doze vinhos de tirar o chapéu e despertar muitos uaus pelas mesas mostrando sua capacidade de seduzir, mas os outros ficam pouco atrás. Acho que o “selo” MOVI é certamente um selo a buscar nas garrafas menos conhecidas, fique de olho e aproveite. A foto, tirada a esmo, mostra alguns dos rótulos provados, clique nela para aumentá-la.

Salute e kanimambo

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Descobrindo a Argentina e Seus Vinhos – II

Antes de falar dos vinhos da MOVI, que farei no próximo post, e 160 vinhos mais sábio sobre os vinhos e regiões produtoras dos Hermanos algumas constatações e dicas se fazem necessárias:

A diversidade de terroirs, ou terruños como eles os chamam, é imensa assim como os vinhos e produtores então a pesquisa e a prova é essencial. Saia da mesmice, vale muito a pena!

Não deixe de comprar seu Malbec, porém também não deixe de descobrir os Tannats de Salta, os Cabernet Franc de Mendoza, os Torrontés de Cafayate e os espumantes de Mendoza, todos grandes surpresas para mim que me seduziram. Produtos menos usuais, mas não por isso menos saborosos e de muita qualidade. Aventure-se, eu o fiz e adorei o que tive a oportunidade de conhecer especialmente a enorme evolução que tiveram os Torrontés. Só para que tenham uma ideia, separei pelo menos oito deles que acho imperdíveis!

A Argentina está cara, como já nos tinha informado um leitor amigo, verdadeiramente pela hora da morte no que se refere a preços em geral! Inflação alta, custos nas alturas e moeda fixa estão tirando a competitividade dos produtos argentinos e nos vinhos não seria diferente e há casos em que os preços nas lojas mais conhecidas estão iguais ou muito similares ao Brasil. Se carregar de peso por pouco mais de R$20 a garrafa nos vinhos comodities, quando muito, não vale a pena então minha sugestão é explorar os rótulos menos conhecidos e que não estão presentes no Brasil.

As lojas de vinhos padrão tipo Winery e Tonel Privado quase só vendem aquilo que já cá temos com pouca diversidade e um atendimento meia boca (pelo menos nas que entrei), então a dica vai aqui para duas lojas:

  • Lo de Joaquim Alberdi – Jorge Luis Borges 1772 – Palermo Soho com bons preços e produtos diferenciados. Loja bonita, atendimento de primeira, é minha preferida e há tempos que a indico aqui. Segue sendo uma exceção entre as obviedades do setor. www.lodejoaquinalberdi.com
  • Aldos Vinoteca & Restoran – Moreno 372 – aberto até tarde da noite com uma bela seleção de vinhos, certamente uma visita imperdível para os enófilos de plantão. www.aldosvinoteca.com

Parrilla em Buenos Aires tem aos montes, mas como o Don Julio (Guatemala 4699 – Palermo Soho) há poucos. Ótima carne e os vinhos acompanham o nível. Lá tomamos um Siesta Syrah 2007 (não muito fácil de se encontrar nas loja) muitíssimo bom, nota dez com as entradas (chouriço e morcilla) e carnes (ojo de bife, asado de tira)!

Em Mendoza não perca dois restaurantes, pelo menos, que possuem ótimos cardápios e excelentes cartas de vinho assim como uma loja com uma boa coleção de vinhos antigos, tinha até um Weinert estrela 1977!!

  • Siete Cocinas do Chef Pablo del Río, um cocinero de primeira e super boa gente. Releituras de pratos das diversas regiões argentinas com uma bela e diversa adega – Av. Mitre 794 Esquina com San Lorenzo. www.sietecocinas.com.ar
  • Azafrán com comida deliciosa, ambiente idem e uma cava de vinhos de primeira linha, tem a possibilidade de, tempo permitindo, de servir nas mesas da calçada para passar momentos muito agradáveis. Av. Sarmiento 768. www.azafranresto.com
  • Juan Cedrón – Não possuem site. Mas descendo a Sarmiento, atravessa a Plaza de Independenzia  e quando entra na parte da rua só para pedestre fica logo do lado direito, creio que no número 290. Vários rótulos de 97, 99 e verticais diversas de Enzo Bianchi, Achaval Quimera, Yscay, Angelica, Estiba Reservada, entre outros! Algumas boas promoções também, como um Achaval Malbec Mirador 2006 (Divino) por 600 pesos quando a média de mercado é 1000!

Por enquanto é só, depois falo um pouco daqueles rótulos e bodegas que, de alguma forma, mais me marcaram nesta viagem de descobrimentos e, em breve, uma cata de vinhos ainda não disponíveis para venda no Brasil que trouxe como um exemplo da enorme diversidade  e estilos descoberta nesta viagem. Aguardem o dia e, se quiserem, já me antecipem seu interesse através de e-mail ou através de comentário aqui no blog.

Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

Carnaval em Espanha e Portugal

         Gente enquanto ando por aqui nas terras dos hermanos, metido no meio de uma greve que afetou todos os transportes, minha querida amiga e sócia lançou nossa nova viagem enogastrocultural que, para variar, está imperdível e desta eu não escapo não e certamente estarei junto com os amigos que nos derem o privilégio de sua companhia. Desta feita metemos alguns dias em Espanha o que tornou a viagem ainda mais interessante e o roteito ficou demais, muita diversidade e qualidade que é nosso mantra nessas viagens. Na volta falo mais do tema, mas de agora fique com o que a Inês publicou:

Mais uma imperdível viagem ao velho continente acaba de sair do forno. Desta vez, após muitos pedidos, fizemos questão de incluir a Espanha. Serão 14 dias de total imersão (e diversão) no melhor do vinho, da gastronomia e da cutura ibérica.

Para a acessar o roteiro completo com todos os detalhes da viagem, preço e condições, acesse o PDF clicando no seguinte link: roteiro completo.

Confira também como foram as outras viagens inesquecíveis já realizadas nos links abaixo:

Viagem Enogastrocultural Portugal Outubro 2012
Viagem Enogastrocultural a Portugal Fev/Março 2012

Esperamos você a bordo. O grupo será pequeno, de apenas 15 pessoas, então programe-se já! Salute, kanimambo e nos vemos por aqui, amanhã com, espero, algo mais sobre esta iagem de descobertas pela vinosfera argentina.

Descobrindo a Argentina – I

        Incrível viagem que se iniciou pelo norte do país com parada num lugar mistico chamado Colomé! Melhor forma de começar esta viagem de descobrimentos impossível e as surpresas têm se sucedido. Quando fazemos uma viagem destas é que nos damos conta de como as importadoras trabalham mal seus vinhos se atendo demasiado aos grandes nomes comerciais e se “olvidando” da enorme diversidade de rótulos, uvas, produtores e regiões que poucos conhecem.

     As dificuldades de comunicação aqui na remota região de Salta são tremendas, celular aqui esquece (!), e agora em Cafayate  consegui um sinal para rapidamente escrever este post, mas e-mails necas!. Já descobri algumas coisas muito interessantes e na volta farei duas degustações especiais. A primeira só com vinhos que curti por aqui mas que não estão disponíveis no Brasil e dos quais comprei uma garrafa para provarmos juntos, já a segunda serão com vinhos que não conhecia porém já são importados. Uma coisa eu sei, Baco certamente andou se escondendo por estas bandas!

      Vinho de 3.000 metros acima do nível do mar (sim andamos nestas alturas, na verdade a 3475 metros) , bons tannats, surpreendentes torrontés, malbecs diferenciados e cabernets de muita qualidade, o pessoal daqui mostra uma diversidade enorme a qual precisa ser explorada para extrair da região tudo o que ele pode dar.

    Não esqueci que devo as informações sobre os vinhos do MOVI e assim que der eu sento e coloco isso por aqui, mas haverá muito mais matéria para compartilhar com os amigos, pois em três dias já são mais de 45 vinhos provados. Aguardem, mas tenham paciência pois o tempo é escasso e as dificuldades grandes. Conforme for dando vou atualizando o Blog. Salute, kanimambo e abram sas mentes, corações e taças para a diversidade dos vinhos dos hermanos, pois, como estou descobrindo, há muita vida neste lugar para além dos óbvios Malbecs mais midiáticos.

     Salute, kanimambo e nos vemos por aqui

MOVI – Um Exemplo Chileno a Ser Seguido Pelos Produtores Brasileiros

     Há poucos dias participei da degustação promovida pelos 21 membros desta associação e A-DO-REI o que ouvi e provei, um exemplo a ser seguido. MOVI – Movimento dos Vinhateiros Independentes do Chile é uma associação de 21 produtores loucos por vinho que põem a mão na massa para produzir apenas algo ao redor de 40.000 caixas ano, ou por volta de 500 mil garrafas no total! Tem gente nesse grupo que produz ínfimas 1000 caixas ano ou seja, são produtores artesanais movidos por um projeto pessoal onde a paixão é colocada em prática “refletindo o caráter e identidade do terroir de seu local de origem”.

       Cada um tem seus canais de venda específicos e toca seu negócio de forma indepentente, porém a associação trata de promover conjuntamente as empresas e seus produtos e que produtos! Faz tempo que não participo de uma degustação tão marcante com presença de vinhos deste patamar de qualidade mostrando que a vida para além dos grandes conglomerados e rótulos midiáticos chilenos existe e é de primeira linha. Nascido há quatro anos com doze produtores, hoje totaliza 21 porém o grupo segue aberto a outras inclusões. Eis a lista dos produtores dos quais tivemos o privilégio de provar uma seleção de vinhos realmente top; Armidia, Bravado Wines, Bustamante, Clos Andino, Flaherty Wines, Garage Wine Co., Gillmore, I-Wines, Lafken, Lagar de Bezana, Meli, Peumayen, Polkura, Reserva de Caliboro (Erasmo), Rukumilla, Starry Night, Trabun, Tremonte, Tunquen Wines, Villard e o maior deles, a Von Siebenthal. Fique de olho nos rótulos desse pessoal, valem muito a pena serem conhecidos!

        Não sou de dar nota para vinhos, exceto em concursos e degustações do qual participo e haja essa necessidade, porém se tivesse que o fazer neste dia creio que 80% desses vinhos teriam pontuação acima de 90 pontos o que, para mim, não é comum fazer. Pessoalmente costumo classificar meus vinhos em:  Ruim / Fraco / Médio (Honesto) / Bom / Muito Bom / Excelente e DTC (De Tirar o Chapéu) e nesta degustação, afora uns três ou quatro rótulos “somente” bons, todos vinhos de grande categoria e uma meia dúzia marcantes. Na semana que vem compartilho um resumo dos vinhos tomados, mas desde já fico triste pois o MEU vinho da degustação não tem importador, ainda! Vou ter que pedir para os amigos me trazerem umas garrafas, fazer o quê.

      Esta introdução aos vinhos da MOVI, tem o objetivo de dar um toque aos pequenos produtores artesanais brasileiros que não participaram dessa excrecência de Salvaguardas ao Vinho Brasileiro, sim não esqueçerei tão cedo, que a Ibravin e os barões do vinho quiseram nos impor, UNAN-SE! Montem sua própria associação com projetos mercadológicos conjuntos, saiam pelo Brasil mostrando sua cara aos formadores de opinião e publico em geral. Deixem de ficar se lamentando pelos cantos, hajam, tomem uma atitude tipo MOVI e façam acontecer porque como já dizia Vandré; “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”!

      Salute, kanimambo e um ótimo feriado a todo, semana que vem falo dos vinhos provados. Quem ficar em Sampa e região vai aqui uma dica; nesta Sexta na Vino & Sapore tem Happy Wine Time! Vá conferir os  bons vinhos que estarão disponíveis á taça com empanadas Caminito e outros quitutes num ambiente informal, descontraido e gostoso com a cara da Granja Viana.

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Pensamento da Semana

      Para começar bem a semana de feriadão, um pensamento que visa valorizar mais os momentos que os eventuais néctares na taça pois como já dizia Humphrey Bogart; ” Os vinhos que são mais lembrados não são necessariamente os melhores que foram degustados. A qualidade suprema pode não ser tão prazerosa quanto aquele vinho mais humilde bebido em circunstâncias especiais”

      Dá para pensar não? Pergunte-se qual o melhor momento do ano na companhia da taça, talvez se surpreenda com a resposta! Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.