João Filipe Clemente

Harmonizando Jerez, Parte II de Uma Saga!

Finalmente chegou a hora e com este encerro meu trio de posts sobre o tema Jerez! Como de praxe em todas as degustações que monto, primeiro um espumante de boas vindas para preparar o palato que, em função do tema, desta feita optei por um cava de reputação ilibada, o Juve y Camps Cinta Purpura já com uma certo tempo de garrafa, notas de evolução que lhe trouxeram ainda mais complexidade, tudo a ver com o que viria a seguir. (clique nas imagens para aumentá-las)

Combinei com a Sandra e sua equipe, que com cada um dos vinhos serviríamos duas opções de harmonização. A grosso modo, o comum é uma série de tapas e pinchos com uma ou duas copas, mas desta vez passamos o sinal e ousamos, pelo menos um pouco! rs Nosso primeiro vinho e harmonização foi com um de meus Jerez acessíveis com que volta e meia abro eventos servindo com uns pinchos de Jamon Serrano e Brie (Manchego está caro demais!), amêndoas salgadas, azeitona, tremoço e coisas do tipo, desta feita quis ir um pouco além.

Manzanilla La Gitana – velho companheiro, toques amendoados com uma salinidade bem marcante e seco, muito seco. Dois pratos, os aspargos com azeitona e as incríveis anchovas maçaricadas marinadas ao limão. Como já esperava, esmero no preparo e deliciosos ambas as harmonizações. Para uns mais azeitona sem aspargos, para outros a combinação e para outros ainda, as anchovas. Achei boas as duas, mas as anchovas foram incríveis e aquele toque maçaricado fez a diferença, uau!

Amontillado Williams & Hubert Jalifa Selección Especial envelhecido 30 anos (VORS).- com o perdão da palavra, PQP!!! Esse acho que o Homem desceu e o abençoou pessoalmente. rs Absolutamente divino, daqueles que não sabemos se fungamos ou bebemos, na duvida os dois, mas uns pingos atrás da orelha antes de dormir deve elevar o libido! Dá para ver né, me deixou louquinho, mas tinha mais, tinha a harmonização com Salmão Gravlax  e sour Cream mais Alcachofras com Pinhole. Por similaridade a harmonização das alcachofras com os pinholes fazendo uma incrível liga com o Jerez ficou muito boa, mas o salmão ficou incrível, digno de muitos uaus na mesa, e por contraste despertou sensações diferentes. Ah, não falei muito do vinho né, notas de caramelo, baunilha, avelãs (nuts), sei lá, viajei aqui e pena que a garrafa era de 500ml, merecíamos mais! rs Meu preferido, certamente aporrinharei alguns viajantes amigos para me trazer algumas garrafas.

Hidalgo Villapanés Oloroso – a principio deveria ser servido após o Palo Cortado pois é mais potente que esse só que o Palo Cortado dizem possuir os aromas do Amontillado com a boca do Oloroso, então sá daria para comparar se os dois já tivessem sido tomados, ou não? Coisa de lógica lusa? Só sei que deu certo. rs Muita estrutura, paleta olfativa mais tímida, o peso pesado dos Jerez e tradicionalmente harmoniza com charutos, não me pergunte quais por que disso não entendo bulhufas. Duas eram as propostas aqui, um Croquete de Jamon e  Peito de Pato com cogumelos. Inacreditáveis aqueles croquetes, para pedir de dúzia, mas leves demais o vinho os trucidou. Já o pato, meus amigos, da hora e uma harmonização bastante complexa, show e sim, dizem as más línguas que com charuto também ficou bom!! rs De qualquer a forma, apesar de muito bom, o vinho que menos fez a minha cabeça já os charuteiros curtiram o pós confraria.

Lustau Palo Cortado 30 anos (VORS) – o vinho mágico que aparecia por obra da natureza, masque hoje se controla. Um intermediário de potência entre o montillado, mais sedoso, e a estrutura poderoaa do Oloroso. Realmente interessante o fato de que se nos guiarmos tão somente pela paleta olfativa podemos facilmente o confundir com o Amontillado. É precisa a definição que o Palo Cortado possui os aromas de um e o palato do outro, valeu muito esta sequência. Frutos secos, algo achocolatado, nuts, madeira, uma profusão de sabores e aromas. Atropelou o gostosa Tortilla de Batata, mas acompanhou maravilhosamente o incrível Carré de Cordeiro com Cuscuz.

Gonzales Byass Solera 1847 Cream – saímos do mundo dos secos e generosos, para o dos doces e este é muiiito bom. A data aqui não tem efetivamente nada a ver com a da Solera, mas sim uma alusão e homenagem ao ano de nascimento do fundador. Acho que confunde, mas talvez tenha também esse objetivo. rs Isso, no entanto, não atrapalha nem sabores nem aromas e aqui partimos para uma outra paleta, a de caramelo, uva passa, figos secos, que pedem sobremesas. A Palomino é predominante e é acrescida de 5% de Pedro Ximenez que lhe aporta o toque mais doce e cor escura. Após o blend é colocado em solera por 8 anos. O Cheese Cake de Damasco, excepcional, foi um deleite, uma harmonização primorosa que recomendo porque é marcante.

Equipo Navazos la Bota 76 PX com produção limitada a apenas 1800 garrafas – é, a escolha foi feita a dedo e imagens direto da loja em Madrid via Whats! Valeu a pena, mais um vinho de alto nível no páreo. Veio de uma solera do ano 2000 criada com vinhos antigos puros PX advindos de uma velha bodega que tinha encerrado suas atividades. Em 2008, quando do primeiro engarrafamento, já se falava de vinhos com mais de 20 anos de idade média, agora nesta segunda sacada com 30 anos, estamos diante de algo especial na taça. Denso, cremoso do tipo de colocar uma colherinha daquelas plásticas de café e esta ficar em pé (rs), retinto, cor iodizada, caramelo, bala toffee, cacau, uma bomba doce com 370grs de açúcar residual inviável com o que restou do cheese cake apesar da boa acidez. Dizem que vai bem com crema catalana e doces de chocolate, para mim acertamos no queijo Talleggio que podia estar até um pouco mais forte, mas casou bem com o vinho. É vinho para queijos forte, Reblochon, Taleggio, Pont laveque bem maturado, etc. muito boa harmonização

Lustau Solera Finest Selection Gran Reserva Brandy de Jerez, um destilado de primeira linha com uma única passagem em tanques de cobre elaborado com 100% de uva Airén trazida da região de la Mancha que posteriormente envelhecem em barricas de Amontillado, Oloroso ou PX. Este Finest Selection é uma seleção de brandies especiais que envelheceram por 40 a 50 anos em barricas de de PX, Amontillado e PX que depois de ser feito o blend envelhece por mais 15 anos em barricas de Jerez. É absolutamente divino e totalmente diferente do que esperávamos. Pensamos que iria se dar bem com charuto, de acordo com os charuteiros de plantão dançou, nada a ver e eles foram mesmo é de Oloroso. Apesar de seus 40% de teor alcoólico, mostrou-se extremamente macio, desce sem “rasgar” de forma sedosa. Incríveis aromas de baunilha, madeira, toffee, amêndoas, uma complexidade ímpar e sedutora, boca idem com algo de especiarias no final, muito louco isto. Me encantou, sim é potente, mas elegante ao mesmo tempo, gamei! Ainda tinha sobrado um tico de cheese cake de damasco, não resisti e coloquei um pouco na boca, explosão de sabores um “acidente” que deu muito certo, mas não se preocupe com isso não, curta o Brandy, eu que não sou de destilados já encomendei uma! rs Minha segunda preferência nesta incrível noite.

Gente, é isso, tenho que dizer que certamente esta está entre as três melhores degustações já realizadas pela Quinta Divina em quase seis anos de vida. Certamente a mais inusitada junto com a de Alcachofras e Vinho sob a batuta do mestre cozinheiro e confrade Carlos Godinho. Por sinal, já estou trabalhando nesse post também, aguardem. Muito bons vinhos, ótima cozinha, grandes amigos, que mais???

Um agradecimento especial aos amigos que compõem a confraria, foi uma tremenda honra e responsa, poder preparar tudo isto, aos confrades que compraram e trouxeram os vinhos (veja o post da saga), à Chef Sandra Antunes Souza do Flôrida Garden Café (Granja Viana) muita qualidade, sabor e esmero em todos os pratos apresentados. À equipe do Flôrida e, para quem for da Granja e região uma dica, eles estão abertos para eventos e almoço executivo, vale a pena!

Mais um longo post, mas tinha muito a compartilhar e fazer uma terceira parte seria demais né! Uma dica, explorem esses vinhos, são diferentes, grande pedida para papos, pinchos y tapas, ou experiências especiais que nem esta. Kanimambo pela visita e uma ótima semana para todos.

Saúde

De Madrid à Quinta Divina, a Saga de Uma Degustação Harmonizada de Jerez.

Se prepara, demorou para armar essa e a história é longa! rs Tudo começou em Setembro/Outubro do ano passado, após abrir os trabalhos com um Jerez Manzanilla em vez do costumeiro espumante, quando decidimos armar uma degustação para explorar a diversidade dos vinhos de Jerez que a maioria achava só serem doces. Fui orçar no mercado, inviável para o orçamento da Confraria. Opção encontrada, já que um dos confrades ia para Madrid em Novembro, comprar os melhores e os mais caros (Amontillado VORS 30 anos, Palo Cortado VORS 30 anos, Oloroso e o Brandy Solera Gran Reserva Special Selection) lá e os outros por aqui mesmo, no final saiu tudo por menos da metade do preço!

 

Tudo comprado, confrade feliz nos enviou foto pelo Whats e nós por aqui já esfregando as mãos, preparando o palato para o grande encerramento do anos e salivando, mas …! É, tem sempre um mas. rs Não é que no embarque do voo de volta Madrid, Lisboa, São Paulo a TAP proibiu o embarque desses e de outros vinhos que eles traziam!!! (cuidado, especialmente em voos com transbordo de aeronave) Eles vieram, os vinhos ficaram no guarda volumes do aeroporto. Na volta, todos correndo atrás de alguém confiável em Madrid para ir buscar esses vinhos e guardá-los.  Depois de alguns poucos dias, missão cumprida, e agora, como trazê-los??

Em Fevereiro, numa viagem a Portugal, lá vão os amigos a Madrid buscar os vinhos que, vejam só, embarcaram de volta de Lisboa, pela mesma TAP, sem qualquer problema, UFA!! Agora, enquanto os vinhos descansam, correr atrás de harmonizar isso tudo e mais uma saga! Um cara, chef conhecido de uma amiga, se predispôs a preparar um menu que seria executado na casa de um dos confrades aqui na Granja. Demorou ad eternum para chegar com uma proposta de 2000 Reais para ingredientes e vir até a Granja, Uber e mais R$500 (!!!!!) por pessoa. Vou ser sincero, nem abri o menu, seria muito mais negócio ir a um restaurante de primeira linha espanhol aqui em Sampa e ainda sobraria grana, pirou legal o cara. Se queimou à toa, bastava dizer que não podia, não tinha interesse, estava ocupado, certamente mais honesto e correto. Ah, nem me pergunta o nome dele, já esqueci!! rs

Fiquei feliz ao saber que a Chef Sandra Antunes de Souza, parceira em outras atividades inclusive numa degustação de vinhos espanhóis na Vino & Sapore onde servimos tapas e pinchos, tinha recém aberto seu Flôrida Garden Café onde também servia pratos ao almoço, por sinal muito bons, recomendo. Lá vou eu conhecer o lugar, super charmoso diga-se de passagem, e rever a competente amiga. Alguns poucos dias depois, tudo armado e chegou o grande momento que há seis meses esperávamos, explorar os vinhos de Jerez e suas potenciais harmonizações. Como o amigo Didu mencionou num post no Face fazendo referência ao mestre Don Jerez (José Luiz Pagliari), as harmonizações tradicionais são:

“Fino” – Aperitivos, Presunto Cru, Fritura de peixes e carnes brancas, Embutidos sem pimentão, Mariscos iodados, Aspargos e Alcachofra.

“Manzanilla” – Aperitivos, Presunto Cru, Fritura de peixes e Mariscos iodados.

“Amontillado” – acompanham sopas e consomes, as carnes brancas e os queijos curados.

“Oloroso” – acompanham bem as caças e as carnes vermelhas.

Os “Medium” e o “Pale Cream” acompanham muito bem o foie gras, os patés e as quiches, além de frutas frescas.

Os “Cream” são para sobremesas

“PX” – Pedro Ximenes são ideais para doces e queijos azuis

Como nessas coisas eu sou pouco tradicionalista e gosto de ousar, me debrucei na pesquisa sobre o tema e usando minha intuição mais a criatividade da Sandra e algo do tradicional, por que nunca tinha harmonizado Jerez fora o Manzanilla, eis o resultado do menu escolhido. Duas opções para cada vinho começando com Manzanilla seguido de Amontillado, Oloroso, Palo Cortado e o Cheese Cake com o Cream e o Taleggio com o PX.

 

Querem saber o resultado, bem, este post já está ficando longo demais, então vou deixar o resultado para Segunda, ok? Food for thought (como diriam os ingleses) para o fim de semana, rs, kanimambo pela visita e nos vemos na Segunda por aqui ou no fim de semana na Vino & Sapore. Já reservou presença no Desafio Sul Americano de Merlots, NÃAO???

Saúde

O Que é Um Vinho Jerez.

Longe de mim me intitular de especialista em Jerez, até porque para isso teria que ter uma litragem considerável nestes vinhos únicos o que não é o caso. Algo tenho no entanto, rs, e curto especialmente com tapas e pinchos diversos, porém não são vinhos de fácil assimilação pelo consumidor em geral, salvo os mais curiosos e  com boca já “calejada” por anos de exercício com a taça! De qualquer forma, este post hoje serve como uma introdução a esse mundo, já a sequência depende de você e passará, necessariamente, por alguns tragos! rs

O primeiro passo para explorar esse mundo diferente é entender que estamos entrando numa forma diferente de fazer vinho, o Jerez não é só diferente, é único e possui uma história de mais de 3000 anos na Andalucia, região estratégica da Espanha, tendo se tornado DOC em 1935.

Os Jerez são, como os vinhos do Porto, Madeira e Moscatéis portugueses, vinhos fortificados que variam de 15 a 20% de teor alcoólico dependendo do estilo e que muitos pensam ser só doces. Ledo engano e, para mim, os melhores ainda são os secos. O que mais saber sobre essa diversa família de vinhos?

Primeiro, todo o Jerez após o processo de fermentação passa pelo processo de envelhecimento (crianza) de SOLERA que é caracterizado por um encadeamento dos barris (600ltrs), como se fosse uma pirâmide em que o vinho jovem é armazenado nos barris do topo. O vinho mais velho permanece próximo ao solo (daí o termo solera).

As inúmeras fileiras entre o topo e a solera desta pirâmide guardam o vinho que está sendo envelhecido. Estas camadas são conhecidas por criaderas. A solera é quem fornece o vinho que será engarrafado e ás criaderas cabe o amadurecimento paulatino do Jerez. Nenhuma camada de criaderas possui vinho de uma única safra. Cada barril é enchido a 5/6 de sua capacidade (500 de 600 ltrs) total para que haja oxigênio em seu interior. A cada safra comercializada, 1/3 (pode variar dependendo do produtor) do vinho da solera é retirado para engarrafamento. Aos 2/3 que permanecem na solera, é adicionado 1/3 da criadera imediatamente superior, ou 1a. Criadera. A 1a. criadera é completada com 1/3 do vinho da 2a. Criadera e por aí adiante até 10 criaderas, apesar de a maioria usar tão somente 4 níveis de criaderas. Á Criadera mais elevada será então adicionado o vinho novo. Difícil que uma solera dessas se esgote então, dependendo do quanto se saca de cada uma e com que frequência, algumas soleras podem possuir vinhos muito antigos então ela costumeiramente é classificada por sua idade, dificilmente um Jerez é safrado, já que cada solera recebe vinhos de diversas safras. O Jerez mais antigo que já tomei foi um Alvear PX Solera 1927 que é o ano em que a solera foi criada. Esse mesmo produtor tem PX de 1830 e 1910!!

Segundo, os tipos de envelhecimento (crianza) variam em função do estilo que se quer produzir, crianza oxidativa ou biológica. Como as barricas possuem 1/6 de seu espaço vazio, as leveduras acabam formando internamente um véu, conhecido como flor, que evita a oxidação mas que só sobrevive se o teor alcoólico do vinho não exceder os 17% porque se não o véu se rompe. O Jerez pode passar também pelo amadurecimento oxidativo (acima de 17% álcool), depois que essa película desaparece, e o vinho passa a ser exposto ao oxigênio. O Jerez é produzido a partir de somente 3 diferentes cepas, todas brancas: a Palomino (vinhos secos), a Pedro Ximénez e a Moscatel para os doces.

Terceiro, os diversos estilos elaborados:

        Generosos, com menos de 5 gramas de açúcar residual por litro, os vinhos secos de Jerez, possuem teor alcoólico entre 15 a 22% e são fortificados (encabezados).

Fino/Manzanilla, de cor clara e pálida é costumeiramente fruto de mosto de primeira prensagem, amadurece totalmente protegido do oxigênio pela camada de fermento flor, crianza biológica, e é dos Jerez menos alcoólicos, com teor de 15° e o mais seco com apenas 1gr de açúcar residual. Manzanilla é o nome oficial próprio para Jerez Fino específico da cidade de Sanlúcar de Barrameda. Há quem os separe em dois tipos no entanto, mas a grosso modo a única diferença entre os dois me parece ser o terroir que dá um toque algo mais salgado ao Manzanilla já que o processo de elaboração é igual.

Amontillado, de cor âmbar não muito intensa, é parcialmente protegido pelo fermento flor (fermentação biológica), com teor alcoólico entre 17 e 22°, passando também por amadurecimento oxidativo após o rompimento da flor.

Oloroso, sofre alta exposição ao oxigênio durante o amadurecimento oxidativo, sem fermentação biológica,sendo costumeiramente de mostos de segunda prensagem com maior extração, apresenta cor âmbar que pode chegar até ao tom do mogno, e teor alcoólico entre 17 e 22°. Bem encorpado

Palo cortado, com aromas de Amontillado, com cores e paladares de Oloroso, e teor alcoólico entre 17 e 22°, sofre exposição parcial ao oxigênio durante seu amadurecimento.

         Generosos licorosos, um pouco mais doces, e com 15 ou 15,5° de álcool. Tradicionalmente um corte de vinhos já criados e com maior concentração de açucar residual.

Pale cream, de 45 a 115 g de açúcar/l, amarelo palha a dourado. (corte de Finos)

Medium, de 5 a 115 g de açúcar/l, de cor âmbar podendo chegar a mogno.

Cream, de 115 a 140 g de açúcar/l, de cor intensa âmbar variando a mogno, devido à maior exposição ao oxigênio durante o envelhecimento

        Naturalmente doces, de uvas colhidas tardiamente e expostas ao sol (soleo) para secarem desidratando e concentrando açucares. De aspecto denso, cremoso e escuro, com cor próxima ao ébano/iodo, processo oxidativo:

Doce, com mais de 160 g de açúcar residual por litro.

Moscatel, com mais de 160 g de açúcar/l, e concentração de vinho da uva Moscatel em pelo menos 85%.

Pedro Ximénez, com mais de 212 g de açúcar/l, e composto por pelo menos 85% de vinho da cepa Pedro Ximénez.

Além disso, o Conselho Regulador de Jerez certifica também categorias de acordo com o tempo de envelhecimento.

V.O.R.S. (Vinun Optimum Rare Signatum), com mais de 30 anos de envelhecimento.

V.O.S. (Vinum Optimum Signatum), com pelo menos 20 anos de envelhecimento.

Indicação de idade de 15 anos.

Indicação de idade de 12 anos.

A região ainda produz magníficos vinagres de Jerez e Brandy de Jerez que valem a pena serem explorados e para quem quiser se aprofundar neste tema sugiro visitar o site oficial do conselho regulador clicando aqui. Junto com os amigos da Confraria Quinta Divina decidimos explorar esse mundo numa degustação especial e harmonizada de Manzanilla, Amontillado, Oloroso, Palo Cortado, Cream, PX e um Brandy divino. Esse econtro da confraria despertou este post e num próximo compartilharei com vocês esta experiência que foi, digo desde já, da hora!

Kanimambo pela visita, saúde

 

Desafio Sul Americano de Merlots

Pessoalmente, mesmo sendo um grande fã e divulgador da necessidade de diversificar, tendo a acreditar que a grande uva brasileira, mais precisamente do Vale dos Vinhedos, é a Merlot. Produzimos muita quantidade de bons Merlots, talvez na média superiores aos de nossos hermanos argentinos, uruguaios e chilenos. Alguns dos Merlots tops brasileiros brigam pau a pau com seus congêneres sul americanos e quiçá do mundo, mas como ter a certeza?

Tem gente, por outro lado, que não é chegada em Merlot, é tem disso! rs Eu sempre acho que a razão disso talvez seja porque nunca tenha provado ou tomado um grande Merlot. Aliás, para quem me diz que não gosta de Merlot eu lembro que um dos vinhos mais conceituados do mundo é um Merlot, um tal de Petrus, não sei se já ouviram falar? rs

Pois bem, neste próximo dia 11 de Abril, uma Quinta-feira, armei uma degustação às cegas para começar bem o ano agora que o carnaval terminou. Na Vino & Sapore a partir das 20horas, ás cegas, em ordem aleatória degustaremos os três principais Merlots nacionais – Pizzato DNA (R$280), Miolo Terroir (R$175), Valduga Storia (R$260) versus Fabre Montmayou Gran Reserva Merlot (R$220) da Argentina, Santa Ema Amplus Merlot do Chile (R$185) e Bracco Bosca Gran Ombú do Uruguai (R$500).

Teremos apenas 12 vagas para quem se candidatar a compor a bancada de juízes da noite. Para preparar o palato um espumante de primeira e para acompanhar, água, pãozinho, queijos, embutidos, café e estacionamento gratuito. Essa experiência custará R$175,00 por pessoa, pagos no ato da reserva. E aí, vai deixar passar? Fico no aguardo de vosso contato e à disposição no caso de eventuais dúvidas.

A Vino & Sapore fica na Rua José Felix de Oliveira, 875 acesso pelo km 24 da Rodovia Raposo Tavares sentido interior, centrinho da Granja Viana. Saúde, kanimambo e espero vos ver por aqui neste desafio de respeito, quem ganhará?

 

Três Vinhos Que Fazem a Minha Cabeça

Recentemente num gostoso, sempre, Domingo em família aqui em casa tive o privilégio de abrir estes três vinhos que fazem a minha cabeça.

Vallontano L H Zanini Extra Brut safrado, neste caso um 2015. Certamente um dos melhores espumantes nacionais que não faz feio, como a maioria por sinal, perante a concorrência estrangeira nesta faixa de preços. Limitado a pouco mais de 4 mil garrafas e só algumas poucas safras (08,10,11,12,13,15 e 16) no mercado até agora, é um corte clássico de Chardonnay (75%) com Pinot Noir elaborado pelo método tradicional/champenoise. Dois anos de autólise (contato com as leveduras) antes do degorgement (colocação da rolha). Incrível perlage e espuma abundante formam um bonito colar na taça, aromas de brioche compõem com frutos cítricos uma sedutora combinação que nos fazem querer levar a taça à boca sem muita delonga! rs Na boca uma textura deliciosa, cítrico com toque de frutas brancas, as borbulhas intensas “penicam” o céu da boca, como diriam meus colegas e amigos lusos, um verdadeiro gozo que perdura na boca e na memória! Preço na casa das 100 pratas em Sampa, vale cada centavo.

Montesco Água de Roca Sauvignon Blanc já é um habitué por aqui e na minha mesa, sempre que posso peço para alguém me trazer umas garrafas. Clicando aqui dá para ler alguns comentários já realizados, mas este 2017 estava diferente, mais peso e estrutura, álcool bem mais alto do que os primeiros tomados que variavam entre 9,5 a 11% e este, ao que me lembre, bateu os 12%. Continua ótimo, imagino que tenha sido algo a ver com a safra, porém prefiro os de teor alcoólico mais baixo, acho que tem mais a ver com a proposta.

Cara Sur Criolla é mais um daqueles que sempre que posso encomendo com amigos. Não provei até agora qualquer outro vinho elaborado com esta uva que me desse tanto prazer de tomar e é um porto seguro. Também já o comentei diversas vezes então clique aqui para ler mais, porém esta uva está presente toda a costa leste das américas sendo conhecida como Criolla Grande na Argentina, leva o nome de País (Criolla chica) no Chile de onde ainda não consegui gostar de nenhum vinho provado e Mission que é seu nome original trazido pelos colonizadores espanhóis e também encontrada no México e região do Texas nos Estados Unidos. Este Cara Sur é um fetiche vínico para mim, rs, gosto demais. Não é um grande vinho, mas me dá prazer como poucos.

É isso por hoje, achou compra, qualquer um dos três, valem muito a pena e quando lembro deles é que me dou conta do porquê ando por esta vinosfera. Saúde e kanimambo pela visita.

Um Francês no Altiplano Catarinense!

Mais um vinho brasileiro que me impressiona e mais uma grata surpresa na taça, o Elephant Rouge.

Ah, mas esse vinho existe faz tempo podem dizer alguns e sim, existe o nome e o projeto que é do amigo Jean Claude Cara, porém mudou tudo, menos o nome. Há tempos o Jean Claude se aproximou da Larentis em Bento Gonçalves e em parceria produziu um vinho em 2008 e outro em 2011 que levavam esse nome em função de seu restaurante, destino principal do vinho. O primeiro foi elaborado tendo como protagonista a Cabernet Sauvignon associa à merlot e um tico de Pinotage e o segundo seguiu tendo como base a Cabernet Sauvignon porém a Alicante Bouschet  tomou o lugar da Pinotage. Conheci o 2011 e tenho que ser sincero, não fez minha cabeça mesmo sendo um vinho que se deu bem no mercado. Bom, mas a meu ver a fruta muito madura, confitada com taninos algo doces não me entusiasmou, achei um vinho muito tradicional brasileiro, mas que tem seus seguidores. O restaurante foi-se, o Jean Claude foi para Beaune/Borgonha (com períodos por aqui), mas o nome do vinho ficou.

Ao longo do tempo conheci melhor o perfil vínico do Jean Claude, de seu trabalho na Borgonha e achei que este Elephant Rouge 2014 sim, é a cara dele e o novo terroir ajudou muito. Desta feita o parceiro escolhido foi a Villaggio Grando com vinhedos a 1300 metros de altitude no altiplano catarinense em Água Doce, poucos quilômetros de Caçador. Desta feita a coluna dorsal do vinho é a Merlot (70%) associada à Cabernet Sauvignon e 20% de uvas que são o segredo dele e que aguçaram minha curiosidade. Cabernet Franc, Pinot e Marselan me veem à mente como possíveis coadjuvantes nesse blend, será?? Se o Jean fosse João, eu acreditaria em todas essas e mais ainda ou Petit Verdot ou Alicante Bouschet, mas como é Jean … sei lá! rs

Aquela elegância, finesse, equilíbrio e sofisticação que tanto marcam os bons vinhos da Borgonha estão claramente presentes neste vinho, é a marca que Jean Claude quis trazer a este vinho e o terroir da Villaggio Grando ajudou. A fruta presente é fresca, teor alcoólico com  educados 12,5%, a acidez pede a segunda taça e comida, um vinho que foi se abrindo na taça com o tempo e com isso novas sensações, meia hora de aeração é certamente algo que eu recomendaria neste momento de sua vida ou, se não tiver pressa, deixa ir abrindo com calma na segunda e terceira taça. Frutos silvestres frescos, corpo médio, paleta olfativa bem frutada e viva com sutis notas terrosas e algo tostadas, taninos finos e aveludados, final de boca algo apimentado de média persistência, rico, um vinho que me deu enorme prazer tomar e certamente abrirei outras pois mostrou estrutura com potencial de evolução.

De acordo com o Jean é vinho para dez  a quinze anos de guarda e guardarei algumas para checar isso. Não mais dez anos, mas uma a cada 2 por mais seis acho que rola porque depois dos 70 não vou é guardar mais nada! rs O vinho passou por 24 meses de barrica, mas pela sutileza acredito que devam ter sido de segundo ou terceiro uso, com eventual pequeno porcentual de novas, madeira bem trabalhada esta.

Tomado com amigos com quem gosto de fazer o teste de percepção de valor, pessoal chutou entre 90 a 110 pratas. Bem perto da realidade que é entre 100 a 110 Reais em São Paulo e acho que vale.

Bem, por hoje é só, boa semana e bons vinhos. Se não tiver na adega passa pela Vino & Sapore que sempre tenho boas garrafas por onde escolher e com preços camaradas. Saúde

Interessante Painel de Vinhos Brasileiros.

Recentemente na confraria Saca Rolha optamos pelo tema Brasil e sua diversidade. Como sempre, a surpresa com o nível dos vinhos foi grandes, tanto que ao final decidimos repetir o tema com novos rótulos no próximo mês.

Como alguns amigos do Face e Instagram que viram a foto dos vinhos me pediram opinião sobre o que foi provado, optei por compartilhar com vocês aqui também já que muitos não frequentam essas mídias. Como estava servindo e participando, notas não foram tomadas então meus comentários abaixo veem de memória e de forma resumida.

Conti Grechetto 2017 (São Joaquim/SC), um branco para abrir os trabalhos. Uma uva que já não é assim tão conhecida e, acho, a Villaggio Conti é pioneira no Brasil com este varietal. A Conti é uma vínicola que só planta e elabora vinhos com castas italianas elaborando uma série de vinhos muito interessantes para quem curte diversidade. O vinho é fresco, mas vai bem além! rs Boa estrutura, notas amendoadas com final meio limonado, vinho sedutor com notas aromáticas de intensidade média, frutos tropicais e leve floral, acidez balanceada e final seco.

Bassetti Roberto 2015 (São Joaquim/SC), delicioso Sangiovese que já vai na terceira safra (2013/14 e 15). Descobri há 2 anos numa visita e venho acompanhando a produção que se iniciou com pouco mais de 300 garrafas, foi para 600 e agora com a safra de 2015 creio que bateu 1300. São 22 meses de barrica, um vinho de cor clara, corpo médio, muito rico meio de boca, taninos finos que encanta quem o conhece, perfeito exemplar de Sangiovese com ótima textura e frutos silvestres que pedem a segunda e terceiras taças. Boa acidez, tipico dos vinhos de altitude, e persistência.

Cave Antiga Marselan 2007 (Farroupilha/RS), um mostra de que esta uva hibrida do sul da França pode produzir vinhos longevos e de muita qualidade. O ano de 2018 foi pródigo em algumas surpresas com vinhos brasileiros longevos, este foi uma dessas Achou, compre!! Um vinho que está soberbo, rico, equilibrado, fruta madura ainda bem presente, mas algumas notas terciárias já presente lhe aportam bastante complexidade, ótimo volume de boca, um vinho a curtir, eu o faço!

Zanella Porcentual 2014 (Antonio Prado/RS), um blend criativo que foi mais uma das gratas surpresas que tive no ano passado. Corte de majoritariamente Merlot com Cabernet Sauvignon e agora as duas surpresas, Tannat e Alicante Bouschet com passagem de 12 meses por barrica francesa e americana com uma produção limitada a 3000 garrafas. Nariz de boa intensidade com frutos secos, notas terrosas e especiarias, na boca fruto maduro, bom volume, corpo médio mostrando boa estrutura tânica e aveludado, final de boa persistência e acidez equilibrada. Boa companhia para carnes e me deu muito prazer tomar, virei fã.

Para terminar, dois vinhos de maior conceito na mídia:

Miolo Lote 43 2011 (Bento Gonçalves/RS), já virou um clássico, tradicional corte de Cabernet Sauvignon com Merlot elaborado em anos especiais (só 7 em 17 anos) em Bento Gonçalves pela Miolo. Ainda muito vivo, quase jovem, com um montão de anos pela frente. Doze meses de barricas francesas e americanas, paleta aromática complexa de notas achocolatadas misturadas a frutos negros e especiarias cresceu conforme o vinho foi esquentando. Na boca mostra-se muito rico, equilibrado, encorpado, vinho para voltar a provar daqui a mais 6 anos! Sua reputação tem razão de ser.

Guaspari Vista da Serra 2015(Espirito Santo do Pinhal/SP) de terras paulistas, um produtor que já virou referência e mais uma vez fez bonito, Ainda prefiro o Vista do Chá que acho possuir uma acidez mais acentuada que faz feliz! Clássico paulista, virou famoso rapidamente e seu preço acompanha a fama. Syrah clássico com 17 meses de barrica francesa, frutado, especiado, toque tostado, encorpado com notas apimentadas e boas persistência.

Se eu tivesse que dar uma nota média para esta degustação, sobre 10 eu ficaria com algo ao redor de 7,5 a 8 o que demonstra claramente que nossa produção tupiniquim está muito bem obrigado, bastante qualidade mesmo que ás vezes pecando pelos preços exageradamente altos. Gostamos tanto que no próximo mês degustaremos mais uma seleção de vinhos brasileiros explorando regiões e castas diferentes porque há bem mais a ser explorado que Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay mesmo sabendo que temos muito bons exemplares destes e, porquê não, alguns rótulos podem até ser com essas uvas, ou não! rs

Saúde, grato pela visita e nos encontramos novamente por aqui semana que vem. Um ótimo fim de semana e passa neste Sábado na Vino & Sapore porque aí o fim de semana ficará ainda melhor!

A Soberba é uma …

Sintam-se à vontade para completar a frase com o que vos vier à cabeça! rs Há dias, lendo uma matéria no blog do sempre pé no chão Adolfo Lona, enólogo e produtor que dispensa apresentações para a grande a maioria dos leitores, me dei conta de como tem gente que poderia ser pedante e não o é e outros que por outro lado …

Isso vale para todos os segmentos e ambientes tanto profissionais como pessoais, faz lamentavelmente parte da vida e certamente cada um de nós terá sua experiência. Nossa vinosfera não é diferente e tem um bom número de personagens desse calibre. Conhece aquele cara que há dez anos te vê nos eventos, você tenta falar boa tarde e quando você se toca o cara olhou para outro lado ou passou reto e nos deixa falando com as paredes? Não, não quero papo não, só o educado bom dia, boa tarde, boa noite já estava de bom tamanho, sacou? O interessante é o séquito de aduladores que os seguem para cá e para lá e que, por se acharem iluminados pelo profeta, agem igual! Uma pândega como dizem lá por terras lusas, mas o bom é que tem bastante gente por aí que compensa esse grupinho de “iluminados” azedos, peguei bode dessa gente! rs

Alguns até lhes dou o respeito profissional visto sua vasta bagagem, outros nem tanto, mas a todos peço que ao menos sejam educados, cumprimentem quem os cumprimenta, só isso e não aceito timidez como desculpa! Seja a pessoa o Zé Mané da esquina ou o grande produtor que você queira impressionar, educação é essencial. Ressentido, você pode perguntar, não!! Não mesmo, mas indignado e chateado com essa falta de respeito sim, coisas de minha formação, mas essa atitude vai mais além porque essa soberba no relacionamento com as pessoas se reflete no que escrevem, na forma como opinam o que me faz sentir uma saudade danada de meu mentor, o saudoso Saul Galvão que um dia disse; “Nada mais chato que um esnobe do vinho, que fala pomposamente, como se ele fosse o único ungido a entender termos herméticos.”.

Há pouco mais de dois anos escrevi um texto aqui sobre a Soberba, ao qual adicionei um vídeo muito interessante que sugiro aos profissionais do vinho verem, atitude que acho um desserviço ao mundo do vinho pois dessa forma se mantém o vinho como um produto elitizado e assim contribuindo (não é a única razão) para que o consumo siga extremamente baixo. Muito papo sobre desmistificar e descomplicar o mundo do vinho, porém muito pouca ação nesse sentido, uma pena! Desculpem o desabafo, mas precisava botar para fora.  Uma boa semana para todos e kanimambo pela visita e ainda esta semana volto a falar de vinhos, saúde!

Que Belo Viognier!

Há tempos não tomava um Viognier e este me surpreendeu muito positivamente ou melhor, confirmou o que já sabia dele. O conheço de velhos carnavais, mas é safra 2014 quis ver como estava e uau, estava bom demais mostrando que o vinho evolui muito bem em garrafa. Quem estava por perto acabou levando o estoque, abri na Vino & Sapore, e agora chega nova safra, acho que 2016.

Tinha-me esquecido como esta cepa é agradável e como este vinho é bom de boca! A Viognier é originária do norte do Rhône, Condrieu e Cote-Rotie, mas se espalhou pelo Languedoc de onde vem este vinho. Por característica da uva os vinhos costumam ser muito aromáticos, possuir teor alcoólico mais alto, acidez menos acentuada e normalmente apresentam uma certa untuosidade.

Tudo isso está presente neste Paul Mas Viognier 2014 de produção orgânica que encanta nos aromas com um certo floral e fruta amarela, pêssego e damasco. A cor, costumeiramente mais clara, se apresentava de amarelo brilhante mostrando sua maturidade, no palato estava muito balanceado, ótima textura de meio de boca, bom volume, os frutos amarelos se repetem aqui mas ao final aparece um toque cítrico com muito boa persistência mostrando-se muito mais jovem do que a cor indicava. A passagem de 15% do vinho por barrica francesa de primeiro uso por três meses, ajuda a dar-lhe algo mais de corpo e complexidade sem lhe tirar o frescor. Um vinho para encarar queijos, pratos do mar, mas em função da idade achei que encararia bem carnes brancas e comida thai/indiana. Se você não conhece a Viognier e aprecia vinhos brancos, eis aqui uma ótima opção na casa das 120/130 pratas, eu gostei muito e acho que o vou tornar mais assíduo na minha taça.

Andei provando Pinot Grigio e Arneis, mas depois falo desses vinhos, os brancos andam tomando conta de minha taça! rs Kanimambo pela visita, saúde

 

E a Dalva Chega a São Paulo!

Demorou, mas chegou! rs Meu primeiro contato com os vinhos da Dalva foi em 2011 na Expovinis quando declarei, metido eu (rs), o Golden White 63 como o melhor vinho do evento. Me apaixonei e mesmo custando entre 100 a 120 Euros por lá, sempre que consigo juntar uns trocados e tenho portador, faço questão de trazer uma garrafa. Tremendo Porto Branco envelhecido, quem tiver a oportunidade não perca!

Depois, numa outra Expovinis em 2014, me esbaldei com uma seleção de Tawnies Colheita antigos (1967 e 75) e um branco com 40 anos inesquecível!

Agora, pelas mãos da Lusitano Import, ela finalmente chega a São Paulo e eu andei provando algumas coisas, inclusive seus vinhos tintos de mesa DOC Douro que aqui compartilho com os amigos. C. Da Silva (Vinhos) SA é uma Casa de forte tradição no vinho do Porto. Fundada em 1862, o seu nome atual foi definido nas primeiras décadas do século XX, quando o Sr. Clemente (não sei porquê esconde nome tão nobre! rs) da Silva recebeu a empresa através de casamento. Não conhecia seus vinhos de mesa e tão pouco o LBV, me surpreendi!

Dalva Colheita tinto, de vinhas velhas com predominância de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca tem passagem por madeira em barricas de 600 litros de carvalho francês, aparentemente de segundo uso, por apenas seis meses. A madeira no vinho é sutil para não dizer imperceptível, médio corpo, o vinho prima pela fruta intensa e uma acidez que nos faz pedir bis, um vinho vibrante em boca com final levemente especiado. No mercado entre 80 a 85 reais

Dalva Reserva Tinto 2015, com as mesmas uvas de seu irmão mais novo com a adição de Tinta Barroca, porém com mais tempo de barricas de 600 litros, oito a doze meses, o que faz com que ganhe robustez e complexidade. Os taninos estão mais presentes mas aveludados e finos, bom volume e textura, rico meio de boca, notas tostadas, frutos negros (cereja madura, cassis), especiarias, médio corpo para encorpado, elegante, um vinho para beber ou guardar ainda por mais um par de anos. No mercado ao redor de 145,00 Reais acompanhou muito bem o delicioso Filé a Poivre Vert do Cascais, onde o Caio anda mandando bem no fogão!

Dalva Porto LBV 2012 – Equilíbrio é o nome deste belo exemplar de Late Bottled Vintage, um Porto Ruby para ser desfrutado sem parcimônia, podendo ser aberto já ou para guarda por mais uma meia dúzia de anos. Com 92 pontos no Decanter Wine Awards de 2017, este é certamente a estrela desta seleção, até porque não provei o Colheita 2007. Fruto intenso, notas vegetais e um toque de especiarias, prima pelo equilíbrio entre a doçura e a acidez, um belo exemplar que, dizem, era para ser declarado Vintage mas por falta de pedidos acabou ficando e engarrafaram como LBV, realmente muito bom. Bom queijos fortes, torta de chocolate, figos e nozes, chocolate amargo com laranja ou cramberry, bom demais. Preço médio de 185 Reais, excelente relação PQP (Preço x Qualidade x Prazer).

Também me chamou a atenção o Colheita Tawny 2007, na faixa dos 280 a 290 Reais, mas esse não tive oportunidade de provar. Todavia, me baseando no 75 e 67 que tomei na Expovinis de 2014 mais o fato de que a safra de 2007 no Douro foi excepcional, creio que deve estar muito bom e me deixou ansioso por prová-lo. Engarrafado em 2018, arriscaria dizer que para quem gosta de vinhos de guarda 2025 está logo aí, para celebrar meus 70 anos! rs Grande parceiro para sobremesas com frutos secos, torta de amêndoas ou pekan, doces conventuais portugueses, panetone ou colomba. Quem sabe na Páscoa abro uma, acompanhamento não faltará! rs

Tem duvidas sobre o que seja um LBV e um Tawnie safrado, então clica aqui e conheça mais sobre esse incrível mundo dos Vinhos do Porto que não, não são todos iguais. Na lista tem ainda os Ruby e Tawny “básicos”, Branco e Rosé estes último mais próprios para drinks. Kanimambo pela visita e espero que goste da dica, eu gostei e acabei colocando  na confraria Frutos do Garimpo deste mês.

Saúde!