João Filipe Clemente

Rhône e seus Vinhos na Confraria Saca Rolha

Mais uma vez a amiga e confreira Raquel Santos nos relata sua experiência em mais um agradável encontro desta nossa gostosa Confraria. Mais que os vinhos, a oportunidade de pelo menos uma vez por mês podermos desfrutar da companhia dos amigos. Desta feita “viajamos” para a região de Côtes-du-Rhône na França e, para variar, uma diversa e saborosa seleção de rótulos culminando com uma soberba surpresa! Vejamos o que a Raquel tem a nos dizer:

  “O vale do rio Rhône, está localizado entre os Alpes Suíços e o mar Mediterrâneo. Ao norte, está a cidade de Lyon, que além de ser um polo industrial, também possui um entorno rural que abastece toda a região com uma produção de excelente qualidade. Ao sul, está a cidade de Avignon, que se desenvolveu quando no século XIV o Papado mudou o Castelo de Roma para a região e começaram a cultivar as primeiras videiras.

Mapa do Rhone - Dobra Vinoteka

Percorrendo os vinhedos que margeiam o rio Rhône de norte a sul, pode-se perceber uma grande diferença de clima, solo, e variedade das uvas. Ao norte, (Rhône Setentrional), o clima é continental com verões bem quentes e invernos frios. As videiras são plantadas em penhascos pedregosos de granito, entremeados de florestas de carvalho que refrescam o ar pela neblina ao amanhecer. A uva predominante é a Syrah. Resultam em vinhos robustos, de cor escura e longevos. Para os brancos, destacam-se a Marsanne, Roussanne e Viognier.

 Desta região, degustamos um “ Brunel de la Gardine” – 2007 – da região de St-Joseph.

        Syrah 100%, aparentemente um pouco fechado, mas aos poucos foi mostrando uma riqueza de aromas e sabores que seduziu os mais incrédulos. Talvez pelo equilíbrio, ficou mais difícil identificar uma característica isolada. Aromas de frutas, frescor e um leve defumado, alternavam-se com com a textura macia na boca sem perder intensidade.

        Continuando o passeio, em direção ao sul, (Rhône Meridional), podemos notar que à partir de Montélimar as características da região se transformam. O clima passa a ser mediterrâneo, com influências do mar. Os verões são quentes e o inverno ameno, mas as vezes chega a 0 grau. Os ventos frios que vem do sul (Mistral) fazem as chuvas serem fortes e rápidas, baixando a temperatura rapidamente à noite. Os vinhedos se expõem ao sol forte durante o dia, que também aquecem as pedras que cobrem todo o solo, protegendo a videira do frio à noite. Aqui predomina a uva Grenache que junto com a Mourvèdre, Cinsault, e também a Syrah. Das variedades brancas, encontra-se a Marsanne, Roussanne, Viognier, Clairette, Bourboulenc, entre outras que são vinificadas para tintos, brancos e rosés.

Clipboard Rhone

            Além das diversidades de solo e clima, a região do Rhône meridional, é mais recortada no que diz respeito às apelações de origem. A mais comum delas é a de Côtes du Rhône, usada genericamente. As denominações que indicam o nome das comunas provenientes, representam um fator de maior qualificação. É o que acontece no caso dos Côtes du Rhône-Village, que representa 95 comunas qualificadas.

Degustamos o “Clos Petite Bellane“-Valreas –  Um Côtes du Rhône-Village de 2007.

Logo já percebemos um aroma bem frutado, característica das castas mediterrâneas (Grenache/Syrah). Boa acidez, taninos presentes, porém delicados. De médio corpo e mostrou muita evolução na taça. Aromas herbáceos com algumas especiarias (pimenta verde e anis).

De outras duas pequenas propriedades (Cru), incrustradas entre Côtes du Rhône e Côte du Rhône-Village, foram degustados:

“Château Saint Roch Brunel” – Lirac -2008.

Aromas florais e frutas vermelhas. Bom equilíbrio entre acidez, taninos e extrato. Madeira bem incorporada. Corte de Syrah/Grenache/Mourvèdre.

Domaine la Monardière Les 2 Monardes” – Vacqueyras -2006.                                                            

Ataque floral, sobrando um pouco de álcool. O mais austero deles. Acidez e taninos bem  incorporados que alternavam com um sabor picante e frutas doces e maduras. Aromas que evoluíram bem na taça.

          Ainda circundando a região do Rhône Meridional, não poderíamos deixar de conhecer a região icônica de Chateauneuf du Pape. Conhecida não só pela sua história, mas também pela qualidade, produz vinhos com até treze castas, embora, na prática, nunca se utilize todas elas. A Grenache domina nos tintos. Os brancos, produzidos em menor quantidade, são encorpados e estruturados, com aromas delicados e grande persistência gustativa. A região demarcada fica ao norte de Avignon, onde está localizado o Castelo Papal de verão em ruínas. O clima é muito árido, pedregoso, onde só os arbustos de lavanda e tomilho selvagem, sobrevivem ao vento e a grande amplitude térmica do dia. Foi com grande prazer que conhecemos dois exemplares desse terroir:

“Domaine Font de Michelle” – 2010–

Elaborado com 70% Grenache/10% Syrah/10% Mourvèdre/10% outras: Cinsault/Counoise/Terret/Muscardin. A primeira sensação no nariz, é de frescor, ervas  aromáticas (alecrim/tomilho) e florais. Na boca, revelou-se voluptuoso, apesar de ser jovem. Me pareceu um pouco tímido (sem ser um defeito), necessitando que déssemos mais tempo a ele. Elegante muito bem equilibrado, com vocação gastronômica pela acidez bem incorporada. Grande potencial de guarda.

“Château de Beaucastel” – 2001

Essa preciosa garrafa veio da adega dos amigos Luiz e Ana, que gentilmente nos presenteou. O Beaucastel, juntamente com o Clos des Papes, são os únicos que ainda usam as 13 variedades das castas permitidas em Chateauneuf du Pape. Diferentemente do anterior, já mostrou todo seu potencial de prazer! Muito aromático (flores, frutos vermelhos silvestres, fruta seca, amêndoas, baunilha, etc….etc….e etc….). Na boca confirmava todas essas qualidades com muita elegância, mostrando através da rica paleta gustativa, as cores, sabores, e cheiros daquela paisagem.

O vale do Rhône  tem a questão do clima muito presente. Através dos seus vinhos pode-se viajar, como num filme, que nos conta a história e ensina a cultura de uma civilização. E o melhor dessa historia é quando nos identificamos com ela e temos a impressão que também podemos pertencer um pouquinho à tudo aquilo.

 Basta descobrir o caminho das pedras. “.

Alvarinho Que Te Quero Bem!

Alvarinho ou Albariño, tanto faz porque a essência é a mesma e os vinhos são sedutores. Falar desta uva é falar dos Vinhos Verdes do Minho (varietal ou em blend) e da Galicia, mais precisamente de Rías Baixas, mesmo que não sejam as únicas regiões no mundo em que a encontramos, porém é por essas bandas que ela mostra todo o seu esplendor. Vinhos marcantes de acidez rasgante, tudo a ver com a gastronomia local e por aqui uma maravilha com Bruschettas de ostras defumadas, feijoada, costela de porco na brasa e outras tantas diferentes iguarias. Um dia levei um Alvarinho barricado (Muros de Melgaço) para fazer par com Barreado, campeão da noite e ótima harmonização! Por aqui já falei do Xisto, do Soalheiro, do Paco & Lola, do Pazo de Señorans e outros diponíveis em blends, sempre belos vinhos. Adoro esta uva e quem não a conhece ainda não deixe de experimentar alguns dos rótulos abaixo que participaram da 2º Edição do ALVARINHO INTERNATIONAL WINE CHALLENGE. ef22d39ad1407e04fb03149e73a76431 A

Ainda a Maledetta ST

capeta de einstein24h.com.br   Achava que tinha arquivado o Maledetto quando o pedido de Salvaguarda peticionado pela elite dos produtores nacionais foi rejeitado, mas por aqui parece que o saco de maldades nunca é fechado definitivamente, então cá está ele de novo!  Hoje pagamos 14, 23% de ST e a partir de Setembro iremos pagar 27,41% se os iluminados que assinaram essa alteração e inventaram essa aberração tributária não reverem as decisões tomadas. Por sinal, li hoje um artigo do produtor de espumantes em Garibaldi, o conceituado e respeitado Adolfo Lona, sobre essa atrocidade que está sendo cometida em São Paulo. Para que tenham uma idéia, para uma loja em São Paulo revender um produto do Rio Grande do Sul, ele arca com um custo de tributação de cerca de 31% (acho que já é mais) o que crescerá para 41% (acho que será maior) de acordo com estudo feito por ele que diz; ” O pior de tudo é que este valor é pago antes de embarcar, ou seja o Sr. Alckmin garante o seu antes da venda. Como as vendas são geralmente a 28 dd. no mínimo da cantina para o revendedor e pelo menos dois meses mais para chegar ao público, todos estamos financiando o caixa do governo.

Vale a pena ler a matéria inteira em seu gostoso e informativo blog – Vinho Sem Frescuras. Bem, agora é rezar para ver se um pouco de bom senso atinge esse pessoal! Aparentemente, de acordo com o comentário do Nilson ontem;

(Notícias Agência Câmara)

Data: 04/07/2013
O ministro-chefe da Secretaria da Microempresa, Guilherme Afif Domingos, defendeu nesta quarta-feira a extinção da forma atual de substituição tributária, que é um mecanismo de arrecadação de tributos utilizado pelos governos federal e estaduais, em que o contribuinte ocupa o lugar do cliente na responsabilidade pelo pagamento do imposto devido. Na opinião do ministro, a substituição tributária é um entrave que precisa ser extinto.”

Como o homem também é vice-governador de São Paulo, ainda, quem sabe né? Enfim, como dizem por aí, a esperança é a última que morre, mas morre!! Salute e bom fim de semana que, por aqui, é longo já que Terça (09) é feriado em terras Paulistas. Kanimambo e desculpem pela insistência no tema, mas é a única forma de elucidar a todos sobre as agruras que atingem produtores, comerciantes, importadores e nós próprios consumidores e seguidores de baco.

ST – Afinal, quem é o iluminado que inventou essa excrescência?!

Em breve postarei algo mais descriminado mostrando como essa aberração e outros impostos afetam a vida do consumidor e não é só no vinho não! É por essas e por outras que todo mundo só compra vinho fora (vejam que os gastos dos brasileiros no exterior não pára de bater recordes) ou cai, especialmente os mais ao Sul do país, nas redes de contrabandistas (seja vinho, eletrônica, armas ou drogas) que o governo federal é incapaz de coibir. O recado hoje é só porque afora os efeitos da valorização do Dólar em tudo o que é produto importado (não se enganem porque os produtores tupiniquins não vão perder o bonde também!) em Sampa o governo estadual anuncia o aumento da base de cálculo da ST (vejam abaixo) para Setembro. Num mercado bastante inibido, to say the least, como esses iluminados de plantão chegam nesse número?

Para quem não sabe o que é essa excrescência pode ler meu post sobre isso lá atrás em Janeiro quando eu já antecipava  a má noticia, porém para resumir, a ST é uma antecipação no ato da compra pelo lojista, da cobrança do ICMS sobre um valor de venda que o governo, sim o governo, crê que o lojista vai praticar e em cima de 100% da compra, independentemente se o comerciante abrir umas garrafas para degustação, houverem quebras, fazer uma promoção, etc. , e em cima dessa diferença ele antecipa arrecadação de 25% sobre a diferença sem contar que ele já taxou o importador sobre a base no mesmo valor e mais o “simples” do lojista! E tem gente que ainda fica culpando importadores e lojistas pelos altos preços, vinho ou não, então fica aqui minha mensagem, olhem um pouco mais para cima! Não que não existam abusos nas bases, há e não são poucos, mas os grandes vilões desse enredo são os governos estaduais e federal. Enfim, vejam abaixo e quando terminar meus estudos mostro alguns números.

As novas regras constam da Portaria CAT 63, publicada no DOE-SP deste sábado, dia 29 de junho de 2013.

O novo preço final ao consumidor e o novo IVA-ST servem para calcular o ICMS devido a título de substituição tributária. Em se tratando de mercadoria que não existe preço final estabelecido pelo fisco para cálculo do ICMS-ST, deve ser utilizado o IVA-ST. Na prática haverá elevação da base de cálculo somente a partir de 1° de setembro de 2013 e por consequência aumento do imposto. Isto porque o IVA-ST vigente até 31 de agosto de 2013 (cerca de 57%) subirá para 109,63%!!

Como diz o Didu, poiiiiim e ponha aí seu nariz de palhaço! Salute por dias melhores, porque eu estou para lá de cansado de pagar essa conta e adoraria saber de que cabeça iluminada saiu essa  ………..!!!!!!!

Destaques da Wines of Argentina

Mais uma bela coleção de vinhos bastante interessantes que o tempo não me permitiu provar a contento. Dentro que consegui provar, alguns vinhos se destacaram e gostaria de compartilhá-los com você;

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A Casarena (Magnum Importadora) também produz os vinhos Ramanegra dos quais me encantam um Cabernet Sauvignon da região de Agrelo e um Blend muito bom que andam na casa dos R$75 a 80,00 e valem. Estes dois rótulos são dois single vineyards da mesma uva, a Malbec. Uma vem de Pedriel e a outra de Agrelo, tomados juntos mostram tipicidade totalmente diferente um do outro. De Pedriel eu esperaria um vinho algo truculento,  muito encorpado com taninos ainda muito adstringentes em se considerando que é de 2010, mas o vinho se apresentou muito fino, fresco, taninos aveludados, elegante, um vinho muito bom num estilo, digamos, mais europeu. De Agrelo, veio a força, a estrutura, menor intensidade aromática mostrando-se ainda fechado, muito boa persistência num estilo mais novo mundo porém sem deixar de mostrar um lado mais elegante com um jeito, digamos, mais americano de ser. Cada um com seu estilo e sua mensagem, mas tenho que confessar que o Agrelo me chamou mais a atenção! Vinho que deverá estar na casa dos R$140,00.

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Conversei um pouco com o Mathias, jovem proprietário e enólogo da casa, que já é segunda geração de enólogos e traz este vinhos cheios de personalidade. O primeiro, da esquerda para a direita, seria a grosso modo seu vinho de entrada, mas já num patamar bem alto sendo elabrado com vinhas de cerca de 15 anos em Pedriel. O segundo é uma seleção de uvas de três vinhedos selecionados e mostra mais estrutura sem perder a classe e o último é um grande vinho que eu acredito deva chegar ao Brasil por volta dos R$200. Ainda não está no Brasil mas pelo que pude ver do assédio de diversos importadores creio que não vai tardar!  Marquem esse nome e estes vinhos.

2013-06-27 17.20.00    Uma grata surpresa, pois mostra que devagarinho a Alvarinho vai abrindo seu espaço no mercado. Por estas bandas já a podemos encontrar no Uruguai, no Brasil e agora na Argentina. Diferente, falta-lhe aquela acidez típica dos Alvarinhos de Rias Baixas e do Minho, porém mostrou-se muito agradável. Mais não consegui saber já que nem meu crachá de imprensa, ou talvez por isso (rs) sei lá, não me deram muita bola por aquelas bandas. Produtor Las Perdices e importador Bodegas.

Afora esses vinhos, minha bateria do celular arriou e não pude tirar mais fotos, gostei bastante dos vinhos Reserva e Gran Reserva do Penedo Borges agora com a Wine Lovers e revi, com muito  agrado, os vinhos da Suzana Balbo (Cantu);  Benmarco Malbec / Expressivo ambos muito finos e elegantes assim como o fantástico Nosotros e da Henry Lagarde (importadora Devinum), tanto o reserva, o Doc e o Guarda, mas especialmente o excelente Primeras Vinas que já comentei aqui no blog. Uma outra boa bodega é a Gougenheim (Importadora Almeria) que afora bons rótulos de entrada, possui um ótimo Flores del Valle Blend que merece ser conhecido.

Para finalizar, a impressão que ficou é que existe por lá uma guinada na busca de maior elegância nos vinhos, algo que aplaudo! Salute e kanimambo.

Vinho – Preço e Qualidade

      Estive em mais um agradável encontro da Wines of Argentina e alguns rótulos me chamaram a atenção. Antes de falar deles, no entanto, deixa eu compartilhar com vocês um tema interessante, o dos preços. Fui criticado, numa boa, por um produtor pois eu reclamo demais dos preços. Talvez, mas esse tema sempre esteve presente neste blog desde os primeiros posts já que, acima de tudo, sou um consumidor de classe média que precisa suar muito a camisa para conseguir juntar uns trocados no final do mês, igual à grande maioria dos consumidores brasileiros e busco o máximo de retorno sobre o que pago.

     Aliás, num país que possui um dos menores consumos per capita do mundo, muito em função do disparate dos preços do vinho seja ele importado ou produzido localmente, esse tema não pode ser desassociado de qualquer comentário sobre um vinho. Ao fim e ao cabo, falamos de um mercado que possui hoje um leque enorme de rótulos, há gente que fala em cerca de 30.000, porém tem também um patamar de preços que está entre os mais altos do mundo o que transforma o consumo do vinho num ato “elitizado” ou quase! Pior, em função do novo patamar de câmbio vem mais aumento por aí.

     O que mais me tem espantado já faz um tempinho, é o alto valor dos bons rótulos argentinos e chilenos, de novo comprovado neste encontro do Wines of Argentina. Encontram-se rótulos com boa relação custo x beneficio? Certamente que sim e esse é um pouco o trabalho que faço de garimpo aqui no blog, porém os bons vinhos começam a extrapolar e difícil encontrá-los por menos de uns R$90 a 100 e hoje é comum encontrá-los na faixa entre R$140 a 190 quando não mais! Isso, de uma região que está isenta do imposto de importação!

     Por outro lado, os preços passados à imprensa especializada pelos importadores, muita vezes carecem de precisão e são repassados para o mercado de forma equivocada. Num caso especifico, um amigo blogueiro falou que determinado vinho possuía uma ótima relação custo x beneficio (R$90) quando na verdade esse foi o preço que lhe foi passado e era preço para loja sem ST. Só de ST são mais 14,23% em São Paulo! Neste caso já falamos de um preço ao redor 103 reais. Mesmo que uma loja coloque uma margem bem seca, digamos de 25 a 30% sobre o preço de venda, dificilmente encontraremos esse preço no mercado por menos de 145/150 reais ou seja, uma baita diferença do anunciado!

     Porque esse cálculo faz diferença numa eventual critica e avaliação? Um vinho de R$150 já tem a obrigação de ser muito bom e nossa expectativa sobre um de 90 é diferente. Nesse sentido, um vinho que pode ser considerado excepcional quando custa 90 perderá pontos, no meu conceito, se custa 150 já que estaria simplesmente “performando” o esperado e não superando expectativas como o de preço mais baixo. Confuso? Talvez, mas certamente mais pelo texto do que pelo fato, pois este certamente é bem claro!

      Enfim, ia apenas fazer um adendo  antes de comentar aqui os vinhos que me surpreenderam neste último encontro da Wines of Argentina,  para variar já me excedi e falei demais! rs Falo desses vinhos amanhã. Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

Dicas de Nossa Vinosfera

            Uma série de saborosas degustações que certamente enriquecerão a bagagem enófila dos amantes e seguidores de Baco. Como já dizia Alexis Lichine, “No que se refere a vinho, sempre recomendo que se joguem fora tabelas de safras e manuais investindo num saca-rolhas. Vinho se conhece mesmo é bebendo! Cliquem nas imagens para aumentar.

Dia 26 de Junho, agora (!) tem Caravana do Tejo na Wine Senses. Por sinal, uma região que tem tudo a ver comigo, pois é o berço de minha família e ainda hoje cada vez que passo por Portugal uma visita à Vila Nova da Barquinha e cercania é obrigatória para visitar quem ainda está por lá. Por sinal região linda, terra dos cavalos (Golegã) e touros além de ótimos azeites e a linda Tomar que valem bem a visita! Isso sem contar o Castelo de Almourol e as charmosas Constância e Tancos, pequenos e bucólicos vilarejos que beiram o Tejo. Por sinal, se estiverem pelas bandas da Golegã, meu primo me garantiu que a adega e restaurante regional O Cú da Mula é muito bom. No dia em que passamos por lá estava fechado (rs) então não posso assinar embaixo, porém creio que vale conferir!

Caravana do Tejo

 Dia 29 de junho, das 14 às 22 horas, tem ENCONTRO de VINHOS no Tenis Clube de Campinas  que fica à Rua Coronel Quirino, 1346 – Cambuí – www.tcc.com.br os ingressos podem ser comprados com antecedência e mais barato (50 reais) pelo site: www.encontrodevinhos.com.br/venda-de-ingressos Ingressos no dia da feira poderão ser comprados  no local por 60 reais e sócios da ABS pagam meia* (R$30). Um ENCONTRO sempre muito agradável e descontraído em que uma série de importadoras e produtores nacionais apresentam rótulos de muita qualidade e enorme diversidade.

Encontro de Vinhos

Dia 21 de Agosto – Reserve essa data pois vem coisa boa por aí! Chega em São Paulo o itinerante DECANTER Wine Show 2013, que estará também em outras cidades, desta feita com vinhos do Novo Mundo importados com exclusividade por esta que é uma das maiores e melhores importadoras de vinhos finos no Brasil.

Clipboard DWS

Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos

I Like!!

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras então, bom fim de semana! Extraído do site Pinterest, seleção de John G. Aliás, dá para passar horas curtindo as imagens lá contidas! Salute e kanimambo a todos os Vignerons.

anatomia de um vigneron de John G

Dicas de Harmonização

Harmonizar é algo muito particular, até porque esse não é um exercício meramente técnico onde somente o vinho e o prato estão presentes. Para uma verdadeira harmonização há sempre que se acrescentar nessa equação; as pessoas, o lugar e o momento! Minha amiga Ana me pediu uma tabela, ou algo similar, sobre o tema e fui fuçar na net, obviamente. rs Já falei aqui do ótimo site americano Wine Folly e foi novamente aqui que achei esta imagem (clique nela para aumentar):

basic-wine-pairing-chart - Wine Folly     Dias depois recebi um comentário da Leticia, uma leitora e autora do blog “All We Need is Food” (link aqui do lado em gastronomia e harmonização), editado desde Paris com ótimas dicas, e ao fuçar no blog dela vi que ela fez um post resumo em português de ótima matéria publicada sobre o tema pelo Wine Folly. Vale a pena ler pois certamente possui dicas bem interessantes, mas que você precisa provar para ver se vai de encontro ao seu paladar, pois como já disse por aqui em diversas ocasiões, em nossa vinosfera não existem verdades absolutas. Como o conhecimento no vinho vem da “litragem”, no da harmonização vem da experiência e acumulo de acertos e erros então mão à obra!!

Salute e kanimambo pela visita.

Confraria Saca Rolhas Bordeaux – Margem Direita x Margem Esquerda

     Mais um gostoso texto da amiga confreira e sommelier Raquel Santos sobre nosso último encontro em que provamos vinhos de Bordeaux:

  Quando se fala da região de Bordeaux, logo pensamos nos grandes “Châteaux” como Petrus, Margaux, Mouton Rothschild, Lafite, Cheval Blanc, etc… rótulos que só de olhar, nos fazem suspirar! Talvez pelo peso da tradição que carregam, pelo preço altíssimo que custam ou pelo mito de perfeição em forma de vinho. Sonho de consumo para poucos, mas para nós, simples apreciadores de vinho que queremos conhecer essa região, há opções mais em conta que nos permitem mergulhar na imensa produção bordalesa, que certamente irão expressar o caráter deste terroir.

Em Bordeaux, é preciso saber que seus vinhos sempre são elaborados em corte. Basicamente com as castas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot, (para os tintos) e Sauvignon Blanc e Semillon (para os brancos). Geograficamente a região localiza-se a oeste da França, próximo ao oceano Atlântico e é cortada pelo estuário formado pelos rios Gironde, Garonne e Dordogne. Daí a origem do nome: “au bord de l’eau”(a beira da água).Seu vinhos ganham identidade própria, dependendo da sua localização em relação aos rios: margem esquerda (onde está localizada a cidade de Bordeaux ), margem direita (onde está a cidade de St. Émilion) e Entre-deux-mers (região entre os rios Garonne e Dordogne). As regiões de maior destaque da margem esquerda são: Médoc, Graves e Sauternes. Na margem direita: Blaye, Bourg, Fronsac, Pomerol, Saint-Emilion, entre outras.

Bordeaux_Map

Diante de tanta tradição e nobreza, é comum sentirmos uma certa intimidação em relação a essa região. O termo “vinho complexo” é aplicado muitas vezes quando degustamos um Bordeaux. É uma sutileza que se revela aos poucos, sempre com elegância. São vinhos que exigem a nossa atenção. Mesmo aqueles mais simples, que nos acompanham em momentos de descontração, uma hora ou outra vão te alertar : “Oi! Eu sou um Bordeaux!”

Pensamos então em fazer um desafio entre a “margem direita” e a “margem esquerda”, passando pela região “entre-deux-mers”.Você quer saber quem ganhou essa batalha? Claro que fomos nós!!!!

Quando falamos de  Bordeaux podemos ver com clareza o que significa cultura, tradição e refinamento. Começando pelo “estilo” da garrafa alta, com ombros retos. O rótulo, quase sempre em preto e branco, com a ilustração do “Château” do produtor e  informações escritas com letras em estilo clássico. Esse padrão é seguido sempre. Dos vinhos mais simples até aos mais elaborados. A classificação dos níveis de qualidade é rígida e segue uma normatização local.

Quanto `as diferenças entre a margem direita e esquerda, sabemos que a casta Cabernet Sauvignon desenvolve-se melhor no lado esquerdo e a Merlot no lado direito. Mas o estilo da “assemblage” é mais importante como identidade dos Châteaux do que as características da uva em si. A mão do homem que cria o vinho tem um peso grande nesse caso. E é claro que em Bordeaux esse “peso” não permite criações ousadas, mas sim a busca incessante pela expressão mais límpida de sua cultura, tradição e refinamento com o máximo de elegância.O privilégio de degustar vinhos dessa região, nos ensina que estão aí para nos surpreender, sejam eles quais forem. E que não devemos nos acanhar diante dos ícones.

Foram estes os rótulos degustados, pela ordem:Como de costume, iniciamos a degustação  com um espumante, brindando o reencontro dos amigos.  

VEUVE ELISE Brut –   um vin mousseaux, tipo blanc de blanc, produzido na Le  Caves de Landiras, ao sul da região de Bordeaux.

Com boa vocação para acompanhar aperitivos, mostrou-se muito fresco na boca, com pérlage fina, boa acidez e aromas delicados de frutas brancas (maçã, pera) e panificação. Um corte inusitado das castas ugni blanc com airen.

 CHARTRON LA FLEUR BLANC 2011 – Sauvignon Blanc . Produzido por Schroder & Schyler, na região Entre-deux-mers.

O único branco da degustação. Agradável, muito aromático e bem estruturado. Acidez que pede comida. Ficou ótimo com um queijo gorgonzola.

 BELLEVUE DE LUGAGNAC 2010 – Bourdeaux Superieur – Merlot/Cab.Sauv  produzido pelo Chateau de Lugagagnac na região Entre-deux-mers.

            Bem leve, para momentos descontraídos.

 CHATEAU GRAVES DU BERT 2006 – Grand Cru – Merlot/Cab. Franc.produzido pela família Lavigne-Poitevin em Saint Emilion (margem direita).

Na taça, já pode-se ver uma evolução pelo alo alaranjado. Aromas “complexos”, prometendo evolução. Frutas maduras, especiarias, e taninos finos com uma sensação aveludada na boca.

 L’ORANGERIE DE FERRAN 2008 – Cab. Sauv./Merlot – Prod. : Beraud Sudreau em Pessac-Leógnan (margem esquerda)

Estruturado, equilibrado, muito suave na boca. Notas de especiarias, que prometem evoluir se lhe dermos tempo.

 CHATEAU PEYMORIN VILLEGEORGE 2009 Cru Bourgeois – Cab. Sauv./Merlot Prod.: Marie-Laure Lurton no Haut-Médoc (margem esquerda)

Super equilibrado, macio, com ótimo corpo. Aromas que vão evoluindo com o tempo na taça e que se confirmam na boca. Esse foi o meu preferido. Para apreciar sozinho, mas com uma carne com molho denso deve ficar ótimo!

 CHATEAU DE VIAUD-LALANDE 2009 –Merlot/Cab. Sauv. – Prod.: Gabart Laval em Lalande de Pomerol (margem direita)

Disseram que 2009 foi um bom ano em Bordeaux. Aqui podemos confirmar isso! Assim como o anterior, só que os aromas eram mais frutados e deixou uma sensação mais alcoólica na boca. Acho que estava pedindo mais tempo para degustá-lo. É…….como sempre digo: os vinhos falam e as vezes dão uma bronca na gente!

Mais um agradável encontro que só mostrou que regras no vinho não existem. Que mesmo a Merlot sendo a principal uva da margem direita, foram os vinhos desta região que apresentaram maior estrutura mostrando que a mão do enólogo faz muita diferença. Salute e kanimambo