João Filipe Clemente

Degustando Taças, Pode?

         Ô, e como! Bons vinhos têm que ser tomados em boas taças e disso não restam dúvidas. Certo que, como no futebol onde se você for um perna de pau de nada vai adiantar comprar a chuteira do Ronaldo, milagres não se realizam somente com uma boa taça e o único que conseguiu  transformar água em vinho não mais está entre nós faz tempo!! No entanto, tomar um bom vinho numa boa e adequada taça faz sim diferença e convido você a provar isso pessoalmente neste próximo dia 16 de Abril a partir das 20:00 horas. Na imagem aparece dia 26, foi erro! Ainda temos algumas vagas disponíveis então reserve já (comercial@vinoesapore.com.br) , chame seus amigos, junte sua confraria e venha dar uma de São Tomé, provando para crer! Salute e kanimambo, conto com os amigos.

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Harmonizando o Bacalhau da Páscoa de 2014

Provavelmente o prato mais emblemático da Páscoa e certamente um dos que mais duvidas causa na hora de harmonizar afinal, branco ou tinto? Pois bem, não se sinta só já que esse dilema não é só seu e, pior, não tem uma resposta conclusiva porque se existem 1001 formas de preparar o bacalhau, existem outras tantas para harmonizá-lo. Mais do que o Bacalhau em si, importante é saber como ele será elaborado pois, em última instância, será isso que vai determinar o vinho mais adequado. Eis algumas dicas:

1 – Escolha um bom Bacalhau: veja a matéria que escrevi aqui sobre o tema no ano passado. Bacalhau é
Gadus Morhua, o mais nobre e a fina flor dos bacalhaus, o mais saboroso, se desfaz em lascas e as postas são das mais altas. Advém do Atlantico Norte, Mar da Noruega e de Barents. O mais caro, mas faz diferença!
                                                            ou
Gadus Macrocephalus , de cor quase branca é mais fino não se desfaz em lascas tão facilmente sendo mais fino e fibroso. Vem normalmente do Pacifico e é mais em conta que o Gadus Morhua.

                                               O resto é peixe!
2 – Defina como vai elaborá-lo:

  • Bolinhos de Bacalhau, Punheta de Bacalhau e Pataniscas vão bem com Vinhos Verdes Brancos.
  • Bacalhau com Natas, Açorda ou Grelhado com Amêndoas vai bem com vinhos levemente amadeirados como um Chardonnay ou Antão Vaz. Gosto também dos brancos do Douro de médio corpo tradicionalmente cortes de Viosinho, Gouveio e Rabigato.
  • Bacalhau desfiado tipo; à Brás, Gomes de Sá e no estilo é uma questão de gosto, vão bem com brancos sem madeira e tintos leves.
  • Bacalhau assado no forno, churrasqueira e frito tipo; Lagareiro,Transmontana, Nárcisa e São Lourenço, a meu ver vão melhor com vinhos mais encorpados porém sem taninos agressivos. Vinhos menos jovens, portugueses e espanhóis preferencialmente, com quatro a cinco ano de vida quando os taninos já se encontram melhor integrados certamente se darão bem.

3 – Quem estará presente. Todas as vezes em que falo de harmonização insisto no ponto de que a harmonização é uma combinação de fatores em que o prato e o vinho são apenas dois dos players nessa equação. As pessoas são essenciais, então leve em conta quem estará presente e quantos!

Bacalhau e Vinho Clipboard

        No mais meus amigos, o negócio é pesquisar, provar e aí fazer a sua opção de harmonização lembrando que em harmonização existem tendências, mas é o gosto e bolso de cada um que acaba se sobrepondo a qualquer regra. O que se deve procurar é o equilíbrio entre o prato, o vinho, as pessoas presentes e o paladar de cada um. Desde 2009 que costumeiramente falo deste tema no blog, então há muita coisa no qual pesquisar, basta digitar BACALHAU em pesquisa, no canto direito do blog e sair lendo os posts com um monte de dicas e até algumas receitas simples e gostosas.

       Um post que demonstra bem o quão complexa e diversa pode ser essa escolha, é um em que pedi sugestões a diversos sommeliers, colegas blogueiros, enólogos, críticos, colunistas daqui e de Portugal, vale a pena ler clicando aqui . MUITO IMPORTANTE, muiiiiito azeite antes e durante. O Bacalhau vem do mar, mas parece mesmo é que nasceu envolto por olivais, um nasceu para o outro!

        Bem gente, é isso por hoje. Que Baco lhe acompanhe nessa escolha e que sua Páscoa seja super feliz e saborosa. Salute e kanimambo

Dicas da Semana

Ufa, tem um monte de coisa para você escolher durante as próximas duas semanas, algumas imperdíveis e únicas. Vamos a elas.
logo-foodblogs  FOODBLOGS – Quando comecei a escrever sobre vinhos e decidi montar meu blog, existiam muito poucos ou, pelo menos, eram muito difíceis de encontrar. Depois de um tempo o amigo Alexandre Frias, com todo o seu conhecimento na área, criou o Enoblogs um portal ao qual os blogs de vinhos de idioma português foram aderindo e hoje tem cerca de 300, ou próximo disso, perdi a conta! Muita coisa legal por lá que vale a visita, muitos deles estão com seus links aqui em Meus Blogs favoritos e Gente que Fala de Vinho. Agora ele lança o portal FOODBLOGS que visa levar a esse setor, o da gastronomia, esta mesma ferramenta. Por experiência própria, recomendo aos amigos que tenham blogs de gastronomia ou gostem de ler sobre o assunto, dêem uma passada por lá!

Dia 10 de Abril – degustação temática às cegas; “Grande Vinhos Malbecs” na Vino & Sapore, Granja Viana. SeráMalbe day uma celebração antecipada do Dia Mundial do Malbec que se realizará alguns dias depois. Uma seleção de primeiro nível com altas premiações e muitos de vinhedos bem antigos, até centenários! Últimas 4 vagas disponíveis, veja mais detalhes aqui > http://falandodevinhos.wordpress.com/2014/03/31/dia-mundial-do-malbec-lets-celebrate

RiedelDia 16 de Abril – Em parceria com o Restaurante Escondidinho, Riedel Tasting. Inicialmente programado para dia 26 de Março, uma degustação de taças acompanhada de muito bons vinhos pois apesar da taça adequada intensificar aromas e sabores, estas não fazem milagres com vinho ruim! Veja mais detalhes abaixo e garanta logo sua vaga.

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encontro de vinhos 2   21 de Abril – Encontro de Vinhos OFF, que bela forma de celebrar Tiradentes! Eu não deixo passar uma oportunidade destas, quando em Sampa porque eles têm uma programação em diversas outras cidades, e bato meu cartão sempre. Dia 17 já vamos eleger os TOP 5 dos vinhos em exposição o que já dará a vocês algumas pistas do que buscar por lá. O evento já conhecido pelos profissionais do meio do vinho está de volta e com novas atrações. Este ano, o Encontro de Vinhos Off contará com um lounge temático. Sim, a terra de Gardel mostrará o que há de melhor na Argentina: vinho, música e gastronomia.
E, por falar em gastronomia, o Encontro de Vinhos Off terá um bistrô comandado pela empresa Voilà, que servirá pratos a preços especiais para harmonizar com os vinhos, oferecidos em um espaço super charmoso onde os visitantes poderão relaxar, conversar e recarregar as energias. Os mineiríssimos queijos artesanais estilo parmesão d´Alagoa serão apresentados pela primeira vez ao paladar do público paulistano, Oba!
O Encontro de Vinhos Off será na belíssima Casa da Fazenda (Morumbi / São Paulo) e já tem como presenças garantidas: Interfood, Miolo, MS Import, Smart Buy Wines, Ideal Drinks, Qual Vinho, Adolfo Lona, Iguaria, Carla Moraes, Manz, Vinica, Winefit e Wines of Argentina. Ingressos: Pelo site antecipadamente: R$ 50,00 / No local do evento: R$ 60,00 / Sócios ABS / SBAV: R$ 30,00 (mediante apresentação de carteirinha)

Para maiores informações e compra de seus ingressos, clique >  http://www.encontrodevinhos.com.br/2014/03/15/encontro-de-vinhos-off-2014/.

Dias 22. 23 e 24 de Abril – A 18º Expovinis, a maior feira de vinhos da América Latina, é mais um passeio imperdível e desta feita com transporte do Metrô Tietê para o Salão de Exposições do Center Norte, valeram as reclamações do ano passado, fico feliz! Dias 22 e 23 certamente estarei por lá fuçando, provando e depois comentando por aqui.  Clique na imagem para mais informações no site da promotora.

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Medalhas de Ouro – Como Funciona Essa Premiação?

Wine meddalists - Von StiehlFalando de Vinhos e premiações com amigos confrades recentemente, achei que valia escrever um post sobre este tema. Quem não milita nesse setor pode ter a impressão errônea, fortemente fomentada pelo marketing tanto de produtores como das importadoras, de que um vinho que ganhou medalha de ouro em uma determinada feira, evento ou exposição, foi o melhor desse evento. Isso NÃO É VERDADE! Para que tenham uma idéia, no Decanter (conceituada revista Inglesa) World Wine Awards de 2013, participaram 10.400 vinhos e foram distribuídas quase que 10.000 medalhas, das quais 229 de ouro, 1.665 de prata, 4.165 de bronze e 3,658 Commended (recomendados). Na recente versão 2014 da Argentina Wine Awards foram provados cerca de 650 amostras e distribuídos 4 Trophies Regionais, 12 Trophies, 58 medalhas de ouro, 256 medalhas de prata e 276 de bronze.

Como já disse sobre as notas de experts ou pseudo experts, tem diversos por aí andando de salto Luis XV (!), estas medalhas e troféus dever ser absorvidas com a devida parcimônia. Dependendo do evento, não devemos fazer pouco caso da medalha, pois esta é atribuída a vinhos dentro de uma faixa de pontuação bastante alta. Já os troféus, esses são diferentes e premiam os melhores vinhos em cada categoria (região/cepa/país, etc.) determinada pela direção de cada evento. Posteriormente, os selos de premiação são comercializados aos produtores por parte do organizadores.

Me irrita profundamente quando os marqueteiros de plantão saem por aí anunciando um vinho que foi o número 1 dos top 100 da Wine Spectator, como o melhor vinho do mundo! A Miolo, por exemplo, anunciou aos 4 ventos que o Merlot Terroir 2005 (um bom vinho por sinal) ganhou numa degustação às cegas em Londres o título de Melhor Merlot do Mundo (foram 27 os vinhos provados)! Menos, vai gente, menos porque isso é falta de ética é querer eludir o consumidor seguidor de Baco!! Que um determinado vinho tenha ganho, por exemplo, um Troféu como Melhor Merlot do Evento num evento de prestigio consagrado é digno de celebração, mas vamos manter isso dentro da realidade, foi “só” o Melhor DAQUELE evento, não do mundo até porque para isso todos os melhores (?) deveriam estar presentes e invariavelmente não estão!

Concurso de vinhos
Vamos em função disso menosprezar premiações? Não, mas vamos digerir isso com a devida cautela e sem ufanismos. Várias premiações em diversos concursos dadas a um mesmo vinho em diversas safras faz dele, sim, um vinho de qualidade respeitada que deve ser festejada, porém que pode não ser do seu agrado, então provar é sempre essencial. Para mim, o melhor merlot nacional foi o Storia 2005, que depois não conseguiu repetir a performance (pelo menos das safras que provei) e hoje o Pizzato DNA , mas isso é tão somente a minha opinião em cima do que provei e tem um montão que não cheguei nem perto!

  • No Royal Adelaide Wine Show da Austrália, as medalhas são dadas para vinhos com a seguinte pontuação: Ouro 18.5/20 pontos e acima – Prata de 17.0 a 18.4/20 pontos – Bronze de 15.5 a 16.9 pontos.
  • No Concours Mondial Bruxelles – Ouro de 92,5 a 100 pontos – Prata de 87 a 92,4 pontos e Prata de 84 a 86,9 pontos.
  • No Decanter World Wine Awards – Ouro, de 95 a 100 pontos – Prata de 90 a 94 pontos – Bronze de 85 a 89 pontos e Recomendado (Commended), que eu traduzo como Menção Honrosa, de 81 a 84 pontos.

Decanter medals

Enfim gente, bebam vinho, não pontuação e não se deixem eludir pelo marketing extremo lembrando que, NÃO EXISTE VINHO MELHOR DO MUNDO! As premiações são tão somente uma fotografia de; um determinado evento, num determinado local, de determinados vinhos provados por determinados juízes/avaliadores num determinado dia. Mude um desses fatores e você poderá obter um resultado diferente. Tem um monte de rótulos com conteúdos maravilhosos que nunca entraram numa concurso ou feira de vinhos, que nunca foram enviados para avaliação da Wine Spectator ou da Wine Advocate (Robert Parker) e não por isso são inferiores em qualidade a muitos medalhados. Liberte-se, aventure-se, prove (essencial), saia da mesmice e curta a agradável viagem da busca por novos sabores e emoções!

Salute, Kanimambo e conto com vocês no Riedel Tasting de dia 16 de Abril. Dizem ser as melhores taças do mundo, será? Venha conferir, reserve já!

Ps. O WordPress segue com vontade própria diagramando o post do jeito que quer! Alguém aí está com o mesmo problema ou sou só yo!

Dia Mundial do Malbec – Let´s Celebrate!

 

Malbe day       O dia do Malbec é dia 17 de Abril, véspera de feriado, então optei por antecipar as celebrações desse dia para dia 10, às 20:00h. Para quem ainda não sabe, a Malbec nasceu na França, especificamente em Cahors onde também é conhecida como Cot, mas foi na Argentina que ela desabrochou para o mundo. Em Cahors, clima frio e úmido, a uva sempre teve dificuldade em amadurecer por completo o que não ocorre na argentina, especialmente Mendoza e San Juan, onde chegou nos idos de 1852 e que devido ao clima quase desértico e solo seco amadurece bem tendo caído no gosto dos enófilos do mundo. Também no Chile vai crescendo a produção da Malbec que, nestas terras, apresenta características diferentes das de Cahors ou da Argentina.

Pessoalmente não sou muito fã das bombas alcoólicas e extração excessivas (apesar de muita gente gostar do estilo)  que fizeram a fama de muitos rótulos argentinos, porém venho provando bastante e descobrindo que nem tudo é assim tendo degustado uma série de grandes vinhos nesse processo, porém a maioria passando da casa dos 300/400 Reais chegando próximo dos 1.000 o que, convenhamos, deixa um certo gosto amargo no bolso e são para muito poucos. Há porém, grandes vinhos na casa dos R$150 a 200/220,00 que, mesmo não sendo baratos, já são mais palatáveis ao bolso o que, na minha avaliação, sempre dá uns dois ou três pontos a mais ao vinho.

Escolhi juntar neste verdadeiro Desafio de Malbecs ás cegas, cinco rótulos com variados estilos e de diversas regiões argentinas, Salta, Patagônia e Mendoza, para se enfrentarem às cegas nesta prova e encarar um chileno só por diversão! Teremos um total de seis vinhos presentes ao Desafio, porém antes iniciaremos os “trabalhos” com a abertura de um espumante especial elaborado com 100% Malbec, o saboroso Alma Negra Brut Rosado, (Mistral) para quem chegar no horário. Vejam quem são os desafiantes:

  • Lagarde Primeras Viñas 2009 – Advindo de uvas de vinhedos de 1906 e 1930, as primeiras vinhas Lagarde primeras Vinasdo produtor. Consegue unir com maestria a potência com complexidade e elegância Violáceo lindo e brilhoso na taça, paleta olfativa intensa e sedutora que chama a taça à boca Na boca o vinho é de uma riqueza e complexidade únicas, confirmando a fruta e um perfeito equilíbrio entre taninos, álcool e acidez mostrando que ainda há muita vida pela frente . Os taninos são muito finos, sedosos, sem excessos, bom volume de boca, untuoso e longo. Preço médio R$ 175,00 e Patrico Tapias (Guia Descorchados 2012) premiou o 2008 com 94 pontos e eleito por ele como o melhor vinho de Lujan de Cuyo. (Devinum)

 

  • Catena Alta 2009 – Os vinhedos que produzem as uvas para este vinho estão entre os melhores da família,catena-alta-malbec-2009-original-1 entre eles o Angelica (860metros), Nicasia (1170 metros) e o Adriana (1470 metros). Foi o primeiro varietal premium lançado pela família no mercado mundial em 1994 ganhando fama e reputação. Robert Parker lhe deu 92 pontos nessa safra e a vinícola o descreve assim; “Em boca é um vinho de boa estrutura e concentração, de textura suave e aveludada. No paladar médio se percebem intensos sabores a cassis e groselhas, com delicados toques a chocolate, baunilha e pimenta preta. O final oferece um atrativo sabor mineral, com taninos finamente integrados e uma acidez vivaz e refrescante.” A conferir e o vinho referência (sempre tem!) deste embate. Preço médio de R$210,00. (Mistral)

 

  • Casarena Jamilla’s Vineyard Pedriel 2010 – lançado no ano passado foi uma enorme surpresa pois ?????Pedriel costuma gerar vinhos algo mais duros. O vinho, no entanto, se apresentou muito fino com uma bela e convidativa paleta aromática, fresco, taninos aveludados, elegante, madeira muito bem integrada, um vinho muito bom num estilo, digamos, mais europeu de ser. Recém chegado ao mercado, me seduziu e espero que faça o mesmo com os presentes ao evento. 94 pontos por Tim Atkins, Troféu como Melhor Malbec acima de 20 Libras no Decanter Wine Show de 2013 e preço médio R$ 150.00. Quando 0 provei na Wines of Argentina me entusiasmei! (Magnum)

 

  • J. Alberto 2009 – Vindo de uma região mais fria e menos montanhosa, a Patagônia. Vinhedos de 1955,J_Alberto_09 geram um vinho diferenciado e de quantidade limitada a cerca de 15 mil garrafas ano. Provei numa degustação dos vinhos da Bodega Noemía e me encantei. Malbec 95% (vinhedo de 1955) com Merlot, é um vinho de excecional qualidade que passa por barricas francesas de 2º uso (30% do vinho), de 3º uso (30% do vinho) e o restante em tanques de cimento. O resultado é um vinho especial e exclusivo onde a fruta está presente com madeira inteligentemente usada de forma a “levantar” o conjunto dando-lhe complexidade e um final de boca sedoso. Vinho denso, muito rico, com um meio de boca delicioso e marcante, taninos aveludados e muito longo. Preço médio de R$190,00, Wine Spectator 92 pontos e a safra de 2012 levou 94 tanto do Guia Descorchados como de Tim Atkins no inicio deste ano. (Vinci)

 

  • Colomé Autentico Malbec 2011 – Tim Atkins 94 pontos. De um outro extremo do país, Salta, vinhedosColome Malbec  Autentico 2011 antigos lembrando que esta foi a primeira bodega argentina datada de 1831. Um vinho diferenciado pois pretende trazer toda a autenticidade da uva para nossas taças. Sem passagem por madeira, de videiras plantadas há mais de 150 anos a uma altitude de 2300 metros. Todo ele produzido baixo as normas da biodinâmica, mostra-se austero, ótima acidez, denso, grande complexidade, frutos negros, especiarias, jovem e irrequieto, uma experiência diferente . Entre os TOP 100 vinhos argentinos, de 3.000 provados, da revista El Conocedor de Fabricio Portelli. Preço médio, R$ 150,00. (Decanter)

 

  • Viu Manent Single Vineyard San Carlos Estate Malbec 2008 – Vinhedos de mais de 100 anos em Viu Viu Manent_Single Vineyard Malbec San Carlos Bottlepleno vale de Colchagua e o único vinho não argentino a ganhar, com a safra 2010, uma medalha de ouro no Malbecs del Mundo realizado anualmente na Argentina. De acordo com Alexandre Lalas do site Winereport, “Nariz com notas terrosas, alcatrão, tabaco, couro, cogumelo, e evolução para chocolate amargo e café. Na boca, médio corpo, taninos mais agressivos do que os dos malbecs argentinos, mas escorados por uma acidez correta, um bom volume e um final agradável”. Um vinho que conhecerei junto com vocês! Preço médio de R$ 175,00. (Hannover)

Esperamos ainda ter um rótulo surpresa a mais nesse dia. Para finalizar, serviremos um pequeno festival de empanadas argentinas da Caminito; Carne, Carne com uva Passa, Salteña e Mix de Cogumelos. Total do investimento, R$100 pagos no ato da reserva. Quantidade de vagas limitadas a 14 pessoas (8 já reservadas) e o erviço será efetuado em taças Riedel Overture.

Não demore, garanta logo sua vaga porque nossos eventos lotam rápido. Ah, ia-me esquecendo do local! Como o sócio é parceiro, rs, será na Vino & Sapore na Granja Viana. Contato para reservas; comercial@vinoesapore.com.br ou por telefone às Segundas das 15 às 19:00 e no restante da semana das 10:30 ás 19:00 (11) 4612-6343/1433.
Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos!

 

Ps. Fotos meramente ilutrativas

Harmonização, Uma Arte a Explorar

Harmonizar seja lá que for; pessoas, comida, vinho, cerveja, tapas, etc., é um exercício complexo que envolve uma série de sentidos e é muito pessoal já que cada um de nós tem seus próprios gostos, cultura e idiossincrasias. Por outro lado, mais do que nunca, é vero que em nossa vinosfera não existem verdades absolutas e a experimentação pessoal é necessária para que possamos encontrar nossos caminhos. Gosto de tentar harmonizar meus vinhos com bons pratos, nem sempre acerto e muitas vezes sou atingido por enormes e gratas surpresas, mas essa viagem pela busca é que que faz desse caminho um prazeroso passeio por novos sabores, porém não sou xiita!
Como bem explica Márcio de Oliveira em artigo que repico abaixo, “O ideal é que o vinho e a comida se complementem e para tanto é importante conhecer bem toda a estrutura do prato, como sua acidez, a doçura, sua intensidade, os temperos e ingredientes, além dos aromas e paladares e a intensidade dos vinhos para acompanhá-los.”. essas informações, no entanto, nem sempre nos estão disponíveis, então eu sempre uso e  recomendo, de forma mais genérica, uma destas duas “regras” da harmonização; a da origem (pratos e vinhos da mesma região tendem a se dar bem juntos) e do peso (pratos leves com vinhos leves, pesados com vinho bem estruturado) lembrando sempre que vinhos de boa acidez (que te fazem salivar) são essenciais.
Ainda no artigo do Márcio, uma frase de um produtor francês, Jean-Luc Thunevin , chama a atenção; “Na França bebemos vinhos com comida. Se se harmonizaram bem, fica ótimo. Se não se casarem bem, não tem nenhum problema, pois o vinho é antes de mais nada um alimento ! O foco de harmonização é mais forte no Brasil do que na França!”. Como disse, não sou xiita, mas quando a soma dos dois ultrapassa o mero resultado matemático, a experiência boa se torna marcante e inesquecível! Essa busca me intriga e o resultado me encanta!! No artigo publicado pelo Márcio ele dá uma série de sugestões e em uma ou outra eu dou meus pitacos! rs

“HARMONIZAR ESTÁ NA MODA !

Não podemos esquecer que o gosto é pessoal e toda a sua avaliação é em grande parte subjetiva, e que as regras de harmonização podem ajudar, mas não são absolutas. Para não errar, listamos algumas sugestões de pratos e vinhos, mas não se preocupe em se limitar a estas sugestões. Vale a pena experimentar e abrir a cabeça a novos paladares e harmonizações.

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Entradas e saladas:
• Saladas com vinagre: água mineral ou Jerez fino
• Carpaccio: espumante, tinto leve
• Ostras: Chablis, Sancerre, Champagne , Muscadet sur Lie
• Salmão defumado: Riesling, Poully Fumé
• Salmão fresco: Chardonnay, Riesling
• Presunto e embutidos: Beaujolais Villages, Pinot Noir, Chianti, Valpolicella.
• Mortadela: Lambrusco seco
• Presunto cru: Jerez fino ou tinto frutado (Barbera, Dolcetto)

Peixes e Frutos do Mar
• Bacalhau: Branco amadeirado ou tinto jovem (depende muito do peso do bacalhau veja mais aqui)
• Frutos do mar: Brancos leves secos sem madeira Truta: Brancos secos de médio corpo (Chablis, Riesling alemão)
• Peixes leves: Brancos secos leves
• Peixes com creme de leite: Brancos secos médios ou encorpados (Chardonnays do Novo Mundo)
• Sushi/sashimi: Champagne brut, espumante nacional, Prosecco, Cava, Sauvignon Blanc, Vermentino, Pinot Grigio

Aves
• Pato: Tinto de médio a bom corpo (Bourgogne, Cote du Rhône, Shiraz australiano) – (Dão de idade mais avançada)
• Pato com laranja: Branco aromático
Vinho e Pizza• Perdiz recheada: Borgonha tinto, Pinots da Nova Zelândia, Oregon e Casablanca/Leyda no Chile.
• Coq-au-vin: Bourgogne bem estruturado, Pinot Noir do Novo Mundo

Massas
Pizza e massas com molho ao sugo: Tinto leve ou médio (Valpolicella, Chianti)
Massas com frutos do mar: branco leve (Sauv. Blanc, Pinot Grigio, Soave)

Carnes
• Coelho: Tinto médio, Pinots Cordeiro: Bordeaux tinto, Rioja, Cabernet Sauvignon chileno, Brunello sunday Oct 11th 004
• Caça: Borgonha tinto
• Fondue Bourguignone: Tinto médio (Bourgogne, Cabernet Sauvignon Brasileiro)
• Fígado: Tinto leve, jovem (Beaujolais) Vitelas: Branco médio ou tinto leve
• Cassoulet: Cahors, Vacqueyras
• Porco: Branco suave ou tinto leve (Pinots) – (Joelho de Porco com Riesling!)
• Steak au poivre: Syrah
Feijoada , Costelinha de Porco – Vinho Verde ou Espumantes Cítricos e frescos. Tannat

Queijos
• Fondue de queijo: Riesling, branco seco , Chardonnay
• Roquefort, Stilton, Gorgonzola: Porto ou branco doce,
DSC03016• Ovelha curado(Serra da Estrela): Porto LBV ou Vintage
• Queijo de cabra: Branco seco leve (Sancerre, Sauvignon Blanc)
• Camembert, Brie: Merlot

Sobremesas
• Chocolate: Banyuls, Porto Ruby ou Tawny
• Tortas (frutas): branco suave de sobremesa, colheitas tardias
• Cheesecake, cremes: branco doce, Sauternes, Muscat de Rivesaltes
• Crême brûlée: Sauternes, Muscat, Jurançon
Tortas de nozes, amêndoas, doces conventuais portugueses; Porto Tawny

Os ingleses costumam dizer que “ Practice Makes Perfect” então, mãos á obra vamos experimentar muuuuuito, afinal o fim de semana está chegando! Salute, kanimambo e dia 16 tem Riedel Tasting, ligue “djá”!

 PS. É raro, mas tem dia que o WordPress cria vontade própria e não tem santo que faça com que ele obedeça! Hoje é um desses, vai então do jeito que ele quer, não tou a fins de argumentar!! rs

Antecipando o Dia Mundial do Malbec – 10/04 – Save The Date!

        Grandes Malbecs de Mendoza, Patagônia, Salta e Chile num Desafio de Malbecs às Cegas para celebrar o Dia! Não marque nada para o dia, tem até vinho de vinhas centenárias, somente 14 vagas. Semana que vem publico detalhes.

Malbe day

Ah, o Riedel Tasting – Degustação de Taças foi postergado para dia 16 de Abril, não perca! Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui, ou lá!

Um Achado em Chablis, Coisa Rara

Borgonha com chablisAchados, ótimas relações Qualidade x Preço x Prazer, há em todos as gamas de produto, porém em algumas regiões são muito difíceis de se encontrar e quando isso ocorre é sempre motivo de festa, pelo menos para min! Adoro, mas não tomei tantos assim porque a palavra Chablis vem normalmente atrelada a uma série de cifrões os quais dificilmente consigo bancar e acredito que a maioria dos amigos compartilha comigo do mesmo mal! rs Do que tenho provado fica claro que os Petit Chablis e Chablis AOC  disponíveis no mercado não chega a encantar e quando são um pouco melhores já se fala de vinhos na casa dos 100 a 130 Reais. Quando damos um pulo na escada de qualidade e partimos para os Premier Cru  a qualidade sobe assustadoramente e o preço idem, já chegando na faixa dos R$180 a 200 sendo mais comum encontrá-los na faixa dos 200 a 300 reais! Se subirmos mais um degrau na escada, aí a coisa realmente fica séria e haja carteira!!

Nesse cenário, este achado foi para mim a melhor descoberta feita até aqui neste ano, um vinho absolutamente delicioso que possui toda a tipicidade que se espera de um vinho desta classificação e, graças à perseverança e garimpo da amiga Paula Fonyat da importadora Vínica, sem os altos preços que se espera desses mesmos vinhos. Domaine Servin Vaillons Premier Crus Chablis LabelDomaine Servin Vaillons Premier Cru Chablis, um vinho absolutamente sedutor que habitou minha taça neste último fim de semana e já deixou saudade! Sempre gostei muito dos vinhos de Chablis, que para quem não conhece é uma região produtora francesa que faz parte da Borgonha. Sua uva, a majestade Chardonnay! Para quem gosta de chardonnays untuosos, pesados, madeira bem presente, fique com os exemplares do dito Novo Mundo ou até de outras regiões europeias, porque aqui os vinhos são de outra estirpe.

Em Chablis, diferentemente dos vinhos elaborados na Cote D’Or, a madeira é muito pouco usada e quando presente é muito sutil, normalmente usada somente em parte do vinho e na maioria das vezes barricas velhas de forma a preservar sua majestade, a uva.Região fria, mais próximo aos vinhedos de champagne do que os da Borgonha, região a qual pertence, possui um solo muito característico argilo-calcário com sedimentos de conchas marinhas fossilizadas. Uma mineralidade e acidez em perfeita harmonia com um final onde aparece muito sutilmente uma certa salinidade, são marcas registradas destes vinhos.

Este Premier Cru foi elaborado com uvas advindas de vinhedos com 33 anos, sem passageDomaine Servin Vaillons Premier Crus Chablism por madeira, aromas de frutos brancos, algo de melão Orange (viajei?!) na primeira fungada, mineral, toques florais e ao final notas de abacaxi fresco. Dá para deixar o nariz na taça por um bom tempo, pois a paleta olfativa é já bastante complexa mesmo que não explosiva, pois aqui reina a finesse. Na boca, hummm, a mineralidade e acidez em perfeita união, sabores que me levaram num passeio por um pomar de pêssegos e nectarinas, e aquele final leve toque de salinidade muito peculiar.  Pensei em lagosta, ostras gratinadas ou frescas, casquinha de siri e peixes (linguado, salmão, truta) com temperos suaves, spaghetti alle vongole (sem tomate!!) me parecem boas opções de harmonização, mas este dá para tomar só acompanhado de boa companhia e basta! Encontrar este 1ºer Cru por apenas uns 20 a 30 Reais acima do preço de um Chablis AOC,  foi realmente um verdadeiro achado!

              Por hoje é só e precisava compartilhar estas sensações com os amigos. Quem chegou a tempo, tomei com um escondidinho de bacalhau (na foto) que não harmonizou muito bem, ainda tomou uns goles já os outros ficaram no desejo mesmo, sorry. Salute, kanimambo e aguardem minha degustação de Grandes Malbecs ás Cegas (dia 10/04) antecipando a celebração do Malbec World Day e postergamos a data do Riedel Tasting para dia

Syrahs – Uma Viagem Fora de Seus Habitats Mais Conhecidos, França e Austrália

Syrah Grape Fred Miranda         Mais uma viagem de descobertas de novos sabores, algo inerente a qualquer confraria que se preze, onde a experimentação tem que conviver com os eventuais encontros com grandes vinhos e, obviamente, a confraternização entre amigos. A meu ver, esse Las Moras 3 Valleys é hoje um dos grandes Syrahs até R$200 disponível no mercado e páreo para muito nomes graduados e bem mais caros, vinhaço! Provamos, todavia, uma série de outros vinhos bem interessantes mostrando uma diversidade entre eles muito interessante. Uma dica, fiquem de olho nos Syrahs Sul Africanos e Chilenos, muita coisa boa vindo dessas regiões. Em nossos encontros, no entanto, quem conta nossas experiências é a Raquel, então vejamos o que ela achou dos vinhos de mais esse encontro da confraria Saca Rolha.   

         “ Syrah ou Shiraz? Eis a questão. Tudo depende da procedência dessa uva que sempre viveu à sombra das espécies mais famosas, como a Cabernet Sauvignon em Bordeaux ou a Pinot Noir na Bourgogne.

         Sua origem tem várias versões e uma delas é que vem da antiga Pérsia, de uma cidade chamada Shiraz. A outra versão, é que foi trazida do oriente, e pelo caminho passou pelo sul da Itália, na cidade de Siracusa, na Sicília. De lá rumou para o vale do Rhône, onde se estabeleceu como a casta principal, com o nome de Syrah. Por ser uma uva resistente, com boa produtividade, não teve muitas dificuldades em se espalhar por outros territórios, onde foi se adaptando e cativando corações por sua personalidade peculiar. Produz vinhos densos, escuros, cheios de frutos negros, maduros, e ricos em especiarias que nos fazem imediatamente lembrar a sua possível procedência oriental.

         Fora da França, destacou-se mais tarde na Austrália. Com características diferentes e apesar de ser considerado “o novo mundo”, produz a Shiraz, como lá é chamada, desde o século XIX. E por volta dos anos 80, quando o vinho australiano se projetou no mundo, a Shiraz tornou-se sua uva ícone, devido à qualidade e volume de produção de seus vinhos.

         E foi justamente pensando nessa vocação, meio nômade, cigana, de se espalhar pelo mundo, se adaptando, interagindo sem impor rígidas exigências, mas ao mesmo tempo, deixando sua marca bem evidente por onde for criando raízes, que focamos nosso encontro do mês: os diferentes países (fora os óbvios), onde o plantio da Syrah/Shiraz tenha se desenvolvido e os vinhos recebido algum destaque. Foram escolhidos 5 vinhos:

          1. Falesco – Tellus Syrah 2011

              Esse vinho italiano, da região do Lazio (que tradicionalmente não é conhecida como uma região vinícola) já nos chamou a atenção pelo formato da garrafa, mais achatada que o usual, lembrando as antigas garrafas romanas. Na taça mostrava-se bem escuro e denso. Aromas de frutas maduras (cerejas, ameixas). Boa acidez, bom corpo, taninos presentes e bem incorporados. Sobressaíram ameixa preta seca, picância de pimenta e madeira. No final ficou bem caramelado.

          2. Maset del Lleo – Syrah Reserva 2006

             Catalunya, Espanha. Aromático, com especiarias, canela, baunilha, frutas e madeira. Muito aveludado na boca. Taninos finíssimos, com bom extrato de frutas negras maduras. Evolui bastante na taça, trazendo aromas defumados e florais (violeta). Os sabores também vão se amalgamando aparecendo café e chocolate. Final longo com persistência de ameixa preta seca.

         3. Montes Alpha Syrah 2007

              Valle de Colchagua, Chile. De início, causou alguma estranheza, com um certo aroma químico que sobressaía. Depois foram aparecendo alguns herbáceos (eucalipto, mentol, alecrim) e um fundo de côco. Na boca, bem pungente, com o álcool em evidencia. Boa acidez, bom corpo, taninos elegantes. Com tempo, evoluiu bem na taça. Apareceram o café, chocolate, defumados e frutas maduras. Fez lembrar um bom assado. Talvez o mais gastronômico de todos!

         4. Quinta dos Termos – Reserva do Patrão 2009

              Beiras Interior, Portugal. Bem escuro na taça. Frutado e denso (ameixa preta, jabuticaba, amora, cereja). A boa acidez traz um frescor e leveza contrastando com o peso do corpo e a potencia dos taninos. É um vinho que fala alto, mas fala bem! Mostra toda a tipicidade da Syrah, com suas especiarias perfumadas e picantes. Com tempo na taça evoluiu muito. Os taninos ficaram mais dóceis, e os aromas e sabores mais equilibrados. Um vinho que ganharia muito se fosse decantado por algum tempo.

         5. Las Moras – 3 Valleys – Gran Shiraz 2009

              San Juan, Argentina. Esse vinho já ganhou pontos (pelo menos nas nossas expectativas) quando foi servido em taças Riedel. Quando levei a taça ao nariz……..bem…..eu sei que a taça ajuda, mas não melhora nenhum vinho! Foi uma explosão de aromas que desencorajava qualquer impulso de dar o primeiro gole e perder aquele “playground” olfativo! Mas a curiosidade de conhecê-lo por completo, não me deixou demorar muito para apreciar também os seu sabores. Todo exotismo e nuances muito típicos dos vinhos feitos com as uvas Shiraz/Syrah estavam ali. Tudo muito equilibrado, sem cair na mesmice e mostrando claramente aquele “terroir” dos 3 vales (Tulum, Zonda, Pedernal) a oeste da Argentina. Muito expressivo e bem feito!

Syrahs no Saca Rolha

          A uva Shiraz/Syrah está, juntamente com a Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir, entre as tintas chamadas de internacionais, ou seja, as cepas que se espalharam por vários locais do planeta por onde foram levadas e conseguiram se desenvolver bem. Além do Vale do Rhône na França e na Austrália, onde a produção dos vinhos com esta casta é muito significativa, existem fortes expressões na Itália, Espanha, Portugal, África do Sul, EUA, Argentina e Chile. Produz vinhos sedutores, e muito gastronômicos. Combina muito bem com aqueles pratos de carnes de sabores marcantes, com molhos adocicados feitos com frutas exóticas e picantes. nfim, eu diria que seus vinhos não tem nada de básico. Portanto escolha-o quando quiser sair do lugar comum. “

         Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

Brunellos da Bueno-Cipresso – Eu Estive Lá.

Bem, não foi exatamante “lá”, o que teria um encanto diferente, rs, mas a Vinheria Percussi já vale bem a pena!  Pois bem, foi lá que provei recentemente em lançamento nacional e com a presença de alguns Vinheria Percussi Ijornalistas, críticos e colunistas especializados, entre os quais tive o privilégio de estar, os Bueno-Cipresso Brunellos di Montalcino. Curto demais a  Vinheria Percussi, um lugar para lá de especial que me encanta pelo seu charme, pela comida, pelo Lamberto e pelo mestre Jonas, um maitre á moda antiga, craque com quem tive a oportunidade de conviver por uns dez dias em viagem de trabalho que fiz à Argentina em 2012.

Não vou ficar aqui falando muito das pessoas, mas de um tenho que falar, do Roberto Cipresso que afora suas atividades em Brunello é também o enólogo da Achaval Ferrér e isso já diz muito sobre a qualidade de seu trabalho, adoro o Quimera e o o incrível e raro passito deles, sem falar do Mirador 2006 que talvez tenha sido o melhor Malbec que já tomei! Isso, por si só, já é uma tremenda recomendação que nos faz querer conhecer mais de seus vinhos,  mas pelo que provei nesse dia espumante Bueno Icreio que o Galvão acertou na escolha do parceiro e sócio com quem levar adiante esse projeto. Provamos nesse dia um espumante Bueno Cuvée Prestige Brut muito bem feito que reflete bem a qualidade de nossos espumantes, seguido de um Brunello 2007, um Brunello 2005 e um Brunello Riserva 2004, todos fermentados em carvalho Esloveno porém envelhecem em barricas francesas de 500ltrs. Perguntei do paradeiro dos 2006, um dos melhores anos da região em décadas, porém esse lamentavelmente está esgotado no mercado. De lembrança para os convidados, um agradável Bellavista Estates Sauvignon Blanc que eles fazem aqui no sul e que tem a “boa” mão do amigo e competente enólogo Miguel de Almeida.

Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2007 – pelo que senti, é esse o vinho que eles querem trabalhar. São 24 meses de madeira e depois mais 36 de garrafa antes de sair ao mercado, Muito bom, mas todo ele mais pronto, uma homenagem ao equilíbrio. Muito fruto negro, aromas de boa intensidade com a madeira aparecendo de forma sutil. Na boca mostra todo esse equilíbrio de que falei, poderoso sem bombar, final aveludado, algo balsâmico e de boa intensidade. Bom, mais pronto e sedoso no palato, algo típico da safra, porém ainda com muita vida pela frente.

Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2005 –  mesmo tempo de madeira do 2007, porém em função da safra algo diferente, mais jovem na boca. Nariz muito intenso e sedutor, mais escuro na taça, mais denso de boca, muito complexo, meio de boca muito rico, notas terrosas, final algo mineral, um vinho que consegue unir de forma irrepreensível a força com a elegância. Para mim, o vinho que fez minha cabeça, ainda com muito para evoluir, porém preço por preço (o 2007 e este têm um preço sugerido de R$350) tivesse eu essa grana disponível, este seria o meu escolhido. Muito bom vinho.

Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino Riserva 2004 – um vinho explosivo! Robusto, uma criança irrequieta aos dez anos de vida. Pelo Consorzio di Brunello, que rege as normas de produção e comercialização do vinho, um Riserva não pode ser vendido antes de seis anos e este exemplar seguiu o escrito, três anos de madeira com mais três de estágio em garrafa. Safra quente, fruta madura, grande estrutura, escuro na taça, quase mastigável, incrível como está ainda num estágio infantil de sua vida com acidez bem marcante. Vinho para uma vida e para quem gosta de força bruta e quiser tomar já, será um prato, digo, taça cheia, mas é um vinho que, a meu ver, pede tempo e paciência para aproveitar tudo o que ele ainda tem por oferecer. Para momentos para lá de especiais e com preço digno de tal, deverá estar no mercado ao redor dos R$500,00 a garrafa. Um grande Brunello que mostra toda a exuberância da Sangiovese Grosso, a uva da região.

Bueno-Cipresso

Um comentário e opinião sobre o tema de precificação dos vinhos. Pelo que conheço de vinhos similares no mercado, creio que os preços estão em linha. Talvez uns 10% acima de alguns outros mais renomados, mas se pegar a média anda por lá. Como consumidor quero sempre melhores vinhos por melhores preços, então ……. os Brunelos ao redor de R$320 e o Riserva em torno dos R$450,00 me pareceriam mais condizentes com a realidade, but who am I to judge!

Ah,tinha iniciado este post com o texto abaixo, porém revi e achei que tinha ganho mais importância do que o vinho e isso me pareceu imperdoável, então editei o post e finalizo com esse mesmo texto; Gostaria de tecer um comentário sobre um outro tema que me incomoda. Tem gente que cai de pau nos vinhos da Bueno em função de sua opinião pessoal sobre o proprietário e investidor o jornalista Galvão Bueno, nada a ver! Na minha terra normalmente se perguntaria, mas o que é que o …. tem a ver com as calças?! Vou, no entanto, ser mais polido e dizer que simplesmente não se deve misturar alhos com bugalhos e pronto. Sinceramente, pouco me interessa quem é o proprietário pois na essência o que realmente importa é o enólogo envolvido na criação e o caldo dentro da garrafa ou, melhor ainda, na minha taça! Tem vinho do Ronaldo, do Messi, do Raul, etc., mas se o caldo não for bom, e não sei se é, de que adianta a marca? Da Bueno, o que provei até agora, tanto de produção local como importada, gostei. Posso tecer críticas a políticas comerciais e preços, inclusive a estratégias de relacionamento com o mercado como na malfadada tentativa das salvaguardas, isso são outros quinhentos, porém tenho que me ater aos fatos e não sou do tipo que compra ou recomenda algo só porque brilha, então o vinho é o astro a ser olhado, provado e avaliado, o resto é marketing e, em alguns casos, puro preconceito. Pronto, falei!

Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui e não esqueça de nosso encontro no Riedel Tasting onde ainda temos algumas vagas disponíveis.