João Filipe Clemente

Harmonizando Clássicos de 2009 Parte II > Salton Talento

Bem, eis a segunda parte do Post de Segunda-feira e desta feita fui de vinho Brasileiro, Salton Talento um saboroso blend de Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Tannat, mais um clássico e mais um porto seguro que há anos encanta os que já conseguiram deixar o preconceito de lado. Neste último fim de semana, optei por não ir para a cozinha e saí com um casal de amigos para desfrutar das massas leves e deliciosas do Stéfano. Me incomodou o fato de que, por telefone, terem me dito que o valor da rolha, que até acho justo, seria cobrada porém que o valor dependia do vinho, mas enfim, decidi arriscar e pelo menos fiquei só nos 25 Reais, menos mal! Como a Rejane, nossa garimpadora gastronômica, estava presente, não vou falar do restaurante nem de sua comida pois ela certamente o fará, então vamos direto no vinho e na harmonização.

O que gosto deste vinho e desta vinícola, é que não se deixaram levar pelo sucesso permanecendo com uma política de precificação adequada e competitiva e, importante, manifestou há época seu desapreço pela tentativa de implantação das maledettas salvaguardas ao vinho brasileiro, tendo sido a única vinícola grande a fazê-lo, respeito isso. Não entram em delirius tremulis quando um de seus vinhos se sobressai nem tentam produzir ícones e sim vinhos que qualquer um possa tomar e, muito importante, com boa qualidade desde sua gama de entrada,  como prova sua nova linha Intenso sobre a qual falarei um dia desses.

Há cerca de 5 anos montei um Desafio de Vinhos ás cegas entre blends do novo mundo com preços acessíveis tendo havido 9 rótulos em prova, incluindo aí rótulos do Chile, Argentina, Uruguai , Austrália e outros brasileiros. Para a surpresa de todos, (você pode ler sobre isso clicando aqui) o ganhador foi exatamente o Salton Talento que de lambuja também levou o troféu de melhor relação Custo x Beneficio. O que comentei na época segue válido agora; “No olfato, uma certa timidez inicial que vai se abrindo na taça de forma sutil e delicada mostrando aromas de ameixa, cassis com algo de chocolate. Na boca mostra bom corpo, fruta madura, boa acidez, taninos finos e aveludados ainda bem presentes num final de boca bastante redondo e de boa persistência, harmônico enchendo a boca de prazer.” O 2009 confirmou o equilíbrio encontrado com o de 2005 que tomamos no Desafio e o preço pouco mudou pois encontra-se por aí ao redor de R$60 a 70 versus os R$58 de cinco anos atrás, nada mal! Um bom vinho que sempre me agrada abrir.

A harmonização foi com massa, especificamente Rondelli de presunto e queijo + Canelone de carne, este último sendo a especialidade da casa, ambos com molho vermelho. O vinho pode facilmente encarar pratos mais pesados, como o cabrito e coelho à caçadora que eles também têm no cardápio, porém não matou a massa não. A boa acidez do vinho enfrentou bem a acidez do molho e a harmonização até que satisfez e, obviamente, a companhia também ajudou e muito! Minha nota para a harmonização vai ficar em 4,  faltou o chan!!!

Harmonização FV Talento e Pasta

Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui.

Harmonizando Clássicos de 2009 – Parte I > Quinta da Bacalhôa

Curto harmonizar meus vinhos e sempre que possível pratico esse exercício até porque, na minha opinião, um nasceu para o outro! Já postei essas imagens no face, porém esta semana quero compartilhar com os amigos essa experiências de forma mais completa tentando colocar no papel, digo no teclado, algo mais! Por outro lado, a partir deste post, sempre que escrever sobre experiências de harmonização darei uma nota até cinco; 1 quando nada deu certo, 2 quando for muito meia boca, 3 quando for abaixo do esperado mas aceitável, 4 quando for justo mas sem chegar a encantar e 5 quando extrapolar.

Na Páscoa me meti a, pela primeira vez, fazer um bacalhau à Lagareiro com batas ao murro e entrei na rede fuçando por receitas, gente como tem receita diferente para a mesma coisa, impressionante! Enfim, depois de muito fuçar acabei optando pela que me pareceu mais tradicional e que achava ser capaz de realizar considerando minhas limitadas aptidões na cozinha. Compartilho o link aqui e, cá entre nós, ficou da hora e os elogios foram unânimes tendo eu trocado o tomate da receita por pequenas cebolinhas. Agora preciso repetir para ver se não foi só sorte de principiante! rs Ah, óbvio que os lombos foram de Gadus Morhua, porque o bacalhau certo é o primeiro passo para o sucesso do prato.

Clipboard Bacalhau à lagareira

Para acompanhar, optei por uma garrafa de minha adega de guarda, um não muito antigo e clássico, “Quinta da Bacalhôa 2009” que se mostrou um parceiro perfeito para o Bacalhau. Estava um pouco preocupado de inicio pois este vinho costuma demorar alguns anos mais para mostrar toda a sua exuberância, mas ficou no ponto, um equilíbrio perfeito com o prato. Para quem não conhece (está esperando o quê?), este vinho é elaborado na região de Setúbal em Portugal desde 1979 tendo como protagonista a Cabernet Sauvignon e um leve toque de 10% de Merlot ou seja, nada das célebres uvas autóctones portuguesas. Fruta presente sem exageros, algo de notas vegetais típicas da cepa, ótima estrutura e volume de boca, taninos aveludados, acidez em perfeito equilíbrio, final de boca longo e algo apimentado, rico, puro prazer. É um vinho que entra ano sai ano, mostra-se sempre muito equilibrado e um porto seguro, tendo me deixado profundamente satisfeito neste encontro com meu bacalhau de Páscoa e a meu ver logo de inicio, minha primeira nota máxima, 5 pontos!

harmonização FV Lagareira com Bacalhôa

O preço do vinho, estava esquecendo disso, é de cerca de R$150 hoje no mercado o que salga um pouco a harmonização. Por outro lado, os USD 39 do  free shop, já foi 27, é uma boa pedida! Durante a semana publicarei a segunda harmonização com mais um clássico de nossa vinosfera safra 2009, aguardem. Por hoje é só e espero que tenham uma ótima semana. Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Aguarde!

A gastronomia portuguesa é divina e muito diversa indo muito além do Bacalhau, apesar deste ser a estrela mais conhecida. Os Vinhos portugueses passam por uma fase maravilhosa com deliciosos vinhos nas mais diversas gamas de preço e estilo, então vamos juntar esses dois destaques da cultura portuguesa num menu degustação devidamente harmonizado. Um menu degustação desenvolvido por mim em parceria com a Iva (proprietária do restaurante) da “A Quinta do Bacalhau”, com cada prato sendo harmonizado com um bom vinho. Como sempre, algumas harmonizações fora do padrão e vinhos pouco conhecidos porém de qualidade irretocável fruto de meu garimpo por produtos e sabores diferentes privilegiando sempre o binômio Qualidade & Preço. Informações em breve, mas vão preparando o palato para mais esse gostoso encontro que desta feita se realizará num Sábado.

Clipboard banner Wine Dinner Português

Salute, kanimambo e um ótimo fim de semana.

Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto

Os amigos de Ribeirão vão ter um Sábado daqueles porque o Encontro de Vinhos dos amigos Beto e Daniel chega na cidade em mais uma edição deste gostoso evento que já está virando referência da vinosfera regional e eu recomendo. Adotando o conceito Road show, o Encontro de Vinhos visita as maiores capitais do Brasil levando para estes locais o que há de melhor no mundo do vinho sendo que no interior do Estado de São Paulo somente duas cidades de interior fazem parte do calendário Ribeirão Preto e Campinas. Eis a nota recebida dos amigos:
Conhecida pelo seu potencial enogastronômico e pela cultura no consumo de cerveja, a cidade de Ribeirão oferece ao público conhecedor da boa mesa uma ampla gama de bares e restaurantes. É nesse palco que o vinho pretende alavancar o consumo e se tornar excelente opção aos apreciadores da cerveja e do chopp.
O evento, que foi sucesso ano passado, pretende alcançar na sua quinta edição, a marca de 600 convidados. Serão mais de 200 rótulos disponíveis para degustação, que acontecerá dia 17 de maio no Hotel JP a partir das 14h. A Miolo marcará presença com uma ilha de espumantes, onde o visitante poderá degustar todo o seu portfólio de produtos e escolher a melhor opção para levar para casa.
Estão confirmados como expositores: Miolo, Ideal Drinks, Devinum, Portus Cale, Enocultura, Valduga, Domno, Aurora, Max Brands, Perini, Basso, Routier Darricarrère, Carmelo Pati, Decanter, Interfood, Família Cassone, Winefit, Brastemp e Queijo d’Alagoa.Os convites podem ser adquiridos pela internet (www.encontrodevinhos.com.br ) ou no local pelo valor de R$ 60,00. Sócios ABS-São Carlos terão 50% de desconto.

Aproveitem, pela lista de expositores haverão belos rótulos para provar. Salute e kanimambo.

encontro de Vinhos em Ribeirão

A Acidez no Azeite Realmente Importa?

Venho começando a decifrar esse outro mundo de sabores tentando entender seus segredos e descobrir seus usos, muita coisa interessante devo dizer! Não pretendo me tornar um expert, mas me sentirei algo mais feliz quando puder interpretar melhor esse ouro liquido e sair um pouco do; gosto – não gosto para o gosto-não gosto porque……… Abaixo listo alguns links interessantes para quem tiver a mesma curiosidade que eu mas a razão deste post tem a ver com a quebra essencial de alguns paradigmas para nos facilitar a compra e começo exatamente pelo tema acidez que acho que talvez seja o mais enraizado em nossa pouca cultura “olival”! rs Lembrando, azeites Extra Virgem possuem um limite máximo de 0,8% de acidez e os Virgens até 2%.

Como na loja sempre tenho alguns azeites disponíveis tanto para prova como para venda, é comum ouvir alguém dizer que um azeite de 0,2 é mais saboroso que um de 0,5%. Pois bem, a acidez apenas indica qualidade das azeitonas utilizadas e o zelo no manejo, porém não indica o sabor. O sabor tem a ver com o tipo de azeitona (pelo que pude ver são cerca de 270) e estado de maturação. A sua acidez, apesar de ser considerada um fator de qualidade, não garante um bom produto a ser consumido. O sabor e o aroma do produto é resultado de um complexo equilíbrio de pelo menos 70 compostos diferentes (cetonas, éteres, alcoóis, entre outros) que são transmitidos em gradações diversas, primariamente, pela variedade e pela maturação dos frutos no momento do processamento e, secundariamente, pelo micro clima e pelo solo em que a árvore está plantada. Já a acidez é gustativamente imperceptível. No entanto, esse índice tem um outro valor: a acidez tende a ser menor quando a coleta e o processamento das azeitonas é bem feito. Por isso é comum que bons azeites tenham acidez baixa. No entanto é possível encontrar um azeite com grau de acidez baixo, mas com pouca personalidade, pouco aroma e de sabor apagado e, também o contrário, um azeite com acidez um pouco mais alta, mas de presença marcante na boca. Por isso muitos produtores de Extra virgem sequer mencionam o percentual de acidez no rótulo.

Azeite de Oliva

Eis mais algumas dicas sobre o tema, lembrando que este post é uma coletânea de textos tirados do site do Empório Aioli, da Companhia dos Azeites e do Azeite Online.

  • A cor não define a qualidade do azeite de oliva. Representa somente a fase de maturação em que ocorreu a colheita das azeitonas. As azeitonas são verdes no começo do seu ciclo de amadurecimento e se tornam negras no final. As degustações profissionais são feitas num copo azul escuro que não permite ver a cor do azeite, porque esta influencia a percepção visual, mas é irrelevante em relação à sua qualidade.
  • Diferentemente do vinho, o azeite não melhora com o tempo. Deve ser consumido o quanto antes, de preferência dentro do primeiro ano de produção. Quando bem conservado, seu prazo de validade é de três anos.
  • É melhor fritar com azeite de oliva. Além de ser uma gordura vegetal mais saudável, ele agüenta maiores temperaturas sem oxidar, e cria uma película envolvente no alimento que impede que este se encharque de gordura. Do ponto de vista do sabor, é insuperável. Experimente um simples ovo frito em óleo convencional e outro no azeite de oliva. Desfrute a diferença!
  • Como no vinho, o ar, a luz e o calor, afetam a qualidade do azeite de oliva. Por isso, convém conservá-lo em embalagens lacradas, escuras, em temperatura ambiente e distante da incidência direta da luz.
  • Origem Artesanal – Pesquisas comprovam que o melhor azeite é o fabricado em pequenas escalas, com produtos mais artesanais e consumidos na mesma safra.
  • Micro Climas – O sabor do azeite produzido em cada país tem as suas características específicas e dentro de cada país cada região possui características diferentes da outra. Um azeite do Alentejo em Portugal, certamente será diferente de um do Ribatejo, Do Douro ou dos Trás-os-Montes, então saber sua origem é essencial.
  • É mito dizer que azeites de primeira prensagem são melhores. Na verdade, todos os azeites de oliva virgens, bons ou ruins, nos dias de hoje, resultam de uma primeira prensagem, portanto não é esse um fator que define a qualidade do produto.
  • Origem do Azeite – leia bem o rótulo, pois na Itália, por exemplo, que consome e exporta mais do que produz, há diversas empresas que importam azeites de outros países e envasam com marcas italianas, obtendo produtos de boa qualidade, mas não necessariamente azeites obtidos de azeitonas produzidas na Itália. O mesmo pode ocorrer com outros países. Nestes casos, normalmente se encontra no rótulo dizeres como “Embalado na Itália” ou “Envasado em Portugal”, mas não informam onde o azeite foi produzido e este pode muito bem ser espanhol que é o maior produtor mundial de azeite. As marcas que são produzidas e envasadas em um determinado país utilizam dizeres como, por exemplo, “Produto Espanhol”, ou “Este produto cumpre com as especificações do país de origem”, “Produzido e embalado em Portugal”, ou “Denominação de Origem Protegida (D.O.P.)”, o que assegura que aquele azeite é de origem conhecida (país e/ou região). Azeite produzido e envasado (ou engarrafado) por um produtor, no país de origem da marca são um indicativo, apesar de não ser uma certeza, de que o azeite pode apresentar uma melhor qualidade.

Para finalizar, uma dica da nutricionista Eneida Ramos colunista da revista Veja para testar a qualidade de seu azeite extra virgem; Como saber se o azeite é realmente extra virgem? Sim, porque existe muita safadeza por aí como foi denunciado há pouco tempo pela grande mídia, então melhor confirmar!

  • Coloque um pouco de azeite (em um recipiente de vidro) ou o próprio vidro de azeite dentro da geladeira. Mantenha a geladeira fechada por 48 horas (aproveite para fazer esse teste quando viajar em algum final de semana). Ao abrir a geladeira, o azeite extra virgem deverá apresentar–se espesso. Isso acontece, porque o ponto de fusão (transformação de líquido para sólido) do azeite acontece na temperatura de 13-14° C, ou seja, com o abaixamento da temperatura o azeite deverá solidificar, e apresentar-se na forma pastosa.

É isso, salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

 

 

Mamãe, Sinto que Estás A Chorar.

Dia das Mães é dia de celebrar junto com aquela que me acompanha há 38 anos e que tem sido uma mãe exemplar e uma avó carinhosa que se derrete toda quando o netinho pede uma frutinha e senta do lado dela para juntos assistirem “desenho” na tv. É também um dia para relembrar das Mães que já não mais estão conosco, para lembrar das Mães que nas intempéries da vida não puderam estar por perto tanto quanto queriam, para saudar as Avós que por muitas vezes tiveram que reassumir o papel de mães de forma mais enfática, porque Mães sempre serão, já que a vida nem sempre se materializa como a imaginamos e desejamos, até alguns Pais que assumiram também esse papel em suas vidas. Este é sempre, também, um dia de nostalgia em que um monte de sensações e emoções tomam conta de meu coração e certamente de muitos outros como eu, uma mescla de felicidade e alegria com uma certa dose de saudade.

Minha homenagem hoje se inicia com uma história com raízes nos idos de 1960 quando muitos jovens portugueses foram enviados para a guerra nas províncias de Angola e Moçambique até 1974 quando a Revolução dos Cravos “liberou” as províncias que se tornaram independentes. Mas porquê dessa história, porque foi Mãe e eu 3nessa época que uma canção embalou essas famílias separadas por uma guerra sem sentido, como todas, que ceifou vidas de lado a lado com muitas Mães perdendo seus filhos de forma irracional nas selvas africanas. Esta canção de titulo Mãe foi composta e gravada pelo Conjunto Oliveira Muge, por volta de 61 tendo sido há época proibida no Portugal continental sob o regime salazarista.

Eu não estive na guerra, era muito novo mas escapei por pouco, e mesmo vivendo em Moçambique passei boa parte de minha adolescência na África do Sul onde estudei em colégio interno dos 11 aos 18 anos. Dias difíceis aqueles pois duas pessoas que tanto se amavam tiveram que passar longos períodos separados por pura necessidade, mas o amor ultrapassa qualquer barreira e fronteira e a minha Mãe devo quase tudo o que eu sou, porque convenhamos, minha fiel escudeira também tem lá sua parte de responsabilidade, ou culpa, sei lá!! rs

A canção vem carregada de uma certa melancolia, repleta de amor, nostalgia, sofrimento e saudades tão tipicamente lusas, tendo servido de embalo e consolo a muitos naquela época e sempre foi um “hino” particular que eu e Dª Lourdes tínhamos como nossa música! A ela e a todas as mães que não puderam estar tão juntos “fisicamente” como desejavam ao longo da vida fica esta homenagem na voz do Conjunto de Oliveira Muge. Obrigado Mãe, saudades, não chores!

http://www.youtube.com/watch?v=rGCb1hl7i8I

Garimpando Mais Gostosuras Gastronômicas com Rejane Machado

Ish, já estava ficando preocupado com a ausência dos gostosos textos da amiga Rejane, uma eximia garimpadora das coisas de nossa vinosfera e gastronomia. Compartilhamos, entre outros interesses em comum, um espírito irrequieto que necessita de novidades, de sair da mesmice, de provar do novo! Ainda bem que ela voltou e com uma dica que me deixou com água na boca, vamos escutar o que ela tem a nos dizer sobre mais um achado seu.

“Ao vencedor as batatas”. ( Quincas Borba – Obra literária de Machado de Assis).
“Supõe-se um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso , é a desnutrição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos” , diz Quincas Borba a Rubião para explicar-lhe a teoria do humanismo. E completa: “ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.

Que papo é esse??? Apenas um momento cultural, lembranças láááá do “ginasial”, tempos nos quais a escola pública era sinônimo de estudo, inteligência, esforço e capacitação, mas voltemos, foco, Rejane Machado…foco!!…rssss Com uma introdução dessas que mais poderia ser o assunto deste post senão: Batatas!!!!!

Felizmente não precisamos eliminar tribo alguma para conseguirmos nos nutrir, lambuzar, fazer gordices deliciosas com o “divino tubérculo”. Batizada gentilmente de “Batata Louca”, na real alguns conhecem como Batatas Rösti, Suíças, Hot Potato. Enfim seja qual for o nome, é simplesmente uma de lí ci aaaa!

Rejane - Batatas
A receita tradicional da culinária suíça ( Cantão de Berna), era consumida por camponeses como “café da manhã”, claro que não havia essa variedade de sabores e modelagem perfeitinha. Na real é batata ralada e recheada com os mais diversos e criativos ingredientes…ai ai crocante!!..hummm… ( fiquei com vontade….rsss). Provei a recheada com frango, requeijão, milho verde e tomate …per fei taa! Tem mais 23 sabores, nas opções pequena ou grande. Eu pedi uma pequena, vejam a foto!!! E ainda você pode deixar mais saborosa com porções extras de recheios a sua escolha. Bora pra onde???

Doce Loucura
Praça das Rosas, 20 – Centro Comercial – Alphaville –SP – Tel.: 11 4191-8139 – http://www.doceloucura.com.br

Grande beijo e boa sorte a todos.

Eu fiquei com água na boca, uma hora tenho que me programar para dar uma passada por lá! Por agora fica o lembrete para a Degustação de Vinhos Espanhóis com Tapas & Pintxos no próximo dia 15 conforme post anterior a este, aguardo vossas reservas. Kanimambo e um ótimo fim de semana para todos.

Degustando os Sabores de Espanha

Amigos eis um convite imperdível para os amantes das coisas de Espanha. Uma noite especial,

Uma Viagem pelas Regiões Vinícolas Espanholas,

Seus Vinhos e Sabores

Flag Button Espanha

 

            No dia 15 de Maio a partir das 20 horas, estaremos reunindo numa gostosa degustação, um Cava e seis vinhos tranquilos das diversas regiões produtoras espanholas na Vino & Sapore tendo como parceiros a importadora Peninsula e a Chef Sandra Souza da Casa de Culina. Muita diversidade, uma verdadeira viagem pelos sabores e uvas de Espanha que terminam numa saborosa mesa de Tapas e Pintxos! Mostraremos um pouca da importância da Espanha na vitivinicultura mundial, e passaremos por sete das regiões produtoras mostrando que este não é só o pais da Tempranillo, mas também da Monastrel, da Garnacha, da Godello, etc.. Falaremos um pouco dos Crianza espanhóis, você sabe o que significa isso? Veja por onde andaremos neste encontro que realizaremos na Vino & Sapore:

  • D.O. Cava, Penédes – Cava Juve Y Camps Cinta Purpura Reserva Brut 2008 > com uma crianza de 24 meses em Clipboard Espanha Peninsulamedia na garrafa, é um grande espumante elaborado com as uvas mais qualificadas do Alto Penedés.
  • D.O. Valdeorras – Valdesil 2009, um vinho envolvente com muito volume e boa acidez elaborado com a uva Godello. Considerado o melhor vinho branco da Espanha no Brasil pelo crítico Jorge Lucki e listado pela revista Prazeres da Mesa entre os Melhores Vinhos de Espanha.
  • D.O. Alicante – Puerto Salinas 2004, com um blend típico da região, Monastrel, Cab. Sauvignon, Garnacha e 15 meses de envelhecimento em carvalho francês recebeu do principal guia de vinhos espanhol (Penin) 90 pontos e 92 de Robert Parker
  • D.O. Catalunya – L’Equilibrista 2010, um complexo e poderoso corte de Syrah, Carineña e Garnacha , envelhecido por 14 meses em barrica de carvalho novas francesas de tostado médio . Penin lhe deu 94 pontos nesta safra.
  • D.O. Rioja – Sierra Cantabria Cuvée 2009, um clássico Rioja elaborado com 100% Tempranillo de vinhas velhas com mais de 50 anos e envelhecido por 18 meses em barricas francesas e americanas. Robert Parker lhe deu 93 pontos e Penin 92.
  • D.O. Ribera del Duero – Pago de los Capellanes 2012, mais um 100% Tempranillo desta feita mais jovem com apenas cinco meses em barricas francesas. A safra 2010 recebeu 91 pontos da Wine Spectator e 92 de Robert Parker. A safra 2012 ficou entre os TOP 100 do ano de 2013 da Wine & Spirits americana.
  • D.O. Bierzo – Losada 2008 mostra-nos toda a força e expressividade da uva Mencia autóctone da região. Elaborado a partir de vinhedos velhos cultivados em solos de ladeiras suaves e argila, criado por 12 meses em barricas de carvalho francês.

Este encontro se dará na Vino & Sapore, clique no link para ver localização, e terá um máximo de 14 vagas disponíveis das quais 5 já se encontram reservadas, então se tiver interesse, reserve já! O valor de R$95,00 por pessoa deverá ser pago no ato da reserva. Compras dos vinhos em degustação no dia terão um desconto especial de 10% sobre os preços de tabela no site da importadora. Garanta seu lugar, ligue para (11) 4612-6343 ou por e-mail para comercial@vinoesapore.com.br . Salute, kanimambo e espero poder receber os amigos para mais uma viagem de descobrimentos por novos sabores.

Clipboard Pintxos & Tapas

Direto do Front – Desta Feita do Encontro Mistral 2014

O portfolio da Mistral é de tirar o chapéu e certamente um dos melhores, se não o melhor, mix de produtores, origens e rótulos. No mundo existem poucos encontros que conseguem reunir num só dia tal diversidade e qualidade com produtores de primeira grandeza e sempre montado com grande eficiência. O tempo é curto para um só dia e deixei de provar um monte coisas. Tem produtor que nem consegui chegar perto e fiquei algo frustrado, mas a vida é feita de escolhas, certo?

Para quem ainda vai ou simplesmente para quem queira conhecer os destaques que apurei em minha visita, clique na imagem abaixo para acessar o slide show que montei. Boa “viagem” para vocês, salute e kanimambo. Amanhã ainda tenho mais uma viagem especial na APAS conhecendo os vinhos que a Brascod está trazendo em seu novo projeto que terá a amiga Ana Grimaldi no comando e todos portugueses! rs

Clipboard Encontro Mistral

 

Os Brancos Portugueses Estão em Ótima Forma

Não é de hoje que venho ressaltando a ótima fase pela qual passam os vinhos portugueses e um destaque especial deve ser dado aos brancos que vêm se destacando no cenário mundial na mais diversas faixas de preço. Induzi a Confraria Saca Rolhas a enveredar por este caminho no mês passado e só senti que não pudesse ter colocado alguns outros grandes brancos, porém há limites tanto para grana quanto para o número de rótulos nestes sempre agradáveis encontros mensais. Faltaram um monte de rótulos que adoraria ver por aqui e certamente cada leitor terá os seus indicados, mas eis o que a amiga Raquel, porta voz da confraria, tem a nos dizer sobre mais essa curta viagem de descobrimentos!

No começo do mês de Abril, resolvemos nos despedir daquele verão escaldante que tivemos este ano, com uma boa dose de vinhos brancos que, apesar de pouco consumido por nós, acho sempre uma boa escolha. São leves, refrescantes e acompanham bem uma refeição. Optamos pelos brancos de Portugal, tão pouco conhecidos e com uma variedade tão grande de castas nativas que mereciam uma noite de degustação só para eles.
Os vinhos portugueses tem me encantado cada vez mais. Tanto tintos como brancos, são cheios de tipicidade e caráter. São mais de 300 variedades de castas, com seus nomes esquisitos, que variam dependendo da região de onde provêm: A uva “Fernão Pires” do Dão, é chamada de “Maria Gomes” no Alentejo. A “Bical” da Bairrada, é conhecida como “Borrado das Moscas”no Dão. A “Tinta Roriz do norte é conhecida como “Aragonêz” no sul. A “Sercial”, “Cercial” e a “Cerceal”, são castas diferentes! E por aí vai…… Atualmente podemos encontrar no mercado uma grande variedade deles, coisa que à poucos anos não era possível. Acho que estão deixando a modéstia peculiar de lado e investindo na produção e divulgação do seu produto para todo o mundo. Sorte a nossa!

O primeiro vinho a ser degustado, como de regra, foi um espumante:

  • Luis Pato Bruto-2009 – Feito à partir da casta Maria Gomes, aparentava um leve tom dourado. Muito fresco, boa acidez, bom extrato, frutado e um leve traço de oxidação em função da idade.

Na sequência, provamos pela ordem:

  • Prova Régia Premium-2012 – Lisboa, D.O.C. Bucelas, feito à partir da Arinto. Amadurecido em tanques de aço inox, mas passa 1 mês em contato com as borras (sur lie). Os aromas estavam um pouco fechados no início, mas com o tempo e conforme a temperatura foi atingindo seu nível ideal, apareceram os aromas florais, vegetais e da própria levedura, agregando maior complexidade tanto no nariz como na boca. Ervas e frutas brancas vão ficando mais evidentes, com muito frescor e persistência.
  • Pomares-2012 – Douro, elaborado com Viosinho, Gouveio e Rabigato.
  • Nariz bem presente de frutas maduras como pêssego, abacaxi. Encorpado, bem estruturado e leve traço de madeira, apesar de não passar por ela.
  • Morgado de Santa Catherina Reserva-2011 – Lisboa, D.O.C. Bucelas, 100% Arinto. Fermentado em barricas de carvalho francês, com estágio de 9 meses sob as borras. Aromas muito frescos, minerais, florais (lavanda, jasmim) e especiarias. Muito equilibrado em acidez e corpo. Sabores que confirmam os aromas de frescor e evoluem bastante na taça.
  • Quinta dos Roques-Encruzado-2012 – Da região do Dão, elaborado com a uva Encruzado. Aromas delicados, cítricos. Muito elegante e equilibrado, sem deixar sobressair nenhum elemento de destaque. Apesar do frescor e leveza, mostra-se com boa estrutura e persistência. Com o tempo em taça, aparecem traços de tostado da madeira.
  • Muros de Melgaço 2010 – Região de Vinhos Verdes, 100% Alvarinho. Elaborado com um clone raro desta casta, que tem a casca alaranjada, confere a este vinho características bem diferentes do esperado. Com aromas cítricos e frescos no primeiro impacto, vai tornando-se mais encorpado e complexo com o tempo. Ótima acidez, que o faz um bom companheiro nas refeições, sem perder seu volume em boca até com pratos mais untuosos e marcantes. Ouvi dizer que escoltou com bravura até um barreado(carne cozida lentamente em panela de barro) Não duvido !
  • Malhadinha 2010 – Alentejo, foi elaborado com as castas Chardonnay, Arinto e Viognier. De cor dourada e muito aromático. Boa estrutura e equilíbrio entre corpo e acidez. Os sabores cítricos, de limão e tangerina (que me fizeram lembrar as balas azedinhas da minha infância) convivem perfeitamente com a densidade do tostado abaunilhado da madeira. Mostrou as qualidades de um vinho robusto e evoluído, sem perder o frescor, a alegria e a alma jovem, que caracterizam a maioria dos brancos.

Portugueses brancos
          Até hoje em dia, ainda ouço vez por outra, falarem que o vinhos brancos não estão no mesmo patamar de importância que os vinhos tintos ocupam e até justificam que os melhores vinhos do mundo são os tintos. Desculpem! Acho que as pessoas que afirmam isso, ainda não foram apresentados à um grande branco! Existem brancos excepcionais na Borgonha(França), no Reno(Alemanha), sem falar dos espumantes de Champanhe e os botritizados de Sauternes. Atualmente, não podemos esquecer os Vinhos Verde feitos à partir das castas Alvarinho e Loureiro, tão pouco conhecidos e com um potencial de envelhecimento incrível, o que só é possível quando se fala de vinhos de grande qualidade. Além disso, acompanham muito bem pratos a base de peixes e frutos do mar, são leves e com dosagem alcoólica baixa, o que faz deles mais agradáveis e refrescantes no verão.
Outro questão que sempre me chamou atenção, foi o fato de que os melhores e mais bem estruturados vinhos brancos produzidos pelo mundo, provêm de países frios, onde seu consumo não está necessariamente associado aos verões tropicais, com muito calor, como os que temos por aqui. Podem tanto acompanhar uma refeição, ou descontraidamente escoltar um aperitivo com amigos, ou mesmo serem apreciados num momento de relaxamento e reflexão. São muito versáteis e amigáveis!  Portanto se você é daqueles que ainda não se deparou com o “seu” grande vinho branco, não perca por esperar. Dê-lhes uma chance e garanto que seu leque de prazer só irá aumentar.

Bem amigos, por hoje é só, porém esta semana ainda está bastante movimentada com o Encontro Mistral e a APAS, então muita coisa ainda por garimpar. Uma ótima semana para todos e seguimos nos encontrando por aqui. Salute, kanimambo e afora dia 15 com uma noite espanhola, dia 31 promoverei um Wine Dinner Luso, reservem essas datas de Maio pois valerá a pena, eu garanto!