João Filipe Clemente

Argentina Dia Dois – Regiões, Características e Vinhos de Salta

Um pouco mais de 206 mil hectares plantados dos quais 95% na região de Cuyo que inclui Mendoza, San Juan e La Rioja, cerca de 3 % na região Norte que abrange Catamarca, Salta e Tucuman e na Patagônia o restante, 2%. Como vemos, uma tremenda concentração. Alguns dados que nos foram fornecidos eu não conhecia e outros só comprovei, porém gostaria de compartilhar alguns desses dados com os amigos e, se quiserem ler algo mais sobre os vinhos dessa região, eis links para uma série de posts sobre minhas experiências por lá há dois anos:

1 – Cada região e sub-região produz um pouco de tudo, porém a grosso modos algumas uvas se destacam mais em algumas regiões. Desta forma:

  • Mendoza – gera melhores Malbecs, Cabernet Sauvignons e Bonarda
  • San Juan – ótimos Syrahs
  • Patagônia – destaque para os Pinot Noir e os Merlots
  • Salta – grande ênfase na Torrontés porém ultimamente tem gerado ótimos Tannats e os já conhecidos bem estruturados Malbecs de grande altitude.

WofA map_english2 – Bonarda é um clone da uva francesa Corbeau, novidade para mim! Sabia que não tinha nada a ver com a cepa de mesmo nome italiana, porém essa origem me era desconhecida.

3 – Torrontés – esta emblemática cepa branca argentina é uma mutação de uva Criolla com a Moscatel de Alexandria. Mais uma que aprendi.

Isso e muito mais escutamos na palestra dobre a vitivínicultura argentina apresentada na inusitada Casa Umare, um hotel boutique único e exclusivo. Se quiser paz e sossego (sequer nome na porta tem!) com requinte, ótimo restaurante com sofisticada culinária e cave idem, este é o lugar e desde já o convido para um passeio virtual pelo seu site. Logo após, uma mini-feira com alguns produtores de Salta já que não conseguiríamos ir lá nesta viagem. Revi alguns e conheci outros mas eis um resumo com os vinhos que, para mim, se destacaram.

Colomé – três vinhos da bodega Amalaya que faz parte do grupo e está localizada em Cafayate. O bom e extremamente competitivo Riesling com Torrontés, o Dolce Late Harvest e o que mais me chamou atenção; o Corte Único. Este último é novo, blend de 90% Malbec e o restante de partes iguais de Cabernet Sauvignon e Tannat com madeira bem integrada, muita fruta e ótimo frescor. Tomei outros, porém foi o que melhor acompanhou meu almoço.

El Porvenir – trouxe 4 vinhos e parte deles já os conhecia de minha viagem a Salta em 2012. Dois Torrontés sob a marca Laborum, um com passagem em madeira e o outro não, tendo este último me agradado mais. O Laborum Tannat estava bom mas sua linha abaixo (Amauta) me pareceu melhor e o Amauta Corte III de Malbec com Cabernet Sauvignon mostrou ótimo volume de boca e equilíbrio, o meu destaque do que provei deles nesse dia.

Tukma – uma enorme surpresa pois nunca tinha ouvido falar deles ou seus vinhos. Vinhos de grande altitude numa região de muita pedra e um produção limitada a cerca de 120 mil garrafas. Um Sauvignon Blanc muito marcante produzido a 2670 metros de altitude, em Jujuy já quase fronteira com a Bolivia, mostrando grande mineralidade, aromas intensos e sabores explosivos na boca, em garrafas de 500ml devido á pouca produção, um Cabernet Reserva muito interessante um Cabernet Reserva muito interessante e um ótimo Gran Corte de apenas 5 mil garrafas. Agora, o que realmente fez minha cabeça foi o incrível Torrontés Tardio, um vinho extremamente saboroso, equilibrado, fresco e bem feito que me deixou querendo mais! Tivesse ele algumas garrafas lá e eu certamente compraria pois seria um ótimo encerramento para o final de minha Degustação da Mala no próximo dia 18.

Bodega el Esteco (mais conhecida aqui por Michel Torino) – vieram com apenas dois rótulos mas de grande nível. O Altimus eu já conhecia e há anos é um de meus blends (Malbec/ Merlot/ Cab. Sauvignon e Bonarda) preferido da Argentina com um preço razoável (creio que está casa dos R$125 a 140), mas me chamou muito a atenção seu novo lançamento o El Esteco Malbec 2012, belo vinho! Barricas muito bem usadas (12 meses), só de 2º e 3ºuso, menos extração, taninos sedosos e de muita qualidade, fresco e muito apetitoso com leve toque de especiarias, marcante e muito longo.

Para completar, um ótimo almoço na Casa Umare acompanhado desses vinhos e de todos os representantes das bodegas presentes. Mais uma festa de sabores e a qualidade que já é marca registrada da WofA em todos esses eventos que ela organiza.

À noite tinha mais, tinha tango no tradicional Café los Angelitos e o Deco conseguiu que levássemos uma garrafas que tínhamos comprado no dia anterior lá no Joaquin Alberdi. Mais uma série de ótimos vinhos onde o destaque, para mim, ficou com os ótimos Monte Cinco Petit Verdot e o Monteagrelo Cabernet Franc, show de bola porém não tomei nota, estávamos no tango, mas deixaram marcas!!

Mais um slide show (clique na imagem) com algumas fotos desse dia. Nos próximos vou postando um pouco mais dessas experiências e a próxima parada, Neuquen, Patagônia. Salute, kanimambo e até lá.

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Ribera del Duero na Taça – Briego Vendimnia Seleccionada

Provei este vinho neste último Sábado. Estava meio down e achei que para levantar o astral só abrindo algo que me surpreendesse. Não conhecia o vinho, porém as indicações eram boas então, what the heck, porquê abri-lo, porquê não, fui lá e filo! Corria o risco de ficar com o saco (desculpem o linguajar) ainda mais na lua porém foi uma escolha para lá de acertada!!

Briego vendimnia seleccionadaAo “descorchar”, os aromas já invadiram o ambiente, antes mesmo de servir na taça, o que me fez abrir um sorriso, meu dia estava a minutos de melhorar pensei, oba! Na taça mostrou que meu sorriso tinha razão de ser, que aromas intensos e sedutores, algo não muito comum a um 100% tempranillo, com muita fruta vermelha no nariz, um passeio no bosque! Na boca essa fruta aparece de forma fresca muito bem integrada com a pouca madeira (cerca de 8 meses) usada em sua elaboração. Taninos macios e finos, meio de boca guloso e de médio corpo, final que pede bis, um vinho apetecível e fácil de gostar numa faixa de preço muito parelha com que o vinho entrega de prazer, em torno dos R$80,00. Mais um tiro certeiro de meu amigo Juan Rodriguez da importadora Almeria. Estou com o crianza deles para provar, e esta experiência com o Vendimnia me deixou curioso!

Fiquei feliz com minha decisão e rapidamente meu astral melhorou. Um pouco depois meu neto chegou e aí pronto, foi a cereja que faltava para completar minha mudança de humor. Mais um bom vinho espanhol provado mostrando que as dificuldades econômicas deles fizeram que nos déssemos bem. Precisaram produzir melhor, com melhores preços e abrir novos mercados e nós acabamos nos beneficiando disso.
Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Degustando Taças

Participei novamente de uma pedagógica degustação de taças, desta feita com as taças da alemã Schott-Swiezel, líder no setor de restaurantes (Hotel & Food Service) e no ramo há mais de 140 anos. Uma das suas Taças schottprincipais características que a faz tão popular no setor de restaurantes e hotéis é sua elaboração com Titanium, sem o uso de metais pesados como o chumbo, o que lhes dá uma vida bem mais longa, mesmo sendo cristal, pois sua durabilidade e resistência são incomparáveis. Com uma produção de mais 70 milhões de taças e copos para todos os gostos e bolsos, já andou por diversos mãos aqui no Brasil, mas recentemente se associou comercialmente à Zwilling (showroom em Sampa na Oscar Freire) para a distribuição de suas taças no Brasil.

Fui convidado a testar três linhas de taças com cinco vinhos e eis o que achei desse gostoso experimento sensorial.

  • As linhas: Concerto, Classico e Fortissímo
  • As Uvas: Espumante, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Pinot Noir e Cabernet Sauvignon.
  • O Experimento: provar o mesmo vinho na taça apropriada de cada linha proposta e ver qual melhor enalteceria sabores e aromas.

Bem, como sempre as opiniões foram diversas, porém compartilho com vocês, de forma bem sucinta, minhas conclusões por vinho:

Espumante – Foi servido o saboroso Lirica da Hermann Vinhos, brasileiro.Taças Schott Espumante

  • Taça Fortissímo – Aromas mais concentrados e intensos porém a perlage sumiu rapidamente
  • Taça Classico – Perlage mais dispersa assim como aromas
  • Taça Concerto – Perlage mais sutil e elegante assim como persistente, aromas marcantes e entrada de boca mais intensa realçando sabores. A MELHOR dos espumantes.(a da esquerda na foto)

Sauvignon Blanc – Foi servido o da Marichal de origem uruguaia.

  • Taça Concerto – o vinho sumiu rapidamente tanto na boca quanto nos aromas
  • Taça Classico – mais cremoso na boca, um efeito algo inesperado.
  • Taça Fortíssimo – mostrou bem mais o que vinho era. Intensificou aromas e sabores mostrando uma melhor presença de boca. A MELHOR para esta uva e este vinho.

Chardonnay – Foi servido um chileno da Terranoble e talvez a taça mais difícil de escolher. Depende muito do que cada um espera de seu chardonnay. Eu talvez ficasse com a Fortíssimo.

  • Taça Concerto – foi a que mais ressaltou a madeira presente e mostrou melhor presença de boca.
  • Taça Classico – a madeira mais equacionada, a fruta aparece um pouco mais, boca cremosa, fruta madura.
  • Taça Fortíssimo – a taça em que a madeira foi menos aparente, pungente com notas cítricas mais presentes.

Pinot Noir – Foi servido o vinho Catalpa, argentino produzido pela Atamisque.

  • Taça Classico – o álcool apareceu um pouco mais dominante tanto na boca quanto no nariz não ajudando a primeira impressão do vinho. Na boca foi neutro.
  • Taça Fortissímo – intensifica tudo projetando com maior intensidade aromas e sabores, mas também a madeira e o álcool mesmo que sem a mesma intensidade da anterior
  • Taça Concerto – Todo ele mais sutil e harmonioso, mostrando de forma elegante as características do vinho. A MELHOR para esta uva e este vinho.

Cabernet Sauvignon – Foi servido o Valdivieso Winemaker´s Selection de origem chilena.

  • Taça Concerto – destacou demasiado a piracina existente no vinho o que não me agradou.
  • Taça Classico –madeira, piracina (mesmo que menos que o anterior), álcool mais aparentes
  • Taça Fortíssimo – Aromaticamente mais harmonioso tendo a fruta aparecido na taça, algo que nas outras duas não tinha ocorrido. Tenho que confessar que o vinho não ajudou muito esta última análise (opinião pessoal) porém entre as três taças provadas, esta seria a MELHOR para esta uva e este vinho.

Conclusão > Uma prova deveras interessante que levaria a:

  • Comprar a Concerto para meus espumantes, já voltei a provar em casa e faz bastante diferença.
  • Comprar a linha Fortissímo para o restante dos vinhos como a taça que reproduz, em média, o maior equilíbrio dos vinhos.

A última coisa a comentar sobre estas taças de Tritan Crystal degustadas tem a ver com preço que, mesmo não marcando no dia, me pareceram bastante atraentes e chamaram minha atenção.

É isso, salute e kanimambo pela visita. Uma ótima semana para todos

Argentina de Sul a Norte – Uma Viagem de Descobrimentos

Foram dez árduos e intensos dias percorrendo 3850 kms da Patagônia a La Rioja, mais de 270 vinhos provados, mas o grande destaque foi a harmonização do grupo que se reuniu em Guarulhos sob a batuta do amigo Deco Rossi o homem da Wines of Argentina no Brasil. No post que publiquei a semana passada coloquei um slide show de uma visão particular além da garrafa, porém agora começo a falar de seu conteúdo e de quem os CAM00697faz. Foi um tremendo de um aprendizado e quanto mais ando pelos terroirs argentinos e conheço novos produtos e alguns dos personagens por trás deles, mais eu me de deixo seduzir pelas mudanças por qual passa a enologia dos hermanos.

Chegando em Buenos Aires, depois de um ótimo voo com a Lan Chile, foi deixar as malas no hotel e irmos direto nos encontrar com o Joaquin Alberdi em sua gostosa loja em Palermo Soho, a “JÁ”. Fazia uns dois anos que por lá não passava e ele andou trabalhando, mudou marca e pintou a loja então passamos reto, mas logo a encontramos até porque a rua tem poucas quadras. O Joaquin é uma personalidade única no mundo do vinho e aquele que der a demonstrar seu interesse de ver além do preço na garrafa, terá nele um embaixador dos bons vinhos da terra. Falo isso não porque seus preços sejam caros, estão em linha com a maioria, porém o atendimento vai muito além disso e a descoberta de coisas novas e inusitadas vale a visita por si só. Se tiver a chance, participe de uma de suas degustações com produtores (basta acessar seu site e ver a programação – em Nov. tem duas imperdíveis; Tacuil e Noemia).

O Didu, amigo e companheiro desta viagem, fez um belo post sobre esses momentos vividos com o Joaquin e vale muito a pena ver sua entrevista publicada aqui, já eu vou me ater a fazer alguns curtos comentários sobre esses vinhos provados dos quais alguns trouxe para a degustação de Vinhos da Mala (agora dia 18/11) visando compartilhar essa experiência com os enófilos e curiosos aficionados do mundo de Baco.

Passionate Wines Brutal Torrontés – Jovem e criativo enólogo , Matias Michelini junto com seus irmãos produz vinhos diferenciados e criativos não se atendo à mesmice! O nome da bodega já diz tudo, são vinhos elaborados com paixão e este, de sua linha de vinhos de experimentos chamada Inéditos, com baixíssima produção (600 garrafas), é um branco vinificado como tinto e não filtrado. Resultado, um vinho laranja! Irreverante, natural, intrigante, do tipo ame-o ou odeie-o. Eu curti, mas tem que ter a mente aberta!

Buenalma – um Malbec orgânico já algo evoluído, muito saboroso e baratinho. O Didu, louco que é por vinhos deste estilo, adorou. Pelo que sei, só tem na Argentina.

Gen del Alma Otra Piel – um blend, sempre eles (!), de Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir sem passagem por madeira, pureza, frescor, sedução na taça um trabalho do irmão de Matias, Gerardo Michelini, num projeto solo com sua esposa. Longe de chegar no Brasil, produto vendido a conta gotas!

Achaval- Férrer Special Blend – estive na bodega em Agosto e não provei, daquelas coisas que só o Joaquin consegue trazer para sua vinoteca. Soberbo vinho digno da casa que o produz; robusto, complexo e perfeitamente equilibrado, um vinho guloso! Por enquanto ainda não está disponível por estas bandas

33 de Dávalos – soy incha desta bodega que produz tão somente umas 10.000 garrafas anuais e não é de hoje. Pedi para o Joaquin abrir algo deles, pensei no RD que já comentei aqui, mas ele estava animado e abriu este magnifico vinho que, por convicção e filosofia, não passa em madeira. Acho que poucos na Argentina trabalham tão bem as famosas piletas de concreto como Raul Dávalos em sua Bodega Tacuil (2650 metros de altitude) em Salta próximo à Colomé que, por sinal, já foi dele. Vinho de videiras muito antigas, pé franco, Cabernet Sauvignon com Malbec e cerca de 1000 garrafas produzidas que ficam essencialmente na Argentina, Suissa, França e Inglaterra tão somente. Mostra que para ter corpo e longevidade não há necessidade de madeira! Complexo, um vinho cheio de camadas a explorar e se deliciar!

De Angeles Cabernet Sauvignon – este pequeno produtor mendocino produz vinhos potentes e muito bem feitos sem qualquer geléia. Já conhecia seus malbecs e este Cabernet não nega a raça de seus irmãos, um belo e encorpado vinho para acompanhar um ojo de bife. Também não chega no Brasil.

Montesco Agua de Roca – do jovem e irrequieto enólogo Matias Michelini, mais um vinho que surpreende e bem que o Deco tinha avisado, branco diferente na parada! Um Sauvignon blanc que vem de vinhedos acima de 1500 metros de altitude em Gaultalarry ao pés dos Andes e sua mineralidade marcante originou seu nome. Talvez o melhor exemplar desta uva provada em toda a viagem, gamei!

Achaval-Ferrer dolce – a meu pedido, este delicioso e marcante vinho de sobremesa á base de malbec produzido pelo método passito italiano. Produção de cerca de 1500 garrafas ano que você compra em meia dúzia de lojas, se tanto, na argentina inteira e na bodega. Esse não falta na minha adega não!

Depois de oito vinhos deste naipe tomados mais a simpatia do Joaquin, difícil foi voltar para o hotel, porém o anfitrião (WofA) tinha armado um gostoso jantar no Puratierra regado a vinhos da Terrazas. Um destaque especial para o vinho de sobremesa um late harvest de petit manseng uma uva originária do Madiran no sudoeste francês e pouco conhecida por aqui. Bem amigos, este foi nosso primeiro dia porém não poderia terminar sem uma frase dita pelo Joaquin que me chamou a atenção, pois com seu jeito bonachão e divertido, ele diz algumas coisas que nos fazem pensar! Tudo bem, somos embaixadores e divulgadores dessa paixão que chamamos de vinho, porém os lugares que o vendem têm um certo “q” de bordel, pois ambos vendem prazer! É, acho que vou botar uma lanterna vermelha na porta da Vino & Sapore!!! Rs

Abaixo o slide show (clique na foto) com algumas imagens de nosso primeiro dia. Salute e kanimambo pela visita, um ótimo fim de semana para todos e segunda tem mais!

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Noticias de Nossa Vinosfera

Wine-globe 2Eis algumas noticias e curiosidades sobre este mundo regido por Baco.

A Carmenére faz 20 anos – Dada como extinta após a praga da filoxera, que dizimou vinhedos da Europa no século XIX, a variedade francesa foi identificada em terras da Viña Carmen, um dos reputados produtores chilenos. Originária de Bordeaux, a variedade foi redescoberta em meio a plantações de uva Merlot nas propriedades da Viña Carmen, a mais antiga e tradicional do Chile, fundada em 1850.

O feito coube ao ampelógrafo francês Jean-Michel Boursiquot que, fazendo uso da engenharia genética – uma novidade no campo da vitivinicultura na época –, decidiu investigar a fundo as uvas que teimavam em amadurecer tardiamente nos vinhedos chilenos de Merlot. Muito provavelmente, as mudas de Carménère chegaram ao país pelas mãos de produtores imigrantes misturadas a outras variedades francesas.

Em 1994, a Viña Carmen lançou o Carmen Grand Vidure-Cabernet Reserve, o primeiro vinho chileno produzido com a Carménère, ou “Grand Vidure”, como também é conhecida. Em comemoração aos 20 anos da redescoberta da uva, neste ano, a propriedade lançou o vinho comemorativo IIII Lustros (cada lustro representa um período de cinco anos), que não é comercializado por aqui e acho que só lá na bodega para conseguir provar essa preciosidade. Fiquei curioso!!

french Wine mapFrança volta a Assumir a Dianteira na Produção Mundial de Vinhos – Relatório deste ano da Organização Internacional do Vinho aponta a França como a maior produtora de vinhos do mundo e mostra outros dados da produção mundial.

Os relatórios das colheitas deste ano da Organização Internacional do Vinho (OIV) mostram a França em primeiro lugar entre os maiores países produtores de vinho do mundo. A França derrotou a Itália, que no ano passado ocupava o posto de maior produtora, mas em 2014 teve os rendimentos muito abaixo das expectativas em virtude das fortes chuvas que atingiram o país no mês de Julho. Segundo dados da OIV, são esperados 271 milhões de hectolitros para a produção mundial de vinhos deste ano, o que representa uma queda de 6% em relação ao ano de 2013.

Apesar de apresentar alguns problemas com o clima este ano, a França mostrou um aumento de 10% na produção em comparação ao ano passado. Houve também melhora significativa de 16% na Alemanha, com volumes atingindo a marca dos 9,7 milhões de hectolitros. Entretanto, na Espanha não houve variação nos níveis de produção, permanecendo na média do país de 37 milhões de hectolitros.

Fora da Europa, os Estados Unidos marcaram seu terceiro ano consecutivo de aumento na produção, com 22,5 m de hl. O Chile caiu 22%, a Argentina se manteve estável na marca dos 15,2m de hl, enquanto a África do Sul apresentou melhora de 4%, atingindo 11,4m de hl. Na Nova Zelândia, as metas foram superadas em quase 30% em relação ao anterior, e na Austrália houve tímida melhora, alcançando a marca dos 12,6 m de hl. (Fonte – REVISTA ADEGA – 24/10/2014).

Beaujolais Noveau está por “arrivar” – Todo ano, a terceira quinta-feira do mês de Novembro é aguardada pelos entusiastas do vinho. Na mesma data, no mundo inteiro, milhares de pessoas comemoram a chegada de uma nova safra, abrindo uma garrafa do Beaujolais Nouveau, o primeiro vinificado após a colheita. A tradição, que teve início em Lyon, na França, no século passado, hoje acontece em mais de 190 países, envolvendo uma megaoperação de logística.

Na Mistral, a estrela que estará presente em selecionados do país é o Beaujolais Nouveau de Joseph Drouhin, eleito o melhor Beaujolais nas degustações organizadas pela imprensa especializada no Brasil. Mesmo sendo um vinho jovem, nas mãos de um produtor perfeccionista, como Drouhin, o Beaujolais Nouveau pode ser um tinto muito agradável e frutado, saboroso e macio e com um sedutor aroma de frutas vermelhas, como cereja e framboesa. É um vinho feito para ser tomado levemente refrescado, combinando muito bem com os dias mais quentes e perfeito para acompanhar aperitivos, como frios e salsichão.

Neste ano, os dias ensolarados na região de Beaujolais permitiram um ótimo amadurecimento das uvas Gamay e, com rendimentos menores, a safra 2014 teve bagos de ótima qualidade e cascas espessas. Os Beaujolais Nouveau de Joseph Drouhin estão especialmente repletos de notas de frutas do bosque, com um caráter fresco e elegante. O Villages, elaborado com uma seleção ainda mais rigorosa, mostra mais camadas e concentração de fruta madura. Quer reservar o seu ou quer saber em que restaurantes o vinho estará disponível, então entre em contato com a Mistral.

Champagne-Bubbles - Ministry of AlcoholESPUMANTES ESTÃO EM ALTA – Espumantes estão desfrutando de uma fase inigualável de sucesso no mercado, sendo o Prosecco o de mais destaque nas vendas. Não é nenhum segredo que o comércio de espumantes no Reino Unido está aumentando a cada dia. Cerca de 110 milhões de garrafas foram consumidas no país só no ano passado e as vendas subiram 20% no segundo trimestre de 2014. Embora esse crescimento mostre pequenos sinais de queda, o mercado dos não-Champagne continua sendo dominado pelo Prosecco, levantando a questão sobre se há ou não mais espaço para as outras marcas se expandirem dentro do segmento.

Na última década, a categoria dos espumantes evoluiu muito, com o volume de vendas global do Prosecco ultrapassando o do Champagne pela primeira vez. Uma análise mais detalhada revela uma estrutura de mercado não muito equilibrada. De acordo com Nielsen, analista sênior da Natasha Kendall, os espumantes italianos vêm apertando a competição entre as marcas.
A italiana Prosecco e a espanhola Cava controlam atualmente 70% do mercado varejista entre elas. No panorama geral, as vendas de espumantes no Reino Unido movimentaram 500 milhões de libras nos últimos anos, enquanto as vendas de vinho enfrentam declínio gradual desde 2009. (Fonte – REVISTA ADEGA – 10/10/2014).

Salute e kanimambo.

Jantar Vínico Luso na “A Quinta do Bacalhau”

Dia 29/11 a partir das 20 horas – Wine Dinner promovido por mim no restaurante

“A Quinta do Bacalhau”.

Depois do grande sucesso da primeira edição realizada em Maio passado, vamos repetir a dose com vinhos e pratos diferentes numa harmonização única. Vejam abaixo o menu degustação e vinhos a serem servidos.

BoasvindasEspumante Quinta Don Bonifácio Brut

Entrada – Salada Lisboeta (Grão de Bico e Bacalhau) e Bolinhos de bacalhau com o vinho verde Dona Paterna Trajadura/Alvarinho

1º prato – Rojões (carne de porco cortada em cubos), prato típico alentejano com o DFJ Touriga Nacional/Touriga Franca da região Lisboa.

2º prato – Cataplana de bacalhau (batatas e tomate) com o Grandes Quintas Reserva, um tinto do Douro

Sobremesa – Queque de Amêndoas, acompanha Porto Quinta do Infantado Tawny Reserva Dª Margarida

Serão servidos 100ml de cada vinho acompanhando o prato, exceto o Porto com 50ml. Preço de R$160 por pessoa (pagos no ato da reserva) com direito a água com e sem gás e o café ao final do jantar. Refrigerantes e outras bebidas serão cobradas à parte.

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As reservas estão limitadas a 40 pessoas e na última edição lotamos rápido então não hesite e garanta logo sua participação. O evento se dará a partir das 20:00 no restaurante que fica na estrada para Caucaia do Alto acesso pelo km 39 da Rodovia Raposo Tavares. Aguardamos seu contato tanto através do blog, na Vino & Sapore (comercial@vinoesapore.com.br) Tel. (11) 4612-6343 quanto no “A Quinta do Bacalhau” contato@aquintadobacalhau.com.br ou Tel. (11) 4616.5481.

Dicas do Mês, Programe-se

Este mês de Novembro certamente haverão um monte de oportunidades para degustar e aumentar a litragem dos amigos que, como sabem, é provando que se conhece vinho! Eis uma pequena amostra do que está por vir, garanta-se!

Encontro de vinhos curitibaDia 8 Encontro de Vinhos em Curitiba – organizado pelos amigos Daniel Perches e Beto Duarte, atuantes e competentes participantes de nossa vinosfera como blogueiros e outras atividades afins, esta é terceira edição do Encontro de Vinhos que apresentará intensa participação de produtores argentinos e brasileiros no evento, um time de 23 expositores que apresentarão ao público curitibano centenas de rótulos de vinhos para serem degustados.

Destes 23 expositores, 17 são produtores , “O interesse pelos produtores por feiras como o Encontro de Vinhos tem aumentado substancialmente a cada ano. É uma forma de consolidar a marca de maneira direta, frente a frente com o consumidor”, relata Daniel Perches.

“Outro dado relevante é a forma que esses produtores têm nos procurado: em grupos. Há alguns anos atrás, tínhamos uma demanda muito grande de produtores individuais que buscavam o evento como estratégia comercial. Hoje, as associações representativas possuem papel fundamental na promoção da imagem de países ou regiões vitivinícolas como um todo”, cita Beto Duarte.

Um exemplo é a Wines of Argentina, que realiza um trabalho de promoção dos vinhos argentinos no Brasil há mais de 20 anos sendo que, nos últimos anos, as ações têm se intensificado fortemente. “Os projetos e ações que executamos no Brasil tem um planejamento anual e com o objetivo de construir e reforçar a imagem dos vinhos, das vinícolas e também das diferentes regiões vitivinícolas argentinas. É uma estratégia que busca criar um diferencial competitivo frente aos demais países produtores.”, afirma Déco Rossi, Relações Públicas da WofA no Brasil.

Sobre o evento: dia 08 de novembro – das 14h as 22h no Hotel Lizon – Avenida Sete de Setembro, 2246, Centro. Ingressos: R$ 70,00 no local e R$ 60,00 pelo site. Sócios ABS, Centro Europeu e CCVB têm 50% de desconto. Acesse: www.encontrodevinhos.com.br

mala 12 em fibra IDia 13 Prova dos Vinhos da Mala do João. Na Vino & Sapore (Granja Viana – Cotia) a partir das 20 horas – A meia hora de Sampa (zona oeste), seis vinhos que selecionei durante minha última viagem á Argentina. Uma forma de compartilhar com os amigos um pouco desse saboroso garimpo trazendo coisas que não estão ainda disponíveis no Brasil e boa parte provavelmente nem virão. Veja mais aqui, mas fica o aviso, só sobraram 3 vagas das 12 disponibilizadas.

 

Dia 27 Degustação temática de espumantes – Uma oportunidade de conhecer um pouco mais sobre esse Champagne-Bubbles - Ministry of Alcoholborbulhante e festivo mundo dos espumantes, aproveitando que as festas de final de ano estão chegando. Tire suas duvidas e prove, ás cegas, oito espumantes de diversas origens. Presentes na taça estarão espumantes brasileiros, franceses (Champagne e Cremant), italianos (Proseccos e Franciacorta) e Cavas espanhóis, vinhos dos mais diversos estilos (Brut, Nature, Rosé, Doce e Extra-brut) e formas de elaboração (charmat, champenoise e asti). Ainda finalizando rótulos e fechando preço, mas garanta já sua cadeira fazendo uma pré-reserva já que as vagas serão limitadas! Envie-me um comentário, mande e-mail para comercial@vinoesapore.com.br ou ligue para (11) 4612-6343 ou 1143.

 

Dia 29 – Wine Dinner promovido por mim no restaurante “A Quinta do Bacalhau”. Depois do grande sucesso de nossa primeira edição em Maio passado, vamos repetir a dose com vinhos e pratos diferentes numa harmonização única. Vejam abaixo o menu degustação e vinhos a serem servidos.

BoasvindasEspumante Quinta Don Bonifácio Brut
Entrada – Salada Lisboeta (Grão de Bico e Bacalhau) e Bolinhos de bacalhau com o vinho verde Dona Paterna Trajadura/Alvarinho
1º prato – Rojões (carne de porco cortada em cubos), prato típico alentejano com o DFJ Touriga Nacional/Touriga Franca da região Lisboa.
2º prato – Cataplana de bacalhau (batatas e tomate) com o Grandes Quintas Reserva, um vinho do Douro
Sobremesa – Queque de Amêndoas com ovos, acompanha Porto Quinta do Infantado Tawny Reserva Dª Margarida

Serão servidos 100ml de cada vinho acompanhando o prato, exceto o Porto com 50ml. Preço de R$160 por pessoa (pagos no ato da reserva) com direito a água com e sem gás e o café ao final do jantar. Refrigerantes e outras bebidas serão cobradas á parte.

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As reservas estão limitadas a 40 pessoas e na última edição lotamos rápido então não hesite e garanta logo sua participação. O evento se dará a partir das 20:00 no restaurante que fica na estrada para Caucaia do Alto acesso pelo km 39 da Rodovia Raposo Tavares. Aguardamos seu contato tanto através do blog, na Vino & Sapore (comercial@vinoesapore.com.br) quanto no “A Quinta do Bacalhau” contato@aquintadobacalhau.com.br ou Tel. (11) 4616.5481.

Por hoje é só, mas em pintando mais coisa na minha caixa postal eu aviso. Salute, kanimambo e aguardo você aqui, na Vino & Sapore ou em qualquer outro ponto de nossa vinosfera.

Montelena Chardonnay Extravaganza!

Quem sabe faz a hora! Ganhei no meu aniversário e o guardava para um momento especial então decidi neste Domingo transformar o dia num dia especial abrindo-o. Acredito que há vinhos que têm essa capacidade, o de transformar o momento, e este confirmou isso!

Montelena 2011Tá certo que o almoço a quatro mãos não ficou atrás, pescada cambuco com molho branco e espinafre (bom pra dedéu), parceiro ideal para as sutilezas e finesse deste vinho que em seus tempos áureos deu um pau nos grandes chardonnays franceses. Ainda há poucos dias conversava com alguns colegas amigos que diziam que o vinho tinha decaído bastante e não era mais o mesmo, mas quem sou eu para dizer algo. Eu o tinha provado há alguns anos e mais recentemente tomei o da safra 2010 que estava sublime e ainda não foi desta vez que ele me decepcionou.

Ok, não está tão bom quanto o 2010, talvez (pelo que me lembro) lhe falte a estrutura e volume desse, porém segue sendo, a meu ver e para meu gosto, um grande vinho que só sinto não ter bala na agulha para me deliciar com ele mais vezes, afinal o preço por estas bandas anda na casa dos R$400,00!! Para um frugal almoço de Domingo, convenhamos que foi uma tremenda extravagancia, mas que diabos eu mereço um carinho especial volta e meia! rs

Este vinho de origem americana se tornou famoso ao ter ganho o Desafio de Paris (quem ainda não viu o filme deve colocar isso na lista como “trabalho de casa”) entre os brancos o que deixou nossa vinosfera boquiaberta há época (1976) e lançou o vinho americano para o mundo. Eu não tenho esse gabarito e tão pouco a litragem de grandes vinhos brancos, especialmente dos franceses, para poder opinar, mas posso confirmar que é realmente um vinho de muita classe e melhor que ele só um Puligny-Montrachet 1ºer Cru que tomei há tempos e está ainda mais caro que isso. Cheio de sutilezas, madeira muito bem integrada e suave dando suporte à fruta abundante, sabores cítricos, lima, macã verde, acidez e mineralidade bem presentes, cremoso, ótimo meio de boca, complexo e longo, um vinho de muitas qualidades (vinho desse preço tem que obrigatoriamente ter, mas nem sempre mostram), que harmonizou muito bem com o prato e me deu muito prazer. Fez meu dia e vai deixar saudades! Valeu filhote, seu presente foi bem curtido, beijo.
Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Hola Amigos, Retorné Pero Aun No A La Normalidad!

É amigos, depois de dez dias rodando pelas estradas (3.580kms) e vinícolas argentinas da Patagônia a La Rioja, faz alguns dias que retornei, porém está difícil voltar à normalidade. Tanta coisa a fazer e tão pouco tempo!! Sem contar o choque da volta!!!

Estas viagens de garimpo são sempre extremamente proveitosas e o ganho de conhecimento é enorme. Eu, que sempre fui avesso aos bombados e doces vinhos argentinos com super extração, fico imensamente feliz de acompanhar uma mudança, não só da boca para fora, nos conceitos e estratégias produtoras de boa parte dos vinhos dos Hermanos.

Quando levei um grupo lá em Agosto (veja mais em Wine & Food Travel Experience), focamos muito os vinhos de assemblage (blend/corte) e voltei extremamente feliz com o que provei. Não estão baratos e rivalizam em preço com bons rótulos europeus que pagam bem mais imposto, mas não posso negar que certamente dariam a estes últimos muito trabalho numa prova ás cegas. Fica aqui a idéia para a Wines of Argentina!

Desta feita, a viagem buscou trabalhar a diversidade em diversos aspectos; nas uvas, no tamanho dos produtores, nas regiões, nos estilos e nos conceitos. Provamos mais de 270 vinhos (eu um pouquinho menos) e vimos de tudo! Do pequeno produtor orgânico á grande cooperativa, do produtor com mais de 100 anos de história ao mais recente com pouco mais de 4 anos de vida, vinhos caros e vinhos baratos, tendo sido uma viagem de descobertas extremamente interessantes e um aprendizado incrível. Desconfie de quem acha que sabe tudo!!

A partir da semana que começarei a publicar um diário da viagem com slide shows, contando um pouco do que vimos e provamos, porém como não faço só isso e não posso só ficar falando de Argentina, vamos ter algumas semanas pela frente juntos. Afora uma série de gostosas surpresas, tanto na taça quanto de conceitos e destaques, talvez o que mais tenha me impressionado é esse enorme contraste de aridez com oásis ainda mais presente quando nos dirigimos ao norte do país. Nasci em África e lá me criei até os 18 anos, a natureza faz parte do meu ser e me encanta, chamando a minha atenção, mas não só. Hoje quero compartilhar com os amigos essa parte menos prática da viagem, um outro enfoque que acredito ser de igual valia já que nem só do vinho vive o homem! Salute, kanimambo por me seguir nesta viagem pelos mistérios de nossa vinosfera e continuamos nos encontrando por aqui esperando que curtam este primeiro slide show (clique na imagem abaixo) que montei. A partir da semana que vem os posts falando de vinhos retornarão, inté!

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Cabernets Franc às Cegas

Quatro países diferentes em prova às cegas na gostosa confraria Saca Rolha que se reúne mensalmente para explorar os sabores de nossa vinosfera. a Cabernet Franc vem crescendo muito tanto em quantidade plantada quanto em vinhos produzidos por toda a América do Sul sendo hoje considerada como a bola da vez na Argentina onde também aparece em divinos asemblages normalmente em dueto com a Petit Verdot. Para contar um pouco dessa experiência que vivemos no último encontro eis nossa porta voz, a amiga e confreira Raquel Santos.

Mais uma degustação às cegas no nosso encontro mensal. Desta vez para conhecermos melhor uma uva que ultimamente tem estado à frente dos holofotes. Sua boa adaptação nos países da América do Sul e a redescoberta de seus vinhos varietais, tem colocado a Cabernet Franc em destaque.

Pode-se dizer que desde a sua origem, em Bordeaux, viveu à sombra da sua prima mais famosa: a Cabernet Sauvignon, que juntamente com a Merlot, formam o corte bordalês. Mas é no coração do Vale do Loire que ela brilha como uma estrela principal, nas regiões de Saumur, Bourgueil e Chinon. Suas características aromáticas e de grande frescor fazem vinhos sedutores e ímpares. Na argentina, mais precisamente em Mendoza, temos visto os varietais de Cabernet Franc tirando a atenção dos Malbecs. No Chile, onde a alquimia dos cortes é quem dá o tom, ela tem aparecido cada vez mais nessas composições.

Cabernets franc

Logo de início tivemos uma grata surpresa de boas vindas: O espumante Argentino da Lagarde Altas Cumbres – Extra Brut 2012 – feito pelo método Charmat com as uvas Chardonnay, Pinot Noir e Sémillon. Bem clarinho na taça, com aromas delicados, florais e (acreditem!)…pão. Boa acidez, frutado e refrescante.
Estávamos prontos para o desfio às cegas. Lápis e papel à mão, anotando todas as impressões sentidas em cada taça. Pela ordem de serviço, foram eles:

Angélica Zapata – Cabernet Franc 2010 ( Catena Zapata)
Aromas florais, madeira verde e ervas aromáticas. Com mais tempo na taça evoluem para especiarias (canela), chocolate e caramelo. Na boca percebe-se boa acidez bem combinada com taninos aveludados. Frutas maduras e doces. Bem equilibrado e agradável. No final, tende para um adocicado excessivo.

La Diligence – Chinon 2010 ( Couly-Dutheil )
No nariz pareceu bem mais seco e fresco em contraste com o anterior. Aromas de madeira molhada, mofo discreto (sem ser desagradável), leve mineral, flor seca (saché). Na boca era bem complexo com sabores que evoluíam rapidamente: florais, frutas do bosque, herbáceos, terra molhada, etc….com muita personalidade, de características austeras.

Cabernet Franc Limited Edition 2012 ( Pérez Cruz )
Floral, com muito frescor. Ervas frescas tendendo para aromas mentolados. Na boca sente-se um mineral, quase salgado, iodo, pimentão e álcool bem potente, dando uma sensação de calor. Bem equilibrado e longo.

Le Pensée de Pallus – Chinon 2008 ( Pallus )
Pela cor já deixava evidente alguma evolução a mais em relação aos anteriores. Aromas discretos no início tendendo para os florais. Muito elegante, equilibrado, com corpo médio, boa acidez e taninos finos e presentes. Paleta gustativa bem ampla, com sabores frutados, vegetais e florais e um final adocicado de erva doce. Muito agradável.

Cabernet Franc Single Vineyard 2011 ( Lagarde )
Aromas intensos de flores e frutas. Bem estruturado, encorpado, taninos presentes e boa acidez. Um vinho que enche a boca, cheio de frutas, com leve defumado e persistência longa.

Churchill – Cabernet Franc 2011 ( Valmarino )
Esse vinho sempre causa furor por onde passa! A começar pelo rótulo, uma cópia do famoso Romanée Conti. Porém, essa semelhança nos confunde por estar numa garrafa típica dos vinhos de Bordeaux. Enfim quando provamos, sentimos um intensidade de sabores, que imediatamente nos leva a perguntar: Que vinho é esse??? A resposta sempre vem para quebrar todos os preconceitos que ainda reside no nosso repertório. Trata-se de um projeto de Nathan Churchill (importador de insumos e barricas americanas) em conjunto com a vinícola Valmarino, em Bento Gonçalves, na região de Pinto Bandeira. O resultado é um vinho suculento, potente, cheio de fruta, com a madeira bem colocada que agrega um sabor tostado de café, chocolate e toffee. Tudo isso muito bem “encaixado”. Taninos macios, com uma acidez que pede outro gole e o corpo que satisfaz esse desejo. Pura sedução!

Assim como o ciclo das estações do ano que se sucedem umas após as outras, as novidades e modas na produção vinícola estão em constante movimento. As novas tendências e experimentações, as alterações climáticas, evoluções tecnológicas e de mercado, fazem com que sempre, a todo ano, seja renovada a produção dos vinhos que um dia vamos poder conhecer.

A Cabernet Franc, desde que a conheci, me encanta. Aqui tivemos a experiência com 2 argentinos, 2 franceses, 1 chileno e 1 brasileiro. Esse ano tive a oportunidade de desbravar com mais afinco, suas características e comparar sua expressão em diferentes partes do mundo. São vinhos mais leves, mas há exceções, florais, porém com personalidade marcante, assim como a primavera que nos presenteia com dias ensolarados, com céu muito azul e temperatura agradável.”