João Filipe Clemente

Mais Que Vinho, Um Conceito de Vida – Família Michelini

Em Mendoza existe gente fazendo coisas diferentes de forma diferente, só precisa ter a mente aberta e a indicação certa para descobrir essas coisas. Mais do que vinho, este projeto é um conceito de vida então permitam-me lhes apresentar, para quem ainda não conhece, o Matías Michelini e sua família. São quatro irmãos, três enólogos (Matías, Gerardo e Juan Pablo) e o Gabriel, que têm a pureza da terra como preceito maior, seja no vinhedo, na bodega, mesa e na vida como um todo. Mas vão além disso, são revolucionários na busca de suas quimeras e liberdade de criação.

Na primeira parada de nossa visita de Abril a Mendoza, tivemos o privilégio de sermos recebidos pelo Matías Michelini em suas novas instalações em Tupungato, no condomínio The Vines, onde ele mantém a sede da Michelini Bros em que produz com seus irmãos algumas preciosidades em seus tanques de cimento (ovos) e ânforas que ele próprio desenhou. Este novo projeto é todo biodinâmico, buscando a essência e pureza da natureza em volumes limitados. É um local para deixar fluir a inspiração e criatividade num processo de plena liberdade possuindo uma energia especial. Aqui ele pacientemente esperou por nossa chegada com quase uma hora e meia de atraso devido a problemas de voo, nos recebendo com o fogo aceso e uma taça de espumante na mão, incrível simpatia, homem de poucas palavras e muito carismático, cativou a todos os presentes. Por aqui tudo é pequeno; instalações, numero e tamanho de tanques, sala de barricas e produção, as exceções são a grandeza dos personagens e a qualidade de seus produtos.

A comida, tudo orgânico, estava maravilhosa, os vinhos divinos e os convivas radiantes, não poderíamos ter começado melhor e em pouco tempo as agruras da viagem tinham ficado para trás! Hoje, compartilho virtualmente com vocês alguns desses  momentos e os vinhos provados aproveitando para dar uma dica, quando comprarem um vinho, tentem conhecer o enólogo por trás dele. Se estiverem frente a frente com um vinho do Matías, Gerardo ou Juan Pablo podem mergulhar de cabeça pois a experiência certamente será diferente do que estão acostumados a provar de caldos mendocinos! Ainda farei uma matéria sobre eles, mas por enquanto fiquem com seus vinhos e o vídeo abaixo com imagens de nossa visita.

A Passionate Wines é um projeto do Matías tão somente e melhor nome não poderia ter escolhido, pois é fruto de sua paixão e inquietude refletida em cada garrafa. Provamos vinhos dos diversos projetos dos irmãos, porém foi através de minha introdução à Passionate Wines que aqui viemos parar.

Espumante Zorzal Extra-Brut – devido ao atendimento a um de nossos companheiros de viagem que não estava bem, perdi esta prova, porém os comentários de quem o tomou foram altamente elogiosos. Elaborado com Semillon (cerca de  2/3) com Chardonnay. Da El Zorzal e um vinho a rever!

Montesco Água de Roca Sauvignon Blanc – pura mineralidade e sutilezas num vinho único fermentado em tanques de plástico de 1000 litros! É a natureza em sua forma mais pura em Gualtallary, uma das partes mais altas de Mendoza no Vale do Uco na base dos Andes, onde a acidez também aflora. A uva é colhida em 5 diferentes momentos durante o mês de colheita, de forma a poder-se retirar delas diversas características que comporão esta obra de arte engarrafada. Limitado a 5000 garrafas ano, é um vinho único e diferenciado até no teor alcoólico, meros 9,5%!! Vibrante, sutil e elegante, adoraria ter sempre em casa! Projeto Passionate Wines

Matias Clipboard Bodega

Calcáreo Bonarda – fermentado em ânforas desenhadas pelo próprio Matías, únicas no pedaço, uvas advindas de um vinhedo orgânico de Gualtallary plantado em 2005, amadurece em barricas de 1º e 2º uso francesas passando posteriormente por um estágio de 6 meses de garrafa antes de finalmente chegar a nossas taças. A Bonarda em sua quintessência, uva de pouco valor até cerca de 15 anos atrás, mostra aqui todo o seu valor de forma apaixonante e marcante. Mineral mostrando bem seu terroir, fruta abundante, ótima estrutura tânica e textura agradável que enche a boca, alguma especiaria, concentrado longo, um belo vinho que surpreendeu a maioria dos presentes e precisa de tempo para mostrar todo seu esplendor. Projeto Michelini Bros e produção limitada a apenas 6.000 garrafas por safra.

Demente – um projeto demente de unir uvas provenientes de quatro vinhedos distintos de Cabernet Franc e Malbec, de Diferentes alturas e solos. Depois, colhidas em tempos diferentes e adicionadas ao mosto já em fermentação. Um vinho decorrente da liberdade de criação e veia revolucionária de um enólogo em constante busca do diferente, do inusitado. O vinho arrebatou os presentes, eu já conhecia, confirmando toda a exuberância que eu já relatei; uma paleta olfativa intensa, um verdadeiro bosque de frutos silvestres com nuances florais. Entrada de boca marcante, ótima textura, acidez gostosa se fazendo presente e pedindo um teco de bife de chorizo (rs), taninos finos, final longo algo mineral e muito apetitoso. Doze meses de barrica francesa e limitado a apenas 3.000 garrafas e difícil de achar até por lá!

Já quase meia-noite e nós lá! Dó do anfitrião e sua equipe que tão bem nos recebeu, mas ele ainda tinha mais asas na manga. Como costume de alguns na Argentina, terminou a degustação com um branco seco que acompanharia a sobremesa, pouco doce, e daria uma refrescada na boca após dois vinhos tão intensos. Acho interessante esse conceito que vale usar em degustações.

Via Revolucionaria Semillon Hulk – não pela força, mas pelo verde! Sim, aqui a acidez é bem acentuada, vido de um vinhedo com pouco mais de 40 anos, sem passagem por madeira e com uma produção ínfima, não passa de 500 garrafas. Com apenas 11% de teor alcoólico, colhido cedo, preservou a fruta em sua essência. Nuances florais, cítrico, fresco e muito bem balanceado, só lamento que tão tarde e no final de uma incrível refeição e grandes vinhos tintos, muita emoção à flor da pele, não tivemos tempo de apreciá-lo com o devido cuidado. Na próxima passagem por lá vou querer comprar algumas par melhor curtir o vinho.

Matias Clipboard jantar

Bem, primeiro dia finalizado e de cara mostrando toda a diversidade de uma região produtora. Sem nenhum Malbec, viriam às taças em outros dias, mas descobrindo novos sabores pelas mãos de alguém muito especial e de uma família, tanto quanto ele, sonhadora e sem medo de ousar, nos presenteando generosamente com os frutos dessa picardia, da liberdade bem manejada e com conhecimento. Verdadeiros vinhos de autor, vinhos com alma que me fazem finalizar este texto de hoje, citando Gerado Michelini no livro do Matías (Los Otros):

Los padres son la tierra, el suelo, la raiz.
Los hermanos las ramas, los cargadores, la fuerza.
Nuestras mujeres, grandes compañeras, la brisa fresca de la mañana.
Nuestros hijos, la flor, la fruta dulce, el racimo que crece
El vino es el encuentro

Por hoje chega, já fiquei com uma saudade danada deste momento! Um ótimo fim de semana e kanimambo pela visita.

Fotos minhas e do amigo e companheiro de viagem, Godinho. Para ampliar clique nelas.

Enogastronomia Portuguesa = Diversidade!

Diversidade, acho que está no sangue, esse é meu brado, esse é meu lema e não abro mão! Falo muito sobre o assunto porque é algo inerente ao meu ser e quando vejo a mesmice em que se coloca a gastronomia portuguesa, me deixa algo P da vida porque há muito mais por lá do que só Bacalhau, Sardinhas e Caldo Verde! Como no vinho e na enormidade de uvas autóctones portuguesas que enriquecem sobremaneira a vitivinicultura lusa, assim é a gastronomia do país, pequeno mas vasto em sabores! Um amigo me enviou em pdf, um livro intitulado Receitas e Sabores dos Territórios Rurais editado pela Minha Terra – Federação Portuguesa de Associações de Desenvolvimento Local que é uma preciosidade. Por sinal, o livro entrou em meu wish list! Se alguém estiver indo a Portugal e quiser me trazer um livro desses, pago na entrega aqui! rs

O papo hoje vai longe, então prepare-se, mas creio interessante para os amantes da boa gastronomia que, em Portugal vão achar uma diversidade de sabores incrível. A regionalização enogastronomica portuguesa é imensa e passa por fortes influências das ex-colônias. Cada região tem seus pratos e suas peculiaridades, sua cultura e hábitos baseado em seu meio ambiente típico, o que costumamos chamar de terroir, conceito este ampliado á gastronomia. Achei bastante interessante o que Maria Proença, da Idade dos Sabores, expôs em suas notas introdutórias ao livro:

Decido começar por onde deveria, talvez, terminar: sublinhar as palavras de Stefano Padulosi – “levar um garfo ou uma colher à boca é a última etapa dum percurso demarcado pela história e pela geografia”. E eu acrescentaria: pelas tradições, pelas crenças, pela carência ou pela abundância, pela necessidade ou pela festa, pela partilha.
Julgo que esta formulação enquadra bem o lugar da cozinha no contexto dum território, porque aqui a cozinha não se dissocia do seu meio mas é nele que se inspira e se alimenta. A noção de território implica uma interação, uma dialética entre a paisagem, o clima, as atividades dos homens, as suas práticas, o seu saber-fazer, e ainda o resultado dessas mesmas práticas: os produtos agrícolas locais.
A propósito, Laurence Berard afirma: “Existe uma grande familiaridade entre os produtos e as pessoas. Importa identificar estas produções para as dar a conhecer e melhor as valorizar: assim podemos contribuir para voltar a dar sentido ao território”. Digamos, pois, que cada território é um espaço socialmente decifrado, apropriado e construído.
Neste livro é o conceito de território que ganha destaque, entendido que deve ser como um campo complexo que obriga a um método de análise e de interpretação multidimensional: recursos ambientais, economia, cultura, política, história e identidade, tradições e saberes, informação e divulgação. É neste contexto que a gastronomia local recupera algumas das ideias que a devem nortear. A cultura alimentar encontra a sua diversidade na manutenção e valorização do território, na especificidade e qualidade dos seus produtos, na promoção do que é genuíno ao mesmo tempo que desenvolve estratégias para a sua inserção num espaço mais amplo.

Tudo isto para chamar a atenção para diversas outras deliciais regionais da gastronomia fora os já para lá de manjados bolinho de bacalhau, pratos de bacalhau e caldo verde que todos conhecem. Preparem-se para curtir uma imensidão de sabores quando de visita à terrinha, aproveite e explore alguns destes pratos dependendo da região em que estiver:
Região Norte – Trás os Montes, Minho, Douro:
Arroz de lebre, Perdiz Estufada, Guisado de javali, Migas de peixe, Ensopado de Borrego,, Presunto cru de Chaves, Javali no pote com castanhas, Cozido Barrosão, Folar, Lampreia, Sável no forno, Cabrito assado, Arroz de Cabidela, Alheiras de Mirandela com grelos, Arroz de Favas, Bifes de Alvarenga, Cabrito da Gralheira, Broa (pão) e os doces Toucinho do Céu, Leite Creme, Pudim de castanhas, Rabanadas, Pudim Abade de Priscos entre outros.

Região Centro – Dão, Bairrada, Beiras
Sopa do Vidreiro, Enguias fritas, Leitão à Bairrada, Arroz de lampreia, Morcela de arroz de Leiria, Arroz de mariscos, Vitela de Lafões, Escabeche de trutas, Arroz de Zimbro, Queijo da Serra, Cabrito recheado, Pão da Mealhada, Borrego estufado, Chanfana, Bucho recheado, Arroz de miúdos, Sopa de Castanhas, Coelho à caçadora, Feijoada de Lebre, Borrego assado, Morcelas, Panela de forno e os doces Tigeladas, Pudim de requeijão, requeijão com doce de abóbora, arroz doce e pastéis de Vouzela entre outros.

Região Lisboa, Setúbal e Ribatejo:
Migas de bacalhau, Cabrito de Torres Novas, Queijo do Azeitão, Caldeirada do mar, Sopa de Saramagos, Sopa de Pedra, Ostras de Setúbal, Carne de Porco com enguias, Pombo estufado, Cabrito assado, Fataças, Ensopado de enguias, Açorda de Savel, Açorda de camarão, Coelho bravo frito, Carneiro guisado, Fritada de camarão com açorda, Sardinhas assadas, Frango na púcara e do mar os tradicionais chocos,ameijôas, navalhas, berbigão, camarões e lagosta. Doces; Fios de ovos, Fatias de Tomar, Figos, Fogaças de Alcochete, Pastéis de feijão, Celestes de Santa Clara, Lampreia de ovos, Pastéis de nata (Belém) e barrigas de freira entre outros.

Região Sul, Alentejo e Algarve:
No Alentejo reina o porco preto e ótimos queijos. Cachafrito de Cabrito, Sarapatel, Assada de peixe, Sopa de lebre, Ensopado de Borrego, Carne de Porco à Alentejana, Arroz de lagosta, Ensopado de enguias, Sopa de lebre, Açorda á Alentejana, Cozido de grão, Arroz de lampreia, Lombinhos de javali, Borrego estufado, Açorda de ovas, Veado com castanhas, Pato bravo com mostarda, Perdiz de escabeche, Fritada de porco, Sopa de tomate, Papas com conquilhas, Mioleira de porco, Arroz de pombo, Cataplana Algarvia, Lulas recheadas, Arroz de polvo, Lombo de porco na banha, Galinha cerejada e os doces; Manjar branco, Ovos de Portoalegre, Bolo da sogra, Sericaia com ameixas d’Elvas, Trouxas de ovos e Fatias do Céu entre outros.

Na próxima vez em Portugal, ouse! Visite seu porto seguro, mas descubra novos sabores sempre acompanhados de vinhos regionais que certamente harmonizarão à perfeição. Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui.

Fim de Semana de Dia das Mães – Amor, Pão e Vinho!

Fim de semana longo porque se iniciou na Sexta com meu aniversário de casamento e um jantarzinho a dois, preparado a quatro mãos. Um fim de semana para lá de gostoso, pois pude celebrar duas vezes e compartir com minha loira e filhos o amor que nos une e mantém unidos há 39 anos de meus 41 de Brasil!

Na Sexta iniciamos nossos “trabalhos” tomando este espumante argentino pelo qual me apaixonei em minhaCAM01985 última viagem à Argentina com a Wines of Argentina em Novembro do ano passado. O mais recente lançamento da Norton na Argentina é o Cosecha Especial Vintage 2010 Brut Nature, elaborado com 60% Chardonnay e Pinot Noir, sur lie de 18 meses, método champenoise, é um tremendo de um espumante que escolhi para celebrar este momento especial! Páreo duro, pois fiquei em duvida entre os, Cave Geisse Terroir Brut Nature e o Orus Rosé Pas Dosé, os melhores espumantes nacionais em minha modesta opinião. Como as qualidades eram parelhas, valeu o preço já que o comprei na Bodega quando de minha última visita faz algumas semanas. De produção limitada, algo ao redor de 16 mil lindas (rs) garrafas, é marcante tanto no visual, levemente rosado, como no nariz e boca, complexo, notas cítricas misturadas a brioche, pão tostado, perláge intensa e “inacabável” , persistente final de boca, muito boa acidez e bem balanceado, um espumante digno de celebração que é consumido todo por lá mesmo não chegando ao Brasil. Em nossa opinião, de minha loira e eu, uma ótima escolha e na próxima viagem terei que comprar algumas garrafas mais para a deixar feliz! Caso esteja por aquelas bandas um dia desses e aprecie espumantes, ponha um desses em sua lista de compras eu garanto que não vai se arrepender.

CAM01982Ah, o jantar! Bem, apesar da foto, tirada à meia luz com meu celular mequetrefe, um delicioso prato de Camarões á Piri-piri acompanhado de risoto siciliano com um toque de brie. Modéstia á parte, ficou da hora e a companhia ressaltou mais ainda o sabor do prato! Para acompanhar esse prato um vinho alemão, esperavam um português né, da uva pouco conhecida Muller-Thurgau, o Horst Sauer Esherndorfer Furstenberg Kabinett Trocken da região de Franken e daí o formato da garrafa. Um daqueles que estava na promoção de inicio de ano e que, em não saindo (azar de quem não levou), cumpri com meu compromisso e o trouxe para casa aguardando o momento certo que foi este! Sem madeira, boa acidez, complexo e de bom volume de boca, já que em sendo de 2010 já apresentou uma certa evolução, casou muito bem com o prato e uma sábia decisão.

Pois bem, assim começou meu fim de semana de Dia das Mães, que terminou com um belo exemplar de Brunello di Montalcino 2007 e as últimas gotas de meu Secret Spot Casco VII Moscatel do Douro 40 anos com pasteis de Belém e Travesseiros de Sintra, mas esse é assunto para outro dia.

Kanimambo pela visita e uma ótima semana para todos. Cheers e vamos nos encontrando por aqui, na Vino & Sapore ou qualquer outro canto de nossa vinosfera !

Dia das Mães – Singela Homenagem a Todas as Que me Acompanham

Um dia especial, de festejos, celebrações e saudades para alguns, pois, como li há dias no face, dia dos namorados sem namorado não dói, o que dói mesmo é Dias Das Mães sem Mãe! É dia de ser piegas, de voltar a sentar no colo e agradecer sempre por tudo aquilo que elas representam em nossas vidas .

É dia de dar carinho e demonstrar todo o amor que merecem, um beijo carinhoso a todas, que seja um dia lindo de paz, amor e alegria. Costumo homenagear todas lembrando da minha que tanto amo e que já não pode compartilhar do momento faz 20 anos, porém hoje quis mudar um pouco a mensagem  e esta canção veio a calhar porque diz muito do significado das Mães na vida de cada um, um amor incondicional sempre de mão estendida ajudando a levantar, a mostrar o caminho! Mais do que parabéns pelo dia hoje, vamos agradecer por tudo e não esquecer nunca!!

Voltando à minha infância, o primeiro poema que aprendi lá pelos meus oito anos; “Com três letrinhas apenas se escreve a palavra MÃE, Que é das palavras mais pequenas a maior que o Mundo tem”, beijo no coração e maningue (muito) kanimambo (obrigado), que sejam especialmente felizes hoje mais do que nunca.

Dicas e Novidades de Nossa Vinosfera

Taxa de Rolha – onde beber sem pagar rolha (taxa cobrada por restaurantes para você levar seu vinho) ou taxaderolhaonde tem a melhor taxa para você levar seu vinho sem surpresas desagradáveis ou saias justas, sabe onde?! Pois bem, meu amigo Alexandre Frias (Enoblogs, Diario de Baco, etc) acaba de inventar mais uma que acho que vai solucionar suas dúvidas, um aplicativo, já disponível para iOS e Android, bem fácil de usar, onde você pode:

  • verificar se há lugares perto de você
  • buscar lugares específicos
  • cadastrar a taxa de rolha (ou rolha free) do local que você já conhece
  • marcar seus locais favoritos

É muito fácil de usar e, de forma colaborativa, tem a missão de mapear o roteiro dos restaurantes amigos do vinho pelo Brasil. Aliás, os próprios restaurantes que têm políticas amigas do vinho e seus fiéis seguidores deveriam usar esta ferramenta para atrair novos clientes. Além de tudo isso, é grátis! Baixe agora o TAXA DE ROLHA em seu smartphone e comece a mapear seus lugares favoritos. Bela sacada do Alexandre!

16 de Maio é Dia de Encontros de Vinhos em Ribeirão Preto – No Hotel JP. a cidade recebe a sexta edição deste gostoso evento promovido pelos amigos Beto Duarte e Daniel Perches. Uma ótima opção para o público que deseja unir vinho, gastronomia e lazer.

Já estão confirmadas as presenças de dezenas de expositores, entre eles produtores e importadoras, que apresentarão seu portfólio de produtos a uma expectativa de público de 600 convidados. Vinhos exclusivos da Borgonha, produtores de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, importadores de renome e a presença expressiva da Wines of Argentina serão uma pequena amostra do que será apresentado no evento.

Este ano, o Encontro de Vinhos conta ainda com a participação de food trucks oferecendo boas opções de alimentação e outras atrações culturais. Essa nova formatação do evento iniciou em 2015 e está tendo recorde de público desde então:

“ Nós deixamos de ser uma feira itinerante de vinhos focada no público profissional e nos tornarmos um evento que agrega cada vez mais valor cultural e oferece ao nosso visitante opções de lazer para a família toda” cita Daniel Perches, idealizador do evento.

Você da região não sabe o que fazer nesse Sábado, então agora já sabe Encontro de Vinhos Ribeirão Preto!

Horário: das 14H as 22H

Local: Rod Anhanguera, km 306,5

Ingressos: R$ 80,00 inteira e R$ 40,00 meia (válida para estudantes e terceira idade).

Acesse: www.encontrodevinhos.com.br ou Curta: www.facebook.com/encontrodevinhos

 

Saí o Anuário de Vinhos Brasileiros – Maior degustação às cegas de vinhos e espumantes brasileiros, a Grande Prova Vinhos do Brasil teve o seu resultado divulgado no Anuário Vinhos do Brasil 2015, lançado na edição deste ano da Expovinis, em São Paulo, e que chega às bancas esta semana. Para eleger os melhores em 22 categorias, um júri internacional, composto por sommeliers e enólogos, avaliou cerca de 700 rótulos de 87 produtores de sete estados, com a curadoria do jornalista Marcelo Copello.
Editado pela Baco Multimídia em parceria com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), o Anuário Vinhos do Brasil 2015 traz a compilação e a análise dos números da produção e do mercado com dados detalhados, consolidados e atualizados. A publicação, com 164 páginas, também apresenta matérias sobre o universo do vinho, como gastronomia, saúde, comportamento, consumo, história, negócios e enoturismo, além de entrevistas com profissionais e dirigentes ligados ao setor. “O Anuário atinge sua maturidade junto com o sucesso da Grande Prova Vinhos do Brasil, que apresentou vinhos de incontestável qualidade, muitos conquistando medalhas de ouro e prata e outros se mostrando extremamente promissores “, comenta Sérgio Queiroz, um dos organizadores do Anuário e jurado do concurso.

Conselheiro do Ibravin e presidente do Sindicato da Indústria do Vinho, do Mosto de Uva, dos Vinagres e Bebidas Derivadas da Uva e do Vinho do Estado do Rio Grande do Sul (Sindivinho RS), Gilberto Pedrucci acredita que o Anuário Vinhos do Brasil pode ser uma base para consumidores e compradores de hotéis, restaurantes e lojas de bebidas. “É uma publicação que já se tornou referência para o mercado e que mostra a evolução na qualidade dos produtos brasileiros. Além disso, a Grande Prova coloca lado a lado pequenos e grandes produtores, o que permite que todas sejam valorizados da mesma forma”, avalia.

O Anuário Vinhos do Brasil 2015 poderá ser adquirido a partir do dia 9 de Maio nas principais livrarias do país e em bancas selecionadas. O preço de capa é R$ 45.

Confira o resultado da Grande Prova Vinhos do Brasil 2015:

· Melhor Espumante Brut Branco: Cave Geisse Brut 2012, Vinícola Geisse, Pinto Bandeira-RS

· Melhor Espumante Brut Rosé (Empate): Espumante Bossa Nº3, Vinícola Hermann, Bento Gonçalves-RS e Espumante Yoo Boutique Brut Rosé, Décima, Caxias do Sul-RS

· Melhor Espumante Extra-Brut/Nature: Espumante Extra Brut 2014, Vinícola Geisse, Pinto Bandeira-RS

· Melhor Espumante Prosecco/Glera: Espumante Aurora Prosecco, Aurora, Serra Gaúcha-RS

· Melhor Espumante Moscatel Branco: Espumante Moscatel Pedrucci 2013, Pedrucci, Garibaldi-RS

· Melhor Espumante Demi-Sec Branco: Espumante Demi-Sec, Courmayeur, Serra Gaúcha-RS

· Melhor Espumante Moscatel/Demi-Sec Rosé: Espumante Casa Perini Aquarela Moscatel Rosado, Perini, Farroupilha-RS

· Melhor Chardonnay: Cerro Da Cruz Chardonnay 2012, Nova Aliança, Campanha Gaúcha-RS –

· Melhor Sauvignon Blanc: Miolo Reserva Sauvignon Blanc 2014, Miolo Wine Group, Campanha Gaúcha-RS

· Melhor Gewüztraminer: RAR Collezione Gewürztraminer 2011, Miolo Wine Group, Campos de Cima da Serra-RS

· Melhor Moscato: Moscato Giallo 2014, Giacomin, Flores da Cunha-RS

· Branco de Outras Castas e Cortes: Quiron Chardonnay / Sauvignon Blanc 2013, Cattacini, Serra Gaúcha-RS

· Tinto Cabernet Sauvignon: Aurora Cabernet Sauvignon Millesime 2011, Aurora, Serra Gaúcha-RS – http://www.vinicolaaurora.com.br

· Melhor Merlot: Monte Paschoal Dedicato Merlot 2013, Basso, Serra Gaúcha-RS – www.vinicolabasso.com.br

· Melhor Tannat: Tannat Casa Venturini Reserva 2012, Venturini, Campanha Gaúcha-RS – www.casaventurini.com.br

· Melhor Pinot Noir: Viapiana Pinot Noir 2012, Viapiana, Serra Gaúcha-RS

· Melhor Cabernet Franc: Dunamis Cabernet Franc 2012, Dunamis, Campanha Gaúcha-RS

· Melhor Marselan: Cave Antiga Marselan 2007, Cave Antiga, Cotiporã-RS

· Melhor Tinto de Outras Castas: Ancellotta Reserva 2014, Giacomin, Serra Gaúcha-RS

· Melhor Tinto Corte: Épico, Guatambu, Campanha Gaúcha-RS

· Melhor Rosé: Macaw Tropical Frisante Rosé, Perini, Farroupilha,RS

· Melhor Doce/Fortificado: Reggio Di Castela 2004, Irmãos Molon, Serra Gaúcha-RS

Senti falta de vinhos de Santa Catarina nesta lista! De qualquer forma, quem se liga nos vinhos brasileiros eis aqui uma interessante fonte de consulta.

Kanimambo pela visita, um ótimo fim de semana e no inicio da próxima falo um pouco das peripécias enogastronomicas vividas em Mendoza. Cheers!

Mendoza, Quanto Mais lá Vou Mais me Enamoro!

Mais uma viagem realizada, sensação de dever cumprido e mais um monte de conhecimento acumulado. Nesta vinosfera estamos sempre descobrindo coisas novas, basta estar aberto para tal e eu venho, desde 2012, descobrindo novos sabores e uma Argentina vinícola que eu desconhecia. Recentemente um amigo do face comentou de que Mendoza não faz vinhos com alma, que são só vinhos de super extração, chipados, etc. sem personalidade e que só em outras regiões do país se poderiam encontrar coisas diferentes. Tudo aquilo que eu achava antes de iniciar minhas viagens por lá (foram mais de 2500 kms já percorridos pelas mais diversas regiões, Patagônia, Salta, Mendoza, La Rioja e San Juan), porém existe de tudo em tudo o que é lugar e vale para aqui também!

Como gosto de diversidade, sempre trabalhei isso em meus escritos tanto em jornais, revistas quanto aqui no blog, minha mente está sempre aberta para novidades e, consequentemente, acabo descobrindo muita coisa boa (vinhos e pratos) e encontrando pessoas especiais com projetos especiais por muitas vezes inusitados. Parte disso estará na degustação que montei e postei ontem, mas a imensidão do mar a ser desbravado, coisas de Luso (rs), requer colocar de lado preconceitos e estereótipos desenvolvidos ao longo do tempo. Eu tento fazer isso sempre, mesmo me pegando na contra mão vez em quando, é fácil não, vai contra a nossa natureza. tem que deixar rolar! rs

Mendoza é uma babilônia do vinho, tem gente de tudo o que é lugar do mundo e muita gente nova conectada com uma visão diferente do mundo. Isso, obviamente, gera uma enorme diversidade de conceitos aplicados nos vinhedos e nos vinhos! Existem os tradicionalistas e aqueles que fizeram a história vitivínicola do país, existem os produtores comerciantes que visam mercado, existem os puristas, os jovens idealistas, os inovadores, etc., tudo isso num festival de terroirs digno dos grandes países produtores do velho mundo. A cada vez que lá vou, podia passar uma semana por lá todos meses e mesmo assim seguir descobrindo e aprendendo coisas novas, venho com algo a mais na bagagem para compartilhar com os amigos então aqui vão algumas das “descobertas” desta curta viagem de 5 dias em que nos envolvemos com grandes vinhos, pratos de grande esmero e sabor e, mais importante aí, pessoas que fazem com que esses momentos sejam especiais e Inêsquecíveis dando alma aos vinhos e aos momentos vividos.

Região – os vinhos do Vale do Uco, com uma enormidade de grandes produtores ativos na região que é hoje a grande meca da vitivinicultura argentina e mendocina, uma diversidade de terroirs muito grande. Gente como Achaval Ferrer, Andeluna, Cobos (Bramare), Catena, Clos de los Siete, Cuvelier de los Andes, Diamandes, Doña Paula, Finca Sophenia, François Lurton, Lindaflor, Manos Negras, Masi Tupungato, Mendel, Monteviejo, O Fournier, Passionate Wines, Piattelli, Riglos, Rutini, Salentein, Trapiche, Val de Flores, Zorzal e Zuccardi ou estão por aqui ou possuem vinhedos neste pedacinho de céu. O Catena Adrianna Single Vineyard Malbec, um vinho sedutor que me encanta, vem de Gualtallary (pé dos Andes), sub região de grandes vinhos e a mais alta da região com vinhedos a 1500m de altitude, assim como diversos vinhos do Matías Michelini e irmãos. Normalmente vinhos mais frescos, minerais e vibrantes, ojo! Dá para passar uns quatro dias por aqui numa boa e até hotéis e bons locais para comer há disponíveis, mas a tentação de Mendoza é maior, mesmo que a uma hora e trinta de distância! Olho nos vinhos de Tupungato, Gualtallary, Altamira e Vista Flores.

Mendoza Vale do Uco

Sempre algumas surpresas na taça, não tem por onde! Nem sempre por vinhos exuberantes e top de gama, mas por mostrarem sensações inesperadas em vinhos que pouco deles se esperavam, mas não há que escapar dos grandes vinhos! Aos poucos vou escrevendo sobre esse tour por terras mendocinas e visitas às diversas bodegas que escolhi para este tour, porém eis aqui um tiragosto.

Casarena Ramanegra Extra-Brut , argentinos adoram extra-brut,é um espumante de boa intensidade aromática, fino e fresco, sedutor tanto no olfato como no palato. Boa perlage e persistência, elaborado pelo método charmat com um corte que nunca tinha visto; Chardonnay, Viognier e Sauvignon blanc, tava bom demais e pelo preço, acho que a Magnum devria estudar a importação. Ao preço certo, eu certamente compraria. Trouxe duas garrafas, uma para a degustação Vinhos da Mala e a outra já tomei!

Casarena 505 Rosé de Malbec com Cabernet Franc – Vinho de gama de entrada da vinícola, muito bem feito, sem nada de docinho, para quem não é chegado eu diria, um rosé que é vinho! Muito frescor, bom corpo, rico meio de boca, uma ótima companhia para chouriço português (provei), queijos, frios, comida thai, peru, eu gostei bastante!

Calcáreo Bonarda do projeto SuperUco de Michelini Bros, de produção limitada, encorpado, complexo, um vinho que surpreendeu a todos e é para ficar de olho. Não tem por aqui não, mas na Argentina é uma bela pedida. Biodinâmico, elaborado em ânforas de 5.000 litros projetadas pelo próprio Matias e uma produção que não ultrapassa as 6000 garrafas, me arrependi de não trazer uma, mas acho que chegará a para a degustação de Vinhos da Mala.

Montesco Água de Roca – um Sauvignon Blanc de lamber os beiços e pedir bis. Incrível mineralidade e sutileza num vinho fino e marcante.

Alma Negra Viognier – por aqui não tem e tomamos no delicioso restaurante La Rosa Nautica em Puerto Madero (não perca), tremendo vinho! Achava que a Mistral trazia e, para minha tristeza, não! Sniff

Angelica Chardonnay – abalou corações na Catena, inclusive de quem não é chegado em brancos, e olha que provamos grandes vinhos, do Nicolás (Ícone do produtor) a este vinho num total de oito provas!

Gastronomia de alto nível. Dos mais simples, preparado com grande esmero, aos mais complexos ou didáticos pratos da terra, foram experiências gastronômicas incríveis para todos. Como diz o amigo Pablo del Rio do Siete Cocinas, para mostrar que a cozinha argentina não é só de empanadas e assados, mesmo que sejam ótimos! Para ver um pouco mais destas incríveis experiências gastronômicas sempre regadas a grandes vinhos, sugiro que você navegue pelas posts do amigo Ricardo Gaffrée (Amigo Gourmet) que nos acompanhou e registrou esses momentos melhor que ninguém porque esse entende! Só para aguçar sua curiosidade, copiei dele algumas fotos (clique para aumentar), o resto você vê lá.

Gastro Clipboard

Tem mais, mas não vou antecipar meus posts né?! Cada bodega tem seus destaques, aqueles que se sobressaíram entre outros grandes vinhos tomados, mas isso vou falando e compartilhando com calma. Kanimambo pela visita e em breve novos capítulos de mais essa viagem de descobertas pela linda Mendoza, seus vinhos, sua comida e sua gente! Cheers.

Argentina sem Malbec e Cabernet Sauvignon.

A cada viagem que faço gosto de trazer na mala algumas garrafas de vinhos provados que se destacaram na minha taça e que gosto de compartilhar com 12 de meus amigos apreciadores de vinhos, clientes e leitores do blog, são as degustações Vinhos da Mala. Desta feita o tema que escolhi é Argentina sem Malbecs e Cabernet Sauvignon e se realizará na Vino & Sapore no próximo dia 19 de Maio (Terça-feira) a partir das 20 horas. Ainda não encontrei o lugar para montar estes eventos em Sampa, então por enquanto só por aqui na Granja Viana mesmo, porém espero já em Junho ter solucionado isso, aguardem! Os vinhos provados não estão disponíveis no Brasil, salvo uma ou outra exceção e o foco, como sempre, é no inusitado e na diversidade, principal objetivo de todo o meu trabalho em nossa Vinosfera. Eis a seleção que fiz para este evento.

Ramanegra Espumante Extra-brut – os hermanos adoram espumantes extra-brut e este elaborado pela Casarena com Chardonnay, Viognier e Sauvignon Blanc , um blend inusitado, me chamou a atenção. Espero que também vos surpreendam.

Montesco Água de Roca Sauvignon Blanc– como a água que nasce entre rochas, a mineralidade é seu principal chamariz, mas tem muito mais neste vinho que mostra uma Sauvignon Blanc argentina diferente e tratada com esmero pelo Matías Michelini um enólogo revolucionário que anda na contramão das modas na busca pela pureza.

Cara Sur Criolla – poucos conhecem a uva Criolla e muito menos haverão de ter tomado um vinho elaborado com ela. Este descobri jantando no delicioso Siete Cocinas do amigo Pablo del Rio que também gosta de “viajar”! Com apenas 900 garrafas produzidas, este é um projeto dos enólogos Sebastian Zuccardi e Francisco Bugallo no vale de Calingasta em San Juan com uvas de vinhedo com mais de 80 anos de idade. Um pinot autóctone?! Só provando para tirar conclusões.

Decero Petit Verdot – Um clássico vinho que recentemente ganhou em sua safra mais nova o Troféu de Melhor Vinho Tinto de Mendoza escolhido na Wines of Argentina Awards. Divino é pouco para falar deste que mostra uma Petit Verdot mais cordata e extremamente elegante, porém sem perder sua tipicidade. Soy un incha deste vino!

Zaha Cabernet Franc – a uva da vez na Argentina e este exemplar nos vem pelas mãos de mais um enólogo importante da nova geração, Alejandro Sejanovich com uvas da sub-região de Altamira no Vale do Uco, Mendoza. Um vinho em que as uvas são colhidas em três diferentes momentos de maturação para compor uma sinfonia engarrafada. Provei e gostei, muiiito.

*Calcáreo Bonarda – mais um vinho marcante do amigo e enólogo Matías Michelini em sua nova empreitada com seus irmãos na Michelini Bros. Somente 6.000 garrafas produzidas num vinhedo de apenas 2 hectares todo cultivado de forma biodinâmica. Uma obra de arte que desperta emoções especiais com uma uva não tão nobre, mas que gera alguns grandes vinhos quando bem trabalhada. Para você conferir.

Decero Tannat – Para finalizar, deste vinho a Decero produz apenas 700 garrafas e neste caso vamos provar juntos, pois ainda não o conheço, porém não resisti e tive que trazer uma garrafa para compartilhar com os amigos presentes. Este só se compra na bodega ou na Suíça para onde os proprietários (suíços) levam o restante. Conheço ótimos Tannats argentinos de Salta, porém por Mendoza não abundam, então vamos curtir juntos esta experiência?

Sorry sold OutEsses serão os protagonistas da noite e se você, como eu, gosta de provar coisas diferentes sentir novas emoções e se deixar levar pelo desconhecido, então não deixe de participar. As vagas estarão limitadas aos primeiros 12 amigos que efetivarem suas reservas, seis ja tomadas, então não dê mole! O valor a ser pago no ato da reserva é de R$120,00 por pessoa e inclui os vinhos, água, pãozinho, queijo e chorizo espanhol, café e na Vino & Sapore o estacionamento é gratuito. O *Cálcareo virá direto da Argentina e ficamos sujeitos a que ele chegue a tempo, caso não aconteça, este será substituído por um outro grande Bonarda, o El Enemigo de Alejando Vigil, só que este já tem por aqui.

Fico no aguardo de sua confirmação, Kanimambo e amanhã tem mais. Cheers!

Onze Vinhos Australianos em Dois Tempos

Em parceria com a KMM, principal e histórica importadora de vinhos australianos no Brasil promovemos encontros de duas confrarias para mostrar um pouco da diversidade dos vinhos de “down under”! Sim, por lá também existe diversidade e, mesmo com a Shiraz sendo a protagonista dos melhores vinhos, há opções outras a serem exploradas. Vinhos para todos os gostos e bolsos pois já podemos nos “divertir” a partir dos 50 Reais. Quebramos alguns paradigmas e descobrimos alguns ótimos vinhos, vejam só:

Quinta Divina – alguns dias antes da viagem a Mendoza, uma noite para lá de saborosa com a Marli (KMM) iniciando os trabalhos com uma curta apresentação sobre o vinho nessa ilha continente em que o consumo chega a cerca de 30 litros per capita ano. Seis vinhos que comentarei muito resumidamente

Austrália - Deg Quinta Divina

Oxford Landing Chardonnay 2011 – amadeirado sem exageros, cremoso, balanceado com nuances cítricas porém os frutos brancos dão suas caras por aqui de forma mais acentuada. A galera gostou bastante e se surpreendeu, mas os australianos também são bons de brancos e consomem bem!

Brokenwood Pinot Noir 2008 – bom pinot, aromaticamente complexo, frutado com notas tostadas e terrosas, equilibrado, um meio termo entre novo e velho mundo, taninos sedosos com boa tipicidade e algumas especiarias num final de boca longo.

Sandalford Premium Shiraz 2004 – mais de dez anos nas costas e vendendo saúde, este vinho é tudo o que se espera de um bom Shiraz australiano com especiarias, notas terrosa, boa fruta madura, equilibrado, textura gostosa, taninos ainda vivos e elegantes, médio corpo, longo final de boca, uma delicia.

Jim Barry Cover Drive 2010 Cabernet Sauvignon – Apaixonante e sedutor são dois adjetivos que cabem bem neste vinho fino e elegante que surpreende quem espera grandes estruturas tânicas. Todo ele muito sutil e aromaticamente muito rico, é daqueles vinhos em que uma garrafa em dois acaba rapidinho!

Calabria Saint Macaire 2012 – uva quase extinta, só dois hectares plantados na Calabria Wines e uma certeza, marcante e de muita personalidade! Diferentes aromas florais que aguçam nossa curiosidade , rico e intrigante, impossível ficar impassível a seus atributos.

Element Late Harvest 2009 – um Late Harvest diferente do que estamos acostumados. Primeiramente é um corte de seis uvas, mesmo que a Chenin Blanc e Verdello estejam mais presentes, depois é suave, leve, fresco com apenas 8% de teor alcoólico vai bem com queijos azuis e sobremesas frescas podendo até encarar uma beira de piscina ou pratos asiáticos mais condimentados. Vinho bastante polivalente.

Brinde à Vida – da confraria anterior trouxemos dois vinhos, mas nos restantes quatro exploramos novos rótulos e sabores.

Austrália - Deg Brinde à Vida

Angas Brut Cuvée – um bom espumante elaborado com Pinot com Cghardonnay, boa perlage, seco, complexo, brioche bem presente, amendoado com camadas cítricas e boa acidez surpreendem .

Poker Face Semillon/Sauvignon Blanc 2013 – um branco que me agrada muito e foi surpresa para a maioria. Blend típico de Bordeaux, a Semillon se dá muito bem na Austrália, é muito balanceado e refrescante, cítrico, notas de grape fruit, frutos tropicais tipo carambola me vieram à mente, vinho para pedir bis!

Three Steps Shiraz 2009 – um vinho de gama de entrada com cinco anos de garrafa e ainda respirando com vigor é algo surpreendente. Confesso que estava temeroso, mas mostrou estar muito bem integrado, saboroso, redondo, vale bem o que se paga.

Tatachilla Cabernet/Syrah 2010 – talvez o menos empolgante de todos neste dia. Bom, sem arestas, mas também sem nada que empolgasse. Fruta madura abundante, alguma especiaria, taninos bem integrados, fácil de agradar.

Jim Barry Cover Drive Cabernet Sauvignon – não vou me repetir, mas babo só de pensar! rs

Tatachilla MaClaren Vale Syrah 2004 – Mais um grande Syrah mostrando grande vigor e complexidade com já dez anos nas costas. Ótimo e balanceado volume de boca, rico com especiarias bem presentes, fruta madura (ameixa) , notas de café, vinho marcante com personalidade própria, talvez o vinho que mais encantou a galera e desafiou o Jim Barry Cabernet para levar o caneco de melhor da noite.

Element Late Harvest – Não vou me repetir, mas é uma boa opção para quem queira substituir o Moscatel!

Dois foram os paradigmas quebrados nesses dois dias. Primeiro o de que vinhos australianos são caros, provamos vinhos bem acessíveis. Segundo de que vinhos em garrafas com screw cap (tampas de rosca) somente para vinhos jovens e de qualidade inferior, tomamos belos vinhos com mais de dez anos ainda muito vibrantes e cheios de vida.

Bem, mais um monte de novos sabores mostrando que na Austrália, como na maior parte dos países produtores, procurando a gente sempre encontra diversidade. Recém cheguei de viagem a Mendoza, em breve começo a falar dessa experiência e de mais uma Degustação da Mala, e mais uma vez conferi isso! Por hoje é só, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui ou nas estradas de nossa vinosfera, cheers!

Vinhos Com Alma?

Um dia, na loja, ouvi uma pessoa descendo a lenha na cidade de Mendoza dizendo como era feia. Não sei onde a levaram, mas certamente não foi na cidade que eu conheço! Cidade limpa, ampla, verde, simpática, bons restaurantes e bodegas nem se fala! Enfim, como no vinho, cada um tem lá seu gosto então respeitemos, mas que quanto mais vezes eu lá vou mais me enamoro, disso não restam duvidas.

Enfim, retornamos depois de cinco intensos dias programados, que viraram seis devido a cancelamento de voos, que demandou resistência física de todos os presentes nesta verdadeira esbórnia enogastronomica que envolveu a prova de 66 diferentes vinhos, visita a 9 bodegas, das mais comerciais ás mais familiares e minimalistas, 4 almoços e 2 jantares harmonizados em bodegas, mais uma incrível viagem pela cozinha e sabores de diversas regiões argentinas. Ufa, muita coisa para comentar e muita foto a publicar (vou precisar da ajuda dos amigos que me acompanharam) o que demorará um tempinho, porém quero hoje fazer alguns comentários sobre , talvez, o maior destaque da viagem, a alma no vinho!

Vinho com alma, já ouviram falar? Pois bem, mais do que nunca ficou claro como isso pode mudar toda nossa percepção sobre um vinho. Digo isso porque a alma é colocada na taça por gente, vinho é um estado liquido derivado do mosto fermentado da uva e algumas cositas más, entre elas gente, parte integrante de qualquer terroir! Visitas com provas de grandes vinhos sem pessoas apaixonadas fazendo o elo entre eles, os vinhos, e nós, perdem um pouco da graça mesmo que sejam caldos excepcionais pois falta-lhes alma, emoção! Gente como a Cecilia da Catena que me devolveu a fé na bodega, Andrea da Dominio del Plata com sua sempre radiante e simpática energia, a presteza e hospitalidade da Constanza da El Enemigo, Matias Michelini da SuperUco e Passionate Wines (nome mais apropriado impossível) foi de uma atenção ímpar, Florencia da Casarena que nos incentivou na elaboração de nossos próprios vinhos, a jovem e dinâmica Daiana da linda Decero, Pablo del Rio do incrível Siete Cocinas, entre outros de que agora não me recordo (sorry) fizeram a diferença, obrigado. Essas experiências foram prova cabal de que o componente humano é essencial e não deve ser deixado de lado, pois corre-se o risco de perder boa parte do “sabor” na taça sendo tão importante como a fruta exuberante, os taninos bem colocados e o equilíbrio da acidez!

Isso vale para o vinho, mas vale também para quase tudo mais na vida, já que onde existe paixão pelo que se faz, faz-se melhor! Por hoje é só, mas pensem um pouco nisso. Pensem nos restaurantes ou lojas que frequentam, no médico com que se consultam, no hotel onde se hospedam, etc. e busquem locais com alma, eles fazem a diferença, garanto!

Cheers, kanimambo e nesta semana voltando ao normal, sexta tem mais.

Ps. no site luso-poemas.net achei esta tradução de um poema escrito pelo poeta francês (falecido em 1867) Charles Baudelaire que quis compartilhar com os apreciadores do gênero que hoje me visitam

 

A alma do vinho assim cantava nas garrafas:
“Homem, ó deserdado amigo, eu te compús,
Nesta prisão de vidro e lacre em que me abafas,
Um cântico em que há só fraternidade e luz!Bem sei quanto custa, na colina incendida,
De causticante sol, de suor e de labor,
Para fazer minha alma e engendrar minha vida;
Mas eu não hei de ser ingrato e corruptor,Porque eu sinto um prazer imenso quando baixo
À guela do homem que já trabalhou demais,
E seu peito abrasante é doce tumba que acho
Mais propícia ao prazer que as adegas glaciais.

Não ouves retinir a domingueira toada
E esperanças chalrar em meu seio, febrís?
Cotovelos na mesa e manga arregaçada,
Tu me hás de bendizer e tu serás feliz:

Hei de acender-te o olhar da esposa embevecida;
A teu filho farei voltar a força e a cor
E serei para tão tenro atleta da vida
Como o óleo que os tendões enrija ao lutador.

Sobre ti tombarei, vegetal ambrosia,
Grão precioso que lança o eterno Semeador,
Para que enfim do nosso amor nasça a poesia
Que até Deus subirá como uma rara flor!”

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=201432 © Luso-Poemas

Saca Rolhas Degustando Tops de 2014

Desta feita a confraria Saca Rolhas escolheu como tema a minha lista de TOPS de 2014, uma tremenda honra e uma responsa danada! Mais uma razão para eu não abrir a boca e deixar a amiga Raquel falar por todos nós confrades.

Uncorking-Old-Sherry-GillrayAlém das confrarias, nosso amigo João Clemente proporciona outros encontros na sua Vino&Sapore como por exemplo, uma degustação prá lá de especial, dos melhores vinhos desarrolhados do ano. Ficamos com água na boca e taças vazias quando nos contou que o número de participantes já estava fechado. Antes que nossa tristeza tomasse corpo, alguém teve a brilhante ideia de “roubar” esse tema para o nosso próximo encontro! A lista, feita com rótulos degustados em diversas situações, tinham em comum aqueles vinhos que se destacaram, seja pela qualidade, pela novidade ou mesmo pela boa harmonização com algum prato. A noite prometia!

Um espumante australiano deu-nos as boas vindas. Elaborado com a casta Sémillon, já para nos prepararmos com a diversidade que tínhamos pela frente.
Eternity Cuvée Brut, produzido pela Westend Estate, Austrália: Bem clarinho, com borbulhas delicadas, chamou nossa atenção pela sua nacionalidade incomum a esse tipo de vinho. Seus aromas cítricos e herbáceos, conferiam ótimo frescor que compartilhavam com um bom corpo frutado, resultando num vinho muito sedutor e amigável.

Começamos a degustação propriamente dita com um mito já conhecido por nós, em outra ocasião (02/12/2013), porém de outra safra:

Viña Tondônia Blanco 1991 – Esse vinho pertence aquela categoria de brancos que sabem envelhecer. Essa garrafa de 25 anos, guardou tudo aquilo que esperávamos dele e mais alguma coisa. Desta vez, foi escoltado com jamóm serrano e queijo brie, que serviu de trampolim para suas peripécias. Um caleidoscópio de aromas e sabores intermináveis, onde a sua personalidade inusitada consegue juntar o doce, o salgado, o oxidado, o frescor, frutas e defumados, etc….. a lista é grande e muito já se falou dele aqui. E quem só o conhece de ouvir falar tem que experimentar, pelo menos uma vez na vida!

Partimos para um tinto, da conhecida bodega chilena Concha e Toro. A uva Carmenére é considerada sua maior representante, pois foi no Chile que ela foi redescoberta depois de quase se extinguir na Europa. Proveniente do Vale do Rapel, os vinhedos de Peumo produzem as melhores uvas desta casta.
Terrunyo Carmenére 2007 – Vinho muito bem feito, bem estruturado, que foge um pouco à regra do que se espera dos Carmenére chilenos. Sem perder as características da casta neste terroir, que via de regra remetem aos sabores herbáceos de pimentão, frutas maduras, entre outros, pode-se sentir tudo isso dentro de um corpo potente, porém com sutileza e elegância. Taninos e acidez presentes e bem equilibrados. Apresentou um álcool saliente de início que se dissipou com tempo na taça. Merecia uma decantação pelo potencial de evolução que apresentou.

Do Chile fomos diretamente para o norte da Espanha, mais precisamente na região de Navarra. Os produtores ( La Calandria ) recuperaram um último reduto de vinhas antigas de Garnacha com mais de 60 anos. De lá provem 4 vinhos diferentes, feitos exclusivamente desta casta: um rosé, um feito com maceração carbônica, um tinto leve e um mais potente, que representa o seu top de linha: Tierga 2010 – Esse vinho é o que se pode esperar de um retrato mais fiel de terroir e casta. Mostra toda a potencia da Garnacha, na cor muito escura, frutas maduras (geleia de cereja, ameixas pretas), especiarias (anis), notas balsâmicas e tostadas, evidenciando passagem por madeira. Tudo isso muito bem encaixado num corpo equilibrado com a acidez e taninos evidentes, bem lapidados. A produção muito baixa garante sua alta qualidade. Um vinho feito para surpreender.

De volta à América do sul, na Argentina, região de Mendoza: A Bodega Benegas produz vinhos nessa região desde 1883. E até hoje o negócio familiar se perpetua sob o comando do bisneto do seu fundador, o enólogo Federico Benegas. Seus vinhos refletem muito a personalidade do proprietário que a todo ano cria um vinho para um membro da família. Suas alquimias refletem características e vivências humanas, quase que contando histórias de vida. O resultado disso reforça e evidencia com muita diversidade e qualidade a estrutura da família. O vinho provado à primeira vista parecia um Bordeaux:
Benegas-Lynch Meritage 2006. Elaborado com Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot, mostrou-se muito fresco no nariz e uma complexidade que pedia tempo para ser destrinchada. Aos poucos aparecem frutinhas vermelhas silvestres, mostrando uma acidez que faz salivar. O corpo vai aparecendo conforme sua estrutura se abre. Madeira bem colocada, o tanino com pegada marcante e notas de alcaçuz , alcatrão e cinza. Com tempo torna-se mais opulento e consistente com muito equilíbrio e elegância. Boa persistência.

Tops 2014

Na sequencia, fomos para Portugal. A Casa Ferreirinha tem uma trajetória que quase conta a história da vitivinificação deste pais. Conhecida pelos vinhos produzidos no Douro, se destacou primeiramente pelos vinhos do Porto e após a segunda metade do sec. XX tem como ícone o Barca Velha. Esse vinho não é vinificado todos os anos e quando isso acontece recebe o rótulo do Reserva Especial. O vinho que degustamos aqui é o 3º dessa “linhagem”:
Quinta da Leda 2011 – Pela cor na taça já se pode supor a intensidade que teremos à frente. Aromas complexos que não se mostram de pronto. No primeiro gole podemos sentir a elegância e o equilíbrio entre os taninos aveludados, a acidez vibrante e o corpo potente que enche a boca de frutas, especiarias, algo de mineral e uma persistência bem longa. Puro deleite que torcemos para não acabar nunca!

Por fim, apesar de achar que se acabasse por aqui eu já estaria feliz e satisfeita, restava-nos a difícil tarefa de apreciar a melhor harmonização do ano!
Um vinho da ilha da Madeira e uma torta de maçãs com figos secos e nozes, criada pelo Ney Laux, que quem é da região da Granja Viana sabe bem do que estou falando! Madeira H&H – Boal -15 anos. Esqueça aquele vinho Madeira que a sua avó ou mãe usava para umedecer o pavê de natal! Conhecemos muito pouco destes vinhos aqui no Brasil e mesmo em Portugal é um pouco difícil de achá-los. A produção é muito pequena, além do tempo que se leva para ficar pronto. Neste caso, 15 anos. O preço é consequência de tudo isso. Mas como nessa vida tudo tem seu preço, nesse caso fica justificado quando se põe o primeiro gole na boca! Apesar da doçura, é nada enjoativo, pois a acidez faz o contraponto. É uma explosão de sabores de frutas que ficam muito evidenciadas quando comemos junto com a torta. Casamento perfeito! Um levanta o outro às alturas e o ambiente fica completamente envolto pelos aromas que sobram por não caberem neles mesmos. Felicidade é isso!