João Filipe Clemente

ARGENTINA TASTING EXPERIENCE 2015, VEEEENHA!

Esta dica é imperdível e uma bela noticia para os amantes de bons vinhos como você e eu! Hora de descobrir alguns grandes vinhos que os hermanos vêm elaborando e escutar o que seus principais enólogos têm a dizer sobre o atual estágio da vitivinicultura argentina. Nos últimos três anos conheci a fundo o que vem sendo feito nas diversas regiões produtoras e me surpreendi revendo opiniões, enterrando de vez Logo WofAalguns preconceitos e descobrindo sabores e emoções diferenciadas. Agora convido você a passar por uma experiência única ao, numa dose concentrada, ver um pouco disso na ATE que se realizará neste próximo dia 30 de Setembro a partir das 16:30.
São Paulo sediará o lançamento mundial desta nova iniciativa da Wines of Argentina (WofA) para apresentar alguns dos melhores vinhos daquele país. O evento contará com uma Mega Degustação às cegas, degustações sensoriais sobre diferentes temas e um espaço central com um bar que terá os vinhos premiados com medalhas de Ouro e Prata no último Argentina Wine Awards.

O Argentina Tasting Experience (ATE) se realizará aqui, na cidade de São Paulo, no Hotel 115 – Vila Madalena. O evento contará com uma Mega Degustação às cegas, degustações sensoriais sobre diferentes temas e um espaço central com um bar que terá os vinhos premiados com medalhas de Ouro e Prata no último Argentina Wine Awards. Clique ali >>>>>>>>>

O ATE será um evento dinâmico e interativo em que os participantes poderão participar de várias palestras com gente do porte dos renomados enólogos; Alejandro Vigil (Catena Zapata e El Enemigo), Sebastián Zuccardi (Familia Zuccardi), Bernardo Bossi (Casarena), Hervé Birnie Scott (Diretor da Chandon) entre outros.

SOMENTE, cerca de 150 pessoas terão a oportunidade de provar às cegas os 18 vinhosATE la Barra AWA premiados com troféu e com medalha de ouro na última edição dos Argentina Wine Awards. Outra atividade durante o dia incluirão o “BAR AWA” com 22 vencedores de medalhas de ouro e prata na AWA 2015. O evento começa às 16:30 e vai até às 23:00. Esta será uma forma inovadora de apresentar vinhos de forma descontraída e instrutiva.

Haverá também um espaço central e social, mais “lifestyle, para que os convidados possam aproveitar um cocktail exclusivo, com música e um um DJ convidado, além de um espaço de fotos cabine de fotos para aqueles que desejam ser fotografado. As entradas para o evento serão vendidas através do site https://semhora.com.br/parceiro/evento/ate-argentina-tasting-experience
Os valores são:
– Palestras (16:30 às 19:00): R$ 80,00.
– Degustação Principal (20:00 às 22:30): R$ 100,00.
– Pacote Palestras + Degustação: R$ 150,00.

Eis a lista das vinícolas participantes com a minha sugestão das imperdíveis (caso tenha que escolher apenas algumas) entre as muito boas listadas:
ANDELUNA CELLARS
BODEGA ARGENTO
BODEGA ATAMISQUE
BODEGA DEL FIN DEL MUNDO – PATAGONIA ARGENTINA
BODEGA RIGLOS
BODEGA SEPTIMA
Bodegas Salentein
CASA BIANCHI
CASARENA
DOÑA PAULA
EL ESTECO
FAMILIA ZUCCARDI
FINCA SOPHENIA
KAIKEN
LAGARDE
MASCOTA VINEYARDS
NIETO SENETINER
NORTON
PASCUAL TOSO
PROEMIO WINES
RICCITELLI WINES
TERRAZAS DE LOS ANDES
TRAPICHE
VINORUM

Sobre a WofA
Wines of Argentina é a entidade responsável pela “marca” vinho argentino no mundo. Desde 1993, a organização promove a imagem de vinhos locais no exterior, bem como ajudando a orientar a estratégia de exportação da Argentina, estudando e analisando as mudanças que ocorrem nos mercados de consumo. O seu objetivo é contribuir para a consolidação da Argentina entre os principais exportadores de vinho do mundo e contribuir para o sucesso global da indústria do vinho, procurando levantar a percepção positiva no comércio, formadores de opinião e consumidores.

Para maiores informações clique no link aqui do lado. Kanimambo e uma ótima semana a todos.

Montalcino Não é Só Brunellos

Para os amantes do vinho há regiões no mundo que são pura idolatria; Douro, Rioja, Bordeaux, Champagne, Mosel, Piemonte e Toscana, entre muitas outras. Na Toscana, Montalcino e seus Brunellos e Rossos de Montalcino (elaborados com 100% da casta Sangiovese Grosso) reinam absolutos, porém a Toscana tem outras regiões incríveis que pouco são divulgadas ao consumidor e o mesmo ocorre com Montalcino que não é feita só de Brunellos!

Afora esses ícones da vitivinicultura italiana toscana, Montalcino possui outros DOCs;

  1. Sant’Antimo DOC fundada em Janeiro de 1996 – Tanto Bianco como Rosso, elaborado com todas as uvas autorizadas na Toscana. Os tintos pode também ser elaborado em varietal, porém nesse caso deverá se especificar a uva no rótulo, mas restrito somente às castas; Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Nero. Nos brancos; Chardonnay, Sauvignon Blanc ou Pinot Grigio. Também se produzem Vin Santo branco e tinto nesta mesma DOC.
  2. Moscadello de Montalcino – apresentado tanta na forma de espumante como de vinhos doces de sobremesa.

Bem, depois dessa pequena introdução, deixa eu falar para vocês do vinho que provei no Winebar promovido pela Expand com um vinho DOC Sant’ Antimo, o IRRosso diIR Rosso Casanova di Neri 2013, não confundir com o Rosso di Montalcino que é outro vinho, deste conceituado produtor de Brunellos! Aqui a Sangiovese é complementada por uma parte de Colorino (muito usada em Chianti), com passagem de 15 meses por barrica e mais 6 meses em garrafa antes de sair para o mercado. O vinho mostrou bem a marca da casa produtora que, pelo menos do que já provei, possui um estilo mais austero, mas não duro!

Cor escura (muito jovem), aromas terrosos, frutos negros, boca densa, de ótima textura e volume de boca, concentrado, taninos presentes, firmes mas sem agressividade, longo, um belo vinho que pediu o que não lhe dei, um tempo de aeração, creio que se mostraria mais com 30 a 45 minutos no decanter. Vinho que promete muito com mais uns três anos de garrafa para quem puder guardar. Eu após complementar meus sessenta anos, não guardo mais nada a não ser meus Porto Vintage! rs

Passou por cima de meu Caldo Verde, é o que tinha no momento (rs), mas posteriormente preparei um sanduíche de chouriço português e aí o baile ficou legal, pena que a bateria do celular tenha ido para a glória! O sanduba talvez não tenha feito jus à nobreza do vinho (R$180), mas não é de hoje que alguns casamento entre realeza e plebe dão certo, este deu! rs

Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou vem passear comigo pelos vinhos de altitude de Santa Catarina dia 28 de Outubro a 2 de Novembro. Detalhes em elaboração, mas como serão somente 12 vagas, me avise desde já de seu interesse e lhe enviarei roteiro completo em primeira mão tão logo esteja pronto.

Vinho é Prazer!

Hoje optei por falar de prazer, mais do que falar de vinho em si o que voltarei a fazer mais ao longo da semana. Acordei com vontade de filosofar, de falar de prazer no vinho, algo que há muito andava ensaiando depois que um amigo (não muito chegado nos caldos de Baco) me disse que para curtir um bom vinho, bastava despejar o caldo no copo e virá-lo! Pode? Sim, pode até ser num primeiro instante, mas na verdade é uma mera “rapidinha” de duração curta sem maiores impactos sensoriais deixando-se de aproveitar a grande maioria dos pequenos detalhes que completam o todo e fazem a diferença entre o mero gozo e o real prazer.

Apreciar um bom vinho é como lentamente nos desnudarmos perante nossos parceiros passando por toda a fase de nos perdermos nos olhos um do outro, sentindo seu perfume, descobrindo todas as suas nuances e curvas, se inebriando de paixão até se deixar levar ao infinito numa viagem que deixa marcas na memória e nos faz querer mais e mais! Um bom vinho possui uma certa dose de sensualidade, de fogo e paixão que na dose certa gera enorme prazer e pede compartilhamento, uma garrafa a dois é muito mais gostoso, ou não?! rs Complicado?Não, o segredo é querer aproveitar o momento e descobrir toda a complexidade e nuances do vinho num processo de entrega e de cumplicidade muito similar há que podemos usufruir num relacionamento entre duas pessoas, guardadas as devidas proporções obviamente!

Para o tomador de vinho, todos já fomos, qualquer coisa está bom já para o apreciador de vinho há a necessidade de “foreplay”, de prestar atenção, de um certo flerte que fará do processo da descoberta um verdadeiro elixir de prazer. O vinho não é, portanto, paixão de pouca dura e sim um processo continuo de aprendizado e conhecimento em que, como nos relacionamentos, existem momentos de grande euforia advindos da perfeita harmonia encontrada numa taça em um determinado momento e outros nem tanto. Tentar desassociar a técnica da emoção é, neste caso, um exercício em vão, pelo menos em minha opinião já que acredito que o vinhos e o amor nos fazem um pouco mais poetas!

Para tomadores de cerveja estupidamente gelada (ótima forma de esconder os defeitos de qualquer bebida) que juntam garrafas sobre a mesa numa Sexta-feira á noite como se troféus colecionassem ou os que bebem para meramente se embriagarem, tudo o que aqui escrevo hoje certamente se tratará de pura bobagem e devaneios mil (também não devem nem ler este blog), mas os que buscam na taça, e na vida, aquele algo mais, esses certamente entenderão o que estou tentando compartilhar hoje ou, pelo menos assim espero!

Muitas vezes escrevo sob enorme influência do prazer e emoções (as vezes em que mais prazer me dá escrever) e quanto maior a satisfação, maior são os adjetivos usados no intuito de repassar aos amigos leitores as sensações vividas. Aliás, como já mencionei aqui em outras oportunidades, um vinho sem adjetivos é um vinho sem alma, sem encantamento, como aquela transa fugaz que pode até resultar num relaxamento momentâneo, porém normalmente deixa para trás aquela sensação de que faltou algo!

Achar que as análises e comentários sobre vinhos são meramente técnicas, é de grande ingenuidade, pois apesar do treino, do estudo e da litragem do degustador eventualmente envolvido, não existe como não nos deixarmos levar pela paixão frente ao prazer e satisfação promovido por um grande vinho (Robert Parker e Bordeaux não me deixam mentir) ou grande momento enogastronomico. Não importa se é com um sanduba de mortadela e um lambrusco, um grande espumante num momento de celebração único ou um jantar de perfeita harmonização entre; o momento, as pessoas envolvidas, o local, o prato e o vinho.

Já dizia o saudoso amigo e mentor, Saul Galvão, num artigo escrito há cerca de dois anos; “quando se fala em vinhos, NUNCA há uma palavra final, mas sim opiniões, que podem ou não ser bem sustentadas. O vinho só existe para dar prazer. Se ele deu prazer, cumpriu sua função, independentemente de regras cânones e opiniões alheias”

Separar o doce néctar de seu viés emotivo é, nesse sentido, algo totalmente equivocado em minha opinião. Tudo na vida é um processo de evolução e depende de cada um determinar seus objetivos. Existe um inicio, nem sempre muito positivo, que vai ganhando qualidade conforme vamos obtendo maior experiência o que, em nossa vinosfera, conhecemos como litragem. Experimentar, buscar diversidade, variar saindo da mesmice, tudo contribui para que o nirvana que se busca seja alcançado. A diferença maior jaz no fato que enquanto num relacionamento a dois a fidelidade é essencial, em nossa vinosfera a infidelidade faz parte do processo de crescimento e aprendizado, prove muito, prove de tudo, aventure-se e deixa a taça te levar a lugares e culturas diferentes sem, no entanto, deixar de ter seu porto seguro!

Cá entre nós, só nota de vinho e os mesmos aromas de frutos de vermelhos e complexidade de boca, tem hora que enche, não?! Até eu volta e meia me vejo nessa! Enfim, por hoje chega, já viajei demais, rs. Cheers, saúde, kanimambo e parafraseando o poeta popular Zeca Pagodinho:

Eu já passei por quase tudo nessa vida
Em matéria de guarida
Espero ainda a minha vez
Confesso que sou de origem pobre
Mas meu coração é nobre
Foi assim que Deus me fez

E deixa o VINHO me levar….

Rolha ou Rosca?

MiguelMeu amigo Miguel Angelo de Almeida é um jovem e talentoso enólogo, luso que nem eu, que trabalha na Miolo onde vem desenvolvendo seu trabalho com competência há anos. Já tive a oportunidade de aqui publicar alguns de seus textos e este, que recente recebi dele, me pareceu especialmente interessante, razão pela qual pedi autorização para compartilhá-lo com os amigos aqui hoje. Kanimambo Miguel!

A meu ver existem algumas razões práticas e técnicas para uso de fechamento de rosca (screw-cap) e algumas estéticas e comerciais. Como enófilo e amante de bons vinhos, não me atenho a isso e sim ao conteúdo da garrafa. Aliás, uma prova da diferença entre enólogo e enófilo; o Enólogo (Miguel) diante do vinho toma decisões já o Enófilo (JFC), diante de decisões toma o vinho! rs O que tenho visto até agora, e obviamente provado, me diz que não existem alterações consideráveis no vinho e ultimamente provei vinhos com até 12 anos de idade com rosca e estavam ótimos, em perfeito estado de preservação e vida compatíveis com outros de igual idade e origem fechados com rolha de cortiça. Vejam o que o Miguel, com maior experiência e conhecimento de causa, tem a nos dizer sobre o tema.

“Sabemos que perante um vinho fechado com rolha natural, o consumidor tem uma grande expectativa em comparação com os outros tipos de fechamento. Mas o tempo é o grande modelador das nossas convicções, a história da rolha de cortiça natural com o vinho tem cerca de 400 anos e a história do screw-cap com o vinho tem cerca de 60 screw-vs-corkanos. Como disse a Baronesa Philippine de Rothschild: “Produzir vinho é relativamente simples, só os primeiros duzentos anos são difíceis.”.Aqui, no Grupo Miolo, a opção de vedar um vinho com rolha natural ou screw-cap é uma decisão técnica.

Hoje, para proceder o fechamento de uma garrafa de vinho, o enólogo possui várias soluções: rolha de cortiça natural, rolha sintética, rolha de vidro (vino-lok) e screw-cap de alumínio. Contudo, as duas principais soluções são a rolha de cortiça natural e o screw-cap de alumínio.

Se o objetivo for entregar ao consumidor um vinho próximo daquilo que o enólogo obteve na fermentação e/ou estágio de amadurecimento, o vedante mais indicado para este efeito é o screw-cap, que proporciona um fechamento hermético, bloqueando a evolução oxidativa do vinho. Por outro lado, se o objetivo for permitir evolução, a decisão será vedá-lo com uma rolha de cortiça natural que permite uma mudança positiva no tempo. O screw-cap é uma redoma, a rolha de cortiça natural representa transformação.

SobreiroA cortiça é composta por células de suberina com a forma de um minúsculo prisma pentagonai ou hexagonal, um ácido gordo complexo, e preenchida com um gás semelhante ao ar, que ocupa cerca de 90% do seu volume. Portanto, a cortiça contém oxigênio que migra para o vinho, ajudando este a se polimerizar, a se arredondar, mudando irremediavelmente a sua vida e as suas histórias. Estudos recentes demonstram que os diferentes tipos de vedantes diferem na sua permeabilidade ao oxigênio atmosférico. Os sintéticos são os que apresentam maiores taxas de entrada de ar, oxidação prematura, seguidos das rolhas de cortiça natural, evolução equilibrada, enquanto screw-cap é o que permite menores taxas de entrada de oxigênio, evolução lenta.

Num vedante sintético o ar migra, através de si, de fora da garrafa para dentro do vinho. Numa rolha de cortiça natural o oxigênio migra do interior da rolha para o vinho. Num screw-cap sarantin, o do disco interno prateado, não existe migração de oxigênio (screw-cap saranex é o do disco interno branco).

A rolha de cortiça é um elemento 100% natural, 100% biodegradável, proveniente diretamente da casca de uma árvore da família dos carvalhos, o sobreiro. A sua retirada é feita a cada nove anos, sem que nenhuma árvore seja cortada durante este processo. A cortiça dá origem a uma infinidade de produtos, e o principal é a rolha. Cada sobreiro demora 25 anos até poder ser descortiçado pela primeira vez e só, a partir do terceiro descortiçamento (aos 43 anos), a cortiça tem a qualidade exigida para a produção de rolhas. O sobreiro é a única árvore cuja casca se autorregenera, adquirindo uma textura mais lisa após cada extração. Pode ser descortiçado cerca de 17 vezes ao longo de uma longevidade que é, em média, de 200 anos, e não está em extinção, sendo a árvore símbolo de Portugal. Eu me curvo em deferência perante este elemento natural.

O primeiro screw-cap para vinho foi criado pela empresa Stelvin, em meados da década de 60, sob o comando do diretor de produção da vinícola australiana Yalumba, em parceria com uma empresa francesa. O screw-cap ganhou espaço no mundo dos vinhos à custa da imprudência dos corticeiros portugueses, os quais no final da década de 90 (boom mundial da produção de vinhos) inundaram o mercado com cortiça de má qualidade, cortiça com problemas de tricloroanisóis, vulgo TCA, composto químico com cheiro a mofo, cartão úmido. No inicio do novo milénio, os britânicos firmaram a sobrevivência do screw-cap no fechamento de garrafas de vinho. No Reino Unido, a aceitação dos vinhos vedados com screw-cap foi de 41% em 2003 e 85% em 2011.

No Grupo Miolo utilizamos ambos como vedantes de nossos vinhos:

  • O screw-cap para vinhos básicos de características jovens (Almadén, Miolo Seleção e Miolo Gamay) até vinhos de qualidade premium, a grande novidade da vindima 2015 (Miolo Reserva Chardonnay, Pinot Grigio, Sauvignon Blanc e Pinot Noir). Podem reparar que o Miolo Reserva Sauvignon Blanc 2015 está todo ele fechado com um screw-cap sarantin. Este tipo de screw-cap apresenta os menores valores de oxigénio total aquando do engarrafamento, de 0,0001 a 0,0007 ml O2/dia;
  • A rolha de cortiça natural para vinhos premium (Miolo Reserva Cabernet Sauvignon, Merlot, Tempranillo e Tannat) até vinhos de qualidade ícone, vinhos altamente estruturados (Miolo Cuvée Giuseppe, Quinta do Seival Cabernet Sauvignon, Quinta do Seival Castas P ortuguesas, Testardi Syrah, Vinhas Velhas Tannat, Miolo Merlot Terroir, Miolo Lote 43 e o Sesmarias).

Os produtores de vinho decidem o tipo de vedação com base em experiências passadas, na filosofia atual, em questões técnicas, custos e as exigências do mercado. Em suma; a rolha é vinha e o screw-cap é homem. Os quatro são complementares

Agora, nada como sua própria experiência, então vai aqui uma sugestão; monte uma degustação entre amigos e abra dois com rosca e dois com rolha, preferencialmente da mesma uva e região produtora, melhor ainda se puderem ser do mesmo produtor, e tire suas próprias conclusões. Aí vão me perguntar; e o charme?! Bem, aos sessenta a maturidade me faz prestar mais atenção no conteúdo que na aparência, não bebo charme e sim vinho, então….! rs Kanimambo amigos e espero ver alguns de vocês neste Sábado no meu evento de FOOD TRUCK GOURMET (clique para ver detalhes) harmonizando pratos e vinhos franceses. Cheers e até!

Quinta do Ameal Loureiro, um Feliz Reencontro

Há tempos que chamo a atenção para os vinhos brancos portugueses e este vinho é um claro exemplo disso. A primeira vez que tive contato com ele foi num delicioso restaurante em Almada chamado Amarra Ó Tejo que possui uma das mais lindas vistas noturnas de Lisboa. Depois, já andou por mais umas vezes em minha taça e sempre despertando as mesmas sensações de puro prazer! Daqueles vinhos para abrir de duas (rs), porque uma garrafa some rapidamente devido à sua leveza e capacidade de sedução.

Para mim, este vinho já se tornou um clássico regional e a casta possui atributos que me encantam. Menos acídula que a Alvarinho, gera vinhos muito Foto - loureira_loureiro1equilibrados de muito boa intensidade aromática onde predominam as notas cítricas e florais. Na boca mostra-se tradicionalmente muito harmoniosa com nuances de casca de laranja, nectarina e algo de maçã verde. Apesar de ser vinificado, mais recentemente, como varietal, é comum a vermos associada com as castas Trajadura, Arinto e Alvarinho nos vinhos de corte simplesmente denominados Vinhos Verdes. Da mesma forma que Melgaço e Monção estão para a Alvarinho, Ponte de Lima (Vale do Lima) está para esta casta que reina nesta sub-região.

Era para ter participado de mais um Winebar, desta feita com este produtor, porém há última hora tive problemas profissionais que não me permitiram, no entanto você pode ver a apresentação completa vendo o vídeo aqui abaixo

Acabei abrindo essa garrafa de Quinta do Ameal Loureiro, posteriormente e acabei harmonizando o vinho com um prato de Camaráo à Piri-Piri com Risoto de Limão Siciliano e Cream Cheese. ABSOLUTAMENTE DIVINA harmonização e enquanto escrevo enxugo o teclado (rs) pois só de pensar Ameal Loureiro 2começo a aguar! O vinho prima por sua leveza, baixo teor alcoólico, apenas 11% e sedução, na linha dos bons e finos rieslings do Mosel, já nos arrebatando nos aromas sutis, mas muito marcantes! Puxando por notas cítricas (limão siciliano), traz também um leve floral e alguma grama molhada, delicado pede para encher a taça! Na boca, um vinho fresco de acidez bem presente, mas muito equilibrado, franco, com uma certa mineralidade de final de boca, um vinho radiante, de alto astral! Um vinho para nos deixar essencialmente felizes, com vontade de quero mais!rs

Por outro lado um produtor de uma casta só, algo não muito comum, o que faz com que exista aqui uma especialização maior, um conhecimento mais profundo gerando realmente vinhos diferenciados e marcantes.

Um vinho que tem tudo a ver com nossa costa, nossos mares acompanhando frutos do mar grelhados, lulas, suchis, peixes leves grelhados ou sozinho como entrada com queijo de cabra, presunto cru e outros petiscos! Já andou por terras brasilis mas volta agora pelas mãos da importadora Qualimpor e deverá estar no mercado por volta dos R$100 creio eu, mas a conferir. Como se diria na minha terra, um vinhos bestial ó pá, para se ir aos copos numa marisqueira com a malta! kanimambo e dia 12 (sábado) já sabem, Food Truck Gourmet (Perfil de Chef) com o tema França. Pratos e vinhos harmonizados, aguardo os amigos e torçam para essa chuva parar!!!

DEGUSTAÇÃO TOP DE CATENA ZAPATA

A partir das 20 horas do próximo dia 23, apresentarei na Vino & Sapore, um pouco mais da história desta importante Bodega mendocina e também de seu enólogo (Alejandro Vigil) recém listado como um dos 30 melhores e mais importantes do mundo. Com relação aos vinhos (50ml por rótulo por pessoa), vou deixar eles falarem com vocês! Somente 12 participantes (só 6 vagas restantes!), seis vinhos incríveis e um espumante especial também do produtor, para o deleite de poucos e por isso separei apenas um pequeno grupo para enviar esta primeira chamada.
 
Na frente de cada vinho, sua pontuação e o preço sendo praticado na importadora hoje.
 
Boas vindas – Tikal Alma Negra Rosado de Malbec Brut (Ernesto Catena) RP89 – R$110,00 (Sujeito a disponibilidade)
Catena Alta Chardonnay 2012 (ST92) – R$245,00
Catena Alta Malbec 2010 (RP94) – R$250,00
Catena Zapata Adrianna Single Vineyard Malbec 2009 (RP97) – R$600,00
Catena Zapata Malbec Argentino 2008 (RP98) – R$600,00
Nicolas Catena 2009 (RP95), o vinho do Homem! rs – R$600,00
Catenas TOP
 
Individualmente é puxado pensar na compra destes vinhos que cabem em poucos bolsos, porém numa degustação como esta conseguimos explorar esses ícones por uma fração! Serviremos queijo e frios com os vinhos e ao final empanadas, argentinas por supuesto! Café, água, estacionamento, tudo incluso por R$220,00 por pessoa pagos no ato da reserva. Não perca esta oportunidade, por um dia esqueça a crise e invista em sua felicidade e prazer! Reservas através do e-mail comercial@vinoesapore.com.br ou ligue para a Vino das 14 às 19 horas (11 – 4612.6343), só seis vagas restando, garanta a sua!

As Portas do Céu se Abriram e eu Entrei ou, Bordeaux Extasy!

Só figurativamente e adorei a experiência , tanto que tenho esse título pronto faz TRÊS ANOS! A experiência foi tamanha que fiquei sem palavras e sigo sem as encontrar, já que descrever emoções é sempre um exercício dos mais difíceis. Todos ou pelo menos a maior parte dos aficionados por vinho, sabe que 2009 foi um graaande ano para os vinhos de Bordeaux e em 2012 os produtores de Grand Crus estiveram em São Paulo para dar a provar alguns néctares da região. Grandes produtores, vinhos com pontuações perfeitas (100 pontos), brancos, tintos, doces, um festival hedonístico difícil de ser esquecido, daqueles que ficam na memória ad eternum.

A grande maioria, para não dizer todos, está longe dos bolsos de nós pobres mortais então minha sugestão é, tem interesse, vai viajar, traga de fora! São esses grandes vinhos que, em minha opinião, devem ser aproveitados nas viagens e, neste caso, mesmo assim precisa ter um bolso algo gordo! Para não dizer que nunca falo das estrelas, ganhei coragem e decidi compartilhar com vocês alguns destaques do que provei e que comporiam maravilhosamente uma grande degustação com uma visão regional deveras interessante, vamos lá!

Bordeaux Pessac

Pessac- Léognan – esta AOC, mesmo tendo uma maior produção de tintos, gera os melhores e mais importantes brancos de Bordeaux. Três grandes vinhos de muita classe, Chateau Carbonnieux, Chateau Pape Clement e, para mim o destaque entre eles, o incrível Chateau Larrivet Haut-Brion, uma grande forma de se iniciar uma degustação deste porte.

Bordeauxs Tintos – mesmo não sendo um expert nas apelações (AOCs) de Bordeaux, tenho as minhas regiões preferidas e na prova confirmaram na taça as razões de minhas preferências. Destas AOCs, escolhi alguns vinhos (tinha mais de 50 não dava para ver tudo) para provar e destes alguns destaques que certamente colocaria na mesa dessa imaginária degustação, caso houvesse “cascalho” o bastante para tal.

Bordeaux Saint Emilion
Saint-Émilion – Por aqui reinam a Cabernet Franc e Merlot, vinhos teoricamente mais suaves (na prática nem sempre), de menor estrutura porém de boa guarda, profundo equilíbrio com fruta mais presente e macios. Alguns grandes vinhos como os; Chateau Troplong Mondot, Chateau Pavie Macquin, Chateau Angélus e meu preferido, um dos melhores, se não o melhor, vinho do evento. O Chateau Figeac! ABSOLUTAMENTE ESPETACULAR, um daqueles vinhos que figuram entre meus TOP 10 de todos os tempos e não dá para descrever, tem que lhe sacar a rolha e desfrutar com um outro grande apaixonado por este néctares. Este já estava divino, imagino daqui a mais uns cinco ou seis anos!

Bordeaux Pomerol

Pomerol – Terra do famoso Chateau Petrus e por isso muito valorizada, gera vinhos elegantes e finos porém de maior estrutura que os de St Émilion, idade média de maturação entre 6 a 8 anos com alguns grandes vinhos de guarda. Daqui se destacaram o Chateau Clinet a quem Robert Parker deu 100 pontos. Provei, não mudou minha vida (rs), não vale a nota perfeita (que não dou a nada nem ninguém), mas é um grande vinho. Com ele, mais dois destaques, o Chateau L’Évangile e meu xodó deste AOC, o Chateau Gazin do qual tomaria garrafas se a grana permitisse. Rico, delicado e complexo, absolutamente sedutor.

Bordeaux margaux
Margaux – Nas grandes safras estes vinhos costumam se superar e é, certamente uma das mais emblemáticas apelações de Bordeaux. Mesmo tendo a Cabernet Sauvignon como protagonista, são conhecidos como os vinhos mais elegantes, perfumados e sedosos de Bordeaux, especialmente da margem esquerda. Curto os vinhos desta parte de Bordeaux! Provei algumas preciosidades, entre elas os; Chateau Angludet, Chateau du Tertre e Chateau Giscours foram destaque e são todos grandes representantes da AOC, mas o Chateau Malescot Saint-Exupery está, em minha modesta opinião, um degrau acima dos outros escolhidos e é o que eu colocaria para representar a região nesta verdadeira seleção de craques. Pura poesia engarrafada, nada a falar, só beber!!

Bordeaux Pauillac

Pauillac – Três dos cinco Premier Crus de Bordeaux, vêm desta região, vinhos algo mais potentes e muito estruturados com enorme potencial de guarda, décadas! Aqui provei menos e só dois rótulos ambos muito parelhos; o Chateau Lynch-Bages e por nariz, ficaria com o Chateau Pichon-Longueville mesmo sabendo que o melhor seria guarda-lo por mais uns 15 anos antes de abrir. O problema é que já fiz 60, então guardar vinhos ficou meio relativo! rs Graaande e complexo vinho que mostra bem todo seu potencial de guarda.

Bordeaux Sautern
Sautern et Barsac – Mais que uma apelação (AOC), uma marca mundial de excelência em vinhos doces que harmoniza maravilhosamente bem com Foie Gras (ops é proibido! rs) e queijos azuis e frutas frescas, mais que com sobremesas. Dizem que um Sautern deve ser tomado com mais de quatro anos e os bons (como estes baixo) precisando de tempo para mostrarem todo seu esplendor. Os “velhos” com trinta ou quarenta anos nas costas, dizem ser verdadeiros elixires, não sei, nunca provei, mas topo convites! rs Para encerrar em grande estilo dois grandes representantes e um que extrapola e nos deixa boquiabertos com tanto esplendor. Chateai Doisy Daëne e Chateau Guiraud, ambos excelentes, mas o Chateau Coutet é verdadeiramente um vinho classe I, de Inesquecível e Incuspível! DIVINO, um conjunto de emoções na taça indescritível, e a uma fração do preço dos mais famosos, muito próximo da perfeição!

O que pode causar estranheza é como vinhos que são de longa guarda como estes podem já despertar tais emoções e prazer hedonístico. Pois bem, o que tenho verificado ao longo destes longos anos de provas, é que a grande safra costuma apresentar esse perfil, vinhos com grande capacidade de guarda, porém já muito palatáveis desde cedo! Só para citar alguns; Safra 2007 e 2011 em Portugal, 2006 na Itália, 2005 no Chile, 2015 no Uruguai entre outros, e agora 2009 em Bordeaux. Enfim, mais uma grande experiência e as características de cada uma dessas regiões foram colhidas no livro de meu saudoso mestre e mentor, Tintos & Brancos de Saul Galvão, que segue sendo meu principal socorro em momentos de dúvida sobre nossa vinosfera.

Vai montar essa degustação, não esquece de mim não tá?! Digamos que será minha cobrança de royalties! rs Gente, kanimambo e um ótimo fim de semana para todos (aqui tem leitura para todo o fim de semana prolongado)  e não esquece, dia 12 de Setembro agora tem o food truck gourmet com vinhos harmonizados saudando a França! Aguardo os amigos

Barricas, da Floresta à Vinícola

O uso de barricas no vinho passa por uma imensidade de variáveis e depois de ver este vídeo podemos entender o porquê quando um produtor diz usar para um determinado vinho só barricas novas, estar ele elaborando vinhos de alta gama. Esse processo não é barato, mas ao ver este vídeo creio que podemos entender o porquê disso.

Mesmo que consideremos um valor (baixo) médio de USD 1200 numa barrica de 225 ltrs (300 gfas) e três usos, falamos de um custo diluído ao redor de USD1,35 a garrafa só de barrica. Algo a se pensar quando alguém te falar de vinho com estágio em madeira, reserva e que custa 50 pratas! A grande probabilidade é que esse vinho tenha passado por um processo que chamo de “madeirização” do vinho ou seja, dar aromas e sabores de madeira ao vinho. Nada contra quem gosta, mas importante saber que nesse processo se usam; chips, tábuas (duelas), serragem, cubos, etc. e não barricas. Veja mais clicando aqui.

Lembrando, de acordo com o enólogo  Edegar Scortegagna (Enólogo da Luiz Argenta e diretor técnico de enologia da Associação Brasileira de Enologia): “O aroma de carvalho cedido pela barrica é uma consequência, a barrica é usada principalmente para micro-oxigenar os vinhos durante a maturação, por isso é essencial que tenha porosidade muito pequena”.

Food Truck Gourmet na Vino & Sapore – Agora é Francês

O primeiro evento harmonizado com este Food Truck Gourmet Perfil de Chef, foi luso e foi um imenso sucesso. Pratos e vinhos devidamente harmonizados, um evento super agradável que fez os amantes da boa enogastronomia Granjeira se darem bem e tivemos a visita de bastantes amigos de São Paulo e outras cidades da região também! Foi muito bacana e isso me incentivou a criar um segundo encontro destes, até ao final de ano pelo menos mais um (espero!), desta feita harmonizando pratos e vinhos franceses. Será dia 12 de Setembro próximo, marque na sua agenda!

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Para quem está curioso, eu em conjunto com a Lili e Gonçalo (chefs do food Truck), desenvolvemos um cardápio muito interessante e bem tradicional, especialmente no que se refere aos pratos principais. Veja abaixo os pratos que estarão disponíveis e as harmonizações propostas.

Entrada – Porção (6) Champignon Paris recheado com ratatouille gratinado no queijo gruyère (R$20,00). Sugestão de vinho,Chateau de Parenchèr Bordeaux Blanc Sec Sur Lie.

Pratos Principais – Boeuf bourguignon com purê de batata (R$24,00) o qual sugiro harmonizar com o Chateau Jalousie Bordeaux Superieur e/ou Cassoulet com arroz (R$23,00) que optamos por harmonizar com um vinho advindo de vinhas velhas, o La Forge Estate Carignan Vieilles Vignes.

Sobremesa – Sortido de Macarons que poderá ser harmonizado com um vinho de sobremesa clássico francês, um Sautern, o Chateau la Bouade (taças de 50ml).

Fora do Tema, disponibilizaremos também uma criação divina dos chefs, seu Hamburguer de Salmão com Dill e Creme de Wassabi também devidamente harmonizado, porém como fora do tema vamos de um delicioso Sauvignon Blanc chileno, porém produzido por um francês (olha a liga aí!) o Little Quino de William Févre. Junto com a entrada, uma opção para quem não come ou não é chegado em carne. Servimos no último encontro e foi um sucesso!

Os vinhos serão servidos à taça (100ml exceto o de sobremesa) com valores variando entre R$14 a 16,00 e também serão disponibilizados em garrafa com 10% de desconto somente no dia. Aguardo os amigos, das 13 às 18 horas ou até que a comida acabe. Kanimambo et tout à l’heure!

Parceiros nos vinhos – Importadoras Calix, Vínica e Domínio Cassis.

Quatro Anos Sacando Rolhas Em Grande Estilo!

A Confraria Saca Rolha comemorou 4 anos no mês passado e foi uma graaaande e inesquecível noite regada a grandes vinhos e muita alegria como é de costume em Uncorking-Old-Sherry-Gillraynossos encontros. Desta feita cada dupla um trouxe de casa uma garrafa de um vinho especial, hora de meter a mão na adega! O resultado? Bem, o resultado nossa portavoz, a Raquel Santos (confreira, sommelier e enófila das boas) expõe aqui em seu gostoso texto.

“É, o tempo passa! Cada vez penso mais nessa frase….rs.. O lado bom é que quando lembramos dos encontros alegres, cheios de aprendizados e regados a bons vinhos, nos damos conta do quão prazerosos foram e a vontade de repetir nunca cessa.

Olhando para trás, vejo que foi um ano de muita diversidade. Desbravamos terras longínquas com produções exóticas, desconhecidas por nós. Outros não tão distantes, como o Uruguai que nos surpreendeu, assim como a Austrália que apesar da distância, pareceu-nos familiar. Fizemos alguns desafios, como o eterno embate entre Portugal e Espanha que mesmo dividindo um único rio (Douro/Duero), não diferem apenas no idioma! Incorporamos a crise atual na nossa pauta e tentamos nos adaptar a ela. E depois de tantas reflexões, nada mais justo que tocar no ponto primordial de tudo isso: O eterno prazer que buscamos dentro de cada taça de vinho! Foi pensando nisso que resolvemos comemorar elegendo um vinho “favorito” de cada um para compartilhar com todos. E como somos um grupo heterogêneo, diversidade é mesmo conosco!

Começamos com a generosidade do Felipe, que apesar de não poder estar ali, nos enviou um belo representante: Espumante Ferrari Perlé 2007 – Espumante italiano da região de Trento, já conhecido por nós de outras degustações, marcou presença e deixou saudade. Extremamente elegante, com sua pérlage finíssima, aromas delicados de flores, maçãs e brioches. Boa persistência na boca e complexidade. Elaborado exclusivamente com a casta Chardonnay, passa 60 meses em contato com suas lias na garrafa. Foi um belo brinde!

Eu sou apaixonada pelos vinhos brancos e por isso resolvi levar um que já faz parte da minha lista dos mais adorados: Planeta Chardonnay 2009 – Também italiano, da Sicília. Provei esse vinho a uns três anos atrás e desde então nunca mais o esqueci. Repeti a dose outras vezes e ele sempre correspondeu as minhas expectativas. Como tinha uma garrafa guardada, nada mais justo que dividi-la com amigos queridos numa ocasião dessas. Esse também feito da Chardonnay, como o espumante que bebemos antes. A mesma uva, e vinhos tão diferentes! Logo de cara, impressiona pela cor, amarelo âmbar, com uma densidade que adere à taça. Aromas quase que insolentes de frutas maduras quando exalam seu perfume ao sol, contrastando com um frescor marinho. Muito macio e ao mesmo tempo vibrante pela acidez bem balanceada. Evolui bastante na taça e sua paleta de aromas e sabores desfilam sem parar, quase que querendo nos provocar com contrastes do tipo mel e limão siciliano, pêssegos em calda e calcário, flores e amêndoas torradas…e por aí vai. Esse vinho é uma viagem em que vale a pena embarcar! niver 4 anos

E por falar em viagem, o Luiz e a Ana Cláudia tinham acabado de chegar da Toscana e nos trouxeram um belo Brunello di Montalcino: Il Poggione Brunello 2007 – Assim, continuamos na Itália o que, em dia de festa é garantia de alegria! E esse Brunello não negou fogo e ainda por cima adicionou muita sofisticação ao ambiente. Começou exalando perfume de rosas e frutinhas de bosque. Mostrou-se tão equilibrado que deu trabalho para decifrá-lo em partes. Corpo macio, com presença de frutas, especiarias, madeira bem colocada e um certo terroso (sur bois). Acidez que evidencia hora um detalhe, hora outro, criando uma dinâmica nas sensações. Taninos aveludados e final persistente, com muita evolução.

O próximo chegou para roubar a cena. Um Rioja apresentado pelo Fábio Gimenez, que gosta dos espanhóis, começou falando baixo, porém com uma eloquência educada, sedutora e carismática: Ramirez de la Piscina-Crianza 2007 – Um típico riojano, feito de 100% Tempranillo. Passa 14 meses em barricas e 8 meses na garrafa antes de ser comercializado. Muito bem feito, equilibrado, com boa acidez, fácil de tomar. Apresenta tanto no nariz como em boca, notas de frutas vermelhas, como cerejas(ao marrasquino), tabaco e madeira. Para acompanhar uma longa conversa.

Eis que surge o português! Obviamente pelas mãos do João Filipe Clemente, nosso anfitrião. E chegou com classe: Mouchão 2001 Tonel 3 e 4 – Um alentejano ícone! De um vinhedo centenário, onde as mudas da casta Alicante Bouchet foram recuperadas, e o conceituado enólogo Paulo Laureano percebeu que o vinho dos tonéis 3 e 4 era melhor que todos os outros. Apenas esses tonéis eram feitos de carvalho português e macacauba brasileira. O vinho, bem…..o vinho….o que poderia dizer dele? Todo o dito seria pequeno. Dentro daquela garrafa tinha muito esforço para recuperação um vinhedo extinto, que junto com uma intuição genial e conhecimento de causa resultou naquele néctar macio, redondo, dócil e generoso. Um vinho amigo para celebrar amizades.

Pensando nisso, nosso amigo Marc, que dias antes estava em Mendoza, nos contatou para uma sugestão de vinho que pudesse trazer de lá, para nossa comemoração. Foi-lhe sugerido um Nosotros Malbec da bodega Domínio del Plata de Suzana Balbo, que tivemos o prazer de conhecer no ano passado. Chegando lá, uma das enólogas sugeriu um Nosotros Sofita, que ainda não conhecíamos. E fomos à prova: Nosotros Sofita 2010 – Top de linha da Bodega que celebra o esforço de todos que trabalham para criar os vinhos durante todo ano. Elaborado com Malbec, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, pareceu-me bem diferente que o varietal de Malbec. Mais sutil e elegante, porém sem perder a “raça” que é o ponto forte desses vinhos. Apresenta bastante chocolate, café e caramelo, tabaco, juntamente com frutas vermelhas. Apesar de intenso é fresco e agradável com boa acidez e taninos presentes bem maduros.

Até então, seis vinhos se passaram, mas ainda faltava o Porto que o Aristides trouxe para encerrar a noite com chave de ouro: Porto LBV Ferreira 2005 – Nada pode dar maior sensação de conforto do que uma taça de Porto! (até rimou!) Depois de tantas estripulias sensoriais, o aconchego do calor, dos aromas de chocolate e nozes, a textura macia e envolvente com sabores frutados e doces que ali convivem tão bem, são tão reconfortantes que tem até efeito terapêutico. E depois de uma noite dessas, o que mais podemos querer? Apenas repetir, e repetir e mais vezes repetir!”