Se pudesse, meu negócio seria um estabelecimento Ibérico com vinhos, produtos gourmet, acepipes diversos da região, bar de tapas e iguarias só desses dois países que
fazem a minha cabeça, Espanha e Portugal! Se algum investidor se interessar pelo projeto em Sampa, me liga!! rs
A Tempranillo tem papel preponderante na vinosfera Ibérica tanto na Espanha como em Portugal, com a Tinta Roriz no norte e a Aragonez no sul, tanto como varietal como em cortes, gosto muito desta casta que gera vinhos tradicionalmente de muita qualidade, dos mais simples e descompromissados, aos mais complexos e longevos mostrando grande versatilidade.
Muitos exemplares de tempranillo (clique para acessar um monte de posts sobre a uva e outros rótulos) já passaram em minha taça, e ainda na semana passada postei mais uma experiência, o Montes Reales, mas hoje quero compartilhar com vocês um outro
rótulo que me agradou bastante, é o Bayanegra Tempranillo que “ornou” tão bem com meu nhoque com picanha suína que quando me dei conta de tirar uma foto já só tinha um tico de carne no prato! rs Vem da região de La Mancha (Bodega Celaya), maior região produtora de Espanha, de onde costumam sair vinhos mais descompromissados, porém bem feitos, redondos, sem muita complexidade, produzidos para agradar à maioria. Este vinho reproduz bem o conceito regional, jovem, sem passagem por madeira, de fruta fresca abundante, sua boa acidez, que deu a liga no molho de tomate, me surpreendeu. Final de boca de taninos macios, redondo, com teor alcoólico baixo (12%) e com boa persistência para este estilo de vinho algo mais ligeiro, um vinho fácil de gostar devendo ser refrescado (algo em torno de 15º) para ressaltar esse frescor que ele apresenta. Pelo preço, entre R$50 a 55,00, certamente um vinho muito honesto que entrega o que se paga e se encontrar mais barato pode ser opção para comprar caixa!
É isso meus amigos, por hoje é só. Tenham uma ótima semana, saúde e kanimambo pela visita.

Às vezes, só ás vezes (rs), 187ml basta! Cá tenho guardadas umas garrafinhas dessas para aqueles momentos onde o vinho vai bem porém estou só ou minha loira só esteja a fim de bicar. Ás vezes me dou mal com esse “bicar”, rs, mas neste dia tudo nos conformes, deu certinho. Abrir uma garrafa, mesmo considerando que estas garrafas são, porcentualmente falando, mais caras que comprar uma normal de 750ml, evita o desperdício tanto de vinho quanto de din-din.
As garrafas de 375ml são práticas para o casal que não esteja a fins de tomar muito, mas aí sou fã e recomendo comprar a garrafa inteira de 750ml e na hora usar uma de 375 só para guardar o restante, compensa mais. Ah, mas como assim? Explico, calma! rs Ao abrir uma garrafa de 750 ml e já sabendo que é dia de moderação e não de pé na jaca, encho uma garrafinha de 375ml, de rosca e bem limpa, até a boca, fecho e geladeira nela. O vinho não tem tempo de aerar e tão pouco fica volume alto de
oxigênio na garrafinha evitando potencial oxidação, o frio retarda a evolução tudo contribuindo para que esse vinho possa ser tomado normalmente em até a uma semana sem diferenças perceptíveis. Mais que uma semana não sei, os meus nunca duraram mais que isso! rs Muito melhor que qualquer VacuVin, garanto.
Voltando à minha garrafinha de 187ml, minha dose certa para Domingo passado. Estávamos só eu a loira, preguiça danada até para dar um pulo n mercado! Assei um hamburguer de Angus (passou demais! sniff) e preparei um risoto de Funghi que ficou da hora! Para acompanhar, o Montes Reales Tempranillo 187ml, foi perfeito. Acho esse vinho demais e até esta safra vinha ao Brasil sob o nome de Canforrales Classico. Como já mencionei antes, mas vale a pena repetir; “Vem de La Mancha,onde a uva é conhecida como Cencibel e é um vinho jovem (menos de 8 meses de barrica) , tem leve passagem por madeira (americana e francesa de segundo e terceiro usos), taninos sedosos, boa estrutura, fruta fresca abundante (cereja bem presente), acidez presente e bem balanceada um ótimo gama de entrada para esta uva, um vinho que diz a que veio, porém com preço camarada!” Para acompanhar carnes grelhadas, queijo manchego, chorizo (lingüiça) fatiado,uma morcilla, gosto muiito, e deu muito certo com esse prato de risoto de funghi e hamburguer no prato.
Enfim, mais uma gostosa experiência que quis compartilhar com os amigos, porque há momentos para tudo e a enogastronomia não é só o glamour que muitos por aí lhe tentam impingir. Fui, ótimo fim de semana, saúde e kanimambo pela visita!
Hoje brindarei com vinho, mas não falarei dele. Não coloquei nenhuma foto preto e branco (rs) no face, porque hoje é Dia da Criança, no meu caso de “minhas” crianças! É dia dos filhos, uma história que se iniciou para mim e minha loira nos idos de 1978 quando nasceu minha primogênita, depois a cada dois anos mais até que encerramos a produção (rs) em 1982. Em 2010, para nossa imensa alegria, chegou o Bruninho para animar a família como uma lufada de ar fresco refrescando o verão. Moleque especial, muiiito especial!
Minhas crianças serão eternamente crianças com todas as alegrias e preocupações que acompanham o “pacote”! rs Sim, não é só festa e felicidade, como em tudo na vida existem os altos e os baixos que temos que tirar de letra. Mais que o Dia das Crianças, este devia se chamar o Dia da Família, pois são as crianças que nos unem, que nos dão longevidade em tempos cada vez mais efêmeres. Nós somos privilegiados, temos uma família unida apesar de nossas eventuais divergências, respeitamos nossas individualidades e hoje nos reunimos mais uma vez para louvar isso.
“Meus” filhos, “meu” neto, razões do meu viver, que hoje seja um dia feliz e, a pedido do “reizinho”, o meu pitico, hoje tem churrrasco do vovô. Obrigado por serem o que são e compartirem vossas vidas com os velhos aqui. Hoje é dia de celebração, que todos meus amigos leitores, com suas crianças ou como crianças “de alguém” que são, tenham um dia para lá de feliz na companhia de quem amam e vos amam.
Que o dia seja lindo, mesmo que só com lembranças! Dia de orgulho pelas crianças que tenho e hoje minha homenagem a todas as crianças se dá com este singelo post e clipboard das “minhas” entre aspas mesmo porque, como ja dizia Khalil Gibram;”Teus filhos não são teus filhos, São filhos e filhas da vida, anelando por si própria, Vem através de ti, mas não de ti E embora estejam contigo, a ti não pertencem.” . Saúde, kanimambo e volto a Falar de Vinho na Sexta, fui!
Por filosofia não falo do que não conheço e possa recomendar assim como não costumo comentar vinhos que não estejam disponíveis no Brasil, salvo raras exceções. Falar do que não conheço seria falso e falar do que aqui não tem pouco ou nada agrega ao leitor e amigo. Hoje é dia de exceção, de falar do que aqui não tem e poucos poderão ter acesso, porém vale pela curiosidade.
Costumo falar que com a avanço da tecnologia, hoje se faz vinho em praticamente qualquer parte do mundo. Uns bons, outros razoáveis e alguns bem medíocres, porém há as surpresas vindos de lugares que nem pensamos possíveis. Já em 2009 quando promovi o Desafio de Uvas Ícones, um evento às cegas com uma banca degustadora experiente, um vinho da Venezuela se sobressaiu para surpresa de todos os presentes.
Pois bem, se você for a Bali/Indonésia, saiba que por lá tem um vinho que tem tudo a ver com festa, sol e mar, é o Sababay Moscato d’Bali! Um vinho que é pura diversão, quase um refresco de tão fresco e leve. Para tomar algumas garrafas, pois sua doçura é suave e a acidez alta, o resultado é um vinho vibrante e divertido, descompromissado com complexidades mil, compromissado só com o prazer e é isso que ele nos confere de forma muito positiva. Muito cítrico, boa concentração de fruta pois só parte do vinho é fermentado para posterior corte com o mosto (suco) da primeira prensa, leve efervescência natural, baixo teor de álcool, gente me diverti á bessa tomando esse vinho!
Como chegou? Um amigo me trouxe quando esteve por lá porque ele sabe que adoro provar coisas diferentes, sair da caixinha, alçar voos, viajar por nossa vinosfera e descobrir novos sabores. Quer provar? Só indo lá e não é tão barato assim não, pelo que pude pesquisar, anda na casa dos USD19 a 20,00 em Jakarta. Enfim, só mais uma curiosidade de nossa vinosfera que não pára de nos surpreender. Boa semana, kanimambo e feliz dia das crianças,Quarta será dia de churrasco aqui em casa a pedidos do netinho,uhu!!
Não é de hoje que Portugal é cobiçado, seja por sua privilegiada localização geográfica, seja por sua riqueza cultural ou por seus vinhos e azeites de fama internacional desde os tempos dos romanos, visigodos e mouros. Hoje são os turistas que estão descobrindo as riquezas lusas.
A par dos grandes néctares engarrafados, a gastronomia é também algo que faz despertar os sentidos mais apurados dos Deuses. De fato, este país à beira mar plantado possui naturalmente uma vasta gama de pratos típicos, porém os mais conhecidos mundo a fora são, sem dúvida, os elaborados à base de bacalhau, mas vai muito além disso, a diversidade é imensa, apesar deste ocupa um lugar de honra à mesa do povo português. Sardinha assada é, também, uma iguaria dominante nos churrascos e festas ao ar livre e não se pode voltar sem provar!!
Contudo, e apesar da consagrada qualidade de seus peixes e mariscos preparados com maestria, os lusitanos também apreciam um bom pedaço de carne, confeccionando-o de acordo com as mais variadas e saborosas receitas, a cada canto do país uma receita diferente com a marca da terra. Carne de porco, cabrito ou borrego (cordeiro) são as mais apreciadas, não esquecendo também o famoso “bife à portuguesa”, geralmente confeccionado com molho à base de Vinho do Porto ou até mesmo o leitão assado, uma iguaria típica da região da Bairrada, os peculiares enchidos (embutidos) e a “francesinha”, um manjar tipicamente nortenho. E a “carne de porco à alentejana”, já provou? Por sinal, adoro Iscas com Elas, já conhece? rs
E o queijos da Serra da Estrela e de Azeitão? Outra iguarias a não perder certamente. Mas, e os doces? Quem é que já não ouviu falar dos célebres pasteis de Belém? E os ovos moles, os pasteis de amêndoa, o pão de rala, o pão de ló, ou até mesmo a aletria, arroz doce, leite creme, doce de gila e as diversas compotas e marmelada?
Neste infinito paraíso gastronômico português, difícil não se deixar levar pela extensa
variedade da gastronomia lusitana, mas, claro, sempre bem acompanhada pelo precioso néctar, o vinho! Viajar por terras lusas é uma experiência sensorial única onde não existe espaço para regimes é para meter o pé na jaca mesmo!! rs Como já dizia Stefano Padulosi, “levar um garfo ou uma colher à boca é a última etapa dum percurso demarcado pela história e pela geografia”.
Para além dos consagrados fortificados, Vinho do Porto e Vinho da Madeira, os deliciosos Moscatéis de Portugal compõem o caleidoscópio de um mundo de vinhos de sobremesa ímpares, entre os melhores do mundo! Na verdade, a riqueza das castas é um dos pontos fortes deste país, destacando-se mundo afora pela originalidade de seus vinhos, que despertam bastante curiosidade. São cerca de 300 diferentes castas autóctones de nomes por muitas vezes bem estranhas como Rabo de Ovelha, Avesso, Esgana Cão, Bastardo, Alfrocheiro, Tinta Miúda, Rufete e outras tantas mais! Tudo isso num país de tamanho similar ao Estado de Santa Catarina.
A propósito, já ouviu falar do “Vinho dos Mortos”, um regional transmontano, da bela localidade de Boticas? É, certamente, um vinho com muita história para contar… remete-nos a 1808, período das Invasões Francesas, durante o qual, com o avanço das tropas comandadas pelo General Soult, o povo, com medo dos furtos a que estava sujeito, resolveu enterrar os seus bens mais preciosos, entre os quais, o vinho. Mais tarde, após os franceses terem sido expulsos, os habitantes da Vila de Boticas começaram a desenterrar os seus pertences e, naturalmente, os seus vinhos, que acreditavam já ter perdido. Porém, qual não foi o espanto da população quando deparou que o vinho ainda estava em perfeitas condições, adquirindo até novas propriedades organolépticas. A partir deste feito e por ter sido enterrado, este vinho passou, então, a designar-se “Vinho dos Mortos”, passando-se a utilizar esta técnica, descoberta ocasionalmente, para melhor conservar e otimizar as propriedades do vinho. Estou com uma garrafa para provar, mas ….. bem, depois falo!
Provavelmente, ainda não tenha ouvido falar desse vinho, mas certamente já ouviu dizer que Portugal é um país bem arraigado às suas tradições, então, porque não continuar a fazer vinho em lagares de pedra, prática esta que remonta à Roma antiga? Grandes
Vinhos do Douro, Dão e do Alentejo, em especial, ainda são feitos por esse processo e não é só coisa para turista não!! Estes são apenas alguns exemplos da vasta riqueza gastronômica (que tal comer no Cu da Mula??) e vitivinícola portuguesa, porém Portugal tem muito mais para ser descoberto! Tem cultura, arquitetura, história mesclada com modernidade,paisagens lindas e uma enorme diversidade regional, não tem quem viaje por lá e não volte surpreso e querendo voltar sendo comum eu ouvir a frase; ” se eu soubesse que era assim já teria ido antes”!
Hoje não falei de vinho, porém falar de Portugal é falar da farta opção de vinhos e pratos que nos fazem aguar só de pensar, saudades!! Kanimambo pela visita e neste fim de semana, seja em casa ou em um dos muitos restaurantes lusos espalhados pelo mundo afora, vá conhecer um pouco dessas iguarias e se deliciar com os sabores de Portugal. Bom e gordo fim de semana, porque ele existe para isso, eu fiquei com vontade e acho que daqui a pouco vou dar um pulo na A Quinta do Bacalhau e me deliciar com bolinhos de bacalhau e uma bela alheira! Fui!! rs
Promovido pela importadora Clarets que não conheço, eis um Wine Dinner para lá de especial! Começa com Champagne Cristal, termina com Chateau D’Yquem e no meio uma vertical de Chateau Mouton Rothschild da década de 80, numa noite inesquecível para deixar qualquer enófilo com água na boca. Nos dias 25 e 26 de Outubro no Hotel Fasano com jantar e apresentação de Manoel Beato. É show, mas tem que ter munição à brava, porque cada convite custa R$5.490,00. Agora, tendo a disponibilidade, certamente um momento único em que eu não me importaria nadinha de participar mas …quem sabe sobra uma rolha para cheirar, porque esse é meu limite!! rs Gente, para quem se interessar, veja mais abaixo onde consta o telefone para contato. Boa semana e kanimambo pela visita. Ah, ia-me esquecendo! Se houver alguma boa alma que queira antecipar meu natal, pode mandar o convite!!!!
Me dando bem! Ando na fase de harmonizar, não que seja uma fobia, mas como gosto de tomar vinho ás refeições (especialmente aos Domingos) tento sempre fazer com que haja uma certa harmonia entre prato e taça! rs Ás vezes dá certo, outras não, mas me divirto sempre até porque a companhia é sempre muito boa e valoriza o todo, mas que quando acerto me divirto mais, isso não posso negar.
Eu e minha loira estávamos só e decidimos nos tratar. Achei uns camarõezinhos de bom preço, o vinho já estava na geladeira, e optei por por um singelo risoto com um leve toque de brie na finalização. Ficou bom o danado do prato e quase não sobra para meu almoço de Segunda! Ainda bem que exagerei na dose, porque quase que me ferro!! rs
A esta altura os amigos já estão perguntando, mas esse tuga não vai falar do vinho?? Calma, vou sim, mas como diz o ditado, ” o apressado come cru”! Gente, tinha na geadeira aguardadno um momento destes um Mendel Semillon, do qual somente umas 10 mil garrafas são produzidas por safra e que é uma obra prima do Roberto de La Mota, um dos grandes enólogos argentinos. Já o destaquei aqui no blog como um dos melhores vinhos brancos argentinos e, mais uma vez, não negou fogo não, um vinho marcante de personalidade própria que a Expand traz ao Brasil.
A Semillon já foi mais presente na Argentina,de acordo com a Wines of Argentina, “a casta é amante dos climas frescos e moderados, existindo somente dois lugares no país onde dá bons resultados: no Valle de Uco (Mendoza) e no Valle de Río Negro (Patagônia). Trata-se de um vinho seco, equilibrado, de bom corpo e sabor de notas frutadas. Em Cuyo adquire nuances aromáticos de frutas brancas com um interessante toque de mel, ao passo que na Patagônia aparecem toques de maçãs e terra. Em ambos os casos, evolui muito bem em garrafa até formar complexos nuances olfativos”. Roberto de la Mota explica assim do porquê ter elaborado este vinho; “lo primero que destaco es el valor histórico del varietal para la vitivinicultura local. El Semillón llegó al país junto con el Malbec de la mano de Michel Pouget y no tardó en convertirse en una de las cepas más cultivadas. su principal virtud son sus aromas y sabores sutiles ideales para definir equilibrio. Si bien en Argentina la historia la ubicó en el mismo lugar y más tarde como componente vital para los espumosos locales, hoy la apuesta es por varietales tranquilos.”
Neste caso falamos de uvas do Valle do Uco, vinhedos de mais de 70 anos plantados em pé franco, sendo que de quinze a vinte porcento do vinho passa em barrica por uns seis meses, que é o que lhe dá a untuosidade porém sem cobrir o frescor e a fruta muito presentes. Floral (frutos secos) nos aromas, meio de boca rica, fresco, médio corpo e muito boa persistência com uma acidez muito bem balanceada. A untuosidade do vinho bateu muito bem com o toque de brie do risoto enquanto seu frescor “maridou” perfeitamente com os camarões grelhados.
Enfim, mais um dia de privilégios apesar da fase difícil que atravessamos e são estes momentos que fazem a vida valer a pena depois dos sessenta!! rs Abastecido para mais um tempinho, vamos tocar porque se pararmos o bicho pega e assim, talvez, consigamos escapar. Amigos um ótimo fim de semana, kanimambo pela visita e muita sabedoria na hora de votar. Não lave as mão, nem que seja para escolher o menos ruim, porém não deixe de comparecer nas urnas e fazer valer sua cidadania neste próximo Domingo. Que Baco lhe dê serenidade e sabedoria nesta hora!
Nesta última Segunda-feira tive a oportunidade de provar uma boa gama de produtos de diversas origens, entre elas vinhos da Argentina, Chile e Brasil. Foi na KMM, importadora especialista em vinhos Australianos com quem há tempos mantenho uma parceria. Agora eles distribuem também os vinhos da Hannover e fui conhecê-los, em especial os vinhos da Viu Manent porém outros caldos pintaram na taça! Os rótulos eram muitos, mas destaco alguns que me marcaram e um especial me encantou. Preços num amplo leque de valores, saindo de cerca de R$78/80 a 400 e muitos. O que mais gostei estava no meio, mas outros se destacaram.
Espumante:
Destaque para o Charlotte Brut Branco – elaborado pela Pizzatto, o vinho está estupendo; cremoso,fresco, sedutor com ótima perlage, gostei muito e está na casa dos R$80,00 mais ou menos cinco dependendo de onde é comprado.
Brancos:
Viu Manent Reserva Chardonnay e Sauvignon Blanc, vinhos de boa tipicidade, muito agradáveis de tomar, recomendo na casa dos R$78,00 a 80,00.
Sobremesa:
Viu Manent Noble Semillon com botritis foi um dos meus destaques e ainda por cima consegui pegar um teco de gorgonzola e foi divino. Para quem gosta do estilo, como eu, um achado por cerca de R$115 a 120! Doçura no ponto certo com acidez perfeita para lhe dar o equilíbrio necessário. Muito bom, mesmo.
Tintos:
Cordilheira de Santana Tannat 2005 – Pioneiros nesta região da Campanha Gaúcha, os produtores surpreendem com seus vinhos de grande longevidade. Este Tannat com mais de dez anos de vida segue vendendo saúde e prazer para quem se dignar a deixar preconceitos de lado. Em 2009 tinha provado da safra 2004 que destaquei aqui no blog, mas este 2005 de uma grande safra brasileira está surpreendente! Vale bem os R$85 a 90,00 que se paga por ele.
Serrera Gran Guarda 2010 – De Mendoza, um baita Malbec sem excessos, sem doçura! Tudo no ponto certo, elegante e complexo, marcante na boca, boa textura, com ótima persistência. Não é Cepacol, mas é bom de boca! rs Quem tem mais de 40 vai lembrar. O preço na casa dos R$300,00 é complicado pois tem muita coisa boa nessa faixa, mas havendo a disponibilidade para tanto, acho que vale conhecer e se deixar surpreender.
VIBO de Viu Manent, para mim os melhores e mais interessantes vinhos, especialmente se considerarmos a faixa de preço em que encontram, na casa dos 180 Reais.
VIBO Viñedo Centenario, um corte de 51% de Cabernet Sauvignon, 44% Malbec e 5% de Petit Verdot, um projeto argentino da Viu Manent. Do Vale do Uco, Mendoza, mostra-se encorpado, complexo, notas tostadas, boa estrutura e denso na boca, carece de algum tempo de aeração (30/45 minutos), guloso e longo final de boca,um belo vinho com muita personalidade.
VIBO Punta del Viento, voltamos ao Chile porém com um corte típico do Rhône com Grenache, Mouvédre e Syrah, Best In Show na minha modesta opinião. Se não disser que é Chile, um desde a primeira fungada diria que estava frente a frente com um vinho do Rhône. O vinho exala Rhône por todos os poros mostrando bom volume de boca com bastante fruta, meio de boca muito rico, elegante com taninos finos e aveludados, notas de salumeria, especiarias, acidez e madeira muito bem integrados, fui totalmente seduzido por ele. Um vinho encantador que me agradou sobremaneira.
Menção honrosa a três outros vinhos; Viu Manet Gran Reserva Malbec e Cabernet Sauvignon ambos na casa dos R$115,00 e o Single Vineyard Malbec San Carlos na casa dos R$230,00.
Por hoje é só, kanimambo, saúde e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer dessas esquinas de nossa imensa vinosfera.
Estava com uma garrafa deste vinho para provar e a oportunidade pintou neste último fim de semana. Curry, ou caril como chamamos por terras lusas, é uma herança que os portugueses receberam das ex colônias indianas (Goa, Damão e Diu) assim como de Moçambique onde essa influência é também muito forte. Só lembrando que Ghandi andou por aquelas bandas do continente nos idos de 1894 a 1913 quando esteve na África do Sul, mais precisamente em Durban.
Uma das receitas herdadas de minha mãe é um curry de frango com maçã que minha loira prepara divinamente , sob o qual adicionamos chutney picante, preferencialmente, e coco ralado. Achei que poderia dar samba e como deu! O vinho por si só já é bastante saboroso, fresco, ótima acidez, ligeiro mas saboroso num estilo que faz lembrar os
vinhos de Provence, diferentemente dos vinhos argentinos similares que tendem a ser algo mais pesados. Georges Vigouroux Les Temps des Vendanges Rosé de Malbec, de Cahors/França o berço da Malbec, mais uma descoberta de um vinho muito agradável com preço idem. Tomar vinho bom e caro é fácil, qualquer zé mané com o bolso recheado chega lá, difícil é encontrar vinhos que satisfazem sem rasgar o bolso e é desse garimpo que gosto! Este tem um preço na mesma faixa do Lagoalva Branco do qual falei recentemente e o selecionei para compor minha “coleção Primavera/Verão” deste ano (rs)! O vinho casa muito bem com a nova estação e com o bolso, porque a maioria de nós não ganha vinho de graça e sobra mês no final do salário ou pro-labore!
A grande parada, no entanto, foi com a comida. Dizem que a harmonização não é essencial e não é mesmo, não deve se tornar uma fobia, porém quando dá certo é muito legal e prazeroso, aumentando nossa satisfação sensorial o que faz com que queiramos mais! rs Pois bem, foi exatamente isso que aconteceu aqui, deixou uma sensação de quero mais, mas a garrafa era uma só e tinha bastante gente! rs O vinho cresceu com o prato condimentado, uma bela harmonização que certamente vou querer repetir outras vezes.
O vinho em si é muito agradável, frutas vermelhas frescas sutis, seco com final de boca apresentando um leve residual de açúcar que não incomoda por estar muito bem equilibrado pela acidez pungente sendo, talvez, o segredo para o bom casamento com o prato mais condimentado. Descomplicado e descompromissado, porém cumprindo com seu papel de ser um vinho alto astral, fácil de agradar e bem feito, o que é essencial. Deve dar um samba legal também com pratos da culinária japonesa, algo a testar proximamente. Se não fosse a sede do governo e o aumento de IPI no inicio do ano, poderia estar uns 10% mais barato, o que seria ótimo, mas …. enfim, esse é o nosso Brasil, sil, sil!
Fui! Kanimambo pela visita, saúde, uma ótima semana para todos e que Baco vos abençoe com taças cheias de bons vinhos, saúde e alegria.






