João Filipe Clemente

Espanha no Portal

          Pessoal, todas as Sextas os amigos Emilio e Fátima elaboram ótimas degustações temáticas e recebem seus clientes com a já tradicional simpatia do jovem casal. Nem sempre consigo divulgá-las, mas hoje consegui encaixar esta chamada para a  muito interessante degustação de vinhos espanhóis. Muito interessante porque cobre diversas regiões dando-nos uma visão bem ampla dos vários estilos de vinhos da vinosfera espanhola. Seria o que, na ABS, chamam de educação continuada! Salute e aproveitem.

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Brasil, Regiões Produtoras – II

Estamos diante de uma realidade incontestável, Santa Catarina. Com suas diversas sub-regiões de vinhedos de altitude, vinhedos plantados entre 900 e 140 metros, esta é uma região com grande potencial que já começa a apresentar belos resultados com vinhos diferenciados e complexos num pedaço do Brasil onde somente se planta Vitís Viníferas. São três sub-regiões; São Joaquim, Caçador e Campos Novos. No total, devem existir algo como 35 produtores com projetos em andamento, mas das dez que já estão no mercado, destaque especial para a Villa Francioni e Villaggio Grando (as duas principais), Quinta da Neve, Quinta Santa Maria, Sanjo, Suzin (pioneira na região) e Pisani Panceri sendo que a maioria, sete para ser exato, estão situados na região de São Joaquim. Até ao momento, são cerca de 300 hectares plantados produzindo cerca de 500 mil litros do doce néctar, mas a expectativa é de que até 2010 esta produção seja quadruplicada gerando cerca de 2 milhões de litros. Uma das maiores dificuldades encontradas na região, são as fortes geadas e eventuais chuvas de granizo que exigem grandes investimentos em coberturas plásticas sobre as vinhas. Eis algumas das vinícolas que tive a oportunidade de conhecer na Expovinis e dos quais provei alguns bons vinhos que, em post em separado, depois comentarei em maiores detalhes. A ACAVITIS, foi a associação criada para gerir projetos de qualidade dos vinhos produtores na região certificando produtos, viabilizando qualificação, divulgando a região e defendendo os interesses de seus associados.

       mapa-acavitis-opcao-final-de-190420071 

     

    Quinta da Neve. Lomba Seca em São Joaquim. Plantando desde 1999, apresenta, neste momento, uma produção em torno de 8000 garrafas de Pinot Noir e cerca de 12.000 de Cabernet Sauvignon derivado de seus 12 hectares de vinhas. Como consultor enólogo, trouxeram o Anselmo Mendes, grande enólogo e produtor Português, para elaborar alguns de seus vinhos. O Anselmo Mendes produz alguns dos melhores Alvarinhos em Portugal e tem um vinho branco elaborado com a uva Loureiro que é um espetáculo! Bem, mas esse é outro papo, importante é que o nome de Anselmo Mendes para assessorar a vinícola, foi uma grande e acertada escolha que o tempo de certo virá a comprovar. Gente de visão! Por enquanto só tintos, Um Cabernet Sauvignon e um Pinot Noir sobre os quais falarei mais adiante, mas não duvidaria nada da chegada de um branco logo, logo aproveitando todo o know-how do enólogo.

 

Villagio-Grando é uma vinícola de porte maior, um pouco mais conhecida no mercada em função do delicioso Innominabile, um dos melhores tintos do país. Estão em Caçador, onde o grupo exerce suas atividades agro-florestais já há muitos anos tendo plantado cerca de 52 hectares de vinhedos com diversas cepas plantadas acima de 1350 metros de altitude. Produz cerca de 180.000 garrafas anuais, com previsão de chegar a 300 mil  tendo em mim um fervoroso fã já que gosto muito dos seus vinhos. Sua linha de produtos inclui hoje um total de 5 vinhos sendo três tintos e dois brancos. Os dois brancos, Chardonnay e Sauvignon Blanc são vinhos bastante interessantes e diferenciados, mas o grande destaque, a meu ver, fica mesmo com os tintos onde brilham, o novo Cabernet Sauvignon e o Innominabile um vinho de corte elaborado com um corte de 5 uvas e duas safras! É, isso mesmo que você leu, duas safras! Mais à frente comentarei este vinho e outros.

 

Sanjo, mais conhecida por sua produção de maçãs, a empresa investiu na implantação de cerca de 26 hectares de vinhedos com uma produção de cerca de 70 mil litros anuais. Apesar de terem outras cepas plantadas, os vinhos hoje produzidos são todos baseados na Cabernet Sauvignon; Nobrese, Maestrale e a linha de entrada o Nubio. De todos, a meu ver os destaques são três; O Nubio Rosé, o Maestrale e sua política de preços.

 

Quinta Santa Maria, também situada em São Joaquim, a sub-região mais importante, tem sócios portugueses e cerca de 20 hectares plantados, planeja chegar a 40  em 2010, entre 1200 e 1300 metros de altitude onde plantam Pinot, Touriga Nacional e Aragonez afora as tradicionais Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Produz hoje dois vinhos. Um, o Utopia é um vinho tinto de guarda e um fortificado, muito interessante, o Portento no estilo dos vinhos do porto.

 

Villa Francioni, talvez a mais famosa e o maior projeto vinícola da região, um exemplo de perseverança e visão de um homem, assumida por uma família. Um projeto grandioso que se completou em 2002 e gerou seus primeiros vinhos ao final de 2005. Uma história curta, porém escrita com maestria e grande investimento já gerando alguns dos melhores vinhos nacionais produzidos de cepas diversas plantadas em seus cerca de 50 hectares. A cantina foi construída em seis níveis e projetada para que a gravidade fizesse com que a matéria-prima passasse de um tanque de fermentação para outro sem a intervenção humana, obtendo um processo mais natural evitando-se o bombeamento mecânico que é sempre mais agressivo. Produz hoje algo próximo a 200 mil litros com bons rótulos entre os quais dois se destacam, considerados pela imprensa especializada como alguns dos melhores do Brasil, são o top de gama Villa Francioni, que conheço e assino embaixo pois é um grande vinho, e o Sauvignon Blanc que ainda não tive o prazer de provar.

 

Durante os próximos dias produzirei alguns posts com degustações de alguns destes vinhos onde penso poder explorar um pouco mais alguns desses belos produtos assim como outros da Campanha Gaúcha e do Vale dos Vinhedos. Quem ainda duvida dos vinhos nacionais, acho que não teve a oportunidade de degustar a maior parte desses bons rótulos e deve cair na real, o vinho Brasileiro está com ótimos produtos e mostrarei o resultado de duas degustações às cegas que exemplificam isto muito claramente. O único senão, talvez seja o alto preço cobrado por alguns desses bons exemplares que, ao receberem boas criticas, mostram uma tendência enorme de dispararem. Isto, se visto pelo ângulo do consumidor logicamente, porque do ponto de vista do produtor, se eles cobram o que cobram e seguem vendendo, porquê não seguir nessa mesma política comercial?

Por hoje é só, salute e kanimambo.

Brasil em Números – Dados de Consumo

          Para quem gosta, eis alguns números pesquisados sobre o consumo de vinhos finos. Em alguns casos são estimados e, creio, podem variar em cerca de cinco porcento para cima ou para baixo, mas como os dados são tão dispares e incongruentes, há que se fazer alguns cálculos meio mágicos. Acredito, no entanto, que estes números estão muito próximos da realidade e possam lhe dar uma idéia mais precisa do que acontece em nosso pequeno mundo do vinho nacional.

Valores aproximados de consumo e produção anual de vinhos finos no Brasil

Origem

Litros

Importados

                                             60.875.073

Nacionais RS

                                             19.952.097

Nacionais Outros

                                               2.593.773

Espumantes

                                               8.500.000

Total

                                             91.920.943

 Os dados referente a Nacionais Outros, são estimados e calculados em cima das diversas informações colhidas das entidades abaixo mencionadas. Veja agora a evolução das importações e produção nacional do Rio Grande do Sul que responde por cerca de 86 porcento, meus cálculos, da produção nacional em litros.

 

 

2002

2003

2004

2005

2006

2007

Total Vinhos Finos Tranquilos Importados

25.940.096

28.525.147

37.652.046

39.331.791

48.596.849

59.758.155

Total vinhos finos tranquilos RS

25.259.850

23.211.221

19.727.449

21.912.640

21.776.182

19.952.097

Total vinhos Espumantes RS

4.267.545

5.369.902

5.477.154

6.745.027

7.664.237

8.560.413

Total Espumantes Importados

614.332

804.192

1.490.391

1.606.544

2.351.207

1.116.918

Total Importados + RS

56.081.823

57.910.462

64.347.040

69.596.002

80.388.475

89.387.583

Vejam abaixo o volume de consumo, todos os tipos de vinho inclusive de mesa, pelos maiores estados consumidores no ano de 2007 e a surpresa do consumo per capita onde os cariocas pulam na frente e derrubam todo mundo no processo! Sempre pensei que São Paulo fosse o maior consumidor per capita sendo seguido pelos estados do Sul, ledo engano.

Destino

 Total Litros – 2007

 % do total consumido

 Consumo p/capita

SP

        115.444.603

33,4%

2,9

RJ

          73.466.781

21,2%

4,8

PR

          36.074.660

10,4%

3,5

RS

          33.942.663

9,8%

3,2

MG

          17.436.034

5,0%

0,9

ES

          11.383.705

3,3%

3,4

BA

          11.045.225

3,2%

0,8

SC

            9.965.308

2,9%

1,7

PE

            8.402.192

2,4%

1,0

CE

            5.795.034

1,7%

0,7

GO

            4.484.300

1,3%

0,8

DF

            4.101.829

1,2%

1,7

Falando de Vinhos – Novembro 08. Fonte Ibravin

 

 Os quadros acima, foram elaborados com o cruzamento de dados colhidos entre  estatísticas recebidas da Ibravin, UVIBRA, Embrapa e Associação Brasileira de Enologia. Algo para você digerir enquanto finalizo o post sobre Santa Catarina.

 

Salute, Kanimambo e amanhã tem mais.

 

Ps. WordPress tá naqueles dias hoje! 

 

Genial, é o Enoblogs.

        news                    

     O amigo e confrade do vinho Alexandre do Diário de Baco, com link aqui ao lado, teve uma idéia genial e criou o Enoblogs. Você que gosta de fuçar nos mais diversos blogs de vinho em nossa rede, agora tem tudo, ou boa parte, centralizado num lugar só onde se pode acompanhar o que cada um escreveu recentemente e aí ler o que mais lhe interessar. Esta multiplicação de experiências e relatos dos diversos blogueiros do vinho em atividade enriquece sobremaneira nosso conhecimento sobre o doce néctar. Eis o que diz Alexandre, “durante os últimos meses trabalhei no desenvolvimento de um sistema que ajudará os usuários a conhecer melhor os blogs sobre vinho. Chama-se ENOBLOGS e é um site que agrupa os blogs sobre vinho no Brasil e organiza toda informação. Para quem busca informações sobre vinho, fica a vantagem de encontrar via rss ou twitter ou através de uma simples busca, as atualizações de todos os blogs cadastrados.”

             Uma bela ferramenta para todos nós que lemos, escrevemos ou só tomamos e apreciamos as coisas desta incrível vinosfera em que vivemos. O link já está aqui do lado.

Salute e kanimambo.

 

Novidades na Vinea Store

            Dos amigos da Vinea, mais uma novidade escolhida a dedo e com preços bastante acessíveis. Chegou a Viniterra, mais um produtor Argentino no bom portfolio desta loja/importadora parceira.

vinea-viniterra

Os preços podem variar, em função da presente instabilidade cambial, já que o lançamento foi em Outubro e eu não consegui espaço antes para dar as boas novas, porém creio que se mantêm apesar de não ter conseguido a confirmação. Bienvenidos.

Salute e kanimambo.

 

 

 

Reflexões do Fundo do Copo – A Trufa Branca e o Vinho

brenoNum Outubro de alguns anos atrás, escrevi que a trufa branca italiana é o investimento mais perigoso que alguém pode fazer na vida, mais perigoso do que caçar diamantes na África do Sul, mais ainda do que comercializar cocaína*. Tudo porque, a trufa branca vale em torno de €4000 o kg e se esvai em água, murchando, não apenas a aparência mas principalmente em perfume, 10% ao dia. Em cinco dias, não vale nem a diária do hotel em Alba ou em Volterra. Ou seja, quem joga na Bolsa de Valores nos dias de hoje, é muito mais conservador do que quem aposta suas fichas na trufa branca In Natura.

Diante de tal produto, valoroso e polêmico quanto o mais fino caviar, o mais delicado pistilo de açafrão, não dá medo indicar o vinho que o acompanha? Trufa branca fresca se come em lâminas com macarrão, polenta, ovo estalado na frigideira e não muito mais, pelo mesmo medo que dá ao escolher o vinho, pois um prato desses pode ser tão caro, que ai daquele molho que bancar o engraçadinho e desvirtuar a personalidade do dito cujo.

Em termos de harmonia conceitual, um elemento gastronômico desses é um perigo, adorado por uns tantos e odiado por multidões. Afirmo que não deve ser compartilhado por um vinho cinzento, sem personalidade. Mas não pode também ser daquele tipo de vinho que quer mandar no pedaço, jogar para escanteio todos os outros componentes presentes. Portanto, antes de considerar as características da trufa, noves fora, excluímos mais ou menos 80% dos vinhos do mercado; os pesados demais, que estão cheios de madeira para dar, os que estão cheios de fruta em compota para dominar, os onanísticos, que se bastam e os sem personalidade, aqueles que você não sabe nada sobre eles e jamais vai saber, porque eles são filhos de misturas solteiras e grandes produções.

O Juscelino do Piselli, no seu festival de trufas deste ano, faz o que muitos fazem – botou logo um Barolo no casamento, que é para garantir uma saraivada de expressões de admiração, no prato e na taça! A acreditar no site italiano www.vinoinrete.it , o cliente dele corre o risco de pagar um mico – aliás bem caro, por conta do preço do sólido e do líquido. Para este site, a sugestão de harmonização é clara e transparente, tem que ser um vinho que tenha buquê intenso e persistente, porém pouca estrutura, o que não é o caso.

Depois de passear por uns vinhos como um Rosso Conero, um Dolcetto delle Langhe, acaba caindo nos braços de um espumante seco da Franciacorta. Grandes vinhos tintos, estruturados e de guarda, vão bem apenas quando a trufa é acompanhada de um esconde-defeitos, como são os queijos de ralar…Os amigos Mauro Maia e Marcelo Copello, comprovaram isso, ao tentar harmonizar trufas no Supra, como relata artigo sobre o assunto, na revista Adega. 4 vinhos potentes e caros, Borgonha, Barbaresco, Rioja, e um excelente vinho andino para arrematar. Salvaram-se todos mas só na hora do queijo!

Minha ousadia cresce quando, no site http://www.nove.firenze.it,  leio o resultado de uma disputa que houve em San Giovani D’Asso, no ano de 2006, entre 7 DOCG toscanos para saber qual deles harmonizava melhor com o dito nobre tubérculo subterrâneo. Brunello de C.Banfi, Carmignano Tenuta di Capezzana, chianti Donatella Colombini, Podere Terreno, Vernaccia di San Gimignano… “A Dama Branca dá Xeque Mate na Rainha Tinta e chega ao trono da sua majestade, a trufa branca (que em italiano é tartufo – ou seja – masculino). É a Vernaccia o seu melhor acompanhamento.”

Quinze caras votaram, com certeza interessados em garantir a sempre presente supremacia dos tintos. E quem ganhou foi um branco gastronômico. E qual é a moral da história? É a mesma de sempre, siga a sua vontade, não tenha medo de errar e parta de qualquer lugar, menos daquele chamado “preconceito”.

Breno Raigorodsky; filósofo, publicitário, sommelier e juiz de vinho internacional FISAR

Brasil, Vinhos que Tomei e Recomendo – I

Ao longo dos tempos tenho tomado diversos vinhos brasileiros. Aliás, nos idos de oitenta não havia muitas opções, ou era isso ou tinha-se que ter o bolso bem recheado pois os importados eram caríssimos. Hoje existem muito mais opções no mercado, mas sempre tento provar os nossos nacionais e tenho visto um enorme salto de qualidade no produto. Acho que a nível comercial ainda há muito o que fazer já que é difícil encontrar os produtos, exceção feita a umas três ou quatro vinícolas maiores, nos diversos pontos de venda. O próprio consumidor conhece pouco de nossos produtos o qual olha com certo preconceito baseado em más experiências de anos anteriores. Por outro lado, em um ano de atividade tive somente um convite para degustação de vinhos brasileiros, a Cordilheira de Santa’Ana, a qual comentarei mais adiante, enquanto não tenho dedos para contar todos os convites que recebi de diversas importadoras. Isto, obviamente, reduz o nível do garimpo, conhecimento e capacidade de divulgação.

Por sinal foi incrível o baixo retorno das vinícolas, a grande maioria sequer se dignou a responder aos e-mails enviados, quando lhes informei do painel sobre vinhos brasileiros que estava realizando. Nada contra, ninguém precisa me atender e isto não é uma reclamação ou desabafo, cada um age da forma que acha devida e há que se respeitar isso, somente uma constatação de que o trabalho de pesquisa e garimpo certamente ficam prejudicados e esta ausência de informações, de acordo com conversas com diversos outros atuantes na área, parece ser uma característica do setor. Ou seja, o que quero externar, é minha opinião sincera de que grande parte das vinícolas brasileiras, obviamente que existem exceções e falo de forma genérica, são vitimas de seus próprios erros na ausência de uma política adequada de divulgação e distribuição. Num mercado competitivo que nem o Brasil, entre os quatro principais no mundo em termos de diversidade, com cerca de 18.000 rótulos só de importados, quem ficar sentado na vinícola esperando o cliente chegar ………

Enfim, o problema é mesmo dos produtores, não nosso e já dei palpite demais sobre esse assunto. Como consumidores o que queremos é tomar bons vinhos com bons preços e ter uma certa facilidade de acesso aos rótulos que mais gostamos. Nesse sentido, creio poder lhes sugerir alguns rótulos bastante interessantes, uns mais conhecidos, outros menos, baseado em minha experiência. Começo pelos mais baratos, como sempre faço, lembrando que as safras de 2002, 2004 e 2005 foram muito boas e são uma boa pedida para se procurar nas lojas, especialmente a 2005. Quanto aos vinhos brancos, melhor tomar o mais jovem possível e a safra de 2008 tem apresentado bons produtos.

 

Até R$30,00 uma série de vinhos que não têm a intenção de serem grandes, mas que são muito bons para o dia-a-dia e estão prontos a beber.

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  • A Miolo tem uma linha bastante grande de produtos, mas dentro desta faixa de preços os que mais me entusiasmaram foram o Miolo Reserva Merlot os Fortaleza do Seival Tempranillo e o branco Pinot Grigio. Uma ressalva, o Tempranillo 2005 estava muito bom porém não tenho tido boas informações sobre o 2006 então a safra é importante.
  • Marson Reserva Cabernet Sauvignon é um outro vinho de grande relação custo x beneficio que surpreende por suas qualidades com taninos finos e elegantes, muito harmônico, copro médio e saboroso passando seis meses em barrica de carvalho americano e mais seis meses em garrafa nas caves, uma bela pedida.
  • Marco Luigi Merlot, mais uma prova de que a nossa principal uva é a Merlot com bons produtos nesta faixa de preços e alguns ótimos em faixas acima. Um vinho muito redondo, equilibrado, boa fruta madura, boa acidez, muito apetecível com taninos macios e agradável final de boca.
  • Fausto Rosé da Pizzato, um rosé de merlot muito frutado, boa acidez, bem refrescante que acompanha muito bem comidas leves como um peru à Califórnia.
  • Adolfo Lona corte de Merlot/Cabernet 2004, um vinho diferente e bastante interessante com um nariz muito floral e intenso que assusta num primeiro momento mas que se encontra bem resolvido na boca com taninos doces, redondo e saboroso.
  • Cordelier Merlot, existe o reserva elaborado com uvas selecionadas, sem passagem por madeira e mais tempo de cave, e o básico com somente uns 4 meses de cave antes de ser lançado ao mercado e que vem acondicionado em uma garrafa que imita garrafa envelhecida. Os dois são bons, mas eu curto mesmo é o da garrafa envelhecida que tem uns aromas e paladar bem marcantes e uma ótima pedida pelo preço em torno de R$15 a 17,00, apesar de que o Reserva não fica atrás e pouco mais custa.
  • Rio Sol, um vinho surpreendente e, apesar de ser o mais barato da linha com preço ao redor de 20 Reais, é um dos meus preferidos. Corte de Cabernet Sauvignon com Syrah, é um vinho muito equilibrado, harmônico e saboroso que substitui amplamente a grande maioria dos vinhos nesta faixa trazidos do Chile e da Argentina.
  • Angheben Barbera 2007, provei ontem e é realmente uma grande pedida nesta faixa de preços, mostrando bom equilíbrio, taninos macios, médio corpo, redondo e muito agradável de tomar. O Touriga Nacional de que falam tanto não me conveceu e é bem mais caro.
  • Aurora Varietal Cabernet  Sauvignon e Merlot, são dois vinhos para aqueles dias de caixa baixo, já que estão abaixo do 20 Reais, mas que não negam fogo. São corretos, ligeiros, fáceis de beber e bastante agradáveis sendo ótima companhia para um belo sanduba de fim de semana, um caldo verde ou uma carne grelhada não muito condimentada.
  • Salton Volpi. Quero finalizar com esta linha de produtos da Salton que acredito ser uma das melhores, se não a melhor relação Qualidade x Preço x Satisfação no mercado. A Salton também possui uma linha mais barata, a Classic, que é correta, ligeira mas não me encanta. Já a linha Volpi recomendo sem pestanejar, especialmente o Merlot que é sempre muito bom, de taninos doces e sedosos num corpo médio, muito saboroso e de média persistência, um dos bons merlots nacionais e uma aposta certeira nesta faixa de preços, e os Pinot Noir e Sauvignon Blanc que tive o grato prazer de provar ontem. O Pinot 07 está em outra faixa de preços, falo depois, mas o Sauvignon Blanc 08 me encantou e conquistou desde a primeira fungada na taça! Surpreendente porque, apesar de ter alguns vinhos brancos nacionais de que gosto são poucos os que realmente me encantaram e este é uma delicia. Com baixo teor de álcool (11.9º), muito balanceado, nariz intenso em que aprece uma goiaba branca muito presente, e olha que meu nariz é meio fraquinho, frutado na boca, muito boa acidez o que o torna fresco, agradável e fácil de tomar deixando na boca aquele gostinho de quero mais.
  • Casa Valduga Premium. Esta linha possui vinhos de muita qualidade, porém com somente um rótulo que conheço e que cabe nesta faixa de preços, sendo um dos outros brancos nacionais de que gosto muito. É o Gewurtzraminer, que apresenta muita tipicidade com aqueles aromas florais e lichia, muito saboroso e ótima companhia para pratos orientais apimentados como curry de frango ou camarão.

É isso gente, conforme for dando vou publicando a seqüência dos posts sobre o Brasil já que ainda existe muito por falar e começo a receber novas e interessantes informações. Um abraço, bom fim de semana e amanhã tem a Coluna do Breno, depois no Domingo novidades, oportunidades e eventos. Volto na segunda-feira, Salute e kanimambo.

Kanimambo Especial

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Na segunda-feira publico o post sobre a confraternização de aniversario que fizemos no Villa, mas hoje e sem demoras, um enorme Kanimambo; aos amigos que estiveram presentes, aos que por diversos motivos não puderam estar, aos patrocinadores e parceiros que nos ajudaram desde o primeiro dia da coluna e sem os quais não chegaríamos até aqui, aos que chegaram agora e apoiaram sobremaneira o evento tornando-o viável, aos felizardos ganhadores, que aproveitem com sabedoria os doces néctares, aos amigos de longe que vieram de Campinas e Rio de Janeiro, aos mestres que se fizeram presentes e me deixaram especialmente feliz, á família que agüenta e participa, aos amigos que apóiam este projeto, a todos os leitores que participaram mas não puderam estar presentes, enfim, a todos aqueles que acreditam na desmistificação e democratização do mundo do vinho.

Começamos pelo jornal Planeta Morumbi, embrião de tudo, e chegamos no blog, que nada mais é do que a revista diária da coluna só que com outra dinâmica e maior alcance, razão pela qual vai aqui um kanimambo muito especial para o Henrique Farina, o editor do jornal e co-aniversariante. Salute, um brinde a todos vocês leitores da coluna e aos assíduos leitores de Falando de Vinhos espalhados pelo Brasil afora e alguns países ao redor do mundo, que fazem com que este blog siga crescendo mês a mês.

A imagem é do envelope lacrado que cada um dos sorteados recebeu com seu prêmio. Nele, duas citações que exemplificam bem o meu pensamento e a linha de trabalho que sigo. Mais que o pequeno detalhe que pode, eventualmente, fazer a diferença, o importante é a satisfação obtida, as emoções despertadas e o caráter e personalidade que só um vinho diferenciado, não necessariamente caro, pode nos dar. Os vinhos escolhidos para os prêmios são uma mostra desta premissa e deste conceito, e espero que consigamos seguir garimpando bons néctares a bons preços para poder compartilhar com os amigos por vários anos mais.

Salute e kanimambo.

Vinoteca e Muito Mais no Empório Santa Maria!

Muito já foi falado e mostrado sobre um novo brinquedo, Enomatic,no mais recente parque de diversões para os amantes do vinho em São Paulo, a Vinoteca Santa Maria. Um equipamento que tem a capacidade manter garrafas de vinho na temperatura adequada e em boas condições depois de abertas por prazos de até 30 dias, apesar de isso muito raramente ocorrer! Desenvolvida para o serviço de vinho e taças em restaurantes, vinotecas, wine bars e estabelecimentos similares, o equipamento está sendo trazido ao Brasil, com exclusividade, pelo pessoal da Saint Marche, novos proprietários do Empório Santa Maria aqui nos jardins, em São Paulo. Da forma com que o novo espaço da Vinoteca Santa Maria foi montado, existe uma disponibilidade para oito rótulos brancos e 40 de tintos o que faz a festa de qualquer apreciador de bons vinhos. Insere-se um cartão magnético no equipamento e, automaticamente ele fornece o preço de cada vinho por tamanho de dose. Existe a dose degustação de 30ml, a de 60ml e a tradicional de 120ml, o bastante para matar a vontade sem grandes rombos no orçamento. Conforme se vai consumindo o cartão vai somando a despesa e totalizando, existindo, desta forma, um total controle dos gastos. Pelo que me foi passado, no futuro existirá também uma versão de cartão pré-pago para os mais descontrolados. rsrs

Tem de tudo, vinhos novos, vinhos de guarda, do novo mundo, do velho, clássicos, enfim um pouco de cada estilo de vinhos disponível no mercado. Dá para curtir alguns vinhos interessantes sem gastar muito, até porque os preços são bem comedidos devido a uma política de margens bastante honesta e justa, podendo matar nossa vontade de grandes vinhos por uma pequena parcela do preço de uma garrafa. Veja só esta lista como referência e uma idéia do que se poderá encontrar por lá, lembrando que os rótulos podem, e certamente irão, variar um pouco. Tem Barolo, Brunello, Chablis, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Malbec, Bordeaux, Pinot Noir, uma seleção de belos vinhos a escolher, veja só algumas dicas indicativas lembrando que preços e rótulos podem diferir, até em função das eventuais altas de preço em função do Dólar, porém a qualidade dos vinhos disponíveis será sempre nesse patamar;

 

Vinho e Safra

País

30ml R$

60ml R$

120ml R$

Pêra Manca 06 Branco

Portugal

7

14

28

Cloudy Bay 04 Branco

Nova Zelândia

5

10

20

Peter Lehman Riesling 06 Branco

Austrália

4

8

15

Achaval Ferrer Malbec 06

Argentina

4

8

15

Don Melchor 04

Chile

13

26

52

Tabali Reserva Especial 06

Chile

3

6

12

Marques de Murrieta Res. 02

Espanha

6

11

23

Chateau La Nerthe Chateauneuf du Pape 02

França

9

18

36

Il Bruciato 05

Itália

5

10

20

Casanova di Neri Brunello di Montalcino 02

Itália

13

26

52

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 05

Portugal

6

12

24

 

Se em qualquer restaurantezinho, vinho a taça tipo Gato Preto é servido fora de temperatura, em taças duvidosas e custa entre R$8 a 14, dá para entender o quão excelente é essa relação de qualidade x preço x prazer! Veja como usar:

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A Vinoteca tem um buffet muito bom no almoço, a la carte no jantar, o que faz com que a diversão aumente de intensidade com a possibilidade de se brincar de harmonizar de uma forma dez, sem gastar muito só usando doses de 30ml e combinando com os vários deliciosos pratos disponíveis. Mais, se for em mais de uma pessoa, cada um pode brincar do seu jeito! Por isso chamo este local de um verdadeiro playground, não é só a maquina, é o que ela proporciona de opções. Mas o lugar não é só a Vinoteca e a Enomatic. Tem uma incrível loja da Expand com uma vasta coleção de rótulos e grande diversidade tanto de produtos como de preços, tem um supermercado gourmet de primeira, totalmente reformulado, bonito e repleto de gostosuras, tem um café, tem uma padaria genial, um setor de frios e queijos excepcional, mais um setor de vinhos de boa diversidade e bons preços, enfim, uma “armadilha” enogastrônomica de lamber os beiços sem contar o serviço de primeira, gentil e eficiente com valet service gratuito.

Estive lá há alguns dias e olhem só o que descobri na gôndola de vinhos: Espumante Marson Brut por R$28,00 muito bom e imperdível pelo preço / Tribu Pinot Noir R$23,00 da Trivento, mais uma vinícola do grupo Concha Y Toro, surpreendente pelo preço / Norton Malbec DOC 05 por míseros R$28,50 / Amado Sur um inusitado corte argentino de Malbec, Bonarda e Syrah de médio corpo e muito saboroso por apenas R$45,00 e um magnífico Chateau La Nerthe Chateauneuf-du-Pape de R$209,00 por 167,20 um achado  e uma ótima compra para quem tem o bolso um pouco mais recheado.

Com esta disponibilidade, preços e diversidade de produtos e rótulos, tinha que o incluir em nossa categoria de “Amigos do Vinho”. Enfim, um ótimo lugar que recomendo aos amigos e, quem sabe, não nos encontramos por lá uma hora dessas? Salute e kanimambo.

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Brasil, Regiões Produtoras – I

Bem, cá vamos nós para mais uma volta por nossa vinosfera nacional. Antes de iniciar falando sobre as regiões, vejam alguns números adicionais que consegui obter. Estamos hoje com cerca de 90 mil hectares de vinhas plantadas para elaboração de vinhos e derivados, gerando cerca de 570 milhões de quilos de uvas diversas. Deste volume, a Wines from Brazil estima que cerca de 10.000 hectares se destinam ao cultivo de Vitis Vinifera para produção de vinhos finos. Nestas vinhas, algumas cepas aparecem com destaque especialmente a Cabernet Sauvignon e Merlot. De qualquer forma, me absterei de falar muito mais de números porque as fontes são poucas e as informações muito pouco claras quando não incongruentes. Assim que der tentarei me aprofundar mais nessa pesquisa.

 

Rio Grande do Sul é a mais importante região produtora de vinhos no Brasil e a mais organizada do ponto de vista de daos e informações. O embrião de tudo e a mais antiga, sendo responsável por cerca de 90% do total de vinhos produzidos no país, apesar de que acho que este número deva estar defasado. São três sub-regiões; A Serra Gaúcha que inclui entre outras sub-regiões e mais conhecida, única com Indicação de Procedência, o Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves (Bento Gonçalves, Garibaldi, Monte Belo), a Campanha Gaúcha (Santana do Livramento, Lavras, Alegrete, São Miguel e Candiota) na fronteira com o Uruguai e Serras do Sudeste (Pinheiro Machado e Encruzilhada do Sul). Na Serra Gaúcha, afora o Vale dos Vinhedos, outras áreas estão em processo de avaliação para instituir a denominação de Indicação de Procedência. São elas, de acordo com o site do vinho brasileiro (link aqui do lado), Vinhos de Montanha (Pinto Bandeira), Altos Montes (Flores da Cunha e Nova Pádua) e Monte Belo do Sul.

A Serra Gaúcha detém algo ao redor de 310 produtores dos quais os mais importantes são a Miolo, Casa Valduga, Lídio Carraro, Marco Luigi, Pizzato, Dal Pizzol, Cordelier, Boscato, Don Laurindo, Salton, Marson e Don Candido entre outras. Na verdade, existem mesmo cerca de umas 40 a 50 que realmente possuem alguma presença significativa no mercado. Solo ácido e arenoso, alto índice pluviométrico que, ainda por cima, atinge as vinhas no período de amadurecimento e na época da colheita forçando o produtor, muitas vezes, a colher a uva antes do tempo, não são as melhores condições climáticas para produção de vinhos de qualidade. Por outro lado, esta alta acidez e baixo teor de álcool decorrentes da colheita antecipada, são ótimas para a produção de bons espumantes que requerem grande frescor. Saul Galvão destaca que essas são condições similares às encontradas em Champagne onde os vinhos tranqüilos não são grande coisa, mas geram maravilhosos espumantes.

As principais uvas são Merlot e Cabernet Sauvignon. Como coadjuvantes vemos Cabernet Franc (em declínio) sendo seguida por cepas que vêm ganhando bastante espaço como a Tannat, Egiodola, Ancelota, Marselan, Tempranillo e Malbec entre as tintas. Nas brancas, a Moscato é a principal e usada na elaboração de delicioso vinhos espumantes, a Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling Itálico e Gewurtzraminer  com alguns pequenos lotes de diversas outras cepas. Apesar das dificuldades climáticas e de solo, os produtores vêm investindo forte nos vinhedos, em tecnologia, em conhecimento e desenvolvimento de novos produtos buscando seu lugar ao sol num mercado cada vez mais competitivo. Como poderemos ver mais á frente nos posts que virão com vinhos que Tomei e Recomendo, tanto em varietais como em cortes, a região tem produzido vinhos de muito boa qualidade com preços bastante competitivos exceção feita a alguns rótulos bastante caros. De qualquer forma, são ótimas opções a uma série de vinhos estrangeiros de origem afamada, porém de qualidade duvidosa.

É desta região também, que saem os melhores espumantes nacionais entre eles o Excelence de Chandon, Salton Evidence e Salton Ouro Brut, Miolo Millesime, Valduga 130, Valduga Premium Prosecco, Dal Pizzol Brut Champenoise e o Dal Pizzol Rosé, Pizzato Brut, Marco Luigi Reserva da Família Brut 06 e o excelente Moscatel, Marson Brut e outros muito conceituados, mas não provados, como os da Cave Geisse, Peterlongo, Don Candido, Aurora, etc. O que não faltam são rótulos de qualidade e adequados a cada momento e cada bolso, com mais ou menos complexidade. Pelo que tenho provado, lido e escutado, creio que posso afirmar que somos hoje a quarta maior força mundial na produção de espumantes de qualidade ficando atrás somente da França, Itália e Espanha.

A Campanha Gaúcha acompanha quase que toda a fronteira com o Uruguai e teve como pioneira a Vinícola Almadén em Santana de Livramento. Os investimentos que chegam para esta região são em grandes propriedades diferentemente da Serra Gaúcha que tem como peculiaridade as pequenas propriedades. É uma região mais fria com menor índice pluviométrico, apesar de ainda bem considerável para o cultivo de Vitis Vinífera. A topografia também ajuda na produtividade em função de ser plana, possibilitando a mecanização das lavouras. As uvas são todas nobres entre elas as principais são a Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Tempranillo e Touriga Nacional nas tintas e nas brancas a Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, Trebbiano, Semillon e Chenin Blanc. A Miolo com o projeto de Quintas do Seival e Fortaleza do Seival, é uma das principais vinícolas ativas na região. Eu gosto muito dos produtos da Cordilheira de Santa’Ana produzidos em Paloma na região de Santana do Livramento. Têm uma personalidade muito própria, creio que muito a ver com o terroir, produzindo dois brancos muito bons; o Gewurtzraminer e o Chardonnay assim como um bom Tannat que leva um corte de 15% de Merlot para amaciá-lo. O Cabernet Sauvignon também agrada bastante.

A Salton parece que também esta investindo na região que demonstra grande potencial de desenvolvimento. De acordo com Rosana Wagner, da Cordilheira, não existem números oficiais, porém aparentemente já são cerca de 1125 hectares de novos vinhedos. Uma região a ser acompanhada e provada de perto apesar do número de vinícolas ainda ser pequeno, algo ao redor de uma meia dúzia.

Serra do Sudeste, mais uma região nova de poucos players, ainda. Com condições climáticas similares ás de Campanha, mas mais ondulada e solo granítico. Lídio Carraro é um dos pioneiros da região, assim como o inventivo Tormentas. Angheben, Casa Valduga, Chandon, De Lantier e Aliança são outras vinícolas investindo nesta nova  e promissora região. Parece ser uma região aberta à experimentação com o plantio de cepas menos tradicionais como Teroldego, Castelão (piriquita), Barbera e Alicante Bouschet entre as já tradicionais castas tintas.  De acordo com o Saul Galvão, um dos melhores brancos nacionais que ele já tomou veio daqui e era um Gewurtzraminer, conseqüentemente vamos ficar de olho. Tenho ouvido falar muito do Barbera da Angheben, por exemplo, então há que provar os vinhos vindo destas novas fronteiras vinícolas.

Campos de Cima. Fiquei na duvida se mencionava esta sub-região já que a produção é pequena e praticamente se restringe a um projeto do empresário Raul Randon com a Miolo que gera o vinho RAR e algo de Marco Danielle, o mesmo do Tormentas, com a Vinha Solo. Pouco mais consegui encontrar sobre esta parte mais alta da Serra Gaúcha que inclui cidades como Muitos Capões, Vacaria, Cambará do Sul e Jaquirama a cerca de 1000 metros de altitude. Para efeito de localização, ali perto de Canela e Gramado. Bem como estava no mapa do Site do Vinho Brasileiro, agora está aqui o que consegui descobrir sobre este pedaço da Serra Gaúcha.

  Por enquanto é só meus amigos, na próximo post sobre as regiões produtoras, falarei sobre Santa Catarina e os vinhos de altitude originários de vinhedos plantados entre 900 a 1400 metros.

Salute e kanimambo.