João Filipe Clemente

ViniPortugal II – O Jantar!

            Depois de uma primeira parte em que degustamos vinhos de grande qualidade, eis-nos chegando no jantar que, como já havia dito no post anterior, foi de lamber os beiços, a começar por aqueles acepipes que a incrível chef Helena Rizzo (Restaurante Mani), nos serviu para acompanhar o delicioso espumante da Filipa Pato, o 3b; Raviólis de manga com queijo de cabra, espetinhos de polvo com batata confitada e terrine de foie gras com galletas de uva assa, um mais gostoso que o outro! Mas era só o inicio de uma noite inesquecível repleta de gostosuras!

 

Entrada – Brandade de Bacalhau com geléia de pimentões e azeite de azeitonas pretas. Yummy! Para harmonizar, um Redoma Branco Reserva 05 muito elogiado pela critica especializada, mas que a meu ver, talvez pela harmonização, não se saiu tão bem. O vinho é muito bom, muito complexo, mas é um vinho já com um certo peso que se sobrepôs à delicadeza da Brandade de forma muito impositiva. Preferiria ter visto o Alvarinho aqui, creio que seria a harmonização, para o meu gosto, perfeita. Um exemplo claro de que harmonização é algo bem particular.

 

 

Primeiro Prato – Carne de Sol à Brás com palha de mandioquinha e azeite de coentros. Delicioso prato que teve o acompanhamento de um bi-varietal Touriga Nacional/Pinot Noir 2004 da Casa Santos Lima elaborado na região da Estremadura. Um clássico exemplo da arte de harmonizar. Sozinho o vinho era bom, mas não encantava, com a comida no entanto, foi um casamento perfeito tendo ambos – prato e vinho – crescido muitissímo.

 

Segundo Prato – um verdadeiro êxtase, uma explosão de sabores e harmonização difíceis de esquecer. Um divino Magret de Pato cozido em baixa temperatura com manga e rosas devidamente escoltado por um soberbo Zambujeiro 03 uma das mais recentes estrelas do Alentejo. Um vinho de muita qualidade, um complexo corte de Touriga Nacional, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Trincadeira de grande intensidade aromática, encorpado, denso e de grande concentração, potente com 15º de álcool, porém muito equilibrado de taninos doces e aveludados, um vinhaço! Teoricamente, este encorpado vinho deveria matar a delicadeza do prato, mas não! Para minha enorme surpresa, ambos se complementaram de forma absolutamente maravilhosa.

Fizemos, eu e o Álvaro Galvão, um teste meio aventureiro, fomos buscar no fundo da garrafa, um restinho do Moscatel Roxo 97 que haviamos degustado antes. Algo totalmente diferente e muito prazeroso. Não sei se acompanharia a refeicão inteira, mas foi uma harmonização muito especial e extremamente rica.

 

Sobremesa – Sorvete de gemas com espuma de côco e coquinhos crocantes, delicadeza e sabor que se completaram com um excelente, objeto constante de desejo meu, Madeira Justino Old Terrantez, um vinho da Madeira elaborado com esta cepa (terrantez) quase em extinção. Uma maravilha, após o qual me levantei e beijei a careca, com todo o respeito mestre, do Dr. Mário Telles Jr. sob a batuta de quem ficou a escolha dos vinhos que tomamos, afora seus primorosos comentários que são sempre fonte de grande aprendizado.

 

Uma noite única, um enorme privilégio que recebi como um prêmio pelo trabalho que Falando de Vinhos fez ao longo deste primeiro ano de vida, tanto nas colunas dos jornais como deste blog. Uma noite comprovando a excelente qualidade e versatilidade dos vinhos portugueses, das diversas regiões e da capacidade de todos aqueles que se envolveram no evento; da ViniPortugal, da ICEP, do Consulado, da Fernanda Fonseca (Propop), da Chef Helena Rizzo e equipe do Mani (valeu Felipe) enfim, uma mostra do grande potencial vinícola de Portugal, tanto nas gamas mais baixas como nos grandes néctares. Não existem mais duvidas, nasceu uma nova estrela nesse competitivo mundo dos produtores de vinho e, como já disse a Wine Spectator, Portugal é a bola da vez!

Salute e kanimambo.

ViniPortugal I – A Degustação

Uma das maiores experiências de minha curta, porém intensa, vida enófila e certamente uma que persistirá na memória por muitos anos. Mas o que é a ViniPortugal e que encontro foi esse?

 

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A ViniPortugal foi criada em 1997 tendo como objetivo principal a divulgação e promoção dos vinhos, aguardente e vinagres portugueses tanto no mercado internacional como no âmbito interno. Na parte internacional, mantém estreita colaboração com o ICEP (Instituto de Comércio Externo de Portugal) tanto através da estrutura externa que esta mantém em mais de 50 localidades no exterior, como através das próprias embaixadas quando necessário. Seu site, com link aqui do lado, tem importantes e detalhadas informações sobre a viticultura em Portugal, informações estas de grande interesse para os enófilos de plantão, especialmente para quem quer aprofundar seus conhecimentos sobre os vinhos, regiões e cepas portuguesas. Para quem curte o enoturismo, nada como entrar na seção Rota dos Vinhos, e viajar pelas diversas regiões produtoras. Incrível como um país tão pequeno pode ter tamanha diversidade, numero de regiões e cepas autóctones!

Dentro as diversas atividades pelo mundo afora, a promoção de eventos e provas junto a membros da imprensa especializada, formadores de opinião e consumidores finais, é uma das principais. No final do ano passado tive o enorme privilégio de ter sido convidado a participar de um de seus eventos, desta feita realizado nas dependências do Consulado em São Paulo. Um bota-fora para 2008 em grande estilo e regado com algumas preciosidades, exemplo do que melhor se faz em Portugal nos dias de hoje. Divinamente organizado pela Fernanda Fonseca (Propop Comunicação e Marketing) o evento se dividiu em duas partes. Na primeira degustamos diversos néctares escolhidos e comentados por um mestre no assunto o; médico, enófilo, critico, diretor da ABS e editor da Revista Wine, Dr. Mário Telles Jr. Na segunda parte, ainda sob a batuta do mestre, um magnífico jantar servido pelo restaurante Mani com a presença da mui competente Chef Helena Rizzo que rivalizou par a par com os néctares servidos. Uma grande noite com vinhos e comidas deliciosas, uma verdadeira esbórnia (não, não é palavrão) enogastronômica.

 

Começo pelo 3b de Filipa Pato que acompanhou acepipes dos mais diversos, todos absolutamente saborosissímos. Foi meu primeiro contato com este espumante que surpreendeu por seu incrível frescor, estrutura e elegância, mostrando boa textura e uma cor levemente salmonada em função da cepa baga. Seduziu-me ao primeiro gole e foi, certamente, um dos espumantes mais agradáveis que tive a oportunidade de provar em 2008, tanto que tenho algumas garrafas na adega.

 

 

Morgadio da Torre Alvarinho 07 – Muita fruta tropical e aromas sutis, algo florais. Cremoso, muito balanceado, ótima acidez bem típico dos vinhos verdes, longa persistência um belo Alvarinho que agradou sobremaneira.

 

 

Quinta do Corujão Grande Escolha 04, um Dão nobre, rubi escuro, complexo, untuoso de boa acidez e taninos finos macios e elegantes mostrando muito boa concentração e estrutura. Já pronto, mas acredito que melhorará muito ainda nos próximos dois para três anos.

 

 

Paulo Laureano Alicante Bouschet 05, um digno representante do Alentejo. Potente, vinho de grande estrutura e ainda bastante fechado mostrando que tem alguns bons anos pela frente antes de atingir seu ápice. Muito rico, denso, macio com álcool ao redor de 14.5º porém equacionado e em equilíbrio, madeira ainda presente e taninos aveludados ainda bem presentes. Um grande vinho que precisa de tempo, bota tempo nisso, para se mostrar.

 

 

Lagoalva de Cima Syrah 05, da região do Ribatejo. Balsâmico, algo terroso, álcool presente no nariz. Na boca é especiado, algo apimentado, copo médio, boa acidez, um vinho que demanda comida. Não deixa de ser um bom vinho, mas não me cativou.

 

 

Quinta do Crasto Touriga Nacional 05, mais uma criança! Um ícone desta Quinta e um dos melhores varietais produzidos com esta nobre cepa portuguesa. Linda cor rubi com toques violáceos, nariz intenso onde aparecem violetas e frutas negras, especiarias tudo em uma enorme complexidade de aromas. Um vinho excepcional que já mostra grande equilíbrio e elegância, muito saboroso com uma textura muito especial e extremamente longo. Quisera poder comprar uma garrafa ou duas e esperar mais uma meia dúzia de anos para me deliciar com este verdadeiro néctar!

 

 

 

Moscatel de Setúbal Roxo 1997 da Quinta da Bacalhoa. Foi um dos meus entronados como Deuses do Olimpo 2008, um estupendo e impressionante vinho! Já me referi a ele anteriormente e, se há vinhos que não se sabe se cheiramos ou bebemos, existe agora uma outra categoria, a dos vinhos para serem lambidos! Absolutamente genial, um vinho doce fortificado, muito cremoso e absolutamente equilibrado entre seu nível de doçura e acidez. MARAVILHA!

        

          Você acha que terminou? Que nada, agora começamos o maravilhoso jantar servido pelo Mani e tenho que tirar o chapéu para esta incrível chef! Que comida maravilhosa e que belos vinhos. Disso, no entanto, falaremos em um outro post, este já está longo demais.

Salute e Kanimambo.

Comemorando (mais um) Aniversário.

Cisplatino Torrontés 07, Chateauneuf-du-Pape 01 e para finalizar um Etchart Torrontés Late Harvest, eis os acompanhamentos de meu jantar de celebração de um ano do primeiro post deste blog, dia 17 de Dezembro. O bom é que não faltam desculpas nem momentos para me tratar bem. Ao longo do ano tenho o aniversário da coluna, do primeiro post, do blog, o meu (tá chegando), de casamento, dos filhos, Páscoa, Natal , Reveillon …. e por aí vai!

Um dos pratos que mais curto é Strogonoff de Filé ao qual agregamos meio cálice de aguardente velha, pode ser conhaque, quase ao final do preparo, antes de acrescentar o creme de leite. Fica divino e é um prato relativamente fácil de harmonizar como mais uma vez ficou comprovado neste gostoso jantar. Mas falemos dos vinhos que é por isso que você clicou aqui.

 

niver-blog-081 Cisplatino Torrontés 2007, um belo achado pelo preço. Um vinho de qualidade produzido pela Pisano/Uruguay e, em se tratando de uma gama de introdução á boa e extensa linha de rótulos desta vinícola. Vinho direto, franco de grande frescor e tipicidade da casta, um pouco quente o que sugere um teor de álcool um pouco alto. Não de grande complexidade, nem se propõe a isto, porém é muito agradável e com um saboroso final de boca, um vinho honesto e correto. Acompanhou bem a lula à doré com molho tártaro que servi para abrir o apetite. Quando o comprei por R$19,00 era uma grande pedida, hoje está por R$33,00 na Mistral. Uma pena!

 

 

Chateauneufu-du-Pape Domaine de La Charbonniere Cuvée Vieilles Vignes 2001. Fazia tempo que não apreciava um Chateauneuf-du-Pape em todo o seu esplendor. Tomei uns goles de um muito bom Chateau La Nerthe, lá na Vinoteca Santa Maria, e um Vieux Telègraphe Telegramme mas é diferente você tomar a garrafa. Calma, éramos três! Um belíssimo vinho que comprei nos Estados Unidos há uns três anos por cerca de USD30. Ótima estrutura, muito bem  equilibrado, grande complexidade aromática que se confirma na boca. Vinho carnoso, denso, boa fruta madura com toques de especiarias, muito boa estrutura e acidez, taninos macios e aveludados. É um clássico que demonstra muita classe e um final de boca algo mineral e muito longo. Quando perdeu temperatura o seu alto teor de álcool apareceu um pouco mas não chegou a incomodar. Pelo que vi não é importado, o que provavelmente o inviabilizaria á minha mesa, e já deixou saudade! Engrandeceu o prato tendo me deixado imensamente feliz.

 

 

Etchart Torrontés Late Harvest 2005, foi uma agradável companhia para uma salada de frutas com sorvete de creme, porém não chega a encantar. Para o meu gosto pessoal, carece de acidez o que o deixa um pouco doce demais, porém é bem feito, saboroso e fácil de tomar, boa intensidade aromática com forte presença floral e boa tipicidade da casta. Preço no mercado (Sampa) por volta de R$35 a 40,00.

 

Salute e kanimambo.

Qual a Isenção Para Trazer Vinhos na Bagagem? Versão Final (Mudou).

Não quis apagar o post abaixo, mas agora, em Agosto de 2010, a lei mudou. Veja como isto afeta você em >> http://falandodevinhos.wordpress.com/2010/08/12/atencao-mudou-a-lei/.

 

Apesar de já ter comentado este assunto em outras ocasiões, sigo recebendo consultas. No ultimo post em que tratei deste assunto, recebi um comentário muito elucidativo e definitivo sobre o tema. O Rafael é servidor da Receita e com todo o seu conhecimento fez este comentário que creio de tamanha importância para os amigos viajantes, que merecia um post especifico. É que comentários nem todos lêem então aqui está, para quem estiver de viagem marcada nestas férias, eis como devem proceder.

 

“A primeira informação que deve ser passada ao leitor do blog é de que a faixa de isenção varia em função do transporte utilizado pelo passageiro, em função da destinação dos produtos importados e se refere sempre à bagagem acompanhada:

 

– via aérea ou marítima: U$500,00

– terrestre, fluvial ou lacustre: U$ 300,00

– terrestre, fluvial ou lacustre em veículo militar: U$ 150,00

 

O vinho pode ou não ser incluído no conceito de bagagem, e portanto estará acobertado pela faixa de isenção, SE E SOMENTE SE for destinado para uso e consumo pessoal. Não é através do número de garrafas que aquele servidor que fizer a inspeção da bagagem terá como avaliar se aqueles produtos terão ou não destinação comercial. Não existe essa regra e acredito que nem mesmo poderá algum dia existir. Será possível catalogarmos todos os produtos passíveis de importação via bagagem e definirmos uma quantidade mínima e máxima de importação? Quantos produtos novos são lançados por dia no mercado? Essa definição é impossível e precisamos entender que não é somente de vinhos que se limita a bagagem dos viajantes, no trabalho de inspeção de bagagem acompanhada.

No exemplo que você mostrou, 12 garrafas podem ou não ser consideradas como de uso pessoal: por ex., quando o viajante traz consigo 12 garrafas idênticas, do mesmo vinho, posso afirmar com toda certeza que o enófilo estará concedendo ao servidor aduaneiro uma dúvida. Então, uma sugestão que faço é não trazer todas as garrafas do mesmo vinho. Varie, adquira vinhos de produtores diferentes, com rótulos distintos.  Também não leve documentos legais, textos de internet e etc. Os servidores da aduana são bem capacitados, trabalham com essa matéria no dia a dia e conhecem bem a legislação. Ao invés disso, carregue consigo qualquer documentação que comprove a sua profissão, o ramo de mercado em que você atua. Leve consigo seu contracheque, sua carteira de trabalho, o contrato social da sua empresa ou qualquer outro documento que possa comprovar que você não atua no ramo de bebidas, mas somente é um apreciador delas. Enfim, ofereça provas e argumentos ao servidor aduaneiro, de que você trouxe aquelas garrafas para consumo pessoal. Garanto que será melhor do que levar textos legais ou dicas de agências de viagens.

O recolhimento de impostos somente se dará se as compras ultrapassarem a faixa de isenção. O Imposto de Importação será calculado mediante a incidência da alíquota de 50% sobre o valor que ultrapassar o limite de isenção. Assim, se o viajante, através de vôo internacional, trouxer do exterior U$ 750,00 em vinhos e estes foram considerados como bagagem acompanhada, ou seja, para uso pessoal, o recolhimento será da ordem de U$ 125, convertidos para moeda nacional na data do recolhimento. Ou seja, será a aplicação da alíquota de 50% sobre o valor excedente ao limite de isenção.”

 

Bem meus amigos, agora acho que não existem mais duvidas sobre o assunto. A única recomendação que faço é que evitem trazer as garrafas dentro de suas malas pois o risco é muito grande, pela forma tosca com que elas são manuseadas nos aeroportos, e prefira despachá-las em caixas bem acondicionadas. Converse com a companhia aérea, algumas cobram por volume, pois mesmo que haja um pequeno custo adicional, certamente será bem mais barato que seu terno! Uma sugestão para aqueles que curtem trazer suas preciosidades de fora, é acondicionar de forma correta seus vinhos  e recomendo o uso de malas adequadas para o transporte de vinhos, há diversas no mercado ou, eventualmente, compre em sua viagem. 

Salute e kanimambo.

Noticias do Mundo do Vinho

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Taylor’s Porto Vintage e Barak Obama. Teoricamente nada a ver, porém um restaurante em Ontário (Canadá) inventou uma cápsula do tempo comemorativo à posse do novo presidente americano. Entre outros itens criteriosamente selecionados, um Quinta de Vargellas Porto Vintage 2005. A cápsula do tempo foi enterrada à porta do Aroma Mediterranean Restaurant, em Londres, na província de Ontário (Canadá), e será reaberta dentro de cem anos.  Juntamente com o Quinta de Vargellas 2005 será depositada uma carta com a história da emblemática e secular casa Taylor’s. Quer ver mais, clique no link da Blue Wine aqui do lado.

 

Monsaraz tinto 07 ganha Sabor do Ano 2009. Um dos meus achados deste ano incluído no meus Melhores de 2008 na faixa até R$30,00 acaba de ganhar um dos principais prêmios do mercado, a meu ver,porque é uma escolha baseada em degustação às cegas efetuada por consumidores portugueses. Fruto de um painel de provas que englobou 8.150 consumidores que realizaram no ano passado degustações cegas dos produtos concorrentes ao troféu Sabor do Ano, o vinho Monsaraz obteve uma nota média superior aos restantes produtos concorrentes.

         As provas são realizadas anualmente sob inteira coordenação da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e do Instituto Superior de Agronomia, submetendo os produtos à prova cega (sem conhecerem marca e embalagem do produto) de milhares de consumidores. O Monsaraz Tinto 2007 é proveniente da equilibrada junção das castas Trincadeira, Aragonês e Castelão e é fruto de dois lotes que estagiaram em carvalho português e em depósito. A importação é representada no Brasil pela Vinho Seleto com dados para contato disponíveis em Onde Comprar. Fonte, Blue Wine.

 

Best of Wine Tourism. As cidades de Cape Town (África do Sul), Bilbao-Rioja (Espanha), Bordeaux (França), Florença (Itália), Mainz (Alemanha), Mendoza (Argentina), Porto (Portugal) e San Francisco-Napa Valley (Estados Unidos) compõem a Great Wine Capitals do mundo que, pelo sexto ano consecutivo elegem os melhores do turismo viníco. Com 385 inscritos, em Novembro passado foram premiadas 8 vinícolas entre as quais duas conhecidas nossas; a Argentina Bodegas Salentein de Mendoza e os amigos da Quinta Nossa Senhora do Carmo de Portugal. Quer ver mais, clique aqui.

 

La Nieta, Rioja em todo o seu esplendor – O amigo Juan da Península, me informa que acabou de receber o La Nieta 2005, um dos melhores vinhos do planeta. Da região de Rioja, tem um “pedigree” de dar inveja e é para alguns poucos afortunados já que a alocação para o Brasil foi de poucas caixas. Vejam só as premiações que este vinho arrebatou:

  • Wine Enthusiast – Melhor vinho da Rioja com 97 pontos.
  • Guia Peñin, 96 pontos para a safra 2005 e 97 para a de 2006. Nesta última, foi considerado o melhor vinho de Rioja.
  • Guia Peñin 2009 – 2° melhor vinho Espanhol.
  • Robert Parker: 98 pontos na safra de 2004.
  • Guia Todo Vino – 3 lacres – um dos 23 melhores do ano 2008.

Eis a resenha de alguns “catadores” locais:

  • “Entrada fructuosa densa con cuerpo, equilibrio y taninos valientes con una ligera aspereza y la personalidad de un gran vino sigue el recuerdo de ahumados y nos lleva a un recorrido interminable, sublime es 2005 que encuentro superior al 2004”
  • “Hay de todo y siempre de la mejor calidad. A lo largo del tiempo que dura la cata, siempre se mantiene en las alturas. Al nivel de los mejores recuerdos olfativos que tengo, como L’Ermita 2001 o Lafite 2001. En boca, una experiencia superior. Equilibrio, armonía, una madurez increible. ¿Puede hablarse de “juventud madura”? ¿De “madurez juvenil”? Fresco y complejo al mismo tiempo. Muy envolvente. Larguísimo. Señorial. Incita a la reflexión.”
  • “Esta nieta me ha emocionado, que placentera es, que espectacular, evoca recuerdos que tenía dormidos (nuestro primer gran vino, la primera vez que descubrimos como recolectar frutas del bosque durante un paseo por él…), inspira momentos inolvidables, todo un PLACER. Tiene raza, es potencia a raudales, sus taninos domados y refinados, carnoso, elevada acidez que me hace segregar más saliva y le dará mucha mucha vida, largo, largo, largo y persistente, notas de mantequilla afloran cuando ya se ha retirado de mis labios y se aleja hacia el firmamento de cristal.”

Um vinho que desperta tamanhas sensações e emoções em quem o toma, tem que ser divino. Preço na Pensinsula, R$900,00. Aproveitando que vai fuçar no site, vi que o Hecula, mais um dos meus eleitos como Melhores de 2008, está com um preço imperdível de R$54,00 e tem mais; tem Códice, Alaia, Viña Sastre, Sierra Cantabria, Primicia, Rivola …….

 

Vinea Store – Em época de grandes promoções, a Vinea Store inova e cria seu Wine Day que promete ser muito especial. Ao fim e ao cabo são produtores de grande qualidade reunidos num só e aconchegante ambiente. Mesmo que não se compre, ter a oportunidade de degustar inúmeros vinhos de grande qualidade por apenas R$50,00, já é uma grande pedida. Recomendo a visita, mas corra porque o local não é grande e existe uma limitação de convites disponíveis. Quer ver mais e inscrever-se, então clique aqui.

 

Ibravin, este instituto contratou os serviços de uma empresa especializada para buscar dados e informações que possibilitassem a criação de um plano estratégico para 2009/2010.

       “Os resultados da pesquisa feita com 1.037 pessoas entre 18 e 69 anos em três capitais do País – Porto Alegre, São Paulo e Recife (uma lástima que não tenham incluído o importante mercado do Rio de Janeiro nesse estudo) – indicam que O crescimento do mercado de vinhos brasileiros passa por três ações principais: uma maior divulgação das suas características autênticas, a difusão dos seus benefícios à saúde e a democratização do consumo. O presidente do Ibravin, Denis Debiasi, disse que uma das maiores surpresas do levantamento foi o grau de desconhecimento dos canais de venda de vinhos e espumantes. “Imaginávamos que a falta de informações era só dos consumidores, mas não, a pesquisa demonstrou que temos de agir também junto ao varejo, pontos de venda e distribuidores”.

         O amplo estudo da Market Analysis aponta duas armas fundamentais para alavancar as vendas dos vinhos finos nacionais. A primeira é a realização de campanhas de propaganda junto aos consumidores para trabalhar a imagem do vinho brasileiro, ainda vítima de um preconceito que não condiz com a sua crescente qualidade e reconhecimento internacional, comprovado por mais de 1.700 premiações no mundo inteiro. A segunda é desmistificar e desglamourizar o consumo de vinho, afastando a idéia de que é uma bebida “para momentos especiais”. “Isso restringe o seu consumo”, observa Echegaray. A lenda de que “um bom vinho custa caro” e a alta carga tributária atrelada aos vinhos são os fatores que mais impactam, de forma negativa. Inovações nas embalagens (não apenas nos rótulos) e aumento na oferta do produto no varejo são outros dois fatores que reforçariam a força dos vinhos brasileiros perante os consumidores.

         Ato louvável e um passo importante na direção certa, porém acho que falar de “desmistificar e desglamourizar” e seguir com uma política de preços nas alturas, uma estratégia comercial e de distribuição incipiente e uma visão/gestão de negócio paroquial é uma incoerência  que em nada ajudará a industria nacional a sair do buraco onde ela se enfiou. Ao preço em que estão, os vinhos finos nacionais seguirão sendo, lamentavelmente, para “momentos especiais”! Por outro lado, basta ler a mídia especializada e, mais que tudo, os blogs nacionais que falam de vinho, para se ter a verdadeira dimensão do problema sem precisar se gastar nada para isso a não ser, talvez, a contratação de um serviço de clipping.

         Mais do que a mídia especializada, os blogs hoje existentes são a principal voz do mercado porque todos são consumidores apaixonados e há muito tempo que a maioria destaca e aponta os problemas e dificuldades dos vinhos nacionais no mercado, com total destaque e apoio para a grande melhora de qualidade, que só não vê quem não quer ou está demasiado focado no seu próprio umbigo. Ou será que essa imensa legião de “wine writers” e aficionados estão todos equivocados?

Salute e kanimambo

Reflexões do Fundo do Copo – A Tensão das Taças

breno2Mais um delicioso texto do amigo e colaborador de todos os sábados, Breno Raigorodsky. Para acessar seus textos anteriores, clique em Coluna do Breno, aqui do lado, na seção – Categorias

 

A bateria é composta de seis vinhos tintos, todos servidos em ordem desconhecida, de cepas desconhecidas,de processos desconhecidos, de origem desconhecida, tendo apenas como norte, o hemisfério sul. As taças são do tipo ISO, todas numeradas, do mesmo modo que as fichas respectivas. Os vinhos foram servidos cobertos por folha de alumínio, com dosador.

A água à disposição está em jarra, servindo em média, cada quatro degustadores. O pão cortado em cubinhos está acabando. As notas devem variar de um a cinco, sendo que os primeiros quatro pontos são referentes às avaliações sensoriais dos olhos, do nariz e da boca, sendo que o último ponto é livre para o nada técnico – mas decisivo – “gosto-não-gosto” absolutamente subjetivo.

A degustação vai se encaminhando para o fim.Treze pares de olhos, voltam-se famintos para o veredicto do mestre. Ele sabe mais, ele é o grande líder de grupo, com uma longa tradição em degustações. Além disso, ele conhece as fichas técnicas, foi ele que escolheu os vinhos que participaram da bateria.

 

A jovem funcionária da enoteca sabe que depende daquela avaliação para manter o seu emprego e o prestígio dentro do grupo.

 

O senhor, especialista em turismo de aventura, disfarça a ansiedade com tiradas de bom humor.

 

A grande maioria apenas espera, depois de entregar sua ficha de avaliação.

 

O mestre dá suas notas. A jovem abre um largo sorriso, o sommelier orgulhoso vira-se para o vizinho e arrisca um “eu não disse?”.

 

A senhora, proprietária de um bufê de festa de crianças acerta todas.

 

O grande sommelier erra a metade.

 

Dois dos degustadores discutem com o mestre, justificam suas notas divergentes.

Um deles, um vendedor de uma famosa importadora, sai da sala revoltado.

A jovem funcionária despede-se de todos, mantendo ainda aceso o seu largo sorriso.

 

Breno Raigorodsky; filósofo, publicitário, sommelier e juiz de vinho internacional FISAR

Vinho & Saúde II

healthandwineNão é de agora que o tema de Vinho & Saúde está na moda. Este assunto é constante pauta de estudos e matérias das mais diversas, não é moda e sim importante assunto de interesse geral e estudo acadêmico. Seja por conhecimento ou apenas para ter desculpa para tomar umas taças do doce néctar, este tema é sempre atual, mas só para mostrar que não é de hoje que se fala disto, eis uma matéria garimpada da Internet e escrita por André Freire de Carvalho – Médico e enófilo – no Jornal Tribuna da Bahia em 7 de Janeiro de 2005 e muito atual.

“Todo ano começa com resoluções e esperanças. As pessoas definem objetivos e almejam situações que tornem suas vidas mais produtivas e prazerosas. Neste contexto, nada melhor que começar o ano falando sobre vinho e saúde. Muito se fala sobre os benefícios do consumo moderado do álcool e especialmente do vinho tinto sobre o bem-estar do ser humano. Existem vários estudos realizados por conceituadas instituições médicas, material suficiente para que tracemos um perfil do efeito do vinho sobre a saúde. Ao decidir falar sobre o tema, o fiz pensando em um querido casal de amigos que, apesar de sempre terem sido abstêmios, já admitem em nome da saúde beber uma taça diária de vinho, mudando assim seus hábitos de vida. Ressalto que nossa intenção não é fazer apologia ao consumo abusivo do álcool, substância que ainda que socialmente aceita, pode ser extremamente danosa ao corpo humano. Recomendamos a ingestão diária e moderada de álcool, preferencialmente na forma de vinho tinto, o que equivale a uma ou duas taças. É importante deixar claro que apesar das diferenças quanto a sexo, tipo físico, condições de saúde e tolerância, além de outras variáveis, a dose diária de uma taça a duas que contém aproximadamente 15 a 30 gramas de álcool traz benefícios sem riscos à saúde. Nociva, contudo, é a ingestão de álcool em curtos períodos de tempo. Ou seja, você deve beber uma taça de vinho a cada dia da semana, mas não deve beber sete taças de vinho em um dia.

Outro dado importante é que consumir álcool com alimento é mais saudável que apenas beber, pois o alimento ajuda a metabolizar o álcool, diminuindo pela metade seu nível no sangue, e o álcool promove a metabolização mais eficiente das gorduras dos alimentos. O uso moderado de álcool sob a forma de bebida fermentada ou destilada não traz os efeitos positivos apresentados pelo vinho, especialmente o tinto, pois este além do álcool apresenta mais de trezentas substâncias químicas em sua composição, entre elas os polifenóis, sendo, portanto a bebida alcoólica preferencial quando se busca benefícios a saúde. O Vinho promove:

  • No coração, diminuição em até 50% o risco de doenças coronarianas como infarto, insuficiência cardíaca congestiva e doença vascular periférica. Tais efeitos ocorrem por aumento do bom colesterol, o HDL, alterações dos mecanismos de coagulação, diminuindo o risco de formação de trombos, e aumento da dissolução de trombos que circulam na corrente sanguínea.
  • Diminuição de 45% no risco de desenvolver diabetes.
  • Melhoria na capacidade da memória e de funções cognitivas, o que sugere que o vinho ofereça mecanismos de proteção à demência e doença de Alzheimer.
  • Aumento de 5% na longevidade
  • Nos olhos, prevenção da degeneração macular.
  • Na pele diminuição do risco de câncer e da formação de quelóides
  • Diminuição do risco de doença pulmonar crônica, possivelmente devido à presença de Revesratrol, substância presente apenas nos vinhos tintos.
  • Diminuição do risco de aterosclerose
  • No estômago, diminuição da flora bacteriana, proporcionando uma diminuição do risco de úlcera gástrica.
  • No útero, diminuição do risco de câncer.

Algumas pessoas têm alergia a sulfito, substância utilizada principalmente no vinho branco e, portanto devem evitá-lo. São geralmente pessoas asmáticas ou em uso de esteróides e podem desenvolver dor abdominal ou problemas respiratórios. É recomendável àqueles que sentem dores de cabeça que ao beber, além de associar comida à bebida, utilizem um analgésico 30 minutos antes de beber. Apesar de uma taça de vinho conter em torno de 150 calorias acredita-se que devido à ação de seus componentes sobre a insulina e a metabolização das gorduras, a bebida não concorre para obesidade quando utilizado às refeições. É relevante notar que nas sociedades onde o consumo de álcool não é proibido ou é associado a cerimônias religiosas, datas festivas ou uso familiar e moderado o abuso do álcool por adolescentes e a dependência do álcool em indivíduos adultos, é menos comum que nas culturas puritanas, nas quais existe a proibição do uso da substância e a sua associação a algo nocivo ou diabólico. A desmistificação é ferramenta importante para evitarmos o abuso de bebidas alcoólicas. Em resumo, vinho consumido com parcimônia pode ser um grande remédio, algo que já se sabia há centenas de anos atrás.”

Tenho um amigo que, brincando, disse; “ se uma ou duas taças diárias  fazem bem à saúde, imaginem uma garrafa!”. Sabemos que não é bem por aí, porém também sabemos que há benefícios e as novidades decorrentes de estudos são constantes. Estou coletando diversos artigos sobre este tema e, como já prometido, em breve volto com mais informações sobre Vinho & Saúde.

Salute e kanimambo

Sobre a Minha Mesa

Seleto grupo de vinhos portugueses sobre minha mesa e na minha minha taça. Mesa portuguesa farta, repleta de sabores e de boa companhia. Para acompanhar um primeiro prato de bacalhau e um segundo de cordeiro com batatas e brócolis, ambos deliciosos, os confrades levaram algumas preciosidades. Cortes de Cima Reserva 03, Quinta do Corujão Dão Reserva 01, Esporão Reserva 04 e eu levei minha ultima, snif/snif, garrafa de Malhadinha Tinto 03. Para finalizar a refeição e acompanhar as rabanadas, um Vinho do Porto Fonseca Ruby, melhor só se fosse um LBV!

Lembrar de todos esses vinhos tomados com muito gosto faz quase seis meses, acompanhados de uma galera de bons gourmets, fica difícil até porque tomar notas numa hora dessas seria uma tremenda enochatisse! Então, se me permitem, copiarei algumas resenhas encontradas na rede, adicionado de algum comentário do que eu me lembrei. Agora, que foi inesquecível lá isso foi!

esporao-reserva-04Esporão Reserva 04, esta foi a avaliação do Pedro Barata do blog Os Vinhos com link aqui do lado. Diz ele; “Aromas de fruta madura bem vincados, com leves especiarias a acompanhar, tem um paladar cheio e volumoso, a madeira ainda está muito presente, mas denota alguma elegância, taninos maduros e complexidade muito interessante, o final é prolongado”. Apesar de todas as criticas favoráveis, tenho que confessar um pecado; não sou um fervoroso e apaixonado consumidor dos vinhos da Esporão, pelo menos dos que já tomei, mesmo os achando muito bons e bem feitos. Este, mais uma vez, lembro-me que não entusiasmou, mesmo sendo um vinho correto e muito bem feito. Será uma questão de incompatibilidade de gênios? rsrs. Sou teimoso por natureza então seguirei tentando e provando, afinal são vinhos de grande prestigio e respeitadissímos. Os vinhos da Herdade do Esporão são importados pela Qualimpor e o preço deste deve andar por volta dos R$90,00.

 

corujaoQuinta do Corujão Dão Reserva 2001, deste me lembro claramente, pois me surpreendeu muito positivamente, um vinho muito equilibrado, elegante, macio e de grande sabor, que me agradou sobremaneira. O provei novamente num recente encontro promovido pela ViniPortugal e esta primeira impressão se confirmou estando no ponto para ser tomado. Um vinho sedutor de corpo médio, boa acidez, de grande harmonia, taninos finos, boca de boa fruta e algo de especiarias com um final muito saboroso, agradável e longo implorando pela próxima taça. Um vinho que acaba rápido, com um estilo que me agrada muito e faz a minha cabeça. Este é certamente uma boa opção que recomendo aos amigos, até em função do preço que está por volta de R$82,00 na Vinci, que é quem importa.

 

cortes-de-cimaCortes de Cima Reserva 2003, um degrau acima dos demais, complexo, denso e ainda muito fechado, tanto que deveria ter passado por um decanter para melhor mostrar todas as suas nuances. Um belo vinho do qual tenho uma garrafa na adega, mas que a meu ver precisa de tempo. Nesse momento e dia, não apresentou tudo o que pode, mas mostrou muita qualidade, estrutura, grande riqueza de sabores e muito potencial do qual espero sorver e apreciar melhor no ano que vem em meu 55º aniversário. Devido às “condições” em que foi servido, nem deu para abrir na taça como deveria! Eu gosto muito do “básico” tinto Alentejo deles, que é um dos meus achados (Melhores de 2008 entre R$50 a 80,00) e um vinho muito especial. Diz Pedro Gomes no www.novacritica-vinho.com ; “Amplo e profundo na entrada, cheio e denso, sem ser excessivamente gordo. Rico na evolução, sedoso, muito envolvente, com uma acidez quase estranha para a região e taninos robustos mas ao mesmo tempo muito sedosos. Termina muito longo com uma dimensão frutada –amora e ameixa- plena de encanto. Grande Alentejo, grande tinto, grande vinho. Se tudo fosse assim…”. Um digno representante do que de melhor o Alentejo tem a oferecer. Quem o trás é a Adega Alentejana, mas não tenho noção de preços, creio que deve andar próximo dos R$290,00.

 

malhadinha-1Malhadinha Tinto 2003, desse eu lembro-me bem! Para mim e naquele momento, o vinho do dia. Aliás, poucos à mesa conheciam o vinho e ficaram entusiasmados, tendo dividido a preferência da mesa com o Cortes de Cima Reserva. Uma das principais diferenças entre os dois, todavia, foi o fato de que o Malhadinha estava absolutamente pronto, no momento ideal para ser tomado e apreciado. Por estar mais macio e pronto, se contrapôs melhor ao bacalhau, apesar de ter escoltado bem o cordeiro. Aliás, fosse um almoço normal e eu sugeriria essa harmonização, Malhadinha com o bacalhau e o Cortes de Cima com o cordeiro. Falemos desse Malhadinha, um vinho do Alentejo, corte de Aragonês, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon muito frutado com o que me pareceu ser algumas nuances florais, denso, de muito boa estrutura, taninos finos, elegantes e sedosos, ótimo equilíbrio, com um final de boca complexo, longo, algo especiado e muito saboroso que pede o segundo, terceiro e mais goles. Estava perfeito, um grande vinho no ponto para ser tomado, companhia certa e pratos idem, só podia dar no que deu! A comprovação de que o Alentejo possui uma interminável coleção de grandes vinhos que, por caracteristica de seus cortes e terroir, necessitam de tempo para mostrar toda a sua exuberância. A importação é da Épice e o preço ronda os R$260,00. Comprei em Lisboa por uns 25 euros, hoje deve estar um pouco mais caro, e esta garrafita já deixou saudades!

 

fonseca1Fonseca Porto Ruby, esperar que depois de tudo isso eu lembrasse deste vinho seria exigir demais deste vosso amigo! Vinícola histórica produzindo Vinhos do Porto desde 1820, possui uma vasta gama de produtos, entre eles o BIN 27 que me agrada muito. Como só tenho uma vaga lembrança, recorri aos “universitários” (rsrs), neste caso ao www.portuguesewinesshop.com que diz: “Vinho jovem e encorpado, apresentando frescura e vigor, sabores de ameixa bastante prolongado, robusto,  rico e harmonioso.” Que era bom era e a combinação com a rabada, divina! Disponível na Vinho Seleto por R$55,00 e o BIN 27 por R$70.

 

         Os vinhos portugueses top estão já muito caros em Portugal e por aqui ficam quase que inacessíveis a nós pobres mortais, em função dos altos impostos e margens praticadas, porém sempre existem uns amigos viajando o que permite umas estripulia ou outra, opcionalmente se garimpa alguns bons vinhos menos midiáticos e de grande qualidade que abundam tanto aqui como especialmente por lá. Ao longo do ano passado comentei diversos e este ano, prosseguirei na mesma batida buscando os bons rótulos a preços melhores ainda, sem que haja necessidade de grandes perdas de qualidade. Enganan-se aqueles que pensam que a qualidade está no preço, qualidade está no conteúdo da garrafa! No caso do Malhadinha e do Cortes de Cima Reserva, e outros do mesmo calibre, o preço acompanha a qualidade do caldo, mas também o marketing e a produção limitada.  São néctares que todos gostaríamos de ter na taça mais assiduamente, porém estão no mesmo nível dos grandes espanhóis, italianos ou franceses, então não é de se estranhar os altos preços, mesmo que não seja do nosso agrado. Tendo a chance, no entanto, não perca a oportunidade pois são soberbos.

           Salute e kanimambo.

Um Pouco Mais de Portugal

                Época de férias e muita gente segue para a Europa, especialmente para Portugal. Muitos já com tudo programado, outros nem tanto. Há uns três meses atrás o amigo Klyber me pediu algumas dicas de onde tomar umas taças de bons vinhos em Lisboa e consegui algumas dicas. Agora gostaria de complementar esse post e fazer uma sugestão de um agradável passeio por terras portuguesas. Gostaria de conhecer muito mais, mas baseado na experiência, no contato com produtores e em farta leitura, creio que estas dicas são de prima. Para começar, vamos ver onde tomar uns goles, comer uns queijos e enchidos para acompanhar ou acepipes dos mais diversos. A revista Blue Wine deu algumas dicas que adiciono ás já divulgadas anteriormente:

  • Lisboa – Taberna do Chiado – Calçada Nova de São Francisco 2 A
  • Cascais – Enoteca de Cascais – Rua Visconde da Luz 17, lj 03.
  • Cascais (Guincho) – Vinhos à Solta no Dão – Av. Nossa Sra. Do Cabo, 101
  • Sintra – Binhoteca – Rua das Padarias 16
  • Porto – BB Gourmet – Rua Antonio Cardoso, 301
  • Porto (Matosinhos) – Degusto – Rua Souza Aroso 540/4

                 Para um agradável passeio por Portugal, a importadora Adega Alentejana tem em seu site algumas excelentes dicas e roteiros que dependerão do tempo de sua viagem e da companhia. Uma boa dica se estiver indo de Lisboa ao Porto, é antes de partir nessa direção, tirar uns três dias para ir até Setúbal passando pela Quinta da Bacalhôa e José Maria da Fonseca (Piriquita) no Azeitão onde também poderá se deliciar com seus deliciosos queijos, e depois dar uma esticada até Évora e Monsaraz o berço dos vinhos Alentejanos e boa gastronomia. Voltando a Lisboa e começando sua viagem ao Norte, não vá pela auto-estrada principal a A1, aventure-se por Cascais, Sintra, Óbidos, Batalha e Fátima, passando por Coimbra, Viseu/Nelas, Lamego, Pinhão, Régua e finalmente as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia. Em Portugal, essa é a viagem de meus sonhos, visitando algumas importantes e bonitas vinícolas no processo. Certamente uma deliciosa viagem para cerca de 12 a 15 dias, ficando em pequenas e aconchegantes estalagens/pousadas e conhecendo os vinhos do Alentejo, de Terras do Sado, Estremadura, tomar um licor de ginjas em Óbidos e ainda os vinhos do Dão, Bairrada e Douro, viagem para ninguém botar defeito.

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Salute e boa viagem para os amigos que tenham a sorte e oportunidade de aproveitar estas férias em terras Lusas. Eu, só pra matar um pouco das saudades, vou de um caldo verde elaborado com belos pedaços de chouriço e o bom azeite português da Santa Vitória, acompanhado de uma taça de vinho tinto sem nome, bem á moda da terra, só faltou a broa!

Dr. Loosen

dr-loosenQuem não conhece acha que é qualquer outra coisa, menos o nome de um produtor de vinho. Seu proprietário, Ernst Loosen, tem um jeito diferente de ser com um visual meio cientista e intelectual, um verdadeiro doutor com formação em arqueologia que se viu forçado a assumir os negócios da familia com a aposentadoria de seu pai. Com a mesma determinação e paixão aplicada a seus estudos arqueólogicos, em que mais se interessava pelas pedras da Roma Antiga do que pelo Riesling do Mosel, em 1980 mergulhou de cabeça em um novo e desafiante projeto, o de tocar os vinhedos da familia com mais de dois séculos de história. Após oito anos de estudos, em 88 assume totalmente a vinícola imprimindo sua filosofia de trabalho, projetos e conceitos já que, como ele diz, “os grandes vinhos começam na cabeça”. Os vinhos da Dr. Loosen trazem esse jeito vibrante e apaixonante, mostrando possuir muita elegância, personalidade, são caldos alegres, sedutores e extremamente prazerosos de serem tomados. Longe dos tempos das garrafas azuis, vinhos ralos e sem graça, aqui encontramos o verdadeiro vinho alemão em toda a sua essência e sabor. A Dr. Loosen possui propriedades em outras regiões da Alemanha, mas desta feita tive o grato privilégio de conhecer os vinhos do Mosel, e um de Pfalz, em especial de seus vinhedos em Urzig e região.

          Os vinhos alemães são difíceis de decifrar no rótulo, já que são menos conhecidos, o idioma alemão não é dos mais fáceis e seus vinhos brancos possuem diversos níveis de doçura. Seus vinhos vão do seco (trokken), meio-seco ou off-dry (halbtrocken) até o mais doces (passando por diversos estágios). Na hora da compra, se não conhecer e prestar atenção, fica fácil dançar e falo por experiência própria. Não tanto com relação à qualidade, já que a maioria hoje sendo importada pela principais importadoras é de muito boa qualidade, porém fica difícil de harmonizar um vinho bem doce com seu prato principal ou até como aperitivo ou um vinho seco com sua sobremesa. Ainda preciso falar do vinhos da Alemanha e aí entrarei em detalhes sobre o complicado sistema de classificação deles, porém sugiro se informar bem na hora da compra, especialmente se estivemos falando dos vinhos Riesling.

         Como disse Ernst Loosen, nesta degustação da ABS-SP, enquanto loosen-houseos ingleses recebem seus convidados com um chá da tarde, o alemães do Mosel o fazem com umas taças de Riesling devido ao seu baixo teor alcoólico (7 a 11º) e enorme refrescância. A alta acidez adicionada ás características únicas do solo da região, que lhe aportam uma ótima mineralidade, fazem do Riesling desta região um vinho muito mais leve, suave e delicado do que os da vizinha Alsácia  e permitem que se produzam vinhos doces absolutamente divinos e balanceados mesmo com um alto grau de residual de açúcar. Eu poderia ficar horas falando deste produtor ou encher páginas com informações, mas nada melhor do que você dar uma passada por seu completíssimo site e aproveitar e tomar uma aula sobre os Rieslings do Mosel. Conheça a maravilha do lugar e algumas características da região, seus solos e o que faz esta região ser um ícone quando se fala de vinhos elaborados com a uva Riesling. Preferencialmente, faça isso acompanhado por uma taça de seus vinhos, nem que seja o Dr. L, um vinho mais simples e mais barato, porém delicioso sendo uma ótima introdução a estes vinhos.

        loosen-harvest-1 Para finalizar, sempre me estendo demais quando me entusiasmo com algo, e para mostrar que não existem verdades absolutas em nossa vinosfera, imagine tomar um vinho de 30 anos, branco, sem passagem por madeira, compará-lo com o mesmo rótulo só que com dois anos de idade e você quase não encontrar diferença na cor! Incrível não? Pois este é mais um dos segredos e características dos vinhos da região, como veremos mais adiante, certamente devido á incrível e balanceada acidez originadas nestes vinhedos plantados nas colinas que margeiam o rio Mosel. Com colheita manual muitas vezes executada nas frias madrugadas, é daqui que saem alguns dos melhores Rieslings do mundo e onde a cepa encontrou as condições para exaltar todas as suas sutis nuances e grande finesse. Ernst Loosen soube, como poucos, explorar esse terroir em toda a sua plenitude extraindo alguns preciosos néctares. Mas, falemos dos vinhos degustados.

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Dr. L Riesling Qualitatswein 06

Aromas cítricos de boa intensidade e algo floral, enorme frescor, seco, balanceado, muito leve e agradável, uma ótima opção de entrada ao delicado mundo dos Rieslings. Elaborado, normalmente, com uvas compradas na região buscando oferecer um produto competitivo e de qualidade. Pela relação Qualidade x Preço x Prazer, volta e meia perambula por minha mesa! Teor alcoólico de 9º e o preço está por volta de R$55,00.

 

Urziger Riesling Kabinett 06

De vinhedos com cerca de 60 anos plantados em solo vulcânico vermelho, possui um nariz muito fresco e cítrico. A cor é um palha claro e límpido quase transparente e muito convidativa. Na boca é diferente, algo especiado misturado com fruta, mineral, cremoso e muito vivo na boca com alguma agulha. Vinho sedutor, muito equilibrado com um saboroso final de boca de boa persistência. Com teor alcoólico de 8º custa ao redor de R$110,00

 

Urziger Riesling Kabinett 78 – É isso mesmo, não errei não, 78!

O mesmo vinho de acima, porém totalmente diferente. A cor é impressionantemente similar á do 06, com exceção de que é um pouco mais escura, menos translúcida. Não tivesse os dois ali para comparar, certamente este 78 passaria por um vinho jovem. De acordo com Ernst Lossen, há pouco tempo tinha feito uma prova de vinhos antigos e um 1911 ainda apresentava leve acidez presente enquanto um 37 se encontrava em plena forma. Somente o 1900 estava já quase morto. Não é o mesmo vinho, como não somos aos 50 o que éramos aos 30! Mudou, adquiriu uma outra complexidade, perdeu os cítricos tendo ganho aromas vegetais de cogumelos/fungos e traços de “sous-bois” (matéria vegetal em decomposição), algo muito apreciado pelos especialistas, mas que não chega a me encantar. O final é longo, com a acidez ainda bem presente ressaltando os sabores, corpo médio e consistente. Pessoalmente, prefiro-o mais jovem e cítrico, mas sem duvida alguma é um grande vinho de muita complexidade. Sem preço.

 

Erdener Treppchen Riesling Auslese 06

Um vinho maravilhoso, doce, talvez o que mais me tenha entusiasmado nesta degustação, tendo alcançado status de um de meus Deuses do Olimpo. Muito boa paleta olfativa com forte presença de frutos cítricos. Na boca confirma com uma doçura muito bem balanceada pela ótima acidez e mineralidade em perfeita harmonia. Longo, saboroso, complexo, uma delicia para ser saboreado com calma aproveitando todas as suas nuances e melhor ainda, de acordo com Ernst Loosen, depois de uma meia duzia de anos. Duro é esperar e ficar só em uma garrafa! De vinhedos nas encostas do Mosel em solo de xisto/ardósia, álcool de 7.5º  com o preço por volta de R$138,00 (1/2 garrafa).

 

JL Wolf Pechstein Riesling Spatlese 05

Da região de Pfalz com terroir bem diferente, de vinhedos plantados sob basalto negro que trazem ao vinho características diferentes. Um vinho de mais corpo que é guardado em cave por dois anos antes de ser comercializado. Bem mineral, elegante, macio, meio-doce, concentrado, algo de mel no final de boca. Com 11º de teor alcoólico e um preço por volta de R$125,00

 

          Você poderá encontrar estes vinhos na Expand que é importador e distribuidor exclusivo (Era. A partir de 2011 é a Inovini) da Dr. Loosen. Legal mesmo deverá  ser tomar um desses néctares sentado num terraço olhando o Mösel e os vinhedos, aí sim seria o nirvana!

Salute e kanimambo, ou melhor, vielen dank.