João Filipe Clemente

Selo Fiscal nos Vinhos, Mais Sobre o “Maledetto”!

         Sigo na minha “pelea” particular, que iniciei em 13 de Janeiro com o post “Um Passo Atrás?” e outros que vieram depois, contra esse descalabro que querem nos impingir. Andei conversando com alguns importadores e realmente essa medida, caso realmente venha a ser aplicada será um retrocesso e uma imoralidade. No mínimo será a criação de entraves tarifários disfarçados de ação contra o contrabando e passível, a meu ver, de retaliações e contestações jurídicas internacionais. Considerando-se, todavia, o país em que vivemos, podemos esperar de tudo.

O Didu mencionou em seu blog que tem cara oferecendo Cartuxa a R$12 no mercado o que é uma afronta. Concordo, e mais do que uma afronta ilegal contra o consumidor, é também uma afronta á nossa inteligência! Primeiro, a esse preço não pode sequer ser contrabando e sim falsificação; segundo, o cara que cai nessa só pode ser trouxa (ou é um daqueles que adora levantar vantagem em tudo o que, normalmente, costuma dar na mesma) e terceiro, se tem gente que faz isto desta forma, será que esse “selinho” será impecillho para seguir às margens da lei? Bem, para termos a medida justa do impacto de tamanha aberração sob o mercado, caso venham a realmente aplicar essa resolução da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Viticultura, Vinhos e Derivados, veja a elucidativa resposta de um importador que, creio, exemplifica bem os reais efeitos de uma aberração dessas:

“Não vejo como os produtores colocarem isso na origem, a não ser para vinhos que tenham muito volume, o que não é o caso de 99% dos rótulos vendidos no Brasil. Não conversei com nenhum ainda sobre o assunto, mas para alguns deles até colocar o contra-rótulo já é difícil (estou conversando com um pequeno produtor do Piemonte, que terá bastante dificuldade em contra-rotular, imagine se eu falar para ele que precisaremos de um selo, o negócio simplesmente não vai sair!). Isso considerando que a contra-rotulagem é uma operação normal, pois na grande maioria dos casos, eles têm máquinas que estão adaptadas, enquanto que a colocação de um selo na parte superior é algo completamente distinto das tarefas às quais eles estão habituados e, certamente, a operação terá que ser manual na maioria dos casos. Aqui estamos falando de custo hora/homem em euro e dólar…

 Imagine agora uma segunda opção, que seria a colocação no porto, mas aí teríamos que abrir todas as caixas e etiquetar garrafa a garrafa. À parte do custo e complexidade da operação em si (não parei para calcular quantos homens/tempo levaríamos para abrir as 1.200 caixas, etiquetar as 15.000 garrafas, e fechar 1.200 caixas de novo, tudo sem destruir a embalagem original, afinal nós importadores somos 100% responsáveis perante a lei pelos produtos que trazemos), deve-se considerar ainda o custo de armazenagem (hoje ao redor de USD 30/dia) e o custo financeiro dessa mercadoria parada.”

Deu para entender? Alguém duvida que se isso sair vai criar um tremendo impacto negativo e limitante no consumo, nos preços e na qualidade? Pois bem, cabe-nos alertar, mostrar, tomar posição e dizer não a esse verdadeiro descalabro. Vai limitar os importados e encarecer todos os produtos, inclusive os nacionais! Apóio o produto e os produtores nacionais, mas não este tipo de ação que, a meu ver, não tem nem pés nem cabeça e é um verdadeiro tiro que sairá pela culatra! Não é criando barreiras que solucionaremos os problemas da vitivinícultura brasileira, o caminho é outro totalmente diferente desse tomado. Passa por uma maior profissionalização do setor, redução efetiva de impostos na cadeia produtiva e o reconhecimento da vitinícultura como fonte alimentar. Espero que os órgãos competentes vetem essa iniciativa apesar de achar difícil, pois já estamos em plena campanha presidencial e os interesses por trás de tudo isso são enormes! Aliás, podiam usar o momento para fazer algo realmente útil e definitivo, não este tradicional e paliativo ato de insistir em tapar o sol com a peneira. Quem não se manifestar agora e acordar para o que se está tentando fazer, não poderá reclamar depois do leite derramado.

Salute

 

Ps. Se quiser saber mais sobre o assunto, digite “selo fiscal” ou “Maledetto”no espaço acima,à direita no topo da página, e clique em pesquisar.

Noticias do Mundo do Vinho

wine-globe-22Portugal, finalmente a Revista de Vinhos faz sua estréia na rede e, desde já, seu link está aqui do lado. Apesar de algumas criticas que lhes faço, uma delas a excessiva soberba, é uma interessante fonte de informação sobre a enogastronomia portuguesa. Depois de longo e tenebroso inverno, finalmente entram para a época da modernidade algo que há muito se esperava deles. Aproveitou o embalo e publicou sua já tradicional lista de Vinhos de Excelência do ano que pouco costuma mudar ano, após ano, porém vi algumas caras novas que merecem uma conferida.

 

Murganheira Vintage Távora Varosa Espumante branco 2004

SOC. AGR. E COM. DO VAROSA

Anselmo Mendes Vinho Verde Alvarinho branco 2007

ANSELMO MENDES

Muros de Melgaço Vinho Verde Alvarinho branco 2007

ANSELMO MENDES

Quinta de Soalheiro Vinho Verde Alvarinho Reserva branco 2006

ANTÓNIO ESTEVES FERREIRA

Aneto Douro Grande Reserva tinto 2006

SOBREDOS

Barca Velha Douro tinto 2000

SOGRAPE

Charme Douro tinto 2006

NIEPOORT (VINHOS)

C.V. – Curriculum Vitae Douro tinto 2006

LEMOS & VAN ZELLER

Duas Quintas Douro Reserva Especial tinto 2004

ADRIANO RAMOS PINTO

Poeira Douro tinto 2006

JORGE NOBRE MOREIRA

Quinta do Crasto Douro Touriga Nacional tinto 2005

QUINTA DO CRASTO

Quinta do Noval Douro tinto 2005

QUINTA DO NOVAL (VINHOS)

Quinta das Tecedeiras Douro Reserva tinto 2005

QUINTA DAS TECEDEIRAS

Four C Dão tinto 2005

DÃO SUL

Quinta dos Carvalhais Único Dão tinto 2005

SOGRAPE

Quinta da Garrida Dão Touriga Nacional Reserva tinto 2005

ALIANÇA

Encontro 1 Bairrada branco 2007

QUINTA DO ENCONTRO

Kompassus Private Collection Bairrada Baga tinto 2005

KOMPASSUS VINHOS

Hexagon Reg. Terras do Sado tinto 2005

JOSÉ MARIA DA FONSECA VINHOS

António Maria Reg. Alentejano tinto 2006

FRANCISCO NUNES GARCIA

Avó Sabica Alentejo tinto 2004

CASA AGR. SANTANA RAMALHO

Cortes de Cima Reg. Alentejano Reserva tinto 2004

CORTES DE CIMA

Esporão Private Selection Alentejo Garrafeira tinto 2005

ESPORÃO

Júlio B. Bastos Reg. Alentejano Alicante Bouschet tinto 2004

JULIO TASSARA BASTOS

Vinha de Saturno Reg. Alentejano tinto 2004

HERDADE MONTE DA CAL

Burmester Porto Vintage 2005

SOGEVINUS FINE WINES

Burmester Tordiz Porto + de 40 anos

SOGEVINUS FINE WINES

Kopke Porto Colheita 1957

SOGEVINUS FINE WINES

Offley Porto 30 anos

SOGRAPE

Quinta do Vesúvio Porto Vintage 2005

SYMINGTON FAMILY ESTATES

 

Espanha – As exportações da região de Rioja desabaram em 15% no ano de 2008 enquanto as de Rias Baixas (Galicia, leia-se vinhos brancos á base de Albariño) e Castilla de la Mancha subiram. Considerando-se todos os mercados, o total da queda chegou a 7.5%. Lá, como aqui, as regiões acabam se canibalizando e forçando a mudanças estratégicas para sobreviver e manter seu status-quo. Rioja voltou aos volumes de 2005 enquanto Castilla subiu 19% e Rias Baixas subiu, de 2005 a 2008, algo como 235%! Fonte: Decanter Magazine

 

Bordeaux – A comercialização de vinhos de Bordeaux tradicionalmente feita via “negociants” caiu algo em torno de 30% nos últimos cinco meses do ano passado. De acordo com os “negociants”, o mercado apresenta os piores resultados dos últimos 25 anos. Até pouco tempo, vimos uma dominância dos Chateaus sobre os “negociants” em que estes eram obrigados a aceitar, sem grandes opções, a política de preços imposta pelos produtores. Está-se verificando uma forte mudança de comportamento com o Chateaus sentando à mesa de negociações como há muito não se via. Fonte: Decanter Magazine

 

Argentina – El Malbec, um dos meus blogs preferidos na Argentina, cobrindo a vitivinícultura em Mendoza, mas também no Chile e Uruguai, lançou sua versão TV que está muito legal. Eis algo diferente e interessante para os amigos leitores verem. Clique aqui no link  http://elmalbectv.com.ar/ e aproveite a viagem. Estas são as vantagens de ter patrocinadores, dá para expandir ações e permite uma maior dedicação à “causa”. Será que chego lá?! Ó eu aquiii!!

 

Ana Import – Expandindo seu portfolio, esta simpática importadora anuncia a chegada de mais um rótulo do produtor argentino Mauricio Lorca. È a linha OPALO, um projeto de vinhos de alta gama sem qualquer passagem em madeira. Nos dias de hoje uma grata surpresa que nos deixa com água na boca e ansiedade por provar desses caldos. O Gran Opalo Blend 06, corte de 30% cada Malbec, Cabernet Sauvignon e Syrah, que leva ainda 10% de Petit Verdot. Um cuvée sem carvalho que cresce inteiramente em tanques de inox. Levou 91 pontos de Robert Parker e seu Opalo Syrah 05 também foi bastante elogiado. O Blend está por R$91,00 e o Syrah está com uma promoção, até 28/02 ou término de estoque, em que você compra 6 e paga 5, R$61,60 a unidade. Tá aguado, acesse o site  da Ana Import ou ligue para (11) 3950-2013.

 

Expand Sale – Falando em promoção, a da Expand está terminando e agora começam a aparecer algumas preciosidades. Vamos lá para as dicas baseadas em minha ultima visita, ontem:

La Conreria 04 – Priorat / Espanha – uma sugestão do Edgar da loja da Granja Viana que diz ser um achado e a safra foi ótima. De R$ 75 por 37,50.

Monte da Penha Fino Reserva 03 de R$148,00 por R$78,00.

Achaval Ferrer Malbec 07 , não necessita de apresentações, de R$98,00 por R$78,00.

Prelúdio 04, um blend uruguaio de fina estirpe de R$115,00 por R$88,00

Aspire Cabernet Sauvignon/Merlot 03, para aproveitar já, está divino. De R$88,00 por R$59,00.

Don Pascual Edição Limitada 05, um corte de Shiraz/Tannat com produção de somente 2571 garrafas, de R$65 por R$32,50

Norton Privado 04 e 05, um respeitado e renomado Malbec argentino de R$125,00 por 95,00.

Aligoté de Bouzeron 06, um dos meus Deuses do Olimpo 2008, rótulo que já  esteve por R$135,00, passou para 148 e agora está por R$115,00. Em sendo o vinho que é; branco sedutor, complexo e encantador é uma bela oportunidade de provar este néctar com um preço levemente mais camarada.

De Toren Fusion V 05, um dos melhores vinhos sul africanos da atualidade e este desta safra obteve 92 pontos na Wine Spectator. Corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Cabernet Franc e Petit Verdot que, de R$148,00 está por R$125,00.

Ficou com água na boca? Então dê uma passada em uma das lojas da Expand para os últimos garimpos, quem sabe você ainda encontra algumas garrafas de Vinho do Porto Quinta das Tecedeiras LBV 2001. Por R$34,00, comprei algumas, talvez a melhor barganha desta grande liquidação para ajuste de portfolio.

 

Salute e kanimambo.

Breno direto da FENAVINHO – O salto de qualidade

breno2Breno Raigorodsky, amigo e colaborador de todos os sábnados com suas deliciosas crônicas, nos escreve direto da Fenavinho. Para acessar seus textos anteriores, clique em Crônicas do Breno, aqui do lado, na seção – Categorias

 

Nesta semana de visitas à região do Vale Vinhedo, sob o patrocínio da Ibravin e por ocasião da Fenavinho, elejo homenagear com este artigo dois sujeitos entre todos que nos acolheram e nos agradaram com seus produtos, e suas personalidades. Um lembra o outro. Idalêncio Angheben lembra Mário Geisse.

Trabalharam juntos em projetos importantes na consolidação da imagem Chandon no Brasil, o primeiro desde o começo – e por muitos e muitos anos – e o segundo ao orientar a criação do momento mais bem sucedido em termos de qualidade da empresa francesa por aqui, em torno do início dos anos 90, incluindo o lançamento do Excelence da Chandon. Pensem que ousadia foi criar um produto que atingiria o mercado com o peso de um preço ao menos duas vezes superior a tudo que ele houvera absorvido até então! O Excelence foi sucesso puro e abriu o caminho para que Garibaldi ganhasse a fama de terra dos espumantes. O Idalêncio colocou seu conhecimento a serviço da Chandon, desde o inicio do processo de implantação da gigante francesa pela América, que, como um polvo atento, estendia seus tentáculos para o Brasil, Argentina e EUA simultaneamente. Idalêncio veio de família vinhateira, mas foi dos primeiros de sua geração a se livrar do rame-rame circular das famílias de antão, que viciava a produção brasileira com álcool indevido, vindo de uvas americanas. Foi pras cabeças, não conciliou sempre que houve brechas para lutar e se locupletou com conhecimentos modernos adquiridos não apenas nas salas de aulas, mas nos campos e bodegas.

espumantes-salton1O Mario veio para cá quando já tinha dados os primeiros passos no Chile em direção às modernas técnicas que faziam da qualidade o objetivo a ser atingido e não mais – quase tão somente – a quantidade produzida. Por esta razão, a Chandon o cooptou. O chileno ficou por aqui durante alguns anos, foi-se embora para a sua terra para sempre cá voltar, seja como consultor, seja como produtor proprietário de uma das mais charmosas e melhores casas vinícolas do Brasil. Sua especialidade agora, borbulha em garrafas que saem com o nome Casa Amadeu/Cave Geisse as melhores do país (não para mim, não para você, mas para toda a torcida do Corinthians). São borbulhas que nascem neste canto do Vale do Vinhedo, onde Pinot Noir e Chardonnay – na proporção de um para três – brotam das terras que ficam na chamada Linha Amadeo, terra cujo solo rochoso, poroso e com falhas estruturais importantes, permite rápida drenagem. E, com a cumplicidade indispensável de uma amplitude térmica excelente, cria as condições de plantio que procurava.

Sem deixar seu trabalho na Casa Silva chilena, Geisse está sonhando acordado, fazendo parcerias locais para produzir o seu projeto que, não por acaso, chama-se Soño, que é de produzir ele mesmo e em terra própria o que ele mais tem como referência. Ou seja, Mario comprou e produz atualmente champanhe em Champagne, Reims, França. Mario produz carmenèrre no Chile, com marca própria. E pretende fazer muito mais, é só esperar. Em artigo recente para a revista Isto É, o leitor fica sabendo que “um de seus tintos, o Bisquertt, foi eleito em 2002 o melhor merlot do mundo pela International Wine Spirit Competition, na Inglaterra. O mesmo concurso elegeu no ano passado outro de seus “filhos”, o Los Lingues Gran Reserva 2001, o melhor carmenère do planeta”. Mas o que a revista e ninguém mais fala é sua revolucionária decisão de optar por estas caixinhas com torneira para comercializar os vinhos que produz, além dos espumantes, com o nome Casa Amadeo. São vinhos de uvas de vinhateiros da Linha de Amadeo que ele fiscaliza e vinífica criando seus Reservas, um tinto – em caixas de 5 litros – e outro rosado – em caixas de 3 litros. É um projeto que pretende diminuir custos e popularizar o vinho, que pode chegar às taças dos restaurante a menos de R$5,00 com a qualidade Geisse, produto de excelência como já demonstrou com todos os outros que faz.

Mas o Mario continua lembrando o Idalêncio Angheben, depois de tudo isso. Eles se assemelham pela quantidade de coisas que fizeram para o vinho brasileiro ganhar qualidade. Pois não bastasse Idalêncio ter seu nome ligado à história da Chandon, foi ele o principal professor formador desta geração de enólogos que começam a aparecer atrás de todas as vinhas Brasil afora. Não bastasse sua ação acadêmica, foi o técnico explorador que com seu filho Eduardo – doutor em enologia, formado pela primeira turma do Brasil, com especialização em Bordeaux – descobriu para o vinho a Campanha, particularmente a Encruzilhada da Serra, onde mantém sua plantação, muito antes de Lidio Carraro sequer pensar em plantar por lá. Foi ele também responsável pela realização do Vale do Vinhedo, dando condições para que aquela produção passasse do vinho de mesa a vinho fino entrando para uma rota de qualidade. O cara é sério. Fora do meio, seus produtos são conhecidos apenas alguns de seus vinhos de muita qualidade, como estes Gewurtzraminer e  Touriga Nacional que tive oportunidade de provar e colocá-los entre as melhores surpresas que experimentei nesta semana (veja abaixo).

Geisse e Angheben. Uma dupla que merece um olhar atento, porque quando parece que eles estão deitando em berço esplêndido, mostram que se levantam, só para surpreender. 

remuage 

  • Palmas para um produtor como o Geisse, que decide comercializar seus vinhos tinto e rosado reservas, em caixinhas de papelão, incentivando o mercado para superar a pecha de produto de carregação colados às caixinhas, que não deixam o ar entrar conforme o vinho vai saindo, uma solução ideal para vender vinho em taça em restaurantes de bom movimento.
  • Palmas para a Angheben por estes Touriga Nacional e Gewurtzraminer, ambos traduções locais, sem muitas concessões aos modelos europeus.
  • Palmas dobradas ao elegante brinde que os jornalistas receberam do Juarez Valduga: uma grappa de chardonnay embalado como se fosse perfume com spray. Ótimo para pulverizar um embutido fatiado ou uma salada ou sei lá o quê, provando que a Valduga atingiu a maturidade em comunicação.
  • Palmas para os chardonnay tranqüilos da Guerini, Salton e da Valduga. Competem com outros grandes como os da Cordilheira de Sant’Ana, do Bettù e do Villa Francione. O Valduga tem quase tanta manteiga quanto o da Villa Francione e até arrisco dizer que pode ser mais equilibrado que o prestigiado concorrente. Palmas para os espumantes em geral, o que não é mais surpresa. Surpresa neste quesito é o da Dal Pizzol, finalmente um moscatel que não exagera no açúcar.
  • Palmas para o Elo da Lidio Carraro, que usa o malbec em 20% para equilibrar o cabernet sauvignon e fazer do vinho um retorno gastronômico à vocação autóctone em Cahor da uva ícone argentina. Finalmente, nada daquela gosma enjoativa de compota de açúcar que tanto caracteriza o ataque na boca.
  • Palmas (?!) para o Series: Cabernet Franc da Salton. Palmas pela qualidade, mas pena pela descontinuidade, pois o produto saiu da linha de produção.
  • Palmas para a propriedade do Dal Pizzol. Palmas para a sua adega de vinhos de mais de 30 anos. Palmas por nos conceder uma degustação com um deles, polêmico na avaliação, agradando mais um do que outros.
  • Palmas para aqueles que procuram sua identidade porque parece ter chegado a hora de não apenas servir o que se espera, mas surpreender e educar com a qualidade.

Breno Raigorodsky; filósofo, publicitário, sommelier e juiz de vinho internacional FISAR

 

Vinhos da Semana

Vinhos da semana anterior ao meu aniversário. Um preparo para o que está por vir, já que pretendo me tratar muito bem por quinze dias. Como diriam meus amigos Gaúchos, “Bah, para quê só comemorar um dia chê?!”  Mereço mais que isso, modéstia é uma de minhas principais virtudes (rsrsrs), então vou mesmo é me tratar muito bem e desbravar alguns rótulos que guardo já faz um tempinho. Enquanto isso, eis os vinhos tomados na preparação para o evento principal.

 

semana-1-de-2009-004

 

Espumante Milantino Moscatel – Havia prometido fazer de cada semana uma data especial para tomar espumantes e já comecei. Porquê aguardar os momentos especiais e não, simplesmente, criá-los por decreto pessoal? Espuma abundante, perlage fina de pouca intensidade, porém constante. Nariz tímido, porém de boa tipicidade. Entrada de boca saborosa, algo doce, mas bem balanceado pela existência de uma acidez correta dando-lhe maior equilíbrio. Fácil de agradar, um pouco doce em demasia para o meu gosto, sendo ótima companhia para uma sobremesa. Produtor de pequeno porte no Vale dos Vinhedos, trazido pela Lusitana que o vende em Sampa por R$35,00. I.S.P.  

 

Blackbird Bonarda/Malbec 06 – Tinha provado este vinho na Wines of Argentina do ano passado e o achado bem interessante. Esta é uma linha básica, de entrada, da Clop y Clop que possui um portfolio bem mais amplo trazido pela D’Olivino. Vi no mercado perto de casa e comprei uma garrafa para fazer a prova dos nove. Só confirmou tudo o que tinha achado em minhas primeiras impressões. Um vinho simples, agradável, honesto, bastante saboroso, corpo leve e fácil de tomar, uma opção aos varietais trazendo alguns aromas e sabores mais elaborados e diferentes. Se não tem grandes virtudes, também não tem defeitos e pelo preço de R$19,00 é uma boa opção para o dia-a-dia junto com outros vinhos argentinos já mencionados aqui anteriormente. Um vinho que satisfaz acompanhando uma pizza de calabreza ou peperoni. I.S.P. 

 

Stepping Stone Padthaway Shiraz 05 – um vinho australiano da região de Limestone Coast que meu sobrinho me trouxe no Natal de 2007.  Lá, custa algo próximo a 13 dólares australianos o que equivale a mais ou menos USD9. Pensando bem, custa praticamente o mesmo que o Blackbird aqui acima, sacanagem!!! A esse preço estaria costumeiramente sobre a minha mesa e na minha taça, um vinho sedutor que me agradou sobremaneira. Cor bonita de um rubi profundo, bem frutado com leves toques apimentados. Na boca confirma a fruta, com a madeira muito bem posicionada não se sobrepondo ao vinho em momento nenhum. Vinho de muito boa acidez, textura encantadora, jovial e macio, taninos sedosos e um final de boca muito saboroso de boa pesistência mostrando toques herbáceos. Com teor de álcool de 13.5% em perfeita harmonia, a garrafa terminou rápido demais, deixando-nos, tomei com meu genro, com água na boca e desejos de mais algumas garrafitas. Se alguém estiver por lá e quiser me presentear, pode trazer uma caixa! Bom demais, me deixou feliz e deixou saudades. Quem sabe algum importador não se anima?!

 I.S.P.  

 

Palazzo Della Torre 01 – elaborado com Corvina, Rondinella e um tico de Sangiovese. Cerca de 70% do lote é viníficado de imediato, enquanto o restante passa por um processo de secagem em esteiras ao estilo amarone para posterior mescla dos lotes. Uma inovação do produtor que perde assim a classificação de DOC, menos importante do que o nome Allegrini que lhe confere a importância e prestigio que merece. Um vinho suculento, diferente, com um nariz muito agradável em que aparecem frutas do bosque, baunilha e algo floral. Na boca sabores complexos em que sobressai alguma fruta passa, bem balanceado, taninos finos e sedosos num ótimo final de boca. Muito similar ao 2004, mas este está mais maduro, médio corpo com taninos mais equacionados e macios com um final algo mineral. Um belo vinho que está na Expand (04) com um preço em torno de R$98,00.

 I.S.P.  

 

Amancaya 06 – um vinho fruto da sociedade entre Lafite-Rothschild e Catena Zapata na Bodega Caro, um assemblage de 50/50 Malbec e Cabernet Sauvignon. Uma segunda avaliação deste bom vinho que só tinha degustado anteriormente, o que é algo bem diferente de tomá-lo. Sem duvida alguma um bom vinho, em que se sente bem a influência de Bordeaux com toques Mendocinos. Possui intensa fruta madura no nariz, algo de café torrado e carvalho. Encorpado, firme, grande volume de boca, taninos presentes ainda bastante firmes mesmo após 45 minutos de decanter, um vinho austero, classudo e equilibrado, mostrando uma certa elegância, mas que ganhará muito com mais um ou dois anos de garrafa. O final de boca é bastante agradável de boa acidez,talvez algo mineral, média persistência e retrogosto levemente apimentado . Comprarei mais uma garrafa e a abrirei daqui a dois anos só para sentir a evolução, mas creio que crescerá muito em elegância e finesse. Um vinho de muitas qualidades, mas que ainda está muito jovem para se sentir todo seu potencial e que certamente se tornará mais amistoso com o tempo. Acho que andamos tomando determinados vinhos cedo demais, mas esse é assunto para outo post. Na Mistral por R$69,00. I.S.P. $

 

Salute e kanimambo

 

Quer contatar importadores ou lojas aqui mencionados, veja detalhes em “Onde Comprar” .

Casamento e Vinho Tinto Combinam?

       casamento-e-tinto

        Vinhos espumantes, brancos e tintos numa mesma recepção e nesse contexto, a não ser em casos muito específicos de pouca gente e maior sofisticação, acho um pouco exagerado e complicado de conciliar. Para quem quiser acompanhar a refeição com brancos, sugiro manter o espumante direto e acho que o tinto tem sua vez, sim. Cybele, Isa e Silvia, três leitoras deste blog, manifestaram essa duvida, que creio possa ser a de muitos, e pediram umas dicas de vinhos então achei que o tema valia um post. 

            Essa história de um espumante e um tinto me soa muito bem, até porque do ponto de vista de custo não altera muito, já que são vinhos de valores similares ou, pelo menos, podem ser. O problema é o quê servir? Quanto aos espumantes, tenho já uma série grande de posts sobre o assunto onde trato o tema de forma bastante abrangente. Já nos tintos, obviamente que dependerá muito de quem estará presente, de qual o tamanho do orçamento e do que será servido, mas pudemos tentar criar algumas “regras” básicas para uma escolha sem grandes riscos.

1)     Quanto mais caros os vinhos, a grande probabilidade é que eles cresçam em complexidade o que pode complicar porque a harmonização pode se tornar mais difícil e se o povo não for muito chegado no néctar, certamente vai complicar. Nestes casos, como em tudo na vida, o equilíbrio e bom senso têm que dar o tom. Algo bom o bastante para que quem aprecie vinho curta e não tão complexo que quem seja mais chegado numa cerveja não se sinta por fora e aproveite da mesma forma. Esta é daquelas horas que, a meu ver, menos pode ser mais!

2)    Cuidado para não misturar bebidas demais como; espumante, vinho branco, tinto, cerveja, caipirinha, whisky, etc. Lembre-se a festa deve ser alegre e essa mistura tem tudo para ser letal levando os mais incautos a extrapolarem e se tornarem inconvenientes estragando o momento. O espumante é essencial então se quiser uma opção de branco, siga servindo o espumante.

3)     Lembre-se a festa é sua e, pelo menos no desejo, deverá ser algo único então a recepção deve sair do jeito que você planejou e gosta permanecendo para sempre na memória. Para tanto, faça algumas degustações antes, preferencialmente harmonizando com pratos semelhantes ao que vai servir. O que você mais gostar, dentro do seu orçamento, é o que você deverá servir independentemente dos conselhos de críticos, comentaristas, colunistas, etc. Escolha três ou quatro vinhos e faça o mesmo com espumantes. Reúna amigos mais íntimos família e aproveite e faça uma prévia, dessa forma você ficará mais tranqüilo(a) e terá mais certeza de que escolherá o que lhe for mais apetecível. Sem contar que você já estará entrando no clima e se divertindo no processo.

4) Se for de vinho tinto e/ou branco, sirva somente um rótulo. Misturar vinhos diversos (algumas garrafas de Merlot nacional, outras de um blend português ou de um Carmenére chileno, etc.) complicará demasiado o serviço e a logistica, evite!  

         Minha sugestão é que o vinho não deva ser muito complexo, mesmo havendo grana para torrar, e fácil de harmonizar tanto com a comida como com as pessoas, o que chamo de vinhos amistosos e descomplicados sem deixar de ser muito saborosos e equilibrados, de maior elegância e menor potência. Na minha lista de Melhores Vinhos de 2008 até R$30 e de R$30 a 50,00 existe um grande numero de boas opções com os nomes dos importadores a quem você pode consultar para saber quem os tem em estoque próximo a sua casa. Em Sampa, eu sempre recomendo falar com nossos parceiros lojistas/importadores. Eis algumas dicas de vinhos com esse perfil que creio interessantes para você provar e poder decidir-se:

  • Se quiser ficar nos nacionais, não tenha vergonha porque os nossos vinhos estão num patamar de qualidade muito bom, tente o Angheben Barbera 07, Marson Reserva Cabernet e o Salton Volpi Merlot 05, três boas opções, assim como o Pizzato Reserva Merlot 05 um pouco mais encorpado e complexo, ou escolha um da lista de rótulos importados aqui abaixo.
  • Até R$20,00; Fincas Privadas Tempranillo, Fuzion Tempranillo/Malbec e Alfredo Roca Malbec ou Pinot Noir, Graffigna Cabernet e Las Moras Malbec, simples, redondos, fáceis de agradar sem fazer feio com quem entende.
  • De R$20 a 30; fica mais difícil escolher já que as opções são maiores, mas o Sucre Cabernet Sauvignon 06, Trivento Tribu Pinot Noir 07, Indomita Pinot Noir 07, Quinta de Cabriz 06, Monsaraz 06, Don Roman Crianza 06 e Bonacchi Montepulciano d’Abruzzo 06 fazem bonito.
  • De R$30 a 40,00; os muito bons Cono Sur Reserva Pinot Noir, Goats do Roam Red 05, Los Cardos Malbec 06, Casillero del Diablo Merlot 07 (uma grande safra no Chile),
  • De R$40  a 50; havendo grana, estes são para o pessoal aplaudir de pé – Travers de Marceau 06,  Códice 06, Saint Esteves d’Uchaux 06,  Les Bretaches 06, Ochotierras Cabernet Sauvignon 06 ou o Valpolicella Clássico Campo Del Biotto 06.

       Na minha avaliação, todos os vinhos acima sugeridos possuem o perfil ideal, uns mais evoluidos e de maior volume de boca que outros, mas sem complexidades exageradas e desnecessárias ao evento. São vinhos redondos de taninos finos e bem equacionados, leves para médio corpo e fáceis de gostar, todos ótimas escolhas que penso sejam de fácil harmonização tanto com massas como carnes tradicionalmente servidas em casamentos. O que escolher dependerá de disponibilidade financeira, perfil da galera, quantidade de convidados e seu gosto pessoal. Bem essa é minha opinião e minha sugestão, a escolha é sua! Que deus Baco lhe ilumine na escolha e aproveite o momento, que seja mágico como tem que ser.

Salute.

Brancos & Rosés – Vinhos que Tomei e Recomendo até R$30,00

Cá estamos em pleno verão e este calor, intercalado por chuvas incessantes, (ou seria o inverso?) clama por comidas mais leves e vinhos mais suaves e frescos. Invariavelmente, vem-nos à mente o delicioso vinho branco com suas sedutoras e sutis nuances aromáticas assim como os, agora na moda, vinhos rosé. Para que se tenha uma idéia, no Reino Unido, um dos principais centros de consumo do mundo, as vendas de vinho rosé aumentaram 17% em 2008 e, muito, em função de sua versatilidade. No verão passado fiz matéria quase que só sobre vinhos brancos, porém neste ano optei por fazer um painel de vinhos brancos e rosés tomados e provados no ultimo trimestre de 2008, junto com uma série de novos rótulos neste ultimo mês de Janeiro. Desse volume razoável de rótulos, cerca de sessenta, algumas muito boas relações Qualidade x Preço x Prazer, as quais começarei e listar hoje neste post de Tomei e Recomendo até R$30,00.

 

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A maioria dos vinhos obtidos para montar este painel, foram de brancos, mas recebi alguns bons rosés e tentamos manter os preços o mais convidativos possível. Por outro lado, no caso dos rosés mencionarei alguns vinhos tomados no ano passado, mas que creio importante incluir para ter um universo de prova maior.  No palato, os rosés mais claros (de pouco contato com as peles) e suaves acabam tendo a mesma “funcionalidade” dos brancos, inclusive no quesito harmonização, mostrando muita delicadeza e frescor como a grande maioria dos vinhos franceses da região de Provence. Já os mais escuros (maior contato do mosto com as peles) costumam ser mais robustos, possuem sabores mais concentrados e ricos podendo chegar a ser, até, levemente tânicos. Em ambos os casos, no entanto, a origem tinta é muito evidente com uma forte presença de aromas e sabores de frutas silvestres como amoras, morangos e até groselha. Para quem quiser mais detalhes, publiquei um post há dois dias mostrando como se elaboram os rosés.

Dos rosés provados, alguns se destacaram por sua delicadeza de sabores, por seu equilíbrio ou, ainda, por sua intensidade aromática, sabor ou cor. Na grande maioria são vinhos muito agradáveis e fáceis de tomar já encantando pela cor. Já nos brancos, evitei falar daqueles já listados anteriormente no blog, exceção feita àqueles que revisitaram minha taça. Tanto nos brancos como rosés, tenho uma preferência por vinhos frescos e vibrantes de baixo teor alcoólico então muitos destes vinhos certamente revelarão essa influência, apesar de ter gostado de vinhos que não necessariamente atendam a esse quesito. Podem-me retrucar que teor de álcool não tem nada a ver se bem equilibrado, mas ai eu lembro do teste da terceira taça que neste tipo de vinho é essencial.  Uma pena que os aumentos de preço, tema que já comentei por diversas vezes, nos tenha limitado um pouco a disponibilidade de vinhos nesta faixa de preços, especialmente rosés, porém creio que ainda nos restaram uma porção de bons rótulos a serem apreciados. Bem, chega de lero e vamos logo as finalmente, aos vinhos que Provei e Recomendo lembrando que os meus preferidos eu marco com um asterisco, estes são aqueles com algo mais, que me seduziram.

Até R$30,00 – Não canso de repetir que a qualidade do vinho não está no preço da garrafa e sim em seu conteúdo e aqui, mais uma vez comprovo isso. Todos mais leves, frescos e fáceis de beber com teor de álcool comedido e muito agradáveis, alguns com preços campeões, especialmente aproveitando esta época de promoções e todos, dentro de seu contexto, de muita qualidade. São vinhos descompromissados, porém muito saborosos que valem muito o preço cobrado.

 

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Rosés – É o caso do sul africano Obikwa 07* (Interfood) elaborado com Pinotage, um vinho que me surpreendeu por seu imenso frescor, e riqueza de aromas e sabor, bem com a cara do verão; os argentinos Santa Julia 07* (Expand) rosé de Syrah, cor clarete, melhor na boca que no nariz, leve, refrescante e fácil de agradar e o Finca La Linda 07 (Decanter) rosé de Malbec, algo seco e sem o frescor esperado com final de boca quente em função do álcool, quando reduzida a temperatura para cerca de 6º, ficou mais amistoso; do espanhol Artero 07* (Decanter) rosé de Tempranillo com aromas de frutos silvestres tipo amora e morango, na boca é um pouco mais encorpado que os outros nesta faixa de preço, boa acidez, um estilo mais gastronômico, mas que também vai bem como aperitivo; os portugueses Quinta de Cabriz 07 (Expand) um corte meio a meio de Touriga Nacional com Alfrocheiro uvas típicas do Dão, é bem aromático tipo tutti-frutti, na boca é bem agradável, leve e fresco com uma certa dose de mineralidade e um leve residual de açúcar que deixa o final de boca meio adocicado, interessante opção para uma beira de piscina com petiscos variados e o Terra d’Uva 07* (Lusitana) elaborado com Aragonês possui linda cor cereja e os aromas repetem o visual, boa fruta, média concentração e textura muito agradável com ótimo frescor e álcool comportado, persistência boa, muito saboroso, um bom aperitivo que deve acompanhar bem pratos leves. Para finalizar, o brasileiro Fausto 07 (Pizzato) elaborado com Merlot é um vinho leve, bem frutado e fácil de tomar, delicado, saboroso, acidez balanceada que o deixa bem refrescante devendo ser tomado, idealmente, bem refrescado próximo dos 6º.

 

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Brancos – Dos vinhos brancos, que teimamos em só dar valor nesta época do ano, tomei alguns sensacionais. De diversos estilos e cepas e para todos os bolsos. A partir de R$20 já se encontram vinhos extremamente agradáveis, frescos e ótima companhia para aquele camarãozinho grelhado, bolinho de bacalhau ou lulas à dorê no final de tarde vendo o sol se pôr no horizonte. Sol, praia/piscina, frutos do mar, a combinação perfeita à qual só falta adicionar o vinho e companhia certos para atingir o nirvana. Vinhos da uva riesling, verdejo, verdichio e sauvignon blanc com sua boa acidez e frescor, são dos que melhor combinam com esse programa de final de tarde, especialmente se tiverem um baixo teor alcoólico e um preço condizente, que caiba facilmente no bolso. Mas não esqueça dos chardonnays, dos cortes, vinhos verdes, loureiro, semillon, etc… São inúmeros os rótulos e cepas a serem conhecidas e aproveitadas em todo o seu esplendor! Nesta faixa de até R$30,00 encontramos muitos destes vinhos. Rótulos como os nossos Salton Volpi Sauvignon Blanc 08* que me surpreendeu por sua tipicidade, equilíbrio e frescor e ainda por cima é um dos que tem melhor preço, uma bela opção e o Valduga Gewurtzraminer 08* um dos melhores produzidos no Brasil, com bastante tipicidade e bem refrescante, um companheiro fiel de meus pratos de curry; os chilenos Sucre 08* (Wine Company) produção própria num projeto super interessante buscando qualidade com preço baixo, com objetivo totalmente bem sucedido neste Sauvignon Blanc muito saboroso e suave e o Misioneros Del Rengo 07* (Épice) um Sauvignon Blanc que volta e meia está na minha taça e é um grande achado com boa intensidade aromática, balanceado, muito fresco, leve e fácil de agradar; todos estes S. Blanc são muito frescos e fáceis de encantar, ótima pedida para um aperitivo e até acompanhamento de pratos leves e menos condimentados como um peixe grelhado ou um fettucine com salmão. Mas tem mais; o italiano Verdichio dei Casteli di Jeisi de Umani Ronchi 07* (Expand) uma delicia de vinho, bem cítrico, mineral e muito refrescante, um verdadeiro achado nesta faixa de preços que acompanha maravilhosamente bem frutos do mar grelhados; o chileno Cono Sur Riesling 07* (Wine Premium) outro companheiro inseparável de meus pratos com curry, mas também ótimo para somente bebericar com os amigos, o uruguaio Filgueira Sauvignon Gris 07 (Decanter) um vinho elaborado com uma uva não muito comum e, a meu ver, um vinho muito saboroso com um pouco mais de corpo que serve como aperitivo, mas cresce quando acompanhando um prato. Tem mais; da Argentina o Trapiche Torrontés 07 (Interfood) um pouco tímido no nariz, seco e faltando-lhe um pouco de acidez dando conta do recado, mas não encantando, bom para bebericar descompromissadamente com os amigos e bem geladinho e o Septima Chardonnay/Semillon 06 (Interfood) um bom vinho, mais sério e seco, bem equilibrado, corpo leve para médio, que pede comida, devendo ser um ótimo acompanhamento para fondue de queijo, pizza mussarela ou, quem sabe, até um bacalhau cozido à portuguesa. Por falar em coisas portuguesas não poderia faltar o vinho verde neste caso um campeão na relação Qualidade x Preço x Satisfação o ótimo, Quinta da Aveleda 07* (Interfood) corte de Loureiro/Alvarinho/Trajadura de muito frescor, equilíbrio e sabor, ótima companhia para grelhados e frituras como um bolinho de bacalhau. Portugal, no entanto, não é só vinho verde e o Dão Quinta de Cabriz Branco 07 (Expand) corte de Encruzado, Cerceal, Bical e Malvasia-fina é um vinho muito correto, saboroso e fácil de beber tanto como aperitivo quanto acompanhando algum prato leve tanto á base de peixe e frutos do mar quanto de uma carne branca. A meu ver, uma seleção de vinhos que valem o preço cobrado e que podem fazer a festa neste verão sem grandes rombos no seu bolso.

Gostou das sugestões, quer provar? Aproveite algumas das promoções ainda disponíveis no mercado e faça seu estoque. Contate os importadores, os lojistas parceiros ou pesquise junto a seu fornecedor predileto, mas não deixe de aproveitar estas delicias. Na segunda-feira tem mais quando apresentarei vinhos um pouco mais elaborados e mais complexos, outros nem tanto, porém todos muito agradáveis de tomar só ou acompanhados, são os vinhos entre R$30 a 50,00. Tanto brancos como roses, algumas preciosidades imperdíveis. Talvez não para comprar de caixa, como alguns destes aqui acima, mas certamente ótimas opções para sua adega.

Salute e kanimambo.

Vinhos do Dão – Quinta Mendes Pereira, um Achado.

panorama-mendes-pereira3Há cerca de 50 anos, o Comendador José Mendes Pereira aporta no Brasil onde se estabeleceu profissionalmente e onde teve seus filhos. No contra-fluxo, Raquel, sua filha, volta a Portugal com Carlos, seu marido e parceiro, com desejos de revitalizar uma velha e histórica quinta da família. Nascida em Campinas, ela deu inicio a esse processo de renovação a começar com a mudança do nome da quinta de “Quinta da Sobreira” para “Quinta Mendes Pereira” em homenagem ao nome de seus ancestrais.

Apaixonada pela Quinta, onde já se plantavam vinhas desde o século XVII, sua dedicação e ambição de produzir vinhos de qualidade na região do Dão já dá grandes resultados apesar dos seus parcos cinco anos, já tendo sido premiada quatro vezes pela Comissão de Vinhos do Dão. Em 2006, e sob a insígnia “A Arte do Vinho”, dois dos seus vinhos tintos de 2003 – o Garrafeira e o Colheita DOC – foram incluídos na lista dos 160 melhores vinhos de Portugal. Em 2007 o Garrafeira 2003 foi reconhecido pela Revista de Vinhos como o melhor tinto do Dão desse ano de produção, num alargado painel dedicado a esta região demarcada. Não é pouca coisa, para quem há pouco aportou nestas coisas de fazer vinho. Pois bem, no limiar do ano de 2008, tive o enorme prazer e privilégio de bater um papo informal com ela e conhecer seus vinhos.

O que mais me surpreendeu, foi a opção por produzir vinhos sem madeira e por um vinho de quinta, artesanal, susceptível a precipitação e depósito natural na garrafa, vinhos como antigamente num lagar de pedra granítica com pisa a pé, de quatro a cinco dias. A propriedade possui 25 hectares dos quais 15 com vinhas em que as videiras foram parcialmente renovadas de forma a garantir a homogeneidade da produção e de acordo com as castas tintas selecionadas Touriga Nacional, Tinta Roriz (Aragonês) e Alfrocheiro, bem como as castas brancas Encruzado, Cerceal e Bical. Um lago com um hectare de extensão,assegura continuamente a riqueza de água do solo de profundidade, evitando a necessidade da rega e eliminando as doenças de podridão das plantas. Mantendo a tradição da região, a fermentação processa-se em cubas metálicas revestidas, sendo o estágio assegurado em cubas tradicionais de cerâmica. O vinho estabiliza com uma graduação alcoólica próxima a 13,5º, não estando previsto o estágio prolongado em madeiras de carvalho, por não ser julgado aconselhável para este tipo de vinho. O descanso mínimo dos vinhos é de 24 meses, o Garrafeira descansa por 36, sono este perturbado apenas pela recolha de amostras para análise e controle.

Muito simpática, Raquel, nos recebeu de forma simples e aconchegante, bom papo, bons vinhos e …. um azeite muito interessante que a Raquel trouxe da propriedade. Agora falemos dos vinhos.

Quinta Mendes Pereira Branco 2005, um vinho que já não é novo, mas segue com uma acidez muito boa, bem balanceado e muito saboroso. Tenho verificado que os vinhos à base de Encruzado tem uma capacidade de envelhecer muito bem preservando seu frescor. Uma boa introdução aos bons vinhos desta vinícola e aos brancos do Dão. Um saboroso corte de 50% Encruzado e o restante uma composição de Bical e Cerceal, que está com um preço em torno de R$ 52,00.

Quinta Mendes Pereira Rosé 07. Uma enorme e grata surpresa mendes-pereira-rose1porque foram apenas algumas garrafas que a Raquel trouxe consigo. Nem sei se a Lusitana já tem esse vinho em seu portfolio, mas este rosé de Touriga Nacional tem tudo a ver. Muito aromático, um delicioso vinho, com alguma estrutura e ótima acidez que lhe permite fazer frente a diversos pratos afora ser um agradável aperitivo. Deste primeiro lote engarrafaram somente 3.000 garrafas então. Um vinho cativante, de teor alcoólico comedido e muito frescor, como um rosé deve ser, porém acho que não virá ao Brasil em função da baixa produção.

Quinta Mendes Pereira Tinto Colheita 04, elaborado com um blend de uvas regionais como Touriga Nacional, Jaen, Tinta Roriz e Alfrocheiro, permaneceu descansando por dois anos antes de ser engarrafado em Fevereiro de 2007. Um belo vinho algo herbáceo no nariz em que também aparece fruta madura em abundância e de boa intensidade, que se confirmam na boca com bastante elegância e equilibrio. Mostra boa estrutura com final de média persistência e taninos aveludados já equacionados. Bom preço pela qualidade, algo em torno de R$52,00.

mendes-pereira-garrafeiraQuinta Mendes Pereira Garrafeira 2003, engarrafado em 2006, foi, a meu ver, o melhor vinho provado neste agradável encontro e, certamente, um achado pelo preço, melhor relação Qualidade x Preço x Prazer, tanto que constou de minha lista de Melhores de 2008 em sua faixa de preços. Um vinho complexo, muito rico e denso, de ótima estrutura, untuoso e pronto a beber apesar de ainda poder evoluir algo com mais um par de anos em garrafa. Para mim, no entanto, eu traço agora em 2009, eheheh. Bom demais, um vinho vibrante, de boa paleta olfativa em que se destacam frutos vermelhos maduros com nuances florais, na boca é muito saboroso, boa acidez, grande harmonia, corpo médio, bom volume de boca, taninos finos, saboroso e looongo final de boca que deixa aquele gostinho de quero mais. A protagonista aqui é a Touriga Nacional com 80% do corte e o restante uma composição de Alfrocheiro e Tinta Roriz, talvez por isso o vinho tenha me encantado tanto. Para quem queira conhecer os vinhos do Dão, este é imperdível e por cerca de R$84,00 (espero que não tenha mudado) é uma excelente compra.

Duas observações finais. A primeira quanto à renovação da marca e rótulos que deram uma outra cara mais simpática, moderna e convidativa aos vinhos. A segunda, que fiquei com água na boca para provar os Touriga Nacional de vinificação em extreme (varietais). Produtor para ficar de olho, e na taça preferencialmente, com mais assiduidade, pois prometem muito. Para quem os quiser conhecer melhor clique aqui, ou melhor ainda, coloque um vinho deles na taça e sorva seus recados, imagens e sabores. A importação e distribuição no Brasil é de exclusividade da Malbec do Brasil.

Salute e kanimambo.

Brancos & Rosés, um Mundo de Cores

Antes de começar a postar alguns dos vinhos que Tomei e Recomendo dentro os vinhos provados neste painel de Brancos & Rosés, com tudo a ver com o nosso quente e chuvoso verão, creio interessante explicar como se faz um vinho rosé. Como sempre, muitos já saberão como, porém também existe muita gente por aí que desconhece os métodos usados e está curiosa, porém tímida de perguntar. Como um dos objetivos deste blog é também compartilhar conhecimento, vamos lá, vejamos as formas de elaborar um vinho rosé. Existem basicamente três formas de vinificação de rosados; mistura de tintos e brancos, prensagem e sangria.

 

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Mistura de tintos e brancos. Afora Champagne, onde a mistura de vinhos brancos e tintos é permitida na elaboração do Champagne Rosé, esta forma não é aceita pelo mercado e proibida na maior parte dos países produtores. Gera produtos be baixo nível de qualidade e pode, eventualmente, ser encontrado em vinhos de mesa elaborados de uvas americanas.

Prensagem direta como nos vinhos brancos. O vinho rosado de prensa é feito de uvas tintas esmagadas e a seguir prensadas em temperatura bem elevada com uma parcela dos pigmentos sendo dissolvida no mosto. Neste caso, a intensidade da cor dependerá da intensidade da prensagem utilizada. O mosto rosado é então fermentado sob as mesmas condições do mosto de uvas brancas a baixas temperaturas e bem protegido de oxidação.

Maceração rápida ou curta, método em que se obtém vinhos de melhor qualidade sendo o mais comum hoje em dia. Neste caso, a maceração (contato do mosto com as cascas das uvas) é restrita a um curto período de tempo, de cerca de 10 a 12 horas podendo chegar até 24 horas, até atingir a extração de cor e sabores que o enólogo deseja. Após esse tempo, o tonel é “sangrado” para remover de um terço a um quarto de seu conteúdo para elaboração do rosé, e o restante segue para a produção de vinho tinto.

         Abaixo segue uma figura, extraida do site Vins de Loire, que mostra claramente, mesmo que com legendas em francês, a diferença entre estes dois últimos métodos de vinificação de vinhos rosados.

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Os vinhos rosés podem ser elaborados com uma infinidade uvas, tanto como varietais como em cortes, depende da criatividade de cada enólogo e região produtora. Lá se vão os tempos de vinhos fracos, desiquilibrados e mal feitos. Hoje os vinhos rosados estão na moda em função do grande aumento de qualidade havendo diversos ótimos vinhos no mercado seja para um aperitivo descompromissado com os amigos num happy hour, ou vinhos mais elaborados e requintados que acompanham muito bem uma refeição e são bastante gastronômicos. Harmonizam bem com saladas, frutos do mar, paella, carnes brancas (frango e peru), comida chinesa (especialmente com molhos agridoces), salmão grelhado, lanches, etc.. Opte por buscar vinhos de menor teor alcoólico e boa acidez, tomando-os jovens (entre um a dois anos de garrafa), e bem refrescados entre 6 a 10º muito como você faria com um branco.

Ao longo dos próximos trinta dias postarei diversas matérias sobre deliciosos vinhos brancos e rosés pesquisados e provados ao longo dos últimos 60 dias. Foram cerca de 60 rótulos dos mais diversos estilos e preços, uns leves para bebericar outros mais evoluídos e gastronômicos no todo um painel que me agradou muito e deixará saudades. No final postarei a lista dos vinhos que mais me encantaram e comporiam a minha adega. De todos os vinhos, tentei evitar aqueles sobre os quais já falei em matéria especifica sobre brancos que publiquei aqui  e aqui , no ano passado. Alguns revisitei neste painel, mas poucos dentro do universo provado.

Salute e kanimambo

Noticias do Mundo do Vinho

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ViniPortugal, As vendas de vinhos de mesa portugueses cresceram em todos os mercados no ano passado, indicam os números da Viniportugal. “O ano de 2008 correu bem para os vinhos de mesa portugueses. Agora, em 2009, temos de trabalhar o dobro”, referiu ao Expresso Vasco d´Avillez, presidente da associação interprofissional que agrupa federações, associações e organizações profissionais ligadas à produção e comércio de vinho.

De acordo com os dados já disponíveis, o mercado inglês foi o que registou um crescimento mais moderado, limitado a 1%, mas nos Estados Unidos, por exemplo, os vinhos de mesa das diferentes regiões demarcadas nacionais cresceram 20% em quantidade e 30% em valor. O desempenho deste segmento contrasta com o registrado no vinho do Porto, que teve o pior resultado da década, com as exportações a caírem mais de 7%.

 

Enoblogs de bolso, ótima noticia que o Alexandre, a mente por trás do site, nos trás e uma grande sacada para quem gosta de viver antenado com as coisas do vinho. Diz ele; “Muita gente, assim como eu, passa um bom tempo fora do escritório e nosso único meio de conexão é o celular. Pensando nisso, desenvolvemos uma versão compacta do Enoblogs para celular. O minisite mostra os últimos 10 posts na telinha e, assim como na web, basta clicar no título do post para abrir o post inteiro direto no blog correspondente. Muito simples. Basta abrir o nevegador de seu celular e digitar o endereço: www.enoblogs.com.br/m. Já testei em iPhone e Blackberry e funcionou bem, mas como ainda está em fase de testes, devemos implementar novas funções em breve. Espero que gostem tanto quanto eu, de acompanhar o Enoblogs onde quer que estejam.”  E aí, conecte-se!

 

E eles conseguiram!!! A aberração do selo fiscal para vinhos nacionais e importados foi aprovada nesta Sexta-feira por voto favorável de 13 das 15 entidades ligadas à cadeia produtiva que participaram da reunião ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Viticultura, Vinhos e Derivados, em Bento Gonçalves. O segmento apresentou três requisitos para que a implantação do selo vá adiante: 1º) o setor é favorável desde que a manipulação dos importados seja feita na origem (sem comentários!); 2º) que a iniciativa seja avaliada por dois anos e, caso não alcance os resultados esperados, retorne a condição anterior (piada?); e 3º) redução do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) para os produtos genuínos (vinhos) e aumento de tributo para os derivados da uva e do vinho (coquetéis e sangrias). Um atraso de vida, um ato insensato e, só para variar, nós acabaremos pagando essa conta! Se alguém tiver o nome dos iluminados que votaram a favor, terei prazer em divulgá-los aqui no blog. Ah, ia-me esquecendo, quem cala consente. Fonte: Globo Rural

 

 

Wine Expo/NY tem presença de brasileiro e não é produtor não, ou será que tem algum? Quem tiver a oportunidade de visitar o Centro de Convenções Jacob K. Javits, em Nova York, do dia 27 de Fevereiro a 1 de Março, vai conhecer 600 dos melhores vinhos de vários países e encontrar 170 produtores da bebida. Além da degustação de diferentes sabores, a Wine Expo/NY traz as maiores novidades em relação a acessórios, como adegas, taças e racks especiais.

        Entre os destaques desse setor está o designer de móveis Artur Moreira. O brasileiro se inspira em grandes mestres, como Niemeyer, Dali, Picasso e Gaudi, para desafiar a gravidade com as curvas desenhadas em madeiras nobres. As “esculturas funcionais” de Artur Moreira – assim os móveis dele são conhecidos nos Estados Unidos – conquistaram o mercado internacional. Em 2008, ele foi incluído na lista de “Artistas a serem observados”, da revista Art Business News.

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Há 10 anos morando no exterior, o designer chamou a atenção com os racks expostos em uma feira de vinhos da qual participou em Aspen, no Colorado, no ano passado. Foi isso que o fez ser convidado para participar da Wine Expo/NY pela primeira vez. “Uma boa garrafa de vinho precisa ser tratada com carinho, afeto e glamour. Eu acredito que um vinho de qualidade, quando é bem cuidado, proporciona ainda mais prazer à quem vai degustá-lo”, diz Artur, que é um apaixonado por vinhos.

Outras informações sobre o designer de móveis podem ser encontradas no site www.arturmoreira.com

 

Vintage Wine Fund. Esta deu na ultima edição da boa e gostosa revista Freetime. Parece curioso e é, dá para investir em vinhos sem ser um seguidor de Baco e tão pouco possuir adega para guardar suas preciosidades. Tem é que ter muita grana, porque o investimento mínimo neste Wine Fund é a ninharia de 250 mil euros. O que é este Wine Fund? É um fundo de investimentos administrado pela OWC Asset Management Ltd. na Inglaterra. Lançado em 2003, investe seus recursos em grandes vinhos e produziu ganhos reais de cerca de 85% no período de 2003 a 2007. Nada mau, não? Problema é que 2008 trouxe consigo uma queda em torno de 20%, demonstrando que mesmo os setores mais endinheirados vêm se retraindo nesta época de “marolinhas” e “pequenas gripes passageiras” em que “o pior já passou”. Não sabe o que fazer com aqueles dólares/euros debaixo do colchão? Agora já sabe e, para facilitar, eis o site deles – www.vintagewinefund.com. Sinal dos tempos, vinho virou ativo financeiro!!

 

 

A PIZZATO já está a pleno com sua programação especial do “Dia da Colheita” sendo realizado todos os Sábados pela manhã durante o mês de Fevereiro, com um almoço harmonizado para recuperar de uma árdua manhã nos vinhedos e na cantina.

          Ano de 2009, ano novo, novas perspectivas, e uma nova safra de qualidade já está presente nas videiras garantindo a bela paisagem do Vale dos Vinhedos. As uvas estão sadias e os cachos brilham ao sol. De chapéu e avental, na companhia do Sr. Plínio Pizzato, proprietário, que irá mostrar todo o processo, desde o plantio das videiras, o crescimento, desenvolvimento das uvas até seu amadurecimento. Depois, junto com os enólogos, será acompanhada a vinificação passo a passo, com direito a um retorno à tradição de “pisa das uvas” para os que quiserem viver a experiência. E o principal: com a taça na mão e a prova do vinho, resumindo todo o caminho do plantio da videira à elaboração.

          Para repor a energia e a disposição depois destes momentos entre as videiras e a vinificação, a PIZZATO Vinhas e Vinhos e a restauranteur Giovana encerram o “Dia da Colheita” com um almoço harmonizado com vinhos e espumantes da casa. Quer saber mais, dê uma ligada para lá,- (54) 3459.1155 e (51) 8186.7386 ou envie um e-mail direto para a Giovana no giovana@pizzato.net  ou entre no site www.pizzato.net.

 

 

Albariño na Austrália? Eu que pensava que só existia na Galicia (Espanha), Minho (Portugal) e na vinícola Bouza no Urugai, descubro mais essa na revista Decanter, mas será mesmo?! O ampelógrafo francês Jean-Michel Boursiquot suspeitava que o que os australianos chamavam de Albariño era, na verdade, algum clone de Traminer branco ou de Savignin. Estudos de DNA posteriormente realizados na França corroboram com isso. Os produtores australianos, no entanto, insistem em sua versão que o que está plantado no sul da Austrália, é realmente Albariño conforme comparações efetuadas com as cepas originárias da Galicia.

         Nesta ultima semana, Ângela Martin especialista em Albariño esteve na região onde visitou um dos 56 vinhedos de Albariño existentes e confirmou que o que ela viu se assemelha muito ao que ela planta em seus vinhedos na Galicia. Polêmica reinstaurada, o Australian Wine and Brandy Corporation informa que os produtores locais deverão seguir rotulando seus vinhos como Albariño enquanto seguem estudos para determinar a veracidade dos fatos o que deverá levar mais ns dois ou três meses.

 

Restaurant Week, inspirado no de Nova York, o evento de São Paulo se junta a cidades como Washington, Boston, Londres, Amsterdã e outras 100 grandes cidades do planeta nessa Maratona Gourmet. Serão mais de 100 restaurantes que aceitaram o desafio de preparar cardápios diferenciados com entrada, prato e sobremesa a um preço fixo, igual em todas as casas participantes do evento: almoço por R$ 25,00 + 1 e jantar por R$39,00 + 1 (couvert não incluído), valores com os quais não seria possível apreciar as iguarias das casas que participam. Este 1 real acrescido na conta é para doação a Fundação Ação Criança por sua reputação incontestável de seriedade em seu trabalho de dar alimentos aos menos favorecidos. A doação dos comensais é espontânea e opcional.

O sucesso do último evento, agosto de 2008, estimulou vários sp-restaurant-weeknovos restaurantes a se unirem a esse movimento, agitando o turismo gastronômico da cidade. Um comitê formado por importantes nomes de SP avalia os restaurantes inscritos para ter certeza de que só casas com qualidade façam parte desse evento. Integram o comitê: Vitor James Urner, presidente da Fundação Ação Criança; Edon di Fonzo do La Marie; Alessandro Segato do La Risotteria; Hugo Delgado do Obá; Mukesh Rebolo do Govinda; Andréa Kaufman do AK Delicatessen; Adriana Leal do Capim Santo e Bernard Roca do Thai Garden. O projeto do Restaurant Week começou em SP em agosto de 2007 com uma arrecadação discreta par a Fundação Ação Criança de R$ 6.000,00. No segundo ano, em duas edições de eventos, a arrecadação foi em torno de R$ 62.100.00.

Iniciativa legal em que ganham todos os participantes. Está esperando o quê? Já vá fuçando no site www.restaurantweek.com.br e montando seu programa de degustações de diversos restaurantes. Neste primeiro Rstaurant Week do ano, o evento está restrito a São Paulo e Rio de Janeiro. No segundo semestre serão Sampa, novamente, Recife e Brasília. Já sei, os meus leitores de outros locais como BH, Porto Alegre e Curitiba vão estrilar, mas não tenho nada com isso não!

 

 

Ibravin informa que crescem as exportações brasileiras de vinhos finos. As exportações de vinhos e espumantes brasileiros das 34 empresas que integram o Projeto Wines From Brazil (WFB) somaram US$ 4,68 milhões em 2008, das quais cerca de 60% da Miolo. O valor é 99,4% superior às vendas de 2007, que renderam R$ 2,34 milhões. Os dados foram totalizados pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) nesta quarta-feira (28/01). “Antecipamos em um ano a meta prevista para 2009”, comemora a gerente de promoção comercial do Ibravin, Andreia Gentilini Milan. “A fatia dos vinhos finos já é de 7,5% [3,74 milhões de litros] da produção nacional de 50 milhões de litros”, destaca. O destino das exportações de vinhos e espumantes brasileiros subiu de 25 em 2007 para 27 países em 2008. Os maiores volumes são exportados para; Holanda (14%) com US$ 838 mil, seguido por Estados Unidos (10%) com US$ 552 mil e Alemanha (6%) com US$ 326 mil. Suíça, Reino Unido, Austrália, Japão, República Tcheca e Canadá aparecem como os novos países compradores de vinhos e espumantes brasileiros, fechando o ranking dos 10 principais mercados importadores.