João Filipe Clemente

Decantar Vinhos. O que é, quando e porquê fazê-lo.

Nem sempre o óbvio é tão óbvio assim, nem todos os amigos leitores têm o mesmo nível de conhecimento e sempre podem pairar duvidas sobre o porquê da decantação e quais os seus efeitos. Esta matéria elaborada em cima de experiências próprias, contatos com especialistas e sommeliers e muita leitura, é uma tentativa de eliminar duvidas quanto à decantação de vinhos que tem seus seguidores e outros nem tanto. 

A princípio, existem basicamente duas razões para se decantar um vinho; para separar o liquido de seus sedimentos (decantação) em vinhos não filtrados, como na grande maioria dos vinhos de longa guarda, e para “amaciar” os vinhos mais jovens e de média guarda e nesse caso o termo correto a ser aplicado é aeração, mesmo que isso seja feito num decanter. Há 20 ou 30 anos atrás, os vinhos ficavam envelhecendo em garrafa, por três, quatro ou mais anos, nas adegas do produtor antes de serem colocados no mercado, chegando ao consumidor mais amistosos e prontos a beber. Apesar de ainda existirem alguns puristas que seguem essa filosofia a globalização gerou uma maior demanda e aumentos de produção o que junto ao alto custo do capital e a necessidade de fazer caixa, fez com que os vinhos começassem a sair para o mercado muito cedo estando ainda muito fechados e duros na sua maioria, especialmente os de maior guarda. São estes os vinhos que se beneficiam bastante do processo de aeração.

Nos vinhos jovens que pouco passam por madeira, quando o fazem porque a maioria é chip ou tábua, para serem tomados nos primeiros dois ou máximo três anos de vida, não existe grande necessidade de decantação, apesar de que até eles podem se beneficiar desse processo de aeração por um curto espaço de tempo. Por pressões de mercado que nos empurram as novas safras, cada vez tomamos vinhos mais jovens e aproveitamos cada vez menos todo o seu potencial o que, a meu ver e para o meu gosto, é um equivoco. Para os vinhos de média guarda a serem tomados com 5 a 8 anos de garrafa ou os de longa guarda dez a mais anos, a aeração se torna essencial quando tomados mais cedo. No decanter ou em outro contentor similar, o vinho entra em contato com o oxigênio que provoca uma aceleração de sua maturação, intensifica os aromas da fruta, reduz a tanicidade do vinho, evapora um pouco do alto teor alcoólico (muito comum nos dias de hoje), perde um pouco dos eventuais exageros de madeira tanto nos aromas como sabor e ganha harmonia tornando-se mais macio e menos agressivo.

panorama-decanter

 Decantar um vinho de longa guarda, como um grande Bordeaux ou um Porto Vintage com seus já 15, 20 ou mais anos de garrafa pode, no entanto, ser um enorme perigo. Devido ao tempo de garrafa o vinho já evoluiu e está mais fragilizado, podendo morrer se ficar no decanter por muito tempo. O ideal é decantar somente para eliminar os sedimentos existentes, se quiser porque tem gente que gosta da borra junto, e servir de imediato evitando que o vinho permaneça por muito tempo nesse processo de oxigenação. Nestes casos recomenda-se que se deixe a garrafa na vertical por uma 24 horas antes de servir para que os sedimentos existentes desçam para o fundo da garrafa. Funil com redeUsando-se um funil de inox com redinha, tem o de vidro que eu também uso, verta o vinho lentamente no decanter até que as primeiras borras caiam na redinha e pare. Na garrafa restarão as borras e algum vinho que, eventualmente você poderá filtrar com um filtro de café e usá-lo na preparação de um molho, ou, se o vinho for “daqueles” inesquecíveis e caros que você não queira perder uma única gota, siga vertendo o vinho ainda mais vagarosamente. Algum sedimento ainda passará, mas …… Quanto ao uso do filtro de café, tem gente que o recomenda no lugar do funil com redinha, o que acho um enorme equivoco, já que o filtro de papel reterá também uma série de outros importantes quesitos do vinho como seus aromas, alguma untuosidade e sabores, então sugiro que jamais seja usado como filtro para vinhos.

Um outro aspecto da decantação é onde fazê-lo, tem que se comprar algum decanter caro? Não, na verdade não e, é aqui, que as potenciais frescuras aparecem, especialmente para aqueles com menos controle consumista já que realmente existem modelos com design lindíssimos. Lógico que se tiver a possibilidade, e não são caros, de comprar um especifico para este uso melhor. Precisa ser de vidro ou cristal, límpido, transparente e muito bem limpo o formato é menos importante. Na falta de um decanter especifico, pode usar uma jarra, não tem problemas, no máximo vocês estará agilizando o processo de oxigenação caso ela seja muita aberta na boca. É bonito? Nem tanto, mas quando não dá………, não dá, né? Por outro lado, depois de decantar ou aerar, sempre dá para devolver o vinho á garrafa e servir dela, então se usar uma jarra ninguém vai nem saber! rs Agora, ente R$70,00 a 100 já dá para encontrar um que não faça feio então, assim como com taças, também não vamos exagerar na economia, certo?

Por quanto tempo e quando decantar? Bem, aí varia muito de vinho para vinho e a minha opinião é, quando você não conhecer o vinho, sempre servir um pouco direto da garrafa algumas horas antes para provar e sentir se o vinho está muito duro e tânico até porque os vinhos mudam com a idade e aquele vinho “power” no seu segundo ano de vida pode já estar mais pronto aos oito! Muitas vezes, só na taça ele já abre um pouco e melhora, então provar um tempinho antes é essencial. Se ainda estiver fechado do aí uns 40 minutos a uma hora devem dar, eventualmente uns 90 minutos para os mais duros, porém disso nasce um outro problema, a temperatura que vai pró brejo. O vinho que veio da adega a 16 ou 18 graus, após 40 minutos ou mais, estará à temperatura ambiente o que quer dizer, dependendo de onde você esteja e da época do ano, algo próximo a 25 ou 30 graus o que o tornará intragável! Para evitar que isso ocorra, a dica é comprar um decanter que tenha em sua base um porta gelo, um decanter de fundo côncavo e um ninho de gelo sob a base, alguns exemplos podem ser vistos na imagem acima (fotos 1 e 2). São peças mais caras, mas têm lá seu charme e são eficazes, porém sempre se pode usar a criatividade usando um prato de sopa, desses de vidro transparente para não ficar muito feio nem chamar muito a atenção, com algumas pedras de gelo, mas sem que o decanter fico apoiado sobre elas. Desta forma, ele recebe somente o contato do ar gelado por baixo ajudando a mantê-lo à temperatura mais próximo do desejado e você pode ir dosando essa exposição. (clique na imagem para ampliá-la).

Clipboard Decantando vinhos

Por último ficam duas perguntas, que vinhos não decantar e se os brancos também se decantam? Bem, a recomendação é que somente os vinhos mais tânicos e duros devam passar pelo decanter já que vinhos mais delicados e de grande complexidade aromática, como um Pinot Noir da Borgonha ou um Cru de Beaujolais por exemplo,  salvo alguns especiais, podem perder toda a sua exuberância no processo. Quanto aos brancos, pessoalmente nunca experimentei, mas, a rigor, nada ganham a não ser talvez alguns grandes vinhos de maior corpo e idade como alguns Chateauneuf-du-Pape ou Condrieu.  O Champagne e espumantes, nem pensar, apesar da recomendação de alguns críticos, a alma deste vinho está em seu perlage, nas suas borbulhas, decante e você perde tudo isso, não faz sentido, pelo menos para mim!

Ferramentas de trabalho? rsrs Simples, um kit básico formado por; funil de inox com rede ou de vidro, decanter (jarra) e um pedestal para secá-lo depois de lavar, como na foto 3 da imagem acima com os diversos tipos de decanter e, óbviamente, um bom vinho!

Salute e Kanimambo.

Salvar

Desafio de Vinhos

novidade

Esta é mais uma seção que estréio agora em Março com o “Desafio Torrontés”. Neste desafio, um painel composto de 6 a 8 vinhos sob um mesmo tema, preferencialmente da mesma safra e de faixa de preços similares (dentro das minhas já conhecidas faixas de Tomei e Recomendo), serão avaliados por um grupo de pessoas escolhidas a dedo (máximo 12), entre lojistas parceiros, colegas blogueiros, restauranteurs, enófilos, degustadores, sommeliers, colunistas e pesquisadores, enfim, um punhado de gente experiente nos caldos de baco. Nada de grandes críticos, somente gente que lida com o vinho, enófilos e apreciadores de vinho em geral. Uns com um pouco mais de experiência, outros menos, mas todos sem qualquer vinculo profissional com os vinhos e seus doadores ou seja, sem ter qualquer compromisso com nada a não ser com o vinho na taça e o seu prazer, um perfil do consumidor brasileiro. Aliás, incrível como tenho visto vinhos bem cotados pelos grandes críticos nacionais e internacionais, terem notas bem baixas na avaliação dos enófilos! O porquê disso, creio, é que a análise técnica deixa de lado o mais importante do vinho, o lado sensorial, deixando-se de considerar o prazer que esse vinho provoca na boca. Nestes “Desafios”, procuraremos, dentro do possível, dar maior ênfase à satisfação de cada um, sem deixar de lado aspectos práticos e técnicos. Neste caso, para evitar quaisquer influências externas, a degustação será sempre às cegas o que é melhor ainda e extremamente entusiasmante para quem participa, pois garrafa a garrafa, vai aumentando a expectativa sobre o que se tomou.

Como sabem, me recuso a dar notas ao vinho, mas neste caso será impossível não fazer isso. Usando uma planilha de degustação, cada participante dará sua nota, eventualmente comentários, e a soma das notas dadas por todos os presentes e dividido pelos numero de participantes, tirando-se a mais alta e a mais baixa para evitar eventuais restrições, será a nota média alcançada pelo vinho. A maior nota média ganha o Desafio, quando então, as garrafas serão descobertas e saberemos o rótulo ganhador. Simples e objetivo sem frescuras, com descontração e alto astral. Vejam o significado dessas notas:

  • Abaixo de 70 pontos – Vinho fraco, ralo, sem qualidade. Vinho a esquecer.
  • 70 a 74 pontos: Vinho médio, que se não encanta também não desencanta e, ao preço certo, até dá conta do recado.
  • 75-79 pontos : Bom vinho que já desperta sensações diferentes
  •  80-84 pontos: Muito bom vinho de boa tipicidade que já lhe desperta a atenção e lhe traz prazer.
  •  85-89 pontos:  Ótimo vinho,  daqueles que já despertam sua curiosidade e comentários na mesa, trazendo grande satisfação.
  •  90-94 pontos: Excelente vinho de primeira linha que já lhe oferece sensações diferenciadas, que marcam seu palato e seu olfato de forma marcante.
  •  95-100 pontos: Vinhos excepcionais, estupendos, grandes e todos os superlativos juntos! Vinhos de exceção e reflexão que marcam a memória e a alma, além do olfato e palato.

Ser o ganhador, por outro lado, não quer dizer que esse vinho seja necessariamente melhor que todos os outros e sim a confirmação de que, nessa noite especifica; esse vinho, dessa garrafa caiu mais no agrado dos participantes da banca de degustadores do Desafio. Como um experiente atleta pode perder um jogo ou uma competição num dia e ganhar em outro, assim são os vinhos e, nossa vinosfera. Certamente que ser o ganhador do Desafio é uma coisa interessante e terá o seu merecido destaque aqui no blog. Pretendo que se realize um por mês e conto com a ajuda de lojistas/restaurantes/wine bars/importadores e produtores para que as mesmas aconteçam de forma regular como programado. A idéia será realizar o evento em locais diferentes e com temas dos mais diversos. Poderemos, eventualmente, ter um convidado especial que será nosso guia da degustação, preferencialmente um sommelier, mas isso ainda depende de muito papo. rsrs.

Na semana que vem, publicarei o resultado do primeiro Desafio, piloto para os outros que virão, o “Desafio Torrontés” realizado na Portal dos Vinhos, quando, aproveitando o tema de Brancos & Rosés do mês, foram provados nove rótulos variando entre R$25 a 50,00 – Fantasia de Mauricio Lorca 06 (Ana Import), Alamos 07 (Mistral), Crios 08 (Cantu/Br Bebidas), Alta Vista Premium 07 (Èpice/Casa Palla), Pisano Cisplatino 08 (Mistral), Santa Julia 07 (Expand), Michel Torino Don David 07 (Bruck/Portal dos Vinhos), Colomé 06 (Decanter) tendo sido incluído, posteriormente, um La Linda 07 (Decanter).

Salute e kanimambo

 

PS. Patrocinadores serão bem-vindos!

Vinhos da Semana – Inicio da Maratona de Aniversário

Decidi abrir minha maratona de bons vinhos, com que me presentearei em meu aniversário, com um agradável almoço em família e seguindo um padrão básico. Um branco para preparar o palato e abrir o apetite, um tinto e algo para acompanhar a sobremesa, um mil folhas muito suave e não muito doce que costumo comprar por aqui perto. Foi um bom começo!

 

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Protos Verdejo 2007 – Já o tinha provado, recomendado sua compra numa promoção que a Kylix tenha feito e entrará no meu ultimo post de Tomei e Recomendo Brancos & Rosés. Um dos vinhos mais inebriantes que tive o prazer de tomar ultimamente. Um branco estupendo, vibrante, brilhante em todos os sentidos. Aromas de frutas tropicais de muito boa intensidade com algo de grama molhada e nuances florais. Na boca é um negócio! Muito saboroso, fresco, balanceado com um final de boca longo em que mostra uma certa mineralidade e algo cítrico, excelente companhia para o carpaccio de salmão que comemos de entrada. Um vinho verdadeiramente sedutor e que, quando se dá conta a garrafa já era! Em dois tudo bem, agora se for tomar com outras pessoas, tenha mais que uma garrafa à mão porque uma taça chama a outra com extrema rapidez! Somente a segunda safra deste vinho e já um verdadeiro blockbuster. Preços variam entre R$43 da oferta da Kylix, que presumo que já tenha acabado, ao preço de lista da Península (Importadora) de R$54,00. I.S.P.   

 

Beaune du Chateau 1er Cru 2003 – Um vinho elaborado por Bouchard Pére & Fils que tem um dos melhores Pinots genéricos de Borgonha. Este é um blend de 14 parcelas 1er cru, viníficados separadamente. Paleta aromática um pouco tímida onde aparece fruta madura e algo tostado, porém sem a intensidade que esperava deste vinho. Na boca é fresco, saboroso, corpo médio, um estilo um pouco austero e comportado com taninos finos e firmes de boa textura, num final de boca agradável e de média persistência. Um bom vinho, (comprei nos Estados Unidos por algo próximo a USD35) que satisfaz, mas não empolga. Acompanhou bem o pepper steak servido e bastante suave na pimenta. Aqui a importação é da Grand Cru, mas não vi este rótulo em seu portfolio. I.S.P.  

 

Oremus Moscatel – O parceiro ideal para a sobremesa. Os espumantes Moscatel Brasileiros são, em sua grande maioria, bastante bons e este me agradou. Não é um blockbuster nem se propõe a isso, porém não é muito doce e a acidez está bem dosada o que lhe permite um certo equilíbrio na boca e ótimo frescor. Bem aromático, suave, fácil de beber, com seus 7.5% de teor alcoólico, bem geladinho neste verão, que agora veio com calor bravo, e com sobremesas como esta ou salada de frutas com sorvete ou, ainda, como aperitivo. Bastante interessante e por cerca de R$19,00 no mercado, é uma opção de vinho para sobremesa que certamente agradará e não cria nenhum rombo no bolso. Produção é da Fantes Bebidas na Serra Gaúcha. I.S.P. $  

        

          Decididamente este Protos Verdejo foi o vinho do dia, aquele que todos ficamos comentando o resto do dia e um vinho que recomendo aos amigos tomar. Perfeito para este verão e a qualquer momento, gamei! Mais da maratona conforme for dando tempo.

Salute e kanimambo.

Mais um Pouco Desse ” Maledetto” Selo Fiscal no Vinho

             Interessante saber alguns dados mais sobre este assunto que nos afetará diretamente. Contrariamente ao que a Câmara Setorial da Viticultura, Vinhos e Derivados tenta divulgar, não ocorreu uma votação maciça a favor da resolução (veja o que aprovaram aqui), muito pelo contrário. A noticia divulgada aos quatro cantos dizia que havia treze votos a favor e dois contrários, não por acaso dos que representavam os importadores. A real votação, aparentemente, se deu desta forma:

  9 votos favoráveis ao selo COM condições.

  6 votos favoráveis ao selo SEM condições.

  6 abstenções.

  2 contra. ( ABBA e ABRABE)

Por outro lado, de acordo com Ciro Lilla (Mistral) ao blog do Didu, “ na votação da Câmara, a maioria dos que votaram a favor da selagem não tinha lido a Instrução Normativa 504, de 2005, que regula a selagem em seus mais de 70 artigos”. Parece piada, mas não é! Primeiramente que nos dias de hoje a burrocracia de plantão ainda consiga estabelecer uma instrução normativa com 70 artigos e, do outro lado, gente que vota em algo sem conhecer os detalhes que, obviamente, terão impacto direto sob suas próprias operações.

         Já me falaram, em off, que parece que estou defendendo os importadores e nada poderia estar mais errado. Nem importadores nem os produtores nacionais, minha bandeira é o do consumidor, eu e você! O lema deste blog sempre foi Melhores Vinhos por Melhores Preços e esta aberração que estão inventando é absolutamente contrária a este principio. Aliás, tomei posição sobre o assunto já faz um tempinho e acho que tudo isto nada mais é do que um ato protecionista da ineficiência disfarçado de defesa da legalidade contra o contrabando e falsificação. Mais um ato típico da cultura tupiniquim que prefere tapar o sol da peneira, muito mais fácil, do que realmente trabalhar e suar por soluções estruturadas e definitivas visando algo duradouro com projetos de médio e longo prazo factíveis de serem implantados.

Cadê a grande imprensa e seus escolados jornalistas especializados?! Não basta relatar noticia enviada pelos assessores de imprensa, (canso de ver textos meramente copiados e colados sem sequer uma mudança de virgula) há que se sair de cima do muro, tomar posição e emitir opinião em alguns momentos, este é um deles, antes que o estrago seja feito e nós tenhamos que pagar a conta de mais este descalabro. Quer se manter atualizado e saber mais sobre o que anda acontecendo, digite “selo fiscal” no espaço á direita no topo da página e clique em search para ver outros posts sobre o assunto e dê uma passada no blog do Didu (link aqui do lado) que tem conseguido obter mais informações de fontes sérias e idôneas assim como a manifestação de alguns conceituados profissionais do setor.

Para finalizar, uma frase de Tomas Jefferson: “Sobretaxar o vinho como uma taxa sobre o luxo é, ao contrário, uma taxa sobre a saúde de nossos cidadãos.”

Noticias do Mundo do Vinho

wine-globe-23Ibravin – A venda de vinhos espumantes produzidos no Rio Grande do Sul somou 9,46 milhões de litros em 2008, um aumento de 10,5% na comparação com 2007, quando foram comercializados 8,56 milhões de litros. O resultado foi divulgado no domingo (15/02), em Bento Gonçalves, pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), no encerramento do Projeto Imagem, que trouxe 150 jornalistas, sommeliers, compradores e formadores de opinião do Brasil e do exterior. O balanço de vendas de 2008 tem base nos dados obtidos junto ao Cadastro Vinícola, projeto mantido pelo Instituto em colaboração com a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Pesca e Agronegócio (Seappa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Entre os espumantes, 7,56 milhões de litros foram do tipo brut e démi-sec (um acréscimo de 8% em relação a 2007) e 1,89 milhões de litros de moscatéis (20% a mais do que no ano anterior).

São Paulo foi o principal mercado consumidor dos espumantes elaborados no Rio Grande do Sul – dono de cerca de 90% da produção brasileira –, com a compra de 3 milhões de litros. Os gaúchos consumiram 2,5 milhões de litros. Destino de 1,1 milhão de litros, o Rio de Janeiro fica em terceiro lugar. Em seguida aparecem Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Bahia. Outros 20 estados adquiriram as borbulhas feitas no RS. “O crescimento constante na venda de espumantes é resultado da evolução qualitativa dos produtos reconhecida pelos consumidores”, explica o diretor-executivo do Ibravin, Carlos Paviani. “O acréscimo de 20% na comercialização de moscatéis é um sinal de que esta tendência de aumento no consumo da bebida deve ter continuidade e até beneficiar os vinhos brancos e tintos”, avalia, acrescentando que “os moscatéis costumam ser a porta de entrada para espumantes secos e vinhos brancos e tintos”.

O que só vem provar que quando o produto é bom, o preço é correto e o trabalho comercial adequado, não existem problemas com os importados, com impostos excessivos e eventuais contrabandos. Para quê selo fiscal?! Dá para pensar, não?

 

 

Nova Zelândia – Como Eduardo Chadwick no Berlin Tasting e o Julgamento de Paris antes dele, produtores da Nova Zelândia desafiaram os todos poderosos vinhos de Bordeaux numa degustação às cegas em Londres, faz alguns dias. De 12 garrafas colocadas à prova numa degustação às cegas, metade eram de Bordeaux e metade da Nova Zelância con ênfase nos vinhos da Gimblett Gravels que, conseguiu colocar dois rótulos de valor abaixo de 25 libras esterlinas entre os top seis, vinhos franceses que custam fácilmente 10 vezes o preço. Destes, o Sacred Hills logrou estar na frente de um desses todo poderosos, o Haut-Brion, entre outros, resultado para se tirar o chapéu. No júri, gente do calibre de Jancis Robinson e Oz Clarke entre outros.

 

Os top seis:

Château Lafite-Rothschild 2005, Pauillac

Château Mouton-Rothschild 2005, Pauillac

Château Angélus 2005, St-Emilion

Sacred Hill Helmsman 2006, Gimblett Gravels

Château Haut-Brion 2005, Pessac-Léognan

Newton Forrest Cornerstone 2006, Gimblett Gravels

 

Outros vinhos da prova.

Craggy Range The Quarry 2006

Mills Reef Elspeth Cabernet Sauvignon 2006

Trinity Hill The Gimblett 2006

Villa Maria Reserve Cabernet Merlot 2006

Château Cos d’Estournel

Vieux Château Certan

Fonte: Decanter Magazine

 

Pizzato – feliz de ver que o Merlot Reserva 2005, um dos meus Melhores de 2008 entre R$30 e 50,00, uma das grandes compras do mercado na atualidade, segue colhendo prêmios tendo conquistado o título de vinho “Brasileiro do Ano” pela revista Gula, uma das mais conceituadas publicações na área de gastronomia e enologia. A recente Gula Edição Especial de Vinhos publica uma seleção com 222 melhores vinhos do ano, escolhidos pelos degustadores da revista, muitos dos quais analisados nas provas mensais durante o ano de 2008. A vinícola da família Pizzato está completando dez anos de mercado e consolida um trabalho sério e consistente, a começar pelo cuidado no vinhedo. Desde o início se destacou pela qualidade de seu Merlot, pois chamou a atenção de todos com o inesquecível tinto da safra 1999. Importante também, o fato da vinícola se posicionar muito bem no mercado com preços justos e buscar experimentar com novas cepas como a Egiodola e a Alicante Boushet.

Premiado com a medalha de Ouro no IV Concurso Internacional de Vinhos, o Pizzato Reserva Merlot 2005 também foi eleito pelo 9º ano consecutivo como melhor vinho ou melhor custo-benefício dos tintos brasileiros pelo jornal Valor Econômico. Por volta de R$30 a 35,00 é realmente um dos grandes achados no mercado.

 

herdade-dos-pinheiros-1Herdade do Pinheiro – Este produtor Alentejano produz ótimos vinhos e sou um fã deles. Lamentavelmente seus representantes aqui não são muito ativos sendo difícil encontrar seus produtos que são um pouco desconhecidos do publico consumidor brasileiro. Sempre que ia a Portugal comprava umas garrafas e lembro-me do bom tinto e do excelente reserva deles, do incrível rosé e de ter degustadado as primeiras provas de uns vinho maravilhoso, ainda por engarrafar; o Homenagem, vinho premium do qual trouxeram somente algumas poucas garrafas sem rotulagem à Expovinis de 2007. É com felicidade que vejo o ” Homenagem a António Silvestre Ferreira – Colheita Seleccionada 2004″, aparecendo como um dos melhores da Região Alentejo, pela Revista de Vinhos na cerimônia “Os melhores de 2008”. Justo reconhecimento ao trabalho dos irmãos Ana Bicó e Miguel Ferreira que levam adiante o legado de seu avô, Antonio Silvestre Ferreira.

         Mas tem mais, veja a as ultimas premiações que esta simpática vinícola colheu com seus saborosos vinhos.

  •  XVI CONCURSO “OS MELHORES VINHOS DO ALENTEJO“ 2008 – Talha de Prata – “Herdade do Pinheiro Branco 2007.
  • VINITALY 2008,VERONA Março de 2008 –  Gran Menzione (CategoriaVini Bianchi) – “Herdade do Pinheiro Branco 2007”
  • 8TH WINE INTERNATIONAL COMPETITION BACCHUS Março/2008 – Madrid“Herdade do Pinheiro Reserva Tinto 2003”.

Por sinal, este ultimo (Reserva 2003) eu conheço e é um dos belos vinhos produzidos hoje no Alentejo, de muito boa relação Qualidade x Preço x Prazer. Vinho para se procurar quando de viagem por terras Lusas!

 

 

Zuccardi – Este inovador produtor Mendocino está sempre buscando coisas novas e atividades de marketing diferenciadas. Seja disponibilizando seus vinhos na McDonald Argentina, seja com suas sacadas de enoturismo com carros antigos e agora numa ação inusitada em conjunto com a Freddo que, para quem conhece, é a principal rede de sorvetes na Argentina. Juntos lançara o sorvete Malamado  e o Pomelo y Torrontés;.

Malamado, surge de fina combinación de frambuesas y arándanos con el exclusivo MALAMADO Malbec de la bodega, el cual es primer vino fortificado argentino. De esta manera, se obtiene un gusto intenso y complejo, tanto en su color como en su sabor, debido al notable maridaje de estos frutos rojos con un vino de alto contenido de azúcar y alcohol, que ha reposado en barricas de roble francés durante más de dos años.

Pomelo y Torrontés, es el resultado de la combinación entre pomelo rosado cuidadosamente seleccionado y la frescura del vino Santa Julia Torrontés. El maridaje entre ambos es ideal, ya que esta fruta se encuentra entre los descriptores de sabor más destacados de este vino, elaborado a partir de uvas procedentes de las regiones mendocinas de Maipú y Santa Rosa. Otros descriptores de este vino son su aroma a rosas, cáscara de naranja, durazno blanco y algo de hierbas aromáticas.

 

Esporão – Vinícola do ano pela Revista de Vinhos, está desde 1985 no Alentejo produzindo vinhos de grande qualidade desde sua gama de entrada com o Monte Velho até seu vinho mais conceituado. São 600 hectares de vinhas aos quais se unem agora mais 60 de uma nova propriedade adquirida no Douro de onde também serão extraídos azeites de primeira. É, efetivamente, a consolidação de uma marca que honra a vitivinícultura de Portugal.

 

Perini – Vinícola em ascensão e jovem apesar de seus 130 anos de história, foi a partir de 1970 que o empreendimento começou seu processo de reformulação que resulta hoje num total de 92 hectares de vinhedos divididos entre 12 hectares em Garibaldi e 80 hectares em Farroupilha. Apostam em variedades como a uva Marselan, proveniente de uma casta nobre de origem francesa e resultante do cruzamento das uvas Cabernet Sauvignon e Grenache Noir, que se adaptou muito bem ao terroir da Serra Gaúcha e ao paladar brasileiro tendo, por este motivo, havido um acréscimo de 20% em seu plantio nesta safra. O Marselan da safra 2007 da vinícola foi agraciado em avaliação nacional da ABE como o mais representativo de sua variedade.

“A Vinícola Perini mantém sua aposta no Marselan e está confiante nos resultados deste varietal exótico, estimando um acréscimo de 20% em sua produção na safra 2009, já que o vinho adaptou-se muito bem ao paladar brasileiro e, principalmente ao gaúcho, já que é acompanhamento ideal para o churrasco”, acrescenta Benildo Perini, diretor da Vinícola.

 Aguardemos a chegada nas prateleiras para conferir.

Salute e kanimambo.

Reflexões do Fundo do Copo – A Madeira de Lei no Vinho.

breno3Mais um texto do amigo e colaborador de todos os sábados, Breno Raigorodsky. Para acessar seus textos anteriores, clique em Crônicas do Breno, aqui do lado, na seção – Categorias

 

Participei de uma degustação, com vários jornalistas de prestigio, em que a Lidio Carraro apresentava uma segunda linha de vinhos que não tem o nome Lidio Carraro no rótulo. Entre eles o Elo, um vinho 20% malbec, 80% cabernet sauvignon. Gosto, pergunto para o enólogo se um vinho equilibrado como este não estava a merecer uma versão com passagem em madeira para lhe dar mais elegância, sei lá, mais guarda. Silêncio, mal estar, cochichos. Por acaso não sabe o interrogante que a Lidio não trabalha com madeira, respondem com os olhos os indignados presentes? Fiz a pergunta, mas deveria calar e ficar a pensar com os meus botões. Estava dando tratos à bola, com as denominações espanholas na cachola, que – ao modo de tantas outras européias – vão enobrecendo o rótulo de seus vinhos conforme o tempo de guarda – de Crianza para Reserva e depois para Gran Reserva.

Uma das maiores invenções do mundo do vinho depois da uva, do carvalho e do enxerto americano é a micro-oxigenação. A uva entra com o suco e com seu levedo Saccharomyces, responsável pelo milagre da transformação do suco de uva em vinho. O carvalho vem com toda aquela pompa e circunstância de quem nasceu em berço esplêndido dos bosques bordoleses e conviveu com praticamente todos os grandes vinhos que chegaram aos nossos tempos. O enxerto viabilizou o negócio agroindustrial do vinho moderno apesar da filoxera, uma praga que dizimou os pés de videira de tudo quanto é produtor longe do Pacífico. A micro-oxigenação substitui com rapidez o processo de amaciar taninos rebeldes sem recorrer a um recipiente caro e raro como é o barril de madeira. E mais, acrescente chips de compensado de madeira com essência de carvalho e pronto, temos um vinho com os aromas e a maturidade do vinho que todos esperamos.

Neste jogo de verdade e mentira, os vinicultores andam fazendo de tudo para acelerar o momento de engarrafar seus preciosos produtos. Também pudera, em menos de cinco anos vinhos como o Brunello de Montalcino toscano passou de vendas na ordem de 800mil garrafas ao ano para 5 milhões; em menos de 10 anos a Austrália passou a utilizar o dobro de hectares para o eno-negócio! Sem falar que o vinho reconquistou espaços por décadas abandonados para o plantio da uva e descobriu milhares de hectares novos para esta prática. No Brasil do Vale do São Francisco, de São Joaquim e da Campanha. Na Itália da Puglia e da Umbria, que sempre produziram, mas não de modo tão capitalizado. Na Eslovenia, em Israel, no Líbano, na Colombia etc.

Madeira e fruta trabalhada em geléia. Este foi o objetivo do negócio novomundista do vinho nos últimos tempos, dignas exceções feitas. Agora vemos um movimento para tirar o gosto de madeira do vinho, no típico exercício pendular que rege a moda. Primeiro muito madeira, agora não. Expulsar da garrafa os taninos da madeira, é o up to date do vinho! O carvalho domina os taninos do vinho desde que os celtas começaram a misturar o líquido e a madeira de lei, algo como 1500 a.c. Certamente eles não fizeram uma pesquisa científica para ver qual era a madeira que melhor servia para substituir a ânfora no acondicionar o vinho. Pegaram a que tinham em mãos sem qualquer preocupação com o ecossistema ou a finitude dos elementos e iniciaram este casamento consagrado por todas as adegas do mundo, um processo que só agora está sendo contestado. Contestado por abuso e mau uso, evidentemente.

barrisVinhos muito ariscos como os nebiollo, sangiovese e alguns outros, que mesmo depois de cinco anos de descanso entre madeira e garrafa precisam oxigenar algumas horas, estão sendo contestados sim. O modelo, mais uma vez, é o de Bordeaux, espécie de estrela-guia para o vinho. 18 meses de barrica, guarda infinita, de preferência mais de 10 anos. Mas quando pensei em voz alta sobre a madeira para aquele bom vinho, pensei numa madeira menos vibrante, nada oxidado como os velhos espanhóis que merecem ser esquecidos nem tão cheios deste enjoado gosto duvidoso como o que se tem neste Cabernet Sauvignon reserva do Robert Mondavi, ícone do vinho do Novo Mundo.

Clos Ouvert é o nome de uma pequena produtora chilena de um francês que compra as uvas e vinifica sempre a partir de tonéis de carvalho francês com 3 usos, seguindo uma tradição de vinhos caseiros, muito antiga. Os vinhos dele são bons, à vezes melhores do que a grande maioria dos vinhos badalados do Chile e da Argentina, porque a madeira e seu sabor só se percebem lá no fundo. Acho legal, eu aceito o argumento. O nebbiolo 2002 da família Bettù que não passa por madeira é prova concreta que os caminhos que levam ao paraíso do vinho não passam obrigatoriamente pela madeira. Todo Chablis cru não passa por madeira, é ótimo e é longevo pra danar. Mas como diria Paulinho da Vila, em dia de nevoeiro é bom levar o barco devagar.

 

Breno Raigorodsky; filósofo, publicitário, sommelier e juiz de vinho internacional FISAR

Catena – Decanter Homem do Ano 2009

catenaIa deixar para as Noticias do Mundo do Vinho que publico todo o domingo, mas achei que esta merece um destaque especial e post especifico. Produtor de alguns dos melhores néctares argentinos, Nicolás Catena acaba de ser nomeado Homem do Ano 2009 pela revista Decanter. Uma grande honraria que este pioneiro e inovador produtor merece já que é, reconhecidamente, a mola propulsora por trás do enorme salto de qualidade dos vinhos argentinos. Nos idos de 1990 quando iniciou suas plantações no Vale do Uco a 1440 metros de altitude o chamavam de louco, hoje é fato consumado, quando todos apostavam suas fichas somente em Malbec, ele descobriu o enorme potencial da Cabernet Sauvignon e gerou algumas “obras” magníficas como o Estiba Reservada e o Catena Alta, dois dos melhores que já tive a oportunidade de tomar. estiba-reservada1Suas criativas e inovadoras estratégias na área de marketing internacional, também são exemplo a ser seguido e benchmarking para diversos outros produtores e regiões. Não tive a honra e o prazer de o conhecer, mas dizem que afora toda essa maestria ainda é uma pessoa boníssima e gentil com o ego sob controle apesar de toda a fama e auê à sua volta. Ele costuma brincar dizendo que “dos quatro filhos que seus pais tiveram, três nasceram no hospital, e ele foi parido em uma vinha” o que demonstra sua estreita ligação com o campo e sua paixão pelo vinho.

Nicolás Catena tem como companheiros nesse verdadeiro hall da fama do mundo do vinho, alguns dos mais ilustres nomes de nossa vinosfera, veja abaixo, não é para qualquer um não!!

  • 2008 Christian Moueix – Pomerol
  • 2007 Anthony Barton – Bordeaux
  • 2006 Marcel Guigal – Rhône
  • 2005 Ernst Loosen – Mosel
  • 2004 Brian Croser – Adelaide Hills
  • 2003 Jean-Michel Cazes – Bordeaux
  • 2002 Miguel Torres – Penedès
  • 2001 Jean-Claude Rouzaud – Champagne
  • 2000 Paul Draper – California
  • 1999 Jancis Robinson MW – London
  • 1998 Angelo Gaja – Piedmont
  • 1997 Len Evans, OBE AO -Australia
  • 1996 Georg Riedel – Austria
  • 1995 Hugh Johnson – London
  • 1994 May-Eliane de Lencquesaing – Bordeaux
  • 1993 Michael Broadbent – London
  • 1992 André Tchelistcheff – California
  • 1991 José Ignacio Domecq – Jerez
  • 1990 Prof Emile Peynaud – Bordeaux
  • 1989 Robert Mondavi – California
  • 1988 Max Schubert – Australia
  • 1987 Alexis Lichine – Bordeaux
  • 1986 Marchese Piero Antinori – Florence
  • 1985 Laura and Corinne Mentzelopoulos – Bordeaux
  • 1984 Serge Hochar – Lebanon

Uma Taça ao Dia?

uma-tacaPara aqueles que abusaram neste carnaval, cairam na gandaia e trocaram a taça pela latinha e/ou destilados, é importante revermos os aspectos medicinais do doce néctar e também dar um descanso ao fígado com algo mais light, vinho. Como já disse anteriormente, há gente que recomenda uma taça por dia e outros vão até quatro, ou seja, a variável do que seja o ideal para colher todas as benesses que o vinho aporta à saúde é muito ampla. Eu sou um adepto das três taças diárias, mas depois deste carnaval acho que poderíamos dar um break e ficar com uma taçinha diária, eheheh, só por um tempinho, não?

Brincadeiras á parte, vejam esta interessante tabela que tem como fonte o manual de nutrição e saúde da Petrobrás obtida através do site http://www.habitossaudaveis.com

tabela-de-nutricao

60% dos Polifenóis vêm da semente da uva, 33% da casca, o resto da polpa, pedicelo e madeira. É por isso que, como regra, os vinhos tintos têm mais virtudes para a saúde que os vinhos brancos. Dentro esses polifenóis, o RESVERATROL presente no vinho tinto, ajuda a aumentar o colesterol bom evitando o acúmulo de gordura nas artérias, prevenindo doenças do coração. Quantidade recomendada, por eles, dois copos de suco de uva ou uma taça de vinho tinto por dia. Esse negócio de suco de uva sem álcool não sei se está muito bem comprovado não então, por via das duvidas, eu opto pelo conjunto e fico no vinho mesmo!

Salute e kanimambo.

Ps. Imagem da taça obtida de http://triviaveg.blogspot.com

Brancos & Rosés – Vinhos que Tomei e Recomendo de R$30 a 50,00.

Tomei e Recomendo vinhos brancos & rosés deste verão, parte dois, é de vinhos entre R$30 e 50,00, em que galgamos um degrau na qualidade com alguns belíssimos vinhos. Alguns estavam num patamar abaixo no quesito preços porém, com o advento dos problemas com o câmbio, lamentavelmente ultrapassaram a barreira dos R$30,00 o que, apesar de não os desabonar do ponto de visto qualitativo, tira-lhes algo da competitividade e glamour do preço. Eram fantásticamente bem “preçados” abaixo de R$30, porém ficaram apenas bons nesta faixa. É o caso dos brancos; Pascual Toso Sauvignon Blanc, Fonte do Nico Fashion ou o Calvet Sauvignon Blanc, todos vinhos muito gostosos e ainda atraentes, porém seriam campeões se estivessem 10% abaixo, alguns um pouquinho mais. Algumas das melhores relações Qualidade x Preço x Prazer vem exatamente desta faixa de preços e espero que você tenha a oportunidade de aproveitar alguns deste bons rótulos.

 

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Rosés – Três dos melhores vinhos provados neste painel vieram da Argentina e qualquer um deles é, a meu ver, uma grande escolha para quem gosta deste tipo de vinho. São todos vinhos de muita personalidade, sabor, enorme frescor e “sustança”, vinhos que têm o que nos dizer. Melipal 08* (Wine Company) rosé de Malbec verdadeiramente suculento, boa concentração e incrível textura, um vinho empolgante; Crios 07* (Cantu) mais um delicioso rosé de Malbec sedutor, vibrante, rico, ótima acidez e um longo e agradável final de boca, dois dos melhores provados neste painel, e o Reflejo Rosé de Syrah  (Vinea Store) muita framboesa e fruto doce, um vinho mais gastronômico porém sem perder o frescor e vivacidade, mostrando muita qualidade e equilibrio. Temos, no entanto, bem mais opções de igual nível de encantamento e satisfação; Branciforti Rosato 06* (Wine Premium) da região da Sicília elaborado com Sangiovese é um vinho de linda cor cereja, muito saboroso, boa acidez, que cresce muito com comida mostrando seu caráter eminentemente gastronômico; Majolica 07 (Santa Ceia) um rosé de Montepulciano d’Abruzzo bem balanceado, untuoso e fresco com final de média persistência; o estupendo Goats do Roam Rosé 07* (Expand) um sedutor assemblage sul-africano elaborado com 5 cepas diferentes, de aromas limpos e frescos lembrando frutas vermelhas, acidez excelente, boa concentração de fruta, groselha, mas seco e de boa persistência para um vinho destas características; o Estampa Rosé 07 (Decanter) corte de Cabernet Sauvignon e Syrah chileno de cor rosa pálido, suavemente frutado e delicado na boca, que garante satisfação como um aperitivo fresco e agradável apesar do teor de álcool um pouco alto; o Recorba Rosado 06 (Decanter) espanhol da Ribera Del Duero, de cor cereja escuro, encorpado de teor alcoólico alto, boa acidez e uma certa mineralidade, um vinho que pede comida sem a qual perde muito, complexo e, certamente, não do tipo de rosé que estamos habituados a bebericar sem grandes compromissos; o Rosato di Toscana 07 (Decanter) elaborado com Sangiovese, de boa tipicidade, correto, bem fresco na boca e fácil de beber, pode não empolgar, mas dá conta do recado se tomado como aperitivo num encontro informal de amigos. Para finalizar, dois franceses, um que me entusiasmou e outro nem tanto. O que mais me chamou a atenção foi o encantador Domaine Sorin 06* (Decanter) de linda cor salmonada que nos convida a provar, aromas tímidos, mas bastante agradáveis, boca suave, fresca, saborosa e equilibrada, ótima companhia para um peru à Califórnia ou um bate papo informal e o Domaine de Pontfrac 06 de Cotes de Provence no sul da França, elaborado com Grenache, Cinsault e Carignan, de cor muito característica e bonita dos rosés desta região, salmão bem clarinho, nariz de boa intensidade frutado e fresco com alguns toques florais e na boca parece que vai ………, mas não vai! Tem uma entrada de boca interessante e saborosa, mas some na boca de tão curto sendo interessante como um aperitivo leve.

 

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Brancos – Chardonnays, Vinhos Verdes, Sauvignon Blanc, Riesling, vinhos sedutores e sutis, vinhos francos e vibrantes, tem de tudo um pouco e muito bons. Dos vinhos verdes portugueses com tudo a ver com o nosso clima, farei um pequeno painel num futuro post, mas o Muralhas de Monção 06* (Barrinhas), Quinta do Ameal Loureiro* (Vinho Seleto) e Loureiro Muros Antigos 06* (Decanter), todos revisitados neste painel, e o Varanda do Conde 07* (Casa Flora) recém tomado, são vinhos vibrantes, de baixo teor alcoólico e ótima acidez, algo muito típico da região, verdadeiramente imperdíveis para serem tomados com frutos do mar grelhados, sós ou ainda acompanhando um bolinho de bacalhau ou até um acarajé!  Os portugueses famosos por seus tintos, mostram que seus brancos também são muito bons e vão além dos vinhos verdes afora possuírem preços muito corretos. É o caso do surpreendente Fonte do Nico Fashion 07* (Wine Company) que foi recentemente lançado em 2008 com uma estratégia de preços agressiva, tendo sido pego de calça curta pela crise mundial e o salto do câmbio que levou seus preço de fantásticos R$22 para R$35 o que foi uma pena. Mesmo a uns R$28 (ainda se encontram algumas garrafas por aí a esse preço) seria campeão em sua faixa, mas isto em nada altera seus sabores, frescor e prazer que dá ao ser tomado. Produzido na região de Terras do Sado, apesar de parecer um vinho verde, é um inusitado corte de Moscatel com um leve aporte de Arinto que resulta num vinho absolutamente sedutor e com tudo a ver com o nosso verão, seco na medida, aromas frutados, macio, balanceado de aromas frutados e algo floral bem aparentes, para ser tomado aos goles com seus parcos 10% de álcool. Já o Herdade Paço do Conde 07 (Lusitana) um corte de Antão Vaz e Arinto, é um vinho com mais corpo, curto e menos marcante, em que aparece um floral bastante intenso no nariz, vinho honesto que, se não encanta, também não desencanta,  sem contar todos os outros deliciosos rótulos já provados e comentados ao longo de 2008.

Saindo dos portugueses; um vinho alemão, coisa difícil de encontrar nesta faixa de preços, off-dry muito sedutor e equilibrado, um doce muito leve e muito bem equilibrado por ótima acidez, grande pedida como aperitivo é o Forster Mariengarten Kabinett 06* (Decanter) um riesling muito saboroso e agradável de tomar com apenas 10% de teor alcoólico, o estupendo Pascual Toso Sauvignon Blanc 07* (Interfood) argentino, mais um que estava por volta de campeonissímos R$25 e teve que ser aumentado para cerca dos, ainda muito bons, R$32,00, para ser tomado por volta dos 8º, mostra toda sua tipicidade com muita suavidade e boa intensidade aromática e de sabores, um vinho sedutor que encanta fácil e deve acompanhar maravilhosamente bem um spaghetti al vongole (sem tomate) que só de pensar me dá água na boca! Ainda na linha dos Sauvignon Blanc de que tanto gosto, o gostoso chileno William Cole Mirador 07* (Ana Import) ótimo nariz em que ressaltam os aromas de frutas tropicais e algo herbáceo, boa persistência e frescor, mostrando-se na boca com caráter cítrico muito saboroso e boa estrutura que o faz um vinho não só para um agradável bebericar, como para acompanhar um prato como um salmão grelhado, não sendo à toa que é considerado um dos melhores vinhos desta cepa sendo produzidos no Chile, o também chileno Casillero del Diablo Sauvignon Blanc 2008 (VCT Brasil) com screw cap, fechamento usado por eles nos vinhos aromáticos, de que gostei muito. Muito intenso no nariz e muito fino na boca onde apresenta bastante frescor, algo cítrico e uma certa mineralidade que me agradou muito e, ainda, o Francês Calvet Conversation 06 (Interfood) da região de Bordeaux, que só por R$1,50 não caiu na faixa anterior sendo um dos mais competitivos desta faixa, de nariz tímido é na boca que mostra todo o seu valor sendo macio, balanceado, suave, fácil de tomar e agradar sendo grande companhia como um aperitivo num bate-papo informal ou como acompanhante de entradas leves num almoço de verão. Da Espanha vem um delicioso Verdejo da região de Rueda e uma das melhores relações Qualidade x Preço x Prazer desta faixa de preços que é o Vega los Zarzales 07* (Wine Premium) de cor palha dourada como uma espiga de trigo ao sol, aromas de que lembram maça verde e algo floral, mas sendo na boca que ele explode mostrando todo o seu sabor, ótima acidez, cremoso e algo untuoso num conjunto muito agradável de boa persistência que acompanhou muitíssimo bem um prato de antipasti diverso, especialmente uma berinjela com uva passa e castanha de caju, muito yummy.

Por ultimo deixei três chardonnays muito agradáveis e diferentes entre si; Primeiramente o Trio Chardonnay 07* (Expand) da Concha y Toro chilena que é um corte muito bem elaborado tendo como protagonista a chardonnay muito bem escoltada por partes iguais de Pinot Grigio que lhe agrega frescor e Pinot Blanc que traz elegância e estrutura ao vinho, um daqueles vinhos que mostram a aptidão desta vinícola para produzir bons vinhos por bons preços e este não nega a raça, cremoso, macio mostrando estar muito balanceado com um frescor muito agradável e um final de boca com leves nuances de abacaxi e algo mineral que me agrada muito; os argentinos Família Gascon Chardonnay 07* (Wine Company) sem os excessos de madeira típico dos chardonnays da região, foi uma grata surpresa que me encantou por sua delicadeza de aromas de frutas tropicais com nuances leves de baunilha, pleno de frescor e sabor com ótima acidez e um saboroso final de boca de média persistência que nos deixa aquela sensação de quero mais e o Fabre Montmayour Chardonnay 07* (Wine Premium) elaborado com cepas extraídos de vinhedos de cerca de 60 anos, de grande estrutura, nariz intenso de ananás e algo de baunilha (mas sem madeira), na boca, todavia, aquela sugestão de madeira desaparece, é balanceado, rico, saboroso, delicioso final de boca, um vinho cativante e essencialmente gastronômico.

Afora o painel especifico de Vinhos Verdes que publicarei um pouco mais adiante, nesta próxima semana farei uma prova às cegas com alguns rótulos elaborados com a cepa Torrontés. Para este “Desafio Torrontés” separei alguns rótulos interessantes como o Crios, Alta Vista Premium, Alamos, Santa Julia, Colomé, Mauricio Lorca, Pisano Cisplatino e, talvez, mais um ou dois a serem definidos. Aguardem!

Assim que der darei sequência com os vinhos acima de R$50,00 que não são muitos, mas são de prima! Ao longo dos próximos dias seguirei mostrando um pouco mais de vinhos brancos e rosés provados, até porque o verão segue e as descobertas também, então continue passando por aqui. Gostou das sugestões, quer provar? Aproveite algumas das promoções ainda disponíveis no mercado e faça seu estoque. Contate os importadores, os lojistas parceiros ou pesquise junto a seu fornecedor predileto, mas não deixe de aproveitar estas delicias.

Salute e kanimambo

E o Brasil Parou por Cinco Dias!

           quarta-feira-de-cinzas                                                  

         Quarta-feira de cinzas,  finalmente acabou o carnaval e podemos começar a planejar a Páscoa! Tem gente que cansou de tanto beijar, outras de tanto pular e, outras ainda, de tanto beber, mas sempre tem aqueles que conseguem juntar tudo isso e se a-ca-bar em mais um carnaval. Eu me esbaldei e cansei de tanto descansar, ufa! Preciso me recuperar, (rsrs) volto amanhã com mais matérias do mundo do vinho.

Salute!

 

 

            

 Fuçando na rede por uma imagem, eis que me deparo o o blog do J.BOSCO,  jornalista, cartunista, ilustrador, caricaturista e chargista do jornal O LIBERAL, de Belém do Pará, desde 1988. O cara é muito bom e criativo, recomendo uma visita de vez em quando – http://jboscocartuns.blogspot.com/ ,  ou acesse o link aqui do lado.