João Filipe Clemente

Reflexões do Fundo do Copo – Enoturismo com Sabedoria

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Mais um texto do amigo e colaborador de todos os sábados, Breno Raigorodsky. Para acessar seus textos anteriores, clique em Crônicas do Breno, aqui do lado, na seção – Categorias   

      

          Como subproduto do interesse crescente pelo vinho entre nós, o Enoturismo tornou-se um negócio aparentemente rentável, e, desde 2006, quando larguei a empresa de propaganda que possuía, tentei logo me apropriar de um quinhão deste quintal. O quinhão que participo é formado por uma parte em vinho, evidentemente, mas não se esgota por ai, como parecem se findar as maratonas desta área que vemos ofertadas desde então, com honrosas exceções… Corridas sem fim, que fazem do turista uma pessoa de bom preparo físico, visto que deve atropelar-se sem parar dos hotéis aos aeroportos, dos aeroportos até os ônibus de traslado, dos ônibus às visitações nas vinícolas, destas para a sala de degustação e lembranças. Chegam a casa cinco, oito, dez dias depois – não importa – de quatro, precisando de umas férias para descansar, inclusive do vinho.

          Apostei que tinha muita gente como eu, disposta a fazer uma viagem para regiões de produção vinícola, mas indisposta a fazer levantamento de taça desde a primeira hora do dia até a hora de dormir… Como se isso fosse um esporte muito prazeroso. Apostei que tinha gente que faz questão de aprender pelo lento processo de apreciar uma taça com calma, num ambiente pleno no sentido artístico, político e cultural. Gente que gosta de conversar, gente que tem coisa para contar, gente que tem curiosidades múltiplas. Gente que não está apenas interessado no vinho, mas que entende que ele é resultado de múltiplas determinações de toda ordem: geológica, antropológica, histórica e social. Porque é assim que se viaja no meu quinhão, viaja-se para conhecer. Vinho pode e deve ser a melhor desculpa para isso, mas quando é obsessão torna-se “enochatice” sem fim!

         Encontrei, em Santiago do Chile, um brasileiro que tinha feito em uma semana Buenos Aires, Mendoza, La Consulta, Vale do Alconchagua, Vale de Casablanca e Vale do Maipo. No meio tempo, tinha visitado 8 vinícolas em Mendoza, 12 pelos vales chilenos, incluindo aquela muito conhecida… Aquela bem grande, que tem várias linhas de vinho, desde os mais simples até os mais sofisticados… Me ajuda aí, qual é o nome mesmo? Não pude ajudar, pensei na Concha Y Toro, na Santa Helena, mas não, não era não! Pedia desculpas por não poder alongar a conversa quando lhe perguntei o que restava na memória. Preferiu não responder, seja porque estava com pressa para não perder a excursão que ia lhe dar a oportunidade de conhecer em duas horas tudo de bom em Santiago, seja porque ele já tinha conversado demais comigo, queria se livrar de mim.

        Como a indústria dos serviços costuma fazer, o turismo foi se dividindo em nichos cada vez mais definidos, mais sofisticados, alguns mais saudáveis como os passeios de bicicleta que se tornaram boas opções para quem quer ir aos locais de produção de vinho sem perder a forma; alguns mais comerciais, como o turismo voltado para as grandes feiras, que organiza a viagem do visitante para que ele possa melhor usufruir da experiência, com degustações prévias sobre o tipo de vinho que se encontrará; outros se especializaram em viagens gostosas e, talvez – por isso mesmo – muito mais gostosas. Alguns mais especiais, como a incrível viagem que programei para um salto profundo de uma semana em Bordeaux, com três verticais entre primeiros crus (Lafite, Margaux e Iquem, apesar deste último não ter formalmente esta classificação) e uma horizontal com os quatro de 1855.

         Parece lógico pensar que alguém só escolhe um passeio na classe mais assardinhada, mais apressada, mais desconfortável, porque o “preço” é o quesito que mais conta. É isso que pensam, imagino, as agências de viagem que focam na massa dos possíveis turistas. Os excluídos são aqueles que não fazem viagens vertiginosas. Pensei num termo ideal, eqüidistante dos cursos profissionais – que conferem diplomas de participação e contam no currículum vitae dos viajantes – e algo menos massificado. Logo propus uma viagem para o centro da Itália que tivesse o vinho como guia, mas que mesclasse o que os lugares têm de melhor em vinho e comida, história, arte e cultura. Poucas e boas degustações, de preferência vinculadas a refeições noturnas e, quando possível, feitas na própria produtora, deixando livre o tempo para informações de tantas outras ordens. Viagens que começassem em terra, muito antes de fazer as malas, com aquecimentos sobre os interesses de cada um, além do vinho… Com provas cegas que permitissem um maior afinamento com o que se iria conhecer in loco.

           O modelo mostrou-se elástico e se aplica para todo lugar. Pouca gente, porque 10 pessoas se locomovem muito mais rapidamente do que grupos maiores, falam mais baixo são mais participativos, podem ter seus interesses particulares mais satisfeitos. Siena pode ser o epicentro de uma viagem enológica inesquecível para o sul da Toscana, de San Gimignano a Orvieto, desconsiderando as fronteiras formais entre a Toscana e a Umbria. Uma semana de chianti clássico, supertoscanos, brunelli e rossi di montalcino, montepulciani d’Abruzzo e vinhos da região do norte da Umbria. Quatro dias num hotel de Siena, uma noite de passagem – vindo de Malpensa – nos encantos de Cinque Terre, e três noites nas colinas de Roma, para mais tranquilamente voltar por Fiumicino, o aeroporto de Roma. Assim como Siena, Salamanca pode ser o epicentro de uma viagem que navegue por Ribera Del Duero espanhol e o Douro português, passando por Rueda. Assim como Salamanca e Siena, San Sebastian entre a Espanha basca e a França basca. Assim como os epicentros citados, outros tantos em cada país, porque importa o que se espera da viagem, adapta-se o roteiro a este perfil do viajante.

           Neste espírito, sempre pensando em viagens curtas, mas não exageradamente curtas, tendo, como ideal, saídas nas sextas feiras, retorno nos domingos. Viagens para a Itália, França, Portugal, Espanha; Viagens para cada um dos vales do Chile, para Mendoza e Patagônia na Argentina, Austrália, África do Sul; viagens para a Califórnia, Washington, Oregon; viagens para Santa Catarina, Campanha Riograndense, Flores da Cunha, Garibaldi, Bento. Viagens sem fim, aos poucos, com calma, criando condições de muita conversa descontraída com os produtores, comendo sempre pelas bordas, para nunca deixar queimar a língua e perder o gosto pela coisa.

Breno Raigorodsky, 59, filósofo, publicitário, cronista, gourmet, juiz de vinho internacional e sommelier pela FISAR.

Dicas da Semana

                 Começaria este post com uma senhora promoção que a Wine Premium vinha fazendo em seu site, mas ontem mesmo sumiu do ar, uma pena. Tinha vinhos a partir de R$18 que eram verdadeiras pechinchas e um Gran Reserva Merlot da Patagonia (Fabre Montmayou) divino por imperdíveis R$65,00!  A Expand, todavia,  também tem as suas, a Assemblage Vinhos aqui da Granja faz sua primeira grande promoção e a Kylix tráz uma promoção em cima da linha Protos, ótimo espanhóis, assim como alguns outros eventos que creio possam ser de interesse dos amigos. Vamos lá, vamos ver o que há por aí de interessante e quem sabe a Wine Premium nos brinda com mais uma semana de prazo para aproveitar essas delicias? Se conseguir liberar, vos aviso.

Da Expand – Um único rótulo, mas dos bons! Um dos melhores espumantes rosés que já tomei é o Faive da região do Veneto, Itália. Pois Faive Rosébem, a Expand está com uma promoção em que você paga duas e recebe três, ou seja, o preço cai de de R$88 por garrafa, para R$58,66 cada o que é uma baba pelo produto que é, tendo sido um dos meus TOP 25 espumantes de 2008! Bonita cor rosa pálido, quase cobre, e límpida. Corte de Cabernet Franc e Merlot, muito balanceado com a marca de frescor e frutuosidade que Nino Franco, produtor italiano, imprime a seus saborosos espumantes (o Prosecco Rústico também é estupendo), é extremamente sedutor, cremoso, equilibrado e fácil de beber. Ótima perlage, fina, persistente e abundante algo de cereja fresca na boca, vibrante, levemente off-dry, suave e de boa textura, muito agradável e saboroso final de boca de muito boa persistência. Uma boa oportunidade para comprar este bom espumante por um preço mais em conta, vale a pena.

Assemblage Vinhos – A primeira grande promoção dos amigos Bete e Marcel aqui na Granja Viana e olha que tem coisas muito interessantes. Lembro que eles entregam, basta ligar e consultar, obviamente que irá depender do pedido e local de entrega, mas ligue.

Promocao Assemblage - Maio 09

 

Kylix Vinhos – O amigo Simon está com uma ótima promoção nos deliciosos e conceituados vinhos Protos, espanhóis da Ribera Del Duero, LogoProtosColor cópiapero no solo.Vale a pena conhecer clicando aqui.  Como sempre, os descontos variam em função da quantidade e a sedução começa logo pelo Protos Verdejo 2007, um branco que entusiasma e mexe com nossas emoções, um dos melhores que tenho tomado ultimamente. Um vinho que já mencionei por diversas vezes neste blog e foi um dos destaques de meu painel de Brancos & Rosés de Março deste ano. De R$54,00 está por R$48,60 e se comprar caixa de 6 o preço baixa um pouco mais e vai a R$47,00, vale a pena. Tem mais no entanto, tem o Protos Roble, o Protos Crianza (recentemente eleito Melhor Vinho Tinto no Concours Mondial de Bruxelles que ocorreu entre dias 25 a 27 de Abril passado em Valencia), o Protos Reserva e Gran Reserva ambos da grande safra de 2001, todos com descontos de 10 a 13%. Vai perder?

 

Mais uma da Maria Amélia lá em Porto Alegre – Um jantar harmonizado com os vinhos de Miguel Torres, da Espanha, EUA e Chile, no próximo dia 2 de Junho às 20 horas.

” Torres está ligado al vino desde hace más de tres siglos, en Penedès. La Guerra Civil provocó una gran crisis. En 1939 fue bombardeada nuestra bodega, pero con el esfuerzo  de Miguel Torres Carbó y la ayuda de Doña Margarita, su esposa, fue reconstruida. En los años 70, Mas La Plana se elige  “Mejor Vino del Mundo – Olimpiadas del Vino de Paris”. En 1979 se abrió la bodega del Valle Central de Chile (Curicó). En California, Marimar Torres. Esta tradición, y su visión de futuro llega hoy a más de 130 países.”

Sabores, arte e tradição. Lançamento dos vinhos do Priorat e Ribera del Duero.

Menu

Recepção: Miguel Torres Rosé Cabernet Sauvignon | DO Curico | Chile e Torres Sangre de Toro DO Catalunya, Penedés | Espanha

Entrada: Capuccino de cogumelos do Lorita  com Torres Viña Sol Parellada | DO Catalunya | Espanha

Degustação:

  • Marimar Estate Chardonnay | Russian River Valley | Eua
  • Torres Celeste Crianza Ribera Del Duero | Espanha (RP 90)
  • Torres Salmos Priorato | Espanha
  • Torres Mas La Plana Cabernet Sauvignon  | DO Penedes | Espanha

Prato Principal: Picanha de cordeiro ao vinho do Porto guarnecida com risoto de pêras, queijo brie e azeite aromático de manjericão com Miguel Torres Santa Digna Merlot | Curico | Chile

Sobremesa: Mousse de baunilha com fundo em calda de carambola com Torres Moscatel Oro DO Penedés, Espanha

Apresentação: Enóloga Maria Amélia Duarte Flores

Criação: Chef Peter Knoblich.

Local: Lorita Restaurante, Rua Castro Alves, 678 – Porto Alegre.

Valor individual: R$ 125,00 all inclusive.

Vagas Limitadas. Reservas: 9331 6098 ou mariaamelia@vinhoearte.com

 

Restaurante Magistrale e Mistral dão as caras novamente – Desta feita as estrelas são os pescados e os vinhos brancos, destaques no jantar degustação de 3 de junho. O couvert (Mousse de peixe e bottarga na casca de limão, três tipos de peixe marinados, Flan de peixe com limão siciliano e Capeletti em caldo de peixe) terá como companhia o Shàrjs Chardonnay/Ribolla Gialla 2007, branco friulano de Livio Felluga. O antepasto (Espetinho de camarão e vieira à moda de Lígure e Salada verde de King Crab) será escoltado pelo toscano Biondi Santi Rívolo Sauvignon Blanc 2004. Entre os pratos principais, Tagliorini negro com molho de lula e camarão acompanhado do Fiano di Avelino DOCG 2005 de Mastroberardino (região da Campânia), e Peixe do dia no cartoccio com legumes com o famoso Collezione de Marchi Chardonnay 2005, produzido por Isole&Olena na Toscana. Como sobremesa, Sgroppino al limone (sorvete cremoso de limão servidor na taça) com o piemontês Vietti Moscato d’Asti 2007. Olhe, não sei você, mas eu já fiquei com água na boca.

Os dois jantares-degustação têm preço de R$ 160,00 (Cento e sessenta reais) cada um e incluem além dos pratos e vinhos para degustação, café e água. Reservas podem ser feitas com Daniela pelo telefone (11) 3887-8870 ou pelo e-mail magistrale@magistraleristorante.com.br.

Salute e kanimambo.

Vinhos da Semana

               Semana de revisitar alguns rótulos amigos e provar um novo que, se não chegou a encantar, também não decepcionou. Vinhos que cabem no bolso da maioria, vinhos fáceis de beber e, majoritariamente, portos seguros já que nem sempre nos apetece singrar novos mares nem gastar muito!

Vinhos da Semana - Alaia 002

 Alaia 2004. Nome completo; Dehesa de Rubiales Alaia vindo de La Tierra de Castilla y León na Espanha. Apresenta bastante complexidade de sabores e aromas para um vinho nesta faixa de preço e uma experiência única já que é um corte muito bem elaborado com uma uva autóctone pouco conhecida por aqui, a Prieto Picudo, que é a cepa protagonista, tendo a Tempranillo e Merlot como coadjuvantes e um leve aporte de madeira passando 4 meses em carvalho francês novo. Aromático, muita fruta negra no nariz, já mostrando sua face mineral. Na boca está tudo lá, a fruta fresca, algo de chocolate, num corpo médio e equilibrado, redondo mostrando boa textura e taninos finos, mas acima de tudo o que mais me encanta neste vinho é sua identidade e personalidade. Não é um vinho tradicional com aromas e boca comum. É um vinho que atrai, cativa e seduz com algo diferente saindo da mesmice e nos fazendo experimentar sensações e sabores diferenciados. Desde a primeira garrafa que tomei lá atrás, no final de 2007 quando a Península trouxe seu primeiro lote experimental, deixei-me levar por essas experiências diferenciadas. Pela primeira vez creio que concordo com o tal do Jay Miller que lhe dá 89 pontos no Wine Advocate, um vinho que me traz grandes prazeres por um preço justo. Preço na Península, por volta de R$47,00. I.S.P.

 

Alfredo Roca Pinot Noir 2006,esta bodega Argentina faz vinhos de diversos níveis e de diversos preços. Quem se meter a grandes harmonizções, fartos jantares ou esperar muito dele, certamente se desapontará. Por outro lado quem o encarar como aquilo que ele é, um vinho básico, para o dia-a-dia, para traçar a pizza de Domingo, um belo sanduba, para aquele momento descontraído e descompromissado, aquela massa de domingo com o cunhado, aí eu acho que o vinho cumpre o seu papel e agrada.  Não é um vinho de grande tipicidade, mas é gostoso no nariz e, apesar de um pouco ralo, é gostoso, macio, redondo mostrando bastante equilíbrio. Ainda prefiro o Malbec básico deles, especialmente se for para um churrasco com um monte de gente ou até um casamento mais á vontade, mas este Pinot cumpre o seu papel e é sempre um companheiro seguro, ainda mais pelo preço em torno de R$16,00. Sirva levemente refrescado, a cerca de 15 ou 16º e opte por uma safra mais nova. I.S.P. $ 

Vale da Clara 2005, bom vinho português por um preço muito correto. Produzido por uma das boas casas vinícolas da região do Douro, a Quinta de la Rosa. A safra de 2005 foi muito boa na região e este vinho se valeu muito dessas condições. De boa estrutura, é suave, madeira bem equacionada, simples sem grandes aspirações, porém muito correto e saboroso. Bem equilibrado, taninos finos e boa acidez o que lhe confere um frescor muito agradável ao palato, apesar de começar a sentir um pouco o peso da idade. Já perdeu um pouco da vivacidade e personalidade que me conquistou na primeira vez que o tomei e que me surpreendeu pela relação Qualidade x Preço, então a sugestão é optar por uma safra mais nova, preferencialmente a de 2007 se já estiver disponível. Na Expand por volta de R$38,00. I.S.P.  $

 

Dal Pizzol Touriga Nacional 2007, mais um vinho revisitado, cerca de um ano após seu lançamento. Há época escrevi; “No nariz, possui um primeiro ataque frutado e fresco de boa intensidade. Na taça evolui deixando aparecer alguns toques florais bem tipicos da casta. Na boca é suave, elegante, com taninos maduros e um teor de álcool bem comportado, 13º. Bastante equilíbrio e harmonia num vinho leve que, certamente, agradará fácil. Mudou o terroir, mas a essência da uva está lá. Gostei; um vinho correto, fácil de beber”. Pois bem, não mudou muito e o que mudou foi para melhor. A fruta está mais presente, o vinho arredondou, ganhou maior harmonia e persistência mostrando bastante elegância. Um vinho gostoso que evoluiu bem e que surpreende, inclusive em função do preço, por volta de R$29,00, o que o torna uma das boas opções de compra dentro da faixa de preços. I.S.P.  $ 

 

Yalumba Y Series Shiraz/Viognier 2005. Do sul da Austrália, um corte típico dos vinhos de Cote-Rotie no Rhône francês. Este vinho é algo mineral, quente, especiarias, taninos ainda mostrando uma “pegada” firme que, certamente, mereceria ter passado uma meia hora ou quarenta e cinco minutos de decantação. Bastante fruta madura compotada, algo floral no nariz (viognier), encorpado, boa concentração e volume de boca, certa austeridade na boca e média persistência com final apimentado, um estilo bem novo mundo. Fechado, algo desequilibrado, não encantou. O problema de copiar cortes ou vinhos de reconhecida qualidade é criar uma expectativa comparativa, mesmo que involuntária, difícil de ser alcançada. Culpa de quem compra com essa percepção? Talvez. Boa companhia para um churrasco. Importado pela KMM com um preço ao consumidor por volta de R$75,00. I.S.P.

Salute e kanimambo

Dueto

              Não, não é o vinho, esse é o Duetto da Valduga. Desta vez, e já fazia um tempinho que não o fazia, me refiro a coisas além do vinho, mas também um dos grandes prazeres da vida, a boa musica. Neste dueto, os ícones da musica romântica internacional dos anos 60/70, Neil Diamond e Shirley Bassey! Para quem não conheceu, junte quem você gosta bem pertinho, abra um sedutor Pinot Noir (ou um outro vinho de preferência dos dois) e conheça uma das mais belas performances de sempre. Quem os conheceu e escutou na juventude, não perca esta oportunidade, estas duas vozes juntas são um grande espetáculo e recordar, também, é viver. Para quê parafernália, shows grandiosos quando se tem ótima letra, uma deliciosa melodia e estes dois gigantes em plena forma e harmonia! Só para aquecer as baterias para o mês de Junho que se aproxima e com ele o dia 12, nosso “Valentine´s Day” dia especial para quem ama se declarar e caprichar na celebração. Não que eu ache que se deva ter um dia para isso, neste caso todo o dia é dia, mas sigamos a convenção e esquentemos os tamborins! Como sempre digo, vinho é bom, mas não é tudo, salute e kanimambo.

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Vinhos do Dão e Bairrada

Luis Pato1Na sequência de boas degustações de que venho participando, mais uma boa leva de bons vinhos e desta feita, portugueses. Neste ano de 2009, a ViniPortugal e a ABS firmaram um acordo de divulgação das diversas regiões produtoras de vinho em Portugal. Projeto bastante interessante em que um produtor vem falar um pouco sobre a região e comentar seus vinhos em uma degustação realizada na ABS. Uma boa e criativa forma de difundir ainda mais o consumo dos bons vinhos portugueses, conhecer novas regiões e aprender coisas novas. Eu sei que aprendi ao participar desta estupenda degustação de Dão e Bairrada apresentada por Luis Pato, um homem que impõe respeito por seu passado e presente à frente de alguns dos melhore vinhos da Bairrada, o domador da Baga, um visionário e revolucionário na elaboração de vinhos na região.

                 Foram degustados seis vinhos, sendo três rótulos do Dão e três da Bairrada.  Seis vinhos de grandes qualidades e, na minha opinião e para o meu gosto, três deles estupendos. Falemos dos Vinhos:

Vinha Barrosa 2005, elaborado com vinhas velhas de vinhedos de mais de 80 anos! A baga, uva com a qual este vinho é produzido e cepa ícone da região da Bairrada é uma uva tânica que produz vinhos encorpados e, até pouco tempo atrás, de uma certa rusticidade que pede tempo para se equacionar e mostrar todo o seu potencial. Luis Pato o “domador” da baga nos traz um vinho esplendoroso e encantador na boca com apenas 4 anos de vida, genial! É daqueles vinhos que já nasce grande e promete prazeres especiais para quem souber, e puder, esperar mais meia dúzia de anos. Comprar uma garrafa dessas e guardá-la por oito, dez, 12 anos é trabalho hercúleo digno de pessoas que possuem uma tremenda capacidade de disciplina e auto-controle já que a tentação será enorme. Doze meses em barris de carvalho seguido de mais seis em pipas de 650 litros , o vinho se apresenta macio e aveludado na boca mostrando uma personalidade muito própria e uma tremenda elegância pouco esperada num 100% baga tão novo. Boa paleta olfativa com aromas florais e algo de eucalipto, na boca apresenta fruta de boa concentração, mas sem os exageros novo mundistas, fresco, algo de salumeria, expressivo mostrando grande harmonia com um final de boca longo e saboroso. Um grande vinho que me encantou e foi uma bela forma de começar a degustação. (Mistral por USD87,50)

Quinta da Bageiras Garrafeira 2003, resinoso, fruta compotada, taninos firmes ainda presentes apesar da cor já mostrar uma certa evolução. Um vinho potente que mostra toda a força da baga pedindo decantação longa ou mais alguns anos de garrafa para mostrar toda a sua exuberância. Um exemplo mais clássico dos vinhos da Bairrada apresentando um estilo austero. Frutos silvestres, algo terroso e especiado, grande estrutura e volume de boca, um bom vinho que pede tempo para mostrar todas as suas virtudes. (Luzitana de Vinhos e Azeites por cerca de R$154,00)

Casa de Saima Garrafeira 2001, vinho advindo de uma das melhores safras na Bairrada. Aromas de boa intensidade que mesclam fruta concentrada e algo animal, como couro , muito firme e algo rústico mostrando que mesmo com 8 anos de vida, é ainda uma criança e certamente é vinho para mais 8 anos. Na boca é corpulento, ostensivo e viril, muita estrutura, taninos firmes bem equilibrados por muito boa acidez e uma certa mineralidade, um vinho que, mesmo não sendo de um estilo que me agrade, apresenta qualidades e certamente deverá evoluir mauito ainda, Vinho para abrir em mais 4 anos ou deixar em decanter por pelo menos uma hora e meia a duas antes de servir acompanhada de um leitão pururuca daqueles. Que tal um porco no rolete? (Decanter por R$251,00)

Viniportugal

Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 2000. Dão e Touriga Nacional, dupla que me seduz e este vinho é realmente encantador! Um vinho classudo com tudo o que o Dão e esta uva podem gerar de bom, idade certa, complexo e muito rico de aromas e sabores. Aromas terrosos, floral (violetas), algo herbáceo. Na boca de boa textura e volume de boca, aparece fruta silvestre com nuances de especiarias, taninos sedosos, muito equilibrado, boa estrutura, rico, final longo e algo especiado. Um vinho que mostra muita finesse e elegância, extremamente sedutor que certamente entrou para minha lista de tops deste ano. (Zahil por R$150,00)

Lokal Sílex 2005 de Filipa Pato. Uma das filhas do Luis que, apesar de usar a estrutura de cantina do pai, brilha com luz própria produzindo ótimos vinhos com uvas tanto da Bairrada como do Dão. Adoro o espumante 3b e o Ensaios tinto, dois vinhos que visitam minha mesa com uma certa assiduidade e que já recomendei anteriormente. Este é um corte de Touriga (75%) e Alfrocheiro que lhe dá o tom aromático com notas de chocolate ao nariz, especialmente depois de um tempo em taça. Resinoso, algo químico, escuro na cor e denso na boca com grande concentração. Taninos firmes, algo duros ainda mostrando uma certa rusticidade, grande estrutura indicando grande potencial de guarda. (Casa Flora por R$105).

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2005.  Mais um Touriga do Dão e mais um grande vinho na taça! Aliás, este produtor faz, a meu ver, um dos melhores vinhos brancos de Portugal, o Quinta dos Roques Encruzado, um baita vinho. Este jovem Touriga é de grande complexidade aromática em que aparecem violetas, chocolate, talvez algo de caramelo, mostrando-se na boca ainda algo fechado, porém já mostrando seu enorme potencial. Suculento, gordo, corpo médio, harmônico mostrando um balance entre os taninos finos e acidez muito uniforme, frutos negros maduros e um final de boca longo, aveludado com um retrogosto algo especiado com nuances de baunilha. Um vinho muito bom que se tornará excepcional dentro de um par de anos mais e daqueles que devem fazer parte do “wish list” de bons vinhos portugueses a tomar. Uma de minhas, muitas, paixões! (Decanter por R$168)

Não preciso falar quais forma meus preferidos, preciso? Salute e kanimambo

Surpresas Acontecem.

JFC - Hats Off 005Ainda bem, se não a vida seria uma tremenda monotonia, e para esta eu tiro o chapéu! Conhecendo bem os preços dos vinhos, parte do trabalho de garimpo que aqui faço, há muito que deixei de pedir vinho em restaurante por me sentir literalmente roubado pela grande maioria. Não é só por aqui não, esse é um mal universal e não são poucas as matérias na mídia internacional que tratam deste assunto. É pura sacanagem para com o produtor que pouco ganha e tem um trabalho danado, e conosco que pagamos essa conta! Eu deixei de pagar, quanto muito vou a restaurantes amigos do vinho que, por uma pequena e simbólica taxa, permitem que eu leve a minha garrafa.

             Pois bem, neste último fim de semana estive em Campos de Jordão (charmosa cidade serrana aqui no estado de São Paulo) tomada por um congresso de urologistas com suas esposas. Não tinha nem idéia de que existiam tantos! Ruas e restaurantes tomados, exceto pelo excelente e caro Davos (porque será que sempre havia mesa vazia por lá?) tomo um desvio e vou jantar no sempre correto “Churrasco ao Vivo”, uma parrilla argentina (também em Floripa) com bons cortes de carne e outras delicias,  inclusive foundue de carne, a preços justos. Na carta de vinhos uma lista quase toda, talvez toda, da Expand.

             Para harmonizar com minha companhia e o prato, um Palo Alto Reserva 2007, corte chileno, vinho que sempre me agradou e dentro de sua Palo Alto Reserva 07faixa de preços um campeão. Eis a surpresa; este rótulo está nas prateleiras por um preço em torno de R$30 a 31,00 e estava no restaurante por honestos e justos R$36,00! Que bom que ainda existe gente de bom senso!! No dia seguinte vi esse mesmo vinho num outro restaurante por ridículos R$62,00. Não me perguntem o nome porque minha mente fez questão de apagar o nome e não quero ser injusto com ninguém chutando um. No “Churrasco”, também nessa faixa de preços, talvez um pouco mais baratos, vinhos como o Quinta do Encontro Merlot/Baga e o Berço do Infante outras boas pedidas que também me chamaram a atenção. Não os conheço, a não ser como cliente, mas este tipo de sabedoria empresarial e postura para com os enófilos de plantão tem que ser compartilhado, exaltado e recomendado. Kanimambo e eis aí um porto seguro em Campos de Jordão para quem estiver programando sua escapada nas férias de inverno ou até um mero fim-de-semana para relaxar.

         Há que se tirar o chapéu para esse pessoal do “Churrasco ao Vivo”, pois lamentavelmente essa prática ainda não está disseminada no setor de restauração e cada vez mais esse é um chamariz para os consumidores de hoje em dia. Uma outra onda que poderia assolar o país, seria a de vinhos, de qualidade, em taça e a preços justos. Sal em excesso deixa a comida intragável e quando no preço do vinho, azeda qualquer jantar!

Salute e a César o que é de César.

Noticias do Mundo do Vinho

Quinta Mendes Pereira – De Portugal, a Raquel me manda mensagem com noticia de que a Revista de Vinhos de Maio saiu com uma matéria de cinco páginas sobre sua Quinta e seus bons vinhos com a chamada “Dão tradicional com cheirinho a Brasil”. Na matéria publicada, que aqui precisaremos esperar uns 4 ou 5 meses para ver ao vivo e a cores, uma nova prova com seus vinhos que antecipo aqui. Mais uma vez o destaque para o Garrafeira que listei como um dos meus Melhores de 2008. Para ler a matéria na íntegra, só comprando a revista, sorry! Estão de importador novo (Malbec) que espero mantenham a competividade dos preços.

Mendes Pereira 3

Mendes Pereira 2

 

Espumante Moscatel Garibaldi – Leva medalha de prata e bronze respectivamente no  Challenge International do Vin, realizado em Bordeaux, moscatel Garibaldina França, um dos principais concursos do mundo em que foram analisadas mais de cinco mil amostras provenientes de diversos países, e no International Wine Challenge, que envolveu 400 degustadores e 41 países realizada em Londres. O concurso inglês, por exemplo, tem um grande diferencial. Segundo Maiquel, cada vinho premiado é provado pelo menos três vezes. Os espumantes nacionais ganham cada vez mais espaço e reconhecimento no mercado internacional, em especial os Moscatel.

Zahil – Mais um bom vinho com preço camarada na Zahil. Chegou o vinho tinto Aquitania Reserva 2006, exclusividade da importadora no Brasil, considerado por Patrício Tapia – renomado crítico de vinhos sul-americanos – como o melhor Cabernet Sauvignon do Vale do Maipo. Produzido pela Viña Aquitania, no Chile, o rótulo recebeu 4 estrelas e 92 pontos em uma avaliação promovida por Tapia para o jornal chileno El Mercurio. Com ótima relação custo-benefício – na Zahil, ele pode ser encontrado por R$ 49,00 -, o Aquitania Reserva 2006 ainda foi bastante elogiado pelo crítico: “Mais que potência ou superconcentração, este Cabernet é elegância e distinção. Muy rico.”, disse Patrício. A conferir, mas as recomendações são boas.

 

Domno lança mais dois espumantes na sua linha de produtos .Nero – o .Nero Rosé e .Nero Extra Brut que recebeu muitos elogios entre os apreciadores presentes à Expovinis. Sua apresentação Ponto Nero Extra-Brutmoderna e quase enigmática instiga a curiosidade dos consumidores para entender o seu nome. O novo rótulo do espumante Rosé é ousado, apresentando um vermelho intenso para destacar na prateleira o seu Rosé. Sua produção é feita a partir das uvas Pinot Noir (40%) e Chardonnay (60%), ambas as cepas tradicionais na produção de espumantes e do Champagne. Já o .Nero Extra Brut apresenta baixo teor de açúcar o que lhe confere mais vivacidade e frescor. O .Nero Extra Brut também é produzido com as castas Pinot Noir (30%) e Chardonnay (70%), e tem a estrutura ideal para o acompanhamento de diversos pratos de nossa culinária ou da culinária japonesa.

                 Estes dois espumantes completam a linha no portfólio dessa jovem produtora, parte do grupo Famiglia Valduga, junto com o .Nero Moscatel e o .Nero Brut, lançados na Expovinis do ano passado, quando do lançamento da empresa. As novidades chegam ao mercado com  valores em torno de R$ 42  – (.Nero Extra Brut) e de R$26 (.Nero Rosé Brut)

 

Casa de Madeira lança suco de uva Kasher – Mais uma empresa do grupo Famiglia Valduga que traz novidades ao mercado. Mas que coisa é essa, o que é um alimento Kasher? É um conceito religioso usado dentro da comunidade judaica mundial como uma “garantia da qualidade de alimentos supervisionados por um rabino ou rabinato”, o que os torna alimentos autorizados para consumo dentro das normas religiosas, conforme as leis judaicas, preparado de acordo com a Torá, o livro sagrado dos judeus. Kasher (ou kosher) em hebraico quer dizer “permitido”, “próprio” ou “bom”. O processo de Kasherização (adequação e higienização kosher) do suco passou pelo crivo dos rabinos Ezra Dayan, Salomon Moise Bari, e Tzur Isaac Albus que acompanharam todo o processo de elaboração desde o início até seu envase.

                 A “Kasherização” dos utensílios, também não é tarefa fácil. Primeiro, foi necessário que os rabinos entendessem a função e modo de usar de cada máquina e equipamento utilizado pela vinícola para a elaboração do suco de uva da Casa da Madeira. Depois, consultar as leis judaicas para saber como cada um deles deveria ser “Kasherizado”.  A  “Kasherização” levou mais de três dias, pois os tanques onde os sucos são estocados, deveriam ser enchidos com água e esvaziados por 24 horas, por 3 vezes. Depois de tudo limpo segundo as normas judaicas, deram início à produção propriamente dita.

 

Vinhos da CVR Lisboa fazem bonito em Bruxelas – A Casa Santos Lima e a Companhia Agrícola do Sanguinhal são os dois grandes protagonistas do Concours Mondial de Bruxelles que se realizou de 25 a 27 de Abril em Valência, Espanha em que concorreram 6.289 vinhos e bebidas espirituosas provenientes de 54 países, apreciados por 250 jurados de 41 países. A Casa Santos Lima ganhou três medalhas de Ouro com dois tintos: Bons Ventos Vinho Tinto 2007 e Palha-Canas Vinho Tinto 2006 e o vinho branco 2008 Casa Santos Lima – Moscatel.

A Companhia Agrícola do Sanguinhal também levou um Ouro para a Região de Lisboa com o seu Sanguinhal Vinho Tinto 2004 – Syrah e Touriga-Nacional. Para além destes prémios, a Região de Lisboa também se distinguiu na Medalha de Prata com 8 premiados: Casa Santos Lima, Companhia das Quintas e Enoport.

Dal Pizzol lança espumantes em meia garrafa – A Dal Pizzol Vinhos Finos coloca no mercado anualmente 60 mil garrafas de espumantes, o correspondente a 20% do total de sua produção de vinhos e espumantes que chega a 300 mil garrafas ao ano. Das 60 mil garrafas de espumantes 80% são brut (champenoise e charmat) e 20% moscatel (processo asti). O aumento do consumo de espumante pelos brasileiros levou a vinícola a adoptar uma nova estratégia para atrair ainda mais apreciadores. É o Dal Pizzol Espumante Charmat agora também em meia garrafa (375 ml).

                     O espumante, dirigido especialmente ao público jovem, já pode ser encontrado em bares e restaurantes do Brasil. O lançamento decorreu durante a Expovinis 2009, de 5 a 7 de maio, em São Paulo. Este primeiro lote coloca no mercado 13 mil unidades do produto, o que representa um incremento de 10% na produção de espumantes da vinícola.

 

Quinta Nova Nossa Sra. do Carmo em plena forma em Londres – Os vinhos da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, situada no Alto Douro vinhateiro, voltam a surpreender, tendo sido distinguidos com duas medalhas de ouro no International Wine and Spirits Competition e International Wine Challenge Competition. No International Wine & Spirits Competition, o Quinta Nova Touriga Nacional 2006 arrecadou a única medalha de ouro portuguesa com a distinção de Best in Class, na categoria Vinhos Tranquilos. O Quinta Nova Touriga Nacional 2006 foi lançado pela primeira vez em 2008. O Quinta Nova Reserva 2006 foi galardoado com uma medalha de ouro no International Wine Challenge Competition (IWC), o maior e mais prestigiado concurso de vinhos, que este ano reuniu 9000 amostras de todo o mundo. Os vinhos desta conceituada Quinta você encontra na Vinea.

                    De acordo com o regulamento destes concursos, para se obter uma medalha de ouro é necessária uma pontuação entre 95 e 100 pontos – Portugal arrecadou 33 medalhas (15 nos vinhos tranquilos e 18 nos vinhos generosos), ficando apenas atrás da França (47, incluindo 17 de champanhe), da Austrália (41) e da Itália (34), e à frente do Chile (21), da Nova Zelândia  (19) e da Espanha (14).

Symington lança Quinta do Vesúvio – 2007 foi um ano de grande qualidade na região demarcada do Douro. As condições frescas, embora secas e solarentas nas semanas que antecederam a vindima, proporcionaram uvas com maturação excelente, produzindo vinhos de qualidade. É caso dos novos vinhos da Família Symington 100% produzidos na sua Quinta do Vesúvio (a jóia da coroa da família), o Pombal do Vesúvio DOC Douro 2007, um vinho para ser consumido mais cedo, e o Quinta do Vesúvio DOC Douro 2007, um vinho de grande complexidade, que poderá ser guardado durante vários ano e furo que dei no Encontro Mistral 2008 quando tive o privilégio de degustar algumas provas de barril.

Fonte: Essência do Vinho

 

Cai consumo médio per capita no mundo – Em 2008 o mundo consumiu algo ao redor de 3.5 litros per capita por ano, versus 4,5 em 1990. Enquanto os mercados emergentes aumentam consumo, os europeus, tradicionalmente grandes tomadores de vinho, vêm seu consumo anual cair em função de ritmo de vida e mudanças culturais. A Itália e França que representavam cerca de 45% do mercado em 1980, hoje mal chegam a 24%. Não fossem mercados como China, Índia, Rússia, Taiwan e Coréia e o mercado mundial estaria em sérios apuros!

Fonte: Wine Spectator

Salute e kanimambo

Reflexões do Fundo do Copo – Comentando um Decágolo

breno3       Mais um texto do amigo e colaborador de todos os sábados, Breno Raigorodsky. Para acessar seus textos anteriores, clique em Crônicas do Breno, aqui do lado, na seção – Categorias

 

               O cara não é o Lula, é o Carlos Alberto Doria um sociólogo multifacetado, um estudioso que não deixa o Darwin cair, só porque está escrevendo sobre a história da comida regional brasileira ou porque está fazendo um livro de reflexões sobre o cozinhar com oDecálogo Alex Atala. Ele acaba de publicar em seu blog uma norma para se beber vinho que não deixa de ter sua graça e propriedade. Digo ter sua graça porque como qualquer regra ditada, ela tem um tom imperativo que catalisa a informação em direção ao vazio e à incorreção. Digo ter sua graça porque o autor tem consciência das limitações de seu esforço normativo e por isso, tenho certeza, não pretende ser levado tão a sério assim.

São dez regras, dez conselhos, mas dos dez pego os primeiros cinco para comentar. 

Decálogo para o novo bebedor de vinhos

 1        – Saiba que a única fonte segura de conhecimento enológico é a comparação. Beber comparando é a única regra. Quem mais compara, mais conhece. E esse comparar é situar o próprio gosto no universo quase ilimitado dos vinhos.

Comentário – A uva vitivinícola ganhou, nestes últimos 3 mil anos, milhares de ramificações. Foi plantada, dizimada e replantada muitas vezes, não apenas por conta das pragas da vida, mas também por preferências dos proprietários e enólogos de plantão. Toda a região do Piemonte, por exemplo, planta uva nobre por conta de uma decisão de enólogo que elegeu a nebiolo como a uva com melhor potencial para a região, entre os séculos XVII e XIX. A Negrette, uva típica do sul da França é restrita a esta região e nunca saiu de lá, apesar de ter sido trazida do Oriente em uma das primeiras cruzadas. Porque uva é diversidade, vinificação é também diversidade. Evidentemente, no entanto, sabe-se que quase não há o que comparar entre um Chateaux de Iquem e um tinto Medoc, a não ser o fato de serem ambos produtos líquidos da uva colhida e fermentada.

2        – O ponto de partida para a comparação é qualquer um: um Miolo pode levar, por comparação, a um Haut-Brion. Ao avançar, não chore pelos que ficaram para trás.

Comentário – Considerado a minha reflexão acima, a comparação pode ser feita sempre, lembrando que dificilmente o degustador conseguirá desvincular suas sensações memoráveis na hora da comparação. Se uma garrafa de Miolo serviu como ferramenta para a mais importante conquista amorosa do degustador, ele sempre associará grande valor a este vinho, a ponto de eventualmente ser melhor avaliado que o Haut Brion degustado numa sala inócua e fortuita de uma loja de vinhos. A austeridade do conselho procede, no entanto, como provam  degustações feitas em blind test, onde degustadores menos experientes comumente confundem vinhos tintos e brancos, jogando por terra muitos dos preconceitos mais marcantes do mercado.  

3        – Diga não aos modismos. Eles em geral expressam estratégias de marketing de vinhos, regiões vinícolas. Exemplo: Beaujolais Nouveau. (Marketing, 10; vinho, 2,5!).

Comentário – Fatores do marketing podem escamotear um produto como no caso citado. Mas a atitude apressada de desdenhar qualquer envolvimento com um produto bem trabalhado pelas ferramentas do marketing não. O repúdio automático ao Beaujolais Noveau respingou nos outros beaujolais de modo extremamente cruel, a ponto de criar rejeição em enófilos mais experientes, que – já vi e comprovei – sequer querem conhecer vinhos excelentes feitos com a uva gamay, responsável pelos Noveau citado.

               Nada como isolar o vinho de todos os outros elementos, mas, verdade seja dita, um rótulo bem desenhado, que reflita perfeitamente o que o produtor e o enólogo esperavam dele, influenciam direta e positivamente a atitude do consumidor perante o vinho, o que é muito diferente do rótulo que pretende dourar a pílula, pretender algo de mais importante do que é. Num supermercado brasileiro, debatem-se nas gôndolas mais de 15 mil vinhos. Certamente, fatores visuais, referências felizes, contrastes de cores, ambientações, nomes e outros itens interferem diretamente na escolha, por menos que se queira. Igualmente, não há como esquecer o ganho emocional que se tem com algum “achado” desconhecido pelos outros entendidos…

4        – Não seja bobo. Livre-se da lábia dos vendedores sabendo que um vinho de US$ 1.000 não dá 10 vezes mais prazer do que um vinho de US$ 100. Prazer e preço não estão em relação direta.

Comentário – Sábias palavras, porque o preço não tem obrigatoriamente uma relação direta com o seu paladar. Pode ser que você goste apenas de vinhos sem madeira, jovens e frutados, cuja vinificação não exige tantos cuidados. Pois o preço do vinho tem a ver com a “lábia dos vendedores”, mas tem muito mais a ver com o custo de produção. Uma rolha pode custar de R$0,50 a R$8,00. Um vinho pode descansar e amadurecer num tonel de carvalho francês de primeiro uso que custa dez vezes mais do que um outro que já foi usado para mais de cinco colheitas. Um vinho pode ser fruto de uma colheita manual que permite menos de um litro por pé da planta, enquanto que outro pode ter sido colhido mecanicamente com uma produção de até 4 litros por planta. Uma garrafa de 750ml pode pesar em vidro mais de 1,5kg e custar muito mais do que o próprio vinho que contém.             

                 Nada disso impede, no entanto, que você goste mais do vinho barato do que do mais elaborado. Há duas Expovinis atrás, entrevistei Pio Boffa, presidente da Pio Cesari, uma das mais tradicionais produtoras de vinho com a uva nebiolo que disse algo como “meu vinho não é para o paladar daqueles que migraram recentemente do suco de laranja e da Coca Cola para o vinho. A eles vinhos docinhos na boca. Para gostar de um Barbaresco feito por mim, é preciso mais experiência, é preciso ganhar refinamento”.

5        – Liberte-se de preconceitos, não se guie por idéias prontas: o “vinho da serra é excelente” ou “o Brasil já está fazendo vinho bom”, ou “vinho europeu já era”, ou “o melhor shiraz é o sul-africano”, etc…

Comentário – O preconceito é grande demais para se saber de que lado ele está. Sou dos que afirmam que se faz bons vinhos no Brasil de hoje, apesar de achar como muitos que – por diversos motivos – ele ainda é caro demais, na maioria das vezes. Os vinhos de um modo geral ganharam um importância no mundo da agro-indústria, uma grandeza inimaginável para os produtores das décadas anteriores a 1960. Voltavam-se para o mercado interno, a não ser exceções de qualidade, como os vinhos de colecionador franceses e italianos sobretudo; e exceções de quantidade, como os vinhos italianos que guarneciam as suas colônias no Novo Mundo, que consumiram por décadas seus chianti de palhinha, seus Valpoliccella de pouca qualidade etc.

                 Tornaram-se produtos de alto valor agregado, alternativas rentáveis a muitos outros produtos agrícolas e com isso atraíram capital de outras atividades, inclusive externos ao próprio setor. Produtores de tecido, de cerâmica, idustrias farmacêuticas, astros do cinema, craques do golfe e do automobilismo e outros tantos, investiram seu rico dinheirinho em vinho.

Breno Raigorodsky; filósofo, publicitário, sommelier e juiz de vinho internacional FISAR

Dicas da Semana

                 Nesta semana começo com uma dica de compra imperdível. Os Trumpeter malbec/syrah e malbec, ambos belos vinhos que me agradam muito, estão por um preço que não é só para tirar o chapéu não, é para aplaudir e comprar. Meros R$30 no caso de compra de 3 garrafas, pechincha igual está difícil de achar e as promoções da Kylix também são excepcionais, especialmente o  meu muito querido Barão do Sul Garrafeira. Veja abaixo, mas tem mais.

Zahil e Trumpeter, uma dupla que vai dar o que falar nesta semana, até porque antecipamos aqui esta nova promoção da importadora. Passe pelo site deles e veja também uma incrível promoção de Vila Régia (Douro) um vinho super honesto e gostoso por menos de R$26,00 cada na compra de 3 garrafas. Vinho para o dia-a-dia, do Douro, com esta qualidade e por este preço duvido que encontre outro igual. Para os de pouca fé, rsrs, a comprovação de que vinhos BGB (Bons, Gostosos e Baratos) existem sim, basta garimpar! Aqui está o mapa da mina.

Zahil - Trumpeter

 

Adega Uniagro, mais um curso de vinhos desta feita em Porto Alegre. O vinho é uma verdadeira aula de geografia e história. Autêntico, expressa aromas e sabores do local onde é elaborado, a mão que planta e colhe seus frutos, a forma de pensar da gente desta terra. Um encontro informal, dinâmico, com linguagem fácil, voltada a iniciantes. Consta de bate-papo e degustação comparativa de vinhos, para entender estilos e diferenças.

Apresentação da enóloga Maria Amélia Duarte Flores.

 Iniciante em Vinhos – módulo I

Brancos, Tintos e Rosés

 Vinhos:

  • Santa Rosa Sauvignon Blanc 2007. Valle Central, Chile
  • Azabache Reserva Chardonnay . Vale de Uco, Mendoza, Argentina
  • Torres Viña Sol Parellada . Catalunya, Espanha
  • Learning To Fly Malbec Rosé, Mendoza, Argentina
  • Allan Scott Pinot Noir . Marlborough, Nova Zelândia
  • Villa Francioni Francesco , São Joaquim, Santa Catarina, Brasil
  • Bodega del Fin de Mundo Cabernet Sauvignon 2004 . Patagônia, Argentina

 26 de maio de 2009 das 19h às 22h na Adega Uniagro que fica à Av. A. J. Renner, 185  Porto Alegre. Valor individual – R$ 80,00 (incluso palestra, vinhos, apostila, certificado, pães, tábuas de frios e brinde com espumantes Don Laurindo e Marson. Sorteio de brindes)

 Informações e reservas – (51) 9331 6098 ou mariaamelia@vinhoearte.com . Vagas limitadas

 

No ótimo restaurante Magistrale aqui em São Paulo, especializado em cozinha italiana clássica e contemporânea, uma série de jantares temáticosMagistrale Restaurante harmonizados com vinhos da Mistral. Vejam só o primeiro desses jantares que será realizado agora, no próximo dia 27 de Maio. A compatibilização dos pratos com os vinhos foi feita pelos sommeliers Tiago Locatelli (Magistrale) e Cedric Grelin (Mistral), veja o que eles programaram: .

  • Couvert especial do Magistrale (Bresaola da casa, Vitelo com molho de atum e Tartare de carne) e os antepastos (salada de carne e capeletti em caldo de carne) serão compatibilizados com o Etna Rosso Calderara Sottana 2004, da vinícola siliciana Tenuta delle Terre Nere.
  • Ravióli de Vitelo e o Filet Mignon grelhado ao molho de pimentões, primeiro e segundo pratos, serão acompanhados pelo piemontês Barbera d’Asti Camp Du Rouss 2005, de Luigi Coppo.
  • Na sobremesa, Salada de frutas vermelhas com o Vietti Moscato d’Asti 2007, também do Piemonte.

Preço individual de R$ 160,00 (Cento e sessenta reais) que inclui além dos pratos e vinhos para degustação, café e água. Reservas podem ser feitas com Daniela pelo telefone (11) 3887-8870 ou pelo e-mail magistrale@magistraleristorante.com.br. O Magistrale fica ali na Rua General Mena Barreto, 765, Itaim Bibi (bem próximo à Av. São Gabriel). Tel. (11) 3885-4004 / www.magistraleristorante.com.br.

 

Mais um curso, desta feita em São Paulo na WinePro do amigo Egidio. A dica está um pouco atrasada, começou dia 18, mas vale a pena conferir.

Curso Egidio

 

Kylix e boas dicas de compra com descontos especiais. Alguns imperdíveis kylix2como o estupendo Barão do Sul Garrafeira 2002. Veja abaixo as boas sugestões e clique no link para ver mais promoções no site.

  • Monte do Vilar 2005 – Alentejo – Portugal – de R$30,80 está por R$28,60 e se comprar 6 sai por R$26,80 cada. Corte de Trincadeira e Aragonês. Cor rubi, aromas intensos de frutos vermelhos (framboesas e groselha) com um toque herbáceo; na boca, ele é jovem, frutado, um vinho agradável para o dia a dia, mas om uma complexidade superior para vinhos deste nível. Difícil encontrar vinho desta qualidade por este preço.
  • Protocolo 2007 – Espanha, 100% Tempranillo, é da mesma família do consagrado Códice, com um preço um pouco inferior. Vinho com caráter equilibrado, que mostra intensa cor rubi e notas de frutas vermelhas, baunilha e especiarias. Acompanha massas com molhos simples e carnes grelhadas. De R$46 está por R$42,00 e se comprar uma caixa o preço individual cai para R$39,80.
  • Barão do Sul Garrafeira 2002, um vinho de grande relação custo x beneficio que está com um preço incrível. Tomei minha última garrafa faz algumas semanas (até comentei aqui) e realmente está em seuapogeu, a melhor das diversas garrafas que provei. Uma compra imperdível. Corte de Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot e Castelão com 18 Meses em barricas de carvalho francês. Aromas complexos, cheios de notas frutadas e herbáceas. Aromas intensos (café torrado); muita presença e elegância na boca, com taninos presentes e sedosos. Final de boca persistente e pleno de sabor. Esta é uma edição limitada e numerada: são 6.266 garrafas no total. Estava por R$72, o que já era bom, mas baixou para R$67 e se comprar uma caixa, vale a pena até juntar os amigos, cai para R$63,50. Uma pechincha!
  • Lucarelli-Primitivo Di Manduria 2005 – Italiano da Puglia. De cor vermelha, escuro com reflexos violáceos. Aroma de frutas vermelhas e notas de tostado. Vinho complexo, de aromas de baunilha e madeira, muito macio. Fruta em geléia, estruturado e de grande persistência. Estava por R$117,80 , porém baixou para R$109,50 e se comprar uma caixa o preço cai para R$103,90.

Promoção válida até 02/06/2009 ou até o final dos estoques.

Confraria do Queijo & Vinho, um de nossos parceiros antigos na região do Sumaré em Sampa, vem agitando com suas novas atividades. Esta é a última dica desta semana, um happy hour na Confraria. Salute, kanimambo e bom fim de semana.

happy Hour Confraria

Noticias do Front – Direto da Vinci

Vinci Experience 001Desta vez direto das trincheiras armadas pela Vini Vinci no Hyatt em São Paulo. Uma coletânea de grandes nomes do vinho e seus grandes produtos. Trabalho duro definir o que conhecer nesse emaranhado de tentações. Na maior parte das vezes, tomo a decisão da rota a traçar em função dos objetivos deste blog, ou seja; garimpo por coisas novas, garimpo por boas relações custo x beneficio, prova de vinhos que venham completar meus estudos sobre determinadas regiões e somente por último provar aqueles que estão na minha “wish list”. Pois bem, desta vez decidi inverter o processo já que, invariavelmente, não chego nunca ao final e minha “wish list” segue aumentando. Desta forma, meti as caras logo à entrada, nos vinhos espanhóis da Viña Tondonia e da CVNE, sem deixar de antes dar uma passada pelo Champagne Henriot para preparar o palato para os saborosos vinhos que estavam por vir e apreciar esse doce néctar. Vamos lá, falemos desta experiência:

Tondonia – meu batismo nos tradicionais e clássicos vinhos de Lopes de Heredia e um enorme privilégio já que são vinhos de alto valor, o mais barato está acima de R$120,00 (pelo cambio de hoje), mas imperdíveis para o enófilo que se preze e algo que faltava em minha formação. Brancos Vinci Experience 002incrivelmente longevos elaborados com a cepa viura que tem como característica a lenta evolução e capacidade de oxidação. Provei os brancos; Gravonia Crianza 96, amarelo ouro aroma complexo de jerez, casca de laranja algo resinoso que encanta na boca com notas especiadas e algo mineral e um Vina Tondonia Reserva 89 (20 aninhos!) de cor dourada mais clara como espigas de milho ao sol, nariz de menor intensidade apresentando aromas complexos algo terroso e floral. Na boca é de uma sutileza, complexidade e delicadeza ímpares mostrando uma acidez ainda presente e bem balanceada, mineral, final longo e saboroso, um baita vinho e um estilo de vinhos que requer um apreciador mais experiente para entender e digerir esse …….de sabores e aromas não usuais aos vinhos brancos com que estamos habituados.

              Já nos tintos, a longevidade segue sendo uma marca da casa que começa desde o Viña Cubilo Crianza 2001, ótima opção para quem queira ter um gostinho destes tradicionais vinhos cheios de classe e história. Como nos brancos, difícil falar dessas verdadeiras obras de arte! Subindo a escada de complexidade o Viña Bosconia Reserva 99 e o Vina Tondonia Grande Reserva 87 que deveria ser servido com uma almofadinha para agradecermos de joelhos por tamanha dádiva que nos é oferecida por Julio César Lopez de Heredia. Vinhos de alto valor, mas nada caros se comparado ao que existe no mercado. Kanimambo.

Champagne Henriot – perlage prejudicada pela falta de taças adequadas e um estilo mais sério e austero, secos com forte presença de leveduras, brioche, bem clássico fugindo um pouco dos vinhos mais frescos de forte acidez. Os puristas que me perdoem, mas não me encantaram a não ser pelo Brut Millesimé 98 mostrou ser o grande destaque com bom corpo, nariz evoluído, grande equilíbrio, complexo e com uma acidez mais presente, um grande Champagne.

Domaine Pallus – diferente da maioria das sub-regiões do Loire que primam pelos brancos elaborados com Sauvignon Blanc e Chenin Blanc, Vinci Experience 005Chinon é berço de tintos e da Cabernet Franc vinificada como varietal. Chinon Pensées de Pallus 06 um corte de cepas de 17 parcelas diferentes e o estupendo e impressionante Chinon le Pallus 05, fruto de corte de cepas de 4 parcelas, um vinho clássico de grande personalidade, finesse, taninos sedosos, boa acidez, certa mineralidade, longo com uma certa salinidade presente no final de boca. Uma verdadeira obra de arte que sai das mãos de Bertrand Sourdais. Talvez o vinho que mais me tenha surpreendido nessa mostra da Vini Vinci. Junto com os Tondonia, vinhos de grande classe e elegância que despertam nossos sentidos e deixam marcas.

Palácios Remondo, um a bodega que pertence ao famoso e talentoso Vinci Experience 004Álvaro Palácios, esta é da Rioja e faz vinhos mais modernos e de maior concentração como o La Vendimia 06, saboroso, bom preço e fácil de gostar, Herencia Remondo Crianza 04, Propriedad H. Remondo 05 de grande potência e concentração e o que mais me encantou, o Herencia Remondo la Montesa Reserva 2000 um vinho que passa 24 meses em carvalho e já no nariz mostra a tipicidade dos vinhos clássicos da Rioja. Muita sutileza, finesse, um grande vinho de preço módico para o que entrega de sabor e sensações.

CVNE (Cia. Vinícola Del Norte de España), mais um dos grandes produtores da Rioja com história para contar. Sempre fui um fã de seu Viña Real Crianza, tempranillo com um pequeno corte de Grenacha, um vinho que mostra bem as características de Rioja por um preço bem camarada. Depois de provar, recomendo também o Cune Crianza 2005, Cune Reserva 2000, o Imperial Reserva 2001 é Rioja na veia, um grande vinho só superado na casa pelo estupendo Viña Real Gran Reserva 1998 uma dádiva dos Deuses que mostra que ano de safra fraca não é empecilho para quem sabe fazer vinho tirando o que de melhor a vinha produz e agregando conhecimento na correção das dificuldades recebidas.

Alemanha – dois produtores que visitei muito rapidamente. Da região de Rheingau a vinícola Hans Lang me encantei pelo vinho de sobremesa Hattenheimer Hassel Auslese 2003 muito equilibrado, delicado e sensual. Da região do Mosel a Selbach-Oster renomado produtor dos quais destaco o saboroso, suave e levemente doce Bereich Bernkastel Selbach Riesling Qba 06 para substituir o chá da tarde (rsrs) e no mesmo estilo porém com mais corpo e maior intensidade de aromas e sabores o Wehlener Sonnenhur Selbach Riesling Kabinett 04 e ainda o vinho doce de sobremesa o Wehlener Sonnemburg Selbach Riesling Spatlese (late harvest) 2004 muito bom, mineral e referescante todos com preços bem convidativos. Estrela da casa, um degrau acima em complexidade, harmonia, persistência e de grande expressão aromática é encantador na boca, Wehlener Sonnenuhr Selbach Oster Riesling Auslese 2003.

Quinta da Chocapalha , há tempos que queria provar o Quinta da Chocapalha tinto e o Chocapalha Reserva. O Reserva não estava mas pude confirmar a qualidade do Quinta “básico”. Realmente um bom vinho que me agradou bastante e que de básico não tem é nada.  Corte de Tinta Roriz, Touriga Nacional e um leve têmpero de Alicante Boushet, é um vinho rico, concentrado, denso, carnudo, de bom equilibrio, taninos aveludados e um final longo e saboroso. Certamente uma garrafa a comprar num futuro muito próximo para poder aproveitar melhor todo o seu potencial.

Errazuriz, mais uma empresa do grupo Chadwick produtor de primeiro nível com vinícolas como Caliterra, Arboleda, Seña e Viñedo Chadwick. Max Reserva Cabernet Sauvignon 06 vinho potente, encorpado e denso, digno representante dos bons cabernets da região; The Blend 06, um vinho que me agradou mais, muito bom no nariz e equilibrado na boca com boa persistência e mostra que tem ainda alguns anos de evolução pela frente, mas é o Dom Maximiano Founder´s Reserva 06 o grande vinho da casa e o preço acompanha. Complexidade na paleta aromática que se repete na boca com um perfeito equilíbrio entre potência e elegância, taninos aveludados e um saborosissímo final de boca de grande persistência. Definitivamente um dos melhores vinhos chilenos e um dos grandes de nossa vinosfera. Bom também, o Late Harvest de Sauvignon Blanc, bastante refrescante e bom equilíbrio entre acidez e doçura.

Angheben – realmente o Barbera 2007 é um dos vinhos nacionais que Vinci Experience 003mais me atraem, tanto pelo preço, apesar de já ter estado bem mais barato, como por, especialmente, a qualidade e grande harmonia conseguida num vinho leve, mas rico e muito agradável de tomar. Vinho que é uma constante em minha adega. Provei seu espumante Angheben Brut, bom dentro de um estilo mais clássico, sério e austero com aromas claros de brioche e leveduras bem presentes tanto na nariz como na boca, elaborado em partes iguais com Chardonnay e Pinot Noir de seus vinhedos de Encruzilhada do Sul. Provei e gostei do Teroldego 2005, um vinho de maior complexidade e estrutura que está em sua segunda safra, mostra taninos aveludados, equacionados, redondo e macio com bom volume de boca e final especiado de boa persistência. Gostei, mas achei o preço um pouco salgado.

Low Budget – do pouco que consegui garimpar, alguns poucos vinhos me chamaram a atenção. Entre eles os vinhos da: La Posta (Argentina), especialmente o Bonarda e o Cocina Blend (malbec/bonarda/syrah); Tília (Argentina) especialmente o Chardonnay e o corte de Malbec/Syrah; Piccini (Itália) Chianti DOCG 2006 e o Chianti Riserva DOCG 2004.

Best Buys – Tondonia Viña Cubilo Crianza 2001 e Viña Bosconia reserva 99 / Palacios Remondo Herencia Remondo La Montesa Reserva 2000 / CVNE Viña Real Crianza 2005 / Errazuriz The Blend 2006 / Selbach Ester Bereich Bernkastel QbA 2006 e Wehlener Sonnenuhr Spatlese  2004 / Domaine Pallus Pensées de Pallus 05 e Angheben Barbera 2007.  

Tristezas – de não ter conseguido visitar ou provar mais a fundo : Masseria Li Veli e Argiano (Itália), Maison Champy e Chateau Saint Marie (França), Niña Nora e Bodegas Naia (Espanha), Monte da Ravasqueira (Portugal) e Hang Lang (Alemanha) 

                Era para ter ido na Terça-feira e não deu. Era para chegar nesta Quarta às 16 horas, abertura, e cheguei às 18. Era para sair às 22 horas, final, mas minha carona chegou às 21 porque não poderia perder o jogo do Corinthians! Já sei, não trabalhei direito, mas cada um tem o castigo que merece, no meu caso um filho mano!! rsrsrs Resultado final; de pelo menos 10 horas que previa ter para conhecer 40 produtores e mais de 180 rótulos, fiquei com cerca de 3, ou seja pouco pude ver e provar. O que mais me atraiu está listado aí acima e espero que lhes possa ser útil. O catálogo da Vinci é enorme e repleto de vinhos muito interessantes, dos produtores presentes poucos pude ver (passei por 20, mas realmente conheci uns 14 ou 15), então aventure-se você no garimpo de bons rótulos de mais esta bem sucedida empreitada de Ciro Lilla.

Salute e kanimambo.