João Filipe Clemente

Dicas da Semana

Mais um pouquinho de cada coisa. Curso de vinhos na Granja Viana, boas dicas de compra, degustação no Villa e na Vino em Sampa e finalizo com uma tremenda dica de um festival de Suflês. Aproveitem. 

 A Assemblage Vinhos, aqui na Granja Viana, abre novas turmas para cursos de vinhos. Mais uma oportunidade para os iniciantes enófilos da região mergulharem nos segredos e inebriantes sabores mundo de Baco.

Cuso Assemblage 

 

Interfoods, a divisão Classics faz uma queima de estoque neste mês de Julgo, que vale a pena. Tem um pouco de tudo, garimpe no site, mas destaco estes rótulos como ótimos negócios:

  • Vila Romanu Tinto 2007 de R$36,50 por R$23,50
  • Quinta de Touriga Chã 2004 de R$137,00 está por R$79,00
  • Chianti Clássico Rocca di Montegrossi 2004 de R$82,50 por R$54,00
  • Marqués de Riscal Gran Reserva 1997 de R$337,50 por R$217,00
  • Terras do Monforte Escolha 2006, de R$90,00 por R$58,00
  • Vieux Chateau Lês Jouans 2005 – Saint Emilion – de R$123,00 por R$85,00
  • Herdade da Sobreira 2004, de R$102,00 por R$69,00
  • Domaine La Citadelle Rhone Lê Chataignier 2006 de R$68,00 por R$49,00
  • La Segreta Rosso 2007 de R$61,00 por R$46,00.

A promoção vai até 31 de Julho ou final de estoque, então tem que aproveitar logo.

 

Valduga no Emporio da Villa,  dos amigos Armando e Denise, está promovendo mais uma de suas saborosas degustações, desta vez com a presença dos vinhos da casa Valduga. Pretendo estar lá nesse dia, quem sabe vejo você lá?

Valduga no Villa

Como sempre, o custo é de R$50,00 pela participação, mas que fica de crédito para consumo em qualquer produto da casa, inclusive na compra dos bons vinhos sendo degustados. Para reservar contate o Armando /  Denise ou Aline pelo telefone 3467-4068/4069 das 11 s 16:00 oi no 3467-4070 após as 18 horas. Se preferir, mande um e-mail para armando@emporiodavilla.com.br ou villa@emporiodavilla.com.br. O Villa fica na rua Dr. Fonseca Brasil 108, uma travessa da Giovanni Gronchi a duas quadras do Shopping Jardim Sul, no Morumbi/Pananby.

 

Enoteca Fasano, difícil, mas garimpando até eles têm alguns bons rótulos com preços camaradas. Já comprei alguns vinhos lá, mas o problema é que a maioria dos rótulos deles são de vinhos bem caros. Desta feita eles estão com uma promoção de vinhos chilenos e argentinos por R$36,00.

  • A linha chilena é o Isla Negra, dos quais somente tomei um uma vez e não deixou qualquer lembrança então não posso falar muita coisa. Vi que tem uns bi-varietais interessantes, mas estes são para comprar, eventualmente, uma ou outra para provar.
  • Joffré e Hijas, linha Pasión 4, nestes argentinos é para mergulhar de cabeça.  Conheci o proprietário Sr. Joffré que toca o empreendimento de forma apaixonada com suas filhas e me encantei com todos seus vinhos em especial o Bonarda Pasión 4. Tem mais, no entanto, tem o premiado Malbec, o Cabernet Sauvignon e, a esta altura do campeonato até provaria o Merlot, que esse não conheço. Já tinham um bom preço (R$40) e ficou ainda melhor. Esse Bonarda não dá para perder!

Ligue para o Filipe Massa (11-3077.5019/9907.2747), que não é aquele, mas também manda legal, e compre de caixa ou faça um mix, vale muito a pena. A loja está em promoção com descontos que vão até 20%, dependendo da faixa de preços, então merece uma garimpada. Se for lá, dê uma olhada na linha do francês Clos Canos – Corbiére/Languedoc , bons vinhos. www.enotecafasano.com.br .

 

A Vino, loja e cantina de Curitiba que abriu uma filial aqui em Sampa, está festejando dois anos de vida e nós ganhamos presentes. Todos os Sábados, uma degustação gratuita e rótulos com 10% de desconto. Para começar, logo de cara nosso amigo Juan estará lá com seus incríveis vinhos espanhóis. Uma boa pedida, veja abaixo.

 Promoção Vino

 

Suflês para Todos os Gostos no Festival de Suflês do La Marie. Suflê, adoro suflê e este release que a Simone me enviou deixou-me com água na boca. Ainda por cima que tenho amigos que rasgam elogios ao Edson, então vou ter que dar um jeitinho de passar por lá. Mas vamos ao que a Simone tem a nos dizer.

           Desde a abertura do restaurante La Marie, o chef-proprietário Edson Di Fonzo tem como um dos itens de destaque em seu menu a seção dedicada aos suflês. Alguns de seus clientes vão a casa especialmente para degustá-los e é de dar água na boca o aroma dos suflês recém-saídos do forno passando entre as mesas. “Servir um suflê é oferecer o melhor momento da arte da cozinha. É gratificante ver nos olhos dos clientes o prazer em saboreá-lo”. – Declara com empolgação o chef Di Fonzo.souflé doce

         Com o inverno e seus dias frios, a procura pelos suflês aumenta e baseado nesta demanda, Di Fonzo realizará no período de 6 a 26 de julho, no almoço e jantar, o Festival de Suflês do La Marie com quinze variedades da iguaria, entre doces e salgados. O carro-chefe do Festival será o delicioso e lindíssimo suflê de lagosta, que é montado em cima de uma lagosta inteira aberta ao meio (R$80,00). De paladar impecável também é o de pinhão, lançamento especial para o evento (R$30,00). As opções salgadas são servidas em tamanho grande e os doces são médios.

         Prevendo a indecisão de alguns clientes na hora de escolher apenas um suflê, o Edson disponibilizará um menu degustação deles, onde se poderá escolher 3 sabores distintos, exceto o de lagosta, ao preço de R$50,00. Cada um é oferecido na versão petit e são servidos um de cada vez, pois o prato deve ser consumido logo após ser assado para não murchar.

Confira abaixo todos os itens do Festival de Suflês do La Marie:

  • Premium – Lagosta – R$80,00
  • Do Mar – Bacalhau, Camarão, Haddock, Salmão – R$ 40,00
  • Especiais – Espinafre, Brie, Três Cogumelos, Limão Siciliano, Pinhão, Legumes – R$ 30,00
  • Degustação (três a escolher na forma petit) )R$ 50,00
  • Soufles Doces – Chocolate, Grand Marnier, Romeu & Julieta, Banana – R$ 17,00 o tamanho médio.

Bem, eu não sei vocês, mas eu já fiz a minha escolha pelo menu degustação com Brie, Camarão e Bacalhau. Depois, até porque não sou de ferro, um de chocolate. Bon apetit!

Saldão na Assemblage Vinhos. Esta é para finalizar as dicas de hoje, mais uma dos amigos Bete e Marcel. Uma lista de rótulos em promoção e na loja tem mais, mas é só nesta Sexta e Sábado. Quem tiver por aqui, Granja Viana e região, (do Butantã a São Roque) ou quiser vir almoçar no Sábado em um dos bons restaurantes do pedaço (Recomendo o Pátio Viana do Ney), não perca a oportunidade de garimpo. Certamente será um dia muito agradável fora da zorra que é São Paulo.

Assemblage - Saldão julho

Salute e kanimambo

Vinhos da Semana

             È, fazia tempo que não publicava nenhum post destes “vinhos da semana” que vou tomando e compartilhando com os amigos. A periodicidade não é bem essa, mas isso é o que menos importa, o que vale mesmo são os vinhos e esta foi uma semana das boas, entre outras coisas porque matei saudades do gostoso Quinta de Camarate, mas tem mais!

Camarate + 003 

 

Ochotierras Gran Reserva Carmenére 2005, a última de minhas garrafas (snif,snif) deste vinho realmente estupendo sendo um dos varietais desta cepa que mais me encantaram até hoje. Está com uma paleta olfativa cativante de ótima intensidade, na boca é de grande elegância, muito harmônico com ótima acidez o que lhe dá uma vivacidade muito interessante, taninos finos e aveludados, rico, boa estrutura um leve apimentado final de boca com boa persistência. É importado pela Brasart e da última vez que vi estava disponível na Kylix e BR Bebidas com preço ao redor de R$90,00. Para tomar hoje e aproveitar por mais um bom par de anos.   I.S.P. 

 

Orzada Malbec 2005, ganho do amigo Cláudio do Le Vin au Blog em sua promoção de sugestão de perguntas para sua enquete semanal, é um Malbec chileno e, conseqüentemente, diferente dos argentinos que estamos habituados a tomar. É um vinho muito agradável ao olfato com presença de frutos negros, na boca é untuoso, macio e elegante sem a concentração exagerada que vemos muitas vezes nos vinhos argentinos, equilibrado, saboroso, taninos finos e sedosos, final de boa persistência uma pena que o preço seja tão caro. Na World Wine por R$86,00, em São Paulo, acho além da conta. Este produtor também produz um estupendo varietal de Carignan. I.S.P.  

 

Elos Malbec/Cabernet Sauvignon 2006, da linha dos topo de gama da Lídio Carraro é um vinho muito bom que me agradou bastante. Nariz agradável de frutas do bosque maduras, algo vegetal, aparecendo um caramelo em segundo plano e após um tempo em taça. Na boca mostra-se bem equilibrado com taninos maduros e macios, untuoso, médio corpo, bom volume de boca, saboroso e de boa persistência. Pelo preço aqui em São Paulo, variando entre R$55 a 65,00 acho um pouco puxado. Pelos R$40 que vi em lojas do Sul (na Costi Bebidas em Porto Alegre vi em oferta por R$36 e a este preço compraria de caixa) é uma das boas opções do mercado nos dias de hoje. I.S.P.

 

MUMM Cuvée Reserva Brut, espumante produzido por esta Casa de Champagne na Argentina. Pouca espuma, cor palha, perlage de tamanho médio com razoável persistência. Aromas de boa intensidade com forte presença de leveduras e brioche num estilo aromático mais tradicional. A sensação no palato segue o nariz, bem balanceado e frescor adequado sem ser vibrante com um leve amargor final. Para quem gosta do estilo, é interessante, mas não chega a empolgar. Pelo preço, em torno de R$26,00, vale, mas acho que temos melhores opções nacionais nessa faixa. I.S.P.

 

Quinta de Camarate 2005, um dos meus vinhos portugueses preferidos e que há muito não tomava, daqueles que a gente compra e não só bica em degustações ficando somente no desejo. Da Terras do Sado (CVR Setúbal) é produzido Diversos 117pela José Maria da Fonseca, uma das mais antigas vinícolas portuguesas, a primeira a engarrafar vinhos no país lá pelos idos de 1850. Conheci este vinho no Brasil por volta de 2005 quando o Pão de Açúcar o importava tendo, inclusive, comprado diversas caixas junto com amigos. Depois, voltei a tomá-lo num delicioso jantar com um amigo que há muito não via, lá Quinta do Anjo em Palmela “esquina” com o Azeitão, no gostoso restaurante Alcanena. Pelo que me lembro do vinho, melhorou mais ainda, ou será o fator saudade e uma certa nostalgia influindo? De qualquer maneira, vinho tem que mexer com as nossas emoções e este mexeu, e muito, com as minhas. Corte de Touriga Nacional (sempre ela) com Aragonez e Castelão, está com quatro anos de vida, e no ponto para ser bebido. Nariz muito frutado “red berries”, floral com nuances tostadas, muito rico em sabores em que a fruta se mostra muito presente, bom volume de boca, corpo médio, taninos macios, ótima acidez, mineral, redondo e harmônico com um final levemente especiado e longo. Um vinho para tomar levemente refrescado, por volta de uns 16º e muito, muito agradável de tomar. Está na faixa do 7,50 para 9 euros e foi uma das boas compras que fiz na ultima vez que estive em Portugal. Dizem que o branco também é muito bom, mas ainda não tive oportunidade de o provar, está na lista. Não entendo como nenhum de nossos importadores traz este vinho!! I.S.P. 

Salute e kanimambo.

Desafio Merlots do Mundo – Resultado

            Bem, eis finalmente os resultados desta gostosa prova com desafiantes de todos os lados de nossa vinosfera, um total de 10 países presentes ao Desafio. Prepare-se, são doze vinhos então este post tem chão! Como sempre, ressalto o fato de que o conceito destes Desafios de vinhos é tentar mostrar uma visão do produto por parte do consumidor através de um perfil bastante heterogêneo dos participantes da banca degustadora não sendo, consequentemente, uma visão de criticos profissionais do setor. Ou seja, aqui, afora aspectos técnicos, considera-se a emoção que o vinho despertou ao ser tomado. Não é para isso que você toma vinho? 

          Exceção feita ao Casillero Del Diablo Merlot 2007, todos os outros vinhos foram decantados, tendo depois voltado para a garrafa e adega, de forma a não perder a temperatura de serviço. Antes de iniciar, quero agradecer aqueles que contribuiram para que este Desafio pudesse ser realizado; A Trattoria do Pietro no Shopping Open Center no Morumbi, os importadores, Expand / Interfood / Decanter / Mistral / Wine Society / Casa Flora / Portuscale / Vinhos do Mundo e VCT Brasil assim como a Miolo e Valduga.

             Eis o resultado conforme ordem de serviço, lembrando que a degustação foi feita totalmente às cegas. Por serem 12 membros na banca, optei por eliminar as menores e maiores notas dadas a cada um dos vinhos. Ao final, listo os jurados e a escolha de cada um como melhor vinho da noite e, afora este resultado, apuramos também, o Melhor Custo x Beneficio e Melhor Compra através do voto de todos. Não tive muito tempo para pesquisar pontuações internacionais de cada vinho, para mero efeito comparativo, porém como tenho acesso à Wine Spectator, pesquei o que deu lá. Quem tiver outras fontes de pontuação e queira colaborar, basta enviar-me a informação como comentário. Os comentários são um mix do que os degustadores marcaram em suas fichas padrão ABS. Vamos lá.

Label La ButteChateau La Butte Viellies Vignes 2005, o desafiante Francês de Bordeaux, berço da Merlot, originado de vinhedos com mais de 50 anos. Preço USD43,50 estando disponível na Mistral. Aromas delicados de frutas madura, algo resinoso com nuances herbáceas, na boca mostra-se saboroso, com taninos sedosos, boa acidez algo ligeiro e não muito longo. Um vinho com uma personalidade “amistosa” , fino e elegante, corpo médio, bastante agradável e fácil de tomar. Nota média obtida 82,15.

 

Label Fabre Montmayou Gran Reserva MerlotFabre-Montmayou Patagônia (Infinitus) Gran Reserva 05, a Argentina não é berço de grandes Merlot, mas este eu conhecia e fiz questão de o colocar na roda como digno representante de nuestros irmanos! Com 89 pontos na Wine Spectator, é um vinho de que gosto bastante e tem um preço de R$98,00 estando disponível na Expand. Balsâmico, especiarias, com nuances químicas no nariz. Na boca é bastante complexo, de bom corpo, boca cheia, equilibrado e muito saboroso com final de boa persistência em que aparece baunilha e algo de chocolate. Nota média obtida 86,25 pontos.

 

label - Miolo TerroirMerlot Terroir 2005, o primeiro de nossos representantes tupiniquins com um preço ao redor de R$65,00 tendo sido pontuado na degustação da Freetime, com 88,7 pontos. Frutas negras, madeira algo de tabaco no nariz. Na boca apresenta-se frutado, equilibrado mostrando boa acidez e taninos aveludados, bom volume de boca, saboroso com um final de boca longo deixando um leve amargor residual que não chega a incomodar. Obteve a média de 85,35 pontos.

 

Label Planeta MerlotPlaneta Sicília Merlot 2005, o desafiante italiano, que conheci numa degustação promovida pela Interfood, o importador deste produtor. Preço R$143,00 possuindo uma pontuação de 85 pontos na Wine Spectator. Eu dei mais, a média deu menos, uma degustação ás cegas é isso mesmo e tem que ser respeitada. Aromas de frutos negros, algo de especiarias, talvez cravo, na boca é um vinho encorpado de perfil moderno, robusto com o álcool um pouco predominante. Final longo e complexo, talvez presicasse de um pouco mais do que a uma hora que teve de decantação e, certamente, cresceria muito com comida. Nota média obtida 84,20.

 

Label Marques de Casa ConchaMarqués de Casa Concha 2006, desafiante chileno (produzido pela Concha y Toro) e mais um que fiz questão que estivesse presente até porque é reconhecidamente conceituado como um dos melhores Merlots chilenos, neste caso com 90 pontos da Wine Spectator e um preço na Expand, sua importadora, de R$78,00. Bastante químico no nariz, fruta madura e nuances de café que se intensificam com o tempo em taça. Equilibrado, firme e harmônico com taninos finos, corpo médio, cremoso com taninos aveludados e muito saboroso com bom volume de boca e bastante longo. Confirmou o que se esperava dele tendo obtido uma nota média de 88,35 pontos.

 

Merlot Storia labelStoria 2005, mais um Desafiante tupiniquim produzido pela Casa Valduga e merecidamente reconhecido hoje como um dos melhores vinhos nacionais tendo obtido 88,7 pontos na degustação de Merlots brasileiros da Freetime. Saiu para o mercado a R$85,00, mas as poucas  garrafas que se acham no mercado estão entre R$110 a 120,00. Complexo nos aromas, fruta madura, capuccino, algo floral entrada de boca marcante, denso, fruta compotada, taninos doces em total equilíbrio com a boa acidez deixando-o redondo, rico, aliando potência e elegância num final de muito boa persistência. Alguns dos adjetivos das fichas; belo, vinhaço, espetacular o preferido de seis dos doze degustadores. Efetivamente um grande vinho que se comportou especialmente bem no Desafio desta noite tendo obtido uma nota média de 90,75 pontos.

 

Label Smithbrook MerlotSmithbrook 2005 foi o Desafiante australiano e o único com uma maior participação de outras cepas que não Merlot. A regra é no mínimo 85% e este apresentou 86%, com o restante sendo composto de 12% Cabernet Sauvignon e 2% Petiti Verdot. Já tinha provado, e gostado, deste vinho em uma outra ocasião e apesar de esta não ser uma uva relevante na produção australiana, assim como na Argentina, este mostrou-se um digno representante. É trazido pela Wine Society e é comercializado por cerca de R$75,00. No nariz mostrou-se algo químico, especiado com nuances de menta. Na boca é bastante rico, bom volume de boca, complexo com alguns toques herbáceos, taninos aveludados, corpo médio, de final elegante e bem equilibrado que evolui na taça para aromas achocolatados. Obteve a média de 86,80 pontos.

 

Label Fleur du Cap UnfilteredFleur du Cap Unfiltered Merlot 2005, importação da Casa Flora com preço sugerido ao consumidor, em torno de R$83,00 e foi o Desafiante que representou a África do Sul nesta agradável noite. Aromas de boa tipicidade e intensidade. Taninos doces ainda com forte presença, equilibrado, algo fechado mostrando todo o seu potencial de guarda. Mais um país onde a Merlot não é das uvas de maior destaque, mas este mostra muitas qualidades, boa persistência e potencial de desenvolvimento. Nota média obtida 86,70.

 

Label Casillero MerlotCasillero Del Diablo Reserva 2007, o vinho surpresa da noite, colocado na lista sem o conhecimento de nenhum dos convidados. O Pizatto Reserva 2005, o outro surpresa que pretendia colocar, lamentavelmente foi um “no show”, então este ficou sozinho disputando contra rótulos de valor agregado bem mais alto. O vinho é importado e distribuído pela VCT Brasil (Concha y Toro) e custa em média R$30,00. Aromas, mais uma vez, mostrando fruta madura, nuances herbáceas e algo químico uma constante em boa parte dos vinhos provados. Na boca é macio, rico de sabores, redondo, taninos doces e sedosos, acidez balanceada, um vinho muito saboroso e fácil de se gostar. Talvez não apresente a mesma complexidade de outros vinhos, mas é muito bem feito, confirmando minha primeira impressão ao degustar toda a linha 2007 da Casillero em meados do ano passado, este varietal é certamente um dos melhores. Na Wine Spectator obteve 85 pontos e neste Desafio obteve uma média de 86,05 pontos sendo o preferido de dois dos degustadores.

 

Label Abadal 5Abadal 5, o representantes espanhol trazido pela Decanter é um corte de cinco clones de origens (Califórnia, França e Itália) e parcelas diferentes dentro do vinhedo. Seu preço estão ao redor de R$113 e esperava ansioso por conhecê-lo. É tímido nos aromas algo balsâmicos e químicos com fruta compotada em segundo plano. Na boca mostrou-se algo herbáceo, taninos ainda firmes e adstringentes, carnoso e untuoso, boa estrutura, aparecendo um certo desiquilibrio e amargor final que incomodou a maioria. Como o Innominabile II no Desafio Assemblage, acho que este vinho merece uma segunda chance pois, apesar de a rolha não apresentar problemas aparentes, é certo que não se apresentou bem neste embate. A Wine Spectator deu-lhe 78 pontos e o Guia Penin 89, aqui ele obteve a média de 80 pontos.

 

Label Wente Crane RidgeWente Crane Ridge Merlot 2004, elaborado por um dos mais antigos produtores americanos, este californiano representou a terra de Tio Sam, 79 pontos da Wine Spectator, neste Desafio. Este foi o segundo rótulo que não era 100% merlot, apresentando um corte de 2% , acreditem, de Touriga Nacional. É trazido pela Vinhos do Mundo e custa em torno de R$98,00. Lembrando que o Desafio era às cegas, os principais comentários aos seus gostosos e intensos aromas era de que nos lembrava Vinho do Porto! Será que 2% de Touriga podem fazer toda essa diferença? Untuoso, rico, ótima estrutura com bom volume de boca, taninos sedosos, macios, muito harmônico com um longo e saboroso final de boca lembrando bala toffee. Um vinho que talvez fosse tecnicamente inferior a alguns outros, mas que teve a ousadia de mexer com as emoções das pessoas tendo gerado um burburinho na mesa. Só por isso já levou uns pontos a mais tendo totalizado a média de 89,30.

 

Label Ma PartilhaMá Partilha 2001, produzido pela Quinta da Bacalhôa nas Terras do Sado em Portugal, é o digno representante Luso, mostrando que os vinhos varietais de uvas internacionais também têm vez por lá. Como o La Butte, é um vinho mais elegante e fino, pronto a beber, talvez até já mostrando alguma fadiga pelo tempo já que era o único no painel com 8 anos de vida. Em função disso, somente o decantamos por meia hora, evitando uma maior oxigenação do vinho. Nos aromas é algo tostado, frutas secas e café sem muita intensidade. Na boca é sedoso, macio e harmônico, faltou-lhe um pouco mais de corpo (idade?), saboroso, mostrando uma certa finesse que normalmente a idade nos traz. Odiado por uns e esnobado por outros, a nota final obtida foi de 86,05.

               O resultado final comprovou a fama e mostrou uma performance incrível de nosso representante Brasileiro o Storia da Casa Valduga como o grande campeão da noite, um verdadeiro “Best in Show” especialmente bom neste Desafio mostrando porque o elegi como um dos Melhores Vinhos de 2008 ! Só para que se tenha uma idéia, a nota mais baixa recebida pelo Storia nesta noite, foi de 88,5 pontos. Este eu gostaria de ver em mais degustações ás cegas num embate com os grandes de outros países tanto do velho como no novo mundo. A meu ver, é um vinho que extrapola a origem tendo se transformado num vinho marcante em qualquer lugar do mundo. Opinião de plebeu, mas vero!  Logo a seguir, em segundo lugar, uma das grandes surpresas da noite, o desafiante americano Wente Crane Ridge e em terceiro o sempre seguro Marquès de Casa Concha, o representante chileno nesta disputa. Para finalizar o pódio, em quarto lugar o australiano Smithbrook e em quinto o sul africano Fleur du Cap Unfiltered. Como Melhor Relação Custo x Beneficio o Casillero del Diablo 2007,  escolhido por unanimidade, e a Melhor Compra o Wente Crane Ridge, provavelmente em função de sua capacidade de emocionar.

           Como disse ontem, acho que a banca mostrou uma certa tendência “novo mundista” neste embate de bons e representativos Merlots do Mundo, mas não acredito que isto possa ter influência direta já que os primeiros lugares dificilmente mudariam em qualquer outra circunstância.  Alguns vinhos poderiam ter se dado melhor, mas o resultado e a performance dos ganhadores, nesta noite específica, é incontestável. Pois bem, estes foram os vinhos escolhidos como o melhor da noite por cada um dos membros da banca e sua pontuação:

  • Emilio – Storia – 92 pontos
  • Denise – Wente Crane Ridge – 93pontos
  • Evandro – Casillero – 91 pontos
  • Luis Fernando – Marqués – 89 pontos
  • Cristiano – Storia – 91 pontos
  • Marcel – Wente Crane Ridge – 90 pontos
  • Jaerton – Storia – 94 pontos
  • Fabio – Storia – 90 pontos
  • Francisco – Casillero – 90 pontos
  • Zé Roberto – Wente Crane Ridge– 92 pontos
  • Alexandre – Storia – 93 pontos
  • João Filipe – Storia – 93 pontos (tinha dado 90 na Freetime)

Panorama Desafio Merlots da Trattoria do Pietro

Trattoria do Pietro – Av. Dr. Guilherme D. Vilares 1210 – Shopping Open Center – Morumbi – São Paulo – Tel. (11) 2579.6749

Grande Desafio Merlots do Mundo

Fotos Pietro 006Realizado nas agradáveis instalações da Trattoria do Pietro, onde fomos muito bem recebidos pelo Juan, Armando, Roberto e equipe na última segunda-feira dia 23, tivemos algumas gratas surpresas e outras nem tanto. Foram 12 vinhos provados, tivemos um “no show”, todos de boa qualidade, mas verdade seja dita, a banca mostrou estar mais inclinada ao estilo novo mundo do que ao do velho o que pode ter influenciado o resultado final deste Desafio.

               Para começar nossas atividades e preparar o palato para uma maratona que nos esperava, iniciamos com a degustação de um espumante muito Casillero brutagradável e novo no mercado. É o Casillero Del Diablo Sparkling Brut Reserva, elaborado com 100% de uvas Chardonnay do Vale do Limari. Padrão Concha y Toro, que dificilmente erra a mão, e certamente uma grande adição à linha da Casillero Del Diablo. Muito mineral, fresco, vibrante, perlage abundante, fina e persistente, cítrico com um toque suave de leveduras, muito saboroso, bem feito e de boa persitência. Com um preço ao consumidor aproximado de R$73 a 75,00, surpreende por se tratar de um produto para o qual o Chile não tem mostrado muita aptidão até agora.

               Após a prova, tivemos o prazer de aproveitar o que tinha nos sobrado nas taças acompanhando uma massa e um chateaubriand ao molho madeira servido pela Trattoria. De ressaltar a leveza deste ravioli recheado de mussarela de búfala coberto por um saborosíssimo molho Pietro, uma especialidade da casa que recomendo. Para terminar esta introdução ao Desafio, os resultados e resenha dos vinhos apresento amanhã, não poderia deixar de agradecer ao Roberto que nos atendeu maravilhosamente bem junto com sua equipe e ao Pires do estacionamento do Open Center que, devido ao adiantado da hora e necessidade de fechamento do estacionamento, teve a gentileza de retirar todos os carros e estacioná-los na rua em local apropriado.

             Sempre há correções a serem feitas, estamos apenas no quarto Desafio, mas certamente foi mais uma agradável noite de descobertas e conhecimento. Presentes os degustadores costumeiros:  Emilio Santoro (Portal dos Vinhos) / Evandro Silva e Francisco Stredel (Confraria 2 Panas) / Zé Roberto Pedreira, Fábio Gimenes, e Jaerton Eduardo da Confraria de Embu / Alexandre Frias (Diário de Baco) / Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos), Denise Cavalcante (Assessora de Imprensa), Marcel Proença (Assemblage Vinhos) e eu.  Abaixo a fotos dos desafiantes perfilados após o embate. Amanhã veremos quem faturou o titulo de; Melhor Vinho / Melhor Relação Custo x Beneficio e melhor Compra.

Merlots do Mundo 009

Salute e Kanimambo

Noticias do Mundo do Vinho

Zuccardi, Novos Produtos e Novo Importador. A  Zuccardi, Zuccardi ALAMBRADO malbec 08conhecida vinícola argentina produtora dos vinhos Sta. Julia e o maravilhoso Zeta entre outros ótimos vinhos, aproveitou a Vinexpo para lançar seu novo rótulo ALAMBRADO ainda sem data para chegar ao Brasil. A linha será composta por um Malbec, um Cabernet Sauvignon e um espumante elaborado pelo método tradicional. O que já tem data para chegar, provavelmente em Agosto, será o Sta. Julia Reserva Tempranillo recentemente premiado com medalha de ouro no International Wine Challenge.

         Paralelamente, informa que seu novo representante e importador exclusivo é a  Ravin, empresa jovem porém de gente experiente no mercado com planos de dar uma dinâmica diferente à linha de vinhos da Zuccardi. A linha Fuzion, um dos melhores custo x beneficio do mercado, deverá voltar ao mercado em 2010 conforme me informa a Viviane direto da Vinexpo.

 

VinhoFest II em BHboa noticia para os amigos mineiros. Querendo repetir o sucesso da primeira edição o ano passado, mais uma vez Belo Horizonte será palco de um grande evento viníco na cidade. Afora a mostra de vinhos em si, mais de 350 vinhos, alguns dos principais restaurantes da cidade, também estarão participando com um Festival de Harmonização. Prepare seu coração e taça, a mostra começa agora dia 2 de Julho.

 VinhoFest II

 

CVR Lisboa ganha 10 medalhas.  Em 2009, o Decanter World Wine Awards foi a competição que mais entradas teve em comparação com os outros concursos, reforçando assim a sua posição do maior concurso de cvr-lisboavinhos do Mundo.

Nesta competição concorreram 10.285 vinhos, o dobro desde há seis anos atrás, data do lançamento da competição. A Região de Lisboa alcançou 10 prémios, desta vez 10 medalhas de Bronze atribuídas aos seguintes produtores da Região: Casa Santos Lima, Companhia Agrícola do Sanguinhal, DFJ – Vinhos e Enorport. Fonte: Wine Essência do Vinho.

 

Villaggio Grando – Fiquem de olho e acessem o site – www.villaggiogrando.com.br  – para ver as novidades desta importante vinícola da Serra Catarinense. Para aqueles que não sabem onde comprar seus bons vinhos, agora existirá a possibilidade de compras on-line. Vale conferir!

 Villaggio teaser

 

Novo DOCG italiana confirmada para Prosecco. “Conegliano Valdobbiadene Prosecco Superiore” será a denominação impressa nas garrafas de Prosecco produzidas nesta região coberta por 15 comunas onde 160 produtores terão a honra de ostentar esta marca a partir do ano que vem. Mais nove comunas poderão fazer uso da denominação DOC e o restante estará proibido de afixar o nome Prosecco em seus rótulos, devendo usar o nome Glera, um outro nome pela qual esta cepa é conhecida na Itália. Fonte: Drink Business

 

Vinhas da Ira Fatura Ouro no Concours de Bruxelles. Os vinhos de Henrique Uva/Herdade da Mingorra (www.mingorra.com), no mercado desde 2004, logo conquistaram a preferência de público e crítica exigentes. A atestá-lo estão os 74 prémios entretanto conquistados em prestigiados concursos nacionais e internacionais.

Vinhas da IraRecentemente, no Palácio da Bolsa, no Porto, o vinho tinto regional alentejano Vinhas da Ira foi eleito o segundo melhor de Portugal, na prova internacional “Top Ten Vinhos Portugueses”. Esta distinção aos vinhos de Henrique Uva/Herdade da Mingorra vem juntar-se a muitas outras, recebidas no International Wine Challenge, no Challenge International du Vin e no concurso da Confraria dos Enófilos do Alentejo, “Os Melhores Vinhos do Alentejo”, onde o vinho rosé ganhou a Talha de Ouro – 1.º Prémio – da colheita de 2008.

Agora, no Concurso Mundial de Bruxelas “CMB 2009”, entre mais de 6 mil vinhos provenientes de 54 países, perante 250 provadores profissionais oriundos de 41 países, a Henrique Uva/Herdade da Mingorra conquistou três medalhas, uma de ouro e duas de prata, a que se juntam pontuações elevadíssimas, na senda do que tem obtido em anos anteriores neste concurso mundial. Os vinhos de Henrique Uva estão disponíveis no Brasil através da Lusitana de Vinhos e Azeites. Para ler a noticia completa, clique em http://www.revistabluewine.com/php/premios.php?id=113.

 

Sinal dos Tempos, China Compra Bordeaux. Tá, não é tanto assim, mas que a compra do Chateau Richelieu pelo grupo de produtos de luxo, HongKong A&A International, mexe com as emoções dos mais tradicionalistas, lá isso não restam dúvidas. O quanto um dos mais antigos Chateaus da região de Fronsac, a alguns quilômetros de Saint Emilion, com mais de 1250 anos de história pode mudar ao ser assumido por gente de cultura e tradição tão diferentes, saberemos mais para a frente, mas que é um sinal dos tempos lá isso é! O negócio, estimado em cerca de três milhões de Euros pela propriedade de 15 hectares, seguirá tendo á frente do seu gerenciamento operacional a presente equipe sob a batuta do holandês e sócio Arjen Pen, enquanto os chineses assumirão todos os aspectos comerciais da operação incluindo a distribuição no mercado asiático, em especial o chinês. Vendas de vinhos de Bordeuax na China creceram 36% no ano passado versus o crescimento médio do setor na região, de 15%. Fonte: Revista Decanter.

Salute kanimambo.

Reflexões do Fundo do Copo – o gosto, o desgosto e o degustar.

            Quisera poder comparar vinhos com coisas diferentes, para não ter que por em xeque minhas certezas neste quesito. Quisera ser fiel ao meu gosto já determinado, para que pudesse contar com uma sólida base de certezas que me permitissem construir minha adega até o fim da minha vida. Deste ponto de vista, feliz era aquele saloio que vivia em seu canto, consumindo os produtos da região, jamais entrando em contato com o desconhecido. Urbano e mundano que sou, a informação de que existem muitos milhares de vinhos no mercado que eu não conheço me deixa extremamente desconfiado das minhas certezas.

              Quem sabe entre os desconhecidos exista o vinho do dia-a-dia definitivo. Quem sabe entre eles, exista um vinho igualzinho aquele que gostei tanto, mas muito mais barato. Quem sabe entre eles haja sabores inesquecíveis, surpreendentes, maravilhosos, que não posso me permitir morrer antes de conhecer. Vinho é tão bom quanto o prazer que ele pode me dar, simples assim. Até porque ele não é bom em si, enquanto fenômeno que reúne condições dadas e trabalho humano. Ele é bom, na medida em que atende minha expectativa de prazer. Bom porque melhor de outros similares que já tomei, bom porque tem uma boa relação entre qualidade e preço. Bom porque me deu prestígio junto aos meus amigos, já que eles gostaram muito da minha escolha. Bom porque é diferente dos que conheço.

             Mas qual é a minha verdadeira expectativa? Ser fiel aos vinhos que já gosto, defender com unhas e dentes meu conhecimento adquirido? Nietzsche nos dá uma bela pista a respeito das certezas que parecem definitivas, herdadas que são das gerações anteriores. No livro O Connaisseur Acidental de Lawrence Osborne, traduzido e publicado pela editora Instrínseca, no Rio de Janeiro, 2004, encontra-se a seguinte citação imperativa, como costumam ser os resultados das pesquisas intelectuais deste herói do pensamento ocidental – “A vida é uma Disputa entre o gosto e degustação”.

            A simples citação, mesmo que fora de qualquer contexto, põe em moto continuo o conflito entre o gosto adquirido e a compulsão por enfrentá-lo e colocá-lo em xeque. Pois aqui, o gosto é um dado comprovado por práticas que o consolidaram – Gosto da comida da minha mãe, não porque ela ponha duas folhas de louro no feijão. Gosto porque aprendi a gostar assim, através de tanto tempo de experiência, de anos a fio comendo feijão com aquele gosto. Ao me tornar cidadão do mundo, saio por aí experimentando feijões e fico furioso quando constato que há gente por aí que ousa fazer feijão diferente do da minha mãe, quando, para mim, é evidente que aquele é o melhor que o mundo pode criar!

             Já o degustar é o colocar-se numa posição de questionar o feijão da minha mãe. Experimento outros feijões porque estou aberto a outros gostos desconhecidos. Experimento para confirmar as minhas preferências, experimento porque não temo colocá-las em xeque, seja porque estou absolutamente convencido da primazia da minha escolha, seja porque estou disposto a trocá-la. Ou seja, é assim, mais para comprovar o meu gosto consolidado e menos para contestá-lo, que saio por aí abrindo garrafas de vinhos de todo tipo.

              Procuro tateando, determinando horizontes. Eu que não gosto de vinhos de sobremesa, que prefiro vinhos gastronômicos com acidez presente, não fico por ai experimentando tudo que a late harvest que me propõem… Não fico procurando vinhos cheios de taninos de madeira americana, que também não gosto muito. Enquanto tive uma dificuldade inicial de gostar de vinhos com este acento novomundista – principalmente no que tange à exigência de maciez, mesmo em vinhos de mesa – aceito com naturalidade vinhos com cheiro herbáceo, com pouca coloração, com pouca gradação alcoólica. Portanto, a procura começa por vinhos quase iguais aos que já assimilei, o que confirma, mas não radicaliza, a tensão entre o gosto e o degustar. Primeiro procuro vinhos com características extremamente próximas as que já fazem parte do meu gosto.

               Balela procurar extrema objetividade no vinho em si, pois – como acaba de nos dar a chave o filósofo bigodudo alemão, que tanto influenciou a gente como o Freud – a questão do gosto se encontra em boa parte fora da garrafa, fora do terroir, fora da cepa. A questão está mais na nossa capacidade de enfrentar o novo. Evidentemente, o vinho tem características objetivas que o definem, características de toda ordem que podem ser divididos em conjuntos como as características geológicas, como a composição do solo e seus alimentos; as geográficas, como o clima, índice pluviométrico, variação térmica e insolação; as técnicas como os princípios enológicos a que se submete, como o uso de micro-oxigenação e o carvalho americano; a princípios de mercado, como as opções de cepas compatíveis com determinado solo; e até as sociológicas como a que tradição agrícola está inserida, quem planta e consome.

               Sim, é possível estabelecer bases para este critério de valor, bases concretas, a partir de pré-definições que envolvem defeitos reconhecidos como tal, tipicidade, características organolépticas definidas e obrigatórias. Por exemplo, uma espumante feito pelo método de Champagne tem a longevidade de sua borbulha como um critério de qualidade reconhecido. Pode ter o gosto que quiser, mas ninguém lhe nega que a longevidade da borbulha é uma característica objetiva que permite uma avaliação de qualidade. Há ainda um outro fator tão objetivo quanto estes para a formação de determinado gosto: as características físicas do próprio degustador. Em teste aplicado na faculdade do vinho de Bordeaux 2, em 2006, constatou-se que num gradiente de 10 níveis, nenhum degustador profissional era capaz de reagir com a mesma intensidade à moléculas odoríficas diferente presentes no vinho. Os que se mostraram mais sensíveis a uma determinada molécula, invariavelmente eram menos sensíveis a outras. Concluiu-se então, que não há degustador capaz de treinar sua eficiência para todos os milhares de resultados possíveis que se apresenta numa taça de vinho.

              Além disso, vive, no interior de cada degustador, outras tantas características subjetivas, como as lembranças ou referências, boas ou más, associados a determinado perfume, determinada denominação de origem etc. que influenciam obrigatoriamente o veredicto do degustador, seja ele mais ou menos treinado, não importa. Tudo reunido me permito uma reflexão em direção à humildade perante o vinho: Profissionais e amadores, não há forma de imperar sobre o gosto, o desgosto e a degustação dos outros.

 

breno3Genial texto do amigo e colaborador, agora com participação quinzenal aos sábados, Breno Raigorodsky; 59, filósofo, publicitário, cronista, gourmet, juiz de vinho internacional e sommelier pela FISAR. Para acessar seus textos anteriores, clique em Crônicas do Breno, aqui do lado, na seção – Categorias

Dicas da Semana

              Começo as dicas desta semana com um link imperdível de um blog com dicas para quem vai a Paris, harmonização de comida Thai em Porto Alegre, almoço executivo em Sampa, pelas mãos de chef “Cordon Bleu” premiada, por apenas R$39,00, dicas de compra, enfim, não em grande quantidade, mas certamente muito boas!

Conexão Paris, o blog da Maria Lina é dez. Vi que tinha um monte de acessos no meu blog vindos de lá e fui checar. Era um dilema sobre a isenção de vinhos na bagagem, coisa que já tratamos exaustivamente por aqui. Uma de suas leitoras me achou e postou o link para a matéria que fiz já faz um tempinho. Daí descobri que o blog dela está repleto de boas dicas. Onde ficar, o que ver, onde comer, onde comprar, tudo baseado em experiências próprias e/ou de leitores assiduos e muito pé no chão do jeito que eu gosto. Junte essas e mais aquelas minhas sugestões de onde comprar vinho no exterior e parta para curtir Paris com muito mais tranqüilidade e conhecimento. Gostei demais e quando tiver uma oportunidade de estar novamente por aquelas bandas, não deixarei de consultar antes. Link aqui do lado, na nova categoria VIAGENS. Aliás, quem tiver dicas de blogs e sites com esse perfil sobre outras cidades do mundo, não deixem de informar e colocarei link neste novo espaço.

 

Koh Pee Pee | Thai Food & Villa Francioni, mais uma realização e apresentação da enóloga Maria Amélia Duarte Flores em Porto Alegre que me enviou este informe.

           È uma viagem de sabores por nove pratos, conhecendo a gastronomia deste que é considerado o melhor restaurante de Porto Alegre devidamente harmonizado pelos vinhos dessa conceituada vinícola catarinense que produz alguns dos melhores vinhos nacionais.

Recepção

Ilha de espumantes brasileiros

Entradas

  • Goong Pad Grateum | Camarão, alho e gengibre
  • Poh Pia | Rolinho primavera thai style
  • Sa-teh | Espetinhos de frango gelhado com molho agridoce e molho de amendoin
  • Goong / Thod Pla | Camarão e filé de peixe crocante com molho agridoce

Villa Francioni Sauvignon Blanc São Joaquim

Villa Francioni Joaquim Cabernet Sauvignon / Merlot

Pratos Principais

  • Koh Pee Pee | Frutos do mar, legumes diversos com arroz thai jasmin
  • Khao Pad Ton Kra Thian – Hed Hawm | Arroz frito com camarão, cogumelo shitake e alho poró
  • Kaeng Goong Ka-Rhaee | Camarão ao molho de pasta de curry amarelo, servido no abacaxi com leite de coco natural, abacaxi e moranga
  • Pad Neua Ayuttaya | Filé ao molho de ostras, cogumelos frescos e arroz thai jasmin
  • Gai Pad Med Mamuang | Frango com castanha de caju ao molho de ostras (acompanha arroz thai jasmin)

 Villa Francioni Rosé

Villa Francioni Chardonnay

Villa Francioni Francesco

Degustação Especial | Villa Francioni Tinto 2005

Sobremesas

  • Kluai Buat Chee | Bananas cozidas em leite de coco natural e açúcar de palmeira,com sorvete
  • Tub Tim Grob | Amêndoa da flor de lótus com calda de açúcar, lichias e leite de coco natural
  • Sorvete com calda natural de fruta 

Valor individual | R$ 155,00 e as vagas são limitadas. Reservas e informações pelo fone (051) 9843 0588 com Alexandre, ou mariaamelia@vinhoearte.com

 

Paço do Conde na Lusitana . Este é um recado da amiga Eliza lá da Lusitana de Vinhos & Azeites, “quem ainda não teve a oportunidade de provar estes vinhos, façam agora: apesar das garrafas serem muitas, a sede por Paço do Conde é maior ainda! Não vale dizer que não avisei!”. Gosto muito dos vinhos da Sociedade Agrícola Encosta do Guadiana, produtora alentejana destes vinhos, em especial do Herdade Paço do Conde tinto, um vinho de ótima relação Qualidade x Preço x Satisfação elaborado por um dos melhores enólogos portugueses da atualidade, Rui Reguinga. Eis os rótulos e preços que a Lusitana tem para estes vinhos e uma promoção legal que eu conto no finalzinho:

  • Herdade das Albernoas Branco 2007 – R$ 28,22
  • Herdade das Albernoas Tinto 2007 – R$ 28,22 – Prêmios: Safra 2004: “Revista de Vinhos” de Portugal, a “Melhor Compra 2005” (relação custo/benefício). Revista “Gula”, “Boa Compra” em seu “Guia de vinhos 2006”.
  • Herdade Paço do Conde Tinto 2007 – R$ 42,34 – Prêmios: Safra 2004: Selo de “Melhor Compra 2005” – “Revista de Vinhos” de Portugal; “Medalha de Ouro” no ” Mundus Vini Great International Wine Awards 2006″ na Alemanha; “Medalha de Prata” no “International Wine Challenge” e a ” Medalha de Bronze” no “Decanter World Wine Awards” em Londres. “Os melhores Vinhos do Alentejo – Menção Honrosa” – 10 melhores no Alentejo; Prêmio “Melhor Compra 2004″ – Revista de Vinhos” de Portugal; Prêmio “Melhor Compra 2003” – “Revista de Vinhos” de Portugal.
  • Herdade Paço do Conde Reserva 2005 – R$ 118,81 – Prêmios: Safra 2004: “Melhor Compra 2006” Revista de Vinhos; Medalha de Ouro no”International Challenge du Vin 2007” na França; Medalha de Ouro no “ Concours Mondial de Bruxelles 2007” na Bélgica; Medalha de Bronze no “International Wine Challange”, Medalha de Bronze no “Decanter World Wine Awards”; Ouro Excelência” no II Concurso de Vinhos do Baixo Alentejo. Safra 2003: Medalha de Prata no ” Concours Mondial de Bruxelles 2005″; Revista Gula (ABRIL/06) “Primeiro lugar do Alentejo”; 1 Prêmio no III Concurso de Vinhos Engarrafados do Alentejo em 2005; Medalha de Bronze no ” Challenge International do Vin”, em Bordeaux 2005.

Em cima desses bons preços, agora vem a boa noticia e a boa dica de compra da semana, usando esta promoção de descontos progressivos; monte seu mix e na compra de 3 garrafas ganhe 5% de desconto, na compra de 6 garrafas 10% e na compra de 12 garrafas um total de 20%. Mais ainda, se a conta der mais de R$200, 00 (fácil/fácil) eles entregam gratuitamente em São Paulo. Para outras regiões ligue para (11) 4508-8880 e consulte.

 

Restaurante Babette Agora com Pratos Executivos ao Almoço. Inaugurado há pouco mais de um mês, em um aconchegante sobrado da Rua Melo Alves, nos Jardins, o restaurante Babette agora também abre para o Babette Elianealmoço. De terça-feira a sábado, além das opções à la carte da casa, a bonita chef Eliane Carvalho servirá três diferentes sugestões de menus executivos, que serão alterados semanalmente. Eis aqui uma boa noticia até porque a chef premiada pelo Cordon Bleu, prepara três sugestões de cardápios de receitas contemporâneas com couvert, entrada, prato principal e sobremesa, por apenas R$39,00. De certo uma razão para passar lá e conferir já que com bebida e serviço, onde se pode comer bem assim por cerca de R$50,00 nesta cara São Paulo? Entre os cardápios desenvolvidos pela chef para o almoço do Babette estão as opções abaixo:

  • Mix de salada verde, lascas de parmesão, tomate seco, e molho de mostarda
  • Escalopes de filé mignon ao molho de vinho e arroz puxado no molho ao creme e champignons
  • Creme com chocolate e Sonho de Valsa crocante

 

  • Alface americana com carpaccio de salmão, salsão e molho de maracujá
  • Bacalhau desfiado, batata, ovos cozidos, cebola, azeitonas, tomate e arroz branco
  • Torta gelada de morango com chocolate e nozes

 

  • Salada verde, mix de legumes e vinagrete de laranja
  • Picadinho de filé mignon, feijão com bacon, arroz branco, ovos de codorna fritos e couve
  • Pudim de caramelo

Eliane Carvalho se formou em gastronomia pela escola Le Cordon Bleu de Paris, em 2000, alcançando o 1º lugar no curso e recebendo menção Babette escalopeshonrosa da instituição, que todos os anos convida a chef para dar aulas em Paris. Para abrir o Babette, Eliane escolheu um imóvel centenário nos Jardins. A fachada, toda em branco, ganha iluminação colorida à noite, as janelas do andar superior receberam delicadas floreiras e, ao redor de uma antiga árvore do sobrado, um pequeno jardim foi instalado. Logo na entrada, estão o bar e a área de espera, mobiliados com requinte, com poltronas de couro pretas e mesinhas de vidro. À esquerda, há uma salinha que comporta quatro mesas e ao fundo, uma pequena área ao ar livre. A escada de madeira, em pátina provençal, leva os clientes ao salão principal, que se divide em três ambientes e está sob a responsabilidade do maître Luciano Brito, ex-Antiquarius.

Babette ricotaOlha, eu não sei vocês, mas eu já coloquei no meu caderninho e certamente passarei para conferir. Se incluírem um bom vinho à taça com a mesma política de bons preços, aí será o nirvana e vira ponto obrigatório para todos os amigos enófilos que moram e/ou trabalhem no pedaço. Onde fica? Calma, também não precisa correr! Rua Melo Alves, 216 – Jardins – Telefone: (11) 3063-4838. Horários: Almoço – terça a sexta, das 12h às 15h, e sábado, das 12h às 16h. Jantar a la carte (também disponível no almoço) – terça a quinta, das 19h à 0h, e sexta e sábado, das 19h à 1h. Quer ver mais, clique aqui. www.elianecarvalho.com.

Quem tiver mais boas dicas como esta, este blog está aberto para divulgação, pois, assim como no vinho, está na hora dos restaurantes cairem na real!

 

Tributo a Michael Jackson. Personagem controversa, mas sem dúvida um dos grandes artistas dos últimos 40 anos. Não olhemos a cara, cavaleiro de triste figura, concentremo-nos no essencial, sua obra que teve inúmeros grandes sucessos de qualidade indiscutível tendo atingido, a meu ver, o ápice com We Are The World, em parceria com Lionel Ritchie sob a batuta do maestro e arranjador (sempre ele) Quincy Jones, assim como Heal the World que, lamentavelmente, não teve a repercussão que merecia sendo uma de suas musicas que mais mexe com minha emoções.  Foi-se o artista, ficou sua obra, que não é pequena. Nem Thriller, nem Bad, nem Ben nem Black & White, Beat It, Billie Jean ou Will You Be There entre as dezenas de seus garandes sucessos, minha dica é, dê um “time out” aumente o som, se puder, e assista estes dois videos pois, recordar também é viver e estas são, na minha opinião, o Créme de la Créme de sua obra!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=k2W4-0qUdHY&feature=related]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Jpz5eD9L4dA]

Salute e kanimambo

Nova Leva de Chilenos na Vinea

              Algumas semanas atrás tive o grato prazer de voltar a visitar a Vinea Store depois de algum tempo e um inicio de ano algo morno. Como sempre, muito agradável participar de eventos no local, ainda mais em função da simpatia que irradia das pessoas e alto astral do local, estava com saudade disso. O convite foi para conhecer os novos rótulos vindos do Chile e rever os excelentes vinhos da Casa Marin, uma vinícola realmente impar e sobre a qual já tive oportunidade de comentar o Syrah que, para mim, é o melhor vinho que eles têm e certamente é um dos grandes Syrahs hoje disponíveis no mercado. Agora quero falar mesmo é das outras três vinícolas que chegam, seus vinhos e, importante seus preços. São três as vinícolas; San Esteban com a marca In Situ, Butron Budinich com Cumbres Andinas e Catrala.

  • Para começar, dois brancos muito agradáveis. O In Situ Chardonnay bem típico dos vinhos do novo mundo com madeira aparente, nariz intenso de boa tipicidade, equilibrado, leve amargor final que não chega a incomodar. Com preço de R$39,00, é uma boa opção de Chardonnay nesta faixa. Já o Sauvignon Blanc Cumbres Andinas da Butron, é especialmente agradável, ótima paleta olfativa que convida a tomar, acidez muito boa tornando-o muito fresco, sedutor e refinado para um vinho de apenas R$30,00. Certamente um vinho que faz a minha cabeça.
  • Nos tintos afora os incríveis e já amplamente divulgados vinhos da Casa Marin que são um caso à parte e meio que Hors Concours em qualquer evento,  provei mais dois vinhos que são grande surpresa em função do preço. Em meus Desafios de Vinho tenho colocado como fator surpresa alguns rótulos mais baratos, mas de qualidade, que conheço e têm se dado muito bem nas degustações às cegas. Estes são rótulos que têm este tipo de estirpe apesar do preço; Merlot Cumbres Andina um vinho bem feito que não me parece que passe por madeira, gostoso, macio e fácil de tomar, uma ótima opção para aqueles encontros com pratos menos sofisticados do dia-a-dia por apenas R$30,00 e o In Situ Carmenére Reserva um vinho de corpo médio, boa intensidade aromática, firme na boca, muita concentração, mas de taninos bem balanceados mostrando especiarias e notas terrosas no final de boca o que é um achado num vinho de R$39,00 e o San Esteban Cabernet Sauvignon VSE Classic, um vinho muito saboroso e fácil de tomar, uma ótima pedida para aquela pizza com os amigos e custa apenas R$28,00.
  • Num Patamar um pouco acima, três vinhos me chamaram a atenção; o In Situ Winemaker´s Selection Cabernet Sauvignon mostra bastante estrutura e está ainda um pouco jovem, pois é de 2007, mas mostra uma riqueza de sabores muito boa e taninos finos que prometem desabrochar com mais um ano de garrafa, um bom vinho ainda apresentando uma certa rusticidade que deve arredondar com o tempo. Bom vinho por módicos R$67, mas é seu irmão mais velho, o In Situ Gran Reserva que mostra todo o potencial da casa com esta cepa e custa R$98,00. Uma pena que seja de 2007, pois está ainda muito fechado, mas mostra ser robusto, nariz em que a madeira ainda se encontra bem presente, mas sem exageros, algo floral e tabaco mostrando uma certa complexidade. Na boca está um pouco duro ainda, denso, de boa textura mostrando alguma mineralidade e um final de boca algo herbáceo, notas de pimenta e boa persistência. Vinho para guardar mais uns dois ou três anos para aproveitá-lo melhor. Na mesma faixa de preço, o Catrala Merlot Grand Reserva Limited Edition também está muito novo, 2007, mas já mostra qualidades. Nariz de bastante fruta negra com algo químico e madeira por arredondar, mas sem incomodar. Na boca é um vinho muito expressivo, de bom volume e estrutura, saboroso, taninos finos e aveludados de muito boa persistência.
  • Por falar em Catrala, interessante saber que o nome é alusão à mulher chilena do século XVII, mulher elegante, impetuosa e misteriosa; conhecida por suas excentricidades e extranhos costumes, vivendo um mix de realidade, lenda e fantasia. Legal essa homenagem. O Pinot  também demonstra muita qualidade, mas foi o Catrala Sauvignon Blanc deles que mais me encantou. Da região de Casablanca, possui aromas muito cítricos e frescos de grande intensidade que te seduzem facilmente. Na boca mostra tudo isso com muito refinamento, harmonia e alguma mineralidade que encantam os sentidos. Vinho muito bom que mostra que os chilenos realmente produzem ótimos vinhos desta cepa, tantos os mais baratos como vinhos premium como estes e os consagrados vinhos da Casa Marin em que o Laurel é destaque e meu favorito. Preço deste Sauvignon Blanc é de R$87,00 e me vi acompanhando um delicioso prato de frutos do mar com peixe grelhado. Muito yummy!
  • Falar de Casa Marin é chover no molhado. Todos seus vinhos são apontados por grandes críticos internacionais com no mínimo 90 pontos, falar o quê?  Seus Abarca Pinot e Miramar Syrah são absolutamente estupendos e de uma elegância impares, seus brancos divinos sejam eles Gewurtzraminer, Sauvignon Blanc ou Riesling e os preços acompanham tanta maestria. Faz parte, não existem grandes vinhos a preços baixos!

[rockyou id=139597578&w=510&h=383]

Mais um acerto dos amigos da Vinea. Vinhos para todos os bolsos e para todos os momentos. Melhor ainda é sentar naquele magnifico jardim gourmet, pedir uma dessas garrafas e jantar em uma das várias noites enogastronômicas que eles promovem. Não se gasta muito e a satisfação é imensa! 

 Salute e kanimambo.

Garimpando Bordeaux

                Bem, o garimpo mesmo não foi feito por mim, eu só fui sorver do trabalho do CIVB (Conselho Interprofissional dos Vinhos de Bordeaux) em seu projeto “Bordeaux ao Seu Alcance” que tem tudo a ver com os objetivos deste blog. Como disse ontem, vinhos BGB (Bons, Gostosos e Baratos) existem em qualquer lugar e, mais do que nunca, há que se divulgar isso. Parece que os produtores e importadores, pressionados pela crise, finalmente veem descobrindo o que nós consumidores queremos, Qualidade com Preço, sendo este evento um claro exemplo disto.

                Muito bem organizado pela Cristina Neves num local muito bonito (Espaço Siquini Gourmet), o evento teve a participação de cerca de 15 importadores com algo ao redor de uns 80 ou 90 rótulos à prova. Nesta faixa de preços de até R$100,00, com alguns poucos desvios, os vinhos são mais jovens e prontos a beber não sendo rótulos de grande guarda apesar de que alguns podem evoluir com mais dois ou três anos de garrafa. Na grande maioria, no entanto, são vinhos já prontos a beber. Destes provei uns 28 a 30, na grande maioria bons, tendo cerca de uma dúzia deles se destacado. Falemos desses vinhos:

Casa do Porto, três rótulos entre eles o famoso Mouton Cadet, o Baron Nathaniel e o que mais me agradou, o Chateau Bastian 2005 Com 50% de Merlot, vinho muito saboroso, redondo, fresco e frutado sem grande complexidade porém bastante equilibrado e fácil de tomar. Uma boa relação Custo x Beneficio por R$65,00, o que acabou sendo uma constante no evento.

La Cave Jado, um pequeno e seletivo importador que tem por filosofia trabalhar com pequenos produtores e grandes sabores, escolhidos a dedo, ou melhor, a goles garimpados em diversas viagens pela região. Dois muito bons vinho; um mais leve e fácil de agradar porém já mostrando alguma complexidade e o outro um degrau bem acima, ambos da margem direita o que significa uma maior influência da uva Merlot no assemblage. O Chateau Piron 2005, um bom ano na região, é um vinho de médio corpo, pronto mas podendo evoluir um pouco mais em garrafa com uma entrada de boca cativante, taninos finos, cheio sem ser denso, boa acidez um vinho que agrada aos sentidos e ao bolso já que custa apenas R$59,00. O Cuvée Hommage 2003, um outro bom ano, apesar de características diferentes, mostrou-se um pouco mais fechado, complexo, de corpo médio para encorpado, fresco, boa estrutura e volume de boca, mostrando ser um vinho de guarda que deve evoluir bem por mais uns três ou quatro anos. Produção orgânica e um preço de R$92,00, o mais caro de seus vinhos, o que demonstra que este é um importador a se visitar e garimpar.

Decanter. Parceiro firme, importador sério e com ótimo portfolio trouxe quatro rótulos ao evento (Chateau Bel Air Perponcher branco e tinto, Chateau La Gasparde e Chateau Noiallac), todos bons porém com destaque para dois vinhos. O Bel Air Perponcher Reserve 2007 branco, um corte de Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle produzido pela família Despagne é muito saboroso, cítrico, balanceado e fresco por cerca de R$72,00 e o muito bom Chateau Noaillac 2005, corte de Cabernet Sauvignon/Merlot e Petit Verdot da sub´região do Medoc sendo produzido pelo conceituado Chateau La Tour de By. Um Cru Bourgeois de primeira com aromas de boa intensidade frutado e algo floral, na boca mostra-se ainda levemente fechado, mas já delicioso, complexo, estilo clássico da região, bem equilibrado, taninos aveludados, final algo mineral. Vinho para hoje e melhor ainda em mais dois ou três anos e o preço de R$104,00 é bem em linha com o que entrega.

Expand. Três vinhos entre eles um velho conhecido o Chateau David 2005, vinho simples, e saboroso porém sem grandes atrativos. Gostei bastantate do Clos du Roy 2006 branco que, apesar da safra, ainda apresenta uma boa acidez e conseqüente frescor assim como uma paleta olfativa muito aromática e convidativa. O destaque, no entanto, vai para o Chateau Le Monastère 2005 um mui agradável assemblage de Merlot/Cabernet Sauvignon e Malbec com12 meses de barrica. Frutado, intenso, bom volume de boca e final muito saboroso por apenas R$60,00, uma das muito boas relações Custo x Beneficio apresentados neste evento. Não presentes, porém ótimas sugestões também, são os Chateaus:  Rocher Calon, Jalousie e Plaisance sem contar a baba que é o Chateau Peyruchet Blanc.

Mistral. Dentro seu imenso portfolio, a agradável e simpática presença do Chateau la Gatte apresentado por seu proprietário. O elétrico e apaixonado, Michael Affatato um Ítalo-americano produzindo vinhos muito bons em Bordeaux junto com sua esposa francesa. Seu La Butte Vieilles Vignes (100% Merlot) representou os Merlots franceses em meu Desafio de Merlots do Mundo realizado ontem à noite. O resultado, bem esse é um outro assunto que postarei mais adiante.Foram quatro bons rótulos (La Gatte Rosé 07, com sabor e corpo de vinho, Domaine de Montalon 05, La Gatte Tradition 05 e La Butte Vielles Vignes 05) todos dignos de destaque. O que mais impressiona pela relação Custo x Beneficio e, nesse sentido, o melhor que vi no evento é o La Gatte Tradition 2005, um vinho jovem que não passa por madeira e está com um preço ao redor de R$45. Pleno de sabor, leve, suave, fácil de beber e harmonizar com os pratos de nosso dia-a-dia, mineral e harmônico, um grande achado que certamente virá a freqüentar minha mesa com uma certa assiduidade. O La Butte Vieilles Vignes 2005 é um Merlot produzido com vinhas de mais de 50 anos de idade, bem equilibrado, boa concentração, gostoso de se tomar e com um bom preço, ao redor de R$85,00, apesar de uma produção limitada. Domaine de Montalon 2005, o mais complexo deles todos, um vinho de muito boa estrutura, ainda firme, porém elegante na boca, vibrante mostrando um bom frescor, ótima textura, taninos finos e elegantes, um Bordeaux Superieur de primeiro nível e o preço é bem em linha com o produto, algo em torno de R$82,00.

Vinci. Três rótulos; Chateau Rauzan-Despagne Reserve 05, Chateau Saint-Marie 06 e, a meu ver, o destaque entre eles, o Legende R 2006, de Domaines de Baron de Rotschild, com tudo no lugar. Pronto, redondo, rico em sabores, sedoso e equilibrado, um vinho vibrante que enche a boca de satisfação deixando um gostinho de quero mais. O Preço ronda os R$90,00.

Vinea. Três rótulos; Chateau Grand Jean 2004, Chateau Desclau Cuvèe Marguerite 2002 e o Chateau la Raze Beauvallet 2005. Os dois últimos são ótimos e o Cuvée Marguerite 2002 (R$98,00) já me tinha sido recomendado pelo Luiz Horta. Como as sugestões dele dificilmente dão errado comigo, este mais uma vez comprovou uma certa sinergia de gostos. Muito bom corte de Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec e Petit Verdot, com uma paleta olfativa intensa e frutada, frutos negros tipo cassis e nuances de couro. Na boca possui taninos sedosos, corpo médio, redondo e absolutamente pronto a beber com um final de boca algo especiado e de boa persistência. O Chateau La Raze Beauvallet 2005 (Mèdoc) foi o vinho que me virou a cabeça e me conquistou. Muito raramente numa degustação destas, tenho a capacidade de escolher um como o vinho da noite. Sempre tem alguns que me encantam por uma ou outra razão, mas desta vez cravei este vinho desde que levei a taça ao nariz e confirmei na boca. Um vinho que mostra ser ainda um pouco jovem, mas como a maioria dos bons vinhos, já mostra uma harmonia, riqueza de sabores e elegância de taninos que permite que seja tomado desde já e com muito prazer. Certamente evoluirá muito ainda, mas seu final de boca longo, bem fresco e frutado convida a mais uma taça. Tá, o preço está um pouco fora do combinado, está por R$127,00, mas ô R$27  bem pagos!

Vitis Vinífera. Mais uma das dicas do Luiz que tive que conferir. Não tive oportunidade de pegar preços, mas vi que o Luiz tinha mencionado em seu blog um preço ao redor de R$82,00 para o Chateau Lesparre 2002 de Michel Gonet (o mesmo do Champagne) que foi o vinho de maior destaque disponível no estande desta importadora do Rio de Janeiro. Macio, saboroso, bem equilibrado, boa estrutura, algo vegetal, taninos sedosos e um final de boa persistência. Realmente um bom vinho que agrada fácil, mesmo não sendo um vinho simples, e está prontíssimo para ser apreciado em toda a sua plenitude. Da linha de vinhos provados, o Lesparre Rosè e o Merlot também são vinhos muito agradáveis, simples, mas bem saborosos. Dependendo do preço duas interessantes escolhas.

Winery. Bons vinhos com bons preços. Dois vinhos em destaque; Grand Palais 2004, um vinho fácil, simples, macio e saboroso porém descompromissado sem grandes apelos emocionais, com um preço arrasador, em torno de R$35,00. O que mais me chamou a atenção foi o Chateau Giraud – Cheval-Blanc 2006 alguns degraus acima do primeiro, ainda um pouco fechado, mas mostrando taninos finos, elegante e amistosos, bem equilibrado, final aveludado e saboroso um bom vinho para acompanhar comida, mais do que para tomar solo e um preço muito camarada, por volta dos R$50,00.

[rockyou id=139498250&w=426&h=319]

                Adorei a concepção do evento que vem demonstrar ao publico, através da imprensa e de formadores de opinião de nossa vinosfera, de que até da França chegam bons vinhos que cabem em nosso bolso. É isso que queremos e é isso que esperamos venha a ter mais divulgação, tanto é que a própria disseminação de blogs de vinho acaba sendo decorrência e indicação disso; a busca de bons vinhos a bons preços. Os grandes vinhos são ótimos, mas passam longe do poder aquisitivo da maioria do consumidor médio que não tem cartão corporativo e tem que trabalhar para pagar suas contas. Estes eventos mostram-nos que existe luz ao fim do túnel e não é um trem chegando! Parabéns aos promotores do evento, espero que ocorram mais do gênero com vinhos da Itália, da Espanha, de Portugal, da Austrália, Nova Zelândia, etc.

Salute e Kanimambo

Noticias do Mundo do Vinho

Wine globe 3Por problemas de conexão à rede neste Domingo, não pude publicar este post semanal. Como sei que tem gente que curte e sem querer que estas noticias fiquem demasiado velhas, optei por publicá-las hoje. Amanhã falo sobre vinhos e garimpo de vinhos de Bordeaux.  Sim, lá também existem vinhos BGB (Bons, Gostosos e Baratos). 

Espanha “surpreende” e é segundo maior exportador mundial em volume. De acordo com dados da OIV (organização Internacional do Vinho) referente a 2008, a Itália exportou 17.2 milhões de hectolitros, Espanha 16.9 milhões e a França caiu para terceiro com 13.6 milhões. As exportações espanholas de acordo com dados da Agência Tributária Espanhola, cresceu 8,5% em volume e 8% em valor quando comparado ao ano anterior.  Fonte: Vinos de Espana.

 

Miolo, Fortaleza do Seival. Os vinhos deste projeto sob a batuta do amigo e competente enólogo Miguel de Almeida encaçapam mais uma. Desta feita foi o vinho Quinta do Seival Cabernet Sauvignon 2006 que recebeu medalha de prata no Concurso Seléctions Mondiales realizado em Quebec, no Canadá, de 26 a 31 de maio. O evento reuniu 1.836 amostras inscritas por 600 empresas de 32 países. Boa, Miguel e equipe!

 

Alandra tinto. Um vinho de mesa básico, sem safra, produzido pela portuguesa Herdade do Esporão que dispensa apresentações. Legal mesmo é que este vinho leve, fácil e frutado, disponível por aqui a preços abaixo de R$20,00, obteve 84 pontos da Dana Nigro (Wine Spectator) e já em 2008 levava 85 pontos pela avaliação às cegas da Wine Spectator. Só para mostrar que um vinho de mesa também pode ser bem feito, ser barato (mais ainda na origem) e ser bom. Duas outras boas dicas nesta mesma linha são o Charamba e o Quinta de Cabriz Colheita. Sem erro!

 

Trattoria do Pietro. Simpática cantina do Brooklin agora na região do Morumbi (Av. Dr. Guilherme D. Vilares 1210 – Tel. 2579-6749 – Shopping Open Center) , recebe Falando de Vinhos e sua trupe para uma mega degustação. Será o Desafio de Vinhos Merlots do Mundo em que 12 vinhos representando 10 países produtores competirão pelos títulos de Melhor Vinho, Melhor Custo x Beneficio e Melhor Compra. Clipboard

 

A vinícola espanhola Torres, produtora de grande vinhos em diversas partes do mundo, em colaboração com a “Grace Vineyards” vinícola chinesa, começa a produzir um vinho branco por essas terras asiáticas e destinado a consumo local chinês. É mais um dos grandes produtores europeus que se rende ao potencial chinês, tanto de produção como de consumo. O Vinho é o primeiro de uma linha chamada “Symphony Seiries”. Este branco é produzido com Muscat cultivada na província de Shanxi e tirá uma produção inicial de 12.000 garrafas, nada para o mercado. Só para que se tenham uma idéia do tamanho deste mercado, as previsões são de que em 2011 a China se torne o oitavo mercado consumidor do mundo com “irrisórios” 8.1 milhões de hectolitros! Fonte: Vinos de Espana.

 

Cai tudo na França; preço, volume de exportações e consumo interno. Dos cerca de 55 litros per capita em 2001, os números de 2007 já apontavam uma forte redução chegando a 47 litros. Pois 2008 mostrou uma queda ainda maior chegando a 43 litros per capita. Paralelamente, os números deste ano mostram uma queda de 8.4% em volume e 14.6% nos preços de exportação com a maior redução ocorrendo na região de Champagne com queda de 16% no volume exportado e 21% nos preços. Isto junto com um novo fortalecimento do Real perante o Euro, poderá significar que poderemos estar vendo uma boa redução de preços nos próximos meses aqui no Brasil, ainda mais se pensarmos que houve um aumento generalizado no inicio do ano. Será? Fonte: Decanter Magazine

 

ViniPortugal com direção nova. Não de rota, mas de seu corpo diretivo. Francisco Borba, presidente, Luís Pato e Jorge Paiva Raposo, vice-presidentes, foram eleitos em Assembleia Geral pelos representantes dos produtores e comerciantes de vinhos nacionais, e são agora os principais responsáveis pela promoção dos vinhos portugueses no mercado interno e externo.

Viniportugal

             A equipa coordenada por Francisco Borba sucede assim a Vasco Avillez, Paulo Amorim e Oliveira e Costa, que presidiam aos destinos da Viniportugal. A passagem do testemunho ocorrerá no início do mês de Julho. Francisco Borba ocupou vários cargos em instituições públicas e, a título de curiosidade, é um apaixonado da fotografia. O presidente cessante, Vasco Avillez, disse-nos que não tem ainda planos para o futuro e que irá, para já, tirar um período de férias. Fonte: Revista de Vinhos

 

Aumentam exportações de produtores sul-americanos. Aproveitando o downgrading de preço feito pela maioria dos consumidores dos principais mercados importadores, os produtores de nossa região abocanharam uma maior fatia de mercado, especialmente nos Estados Unidos, mesmo que com uma necessária redução de preços. O Chile, por exemplo, aumentou seu volume de vendas em Março por cerca de 21% e em Abril por um pouco mais de 15% e apresentou uma queda de cerca de 11% nos preços. As exportações Argentinas também aumentaram, inclusive na faixa mais baixa de preços. Crescem exportações de espumantes brasileiros e até de vinhos Peruanos e Bolivianos. Ou seja, no momento de crise os mercados saíram buscando fornecedores novos e preços mais em conta tentando não perder consumidores. Fonte: Decanter Magazine

 

Vallontano na Itália. O Zanini me enviou informação de que, entre os dias 06 e 10 de Maio último, a Vallontano Vinhos Nobres foi destaque durante a exibição do documentário VINHOS DE CHINELO, da diretora Paula Prandini, no Festival Internazionale di Cinema e Cibo de Bologna – Itália, promovido pelo movimento Slow Food.

          O filme retrata a busca pela identidade de um vinho brasileiro e as diferentes filosofias de produtores. Traz a história da Vallontano como típico representante de quem traduz o clima e o solo do Brasil na produção de seus vinhos, a despeito da tendência de se produzir vinhos de estilo internacional ou globalizado. Após a exibição do documentário, os presentes puderam degustar vinhos elaborados pela vinícola. Na oportunidade o enólogo Luís Henrique Zanini e Talise Valduga Zanini, proprietários da Vallontano, também foram convidados a participar do debate entitulado – “Un altro vino è possibile? Questioni su vino, giustizia e libertà” – Um outro vinho é possível? Questões sobre vinho, justiça e liberdade – na Università di Scienze Gastronomiche, em Pollenzo, juntamente com o cineasta Jonathan Nossiter, de Mondovino.

Salute e kanimambo