João Filipe Clemente

Rioja x Ribera del Duero, um Grande Páreo.

           Como em Portugal em que existem duas grandes e principais regiões produtoras de maior reconhecimento internacional Alentejo e Douro, a Espanha também tem as suas; Ribera Del Duero e Rioja. Ambos os países são extremamente ricos em diversidade de terroir e regiões, mas estas são as principais conhecidas. Pensando bem, cada país produtor do velho mundo tem lá sua rivalidade viníca de maior destaque; na Itália é Piemonte e Toscana, na França Bordeaux e Bourgogne, na Alemanha Mosel e Rhein, etc. A revista Freetime, uma revista que todo o executivo deveria ter em casa ou escritório pois tem uma diversidade editorial muito interessante, recentemente fez uma degustação às cegas de vinhos destas duas principais regiões produtoras e, gentilmente, nos cedeu a matéria. Todas as amostras dos vinhos foram escolhidas e enviadas diretamente pelas importadoras e casas especializadas. Foram convidados cerca de 14 experts para formar a banca degustadora que se utilizaram de fichas de degustação padrão de 50 a 100 pontos, em que o aspecto visual vale 10, o olfativo 30, e o gustativo 60, básicamente a mesma que uso em meus Desafios de Vinhos.   Na média das notas, visando evitar distorções, toma-se o cuidado de eliminar a nota mais alta e a mais baixa de cada vinho analisado.

            Foram um total de 25 vinhos em prova, dos quais 16 de Rioja e 9 de Ribera Del Duero. Como não houve número igual de participantes, tomei a liberdade de pegar somente os primeiros nove colocados de Rioja para efeito comparativo tendo dado Rioja com um total de 805,90 pontos contra os 798,7 alcançada pela Ribera Del Duero. No entanto, os dois primeiros colocados foram de Ribera Del Duero, tendo o incrível Pago de Santa Cruz da Vina Sastre, sido o grande campeão. Aliás, quando somamos todos os pontos por região e apuramos a média, aí a Ribera Del Duero leva uma pequena vantagem ou seja, um páreo duríssimo. O pago de Santa Cruz é um estupendo vinho que tive o privilégio de provar recentemente e um dos meus melhores provados em 2009, então fico feliz com esse resultado. Por sinal, o Prado Rey Elite, também biquei e é outro grande vinho que me chamou a atenção em uma degustação de vinhos de Espanha de que participei. Bem, mas chega de lero, na verdade você está interessado mesmo é em saber como os participantes da prova “perfomaram”, então vamos ao que interessa, eis os vinhos e comentários em ordem de classificação na prova:

PAGO DE SANTA CRUZ – VIÑA SASTRE – RIBERA DEL DUERO – 2003  Rubi profundo com alta concentração e leve halo de evolução. Complexo, frutas vermelhas em compota, ameixas, chocolate, café, lácteo, toffee, especiarias, tostado, lembra um Bordeaux. Carnudo com ótima acidez, taninos muito finos, envolvente, volumoso, persistência longa e retrogosto frutado com toques de alcaçuz. PENÍNSULA – (011) 3822- 3986 – Preço R$ 429,00 – Nota 91,2

 PRADO REY ELITE – RIBERA DEL DUERO – 2005 – Rubi violáceo, alta concentração, sem halo. Complexo, frutas negras, cerejas, floral, violetas, resinoso, tostado bem integrado, toques lácteos. Estruturado, alta acidez, taninos ainda verdes mas muito finos, persistência longa e retrogosto frutado, um vinho ainda jovem que irá evoluir muito. DECANTER – (047) 3326-0111 – Preço R$ 303,00 – Nota 90,4

CONDE SIRUELA RESERVA – RIBERA DEL DUERO – 2001 – Violáceo, alta concentração, sem halo. Nariz instigante, frutas negras, defumado, café, baunilha, chocolate, herbáceo e toques terrosos. Redondo, ótima acidez, taninos finos, encorpado, persistência longa e final de boca frutado, traz características de vinhos do Novo Mundo. D’OLIVINO – (011) 5532-1820 – Preço R$214,00 – Nota 90,2

 SOMSIERRA RESERVA – RIOJA – 2002 – Granada, média concentração e halo de evolução. Muito complexo, frutas vermelhas maduras, ameixas, chá-preto , funghi, ervas aromáticas, menta, ligeiro químico e toques terrosos. Elegante, acidez correta, taninos finos, corpo médio e persistência longa com final de boca frutado lembrando figos secos. CASA DO WHISKY – (011) 5055-5244 – Preço R$ 96,20 – Nota 90,2

 OSBORNE MONTECILLO GRAN RESERVA – RIOJA – 1998 – Granada, média concentração, halo de evolução presente. Balsâmico, ameixa, chá, toques terrosos, sottobosco, animal e tostado agradável lembrando madeira de longo uso. Macio com acidez correta, taninos maduros e finos, bom corpo e persistência, final de boca vivo e fresco com retrogosto frutado.  MIOLO – (0800) 9704165 – Preço R$ 131,00 – Nota 90,1

DON JACOBO GRAN RESERVA – RIOJA – 1995 – Granada, média concentração, leve halo de evolução. Frutas passas lembrando figo e uva, floral, chá, chocolate, caramelo e toques herbáceos. Alta acidez, taninos bem presentes, encorpado, persistência longa, com final de boca muito elegante. Retrogosto balsâmico. Vinho evoluído que não perdeu o vigor. SEM IMPORTADORA – BODEGAS CORRAL www.donjacobo.es . Preço R$? – Nota 90,1

 AMAREN LUIZ CAÑAS – RIOJA – 2002 – Rubi violáceo, média concentração, sem halo. Frutas lembrando cereja, floral, violetas, tostado elegante, café, especiarias, anis, toques balsâmicos.  Excelente exemplo de vinho equilibrado, acidez correta, taninos finos, bom corpo e persistência, retrogosto frutado e final de boca muito agradável. DECANTER – (047) 3326-0111 – Preço R$ 284,00 – Nota 90,0

FUENTESPINA RESERVA – RIBERA DEL DUERO – 2001 – Rubi, boa concentração e halo de evolução. Complexo, Frutas negras em compota, chá-preto , tabaco, animal, carne, terroso, chocolate,  borracha, ligeiro mentolado e tostado agradável.  Alta acidez, taninos marcados, corpo amplo e persistência longa, retrogosto frutado. EXPAND GROUP – (011) 3847-4700 – Preço R$275,00 – Nota 90,0

MARQUÉS DE RISCAL GRAN RESERVA – RIOJA – 2000 – Rubi com toques de evolução, boa concentração. Predominância de aromas terciários, tostado, animal, couro, especiarias, sottobosco, frutas vermelhas maduras, floral, violetas. Redondo, acidez correta, taninos finos, encorpado e persistência longa, retrogosto frutado. INTERFOOD CLASSIC – (011) 2602-7255 – Preço R$ 243,30 – Nota 89,8

ONTAÑON RESERVA – RIOJA – 2001 – Violáceo,  média concentração, sem halo. Frutas passas, ameixas, especiarias, couro, tabaco, herbáceo e toques florais. Ótima acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência, retrogosto frutas passas. D’OLIVINO – (011) 5532-1820 – Preço R$ 141,00 – Nota 89,7

 VINA ARDANZA RESERVA – RIOJA – 2006 – Rubi com baixa concentração, leve halo. Frutas maduras, ameixa, madeira bem presente, baunilha, sottobosco e toques terrosos. Elegante, com ótima acidez, taninos finos, corpo médio, persistência longa. GRAND CRU – (011) 3062-6388 – Preço R$ 198,00 – Nota 89,6

 PROTOS RESERVA – RIBERA DEL DUERO – 2003 – Rubi,  boa concentração, sem halo. Frutas vermelhas maduras, floral, violetas, tostado, baunilha, chocolate, pimenta-do-reino. Alta acidez, taninos finos, bom corpo e persistência, retrogosto frutado. PENINSULA – ( 011)  3822-3986 – Preço R$ 261,00 – Nota 89,1

 RODA RESERVA – RIOJA – 2004 – Rubi,  média concentração, sem halo. Predominância de aromas terciários, tabaco, tostado, especiarias, pimenta, frutas negras e toque lácteo. Ótima acidez, taninos firmes e doces, bom corpo e persistência, retrogosto frutado.  EXPAND GROUP – (011) 3847-4700 – Preço R$ 198,00 – Nota 88,8

 BÁRBARO RESERVA – RIOJA – 2005 – Violáceo, boa concentração, leve halo de evolução. Aromas de frutas vermelhas maduras, floral, anis, tostado agradável, toque químico. Acidez alta, seco, taninos ainda verdes, corpo e persistência longa, vinho jovem de muita potência. SEM IMPORTADORA – BODEGAS FRANCO ESPAÑOLAS www.francoespanolas.com – Preço R$? – Nota 87,6

TORRES CELESTE CRIANZA – RIBERA DEL DUERO – 2005 – Rubi escuro, boa concentração, sem halo. Aroma terroso, funghi, bala de cevada, frutas negras, tostado agradável, pimenta-branca, toque herbáceo. Boa acidez, estruturado, taninos ainda jovens, bom corpo e persistência, final de boca muito agradável. RELOCO – (021) 2215-8055 – Preço R$ 160,00 – Nota 87,5

 TAMARAL CRIANZA – RIBERA DEL DUERO – 2003 – Granada, média concentração, leve halo. Complexo, chá-preto , frutas vermelhas evoluídas, ameixa, funghi, terroso, chocolate, caramelo e toque resinoso. Alta acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência, retrogosto lembrando ameixas. CASA DO WHISKY (Barrinhas)-  (011) 5055-5244 – Preço R$ 107,00 – Nota 87,4

 OSBORNE MONTECILLO RESERVA – RIOJA – 2005 – Rubi brilhante, média concentração, halo de evolução. Aromas terciários, chá-preto, tostado, chocolate, especiarias, frutas secas, herbáceo, toque químico. Acidez correta, taninos presentes, corpo médio e persistência longa. MIOLO – (0800) 9704165 – Preço R$ 71,00 – Nota 87,1

 ATALAYAS DE GOLBAN CRIANZA – RIBERA DEL DUERO –  2005 – Rubi, alta concentração, sem halo. Floral, violetas, frutas vermelhas, tostado, chocolate, menta, terroso com ligeiro toque químico. Acidez correta, taninos presentes, corpo médio e persistência longa, retrogosto de after eight (menta e chocolate). MISTRAL – (011) 3372-3400 – Preço R$ 130,00 – Nota 86,8

 ORBEN CRIANZA – RIOJA – 2005 – Rubi, alta concentração, sem halo. Frutas vermelhas maduras, especiarias, canela, herbáceo, erva-doce, tostado. Alta acidez, taninos ainda verdes, corpo médio e persistência longa, retrogosto lembrando erva-doce. Bom potencial de envelhecimento. PENINSULA – ( 011)  3822-3986 – Preço R$ 198,00 – Nota 86,7

 CANTIGA DE DANIEL PURAS CRIANZA – RIOJA – 2004 – Granada, média concentração, leve halo. Nariz austero, sottobosco, tostado marcado,frutas negras maduras,químico, toque de ervas aromáticas. Acidez correta, quente, taninos finos, corpo e persistência longa, final ligeiramente adocicado. TERROIR – ( 011)  3168-2200 – Preço R$ 105,00 – Nota 86,1

 RACAMONTE CRIANZA – RIBERA DEL DUERO – 2004 – Violáceo, média concentração, sem halo. Floral, violetas, alcoólico, pimenta-do-reino, frutas negras, ameixas, toque herbáceo. Acidez correta, taninos verdes, encorpado, persistência longa. Ainda muito alcoólico. SEM IMPORTADORA www.grupoyllera.com – Preço R$ ? – Nota 86,1

VIÑA CERRADILLA CRIANZA – RIOJA – 2004 – Rubi, média concentração, sem halo. Floral, lavanda, sottobosco, frutas em compota, especiarias, chocolate, leve mentolado. Alta acidez, taninos ainda verdes, corpo médio e persistência longa. SEM IMPORTADORA www.vallemayor.com – Preço R$? – Nota 86,1

 MILETO CRIANZA – RIOJA – 2005 – Granada, média  concentração, leve halo. Frutas maduras, cereja, chocolate, químico e toques florais, madeira de longo uso. Boa acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência, retrogosto lembrando cereja. SEM IMPORTADORA www.bodegasalvar.com – Preço R$? – Nota 85,9

 ALLENDE CRIANZA – RIOJA – 2004 – Rubi, boa concentração, sem halo. Frutas vermelhas maduras, químico, pimenta-do-reino, tostado bem integrado, chocolate. Alta acidez, taninos finos, corpo médio e persistência longa, ligeiro amargor. PENÍNSULA – (011) 3822-3986 – Preço R$ 159,00 – Nota 85,4

DON FAUSTINO VII JOVEN – RIOJA – 2007 – Granada, média concentração, leve halo. Frutas vermelhas maduras, tostado intenso, caramelo, toque químico. Acidez correta, taninos presentes, corpo médio e persistência média. Rústico. CAVA DE VINHOS – (011) 3467-9917 – Preço R$ 60,00 – Nota 84,9

 Os campeões em suas classes:

 Gran Reserva

Pago de Santa Cruz – Ribera Del Duero – Nota 91,2 – Península – Preço R$ 429,00

Reserva

  • Somsierra – Rioja  – Nota  90,2 – Barrinhas /Casa do Whisky – Preço R$ 96,20
  • Conde de Siruela – Ribera Del Duero – Nota 90,2 – D’Olivino – Preço R$ 214,00

Crianza

Torres Celeste – Ribera del Duero – Nota 87,5 – Reloco – Preço R$ 160,00

          Interessante o resultado de dois vinhos que, a meu ver e mesmo não tendo estado presente nessa degustação, me chamaram a atenção pois mostraram possuir uma tremenda relação custo x beneficio que foram o Somsierra (na minha regra de desempate, menor preço, seria terceiro na classificação geral) e o Osborne Montecillo Reserva, dois rótulos que entram na minha lista de vinhos a conferir e os seus? Quais são os rótulos que lhe aguçaram a curiosidade? Podendo, não hesite em tomar o Pago de Santa Cruz, um dos grandes vinhos de Espanha.

Salute e kanimambo

Reflexões do Fundo do Copo – A terceira onda da importação do vinho, 2010!

breno3Não me peça dados precisos para o que vou dizer, pois espertamente criei este espaço para especulações, coisa que não precisa ser defendida com dados muito precisos. São reflexões feitas desde o fundo do copo, da taça, da garrafa, da adega. Mas adianto que tudo que direi me parece tão verdadeiro, tão historicamente confiável que me atrevo a dividir com vocês.

          Vieram os vinhos com as imigrações. Vieram, portanto, para atender uma demanda que passaria de pai para filho, de mãe para filha, de tio para caiçara, porque sempre, nas colônias que se formaram, desde os primórdios, teve alguém que se engraçou com uma nativa, uma escrava liberta, uma vizinha de alguma colônia das redondezas. Porque os portugueses, nossa primeira colônia, diz a lenda só veio porque pode trazer sua Pêra Manca e Vinho do Porto nos baús, seguidos, nos séculos posteriores, pelos vinhos verdes tintos e brancos, pelos Dão e Garrafeiras que freqüentaram as empoeiradas e ensolaradas prateleiras das padarias. Porque os italianos só se dispuseram a vir para cá se viesse com eles um belo estoque de Chianti de cestinha, de Valpolicella, de Corvo di Salaparuta, de Marsala. Vieram os espanhóis com as suas amostras riojianas e penedes, com seus xerez e brandis, sempre muito bem avaliados.

           Em São Paulo do Pós-Guerra, alguns restaurantes faziam as vezes de importadores diretos, mas quase sempre quem se ocupava deste negócio, eram as empresas que viviam da importação de alimentos em geral. Era vinho de gueto, de pouca variedade e quase sempre de pouca qualidade. E dificilmente um vinho saia de um gueto e ia satisfazer o outro, a não ser quando descobriam similaridade. Portugueses bebiam os da terrinha, italianos os oriundi e os espanhóis, igual. É preciso dizer que esta coisa do vinho do gueto era superado pelos vinhos franceses, champanhas, Bordeaux e Borgonhas, que transitavam por igual entre as mesas mais abastadas, desta ou daquela colônia. Eram ursos em meio a ovelhas, para usar a imagem do Anjo Exterminador do Buñuel. Estes estavam acima do bem e do mal, se bem que para os do gueto, eram sempre comparados aos grandes de cada colônia, que orgulhosa defendia seus Barolo, Veja Sicilia e Barca Velha.

          Compunham a carga, vinho junto com o queijo parmesão, com o azeite, entre as peças de bacalhau, de embutidos, dividindo espaço com os enlatados. Não havia especialidade na importação do vinho, que nos digam as Casa Prata, Chiapetta, Rei do Bacalhau, La Pastina, Gomes Carreira, Gomes Sá, Casa Ricardo, Aurora, Casa Flora e outras tantas que atendiam diretamente a demanda. Os volumes eram muito pequenos, comparado com a circulação de hoje. Para se ter uma idéia, a grande Yllera ( http://www.grupoyllera.com ), que produz mais de um milhão de garrafas por alguns de seus 30 rótulos, estava entre nós, importada diretamente pelo restaurante Don Curro, que traz apenas o suficiente para atender a demanda de seus clientes. Anos depois, restaurantes como o Massimo e o Supra, passaram seus anos de glória importando poucos vinhos de nicho, vinhos muito especiais. Mas isso já é história do segundo capítulo, não do primeiro, este que acabamos de acabar.

           Veio então o boom do vinho chique, aquele que trocou a quantidade pela qualidade e mudou o panorama do vinho no mundo. Anos 80? Anos das degustações frenéticas nos EUA, na Inglaterra, no Japão e na Alemanha. Anos que transformaram o vinho em produto de leilão. Pois até lá, o vinho mais caro tinha sido um Bordeaux, vendido a US$500,00. Depois de lá, o preço dos vinhos foram à estratosfera e todo mundo ganhou bastante com isso… Menos o coitado do consumidor. As importadoras brasileiras pularam para patamares de lucratividade muitas vezes maiores, afastando-se dos enlatados, dos secos e dos molhados. Ao mesmo tempo – mostrando que a era do consumo dos guetos tinha sido superada com o fim dos próprios guetos de colônias que mais e mais se confundiam na sociedade urbana que se formava, com a presença importante de outras vertentes culturais, como os árabes, judeus, japoneses e tantos outros cuja origem não se confundia com a produção vinícola – o brasileiro que nasceu depois dos anos 50, chegava à sua idade adulta pronto para trocar a Coca-Cola pelo atraente vinho de garrafa azul, vindo diretamente da Alemanha para a taça de quem queria um vinho descolorido e açucarado.

          De um lado o luxo, do outro a popularização do vinho (o lixo?), este produto que insiste em se chamar vinho, não importa se custa na gôndola 1 ou 1000. Foram os anos de ouro da Mistral, Expand, WorlWine, Carrefour, Pão de Açúcar. Foram os anos dos vinhos de nicho, onde os casos citados do Massimo e muito anos depois do Supra se acomodam, mas também os da Decanter, da Peninsula, da Adega Alentejana, da Hannover. São os anos da passagem das simples cantinas italianas para os restaurantes de grande serviço, com muita coisa tercerizada. Anos que elevaram à condição de profissão especializada, o servidor do vinho na taça do cliente, profissão cujo nome bizarro – sommelier (que quer dizer em francês literalmente o despenseiro, o homem que sabe o que tem na casa, o responsável pelas compras da despensa) – é vestido de estranha nobreza, que pretende justificar, em parte, os custos astronômicos dos vinhos em carta nos restaurantes. Do lado do luxo, uma quantidade absurda de vinhos que custam ao consumidor mais de R$200,00. Do lado da popularização, 15 mil rótulos vindos, na grande maioria, dos vizinhos protegidos pelas leis do Mercosul, a um preço de gôndola a partir de R$8, preço até então exclusivo aos vinhos simples de garrafão.

            Chegamos então aos dias atuais, onde a Queda Tendencial da Taxa de Lucro se faz ver com clareza. Com tanto vinho era impossível manter aquele Império sem fronteiras. Por isso a fratura exposta de tantos bem sucedidos, empresas de grande porte como a Expand, que chegou a ter em seus catálogos 4 mil rótulos de importação exclusiva. Por isso a reformulação de empresas do Top da importação, como a Mistral que, para manter a pose de fornecedora de produtos vendidos apenas nas lojas especializadas, abriu uma Vinci, que nada mais é – além dos argumentos de aparência – uma empresa que tem uma porta aberta para o canal Supermercados. Diga-se de passagem, os supermercados não ficaram a ver a banda passar. Notaram a importância do mercado que se abria e se aparelharam tecnicamente para vender vinho. Com isso, é possível ter o vinho de qualidade nos grandes canais de circulação, coisa que era inviável até poucos anos atrás.

Abre-se um novo momento. Acho que nós consumidores vamos ganhar com isso.

Mais um texto do amigo e colaborador, agora com participação quinzenal aos sábados, Breno Raigorodsky; 59, filósofo, publicitário, cronista, gourmet, juiz de vinho internacional e sommelier pela FISAR. Para acessar seus textos anteriores, clique em Crônicas do Breno, aqui do lado.

Dica da Semana – um Oásis em Sampa

          Toda a Sexta eu falo das Dicas da Semana, porém hoje falarei sobre A dica da semana nesta São Paulo muito especial. Uma zorra de cidade; poluição, engarrafamentos mil  a qualquer hora e dia, ritmo frenético, buzinas, 5 milhões de carros, 2 milhões de motos, 11 milhõs de habitantes mais dois ou três milhões tomados emprestados de cidades vizinhas, alagamentos, stress e ……de repente, do nada, despontam lugares dignos de um retiro espiritual! É assim com alguns bons restaurantes e é assim com este retiro australiano que nos faz viajar longe, para um mar de tranqüilidade onde podemos relaxar e recuperar energias.

          É o Wine Society Wine Gardens, algo verdadeiramente único e pioneiro na cidade de São Paulo, inaugurado recentemente. Misto de loja e enoteca, é muito mais que isso, é um novo conceito desenvolvido com uma felicidade arquitetônica única originada por uma pitada de sorte que, normalmente, acompanha os bem sucedidos. Como explicar que ao buscar um local para instalação de sua enoteca, aparecesse a oportunidade de um imóvel em que seu proprietário, português da gema, tivesse plantado um parreiral há mais de 40 anos no meio de Moema?!

          Foi ali, embaixo das parreiras, que tive a agradável oportunidade de me divertir com os Wine Flights servidos. Sim, é esse o novo conceito que está sendo trazido para o Brazil e já mais conhecido nos Estados Unidos e Austrália. Três vinhos devidamente acompanhados com pequenas porções de comida com os quais você vai “brincando” de harmonizar enquanto descobre novos sabores e sensações, usando as descrições e dados sobre o vinho que acompanham o Flight. Os pratos são elaborados ali mesmo e, pasmen, numa cozinha sem freezer!! É gente, a comida é elaborada com produtos frescos, algo digno de ser louvado e até a maionese e mostarda são feitas na casa. 

         Mas tem mais, caso você não se entusiasme pelos Wine Flights, existe um Buffet ao almoço (R$29,90) e um menu a la carte à noite com todos os vinhos da casa à disposição (180 rótulos) com dezoito deles disponíveis á taça. Que tal pedir uma Reef Salad ou Sydney Spuds como entrada e como prato principal um Cronulla Rack? Complicou né? É que os pratos também têm seus nomes originados “Down Under” (Austrália) então só conferindo o menu para ver a tradução. Ah, ia-me esquecendo, os Wine Flights também estão disponíveis na versão só vinhos o que é legal se você for no almoço e se servir do Buffet. Eu peguei dois Wine Flights, sendo um de Brancos e um de Shiraz com vinhos muito bons em que, para meu gosto, se destacaram o Banrock Station  Semillon / Chardonnay e o delicioso E-minor Shiraz que já tinha tido oportunidade de provar uma outra vez.

         Nem almoço nem jantar? Você quer mesmo é se reunir com os amigos para um happy hour acompanhado de diversos tapas, também tem. Aliás, se você estiver com um grupo, existem diversos espaços no Wine Garden especiais para juntar os amigos, sendo os mais charmosos; o lounge e a biblioteca, ambientes muito bonitos, aconchegantes e exclusivos na parte de trás do jardim onde um dia existiu uma edícula. Os Wine Flights disponíveis serão periodicamente trocados para que haja sempre alguma novidade e, caso haja interesse, pode-se solicitar um Personal Wine Flight (por encomenda e com bastante antecedência) e o pessoal tentará acomodar seus desejos.

        Eu estive lá a convite deles e posso lhe garantir que fui seduzido pelo conceito e lugar, tanto que já estou armando ir lá com um grupo de amigos nesta próxima semana num almoço pré-natalino. A loja fica na frente e em seu interior um gostoso bar envolve uma ilha central onde fica a cozinha totalmente envidraçada em que o Chef Rodrigo Santos apronta suas artes culinárias. A Austrália está por toda parte; nos vinhos, nas cervejas, na culinária, na decoração e em cada detalhe da charmosa decoração. Quanto à Wine Society, já fiz uma matéria com eles em Março e uma degustação bastante interessante na Expovins deste ano, mas, resumindo, trata-se de mais um projeto do Ken Marshall (KMM – importadora centrada em rótulos premium australianos), em conjunto com um grupo de empresários que pretendem democratizar o acesso aos vinhos e coisas da Austrália a preços mais acessíveis porém sem perder qualidade. Na sequência virão vinhos chilenos, argentinos, sul africanos, americanos, etc., tudo no seu devido tempo.

       Quer um lugar e atmosfera realmente diferentes, então esta é a minha dica da semana inclusive para aquela comemoração especial de natal ou de final de ano com a turma. Fui, gostei, aprovei e recomendo. Os preços variam de cerca de R$22  para um Flight só de vinhos brancos a cerca de R$60 o Flight harmonizado de Shiraz. O Wine Garden fica na Av. Lavandisca 519, Moema, Tel. (11) 2768-0648.

Salute, kanimambo e espero que goste tanto do lugar quanto eu. O primeiro Desafio de Vinhos de 2010 já está acertado, será aqui. Uma bela forma de começar um ano que promete. Ace place mate!

Ps. Clique nas fotos para ampliar.

Vinhos & Encontros I

                Nesta época do ano nos metemos a nos reunir com os amigos para confraternizar e, invariavelmente a taça enche, quando não transborda! Nessas horas a carga etílica e festa não são registradas como deveriam, até porque há hora para tudo. Um ou outro vinho, no entanto, mesmo nessas situações acaba por sobressair e, mesmo não tomando notas, merecem ser resumidos mesmo que de forma menos eficiente e mais emotiva. Dentre esses, alguns deixaram algumas marcas na memória, então vamos lá!

             No encontro com os amigos do Clube do Vinho de Embu, Fábio, Zé Roberto e Jaerton, a quem devo publicamente desculpas pelo cano que dei numa segunda confraternização, que sempre me acompanham em meus Desafios de Vinho, tivemos oportunidade de entornar algumas garrafas, algumas muito especiais, no bar Graf Zepelin do restaurante o Garimpo, a começar por:

  • Ventolera 2008, produzido pela Vina Litoral no vale de Leyda e importado pela Casa do Porto. Um dos mais interessantes Sauvignon Blancs chilenos que tive oportunidade de provar este ano de 2009. Muito cítrico, mineral e fresco no nariz, sensações estas plenamente correspondidas na boca onde ele é vibrante, crocante, fruta muito presente e bastante longo. Uma grata surpresa num estilo que nos faz lembrar os bons vinhos do Loire. O Rodrigo (Casa do Porto) tinha recomendado que o  provássemos alegando que era um dos melhores achados e com um preço incomparável. Touché Rodrigo, achei tudo isso mesmo, por R$79, ou próximo disso, está bem abaixo dos vinhos de seu nível disponíveis no mercado. Mantenha-o assim!
  • Casa Marin Cartagena 2006, um Sauvignon Blanc diferenciado, de mais idade tanto na cor quanto na boca onde já lhe falta um pouco de acidez, porém ganha maior complexidade e cremosidade. Muito bom, num estilo diferenciado, mais maduro.
  • O amigo Jaerton nos trouxe um Chateauneuf-du-Pape de 1988 já cansado de guerra, mas deixava transparecer sob suas marcas do tempo os dias de glórias passadas. Interessante como exercício e experiência.
  • O Horst (espero que esteja soletrando corretamente seu nome) dono do restaurante e pessoa querida no pedaço, é uma simpatia tendo nos acompanhado  em parte de nosso encontro presenteando-nos com duas preciosidade. Um Baumgartner Riesling Qualitatswein de 2000 que demonstrou como esta cepa envelhece bem, delicado e sedutor já de cor amarelo ouro brilhante de aromas intensos e boca delicada, e uma garrafa muito especial de sua coleção privada. Era uma garrafa de Braun Niersteiner Orbel Riesling Beerenauslese 1999, uma das classificações mais altas de vinhos alemães indicando um vinho doce de uvas botritizadas. Uma maravilha, da cor dourada escura, quase âmbar, brilhante e um verdadeiro creme na boca em perfeito equilíbrio com uma acidez ainda muito presente. Uma maravilha que dificilmente  será esquecida.
  • Ainda tivemos mais dois tintos, um saboroso Pinot Noir Australiano o Magistrate 2007 de Yarra Valley e um vinho de que gosto bastante e já comentei aqui recentemente, o Calitterra Tributo Edicción Limitada Shiraz/Cabernet Sauvignon/Viognier.

        Um final de tarde muito agradável no Bar Graf Zeppelin do bonito, simpático e aconchegante O Garimpo, visita imperdível para quem for a Embu. A foto das garrafas abatidas não está aquelas coisas, a minha camera que “não treme e foca no escuro” deixei no carro do amigo Alê no outro dia e ainda não a reavi, sorry foi o que deu para fazer. Mais do que os vinhos, uma perfeita harmonização entre pessoas que são o que, “nos finalmente”, dão  brilho aos momentos, o resto é coadjuvante.

Salute e kanimambo

ACHADOS DE 2009!

          Todos os blogs e sites, ou quase todos, jornais, revistas e outras mídias do vinho publicam suas listas de melhores do ano nesta época. Como o ano só termina dia 31 de Dezembro, eu tradicionalmente publico minhas listas após o dia 10 de Janeiro. No entanto, os Achados do Ano, que certamente aparecerão entre meus melhores, esses acho que já posso divulgar já que não creio que haverão mais surpresas nos próximos dias.

         O que são meus achados? São aqueles rótulos que tomei ou provei ao longo do ano e me surpreenderam muito positivamente tanto no quesito qualidade como, especialmente, ao preço cobrado. São vinhos que, a meu ver, entregam muito mais do que o preço cobrado gerando uma percepção de valor muito além e se colocados às cegas com outros rótulos de maior preço surpreenderiam muita gente ou que possuem um preço justo tendo extrapolado em qualidade e marcado o momento.

Espumantes

  • Brédif Vouvray Brut (Vinci) – Campeão do Grande Desafio de Espumantes e excepcional relação Qualidade x Preço x Prazer.
  • Santa Julia Brut (Ravin) – Um argentino que veio para brigar com nossos bons espumantes, inclusive em preço.
  • Barton & Guestier Chardonnay Brut (Interfood) – Saborosissímo blanc de blanc do Loire.
  • Aurora Pinot Noir Brut – Um dos únicos dois  blanc de noir produzido no Brasil, ou pelo menos que eu tenha conhecimento, é uma das maiores descobertas do ano, inclusive pelo preço que ronda os R$25 a 30,00.
  • Garibaldi Moscatel – Ganhou o Desafio de Espumantes Moscatel desbancando o ótimo Marco Luigi, um dos meus favoritos. Um dos mais premiados rótulos brasileiros em competições internacionais este ano.
  • Spumante Incontri  Rosé Dry Cuvée (Vinea) – Faturou o Desafio de Espumantes Rosés, desbancando um de meus favoritos e já mais conhecido, o delicioso 3b de Filipa Pato.
  • Toso Brut (Interfood) – mais um saboroso, citrico e fresco espumante argentino por um preçinho muito camarada, ao redor de R$25,00.

Vinhos Tranquilos até R$30,00– Uma faixa em que os BGB (Bons, Gostosos e Baratos) não abundam, mas estes se destacaram entre alguns outros .

  • Marco Luigi Malbec 2007 – Achei que eram loucos de produzir um Malbec no Vale dos Vinhedos quando temos tão bons rótulos dos hermanos argentinos disponíveis no mercado. Colocado na boca sumiram as duvidas e entendi! Malbec de terroir com ótimo preço, virou habitué aqui em casa.
  • Loios 2008 (Casa Flora) – Digno representante dos vinhos do Alentejo e da maior tipicidade presente nos rótulos portugueses, Bom Vinho com Bom Preço.
  • Abadias Vega Tempranillo 2006 (Expand) – Incrível encontrar um rótulo espanhol por esse preço que seja tão agradável. Importante tomá-lo como se deve, em torno dos 14º.
  • Don Pascual Tannat 2007 (Expand) – Para quem, como eu, curte os vinhos Uruguaios e até para quem ainda não conhece, um ótimo exemplo de tannat domesticado e saboroso. Um “entry level” à cepa que faz bonito por pouco.
  • Herdade das Albernoas 2008 (Lusitana de Vinhos & Azeites) – Mais um gostoso vinho Luso que surpreende no dia a dia

De R$30 a 50,00 – Aqui o garimpo já produz uma maior diversidade e quantidade de rótulos como será possível ver na minha lista de melhores em janeiro, mas estes foram alguns que marcaram e classifiquei como achados.

  • Alain Brumont La Gascogne Tannat/Merlot 2005 (Decanter) – De tirar o fôlego pelo preço. Uma prova cabal que vinho bom não precisa ser caro.
  • La Celia Reserva Cabernet Franc 2004 (Interfood) – Cabernet Franc de qualidade fora da região do Loire não são muito comuns, ainda mais com preços abaixo de R$50,00. Este supera expectativas.
  • Quinta do Casal Branco 2006 (D’Olivino) – Um tinto português de muita qualidade e gentil na boca mostrando que há muito bons vinhos em Portugal fora do eixo Alentejo / Douro. Do Ribatejo, um vinho que agrada sobremaneira.
  • Quinta da Lagoalva Castelão/Touriga Nacional 2004 (Mistral) – Mais um vinho do Ribatejo entregando qualidade e prazer por bom preço. Conheci em Portugal e gostei muito.
  • Crios Torrontés 2008 (Cantu) – O melhor Torrontés argentino e campeão do meu primeiro Desafio de Vinhos. Aliás, este rótulo de Suzana Balbo só tem vinhos de grande qualidade e o preço é bem justo.
  • Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005 – O vinho da Miolo sob a tutela do amigo e competente enólogo português Miguel de Almeida. Deu-se muito bem, às cegas, no Desafio de Vinhos Portugueses.
  • Quinta do Ameal Loureiro 2007 (Vinho Seleto) – mais que uma surpresa, uma constatação de que este rótulo é, efetivamente, um dos brancos mais sedutores de Portugal. Suavidade e leveza com sabor e frescor num conjunto encantador. Já tinha me enamorado pelo 2006, mas este 2007 mais jovem e fresco conseguiu superá-lo. Quem gosta dos riesling do Mosel, vai-se encantar por este vinho e por este preço.
  • Ostatu Branco Jovem 2008 (Cultvinho) – Nem o importador acreditou quando as vendas estouraram e o estoque praticamente sumiu. Um vinho muito agradável e sedutor que surpreendeu muito positivamente quem o provou.
  • Terraza D’Isula Sciaccarellu-Gris de Cinsault 2008 (Emporio Sorio) – Um rosé muito saboroso e fresco que encanta ao primeiro gole. Tudo a ver com nosso verão.

De R$50 a 80,00 – Na minha lista de Melhores de 2009 que publicarei em janeiro, muitos vêm desta faixa e são ótimas pedidas. Estes abaixo foram destaque em função da ótima relação Qualidade x Preço x Prazer.

  • Herdade do Pinheiro Reserva 2003 (Beirão da Serra) – Campeão inconteste de meu Desafio de Vinhos Portugueses e primeiro vinho nesses desafios a faturar a tríplice coroa.
  • Alfredo Roca Family Reserva Malbec 2005 (Casa Flora) – Sempre recomendei seus vinhos básico para o dia a dia. Este é alguns degraus acima e encantador. Marcou por sua delicadeza e baixo teor alcoólico, na contra mão dos tops argentinos.
  • Chateau Piron 2005 (Cave Jado) – Um dos melhores achados do ano que tive a oportunidade de provar em dois eventos do CIVB ( Conselho Interprofissional de Vinhos de Bordeaux) e nos dois o vinho surpreendeu.
  • Da Vinci Chianti DOCG 2006 (Santa Ceia) –  Safra muito boa na Toscana e esse vinho é prova disso por um preço médio no mercado bastante interessante.
  • Salton Talento 2005 – Campeão do Desafio de Vinhos Assemblage do Novo Mundo até R$85,00, é um vinho que dispensa apresentações mas consegue sempre se destacar.
  • Casa Silva Los Lingues Gran Reserva Petit Verdot 2006  (Vinhos do Mundo)-  Estupendo vinho que me deu enorme prazer de tomar e mostrou o ótimo trabalho desta Bodega com esta difícil cepa.
  • AVE Premium Malbec 2007 (Berenguer Imports) – Novo no mercado, é um vinho de grande qualidade que precisa de tempo para se mostrar. Um Malbec diferente com um estilo italiano de ser! (post nos próximos dias)

De R$80 a 120,00

  • Niepoort LBV 2004 (Mistral)– Uma recomendação do Miguel da Garrafeira Nacional na última vez que passei por Lisboa. Estupendo Vinho do Porto, melhor que muito Vintage e com duas grandes vantagens; é bem mais barato e já está pronto para beber.
  • J. Carrau Pujol Gran Tradicción 2004 (Zahil) – Delicioso e complexo blend, para mostrar que o Uruguai não é só Tannat ou Tannat/Merlot.
  • Pezzy King Zinfandel 2005 (Wine Lover´s)– Mais um ganhador de desafio, desta feita do Desafio de Vinhos Ícones. Chegou de última hora como quem não quer nada e fez a festa! Com o desconto para cliente VIP, fica imperdível.
  • Wente Crane Ridge Merlot 2004 (vinhos do Mundo) – Uma da gratas surpresas de meu Desafio de Merlots do Mundo ganho pelo estupendo Valduga Storia. Este vinho californiano possui 2% de Touriga Nacional, mas faz uma diferença!!!
  • Fatasciá Alirè Syrah & Nero d’Avola 2005 (Decanter) – Uma das estrelas do Desafio Decanter de Vinhos Syrah, batendo muita gente de maior nome.
  • Leasingham Bin 7 Riesling (Wine Society) – Um de meus Best in Show da Expovinis 2009 e um vinho imperdível para os amantes de um bom Riesling, este de origem australiana.
  • VF 2005 (Vila Francioni) – Um dos melhores vinhos nacionais que, numa degustação às cegas bateu 11 vinhos de Bordeaux na mesma faixa de preço.
  • Chateau La Guerinniére 2005 (D’Olivino) – o ganhador do Desafio de Vinhos de Bordeaux até R$100, em que o VF aqui acima chegou em segundo. Um vinho de tirar o chapéu, especialmente em função do preço.

Acima de R$120,00

  • Schild Estate Shiraz 2005 (Decanter) – um grande vinho e exemplo dos grandes Shiraz produzidos na Austrália. ganhador do Desafio Decanter de Vinhos Syrah em São Paulo. Preço ao redor de R$127,00.
  • Biography 2005 (Decanter) – mais um Syrah, desta feita sul-africano, que mostra que esta uva produz hoje alguns dos melhores vinhos desse país. também presente no Desafio Decanter de Vinhos Syrah, um dos melhores do ano. Preço ao redor de R$130,00
  • Domaine Vacheron Sancerre Blanc 2007 (Zahil) – uma caricia sedutora ao palato onde impera a finesse e elegância, muito mineral e um verdadeiro deleite hedonistico.  Preço ao redor de R$170,00
  • Vinha Barrosa 2005 (Mistral) – um exemplo da maestria de Luis Pato que o faz ser conhecido como o “domador da Baga”, um grande vinho. Preço ao redor de R$150,00.
  • Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 2000 (Zahil) – Dão e Touriga Nacional, dupla que me seduz e este vinho é realmente encantador! Um vinho classudo de grande finesse e sedução. Preço ao redor de R$150,00.

Salute e kanimambo

Milagres da Vida e da Ciência

         A vida vai muito além do vinho e existem centenas de coisas mais importantes que o doce néctar, então permitam que deixe o vinho de lado por um dia só para curtir um momento especial. Afinal, quando é que a vida começa? Diversas correntes médicas e cientificas buscam determinar quando a vida se inicia até para que importantes decisões sobre ela possam ser tomadas.  Não quero entrar no mérito da questão, até porque fui criado com a filosofia de que “contra fatos não há argumentos” então, afora os aspectos religiosos e culturais que exercem uma enorme influência sobre as ações e decisões de cada um de nós, permitam que vos apresente um fato.

        Há quase 32 anos atrás fui pai pela primeira vez e me lembro das expectativas pelo primeiro ultrassom lá pelo sexto mês de gravidez e do quão pouco se conseguia identificar do feto. O Sexo da criança então, esse só se sabia lá para o finalzinho! Para alguns pode parecer montagem, garanto que não é, mas dêem uma espiada neste vídeo de meu futuro neto com APENAS 12 semanas de gestação e cerca de 3 cms de tamanho dando chauzinho para as câmeras!!! . Não sei se será bonito nem inteligente, espero que venha pleno de saúde, mas certamente será menos inibido que o avô na frente das cameras! rsrs

        Eis o debut do Bruno nas telas da rede e copiado/adaptado do CD original por meu filho, daí o título sobrinho!

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           Para aqueles que insistem que sempre haja um elo com o vinho, façamos o seguinte. Pegue uma taça flute, um espumante que você curta, uma companhia adequada e brinde à vida. Eu já o fiz!

Salute e kanimambo.

Espumantes Baratos que Satisfazem.

 

Uma overdose de posts sobre espumantes, mas os amigos seguem pedindo e, desta feita, reclamaram que não falei nem dei dicas de espumantes bons e baratos. Não aceito totalmente a critica já que nos diversos Desafios de Espumantes realizados em Novembro e amplamente comentados aqui, existiam diversas opções com ótimos preços como o Marco Luigi e o Do Lugar só para comentar dois que estão na faixa baixa dos R$30. Entendo, no entanto, que os mais módicos não apareceram então aqui vai uma curta lista de espumantes baratos que satisfazem e são ótima opção para festas onde o preço, devido à quantidade,  passa a ter uma maior importância.

Muitos destes, são vinhos que recomendo com uma certa constância em meus posts sobre casamentos, então não são surpresa para a maioria. São vinhos que dá para encontrar no mercado com preços a partir de R$17 a cerca de R$30/35,00 e que dão conta do recado com fidalguia.

  • Conde de Foucauld Brut  – servir bem gelado. (Aurora)
  • Terranova Demi-sec
  • Marco Luigi Tributo Brut
  • Marco Luigi Tributo Prosecco
  • Aurora Prosecco.
  • Prosecco Moinet (Winery -Italiano)
  • Prosecco Corte Viola (FOX Import – Italiano)
  • Marco Luigi Brut
  • Valduga Arte Brut
  • Aurora Espumante de Pinot Noir
  • Salton Reserva Ouro
  • Cava Marquês de Monistrol Brut (Expand – Espanha)
  • Do Lugar Brut
  • Ponto Nero Brut
  • Miolo Brut
  • Marco Luigi Reserva da Família
  • Nieto Senetiner (Casa Flora – Argentina)
  • Pascual Toso Brut (Interfood – Argentina)
  • Espumantes Moscatel – diversos, veja o Desafio de Espumantes Moscatel realizado mês passado.

Durante o primeiro trimestre do ano que vem já tenho agendado um Desafio de Espumantes até R$35,00, quando poderemos ter uma visão comparativa entre a maioria destes rótulos e mais alguns que estou convidando a participar do evento. Por enquanto fique com esta lista, todos provados e aprovados por mim como boas e gostosas opções dentro do contexto. Veja em “Onde Comprar” uma de nossas lojas parceiras em São Paulo ou acesse o site do produtor/Importador para checar onde, mais próximo de você, o produto de seu interesse está disponível. Amanhã não perca! Não deixe de clicar por aqui e ver algo inusitado, único e imperdível, nunca dantes visto num site de vinhos ou quiçá qualquer outro na net. Uma “viagem” para quem se interessa pelos mistérios e encantos da vida.

Salute, kanimambo e vejo você por aqui amanhã!

PS. Mais uma dica, esta atual em Dezembro/2016 – uma ótima opção na  casa das 50 pratas! Clique aqui.

Dicas da Semana

         Kits de natal, imperdível promoção de Paul Bur, novidades na Vinci com Dólar especial, evento em Porto alegre, sempre interessantes informações sobre compras e atividades a conferir.

Veuve Paul Bur Brut por apenas R$32,67 – Já tinha dado esta bela dica a semana retrasada, mas achei que a oportunidade merece um destaque especial e o meu amigo Daniel vai adorar. Entre os TOP 20 do meu Grande Desafio de Espumantes e uma das melhores relações custo x beneficio. Só na Zahil.

algums outros rótulos, dos que estão em oferta e recomendo como ótimas dicas de compra são:

  • Domaine Conté Secleccion de Barricas Carmenére por R$32,00
  • Vila Regia Douro tinto por R$32,00
  • Cotes du Rhone Domaine la Soumade por R$69,00
  • Promoção compre dois e leve três do Tosca Chianti Colli Senesi 2006 (grande safra) que sai por R$39,33 a und.
  • Promoção compre dois e leve três do Le Orme Barbera d’Asti 2006 que sai por R$52,66 a und.

 

Vinci, Novidades com Dólar a R$1,49 – a Sofia, assessora de imprensa da Vinci, me envia esta comunicação que acho ser de interesse de muitos já que; melhores vinhos por melhores preços é essencial a nós apaixonados enófilos. A  importadora  acaba de lançar seu novo catálogo de vinhos e traz grandes lançamentos da Europa com dólar a R$ 1, 49 (vinhos acima de US$30 e algumas exceções – confira no site) até o final de ano além de novos vinhos de produtores já consagrados no Brasil. Entre as novidades, dois produtores da Itália. A Tenuta Fontodi é unanimidade na região de Chianti Classico, elaborando alguns dos melhores e mais emblemáticos vinhos da Toscana, seus rótulos de pequena produção colecionam prêmios da imprensa especializada, como 17 “tre bicchieri” acumulados no guia Gambero Rosso e 99 pontos da Wine Spectator para a última safra avaliada do supertoscano Flacianello, um vinho “sem palavras”, segundo a publicação.  O Chianti Classico 2006 recebeu 91 pontos de Robert Parker, mesma pontuação concedida pela Wine Spectator na safra 2007. O sofisticado Syrah Case Via 2006 (94 pontos de Robert Parker), obteve nota 95 da Wine Spectator, que descreveu o tinto como “maravilhoso e cheio de sabor”. Já o Vigna del Sorbo — ícone de Chianti Classico na atualidade — arrematou 95 pontos de Robert Parker na safra de 2006, confirmando a fama de um dos melhores vinhos de toda a Itália.

              O outro novo produtor italiano, Cavallotto, vem do Piemonte, onde elabora vinhos que combinam o melhor do estilo tradicional  — como fermentação em grandes “botti” de carvalho da Eslovênia — com técnicas modernas, garantindo vinhos clássicos, cheios de finesse e equilíbrio. O sofisticado Barolo Bricco Boschis mostra “fantástico equilíbrio e profundidade” para Robert Parker, que classificou a safra de 2005 com (90-93) pontos. O Gambero Rosso concedeu os máximos “tre bicchieri” ao Barolo e a “estrela de excepcional relação qualidade/preço” a três vinhos do produtor em 2009. O refinado Barbera d’Alba Bricco Boschis Cuculo, elaborado com uvas de vinhedos de mais de 50 anos de idade, é fresco, equilibrado e elegante, perfeito para acompanhar comida. O Dolcetto d’Alba Scot é um dos raros de vinhedo único, mostrando boa complexidade em um conjundo macio e de grande apelo. Segundo Robert Parker, “os preços dos vinhos de Cavallotto são bastante justos e os enófilos deve correr para comprar estas verdadeiras pechinchas”.

             Da região de Cahors, na França, chega o Château de Mercuès, com moderníssimas caves instaladas sob um dos mais belos castelos do séc XIII no sul da França. O Château dá origem a alguns dos mais surpreendentes vinhos do país elaborados com a casta Malbec, em um estilo bastante distinto do argentino. Os vinhedos, cultivados desde a época dos romanos, foram remodelados na década de 80, com plantações 65% mais densas que o padrão da região, o que dá origem a menor produção e uvas mais concentradas, perfeitamente maduras.

            Da Espanha, também chegam dois produtores. De extraordinário prestígio e fama quase mítica no sul do país, o Jerez La Ina produz vinho de grande elegância e tipicidade. Classificado com 94 pontos do Guía Peñin 2009 — que concedeu as máximas cinco estrelas pela excepcional relação qualidade/preço do Fino La Ina — o vinho foi descrito como “expressivo, rico, complexo e equilibrado”, um grande achado e uma das maiores pechinchas entre os vinhos espanhóis.  O denso Oloroso Río Viejo foi classificado com 92 pontos, com destaque para as “ótimas notas de Solera” do vinho. O Amontillado Botaina também foi muito elogiado, mostrando “muito equilíbrio e notas de frutas secas”. Os três vinhos foram classificados para o cobiçado “Pódio” dos melhores vinhos de Jerez do Guía Peñin, um feito impressionante. O rico Viña 25, um dos vinhos de sobremesa mais versáteis do mercado, é uma das maiores referências em Pedro Ximénez, mostrando grande complexidade. Os Jerez, secos e doces, são surpreendentes, combinando muito bem com a nova cozinha molecular e com inúmeros outros pratos.

              Da região de La Mancha, a novidade é a vinícola Mano a Mano, que em pouco tempo de existência se tornou uma verdadeira referência espanhola de um vinho delicioso e com excelente relação qualidade/ preço. O tinto é elaborado com uvas Tempranillo de vinhedos próprios e maturado seis meses em barricas de carvalho. Foi apontado por Robert Parker como uma das melhroes pechinchas da Espanha e recebeu 88 pontos do crítico na safra de 2007. Saboroso e cheio de fruta madura, é um vinho fácil de gostar, com um inegável acento espanhol.

OUTRAS NOVIDADES – Além das novas vinícolas, o catálogo de final de ano da Vinci também traz novos vinhos de produtores já conhecidos no mercado brasileiro. Um deles é o Sasso Al Poggio IGT 04 da italiana Piccini, um dos supertoscanos de melhor relação qualidade/preço da atualidade. Com 90 pontos da Wine Specator nas safras de 2004 e de 2005, o vinho é uma cativante combinação de Sangiovese, Merlot e Cabernet Sauvignon, descrito como “cheio e sedoso, com taninos que acariciam o palato” pela Wine Spectator.

           A espanhola O. Fournier lança Fournier 2004, uma obra prima de minúscula produção, que já se tornou um “novo clássico” entre os maiores da Espanha. Na safra de 2004, recebeu 95 pontos da Wine Spectator, que elogiou a combinação de “potência com um toque sedoso”. Um vinho de “soberba concentração” para Robert Paker, promete ser um dos mais cultuados rótulos da coleção de prestígio de O. Fournier.

APROVEITANDO – já que você vai fuçar por lá, minha dica especial é o excelente espumante Brédif Vouvray Brut, campeão do Grande Desafio de Espumantes tendo superado alguns bons Champagnes, sendo escolhido como melhor compra pela banca de degustadores devido seu ótimo preço, ao redor de R$86,00, um verdadeiro achado.

 

Chez Philippe e Maria Amélia juntos numa Tour de France – será dia 17 em Porto Alegre. Mais um evento para os amantes da enogastronomia que estejam por lá nesse dia.

 

Kits e cestas na Portal dos Vinhos – quase todas as lojas aproveitam esta época do ano para montar seus kits e cestas típicas da época. A Portal dos Vinhos não ficou para trás, eis algumas sugestões:

 

Melipal Malbec 2006 – esta é mais uma dica pessoal de um Malbec de primeira linha com um preço bastante convidativo. É um vinho que me agrada muito e que, lamentavelmente, deixará de ser importado pela Wine Company neste final de ano e meu amigo Santiago (gerente da Bodega) ainda não se definiu quanto a que caminho seguir. Uma pena, pois acho que este vinho produzido com uvas de vinhedos com cerca de 90 anos de idade localizados em Agrelo, uma das melhores regiões de Mendoza, é um achado pelo preço e tem sido alvo de diversos comentários aqui no blog. Por sinal, o Rosé também é muito bom. Pela mensagem que o Santiago me enviou, este vinho está entre os vinhos mais vendidos nos Estados Unidos pela maior loja virtual de lá, a wine.com. Vejam a lista completa e outros comentários aqui, mas não deixe de aproveitar esta dica, um belo vinho! Liguem para a Wine Company e aproveitem que ainda há garrafas disponíveis a R$55,00 e façam seu estoque, eu certamente o farei.

 

Kylix – Promoção em diversos rótulos, coisa que o Simon tem sempre na manga para atrair e fidelizar sua clientela, dos quais destaco dois que acho uma ótima pedida.

  • Ochotierras Gran Reserva Syrah 2005 (RP 91) – Envelheceu 12 meses em barricas francesas. Surpreende a elegância e potência deste rótulo. Os aromas de frutas negras, violeta e cacau são evidentes, no paladar o Syrah Gran Reserva é longo e concentrado, porém um pouco alcoólico devido à alta graduação. Recomenda-se harmonizar este vinho carnes de caça e grelhados.  Vinho de cor vermelho profundo com reflexos violetas. Predominam os aromas a frutas vermelhas framboesas que se completam com notas de frutos secos e chocolate. De R$ 85,70 por 79,00 e se comprar 6 garrafas fica em R$68,00 und.
  • Vila Antinori Toscana IGT 2004 (grande safra) de Marchese Antinori (ITA) – blend de  60% Sangiovese, 20% Cabernet Sauvignon, 15% Merlot e 5% Syrah, é um vinho de cor vermelho rubi intenso. Aromas de frutas vermelhas que lembram mirtilos e amoras, e notas de baunilha resultantes do processo de envelhecimento em madeira.  No paladar, é encorpado, com taninos macios e um final com notas de frutas vermelhas. De R$95,00 está por R$89,00.

Por hoje é isso, salute e kanimambo.

Espumantes – Sequência de Resultados do Grande Desafio

           Nem todos podem ser vencedores e, como numa prova atlética, tem dia que não é dia! O que ficou claro, porém, é que no geral os espumantes presentes a este Grande Desafio foram de boa qualidade, alguns ótimos. Como sempre acontece, alguns podem não ter estado bem no dia, outros estão muito jovens e, outros ainda, podem simplesmente não terem sido entendidos por mim e pela banca degustadora. Faz parte do processo.

         Como insisto em deixar claro, estes Desafios são uma fotografia do que aconteceu naquele dia, com aquela garrafa, naquele local e com aquele grupo de pessoas. Sem contar que a ordem de apresentação é aleatória o que, neste caso especifico onde diversos estilos e origens foram misturados, algum pode ter dado o azar de ter sido degustado logo a seguir a um dos bons champagnes. Fechar os olhos para todas essas variáveis é querer negar a realidade tentando trazer um processo binário para um mundo extremamente sensorial. Então, interpretemos os resultados com a devida parcimônia lembrando que estamos diante de um evento essencialmente hedonistíco. Altere um desses fatores da equação e, certamente, os resultados também serão alterados, mesmo que parcialmente. De qualquer forma, existem três ou quatro rótulos que farei questão de revisitar durante este próximo ano de 2010 para rever minha avaliação.

       No dia 1 de Janeiro deste ano, tomei uma resolução, tomar mais espumante e aprofundar meu conhecimento sobre estes deliciosos e festivos vinhos.  Um espumante faz a diferença e transforma qualquer hora em um momento muito especial, então decidi criar um montão de momentos especiais ao longo do ano, porque não celebrar todo o fim de semana? Acho que consegui cumprir essa resolução tendo compartilhado com os amigos essas experiências ao longo do ano e agora neste Desafio, mas vejamos agora como ficou a classificação do restante do embate:

Class.

Rótulo

Pontuação Preço Médio Prod/Imp.
21 Trapiche Extra Brut 84,50 35,00 Interfood
22 Valduga 130 84,42 65,00 Valduga
23 Casillero Sparkling Brut 84,08 75,00 VCT Brasil
24 Cremand Cuvée Plaisir Perlant (Alsace) 83,92 86,00 La Cave Jado
25 Moinet Prosecco Millesimato 83,42 65,00 Winery
26 Marrugat Cava Gran Reserva Nature 2004 83,42 75,00 Winery
27 Freixenet Cordon Negro 83,25 49,00 Preebor
28 Spumante Incontri Muller Thurgau 82,98 73,00 Vinea
31 Pizzato Brut 82,58 45,00 Pizzato
30 Bridgewater Mill Sparkling (Austrália) 82,58 78,00 Wine Society
29 Juve y Camps Gran Reserva Nature 2004 82,58 168,00 Peninsula
32 Marco Luigi Reserva da Familia 2008 82,50 30,00 Marco Luigi
33 Do Lugar Brut 82,50 32,00 Dal Pizzol
35 Dal Pizzol Brut Tradicional 82,50 44,00 Dal Pizzol
34 Incontri Prosecco VSAQ 82,50 97,00 Vinea
36 Cuvée Sylvain Brut 82,33 59,00 La Cave Jado
37 Villaggio Grando Brut 82,17 40,00 Villaggio Grando
38 Don Giovanni Brut Ouro 30 80,75 75,00 Don Giovanni
39 Irresistibile Brut (Portugal) 80,42 40,00 Sem Importador
40 Valduga Extra Brut Gran Reserva 2004 80,00 90,00  Valduga
41 Don Giovanni Nature 79,92 50,00 Don Giovanni
42 Trivento Nature 78,67 45,00 VCT Brasil

         Cada um da banca degustadora tem sua própria “verdade” e suas preferências que certamente pipocarão em seus blogs, mas este é o resultado da média.  Os meus top 10 foram, pela ordem; Champagne Zoémie de Sousa Marveille Brut / Brédif Vouvray Brut  / Cremant de Bourgogne Cuvée Jeaune Brut / Champagne Taittinger Reserve Brut / Champagne Piper-Heidsieck / Champagne Tsarine Cuvée Premium Brut /  Champagne Drappier Carte D’Or Brut / Chandon Excellence Cuvée Prestige / Cava L’Hereu e El Portillo.

         Ao longo do mês irei publicando posts com comentários sobre os espumantes desta segunda metade da tabela, sempre em grupos de quatro ou cinco. Uma última observação, no caso de empate em pontuação, o desempate se dá sempre pelo preço mais baixo, ok?

Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Atum e Rosé, que Deliciosa Harmonização!

Nem sempre consigo postar com a rapidez que gostaria e esta harmonização há muito aguardava uma oportunidade para aparecer aqui. É daquelas que acontecem surgidas de um momento especifico e que conseguem ser marcantes na vida da gente.

Fui com o Emilio (Portal dos Vinhos) para conhecer as instalações da D’Olivino, por sinal lindíssimas, e acabamos indo almoçar com o Marco no Philippe Bistro, que fica duas casas ao lado. O Marco, dono da D’Olivino e habitué da casa onde reinam seus vinhos, nos sugeriu uma entrada de  tartare de Salmão e como prato principal um Atum grelhado (selado) semi-cru com cogumelos e molho tarê. Coube ao Emilio a escolha de um vinho para acompanhamento, que recaiu sobre o Cariddi Rosato da Sicilia.

Muito boa a entrada de tartare de salmão, porém o atum estava estupendo, uma verdadeira delicia que já seduziu pelo visual no prato. O vinho, elaborado com Nero d’Avola, era muito bom, frutado, fresco, rico, boa textura com um corpo mais denso que o tradicional de vinhos rosés, deixando claro que era um vinho mais gastronômico. O Atum estava divino, no ponto certo, os cogumelos e o molho estavam perfeitos compondo um prato muito saboroso por si só. A harmonização dos dois, no entanto, catapultou sabores á enésima potência a ponto de, quatro meses depois, ainda me recordar das agradáveis sensações de prazer que me invadiram o palato. Para quem mora na região de Moema/Brooklin Novo eis aí uma bela pedida para fazer algo diferente em um ambiente aconchegante e aprazível que nos faz esquecer, mesmo que apenas por alguns instantes, que vivemos nesta zorra de cidade chamada São Paulo. Os dois ficam na simpática, bonita e charmosa Rua Normandia.

Salute e kanimambo