João Filipe Clemente

Roda, Roda, Roda …..

               Nada a ver com Chacrinha nem mudança de ano, até porque o encontro com a Bodegas Roda e seu diretor comercial de exportação, o simpático Gonzalo Lainez Gutierrez, realmente se deu no ano passado! Uma deliciosa degustação vertical do Roda  II, que desde 2002 simplesmente mudou para Roda Reserva. A Bodegas Roda (nome originado das primeiras duas letras do sobrenome de seus proprietários – ROtland e DAurella) da região de Rioja na Espanha, é uma vinícola com cerca de 160 hectares de vinhedos entre próprios (60%)  e controlados por eles, distribuídos entre 28 ecossistemas que variam entre 380 a 650 metros de altitude onde se encontram plantadas as cepas Tempranillo, Garnacha e Graziano, sendo três na Rioja Baja e os restantes vinte e cinco na Rioja Alta.

             Exportam 50% de sua produção (Suiça, Reino Unido, Russia, Alemanha, Estados Unidos e Brazil entre outros) e a filosofia é de elaborar vinhos mais modernos sem perder a essência e elegância dos vinhos da Rioja. A produção iniciada em 1992, gera três rótulos o Roda Reserva, Roda I e Cirsion , este último o seu mais importante vinho. A degustação vertical contemplou as safras de 1999, 2000, 2001 e 2002 , degustação esta que o Gonzalo batizou de Luzes & Sombras em função das características de cada safra:

  • 1999 – ano muito difícil com frio excessivo ao norte.
  • 2000 – ano médio com calor mediterrâneo.
  • 2001 – ano fantástico em que tudo deu certo.
  • 2002 – ano terrível em que quase tudo o que podia dar errado, deu.

A madeira, essencial aos vinhos da Rioja, está lá dando suporte aos taninos e acidez para produzir vinhos equilibrados e de boa guarda. A cada ano, escolhem os 17 melhores vinhedos, entre os 28 existentes, com os quais elaboram seus três rótulos. Porquês dos melhores 17, porque este é também o número de balseiros disponíveis na vinícola. Os vinhos são ótimos e cada  um deles apresentou características diferentes mostrando bem o impacto do clima de cada safra:

Roda Reserva  1999, na minha opinião já passando de seu apogeu mas ainda com mais um ou dois anos para ser apreciado, foi o vinho mais encantador de todos neste momento. Um vinho mais complexo, algo mineral, corpo médio com taninos de grande finesse e aquela personalidade muito característica presentes nos grandes vinhos da região, apesar de um pouco curto na sua persistência,  mostrando nuances tostadas e algo terroso. Meu amigo Emilio que adora vinhos de idade, iria se lambuzar todo com ele! Eu gamei e possui somente 13% de teor alcoólico totalmente integrado e equilibrado. Um estilo de Rioja que faz mais a minha cabeça.

Roda Reserva 2000, um vinho mais fechado tanto na nariz quanto em boca, mais denso com fruta mais presente e com maior intensidade. Um vinho que se mostrou bem equilibrado, sedoso, madeira e fruta bem integrados, concentrado, mineral mais presente com um final em que apareceram notas de chocolate, mostrando um estilo mais moderno do que o 99. Deve evoluir bem nos próximos dois anos.

Roda Reserva 2001, talvez o melhor vinho mostrando uma paleta olfativa de boa intensidade e bem frutada, muita complexidade, uma boca de ótimo volume, muito rico, longo, boa acidez  mostrando-se ainda algo viril porém com um toque de elegância que creio ser um exemplo claro do que a vinícola busca na elaboração de seus vinhos. Um ótimo vinho hoje, mas que com mais uns dois ou três anos de garrafa certamente mostrará melhor todo o seu glamour. Certamente o melhor exemplo da filosofia da Bodega conseguindo unir a modernidade e o clássico da região.

Roda Reserva 2002, muito bom, mas perde nesta comparação direta com seus irmãos mais velhos. Mesmo com a competência dos enólogos em ano tão difícil na Espanha, o vinho se apresentou menos intenso, mais ligeiro, taninos sedosos, saboroso, franco de menor complexidade e mais fácil de agradar desde já.

              Os vinhos são elaborados com um corte de Tempranillo, Garnacha e Graziano, de vinhedos com mais de trinta anos de idade, passando um mínimo de dezesseis  meses em barrica e vinte em garrafa antes de serem colocados no mercado. Ao todo, vinhos muito saborosos que nos deixam pensando como serão seus irmãos mais graduados, especialmente o Cirsion , um 100% Tempranillo elaborado com uvas de plantas especiais, mais antigas e escolhidas à mão. O Kit degustação (para você fazer seu próprio vertical), assim como toda a linha da Bodega, está disponível nas 40 lojas da Expand, seu exclusivo importador e distribuidor para o mercado Brasileiro.

Salute e kanimambo

Deuses do Olimpo 2009

          Era para ser dia 17 de Dezembro, mas não deu então optei por iniciar o ano divulgando a lista daqueles vinhos que não têm preço, são néctares excepcionais que tive o prazer e privilégio de tomar ao longo deste ano. Vinhos marcantes, inesquecíveis e extremante longos, tanto que me persistem na memória junto com aquelas outras divindades listadas em 2008. Todos excepcionais caldos abençoados por Baco que valem uma visita, nem que seja por uma única vez, tendo todos já sido devidamente comentados aqui no blog.

 

         Os Melhores de 2009, escolhidos entre os quase 1000 rótulos provados ao longo do ano, dentro das diversas faixas de preços que você já conhece, esses iniciarei a publicação após o dia 10 de Janeiro. Sei que serão 20 espumantes, já selecionados, mas o resto ainda estou compilando, porém acredito que deverei chegar num total entre 120 a 150 vinhos, incluída a lista abaixo. Os preços são estimados e atualizados (Dez. 09).

Rótulo Produtor País Região Importador Preço
Pago de Santa Cruz 03 Viña Sastre Espanha Ribera Del Duero Peninsula R$425,00
Chacra Cincuenta y Cinco, 07 Bodega Chacra Argentina Patagônia Expand R$297,00
Châteauneuf-du-Pape 04 Domaine Pierre Usseglio & Fils França Rhône Enoteca Fasano R$334,00
Protos Gran Reserva 2001 Bodegas Protos Espanha Ribera Del Duero Peninsula R$420,00
Viña Tondonia Gran Reserva 87 Viña Tondonia Espanha Rioja Vinci R$350,00
Reserva Especial Porto Branco 73 Quinta de Santa Eufêmia Portugal Douro World Wine R$330,00
Chinon Le Pallus 05 Domaine Pallus França Chinon/Loire Vinci R$325,00
Herencia Remondo la Montesa Reserva Selección Especial 01 Palácios Remondo Espanha Rioja Vinci R$170,00
Dehesa la Granja Selección 00 Grupo Pesquera Espanha Toro Mistral R$132,00
Quinta do Vesúvio Porto Vintage 2007 Quinta de Vesúvio (Grupo Symington) Portugal Douro Mistral Ainda Não Chegou. Sem preço.
Miramar Syrah 2005 Casa Marin Chile San Antonio Vinea R$200,00
Castello Del Terriccio 2004 Castello Del Terriccio Itália Maremma/Toscana Mistral R$450,00

         De acordo com a mitologia, existia ainda um décimo-terceiro deus de igual nível, Hades, que não vivia no Olimpo e sim em seu reino, o mundo subterrâneo. Não sei muito bem o que isto pode significar, mas me deu a brecha para incluir mais uma divindade como em 2008:

Viña Tondonia Branco Reserva 89 Viña Tondonia Espanha Rioja Vinci R$175,00

             Com a benção de Dionisos (Baco da mitologia romana, filho de Zeus), estas são minhas 13 Divindades Enófilas de 2009 representando os 12 Deuses do Olimpo mais “aquele outro”. Junto com esta lista de verdadeiros elixires dos deuses, os meus mais sinceros desejos de que a vida lhe possibilite tomar alguns destes rótulos neste ano de 2010, preferencialmente na comemoração de diversas novas conquistas. Muita saúde, muita alegria e um Feliz 2010 porta de entrada para a segunda década do segundo milênio!

Salute e kanimambo.

Hoje é o Primeiro Dia de Uma Nova Década, Bem-vindo!

         Uns acham que hoje se inicia uma nova década e outros, talvez mais binários, acham que não. Como acredito que “quem sabe faz a hora” eu declaro que hoje é o inicio da MINHA década e o ano de 2010 a porta de entrada, bem-vindos. Que os próximos dez anos sejam de fartura (de coisas boas) para todos. O momento para mudanças, caso se façam necessárias, de retomada de caminhos ou de traçar novas rotas com renovadas esperanças e energia é agora. Deixemos para trás o que já passou. Que as experiências e lições do passado sirvam somente para enriquecer as ações do presente nos motivando na busca de nossos objetivos futuros. Como diz a mensagem, hora de mudança de ritmo!

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Salute, kanimambo e uma maravilhosa nova década para todos!

Namastê – Feliz 2010!

                Recebi da amiga Cleide e me encantei com a filosofia por trás dos pensamentos e gesto, não resistindo a compartilhar com os amigos esta mensagem de paz e harmonia. Namastê meus amigos, que 2010 lhes seja especialmente frutífero. Muita Saúde, Serenidade e Sabedoria neste Ano Novo que se aproxima, o resto é conseqüência. Cultuemos a humildade, tem muita gente por aí precisando, e com ela o respeito por nosso próximo.

Salute e kanimambo por mais um ano!

Champagne ou Espumante?

       Os dois, mas a escolha depende muito da ocasião e da disponibilidade financeira. Primeiramente, no entanto, tenho que registrar a famosa frase de que; todo o Champagne é espumante, mas nem todo o espumante é Champagne! Sim, porque ainda se confunde muito os termos, então deixemos claro que Champagne são todos os espumantes exclusivamente produzidos nessa região demarcada na França sendo o resto; Cavas, Cremants, Sekts, Proseccos, Sparkling, etc., simplesmente conhecidos como espumantes. Se ainda restarem duvidas sobre o quê é o quê, clique aqui para  informações mais detalhadas.

      Pois bem, ainda não escolheu com que espumante vai comemorar este final de ano? Eu, se tivesse que fazer uma escolha hoje, certamente iria de Brédif Vouvray Brut (Vinci), um espumante francês do Loire que me surpreendeu nessa maratona de espumantes realizada nos últimos 45 dias. Qualidade de Champagne, tanto que bateu diversos numa degustação às cegas, com preço de espumante (abaixo de R$90) o que o tornou um dos meus favoritos tendo obtido uma relação Qualidade x Preço x Prazer díficil de bater e um de meus grandes achados em 2009. Entre todos os outros, se grana não fosse levada em consideração, mais dois estupendos néctares; o Champagne Zoémie de Sousa Marveille Brut (Decanter) e o Cremant de Bourgogne Cuvée Jeaune Thomas Brut de Louis Picamelot (D’Olivino). Algumas outras agradáveis surpresas, com preços bem acessíveis, que me entusiasmaram foram; Ponto Nero Extra Brut (Domno do Brasil), El Portillo Brut (Zahil) e o Barton & Guestier Chardonnay Brut (Interfood) espumantes que, a meu ver, entregam mais prazer pelo valor cobrado, isso em falar do Santa Julia Brut (Ravin), nosso grande campeão no quesito Custo xBeneficio. Todos esses e mais algumas ótimas opções, você poderá ver aqui mesmo no blog nos diversos posts já publicados sobre o Grande Desafios de Espumantes promovido em Novembro (foram um total de 66 rótulos provados entre os vários estilos). Tem Champagnes, espumantes Moscatel, Rosés, brasileirosdiversas outras regiões produtoras, e até uma lista de espumantes bons e baratos que recomendo.

        Se, no entanto, ainda estiver com duvidas, afora meu comentário de ontem sobre o Villaggio Grando Brut, uma saborosa novidade no mercado, eis mais quatro rótulos para você escolher, espumantes estes que se classificaram abaixo dos top 20 (já comentados), porém todos de muita qualidade que me agradaram e tiveram os seguintes comentários da banca degustadora. Quatro rótulos, quatro países, quatro blends diferenciados, porém a mesma satisfação, prazer e frescor.

Trapiche Extra Brut (Interfood) – uma das boas relações Custo x Beneficio do Desafio de espumantes e mais uma surpresa argentina no mercado, um verdadeiro achado. Desta feita um corte diferenciado elaborado com 70% Chardonnay, 20% Semillon e 10% de Malbec pelo processo Charmat longo em que permanece em contato com as leveduras por até 4 meses. Nariz intenso, muito perfumado, fresco, aromas de frutas cítricas com leves nuances de fermento muito sutis. Muito boa perlage, abundante e persistente, adorável acidez, equilíbrado, aguçando o palato e deixando a boca limpa e pronta para o que der e vier. Um ótimo espumante para abrir uma reunião ou acompanhar frutos do mar e ainda por cima tem um preço bem camarada, em torno de R$35,00. Com um formato de garrafa diferenciado, é um produto que deixa sua marca tanto no visual como onde mais interessa, no palato.

Freixenet Cordon Negro (Preebor) – este cava produzido na região de Penedés pelo método tradicional com as uvas autóctones da região Macabeo, Xarel-lo e Parellada, possui um nariz suave com sutis notas de padaria e algo citrico, cor palha brilhante com bolhinhas finas e persistentes. Na boca mostra-se bastante elegante e fino com a perlage “agulhando” a boca com muita delicadeza, ótima acidez, e um final bastante fresco e mineral. Preço ao redor dos R$49,00.

Bridgewater Mill Sparkling (Wine Society) – elaborado pelo método tradicional, é um corte clássico de Pinot Noir com Chardonnay e único representante australiano neste Grande Desafio de Espumantes. Nariz algo tímido onde aparecem aromas que nos recordam maracujá doce. Na taça uma perlage de muito boa qualidade formando um colar de espuma atraente que convida à boca onde se mostra mais cítrico com um toque mineral bastante interessante, cremoso e um final algo mais doce e fácil de agradar. Preço ao redor de R$78,00.

Moinet Prosecco Millesimato Brut 2007 (Winery) – diferente de seus pares mais comuns no mercado que são extra-dry, este é Brut e surpreende. Blend da uva Prosecco com um tempero de 10% de Chardonnay que lhe agrega complexidade, sem que lhe tire a classificação DOC. No nariz é uma explosão de aromas florais e tropicais em que se destaca o abacaxi. Na taça é espumoso, boa perlage, fina mas algo curta, boca gostosa, bom corpo, algo de frutas brancas como pêra e melão apresentando um final com algum açúcar residual.  Um dos bons espumantes Proseccos de categoria superior disponíveis  no mercado. Preço ao redor de R$65,00.

           Agora, está de bolso recheado e querendo comemorar para valer? Então sugiro visitar o blog dos meus amigos da Confraria 2 Panas que botaram para quebrar com alguns dos melhores Champagnes e o Evandro ainda cumpriu uma maratona de quase 100 rótulos! Clique aqui e aqui.  Se quiser acessar o importador para saber onde mais próximo de você estes espumantes estão disponíveis,  clique em “Onde Comprar” .

Salute e kanimambo

São Paulo de Férias, Eta Coisa Boa!!!!!

Da Granja Viana em Cotia, à Vila Mariana (altura do Hospital do Coração) em meros 35 minutos e um só farol vermelho, isso ás sete de la matina!!! Para quem não conheçe, um trajeto de cerca de 30kms que leva normalmente uma hora e, nesse horário, pelo menos uma e meia! Eta cidade porreta nesta época do ano.

Variedade Sobre a Mesa e na Minha Taça

         Se há uma coisa que me encanta nesta vinosfera, é a diversidade de sabores, cepas e regiões produtoras. Possuo meus “portos seguros”, mas sempre que posso me aventuro por mares não navegados na busca por novas experiências e sensações. Aliás, eis aí algo a ser pensado como diretriz enófila para 2010; navegar e aventurar-se mais, provar sem preconceitos, buscar sabores novos. Eis alguns desses vinhos que curti ultimamente e que achei valem a pena ser compartilhados com os amigos. São vinhos que tomei, gostei e recomendo aos amigos.

Teroldego 2005 – Produzido pela Angheben e distribuído em São Paulo pela Vinci, Vinho diferenciado produzido com uma cepa pouco conhecida no Brasil. Violáceo na cor, nariz de frutos negros em compota, algum chocolate e baunilha fruto de uma madeira bem aplicada que só ressalta e dá complexidade a um conjunto olfativo sem muita intensidade, porém muito elegante. Na boca é carnudo, ótimo volume de boca, equilibrado, taninos macios, rico com um final de boca muito saboroso invocando especiarias e algum tostado. Vinho gostoso para quem busca sabores e sensações diferenciada. Preço ao redor de R$59,00.

Barossa Valley Estate E-Minor Shiraz 2006 – Estilo: Varietal / Origem: Austrália / imp.: Wine Society – vermelho intenso com variações púrpuras e brilhante formam um visual convidativo na taça. Aromas de frutos negros com algo de especiarias típicas da casta compõem uma paleta olfativa bastante atraente. Na boca é muito sedutor, boa estrutura, frutado, fresco e elegante com taninos sedosos, muita riqueza de sabores, boa acidez, equilibrado com um final longo, mineral, levemente apimentado e apetecível. Um belo exemplar de shiraz australiano com um preço muito convidativo, ao redor de R$83,00.

Villaggio Grando Brut 2009 – o novo espumante desta vinícola situada em Caçador, Santa Catarina. Esteve presente no Grande Desafio de Espumantes que realizei em Novembro e nem rótulo tinha conforme pode ser visto pela foto. Como vieram duas garrafas e só uma foi usada no Desafio, a segunda me fez companhia neste almoço de Natal. Incrível a excelente perlage que, lamentavelmente, não consegui captar de forma adequada em foto. Intensa, abundante, tamanho médio e muito persistente formando um delicado colar de espuma na borda da taça e uma cor amarelo palha bem clarinho. Baunilha bem presente no nariz, frutos secos e algumas nuances de padaria de forma bastante sutil e delicada. Na boca mostra-se harmonioso, fresco com toques mais cítricos e bastante longo, muito agradável e apetecível tendo sido um ótimo “preparador’ do palato para os pratos que estavam por vir. Elaborado pelo método Charmat, é um corte de Pinot Noir com Chardonnay e Pinot Meunier (único no Brasil), uma ótima opção entre os bons espumantes nacionais. Na faixa dos R$40,00 na vinícola.

           Por hoje é só, mas amanhã tem mais. Falta pouco, estamos por terminar mais um ano e muita gente já está de férias. uns fazem o balanço do ano, outros preparam suas listas de objetivos e promessas para 2010. A todos um brinde especial, que no próximo ano consigamos cumprir mais objetivos e promessas. Que seja um ano melhor do que 2009!

Salute e kanimambo.

Quinta das Marias Garrafeira 2005, um Vinho em Dois Tempos

Momento 1 – A principio, um vinho de bom impacto olfativo com boa fruta madura, especiarias e um certo toque balsâmico, bastante convidativo. Uma entrada de boca muito elegante, sedutora e delicada que desandou daí  para a frente ao me travar a boca com sua potência de taninos ainda muito agressivos, álcool ainda muito presente (15%) mostrando-se algo rústico mesmo após uma meia hora de decanter. Certamente muito over para o bacalhau que tinha sido escolhido para sua companhia. Encostei o vinho e recorri a outra garrafa (outra estória para um outro dia), um ótimo branco encorpado que mesmo com seus 14% de teor alcoólico, na temperatura certa deu conta do recado. Cerca de uma hora e meia depois, voltei ao Garrrafeira  que já se apresentava melhor porém ainda “pegando” um pouco. Retornei o vinho para a garrafa usando um funil com filtro e, impressionante, a lateral do decanter (como a garrafa) era só borra! Garrafa devidamente fechada com vacu-vin e de volta para a adega.

Momento 2 – Almoço do dia seguinte, Ravioli recheado de mussarela de búfala e manjericão, molho de tomate e pernil assado. Tinha previsto um Chianti Clássico, mas me lembrei do Garrafeira já aberto que não poderia, de forma alguma, ser deperdiçado. Tirei-o da adega e voltei com ele mais uma hora e meia de decanter sobre prato com gelo para manter-lhe a temperatura. Mamma-mia, que chianti que nada!!! O vinho, finalmente, encontrara seu equilíbrio. Estava todo lá como o dia anterior, o olfato de fruta madura e especiarias, porém agora com um pouco de baunilha e nuances defumadas mostrando sutilmente as nuances de barrica e algumas notas florais provávelmente advindas de um bom porcentual de Touriga Nacional no corte. Na boca a mesma delicadeza e riqueza sem a agressividade do dia anterior que possibilitou desvendar algumas qualidades adicionais. Untuoso, denso, encorpado, taninos sedosos, ótima acidez e um mineral de final de boca longo que chama comida e compatibilizou maravilhosamente bem com o almoço. Bão demais da conta sô e uma pena que só tinha uma garrafa porque terminou rápido demais.

            Conclusão, um baita vinho de grande qualidade que me foi sugerido pelo Miguel da Garrafeira Nacional em minha visita de Abril passado a quem agradeço a indicação, mostrando que nem tudo o que começa mal assim acaba! Por um preço bem camarada, por volta dos 13 euros lá porque por aqui ainda não chegou, é uma grande opção de compra para quem quiser um vinho de guarda e não queira gastar muito. Um vinho de grande estrutura que pode ser tomado já, com paciência e trato como fiz acima, mas que deve evoluir maravilhosamente por mais três ou quatro anos antes de atingir seu apogeu. Agora fiquei curioso por provar o Touriga Nacional deles do qual terei que fazer uma encomenda a algum amigo que esteja por viajar a terras Lusas! Alguma boa alma se candidata?! (rs)

Salute, felizes festas e kanimambo.

Então é Natal, o que Você Fez?

           “Então é Natal e o que você fez? Mais um ano se passou e outro está por começar”, assim dizia John Lennon em sua “And so this is Xmas” com toda a sua riqueza lírica. E daí, o que você vai fazer nestes dias que não fez o ano inteiro? Porque é que na maioria das vezes, passamos o ano de forma egoísta olhando somente nossos umbigos e nossas necessidades sem estendermos nosso olhar a nossos semelhantes , de alguma forma, menos privilegiados?  Eu andava matutando sobre uma forma de transmitir aos amigos leitores uma mensagem natalina diferenciada quando recebi esta mensagem de uma amiga. Está tudo na mensagem que recebi, que mexeu comigo, e que agora retransmito para você como uma mensagem de reflexão. Clique para ver o video, vai aparecer um link, pode segui-lo sem medo.

já tinha escolhido um e-mail todo bonitinho cheio de efeitos de cor, bem natalino, mas recebi esta mensagem e a escolhi como a minha preferida. É nesta época que todos os nossos melhores sentimentos se sobrepõem as maus, que por muitas vezes nos dominam ao longo do ano. A palavra solidariedade é usada e abusada, muitas vezes só para fachada da alma que não é tão pura assim… Mas, ao vermos este vídeo (Demora a abrir mas por favor percam com ele um minuto) só nos resta pensar que pode haver um mundo melhor se olharmos para todos por igual e expandirmos nossos horizontes. Nunca vi uma interpretação tão maravilhosa como esta do “Imagine”. Se o John Lennon estivesse vivo estaria orgulhoso da beleza da sua canção tão emocionadamente interpretada… Uma lição de vida para nós que  estamos sempre a reclamar de tudo e de todos… Podemos sim realizar tudo, ou quase tudo, se tivermos vontade. Basta querer e acreditar.”

 [youtube=http://www.youtube.com/watch?v=BvF83NOoK38&annotation_id=annotation_803430&feature=iv]

           A mensagem está dada, mas isso só não basta, há que colocá-la em prática. Retransmita a mensagem e adote-a como um mantra, erga seu olhar para um pouco além da esquina de sua quadra e vislumbre um mundo que está por aí. Mais que isso; olhe vendo, ouça escutando, encare, haja, faça algo por alguém além daqueles que o cercam. Quando foi a última vez que você estendeu a mão a alguém sem segundas intenções sejam elas de cunho financeiro ou profissional? Eu sei que estou devendo! Neste Natal, fica aqui meu desejo de; mais amor, mais paz, mais alegria, mais saúde, mais solidariedade e participação, mais compreensão e tolerância, mais sensibilidade, mais ação, mais emoção e, especialmente, MENOS EXCLUSÃO!

        Obrigado Carmito por ter partilhado esta bonita mensagem comigo, sem contar que “Imagine” não é só uma uma canção, é um hino! Realmente é difícil não deixar escorrer uma lágrima de emoção pelo rosto e espero que os amigos leitores do blog gostem tanto como eu.

Salute e kanimambo a vocês que acompanham este blog. Um Feliz Natal a todos.

Namastê.*

Mezzo a Mezzo

          Não, não tem nada a ver com pizza, tem a ver com a postagem deste blog durante os próximos quinze a vinte dias que será meio errática. Tem as festas, as férias e tem, também,  uma série de acontecimentos pessoais no forno então está faltando tempo e meu foco anda meio disperso. Vou, no entanto, tentar dar uma certa sequência ás matérias que venho publicando. Hoje, uma série de dicas dos amigos blogueiros do vinho sobre caldos especiais tomados em 2009:

Álvaro Galvão (Divino Guia)–  Maiores destaques do ano de acordo com o amigo.

Claudio Werneck (Le Vin Au Blog) – eis alguns dos achados deste ano: Iniciemos pelos nacionais, algumas vinícolas que não conhecia que acredito que devemos ficar de olho:

Do Chile, os vinhos da Valle Casablanca, como:

Um francês:

 

O Maior Post de Vinhos do Mundo – Não sei se batemos o recorde, mas a ótima iniciativa do Alexandre teve uma participação bastante boa, mesmo que eu esperasse uma maior presença dos amigos blogueiros do vinho prestigiando esta iniciativa de quem nos abriu este portal chamado Enoblogs.  Neste post de grandes dimensões, quem participou enviando sua contribuição, eu incluso, tratou de falar de seus melhore de 2009 ou algum/s rótulos que se tenham destacado e marcado presença , deixando um rastro na memória. Vale a pena fuçar por lá pois existem uma porção de dicas e  rótulos interessantes a conferir.  http://www.enoblogs.com.br/blog/Default.aspx?BlogID=24

         É só por hoje. Amanhã minha mensagem natalina e depois dois dias de provável “dolce fa niente” aqui no blog já que estarei demasiado ocupado preparando a ceia aqui em casa e focado em outras prioridades.

Salute e kanimambo.