João Filipe Clemente

Fui Rever um Barolo e Descobri um Barbaresco

A convite dos novos importadores da Batasiolo no Brasil, a Ferace Distribuidora (ex-franquia da Expand) do Rio de Janeiro e seu distribuidor em São Paulo a Ravin, estive presente num agradável jantar no La Vechia Cucina de Sergio Arno. A primeira surpresa da noite estava á porta do salão, quando me deparei com o amigo e mentor de meus primeiros passos no mundo do vinho, o Ângelo Fornara que já algum tempo trabalha para os irmãos Dogliani, proprietários deste importante grupo produtor, que possuem um dos poucos sites de produtores internacionais com a opção do idioma português. Sempre bom rever os amigos e brindamos com um espumante delicioso que me encantou e seduziu por seu refinamento;  Batasiolo Método Classico Dosage Zero – Chardonnay (75%) com Pinot Noir vinificados em separado quando após cerca de 8 meses em tanques de aço, os enólogos decidem o cuvée mediante a assemblage dos dois vinhos com a segunda fermentação sendo efetuada em garrafa  como manda o figurino. A perlage é abundante, fina e persistente, ótima mousse, complexo, longo, muito frescor e seco na medida certa, um belo exemplar de espumante que, se o preço estiver bom já que ainda não chegou para comercialização, deverá estar nas prateleiras da Vino & Sapore.

Essas, no entanto, foram só as primeiras surpresas da noite, pois tinha mais por vir:

Chardonnay 2007, uma ótima companhia para um Tartar de Vitelo muito saboroso que demonstrou claramente o que ocorre quando a harmonização é perfeita, o ganho de sabor e êxtase é geométrico! Uma maravilha esta combinação, não só pela maestria do Chef, mas também pelas ótimas qualidades de um vinho muito bem feito onde os 6 meses de carvalho serve de aporte a uma paleta olfativa muito frutada e um palato muito balanceado, de bom volume de boca e boa acidez. Após os seis meses de barrica, passa ainda mais seis em garrafa. Muito agradável, um vinho elaborado com uvas da região do Langhe crescendo entre os vinhedos de Nebbiolo.

Babaresco 2006, me seduziu pelo nariz e me encantou no palato onde se mesclou maravilhosamente ao Risoto de Funghi com Fonduta de queijo Brie. Doze meses de carvalho em barricas de 750 ltrs, mais doze meses de guarda e afinamento na garrafa dão luz e brilho  a este vinho que encanta pelo nariz complexo onde aparecem nuances animais, tabaco, com notas terrosas e florais, até algo tostado. Na boca é vibrante, taninos suaves e sedosos, rico, estrutura e secura no ponto, sem exageros nem excessos, tudo no ponto tendo como resultado uma perfeita harmonia. Na minha modesta opinião, o vinho da noite e mais um que terá que fazer o caminho até a Granja Viana para se aninhar nas prateleiras da Vino & Sapore.

Barolo Corda della Briccolina 2003, derivado de um “vigneto” de apenas 1,63 hectares situado no território de Serralunga d’Alba no coração da região de Barolo. É um de meus Barolos preferidos da Batasiolo, o outro sendo o Cerequio, uma outra belezura. Já tinha feito uma degustação com os Barolos deste produtor há dois anos, tendo escrito uma matéria sobre o assunto. O mesmo 2003 que tomei na degustação anterior evoluiu de forma diferente e, não sei se para melhor. Está mais pronto, mas me pareceu que perdeu um pouco daquele vigor, mineralidade e frescor que me seduziu na primeira degustação, ou será que fiquei mais exigente e chato? Segue sendo um grande vinho, mas eu o tomaria agora até no máximo 2012, depois não sei.  De vinhedos com mais de 45 anos, passa por no mínimo 24 meses de carvalho francês resultando num vinho de muito bom corpo, mas fino e elegante que cresce muito com o tempo em taça mostrando um final aveludado e mineral, mesmo que sem o “vibe” de dois anos atrás.

Moscatel Tardio e Moscato d’Asti , dois vinhos brancos de sobremesa para acompanhar uma Panacota com Calda de Frutas Vermelhas e Gengibre. O Moscatel, mesmo que muito bom, ficou um pouco abaixo da panacota devido á ausência de uma maior acidez. Já o Moscato d’Asti Bosc Dla Rei, meu velho conhecido de cara nova, com uma acidez estupenda, algo frisante na entrada de boca, casou maravilhosamente com a sobremesa mostrando-se muito harmônico e vibrante. òtima companhia como sobremesa assim como aperitivo num encontro informal, chá da tarde (rs). Vai faltar prateleira!!!

Ótima companhia, ótimos pratos, belíssimos vinhos, como diz o amigo Didu, deve ser uma pé ser vendedor de parafusos! Como os ingleses dizem, “cant get much better than this”, mas ainda bem que em nossa vinosfera sempre existirá uma nova surpresa ao virar a esquina, mesmo que a mesma de sempre.

Salute e kanimambo.

Atração Fatal.

               Na semana passada dei uma passada na importadora  Grand Cru dos Jardins em São Paulo no final da manhã para tratar de assuntos inerentes à loja. Como tinha uma degustação ás 15 horas ali perto, optei por forrar o estômago por ali mesmo. Duvida cruel; D’Olivino, Le Vin Bistrot ou Paris 6? Ao passar na frente do Paris 6, duas moças recebiam a sobremesa nas agradáveis mesas da varanda e me deparei com este prato, digo taça!

 

              Hummmm, pensei já aguando, dessa taça eu preciso provar! Dei uma olhada no cardápio e dei de cara com uma opção de prato principal que me atrai muitíssimo, truta grelhada com amêndoas, irresistível!! Serviço simpático, sentei e perguntei se tinham garrafa pequena de vinho branco. Não tinham, mas poderiam servir taça de um Muscadet da região do Loire por um preço que, mesmo não sendo exatamente barato, caro também não era, então mandei vir. Delicioso, bem refrescado, era um Muscadet que conheço bem, o Sur Lie do produtor Le Haute Févrie trazido pelos amigos da Zahil e que certamente seria um companheiro perfeito para a truta que estava por vir pois é um vinho leve, delicado e muito harmonioso, daqueles que nos deixa pedindo mais, e mais, e mais, ….. Ciente que o preço não tinha me agradado muito, o maitre Silvano caprichou na taça com direito a “chorão”, legal. A salada estava ótima e daí chegou o peixe que não era truta e sim um bacalhau grelhado coberto de bom azeite. Não fosse o fato de que ninguém me tivesse avisado da troca, certamente uma boa pedida também. Chamei o Maitre que me disse que a truta não estava boa então o chef optou por substituir o prato. Legal, só que nesse caso, melhor ter em casa estoque de postas dessalgadas, pois esta quase não dava para comer. Enfim, levei até ao final, até porque o maitre para compensar seguiu enchendo a taça, rsrs, e a simpatia do pessoal assim o pedia.

              Erros acontecem, mas como sempre digo o que importa é como você os corrige. Neste caso, a simpatia do serviço e o bom Muscadet conseguiram me fazer querer voltar para conferir dando-lhes uma chance de se recuperar em minha avaliação gastronomica. O local também é muito agradável, então eis aqui uma interessante dica a ser conferida pelos amigos. Dei azar no dia, mas certamente o restaurante merece uma segunda chance, inclusive pelas boas criticas que li na net. Ainda saí e passei pela Pátisserie do Le Vin que é um capítulo á parte! Aqueles macarrons são um negócio e os doces de uma leveza e delicadeza impares. Ainda bem que não ando muito por aqueles lados pois as tentações são inúmeras!

Salute, kanimambo e não esqueçam do vinho, lembrando que bons brancos adequadamente harmonizados, vão bem em qualquer época do ano, não é vero Cristiano?

Ps. Ia-me esquecendo, a sobremesa estava divina!

Fotos meia-boca tiradas com celular, mas é o que tinha à mão!

Dicas da Semana

Semana de poucas dicas e alguns lembretes, mas vamos em frente.

Wine Day – Lembrando que amanhã dia 20 tem o Wine Day lá na Confraria do Queijo & Vinho na Av. Dr. Arnaldo (Sumaré) com a participação de diversos rótulos trazidos a degustação pelos importadores. Casa Flora, KMM, Adega Alentejana, Vinho Sul e Hannover Vinhos. Uma boa pedida para conhecer uma série de novos rótulos e comprar algumas garrafitas sem gastar muito.

Degustação – meus amigos Fátima e Emilio da Portal dos Vinhos anunciam mais uma de suas boas degustações comentadas com beneficio de compras no dia, vejam abaixo. Estas degustações são sempre de prima, então assino embaixo e desta feita teremos vinhos do Robert Mondavi.

Viagem com o Breno – é, é ele mesmo aquele que escrevia aqui quinzenalmente aos Sábados e que agora alça outros vôos. Desta feita ele se associou à Freeway Brasil para desenvolver viagens “enogastroculturais”, começando por esta ao Chile.

Vina Santa Marina – a Carmen me avisa que fechou acordo de representação e distribuição de seus bons vinhos da região espanhola de Extremedura, com a Maison des Caves fazendo seu debut agora na Expovinis. Gostei dos vinhos deles e, se os preços estiverem bons, certamente é uma boa dica para os amigos que estão por passar na Expovinis e posteriormente nas lojas da importadora, quem sabe até na Vino & Sapore?!

Expovinhoff e Expovinis – estão chegando, será uma semana que irá requerer muito preparo físico, muita ingestão de água e muita “cuspida”. É, pensar que passar dias tomando mé sem se precaver certamente trará graves conseqüências ao corpo e mente. Para os marujos de primeira viagem os excessos  são “normais”, mas evitáveis se forem tomadas algumas precauções. Sugiro ler esta matéria que publiquei no ano passado e está mais atual que nunca. Lembre-se, cuspir é parte do ritual de prova, mas faça-o digna e educadamente!

Wines of Portugal – nova bandeira da Viniportugal nomundo do vinho é apresentada com grande evento durante a Expovinis já que o Brasil é um dos grandes mercados para os vinhos lusos. Eis a matéria que a assessoria de imprensa da Viniportugal me enviou e que agora compartilho com vocês com minha última dica do do dia, não deixe de os visitar na Expovinis. Os vinhos portugueses são tudo de bom!

O evento, considerado o maior meeting do setor na América Latina, também será palco para o lançamento, no Brasil, da marca Wines of Portugal, rótulo de referência para reforçar, mundialmente, a qualidade e os diferenciais dos vinhos portugueses.  O objetivo do selo é elevar a percepção em relação ao produto, valorizando a sua complexidade, autenticidade, castas , terroirs e regiões.  Além da ViniPortugal, o projeto contou com o envolvimento do Instituto da Vinha e do Vinho, Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), Comissões Vitivinícolas Regionais (CVR) e várias empresas.

Uma das importantes vertentes do projeto é associar, cada vez mais, os vinhos portugueses com a modernidade.   Portugal atua hoje com metodologias enológicas entre as mais avançadas no mundo e uma grande e luxuosa oferta na área do enoturismo.  “ Fornecemos vinhos para todo o mundo – desde a América Latina à América do Norte, desde o norte da Europa ao Sul da África e Ásia. De norte a sul do país são produzidos vinhos diferentes dos outros países produtores de vinho.  Os vinhos portugueses apresentam sempre distinção, castas exclusivas e são essencialmente blends, o que os torna mais ricos”,  acentua a diretora da ViniPortgual para o Brasil, Sonia Fernandes.

Inovação, tradição, prazer, aromas e sabores envolventes, combinação de castas nacionais com internacionais, encontro de gerações, história, cultura, arte, paixão e diferentes sensações. Durante os três dias de evento, o público da Expovinis Brasil terá a oportunidade de desfrutar da carta variada e altamente qualificada de rótulos oferecidos pelo universo vínico português. Em destaque, vinhos premiados, elegantes, aclamados pela crítica e líderes de mercado, especialmente selecionados para agradar o também variado gosto do brasileiro.  Durante a feira serão apresentados o Sexy (Fita Preta Vinhos); o Medium Rich Single Harvest 1998 (Henriques & Henriques Vinhos); Herdade da Capela Reserva 2005 (Monte da Capela); Quinta Vale D. Maria 2007 Douro Tinto (Van Zellers XX/Quinta Vale D. Maria); Herdade Penedo Gordo DOC; Brutalis 2005 (Vidigal Wines S.A.); Sercial 1988 (Vinhos Barbeito – Madeira); Quinta da Fonte Nova Grande Reserva 2005 (Quinta da Fonte Nova); Glória Reserva Tinto 2007 (V.Leite de Faria); Cabriz Reserva 2006 (Dão Sul); XS 2006 (Soberanas);QPA Reserva 2005 (J. Pinto Leal Sociedade Agrícola); Vinhos do Porto Quinta dos Eirados (Quinta Santa Eufêmia); D. Matilde Reserva Tinto 2007 (D. Matilde); Miles Malmsey 10 YO (Madeira Wine Company), Grand¨Art Special Selection Touriga Nacional 2007 (DFJ),  vinhos do Alentex (EnoForum),  os produtos da Madeira representados pelo IVBAM (Malvasia, Boal, Verdelho, Sercial e Tinta Negra). Também estarão presentes as chamadas bebidas espirituosas produzidas a partir do vinho como a Bagaceira Aldeia Velha, Aguardente Vinica D´Alma XO e o famoso “ cognac” Macieira (Casa Macieira).    

               Ao longo do evento, o público também poderá saborear um pouco mais da história de algumas regiões do país e ficar a par das novidades do mundo dos vinhos de Portugal.  Apresentados pelo presidente da  Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo (ABS), Gustavo Andrade de Paulo, os Wine Walks serão um evento à parte no estande da ViniPortugal.  Foram preparadas três sessões, uma para cada dia da Expovinis, com os seguintes temas: Sinfonia de brancos e Viagem ao Douro, Castas portuguesas e Novidades de Portugal, Novas Estrelas Portuguesas e Vinhos da Madeira.”

Salute e kanimambo, uma ótima semana para todos.

Novidades

Tenho degustado muitos vinhos na busca por novidades em rótulos que possa disponibilizar na loja (Vino & Sapore) agora prevista para inaugurar no inicio de Junho e, espero, sem mais atrasos! O portfólio da loja terá a minha cara, ou melhor, a cara deste blog com produtos conhecidos, porém com uma ênfase em novidades em vinhos de menos exposição na mídia todavia mostrando ótima relação Qualidade x Preço x Prazer nas diversas faixas de preço que estou acostumado a comentar aqui. Será um lugar para os apreciadores fuçarem, levarem o que já conhecem e descobrir rótulos novos do mundo inteiro, ou quase. Para chegar nessa seleção de rótulos só provando e grande parte dessas degustações faço em casa tendo me deparado com uma série de ótimas e agradáveis surpresas. Entre as muitas garrafas provadas, alguns destaques como os portugueses Vale da Mina, Van Zellers Rosé, Quinta do Correio e Quinta do Valle Longo; o chileno Caliterra Chardonnay Reserva; o espumante brasileiro Ponto Nero Rosé; o argentino Filosur Torrontés e um surpreendente Lambrusco tinto que foi muito bem com um sanduiche de mortadela com pistache, tomate sechi e queijo prato, vibrante, barato e divertido!

 

         Ainda tinha, no entanto, uns vinte e cinco vinhos que pretendia provar. Uns de preço lá em cima e outros de preço lá em baixo, as extremidades das faixas de preço onde mora o maior risco de decepções. Tanto de um vinho caro não atender as expectativas como do vinho barato ser ruim. Optei por deixar os amigos enófilos e consumidores falarem por mim e foi uma tremenda de uma sacada. Primeiramente porque é importante a opinião de diversas pessoas cada uma delas com suas preferências e subjetividades e segundo porque é sempre bom reunir os amigos. Pois bem, a escolha do local recaiu sobre o melhor restaurante italiano da região da Granja Viana e arredores, o Emilia Romagna da Chef Carolina Napolitano devidamente capitaneada pelo maitre Wiliam com ajuda do Clayton e restante da equipe. O local é extremamente agradável, bem decorado e charmoso e possui uma cozinha de onde saem pratos deliciosos e bem servidos. Para acompanhar, uma boa carta de vinhos com vinhos de boa qualidade e preços muito justos, um restaurante verdadeiramente amigo dos enófilos e amantes da boa enogastronomia. Fica aqui a minha dica que vale não só para quem mora na região, pois é uma ótima pedida para quem está a fins de dar uma saidinha de São Paulo, especialmente nos fins de semana.

Pois bem, dos vinte e cinco vinhos provados, alguns vinhos de grande qualidade e outros nem tanto. O melhor vinho, em minha opinião, um magnífico syrah chileno I Latina, um vinho complexo e de grande categoria tendo como seu rival pelo topo da pirâmide, o Bogle Pinot Noir de Russian River Valley na Califórnia e o mendocino Arroba Malbec, um vinho de autor diferenciado e extremamente elegante na contramão dos potentíssimos e excessivos rótulos argentinos que se encontram por aí nessa faixa de vinhos topo de gama. Algumas outras surpresas muito agradáveis que surpreenderam pelo prazer gerado com preços baixos, foram os portugueses Terras de Cartaxo e Marques de Montemor, o espanhóis Pedrera Monastrell e Mesta Tempranillo assim como os chilenos Punto Final Sauvignon Blanc e o Terranoble Reserva Pinot Noir.

            Certamente uma bela experiência sensorial que me ajudou muito na escolha de alguns rótulos e eliminação de outros. Aos amigos enófilos presentes; Denise, Zé Roberto, Eduardo, Fábio, Marcel, Evandro e Ralph os meus mais sinceros agradecimentos pela presença e apoio, foi de muita valia, até porque todos entendem do riscado e são consumidores/garimpadores vorazes. Importante, a degustação foi aberta, mas os preços só forneci no final, depois que cada um já tinha dado suas notas!

Salute e kanimambo

Mais uma Dupla Ibérica na Taça.

                Vou fazer o quê? Parte escolha e parte obra do acaso, ou do destino, em dois fins de semana diferentes mais uma dupla Ibérica de peso. Cá entre nós, se pudesse e fizesse sentido comercialmente, mais da metade dos vinhos em minha loja seriam desta região. Tanto Portugal como Espanha possuem enorme diversidade e uvas autóctones de grande prestigio, ótimos produtores e, na maioria das vezes, vinhos de boa relação preço x qualidade quando comparado a outras regiões de história e tradição similares com rótulos do mesmo porte. Estes tomados não são dos mais baratos, pois se tratam de vinhos já conceituados, mas fazem jus ao que se cobra por aqui, considerando-se da realidade Brasileira. Quando comparado aos preços que pagamos lá fora, aí é outra conversa!

Domingo de Páscoa – tenho que reconhecer que sou um apaixonado pela Touriga Nacional, cepa que faz parte do blend de grande parte dos vinhos portugueses e é vinificado em varietal resultando em alguns dos melhores vinhos lusos. Para acompanhar o bacalhau escolhi este Só Touriga Nacional, velho conhecido, um rótulo produzido pela Quinta da Bacalhoa na região do Sado (Setúbal), uma visita obrigatória para quem vai a Lisboa, pois fica a apenas 40 minutos do outro lado do Tejo. Menos na mídia do que os grandes vinhos, este é um rótulo que me agrada muitíssimo e um de meus preferidos que sempre compro em minhas viagens a Portugal. Aliás, vai aqui uma curta dica de vinhos obrigatórios para quem lá vai que valem muito o que lá se paga já que não passam dos 12 Euros; Só Touriga Nacional /  Cortes de Cima Alentejo / Vila Santa Tinto / Quinta do Camarate / Post Scriptum / Quinta do Ameal Escolha Branco / Alvarinho Soalheiro / Grainha Branco, vinhos que costumam compor minha bagagem de retorno. Falemos, no entanto, do que bebi, do Só Touriga Nacional 2005. È um vinho que está no ponto certo de ser tomado e tenho visto que os varietais de Touriga Nacional crescem bem com tempo em garrafa, desabrochando e mostrando todo o seu potencial entre os 4 e os 6 anos, obviamente havendo vinhos que amadurecem bem mais tarde como, por exemplo, um Vallado ou Quinta do Crasto.

            Como disse, abri esta garrafa no momento certo. Um floral muito típico sobe da taça ao nariz trazendo-nos aquele aroma de violetas de boa intensidade porém delicado, mostrando também algumas notas de fruta vermelha compotada compondo uma complexa e agradável paleta olfativa que nos incita a levar a taça á boca. No palato mostra-se um vinho muito equilibrado, rico, ótimo volume de boca sem ser pesado, taninos finos e aveludados, rico, um final saboroso, longo e especiado que encanta e pede bis. Pouca garrafa para tanta gula e um perfeito acompanhamento para o Bacalhau à Braz que preparamos. Fosse de uma safra mais nova e seus taninos firmes se sobressairiam, mas este encaixou á perfeição e mostrou ser um lobo em pele de cordeiro já que, no meu conceito, é um vinho que surpreende e ás cegas certamente bateria um monte de rótulos mais afamados e caros. Após aquele maravilhoso champagne Mailly Grand Cru Blanc de Noir, um magnífico complemento para a primeira Páscoa com meu neto e uma digna celebração por sua chegada. Grandes vinhos, ótima comida e a companhia certa, receita para grandes momentos! O rótulo é trazido pela Portuscale anda na casa dos R$130 nas lojas especializadas.

Domingo Seguinte – mais uma celebração, a primeira visita de meu neto em casa. Lá fui eu para a cozinha preparar meu já tradicional Fetuccine com Salmão e Espinafre tendo como aperitivo polvo de caldeirada (esta em conserva) com um pãozinho italiano. O que acompanhar? Bem, certamente um vinho branco e pensei no delicioso Alvarinho Soalheiro que me aguardava na adega, mas aí caiu a ficha, porquê não algo diferente já que era um dia especial em que recebíamos um “convidado” para lá de especial? Busquei assim o presente que ganhei do Juan (Peninsula) quando do nascimento do Bruno, uma deliciosa cava, Juve y Camps Vintage Reserva 2006, estupenda! Mais uma vez faltou garrafa para tanta gula e a harmonização com ambos os pratos foi perfeita. Já tomei o Reserva da Familia Grand Reserva Nature 2004 deste mesmo produtor, por sinal também muito boa, mas tenho que reconhecer que para o meu gosto e para esta harmonização o Vintage 2006 se mostrou superior e desde já declaro que estará entre minha seleção de espumantes na Vino & Sapore.  Frutado (frutos brancos) no nariz com toques florais e nuances de brioche e leveduras sutilmente presentes. A perlage mostrou-se muito persistente, fina e abundante teimando em produzir estrelas no céu da boca. Bom corpo, cítrico, boa acidez, muito balanceado e agradável, crescendo muito com a comida e mostrando-se um ótimo companheiro de garfo afora se comportar maravilhosamente bem como aperitivo acompanhando umas tapas. É importado pela Peninsula e anda pela casa dos R$95 a 105 pelas lojas pesquisadas.

            Mais uma vez o Bruno iluminou o ambiente e me levou a tirar algumas preciosidades da adega que vieram alegrar o dia e dar enorme satisfação à família reunida em volta da mesa. Pena que ele ainda só tenha boca para leite, mas aguardo ansioso o dia em que tomaremos juntos a primeira taça.

Salute e kanimambo

For Sale!

         É gente, minha mesa da loja (Vino & Sapore) segue á venda! Antes que eu cometa o crime de a esquartejar e transformá-la em tampo de meu wine bar ou cinco mesas, o que certamente ocorrerá se não a vender nos próximos 15 dias, alguém aí se habilita? São cinco metros e setenta de madeira antiga maciça, recuperada de demolição e uma belezura.  Se alguém se habilitar, lembrando que as cadeiras não estão inclusas, contate-me via comentário que entrarei em contato.

Salute e kanimambo

Dicas da Semana

             Já conhece a Expovinhoff? Nome difícil, mas mais um evento a ser colocado na agenda e promovido por amigo e colega enoblogueiro. Tem a Expovinis chegando, tem Wine Day na Confraria, tem Wine Tour por Portugal, um pouco de tudo.

  • Dentro dos moldes das feiras paralelas que acontecem à Vinexpo e Vinitaly, a Expovinhoff aproveita a presença de jornalistas e profissionais do vinho de todo o Brasil e do mundo que estarão em São Paulo para a Expovinis e faz sua primeira edição em São Paulo, no dia 26 de Abril. O evento tem como objetivo estabelecer negócios entre produtores em busca de representantes no Brasil, estreitar o relacionamento dos importadores bem como os de produtores e rótulos por eles representados junto à profissionais do setor (supermercadistas, atendentes de delis, sommeliers, proprietários de restaurantes e chefs), jornalistas da área de vinhos e de outras editorias e consumidores finais. Além do espaço da feira, a Expovinhoff tem uma programação de palestras especiais. Veja:
  • 12 hs- Domaine l’Oustal Blanc – 5 estrelas Robert Parker na avaliação de vinícolas (pontuação máxima) 5 vinhos acima de 90 pontos RP e WS – palestra com o proprietário Claude Fonquerle – Sem importador no Brasil.
  • 12:30 Lídio Carraro
  • 13:00 Vinhos La Fortuna – Chile – MIB Importadora – palestra com a Importadora Maria Inês Bairão
  • 14:00 Viña Sucre – Chilean Premium Wines – importadora Wine Company
  • 14:50 Gloria Reynolds – Alentejo – importadora Casa do Porto
  • 15:20 Vinhos da Córsega – produtor: Alain Mazoyer – importadora Emporio Sorio
  • 15:50 Vinos de Tomelloso, A origem de Grandes Vinhos desde 1986 – Sem importador no Brasil
  • 16:20 Douro Family Estates – Palestrante Ana Pereira – importadores Anaimport e Santa Ceia
  • 16:50 Vinos Coloman – Os Vinhos da Terra de Don Quixote de La Mancha, O Maior Vinhedo do Mundo – Palestrante Mari Cruz Valero – Espanha – Sem importador no Brasil
  • 17:20 – Champagne Louise Brison – Palestra com a proprietária – Importadora Cave Jado
  • 18:30 Horácio Fuentes enólogo da Ventisquero apresenta os vinhos Grey, Vértice, Heru e Queulat
  • 19 hs Gianmarco Ghisolfi – Barolo Bricco Visette Tre bicchieri Gambero Rosso – Sem importador no Brasil
  • 19:30 Palestra com o enólogo José Correa, da Companhia das Quintas – Importadora Interfood
  • 20:10 – O Novo Mundo x O Velho Mundo – Palestra com Arthur Azevedo – Importadora Max Brands

               O horário escolhido também é uma novidade no Brasil e segue os padrões das feiras de negócios internacionais. Começa às 11 horas e termina às 21 horas no tradicionalíssimo Pandoro que fica na Av. Cidade Jardim 60, Jardim Europa, São Paulo. Para maiores informações, contate por e-mail o Beto Duarte (betoduarte66@terra.com.br ) ou a Fernanda Fonseca (fernandafonseca@propop.com.br).

Depois de aquecer as baterias com o Vinhoff, nos dias 27/28 e 29 teremos a tão esperada Expovinis. Será uma semana daquelas! Os parceiros Zahil, Ravin, Domno, Interfood e Decanter estarão apresentando uma série de novidades, haverá o lançamento do Storia 2006, vinhos da Sérvia e da Bolivia, estandes cooperativos como a da CVR Lisboa e CVR Alentejo de Portugal ou  da ACAVITIS (Santa Catarina) e IBRAVIN serão visitas obrigatórias. Enfim, três dias serão pouco para tanta coisa a conferir e outras tantas a garimpar. Eu vou com duas funções; a de comentarista/repórter do vinho e, agora, também a de lojista no garimpo por novidades que possam vir a compor meu portfólio no futuro, já que o da inauguração já está fechado. Haja cuspideira!

Wine Day – desta feita sendo realizado pela amiga margarida em sua simpática e bem diversa loja da Confraria do Queijo e Vinho no Sumaré, uma de minha dicas para o pessoal da região e com link fixo aqui do lado.

Programe-se:  Elaborado como jóia, um tour para descobrir e se encantar com o melhor de Portugal: Porto, Minho, Aveiro, Bairrada, Coimbra, Fátima, Óbridos, Évora, Sintra, Lisboa, são alguns dos pontos de parada desta viagem. Hospedagem em palácios históricos, visitas exclusivas, muita gastronomia, paisagens e vinhos. Tour personalizado e limitado a 20 participantes, então tem que correr já que não sei quantas vagas sobraram.

  • 14 MAIO  –  6a.feira – Porto Alegre/ Rio de Janeiro/ PORTO, voando TAP
  • 15 MAIO  –  Sábado – PORTO  – Visita a cidade do Porto e Vila Nova de Gaia, Torre dos Clérigos, margem do Douro, Avenida da Liberdade, com visita a cave em Gaia.
  • 16 MAIO –   Domingo – MINHO – Dia inteiro de visita a região do Minho e Vinho Verde. Camponesa, delicada, a região do Minho é a alma de Portugal. Os pequenos vilarejos, a qualidade dos vinhos brancos, as peculiaridades regionais, um passeio único.
  • 17 MAIO –  2a.feira –  ALTO DOURO . Visita a cave Adriano Ramos Pinto, umas das mais importantes marcas mundiais de vinho. Muito relacionada ao Brasil, é uma referência em marketing e história do vinho no Douro.  Logo após, passeio de barco pelo Rio Douro. Considerada a mais bela região vinícola do mundo, cuja paisagem é tombada como Patrimônio da Humanidade, vamos conhecer onde nascem as uvas do vinho do Porto. A cada curva, a beleza dos vinhedos que cobrem as montanhas, se revela fascinante. Ao chegar a Pinhão, visita na Quinta do Vale Dona Maria, uma adega do conceituado enólogo Cristiano Van Zeller, que elabora vinhos clássicos e únicos. Retorno ao Porto de ônibus.
  • 18 MAIO  –  3a.feira –  BAIRRADA | Saída pela manhã com destino a Coimbra. Parando no caminho em Aveiro, para provar os autênticos doces de ovos moles portugueses.   Aveiro é considerada a “Veneza” de Portugal; quase às margens do Oceano encanta pela beleza de seu patrimônio. Em seguida, partimos com destino a região da Bairrada: visita as adegas de Luis Pato (vilarejo de Anadia)* e Quinta do Valdoeiro (Cave Messias)*, na cidade de Mealhada. Almoço típico com leitão da Bairrada. (não incluso). Após, prosseguimos para  hospedagem em Coimbra.
  • 19 MAIO –  4a.feira – COIMBRA | City tour em Coimbra, uma das cidades mais importantes para a cultura e conhecimento mundial.  Berço da primeira Universidade do País e uma das mais antigas da Europa, é chamada de “Cidade dos estudantes” ou “Lusa-Atenas”. É também uma cidade de arte, possui 31 galerias. Visita a Universidade de Coimbra e o Museu Machado de Castro.
  • 20 MAIO –  5a.feira –  COIMBRA/  FÁTIMA/  ÉVORA | Saída pela manhã com destino a Évora, no caminho, parada no Santuário de Fátima, um dos mais importantes santuários marianos do mundo. Após, nosso destino é o vilarejo de Óbidos com parada para almoço.  Em 2007, o castelo desta cidade recebeu o diploma de candidato a uma das sete maravilhas de Portugal. Chegada no vilarejo medieval de Évora, com hospedagem em um palácio original, característico português, o Palácio dos Lóios.
  • 21 MAIO  –  6a.feira –  ALENTEJO | Dia para conhecer as melhores vinícolas alentejanas, como Cartuxa (Fundação Eugênio de Almeida)* e Herdade do Esporão*, nos arredores de Évora. Almoço na vinícola boutique Herdade das Servas, em Estremoz (www.herdadedasservas.com).
  • 22 MAIO  –  Sábado  – ÉVORA/  SETUBAL/ LISBOA  | Saída pela manhã com destino a Lisboa. No caminho, parada e visitação, com almoço exclusivo, na cidade de Setúbal, linda, litorânea e capital da região produtora dos clássicos moscatéis – vinhos de sobremesa. Chegada em Lisboa.
  •  23 MAIO – Domingo –  LISBOA  | Pela manhã, saída para city tour histórico conhecendo os principais pontos da capital lusa, com parada no Mosteiro dos Jerônimos e Torre de Belem. Tarde livre para passear pelas ruas de Lisboa.  
  •  24 MAIO  – 2a.feira – SINTRA, CASCAIS, COLARES | Litoral com arte e gastronomia: Passeio de dia inteiro a Sintra, Cascais e Colares. Um dos trechos mais famosos e concorridos da costa portuguesa. Reúne história, paisagens de praias e costões únicos.
  •  25 MAIO  – 3a.feira – LISBOA/  BRASIL | Manhã  e tarde livres. Em horario a ser combinado traslado ao aeroporto  para embarque com destino ao Brasil .

      No retorno, dois dias de descanso pois estarão certamente estafados, mas extremamente felizes e satisfeitos porque essa é uma viagem divina! O acompanhamento será feito pela enóloga e principal “ativista” das coisas do vinho no Sul do Brasil, a Maria Amélia Duarte Flores. Para maiores detalhes, contate-a pelo tel.:  (51) 9331.6098 ou mariaamelia@vinhoearte.com

Por hoje é só. Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

Fonseca Vintage 2007, o Vinho do Bruno.

                Acho que já comentei aqui que possuo uma pequena, mas boa coleção de Portos Vintage. Grande parte destas garrafas estão comprometidas com datas e pessoas. Tem as das datas de nascimento de meus filhos para tomarmos quando casarem, cada um tem outra garrafa para tomar com os irmãos quando completarem 50 anos, tem a do meu 35º aniversário de casamento, do meu sexagésimo de vida, e por aí afora. Pois bem, não sei se 2010 haverá vintage e se será um bom ano, então quis garantir que meu neto comemorasse seu trigésimo aniversário com um grande vinho. Que como esse grande vinho ele cresça e evolua com o tempo mantendo seu esplendor e saúde. Podia ser um Graham´s, um Quinta do Vesúvio ou um Fonseca, todos grandes vinhos, porém a escolha recaiu sobre o ùltimo. Os outros dois também se filiaram a minha adega, aproveitei bem a viagem recente a Portugal de onde também veio um incrível Santa Eufemia Porto Reserva Especial Branco 1973, porém estes terão outros destinos.

             Este Fonseca Vintage 2007 foi uma das estrelas daquela fantástica degustação de vinte e nove Vintages dessa incrível safra de Vinhos do Porto tendo o DOW’s  2007, outra das estrelas desta safra,  acabado de levar 100 pontos da Wine Spectator. O Dow’s e o Fonseca dividiram a premiação da revista portuguesa Wine – Essência do Vinho para o Melhor Vinho do Ano de 2009 ou seja, sem duvida alguma este Fonseca será um vinho que ainda vai dar muito o que falar e que me dará enorme prazer em tomar, até porque a companhia será muito especial. Ainda preciso pensar numa data para alocar um DOW’s! rsrs Será que precisa?

              Espero ainda estar por aqui para poder compartilhar do momento, mas certamente esse Fonseca Vintage será meu elo com esse dia e esse momento. Por outro lado, quem sabe não tomamos juntos quando ele fizer vinte e um?!

Salute, kanimambo e um belissmo fim de semana para todos.

Divindades Ibéricas

         Todo o ano publico uma lista de minhas Divindades que assumem um lugar entre os doze Deuses do Olimpo. Estamos longe do final do ano, porém alguns rótulos já mostraram que dificilmente deixarão de estar lá, entre eles o Champagne Mailly Blanc de Noir de que falei ontem, pois deixaram marcas que dificilmente serão esquecidas sendo, assim, vinhos de excecção, vinhos de enorme persistência na memória. Para se candidatar a entrar no Olimpo, o vinho necessita; ou de ser um grande vinho ou de despertar grandes emoções ou, melhor ainda, ser uma conjugação dos dois.

          Desta feita vou inumerar dois vinhos muito especiais; o primeiro português e uma raridade difícil de encontrar no mercado e certamente indisponível por aqui, e o segundo um Espanhol raro por estas bandas já que sua produção está sempre vendida com muita antecedência e a Peninsula conseguiu trazer algumas caixas este ano.

Tapada do Chaves – três blogueiros, 11 espumantes e para finalizar, dois belos vinhos, um deles inesquecível tendo ofuscado o também muito bom e mais “jovem”  Portalegre 1992 da Cooperativa desta região no Alentejo, terra do amigo João Pedro, foi o Tapada do Chaves Frangoneiro Reserva 1986, um Clássico Alentejano elaborado com Trincadeira, Grand Noir (baga?) e Castelão. Os parceiros de copo, gajos fixes e de grande gabarito enófilo, só engrandeceram este momento que espero não venha a ser único. Como falar sobre este vinho absolutamente inebriante? Gosto de vinho “velho” e, mesmo este já se achando numa trajetória declinante, mostrou muita elegância como um culto gentleman já de certa idade seduzindo-nos com suas estórias e experiências de vida. Ainda bem vivo apesar da idade, frutado, acidez presente e equilibrada, algo balsâmico na boca, aromas apaixonantes e convidativos, humos e tabaco bem presentes mostrando bem o terroir, enfim, uma dose tripla de êxtase engarrafada! Mais nariz que boca, mas daqueles vinhos absolutamente inesquecíveis e marcantes que nos encantam e seduzem de uma forma tal que perdemos o rumo. Da mesma forma que o Rui se agarrou aquela garrafa de Millésime da Miolo, eu me agarrei nesta, divino! Um vinho que vem demonstrar a grande capacidade de guarda de alguns vinhos do Alentejo, apesar do João ter nos confidenciado que uma outra garrafa aberta tinha ido direto para o ralo! Dizem que as novas safras estão longe dos vinhos que se faziam antes de 2000, não sei se é vero pois não conheço bem este afamado produtor, mas que eu não deixaria umas velhinhas dessas na prateleira, lá isso garanto que não! 

Carraovejas Crianza 2006 – trazido pelo Juan (Peninsula) numa visita que me fez aqui na Granja Viana para conhecer a Vino & Sapore, chegou fora de temperatura e fora de forma à mesa. Os vinhos deste produtor são cobiçados pelo mundo afora e há anos que o Juan e Javier buscavam trazer seus rótulos. Desta feita, devido á crise de 2009, conseguiram algumas caixas de dois rótulos, o Reserva já esgotado e este Crianza que certamente terá lugar de destaque em minha Seleção Especial do Enófilo (um canto com divindades que pretendo ter na loja). Pois bem, foi este vinho o protagonista do almoço, onde a comida do Ney (Pattio Viana, um marco do bairro), mesmo que boa, ficou em segundo plano sendo coadjuvante para um vinho que desabrochou quando atingiu a temperatura ideal. Café, chocolate, baunilha, couro, a complexidade é enorme tanto no olfato como no palato onde ele faz a festa. Bom volume de boca, taninos firmes porém de grande elegância, quase sedoso mostrando um grande equilíbrio, frutado com um final algo especiado, vibrante e rico, algum defumado, um vinho que encheu a taça e alma de alegria. Muito bom vinho, pronto agora mas que deve crescer muito com mais uns dois a três anos de guarda. Foto fraquinha, não fazendo jus ao vinho, feita com o celular.

Salute e kanimambo.

Champagne Mailly Grand Cru Blanc de Noir, Exuberante!

                 Eis aqui um espumante digno do meu pequeno Bruno. Nesta Domingo de Páscoa, iniciamos nosso almoço com um brinde especial a meu neto, á felicidade, á saúde e união da família abrindo uma garrafa que minha querida Karina me trouxe de Paris especialmente para este momento. Gente, existem vinhos que são realmente difíceis de serem descritos devido sua exuberância e impacto sobre nossas pupilas gustativas e este é um caso, um espumante que nos deixa sem palavras, literalmente boquiabertos enquanto nos deixamos levar pelo êxtase gustativo que mexe com nossas emoções. Champagne Mailly Grand Cru Blanc de Noir, elaborado com 100% de uvas Pinot Noir deste que é um dos únicos 17 Grand Crus da região de Champagne que espero, um dia, poder visitar.

Nariz que já desnuda o elixir que está por vir, não com estardalhaço, mas sim com sutileza e grande elegância deixando transparecer leves nuances florais, um brioche muito suave e um toque cítrico formando uma paleta olfativa complexa e de boa intensidade. Na boca segue o mesmo padrão mostrando-se de uma harmonia ímpar em que o todo é mais importante que as partes enchendo-nos de prazer e êxtase ao sorver o primeiro gole deste verdadeiro néctar abençoado pelos deuses. Frutado ( pêssego/nectarina) uma perlage muito fina e abundante que não termina nunca nem na taça nem na boca, cremoso, fino, muito looooongo e mineral! Já tinha gostado muito do Brut Reserve, mas este que pelo que sei o importador não traz, é excepcional e já é um de meus candidatos a tomar um lugar na minha lista anual de Deuses do Olimpo.

                Soberbo, delicado, sedutor e arrebatador, um espumante que quem tomou não esquece. Afora o incrível Comtes de Champagne 98 da Taittinger, de longe o melhor espumante que já tomei. Na Europa, o Mailly Blanc de Noir custa em torno de 30 a 40 euros, imperdível e um tremendo achado. Quem for a Paris não esqueça do Vô aqui!!!

Salute e kanimambo