João Filipe Clemente

Dicas da Semana

Semana de alguns eventos muito interessantes, alguns dos quais gostaria muito de participar, em diversos cantos do país.

Degustação Espanhola no Rio – A boutique de vinhos Confraria Carioca e o Celdom Gourmet promovem no dia 24 de junho às 20h a Degustação Espanhola com o melhor do país ibérico. O menu de entrada traz um dos pratos mais tradicionais dessa saborosa gastronomia,  a Tortilla Espanhola. Também os vinhos que serão degustados são de safras que expressam a riqueza e a diversificação dos conceituados rótulos espanhóis e suas bodegas, dentre os quais, o Protos Verdejo 2009 (Ribeira Del Duero), Dios Ares Crianza 2006 (Rioja), Hércula Monastrell 2005 (Yecla) e Obra Crianza 2005 (Ribera Del Duero). Para finalizar a noite será servido o Risoto de Chorizo Espanhol acompanhado do Perinet Mas Perinet 2004 – Priorato.

           O evento acontece no charmoso e aconchegante Celdom Gourmet, que fica no mezanino da própria loja, localizado no Rio Plaza Shopping, em Botafogo. As reservas estão limitadas a 12 pessoas. Mais informações através do telefone (21) 2244-2286.

Enopira e Adega Alentejana – esta é para quem é do interior de São Paulo, região de Piracicaba e arredores. O incansável Luiz Otávio promove um Wine Dinner com Açorda de Bacalhau e Bacalhau ao Forno regado com vinhos alentejanos no próximo dia 2 de Julho. Vejam só a lista dos rótulos a serem apreciados nesse que certamente será um saborosissimo evento:

  • Clementina 2006 – Alto Alentejo
  • Ponte das Canas 2007 – Alto Alentejo
  • Monte do Pintor 2006- Alentejo Central
  • Borba Reserva Rótulo de Cortiça 2005- Alentejo Central
  • Cortes de Cima 2007- Baixo Alentejo
  • Paulo Laureano Alicante Bouschet 2005- Baixo Alentejo

Tudo isso por meros R$100,00, uma baba para quem estiver por lá perto! Rua Mamede Freire nº 79, Piracicaba SP – Tel.: (019 ) 3424-1583 –  Cel. ( 19 ) 82040406 ou via e-mail com luizotavio@enopira.com.br. Vagas limitadas, então  ligue logo e reserve sua vaga.

Queijos & Vinhos em Porto Alegre – Curso Avançado de Degustação e Harmonização apresentado pela Maria Amélia Duarte Flores. Vinho é arte para observar, conhecer, degustar. São nuances, sabores, história. Imagine combinado a sua alma gêmea – um queijo de procedência, terroir. Um encontro informal, dinâmico, com linguagem fácil, voltado a quem aprecia enogastronomia e quer se aprimorar nestas combinações. Bate-papo e degustação comparativa de vinhos e provas de queijos, para entender estilos e diferenças.

Serão degustados espumantes, vinhos brancos e tintos e licorosos, como Porto e Sauternes. Será hoje, dia 21 de junho de 2010, das 19h30 às 22h . Enoteca Conte Freire/Bia Vargas Store Rua Des. Espiridião de Lima Medeiros, 156 . Três Figueiras – Porto Alegre RS. Valor individual – R$ 125,00 – (incluso palestra, vinhos, apostila, certificado, pães, tábuas de frios. Sorteio de brindes). Ligue para conferir se ainda existem vagas! Tel.:(051) 9331 6098 ou mariaamelia@vinhoearte.com .

Pote do Rei e Fundação Eugenio de Almeida – eis aqui um pitéu para o dia de hoje em Sampa, mas precisa ligar para conferir se ainda existem vagas.

Copa no Restaurante d’Olivino – De 11 de Junho a 11 de Julho este restaurante nos jardins, em São Paulo, homenageia a Grécia.

Salute, kanimambo e uma bela semana para todos.

Dois Pinots que Cabem no Bolso

             Quem adentra a vinosfera borgonhesa tem que saber que está se metendo numa seara difícil do ponto de vista de preço e relação custo x beneficio. Pequenas propriedades, grande demanda, complexidade, preços nas alturas e qualidade nem sempre o que esperamos. É a marca da Pinot Noir, uva de difícil trato que na mão de quem sabe produz maravilhas e em outras, …..bem, em outras deixa a desejar. Ainda bem que ainda encontramos algumas exceções à regras na região e temos a opção dos vinhos do Novo Mundo como alternativa. Provei e recomendo dois Pinots bem diferentes entre si que demonstram algumas das peculiaridades inerentes a terroirs bem diferentes, tendo em comum o fato de serem acessíveis e, a meu ver, entregarem o que se propõem entregar.

Chateau Dracy Bourgogne Rouge 2006, produzido por Albert Bichot que durante muito tempo foi trazido pela Expand e agora nos chega pelas mãos da Winebrands. É um pinot de estilo francês, delicado, vermelho rubi brilhante, levemente translucido,de corpo médio e muito agradável de tomar sendo uma bela porta de entrada para o complexo mundo desta cepa e região. No nariz, fruta madura e leves especiarias formam uma paleta relativamente simples, porém de boa qualidade e tipicidade. Na boca, taninos de boa qualidade já equacionados, finos e sedosos, equilibrado com uma acidez adequada, saboroso e fácil de se gostar num final de média persistência. Gostei, não é exuberante, mas dá conta do recado e vale o que pedem por ele, cerca de R$70,00, deve crescer com comida e este está no momento certo para ser tomado não devendo evoluir mais na garrafa.

Pacifico Sur Reserva Pinot Noir 2008 do vale do Curicó no Chile. Anteriormente trazida pela Wine Company, chega-nos agora pelas mãos da Berenguer Imports capitaneada pelo amigo Charlston. Um digno exemplar dos Pinots do Novo Mundo onde a tipicidade da Borgonha tem pouco espaço, até em função do terroir, mas tem a alma da cepa presente. Cor mais escura, um vermelho grenada, denso e uma paleta olfativa mais rica, intensa e frutada onde as frutas vermelhas se mostram mais presentes junto com uma presença herbácea destacada. Na boca mostra-se mais estruturado, também é mais novo, com taninos finos e aveludados, apetitoso e rico, vibrante, com um final de boa persistência com toques de especiarias. Em Sampa custa em torno dos R$65,00 e é uma boa alternativa de Pinots num estilo mais moderno e novo mundista.

                 Uma boa brincadeira, vinho também é diversão, é juntar uns quatro ou cinco amigos, comprar uma garrafa de cada e curtir essas diferenças que são o que fazem nossa vinosfera tão intrigante. A mesma cepa pode produzir vinhos totalmente diferentes pois as variáveis são enormes, tanto de terroir como de tecnologia e objetivos do enólogo que cada vez tem mais ‘mão’ sobre os destinos dos caldos elaborados. Minha dica para a região da borgonha é, mesmo tendo caixa, começar com os pinots mais básicos, prove diversos produtores e depois evolua gradativamente. Para a Pinot como um todo, a dica é a temperatura que deverá estar ao redor de 15º. Tome-o a 18 ou 19º e provará um outro vinho!

             Um ótimo fim de semana, espero que um jogo melhorzinho no domingo e nos vemos por aqui na semana que vem. Salute e kanimambo.

ps. uma outra indicação legal que cabe no bolso e é bastante interessante, é o Terranoble Pinot Noir, também do Chile e num patamar mais alto mas estupendo, o argentino Barda o mais borgonhês dos Pinots sul americanos. Cinco vinhos e diversos estilos, dá uma bela degustação!

Curiosidades do País da Copa II

               Você sabia que o ‘apartheid’ era uma política de segregação racial? Sim, se não esteve escondido em alguma gruta pelos últimos 40 anos, certamente saberá. Agora, você sabe que essa política não somente segregava brancos e negros? É vero, mas isso poucos sabem. No entanto, se virmos as placas nos bancos de praça e locais públicos, entre outras, vemos que o aviso é muito claro, Nie-Blanks ou Non-Whites. Ou seja, a segregação era entre brancos e não brancos sendo jogados nessa segregação, também os mulatos, indianos e chineses por exemplo, mesmo que em menor escala ou, digamos assim, com uma maior leniência para estes. Era a política dos Só-brancos!

              Politica institucionalizada pela maioria Afrikaner da população branca dominante, mostrava todo o xenofobismo de uma parte importante da população que se mostrava arredia a todos que não fossem Afrikaners, especialmente aos estrangeiros. Gregos e portugueses, por exemplo, eram meramente tolerados nessa sociedade, vistos como um mal necessário para melhorar o equilíbrio de brancos e negros no país. Hoje, graças a Mandela e outras lideranças negras e brancas, esse “satus quo” mudou e o país vive momentos especiais apesar das dificuldades encontradas.

           Existem hoje uma série de bons filmes sobre Mandela que mostram um pouco do que foi essa luta, porém minha recomendação para os amigos que se interessarem por conhecer um pouco mais da história deste belo país, é para que assistam a três filmes muito especiais; Biko, The Power of One (o poder de um jovem) e Sarafina, de onde pincei este vídeo com a musica tema “Freedom is Coming”. Muito ainda há por fazer, que seja feito em paz e respeito a todos. Colocar de lado feridas nem sempre cicatrizadas e apostar num futuro em que as memórias do passado e atrasos tribais não assombrem as gerações por vir, requer um esforço muito grande de todos. Que Mandela e seu legado, patriarca da nova nação, para sempre iluminem o caminho de fraternidade entre os povos. Não ao racismo de qualquer tipo, porque tanto faz de que lado venha a intolerância! A Copa do Mundo na África do Sul é muito mais que um evento esportivo, é o ponto máximo de demonstração da integração dos povos, bandeira maior a ser lembrada. 

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Salute e kanimambo.

Goats do Roam Red, um Tinto Jovial.

               Pela primeira vez participo da degustação/post tema da CBE, para os menos íntimos a Confrararia Brasileira de Enoblogs, que mensalmente, no mesmo dia, publicam seus posts sobre o vinho (s) de acordo com um tema pré-determinado por um dos confrades. Neste mês de Junho abriram uma exceção e aproveitando a Copa escolheram um tema extra para que os confrades comentassem nesta Quarta  dia 16 de Junho, dia de ressaca após um joguinho muito meia boca, e eu embarquei nessa viagem. Vinhos sul africanos, uma grande coleção de rótulos provados que os amigos devem explorar visitando o site dos Confrades que listo abaixo com os links. Deverão ser cerca de 31 rótulos diferentes avaliados e comentados, que certamente aguçarão a curiosidades dos amigos apreciadores de bons caldos. Eu certamente fuçarei muito, pois gosto de viajar por esta vinosfera atrás de novidades e sabores nunca dantes provados. Vamos á lista dos blogues:

Amando Vinhos / De Vinho em Vinho / Atlan Vitis / Azpilicueta / Bebendo com Os OlhosEnodeco / Blog do JerielDegusteno / Diário de Baco /  / Enoleigos / Escrivinhos / Gourmandise / I Vini Vinhos / Le Vin Au Blog / Nosso Vinho / O Avaliador de Vinhos / O Tanino / Pequenos Prazeres / Vim, Vinho, Venci / Vinho com Prosa / Vinhos de Corte / Vinhos e Vinhas / Vitis Vinifera / Viva o Vinho / Vivendo Vinhos / Tintos, Brancos e Borbulhas / Notas Etilicas / Vinho Para Todos / Le Vin Quotidien / Marcelo di Morais e espero não ter esquecido nenhum.

        Eis alguns rótulos, entre vários outros, que serão ou foram, acho que dei um fora na data e era ontem (15) postados, então há que navegar:

  • AVONDALE RESERVE MUSCAT  BLANC 2007 (Le vin Au Blog) 
  • ENGELBRECHT ELS 2007 (Notas Etílicas)
  • THE WOLFTRAP BLEND 2008 (Vinhos de Corte)
  •  NEDERBURG CABERNET SAUVIGNON 2008 (De Vinho em Vinho)
  •  RUST EN VREDE MERLOT 2008 (EnoDéco)
  •  SPICE ROUTE PINOTAGE 2008 (Blog do Jeriel)
  •  TRIBAL ESPUMANTE (Marcelo Di Morais)
  •  CLUB DES SOMMELIERS PINOTAGE (Amando Vinhos)
  • AVONDALE CHENIN BLANC (Pequenos Prazeres)
  • THE WOLFTRAP BLEND 2008 (Vinho para Todos)
  • GUARDIAN PEAK CABERNET SAUVIGNON 2007 (Nosso Vinho)
  • NEDERBURG TWENTY 10 DRY ROSÉ 2009 (Enoleigos)

              A minha escolha recaiu sobre um vinho que não visitava minha taça já fazia dois anos e mostrou que, mesmo de cara nova, preferia o rótulo mais clássico, o vinho continua sendo um belo achado mesmo que com mudanças no blend. Goats do Roam Red, que tem esse nome tanto por razões criativas já que o produtor também é criador de cabras e bodes, como para criar uma certa alusão aos vinhos de Cotes du Rhône já que é um blend de Syrah, Cinsault, Grenache, Mourvedre e Carignan, originárias das regiões de Paarl e Swartland na província do Cabo. A Goats do Roam Wine Company pertence ao grupo Fairview capitaneado pelo criativo Charles Back e produz além deste vinho alguns outros que hoje fazem parte do portfólio da Ravin.

                O vinho é franco, sedutor, produzido num estilo moderno com fruta vermelha (ameixa) abundante tanto no olfato como no palato, notas defumadas e um certo toque de anis. Na boca mostra-se  fresco, médio corpo, taninos equacionados e sedosos, macio e redondo, vibrante, fácil de gostar com um final de boca de média persistência e algo mineral com toques de especiarias que convidam á próxima taça. O 2005 possuía Cabernet e Pinotage o que lhe dava um pouco mais de corpo e estrutura, mas segue sendo um vinho muito agradável e saboroso para ser tomado jovem, entre dois a quatro anos de vida, enquanto ainda mantém essa personalidade jovem e sedutora por um preço que acredito seja bastante convidativo já que seus R$42,00 são bastante justos versus o prazer que ele nos proporciona. Como dica, sugiro servi-lo um pouco mais refrescado que o normal, mais para os 15/16º dos que os 17/18º.

Por hoje é só, amanhã tem mais Curiosidades do País da Copa. Salute e kanimambo.

Curiosidades do País da Copa

                 Você sabia que em determinadas regiões da África do Sul há 35 anos atrás o futebol era quase que herege? Como alguns sabem, sou de Moçambique, porém o que talvez não saibam é que estudei na África do Sul dos 11 aos 18 anos em colégio interno nas cidades de White River e Nelspruit na província que hoje se chama Mapulalang e naquela época era conhecida por Eastern Tranvaal.  Nesses tempos idos, tou ficando velho (rs), um abnegado grupo de estudantes portugueses e alguns poucos de origem inglesa teimavam em jogar a bola redonda, afora a oval, aos Domingos que era dia sagrado para a população Afrikaner, maioria na região depois da negra. Éramos perseguidos, acusados de matar a grama (note-se que jogávamos nos campos esportivos disponíveis na escola) e perturbar a paz do Domingo, dia de descanso e reflexão. Para jogar de forma organizada fugíamos da escola aos domingos para desafiar alguns dos diversos clubes de origem negra na região, até que finalmente as autoridades escolares se deram conta que não pararíamos e assumiram oficialmente o time, que por sinal era muito bom.

               Futebol oficial nas escolas, com campeonato, etc. isso só na cidade grande, Johannesburg e região. Lá, no ano de 1972, o time de Benoni Boy’s High foi campeão regional e ganhou como prêmio uma viagem ao famoso Kruger National Park tendo que passar por Nelspruit a porta de entrada para a região do parque. Ao sabermos de sua presença na região, não resistimos e os desafiamos para uma peleja que foi aceita. O resultado está no recorte de jornal que guardo até hoje, carimbamos a faixa dos distintos com um sonoro seis a dois sendo que grande parte do time saiu de um jogo oficial de rugby para o campo de futebol.

             Existia também um clube português na cidade, composto de adultos e adolescentes, onde alguns de nós também dávamos os nossos chutes, fruto de um grupo de amigos que começou a jogar junto no primário num muito distante 1967. Velhos e bons tempos, ótimas recordações e melhor ainda de ver que um esporte quase que herege na época, se tornou no segundo esporte mais popular no país e que, hoje, lá estréiam Portugal e Brasil num campeonato mundial. Que sejam especialmente felizes hoje saindo de campo com convincentes vitórias. Parte dos amigos nestas fotos estarão em Durban para o grande jogo do grupo, Brasil x Portugal e me convidaram para o Braai (churrasco), porém não dá e estarei lá somente em pensamento e com o coração dividido.

              Amanhã, a Confraria dos Enoblogueiros estará postando sobre vinhos Sul Africanos e vai valer a pena navegar por esse monte de blogues. Eu escolhi um Goats do Roam Red, corte do Rhône produzido no Cabo, de preço acessível e………., bem o resto você lê amanhã.

Salute e kanimambo.

Ps. quem me descobrir nas duas fotos dos times, ganha uma garrafa de vinho!

Dicas da Semana

          Semana seca  sem novidades porém com dicas de compra interessantes que merecem ser conferidos já que o frio aperta e um tinto vai muito bem nessas horas!

Expand, uma série de vinhos muito bons com preços interessantes:

  • Barda 2008, ainda ontem tomei um 2007 de minha adega e existem poucos Pinots tão bons no mercado, inclusive franceses, nesse preço. Este Argentino vale os R$98,00.
  • Chateau Jalousie 2008, um Bordeaux Superieure de que gosto muito e já comentei há algum tempo atrás aqui no blog. Por R$68,00 é uma ótima compra.
  • Olivier Leflaive Bourgogne Pinot Noir 2007, um bom pinot genérico do berço desta cepa. Interessante até para comparar com o Barda. Está ´por bons R$88,00.
  • Achaval Ferrer Finca Mirador 2206, um grande vinho de uma grande safra e um néctar que provei e gamei. Pena que não tenho bolso para tanto pois o vinho é espetacular. Para quem tem R$398,00 para dar por uma garrafa de vinho, recomendo!
  • Cava Marques de Monistrol Res. Especial, pra abrir um encontro de forma agradável sem gastar muito, R$39,80.

Rei dos Whiskys e Vinhos, lojas em Moema que consegue fazer alguns preços inacreditáveis em alguns vinhos. Recebi seu flyer e possui algumas coisas bem interessantes:

  • Terrazas Reserva Cabernet Sauvignon, vinho que não necessita apresentações, por R$59,99
  • Chateau Reynon, um bom Bordeaux que chegou a participar de meu Desafio de Bordeauxs por R$89,90
  • .Com, um Alentejano tinto que me agrada bastante. Não é nenhum blockbuster mas dá conta do recado é saboroso e tem bom preço, R$36,50.
  • Marquês de Borba Tinto, um clássico do Alentejo muito regular e difícil de não gostar, R$41,50
  • Caldora Yume Montepulciano de Abruzzo, um Italiano que vai muito bem com pastas regadas com molho de tomate. R$49,50
  • Vesevo Beneventano Aglianico, mais um Italiano barato que satisfaz plenamente, especialmente se acompanhando um filé à parmegiana. R$33,90

Por hoje é só, salute e kanimambo

Encontro Mistral 2010 – Uma Experiência Ímpar

          Dois dias são pouco para tantos néctares num evento que poderia se chamar; Mistral Wine Experience! Há poucos encontros de grandes produtores como este e a equipe toda da Mistral e sua assessoria de imprensa estão de parabéns pela organização, simpatia e eficiência. Uma pena que não pude estar presente na Terça, pois a cobertura do evento estaria mais completa, porém a Fispal me chamou e, mesmo sem o mesmo glamour, tive que comparecer. Tinha uma lista de 19 produtores a visitar o que obviamente se tornou impossível de fazer tendo, a muito custo, encarado nove!

Quinta da Pellada – Já começo por aquele que mais me surpreendeu e encheu olhos, olfato e palato de enorme satisfação fazendo aflorar emoções, muitas emoções! Para quem conhece, os meus amigos portugueses certamente sabem do que estou falando, uma coleção de néctares que deveria ser servida acompanhada de uma almofada para tomar de joelhos!

 

Vinhos espetaculares, um dos grandes produtores que fazem e honram o nome do Dão com galhardia. Entre os mais tradicionais vinhos de gama de entrada, os Quinta de Saes, muito bem feitos e com preço, no nosso triste contexto, bom, e os de topo de gama como Pape, Carrocel e Doda (corte do Dão e Douro), veio uma novidade, um estupendo branco tendo como protagonista a uva encruzado, o Primus 2009. Delicia, comprovando o fato de que esta cepa é origem de alguns dos melhores brancos produzidos em terras lusas. Todos vinhos excepcionais, mas provar vinhos de extrema elegância, riqueza de sabores, harmônicos, equilibrados e frescos mostrando sua aptidão gastronômica como o Carrocel, Doda e Quinta da Pellada Touriga Nacional elaborados com leveduras indígenas, é uma honra que, por si só, já valia a entrada. Tiro meu chapéu para o prorietário e enólogo Álvaro Castro e já coloquei mais alguns rótulos em meu wish list.

Pazo de Senorans, a albariño tratada com maestria e de forma diferenciada. Na Espanha o tradicional da elaboração com vinhos desta cepa, tende a ser feita com um bom estágio em barricas que lhe dá uma característica muito particular, mas não é o caso aqui. Neste caso falamos de uma apologia da fruta com o mais “básico” dos vinhos, Pazo de Señorans 2008, um vinho para ser consumido jovem, preferencialmente entre dois a três anos, passando por 20 dias “sur lie” e o resto o inox faz. Muito vibrante e alegre, cítrico, maçã verde, balanceado, muito bom. Já o Pazo Seleccíon de Anada 2002, é um vinho que tanto pode ser tomado jovem, quando apresentará uma determinada característica de maior frescor, ou em até 10 anos quando seus aromas terciários mostrarão uma outra faceta do vinho. Gente, 38 meses “Sur Lie”, engarrafado com estágio em bodega entre 12 a 18 meses antes de sair ao mercado! É de uma complexidade incrível com um frutado mais maduro (pêssegos, nectarina), guloso, certamente um dos melhores vinhos desta cepa que já tive o prazer de provar. Este 2002 vai para o pódio, um grande vinho branco.

Dr. Burklin-Wolff, um dos mais importantes produtores da região de Pfalz, vinícola familiar que detém algumas das melhores áreas de vinhedos de Riesling. Uma linha extremamente gratificante de se levar á boca e eu me encantei por três rótulos em especial.  O Riesling Qba Trocken 2006 que custa ao redor dos R$75,00 é um belo exemplo do estilo de Riesling que me seduz; boa intensidade aromática, mineral no ponto, sutil e delicado com um final de boca algo especiado e longo. Como gama de entrada, me surpreendeu! O Bohlig Premier Cru Trocken 2007 é muito bom, nariz mais tímido, porém cresce muito na boca mostrando-se muito balanceado. Agora, o Ruppertberger Gaisböhl Auslese 2002 (vinho de sobremesa) é de lamber os beiços e pedir bis em função de seu incrível equilíbrio de doçura e acidez com uma riqueza de sabores que encanta, maravilha!

Quinta do Vale Meão, um dos grandes produtores do Douro, colecionador de prêmios e pontuações altíssimas dadas pelos maiores experts em nossa vinosfera. Vinhos tradicionalmente mais encorpados e densos que precisam de tempo para mostrar todas as suas qualidades. Dizem que o Quinta Vale Meão 2000, seu primeiro vinho, está agora no topo de sua exuberância. Eu não sei, nunca o provei, mas tenho uma garrafa de 2001 que pretendo abrir no ano que vem, agora o 2007 está estupendo mostrando que esta safra no Douro é mesmo excepcional. Como nos Vinhos do Porto, o clima desta safra traz harmonia e elegância aos vinhos tornando-os mais amistosos desde já sem inibir a capacidade de evolução. Grande vinho e seu segundo rótulo, Meandro 2007, mostrou as mesmas características e custa um terço do preço. Podendo, compre e guarde o Quinta Vale Meão por uns quatro a cinco anos, mas aproveite o Meandro desde já!

Bollinger, um produtor de Champagne que dispensa apresentações, mas que minha boca não conhecia, eheh. São champagnes de outra categoria do que estamos habituados a ver por aí na faixa dos R$180 a 200,00. Muito mais complexos e envolventes, bom corpo com um volume de boca pouco comum, são mais caros, mas são especiais e até certo ponto exclusivos já que a produção é pequena para os parâmetros da região. Estupendo o Bollinger Special Cuvée, mas o Bollinger Grande Anné Vintage 1999 mexe com a gente de uma forma difícil de explicar, deixando marcas na memória que demorarão a sumir. Para ocasiões muito especiais e inesquecíveis, como ele!

Cazes, um produtor francês biodinâmico do Languedoc que voltou a casa depois de um breve período perambulando por outros lugares. Sou fã de seu Canon du Marechal , um muito agradável assemblage de syrah com merlot, mas o que me seduziu mesmo nesta prova foi seu Ambré 1996 um vinho doce fortificado com 15% de teor alcoólico que passa 7 anos em tonéis de 10.000 ltrs e parece um Porto Tawny envelhecido, um vinho que arrebata corações e finaliza uma refeição como poucos. Belissímo vinho!

Nativa, estava curioso por conhecer esta novidade da Mistral. Pertence ao grupo Santa Rita (Sta. Rita / Dona Paula e Carmen entre outros) e é um projeto totalmente orgânico com produção nas diversas regiões produtoras no Chile. O projeto é tocado pelo enólogo chefe Felipe Ramirez que aportou toda a sua experiência obtida na França trabalhando com um dos papas da Biodinâmica, Marcel Deiss. Gostei bastante do que vi e provei, os preços poderiam ser um pouco melhores até para poder divulgar mais este estilo de produção, em especial do Gewurztraminer 2008 que possui uma personalidade diferenciada, menos floral,nariz mais sutil, boca seca , mais voltado para comida do que para aperitivo. Um outro branco muito bom é o Chardonnay Gran Reserva 2006, surpreendentemente fresco para a idade. Passa 12 meses em barrica francesa, 20% novas, mas o vinho se mostra leve, sutil, bem frutado mostrando que madeira bem usada pode sim exaltar em vez de encobrir as qualidades de um vinho. O Cabernet Reserva é bastante interessante, mas seu grande vinho é o Nativa Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2006 muito equilibrado, macio, boa textura, um vinho que agrada sobremaneira.

Isole e Olena, uma vinícola italiana de fina estirpe, um dos mais importantes nomes da Toscana e um verdadeiro terremoto de sensações. Não sobra pedra sobre pedra, após provar seus seis vinhos, todos de grande qualidade.  Só o Chardonnay não me encantou, no resto, todos teriam amplo espaço em minha adega! A safra de 2006 na Toscana, tem muitas das características da de 2007 no Douro ou seja, vinhos muito elegantes fruto de um clima muito propicio para a produção nos vinhedos. O Chianti Classico com 12 meses em barricas de 4º e 5º uso tendo como protagonista a Sangiovese devidamente coadjuvada por 15% de canaiollo e o restante com diversas outras cepas autorizadas, é sofisticado, fino, rico e macio na boca, porém o Ceparello com 100% de Sangiovese e 18 meses de barrica é de cair o queixo, um lorde de fraque e cartola, boa estrutura, rico, complexo e imensamente longo. Espetáculo, escrevo e babo! rsrs. Na linha Colezione de Marchi, nome da família, um bom e agradável Syrah, mas o Cabernet Sauvignon rouba a cena com seu ótimo corpo, muito expressivo de seu terroir tanto que essa personalidade muito própria corria solta na boca dos convidas presentes que o haviam provado. Um grande vinho. De babar mesmo, o Vin Santo 2000 elaborado com trebbiano e Malvasia passando 7 anos em barrica. Para completar minha alegria e entrar em êxtase, só faltou um queijo Bleu de Bresse!

 

Livio Felluga, o Friulli em sua quinta essência! Magnificos vinhos brancos, um deleite para quem, como eu, é apaixonado por este estilo de vinhos. Todos muito frescos, equilibrados e ricos, tendo adorado o Friullano 2008 que possui uma paleta olfativa cativante e é vibrante na boca, seduzindo ao primeiro gole. Estupendo o Illivio Pinot Bianco 2007, 10 meses de barrica imperceptíveis, untuoso, equilibrado, fino e o maravilhoso Terre Alte 2007, blend de Sauvignon Blanc, Friulano e Pinot Bianco, complexo, grande finesse, balanceado, longo, inesquecível. Pena que não tenho bolso para estes vinhos, adoraria tê-los na adega e poder me deliciar com esses verdadeiros néctares de vez em quando. Baita experiência, somente viável num encontro destes!

           Magníficos, saborosos e marcantes momentos passados nestes dois dias em que pude comparecer. Vão aqui duas dicas; enviem o programa com guia de produtores antes pois isso ajuda na organização da visita e comecem umas duas hora antes. É muita coisa para pouco tempo, mesmo que se possa comparecer os três dias! Meus agradecimentos e parabéns à Mistral, Ciro e equipe, Sofia Carvalhosa  e Hyatt que se supera a cada evento desses.

Salute e kanimambo, agora é esperar 2012!

Viña Sastre na Ville du Vin

                       Faz já mais de uma semana que vinha ensaiando este post com minhas impressões sobre esse saboroso encontro que tive a convite dos amigos Juan e Javier da Peninsula, importador exclusivo desta conceituado produtor da Ribera Del Duero. Sim, este é mais um post sobre vinhos de Espanha, vinhos que quem não conhece deve colocar em seu wish list.

Falemos no entanto da Ville du Vin, uma das mais importantes redes multimarcas especializadas na venda de vinhos finos com diversas lojas em São Paulo e em Vitória. Recentemente estive em sua bonita loja do novo shopping Vila Olimpia, no bairro do mesmo nome na zona Oeste de Sampa, mas foi na sede da Vila Nova Conceição, onde também existe um bistrô, que a degustação foi realizada. O lugar é muito aconchegante e repleto de bons vinhos e muita diversidade, alguns deles verdadeiras preciosidades. Preços bons, ótimas promoções, um lugar que vale a pena visitar. Fica na Diogo Jácome 361, tel. 3045.8137.

                       Bem, mas vamos ao que realmente nos interessa, la bodega y  los vinos!  Considerando-se de onde vem, uma bodega infante nascida em 1992 em La Horra, vilarejo próximo a Burgos no centro da Ribera a cerca de 840 mts de altitude, zona muito fria. Projeto novo, porém de família vinheteira de ligações com a terra desde os anos 50. Com 57 hectares dos quais somente 47 ativos onde se plantam a Tempranillo conjuntamente com Cabernet-sauvignon e Merlot (três das seis cepas autorizadas pela denominação), produção orgânica (ainda não certificada) e uso de leveduras naturais, produz cerca de, apenas 300.000 garrafas ano com um total de 8 pessoas que acompanham as fases da lua no processo produtivo, seguindo importantes parâmetros da biodinâmica também. Operação enxuta que visa qualidade acima de tudo. Quem provar estes vinhos sentirá isso no palato! Provamos quatro de seus seis rótulos, um melhor que o outro, mas desde o “mais simples”, vinhos de grande qualidade e personalidade e claramente diferentes entre si. Digo isto, porque não é tão incomum assim provar diversos vinhos de um mesmo produtor e não conseguir sentir a diferença entre os produtos, numa forma meio padronizada de ser!

Viña Sastre Roble 2008, passa 10 meses em barricas de segundo uso e é elaborado com 100% Tempranillo colhido de vinhedos com idade entre 17 e 30 anos. Surpreendentemente macio e de taninos finos já equacionados, muito saboroso, equilibrado, boa persistência, um vinho difícil de não agradar que tem sido muito elogiado em um dos restaurantes em que o coloquei na carta. Ótima opção de gama de entrada com boa relação custo x prazer, estando no mercado por volta dos R$80,00.

Viña Sastre Crianza 2004, de uma grande safra na região, em podendo é vinho para se comprar de caixa e uma das melhores opções de crianza no mercado, passando 14 meses em barricas novas de carvalho francês . É de lamber os beiços, mas falemos dele. Não é um degrau acima do roble, é uma escadaria e olha que o roble já é muito bom! Produzido com uvas de vinhedos entre 20 e 60 anos de idade, mostra-se muito complexo tanto no nariz como na boca numa harmonia digna de elogios.  No palato uma riqueza de sabores ímpar, boa textura e volume de boca, fruta madura, terroso, taninos aveludados de grande qualidade ainda presentes dando-lhe estrutura, boa acidez e um final longo com toques minerais que pede bis. Outros melhores estariam por vir, mas este fez a minha cabeça e me seduziu. Para quem gosta de pontuação, este está no Guia Penin com 91 pontos e custa ao redor de R$130 no mercado, valendo cada tostão! Difícil encontrar outro crianza por esse preço que gere este nível de prazer, pelo menos dos que eu já provei.

Pago de Santa Cruz 2004, entre os quatro, talvez o vinho mais “másculo” dos quais são produzidos tão somente 15.000 garrafas anualmente. Elaborado com tempranillo de videiras com mais de 70 anos advindos de uma só parcela localizada numa colina da propriedade, é envelhecido em barricas novas de carvalho americano onde permanece por 18 meses e mais um período em garrafa antes de sair para o mercado. Já comentei este vinho anteriormente e só veio confirmar todas as minhas primeiras impressões, um grande vinho que consegue mesclar bem potência com elegância, encorpado, musculoso, com grande volume de boca, untuoso e carnudo, taninos aveludados, terroso e um final em que aparecem especiarias e frutos negros com enorme persistência. Um vinho de primeiríssimo nível com preço na mesma linha, cerca de R$420,00.

Regina Vides 2001, se o pago é o vinho “másculo”, este é seu oposto, o mais feminino dos vinhos provados, e que vinho! Somente são produzidas cerca de 6.000 garrafas ano com uvas de mais de 90 anos cultivadas em três parcelas. Fermenta em inox e depois faz a malolática em barricas novas de carvalho francês de primeiro nível. Paleta olfativa complexa, porém com maior destaque para suaves especiarias, fruta madura e algo de baunilha. Daqueles vinhos para sentar e curtir nas calmas, vinho de reflexão, profundamente elegante e fino, frutado ( no nariz é mais compotado do que na boca) grande equilíbrio entre taninos sedosos e boa acidez, rico e um final mineral que seduz. Para quem pode, preço ronda os R$990,00, um grande vinho de uma das melhores safras espanhola de muitas décadas e tendo a acompanhar Parker e Penin que lhe deram mais de 92 pontos.

                  Tenho um cliente que diz não gostar dos vinhos da região do Douro/Duero. Creio que ainda terei que lhe oferecer um Viña Sastre Crianza às cegas! Grandes vinhos que merecem um espaço em sua adega e na sua taça, na minha já estão. Ah, você pergunta, mas se são todos tempranillo porque produzem Cabernet e Merlot? Boa pergunta que não fica sem resposta. Para elaborar o vinho top da bodega, o Pesus, um dos principais vinhos espanhóis da atualidade o qual ainda não tive a oportunidade de provar, sendo rótulo para um publico muito limitado. Pouquíssima produção, qualidade excepcional e um preçinho que é de doer, inclusive lá!

Salute e kanimambo

Encontro Mistral – Direto do Front

Primeiro dia deste importante evento realizado a cada dois anos e tempo não só de rever alguns quantos vinhos e pessoas, como navegar por mares nunca dantes navegados atrás de novidades e aquele rótulo especial perdido atrás de outros mais reluzentes. Foi um dia cansativo, até porque uma evento desses precisaria de pelo menos mais umas quatro a cinco horas, mas devo voltar na Quarta, então certamente registrarei outras descobertas. Falemos do dia de hoje!

               Não estava nos meus melhores dias, até a câmera esqueci, mas deu para sentir o clima, rever amigos e já fuçar alguns interessantes rótulos que merecem destaque. Não fui com o objetivo de provar os grandes vinhos, mas sim de buscar vinhos de qualidade com preços camaradas. No entanto, difícil não colocar na taça algumas preciosidades, ao fim e ao cabo estamos no Enontro Mistral!

Cá del Bosco – que Champagne que nada! Depois de provar este Franciacorta Cuvée Prestige Branco, blend de 75% Chardonnay, 15% Pinot Noir e 10% Pinot Bianco, cortado com lotes reserva de safras anteriores e 28 meses sur lie, me pergunto do porquê comprar os Chandon, Veuve Cliquot e outros champagnes básicos disponíveis no mercado? Mais caros e não chegam aos pés deste estupendo espumante que anda, pela taxa cambial vigente, algo em torno de R$170,00. De tirar o fôlego, mousse e perlage de encantar os olhos e na boca só estrelas, imperdível. Mais uma, não deixe de provar o tinto Curtefranca 2005; um blend bordalês em  75% cortado por 25% de Nebbiolo e Barbera!  O preço não é dos mais competitivos, por volta dos R$130, mas é um vinho que desperta nossos sentidos e mexe com nossas emoções, muito bom. Grazzie Bruno!

Mas de Daumas Gassac (Languedoc) e sua bonita e simpática diretora Victorine Babé que fala um português bem legal. Uma linha básica bastante interessante, especialmente o Moulin de Gassac Syrah 2008 e Guilhem Rouge 2008, ambos vinhos de boa qualidade para o dia a dia, saborosos e frescos, leves, taninos macios, fáceis de se gostar tanto na taça quanto no bolso já que custam ao redor de R$40/42. Agora, seu Daumas de Gassac Rouge 2008 é um grande vinho e, do jeito que gosto, complexo fruto de um assemblage de 80% Cabernet e o restante um “pout pourri” de 20 cepas entre elas Tannat, Malbec, Tempranillo, Pinot Noir, um verdadeiro vinho de influência globalizada. O preço segue a complexidade do vinho, algo em torno de R$200.

Castello di Montepó/Jacopo Biondi Santi, sem grandes comentários, todos seus vinhos são de muita qualidade, inclusive seu mais básico, o Braccale Rosso Maremma 2005 que custa algo em torno de R$78,00. Excelente  o Morellino di Scansano Riserva 2000, um baita vinho porém foi com o Sassoaloro 2005 que me entendi melhor . Vinho de muito boa estrutura, rico, taninos aveludados mas firmes ainda mostrando garra para encarar um bom par de anos. Preço ao redor de R$135,00.

Paolo e Noemia D’Amico, tendo como anfitriã a simpática Noemia D’Amico que, para nossa surpresa, é brasileira! Com produção numa região pouco conhecida, a de Lazio, o forte são seus brancos, entre eles os charconnays e, em especial, o Calanchi di Vaiano 2006 (cerca de R$85) que passa tão somente um mês em barrica para mero afinamento e que está delicioso e muito bem balanceado. Surpreendeu o fato de que o Falesia 2006 que passa 12 meses em barrica tinha básicamente a mesma cor do Calanchi! Muito bons e vale a pena encostar por aqui um tempinho.

Quinta da Lagoalva, nos traz a nova safra (2009) do Castelão/Touriga Nacional que é um vinho sedutor e que se mostrou em ótima forma, boa relação Qualidade x Preço x Prazer com seus cerca de R$45, melhor ainda quando o dólar vai para os R$1,75! Já o projeto de seu Late Harvest que comentei aqui, chega finalmente ao Brasil com apenar, repito, apenas oitenta e poucar garrafas. Está estupendo, rico e muito bem equilibrado é uma delicia na boca, sedutor e conquistador, mas o preço acompanha a limitada disponibilidade, cerca de R$153. Se disponível, não deixe de provar.

Vallontano, nasce um dos grandes goleiros do Brasil, apesar da idade, o Luis Henrique Zanini! Brincadeiras á parte, foi no ano passado que pela primeira vez na mídia, eu publicava foto de seu mais recente lançamento, o espumante rosé. Desta feita ele lança sua obra prima, um espumante muito especial que será interessante colocar às cegas contra outros graúdos no mercado. É o LH Zanini Extra Brut 2008, um senhor espumante com jeito de champagne. Só 2500 garrafas produzidas, 24 meses de autólise e sem uso de licor de expedição. Não deixe de provar!

Masi Tupungato, o projeto da Italiana Masi em terras mendocinas onde tem plantados os únicos vinhedos de Corvina neste canto do mundo, 140 hectares para ser exato.  Usando a Corvina pelo método ripasso (com a secagem das uvas) eles fazem uma segunda fermentação quando é adicionada a Malbec, nascendo assim o Paso Doble 2007, vinho saboroso, macio e fácil de se gostar e hoje em torno de R$38,00 o que é uma das melhores opções nesta gama de preços. Gostei bastante também do Paso Blanco 2009 um Torrontés que leva um corte de Pinot Grigio tornando o vinho muito balanceado e fresco, próprio para frutos do mar grelhados ou aperitivo e custa só R$35,00 ou próximo disso.

Para finalizar os que mais me marcaram ontem, não poderia deixar de mencionar a visita à Família Symington sempre muito bem representada pelo João Machete Pereira e Dominique Symington. Graham´s, Altano, Quinta de Roriz, Malvedos, DoW’s, Quinta do Vesuvio, Blandy’s Madeira e outros mais, este grupo produz qualidade e os prêmios internacionais só comprovam isso. Os Portos Vintage 2007, boa parte dos quais tive a oportunidade de provar e alguns estão neste Encontro, tiveram pontuação de 100 pontos, 99, 97, 94, ou seja um ano que mais do que de Vintage Clássico, mostrou ser um Ano Symington, não teve para ninguém! Minha paixão por seus vinhos é declarada e conhecida, então que tal conferirem se eu tenho razão para isso? Do mais básico Altano Douro, passando pelo delicioso e fino Altano Biológico, Prazo de Roriz e Quinta de Roriz Reserva com sua riqueza e mineralidade ímpares e sedutoras, aos novos vinhos tintos da Quinta do Vesuvio e o estupendo Post Scriptum o melhor “2º vinho” que já provei, é só alegria. Depois, antes de ir embora, não deixe de finalizar com seus deliciosos Portos Tawny envelhecidos e Vintages 2007 disponíveis. Só isso já basta! Tem mais no entanto, tem um posicionamento de preços muito interessante com seu Altano básico custando por volta dos R$42,00, um Prazo de Roriz e Altano Biológico por volta dos R$65,00 e o Post Scriptum e Pombal do Vesuvio por volta dos R$104,00. Imaginem então se a taxa voltar para comedidos R$1,75 a 1,78!

Salute e na Quarta retorno com câmera para colher imagens e mais sabores neste incrível Encontro Mistral. Amanhã tem mais. Fotos colhidas com o celular na Quarta-feira já que, pasmem, a peça aqui esqueceu de checar a bateria da camera e não levou a reserva (o que faço sempre) e murphy, obviamente, deu as caras!

kanimambo

Dicas da Semana

            Mais uma semana, só que esta é especial, pois é a semana do Encontro Mistral 2010. Começa hoje e não sei se ainda há vagas, porém é um dos mais importantes eventos de nossa vinosfera este ano e, se possível, não o deixe escapar porque o próximo só daqui a dois anos. Eu estarei lá hoje e Quarta, na Terça na Fispal, enfim semana cheia e o dia dos namorados está logo aí, no próximo fim de semana, então não deixe de se programar!

Nova Loja de Vinhos em São José dos Campos, e não é pouca coisa não! A partir de agora essa importante cidade do interior do Estado de São Paulo,  passa a contar com a primeira loja especializada em vinhos da região. Na ultima semana foi inaugurada a loja Belaggio Vini no bairro Esplanada.  Com isso os moradores da região tem o lugar certo onde se aquecer no seu inverno com a  bebida preferida dos Deuses. A casa possui uma excepcional carta de vinhos com mais de 2.000 rótulos nacionais e importados que poderão ser degustados e harmonizados na própria loja e com a orientação de profissional especializado. “Belaggio Vini vem acrescentar e inovar no mercado vinícola da região, dando a opção do visitante tomar uma taça de vinho e até mesmo assistir uma palestra sobre o assunto que serão marcadas no decorrer deste ano, tudo isto como se estivesse na Capital sem perder o charme de cidade do interior.” afirma Alex Rodrigues sócio proprietário da Belaggio Vini.  A loja fica na av. Barão do Rio Branco , 323, tel.: (12) 3911.6570. Ligue para maiores informações, mas acho que vale conferir!

Emporio Sorio, os amigos desta simpática importadora de vinhos e, em breve, outros produtos da Córsega, estão de loja nova e promoção para os dias dos namorados. Vale a pena conferir.

Terceira Semana Gastronômica do Chile no Intercontinental São Paulo, inclusive com ação no restaurante Tarsilia no dia dos namorados. Uma boa opção para um encontro com sabores diferenciados. Uma promoção da Pro-Chile que vale conferir.

Kiaroa Eco Luxury Resort  entrar no site já é uma tremenda viagem que nos deixa de água na boca com as incríveis imagens e bom gosto, pena que me falte dim-dim para poder usufruir dessas benesses da vida. Haverá, no entanto, quem possa e a esses eu digo, não deixe de se presentear, ainda mais aproveitando o Festival Gastronômico Internacional.  Recebi este release da Zênithe, BH, que é especialista em levar gente para estes lugares e eventos especiais. Aproveite!

Copa é no Bar Camará na Vila Madalena. Recebo dezenas de releases sobre eventos em restaurantes, mas só costumo selecionar ale publicar aqueles que acho mais interessantes. Deste gostei do jeito e, ainda por cima, me foi enviado pela confrade Denise Cavalcante, não dava para negar fogo! “O Camará, bar oficial do torcedor localizado na Vila Madalena, se prepara para receber em torno de 400 torcedores por jogo para assistirem as partidas da seleção. O estabelecimento tem um ambiente muito animado, com boa cerveja, chopp, petiscos de primeira e uma novidade: agora aberto no almoço. Durante a Copa, o Camará vai abrir meia hora antes do início de todos os jogos do campeonato, com exceção para os jogos que começam às 8h da manhã, mesmo sendo jogo do Brasil.

Os jogos serão apresentados em vários ambientes com capacidade para receber grandes grupos de amigos. No salão principal, com capacidade para 120 pessoas sentadas, um grande telão está pronto para as transmissões. Próximo ao balcão do bar, mais duas TV de LCD de 42´ estarão sintonizadas nos jogos. Na parte interna bar, outra televisão de LCD transmite jogos em um canal diferente do que o exibido no salão principal, caso alguns torcedores prefiram um locutor diferente ao que está comentando o jogo no telão.  Para os fumantes inveterados, que certamente não vão agüentar o nervosismo do jogo, o Camará é um dos poucos bares na cidade que possui uma área de fumante legalizada, sem que o torcedor precise sair do ambiente para fumar. Um terraço superior e aberto se transforma em uma área adequada para fumantes. Mais uma televisão de LCD para os torcedores e espaço para 80 pessoas. Grupos grandes são bem-vindos, mas o Camará pede para que sejam feitas reservas.

PETISCOS ESPECIAIS

Para acompanhar a animação o Camará vai ajudar os torcedores a traçar os adversários. Todos os dias que o Brasil jogar, o novo chef de cozinha do Camará José Baneza (ex Hotel Hilton, Lola Bistrot e vencedor do concurso Mexicano Azteca de Alta Gastronomia Latino Americano 2003) vai preparar um petisco característico de cada país adversário.

No dia 15 de junho, terça feira, às 15:30hs, o Brasil enfrenta a Coréia do Norte e para esse jogo o chef foi buscar o PA JUN, uma espécie de panqueca frita recheada de vegetais e servida com molho agridoce. O prato combina perfeitamente com a cerveja. No domingo dia 20, às 15:30hs, o Brasil enfrenta a Costa do Marfim e o petisco escolhido para esse dia é chips de banana da terra frito no dendê, chamado de ALOCO e servido com dip de tomate com chili. Picante para dar mais sabor a disputa!

E, no dia 25, uma sexta-feira às 11hs, o adversário é Portugal. Nesse dia, o menu do cardápio executivo de almoço certamente lembrará a culinária daquele país, tão querido dos brasileiros. O petisco especial do dia é o bolinho de bacalhau feito com batata com casca, numa prática que o bar passa a adotar esse mês, da Ecogastronomia, com o aproveitamento total dos alimentos. E para cada novo jogo, uma nova culinária será explorada… Mas como jogo e cerveja fazem uma dupla imbatível, durante a copa o valor do chopp será mais baixo do que o normalmente oferecido pelo bar. Na compra do Chopp ou da cerveja Devassa bem loura, 600ml, a cada 4 consumidas o torcedor ganha mais uma. Nestes dias, o preço do chopp será R$ 5. “Acho que vale a pena conferir o Camará que fica na rua Luis Murat 308, Vila Madalena,Tel: 3816-6765/ 3582-6765. Visite o site, ligue e faça sua reserva.

           Salute, kanimambo e amanhã tem noticias direto do front do Encontro Mistral. Uma ótima semana para todos e, ia-me esquecendo, sobraram alguns poucos KITS Melipal da semana passada.  Aproveite a promoção.