João Filipe Clemente

Dois Blends Inusitados!

Tem qualidade em toda a faixa de preço, mas é lógico que nas mais baixas esse garimpo tende a produzir resultados menos abundantes. Por filosofia, apesar de adorar tomar grandes vinhos como todos, adoro fuçar o mercado por vinhos que a maioria possa tomar e neste fim de semana provei dois vinhos sob o mesmo rótulo que me agradaram bastante e gostaria de compartilhar com os amigos. São vinhos que ficam numa faixa de preço entre 45 a 50 Reais, faixa esta que tradicionalmente traz vinhos algo mais ligeiros e aí minha primeira surpresa, especialmente no branco. A segunda surpresa é com referência aos blends, bastante inusitados, ambos sob um mesmo rótulo, La Pradera produzido em Mendoza pela Bodega Toneles que acredito sejam vinhos para serem tomados jovens, entre este e o próximo ano.

Blend de Blancs 2017 – vejam só, Viognier + Torrontés + Chenin Blanc! No nariz aquele aroma floral da Torrontés bem presente, na boca vem o frescor da Chenin com a Viognier dando-lhe corpo, ótima sacada do enólogo que conseguiu elaborar um vinho frutado, fresco, mas de mais corpo do que normalmente se esperaria num vinho nesta faixa de preço. Um vinho muito agradável e fácil de se gostar, inclusive para quem tenha algo mais de litragem. Para um apreciador de brancos como eu, uma surpresa muito agradável

Blend de Tintas 2017 – mais uma vez um corte diferente, Bonarda + Merlot + Syrah sem nada de malbec! rs Outra coisa que me deixou algo com um pé atrás antes de abrir, o vinho é elaborado com maceração carbônica o que tradicionalmente não me encanta pois por muitas vezes me deparo com um certo gás carbônico inicial que me incomoda. É uma maceração muito comum na Espanha para vinhos jovens sendo que o mais famoso entre nós é o Beaujolais na França. Aqui não senti traços disso e tão pouco dá para obter grandes recados das uvas lá presentes, o corte está muito uniforme, uma uva não sobressai sobre as outras, existe equilíbrio numa harmonização muito bem conseguida. Aqui impera a fruta, o frescor, um vinho descompromissado, taninos bem macios, cor clara, para tomar refrescado (15º) e de golão. Gostei, ótimo para o verão que está por chegar.

Saúde, kanimambo pela visita e uma ótima semana

Casa do Lago Rosé, Campeão do Wine Tasting!

É, foi na Vino & Sapore no último Sábado! Afora os vinhos dos amigos da Lusitano Import e da Almeria, tivemos também a presença do Bruno Mestre Queijeiro, da Pé de Geleia e da Raquel com seus pães artesanais. Muito provavelmente dia 24 de Novembro outro Wine Tasting com a companhia de outros parceiros do vinho, mas desse falarei em outra hora!

Porquê campeão? Melhor vinho? Não, mas foi o que o pessoal mais comprou e os elogios foram muitos, tanto que tive que repor estoque nesta semana. Realmente um vinho delicioso, muito fresco, frutado, cerejas frescas,leve mas não ligeiro! Cem porcento Touriga Nacional da região Lisboa, só passagem por inox, um mês em garrafa e já está sendo distribuído, vinho para ser tomado jovem em seus primeiros três anos de vida, mas quanto mais jovem melhor. Vinho de verão, para acompanhar frutos do mar, comida japa, para bebericar com os amigos sem compromisso mas com qualidade que é uma marca da DFJ que o produz. Cheio das medalhas, rs, foi apontado como o melhor rosé de 2016 pela revista portuguesa Grandes Escolhas.

Toda esta linha de vinhos é muito boa e de preço acessível, havendo também um branco muito bom (mais um que vendeu muito), um blend tinto esgotado todos na casa dos 70 a 74,00 Reais e um inusitado Gran Reserva Cabernet Sauvignon num patamar mais alto de preços e que surpreende! Importação da Lusitano Import

É isso, kanimambo pela visita e em breve nos encontraremos novamente por aqui. Sáude

Wine Tasting na Vino & Sapore!

No próximo dia 29, Sábado a partir das 16 até as 19:30h, a oportunidade dos amigos apreciadores dos caldos de Baco conhecerem 12 diferentes rótulos. Em parceria com os amigos da Almeria e da Lusitano Import, que trarão os vinhos para prova, e o Bruno Mestre Queijeiro mais a Raquel com seus pães e a Carla com suas geléias artesanais, pretendo despertar novas sensações gustativas em quem estiver presente.

Diversidade, esse é o nome do jogo, em vinhos, queijos, pães, geléias e até azeite estarão disponíveis para prova e compra com investimento de apenas R$45,00 o convite por pessoa com um crédito de R$15 por convite para compra de qualquer dos vinhos em prova. Veja só a lista do que estará disponível para prova.

Almeria

Santa Augusta Brut – um delicioso espumante com uma baita relação PQP – Preço, Qualidade, Prazer, elaborado em Videira, Santa Catarina e uma grande oportunidade para você conhecer seu espumante de final de ano com precinho bem camarada! rs

Visigodo – de Rueda na Espanha, um branco elaborado com a uva Verdejo. Gosto muito e mais uma vez, precinho!

VSE Reserva Cabernet Sauvignon – a melhor uva do Chile, um vinho a se descobrir.

Dominio Espinal – um blend de Monastrel e Syrah da região espanhola de Jumilla. Para fugir dos tradicionais tempranillos.

Altos del Cuadrado Triple V – abri uma garrafa faz pouco tempo, teve gente babando! rs Um delicioso e surpreendente blend de Monastrel (70%), Cabernet Sauvignon (20%) e Petit Verdot (10%) de vinhedos com mais de 50 anos da região de Jumilla.

Dominio Basconcillos Ecologico – De Ribera del Duero, a tempranillo com apenas seis meses de barrica de vinhedos orgânicos e fermentação com leveduras selvagens.

Lusitano

Casa do Lago Branco – um blend de Chardonnay com duas uvas locais, a Arinto e a Fernão Pires elaborado na região Lisboa em Portugal. O resultado surpreende, frescor com estrutura.

Casa do Lago Rosé -Também da região Lisboa elaborado só com Touriga Nacional, mostrando muita fruta e frescor, ótimo para nosso verão.

Paxis Douro – clássico blend de uvas durienses (Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional) que surpreende pela relação PQP, coisa que que a DFJ (produtor) e o importador fazem questão de zelar.

Casa do Lago Grande reserva Cabernet Sauvignon – um varietal pouco comum em Portugal e que sempre surpreende na prova.

Nancul Reserve Elegant Merlot – Do Vale do Maule no Chile com apenas 4 meses de barrica, só 60% do vinho, o que resulta num Merlot muito elegante, frutado e equilibrado.

Nancul Reserva Colecction Malbec – a Malbec no Chile, um outro estilo diferenciado do Argentino, interessante exemplar do Vale do Maule com 60% do vinho com passagem por barricas francesas.

Azeite Torezani – Português da região do Ribatejo, não filtrado e, cá entre nós, divino!

É isso gente, vinhos de R$54 a 150,00 para todos os bolsos e gostos. Safras novas, outras nem tanto e um só objetivo que compartilho com meus parceiros; trazer sempre bons vinhos em todas as faixas de preço focando na mellor relação PQP possível! Venha, garanta logo seu convite, são apenas 50 e 60% já foram!

A Vino & Sapore fica localizada na Granja Viana, município de Cotia, Km 24 da Rodovia Raposo Tavares sentido interior. Reservas via comentários, mail para vinoesapore@gmail.com ou por telefone para (11) 9.9600-7071. Fui, kanimambo pela visita e uma ótima semana para todos,

 

Um Shiraz Para Chamar de Meu!

A primeira vez que o tomei foi nos idos de 2009 numa esbórnia enogastronomica entre colegas e amigos blogueiros. Depois mais uma vez em 2011 e finalmente a última visita que fez a minha taça foi numa gostosa degustação da Confraria Saca Rolha em 2015. Falo de uma obra prima de John Duval, criador de um ícone australiano, o Penfolds Grange reconhecido como um dos mais importantes vinhos de Down Under! Ao se aposentar virou um flying winemaker e abriu sua própria vinícola a John Duval Wines. O vinho, sem mais delongas e sem muito detalhe porque já faz anos que o tomei, é o John Duval Entity, talvez o melhor Shiraz que eu tenha tomado na vida e certamente o mais marcante.

Me lembro (vi minhas notas, rs) que há época o descrevi como um baita vinho, potente, encorpado, complexo e fino, classudo um belo exemplo do porquê a shiraz virou simbolo deste país. Na confraria Saca Rolha,2015, coube há amiga Raquel falar dele; mostrou-se muito elegante. Com o primeiro ataque bem seco na boca, um toque mineral que se funde com frutas maduras dando-lhe corpo e temperado com especiarias. No final um leve defumado mostrando a madeira bem colocada. Um exemplo de como o menos é mais, com muita categoria”. O resumo da história é que é um tremendo de um exemplo de shiraz com muita qualidade, classe e equílibrio. Na época custava umas trezentas pratas, mas num site brasileiro hoje vi por 1.100,00 Reais!!

Mas porquê deste post a esta altura? É que um amigo me pediu para listar alguns vinhos que ele poderia trazer dos Estados Unidos numa viagem próxima e fuçando me dei de cara com esta belezura por míseros 35 Dólares. Mesmo que o câmbio estivesse a 5 Reais, uma baba concordam?? rs Olha, ponham em vosso wish list e em encontrando nessa faixa, vi entre 33 a 40 USD, comprem ao menos umas três ou quatro garrafas sendo uma para o tuga aqui em função da dica!!! rs

Bem, por hoje é só e semana que vem no Domingo (dia 29/09) tem Wine Tasting na Vino & Sapore com vagas limitadas e convites vendidos antecipadamente! Um ótimo fim de semana e espero voltar a nos encontrarmos por aqui, na Vino & Sapore ou qualquer outra curva de nossa vinosfera. Kanimambo, saúde

Um Borgonha 1er Cru, Porque Eu Merecia!

É, de vez em quando porque o bolso anda curto, mas eu também mereço um carinho na taça! Quando me dei conta vi que não tinha tirado a foto com a taça, mas esses momentos têm dessas coisa, nos tiram o foco, rs. Bem, Borgonha 1er Cru é vinho para mais de 600 pratas, mais próximo aos 1000, porém há opções outras quando a gente garimpa um pouco e este fica abaixo das 400 pratas se conseguirem achar por aí. Segue sendo uma bela grana, porém já dá para uma eventual extravagância volta e meia, nem que seja numa confraria!

Les Clous Monthelie 1er Cru Pinot Noir 2008 – um Borgonha de muito bom nível com um preço bem camarada dentro desse mundo mais exclusivo. A AOC Monthelie possui algo ao redor de 120 hectares (nada!) de menor notoriedade que seus vizinhos Meursault, Pommard e Volnay, por isso mais em conta. Deste, apenas 36 hectares são denominados como 1er cru distribuídos em 15 climats* e este vem de Les Clous, elaborado por Domaine Reyane & Pascal Boulley, quinta geração, pequeno produtor com apenas 10 hectares distribuídos entre Monthelie, Beaune, Volnay (sede) e Pommard. Colheita manual com fermentação em cubas abertas (moda antiga), com maturação em barricas francesas por 18 meses, das quais somente 25% novas. Um vinho pronto a tomar, mas que vale até guardar por mais um par de anos porque certamente irá evoluir muito bem.

Boa intensidade aromática com bastante frutos do bosque (cerejas, mirtillos) ainda bem vivos, sous-bois (terra molhada) e um sutil toque floral, na boca taninos ainda bem presentes e finos, muito rico meio de boca, taninos elegantes e delicados mas bem presentes, aveludado, alguma especiaria, notas de bosque final bem prolongado, mineral e balanceado. Difícil encontrar este patamar de qualidade da Borgonha nesta faixa de preço e eu gostei muito. Quem conseguir segurar a garrafa por um tempo certamente se dará ainda melhor

*Climat – de acordo com a revista Adega, “Enquanto o terroir pode ser definido como o conjunto de tipo de solo, de clima, características da região e da interferência do homem, o climat pode ser considerado um aprofundamento desse conceito em cada parcela de vinhedo.” Para simplificar consideremos um climat como uma forma de um zoom, de filtro mais micro de uma região

Este foi um de meus vinhos selecionados para o Frutos do Garimpo do mês. Por hoje fico por aqui, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer curva desta nossa vinosfera.

Saúde

Merlot é Vinho de Mulherzinha.

Quem já não escutou isso?? Eu já e um monte de vezes, mas, cá entre nós, tremenda asneira e mostra que quem eventualmente tenha expressado tal ideia não entende nada, nem de mulher e muito menos de vinho!! rs Brincadeiras à parte, cansei de ouvir gente dizer que não gosta de Merlot e a estes sempre respondo de uma só forma, “que pena, ia te dar um Petrus”! Sim, para quem não sabe este ícone de Bordeaux e mundial é elaborado com 100% de merlot, salvo um ou outro ano em que até 5% de Cabernet Franc podem ser usados.

Mas porquê do titulo deste post, afora chamar sua atenção obviamente (rs)? Porque fui convidado pelo amigo Walter Tommasi (editor de vinhos da Go Where Gastronomia) a participar de um encontro de uma de suas confrarias da qual fazem parte alguns outros amigos. Tema, Merlots com mais de 10 anos, ás cegas obviamente. Afora o enorme prazer de rever os amigos, mais uma confirmação de que a Merlot pode e gera alguns vinhos de muita estrutura e bem longevos como em Bordeaux, margem direita onde ela está mais presente, que mostra isso faz décadas. Como com qualquer casta, o que ocorre com o vinho tem a ver com terroir e muito com o que o enólogo quer extrair dela. Sim, existe um traço, uma característica, uma linha mestra que pode estar presente na maioria dos vinhos de uma mesma casta, mas as variáveis são tão grandes que, pelo menos eu, evito generalizar e dizer, “olha os vinhos desta uva são assim” da mesma forma que não dá para fazer isso com gente de uma região, de um país, de uma religião ou de uma preferência política, não acredito nisso!

Nesta degustação, essa premissa esteve bem presente, vinhos bem diferentes entre si expressando a vontade do terroir e, certamente, do enólogo. Painel muito interessante, uma confirmação e um desejo que vai ficar na minha lista de a realizar. Eis um resumo do que provei na ordem de serviço:

SIMSIC Teodor Rdcec 2006 – da Slovenia, fechado nos aromas, boca bem frutada, equilibrado, final longo com um toque especiado, taninos bem integrados e macios. Leva 15% de Cabernet Sauvignon e para mim se mostrou o mais pronto de todos os vinhos provados. Meu quinto vinho, sendo que para o resto do pessoal ficou em quarto.

Cholqui Tres Palacios 2006 – do Chile, mostrou-se mais químico no nariz, na boca é gordo, toque vegetal mais presente, taninos rústicos, boa estrutura, mais pegada, parecia mais jovem do que é. Meu terceiro colocado com 90 pontos, mas para a maioria ficou em segundo.

Podalirio da Quercetto de Castellini 2005 – IGT da Toscana, um tremendo vinho (pensei que fosse Bordeaux), nariz intenso com notas florais, boca firme, terroso, bom volume de boca, taninos firmes mas muito finos, alguma especiaria, ótima persistência deixando um gostinho de quero mais na boca. Baita vinho e na minha avaliação o melhor vinho da noite, dei-lhe 92 pontos, o que acabou sendo vero também na contagem geral da turma. De longe o melhor Merlot italiano que já tomei e meu desejo, mas deverá ter que vir de fora, porque acho que ninguém o está trazendo.

Storia Merlot 2005 da Valduga – não o reconheci, mudou desde a última vez que o provei já lá vai um par de anos. Sua pontuação, no entanto, foi igual há que lhe dei nessa última avaliação 91 pontos e sempre que o provo fica por aí, entre 90 a 92 pontos. Na minha opinião um vinho especial de uma safra especial, mas que nunca mais conseguiu o mesmo êxito mesmo seguindo sendo um belo vinho. Denso, frutos negros suculentos, taninos ainda bem presentes e aveludados mostrando que há ainda potencial para evolução, nariz intenso, notas achocolatadas, primeira linha e meu segundo colocado no painel, terceiro para a maioria. A confirmação.

Antenata Bindella 2007 –  mais um italiano da Toscana. Jovem, bem jovem ainda com muitos anos pela frente. Taninos bem presentes ainda por integrar, nariz tímido, na boca muito boa estrutura, algo rústico mostrando uma acidez acentuada, algo vegetal, muito bom vinho, mas vai melhorar mais com um bom par de anos pela frente. Foi meu quarto vinho e quinto do resto da turma.

Chateau Ampelia 2000, Cotes de Castillon, Bordeaux – algo químico, acetona me veio à mente, corpo médio, álcool mais presente, notas herbáceas, faltou personalidade e ficou entre os meus últimos colocados do painel acompanhando a maioria.

Nelson Neves 2009 – um representante luso da região da Bairrada. Boa tipicidade aromática, mas sutil, de baixa intensidade, algo tímidos. Na boca seus 14,5% de álcool estão bem aparentes afetando o conjunto, vegetal bem presente, especiarias, taninos mais rústicos e bem presentes, para mim o vinho de pior nota. Tem qualidades, porém a meu ver com muitas arestas, quem sabe precise de mais tempo para se encontrar ou, quiçá, para eu entendê-lo! rs

Chateau de Millery Saint Emilion Grand Cru 2004, Bordeaux – esta propriedade pertence ao Chateau Figeac (um dos grandes de Bordeaux) e é composto de Merlot com um toque de 10% de cabernet Franc. Para simplificar e ir direto ao ponto, um vinho difícil. Frutos negros com notas terrosas, duro na boca, fósforo, álcool aparente, taninos ainda bem presentes, madeira por integrar, um vinho que não me empolgou e e fiquei um pouco frustrado ao saber a quem pertence. Foi o último colocado da noite, para mim o penúltimo.

 

Por menos generalizações e preconceitos para com determinadas cepas, afinal as variáveis na vinificação e terroirs são tão grandes! Uma ótima semana para todos e kanimambo pela visita.

Saúde

 

 

Nem Todo o Dia é Dia!

Tem gente que acha que só porque militamos neste vasto mundo do vinho, todo o dia abrimos uma garrafa de vinho e, quando o fazemos, são sempre grandes vinhos. Bem, certamente haverão algumas poucas estrelas de nossa vinosfera que eventualmente o façam, especialmente “se me dão” (rs), mas eu e a maioria sabemos que na verdade isso não passa de apenas mais uma imagem equivocada que se faz de nós. Sim, na maioria bebemos bem, não muito, porque nossa “litragem” nos permite garimpar bons vinhos a bons preços, sim porque também os compramos!

Desde que comecei a escrever sobre vinhos há mais de dez anos, sempre dividi os vinhos por classes; os do dia a dia, os do fim de semana que volta e meia são os do dia a dia, os do mês e os para ocasiões especiais que são os vinhos do topo da pirâmide e que volta e meio abrimos também porque simplesmente merecemos! rs Galgando degraus e preços, tomando menos por vezes, porém melhor porque a vida é curta demais para tomar vinho ruim!

Recentemente fui almoçar na casa de minha filha e genro (o que sabe cozinhar!! rs) que mais uma vez se esmerou e fez um panelão de um tremendo de um arroz carreteiro de lamber os beiços! O moleque é bom de cozinha, sem frescuras, cozinheiro raiz que, como eu gosta mesmo é de PC, vulgo Prato Cheio!

Queria algo singelo, sem grandes complexidades, algo que harmonizasse e não complicasse o momento e tão pouco os tomadores presentes. Optei por este Malbec Prisionero, que a Galeria de Vinhos traz, e caiu que nem uma luva. Vinho de gama de entrada da ótima Vicentin Family Wines do Vale do Uco em Mendoza, prima acima de qualquer coisa pelo equilíbrio entre a simplicidade e a qualidade. Um vinho pode ser bom, bem feito e barato, este custa menos de 50 Reais, havendo momentos em que qualquer coisa mais complicada pode estragar o momento, este se encaixa nesse perfil. Um vinho simples mas apetitoso, 100% Malbec de San Raphael com passagem de seis meses em barrica (imagino que de terceiro ou quarto uso), fácil de agradar, taninos aveludados e bem integrados, muita fruta mas sem ser aquela coisa madura excessiva que enjôa, alguma especiaria e uma ótima acidez completam o quadro. Corpo leve para médio, com o arroz ficou da hora e é uma harmonização que poderei repetir quantas vezes meu genro quiser! rs

Obviamente que ainda saí com marmita e deu para mais duas refeições, estava bom demais como sempre. Bem, fico por aqui com mais esta dica onde o menos é mais, sem frescuras assim é nossa vinosfera, apesar de alguns teimarem em a complicar, deu prazer cumpriu seu papel! Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou, quem sabe, você não vem comigo explorar os Vinhos de Altitude de Santa Catarina comigo!

Saúde

 

Descobrindo os Vinhos de Santa Catarina Comigo, Vem?

MUDANÇA DE DATAS

Gente, mais uma vez montando um grupo limitado a 14 pessoas para explorar o que de melhor é produzido pelas vinícolas de Santa Catarina, os Vinhos de Altitude brasileiros. De 14 a 21 de Novembro circulando entre São Joaquim e Caçador de micro ônibus com ar condicionado, toalete e wi-fi a bordo, visitaremos 9 vinícolas, jantaremos com um produtor, degustaremos mais de 70 vinhos entre eles os CINCO selecionados entre os TOP 10 da ViniBraExpo 2018 recentemente realizada no Rio. Encerrando a viagem, um jantar harmonizado diferente para quem ficou praticamente uma semana explorando a vinosfera catarinense, um mergulho no mundo da cerveja artesanal da Beerbaum em 13 Tílias!

Todas as degustações e visitas foram montadas de forma exclusiva com vinhos escolhidos por mim em comum acordo com o produtor, só o melhor porque se não nem saio! rs Seis almoços harmonizados em vinícolas, dois jantares, cuidamos de quase tudo. Via aérea até Lages, voltando de Chapecó sendo que eu acompanharei a viagem do inicio ao fim. Sabe aquela viagem que você tinha programado para o exterior e que com o dólar nas alturas se tornou inviável, então! Pense que com menos de USD1200 (para efeitos comparativos apenas pois o preço é em Reais) você pode fazer tudo isso e ainda deve sobrar uns trocados sem contar que se usar o cartão na viagem não tem nem IOF nem o risco do susto com o câmbio na hora que a fatura chegar!! rs Está interessado, então não dê mole não e peça os detalhes do roteiro através de comentário abaixo, as vagas são poucas e você pode vir de qualquer lugar do Brasil ou até do exterior, VEM COMIGO, VEM!

 

Marilla, Mais Que Um Nome, Um Grande Vinho!

No Brasil não tenho provado vinhos doces, de sobremesa nada a ver com os tais de suave por aí (rs), que tenham me entusiasmado mesmo sendo um fervoroso apreciador destes vinhos. Me lembro de uns anos atrás de um delicioso Icewine produzido na Pericó, um projeto louco que deu muito certo, mas o problema é o clima que propicia isso muito raramente, acho que neste caso só uma única vez. Tem também um Licoroso, mais simples mas muito surpreendente de meu amigo Gustavo da Bella Quinta aqui mesmo pertinho de casa, em São Roque, que quebrou as pernas de muito “especialista” às cegas! rs

O VG Marilla é fora da curva e o conheci pela primeira vez na visita que fiz à Villaggio Grando em Fevereiro de 2016, nessa época ainda não pronto, uma amostra de barrica que mostrou estarmos diante de um grande vinho em ebulição e na época já o listei como um de meus destaques daquele Tour Pelos Vinhos de Altitude Brasileiros. Pois bem, finalmente e depois de dois anos volto a provar o vinho (lançado em 2017) na presença do orgulhoso amigo Guilherme Grando que o apresentava com toda a pompa que a criação merece, mas falemos um pouco mais do vinho.

Vinhedos das uvas Petit e Gros Manseng originariamente do sudueste francês, e plantado aqui a cerca de 1300 metros de altitude há 17 anos atrás. O projeto era desenvolver um vinho de sobremesa no estilo dos vinhos doces do Jurançon e para tanto, entre outros investimentos, o know how e experiência do conceituado enólogo português Antonio Saramago mestre na elaboração de grandes vinhos Moscate de Setúbal, entre outras preciosidades. Nas palavras do Guilherme Grando, ” Este vinho é da colheita 2012 após as primeiras geadas em final de Maio, portanto bastante desidratrada e concentrada. São 3 kg de uvas para poder produzir uma garrafa de 500 ml e o vinho é fortificado com um brandy produzido na própria Villaggio Grando (Água Doce no Oeste Catarinense próximo a Caçador), atingindo 17,5% de teor alcoólico. fermentação em tanques de aço inox passando posteriormente por um estágio de 3 anos em barricas francesas de tostagem leve. A filtragem é bem “fraca”, queremos um vinho mais natural possível e por isso acaba aparecendo alguma borra na garrafa mas sabemos que isso é de suma importância para sua perfeita evolução.”

Quantidade limitada a 3.500 garrafas ano, todas numeradas para os poucos dispostos a desembolsar R$300,00 por esta preciosidade e a encontrá-la já que não está disponível em qualquer lugar não, certo mesmo só na vinícola. Baunilha, mel, aromas e sabores amendoados, toque de damasco, acidez em perfeito equilíbrio com a doçura. Esse equilíbrio é o que faz com que este estilos de vinhos sejam palatáveis e quanto maior harmonia “mais grande” (rs) são os vinhos, este está soberbo, não cansa! Para quem gosta de Sauterns e Tokaji, guardadas as devidas proporções e limitações de terroir, eis aqui um vinho a provar e, provavelmente, se surpreender!

Antes que me perguntem do porquê do nome já vou informando que é o nome da irmã do Guilherme. Como meu amigo Didu costuma dizer, ainda bem que não falamos nem vendemos parafusos porque momentos como este não existiriam! Coisa boa Guilherme, grato pela oportunidade.

Kanimambo pela visita e um ótimo fim de semana.

Explorando Novos Sabores na Vino & Sapore!

Dia 29 de Setembro a Vino & Sapore, no centrinho da Granja Viana, promove mais um Wine Tasting, mas vai além porque todo o amante de vinhos é também um apaixonado por boa gastronomia. No mesmo espaço e limitado a tão somente 50 pessoas para não virar zorra, juntei dois de meus fiéis parceiros no mundo do vinho com alguns quitutes a mais que valem muito a pena provar.

 

A Almeria do amigo Juan Rodriguez irá trazer de cinco a seis rótulos, alguns que recém chegaram em seu portfolio, de vinhos para prova. A Lusitano do amigo Fernando Rodrigues, também seguirá a mesma linha e entre os dois teremos de 10 a 12 rótulos em prova entre vinhos portugueses, espanhóis e chilenos. Afora isso um azeite português não filtrado de lamber os beiços!

Mestre Queijeiro, o Bruno sempre presente nestes eventos com queijos diferenciados de muita qualidade, para prova e venda direta dele.

Raquel Pães, amiga granjeira e parceira de há muito com seus pães artesanais com fermento natural e receitas diferenciadas são sempre um despertar de sensações gustativas únicas.

Pé de Geléia, geléias fora da curva que a Carla elabora artesanalmente aqui na Granja mesmo, é fruta fresca e açúcar demerara, nada mais!. Tanto para acompanhar aquela torrada matinal como para servir com queijos e até carnes. Coisas do tipo, Melancia com Pisco Sour, Tangerina com Água de Rosas, Cebola ao Vinho, Melão com Gengibre, Frutos Amarelos, Frutos Roxos, Limão siciliano entre outras.

Dependendo ainda podem pintar outras gostosuras, mas se quiser participar não hesite e garanta logo seu convite comprando-o antecipadamente. Valor dessa experiência? Apenas 45 Reais dos quais 15 voltam como desconto na compra de qualquer um dos vinhos (somente os vinhos) em prova no dia. Estacionamento gratuito, e início das atividades às 16 indo até as 19:30h. Aguardo você na Vino & Sapore aqui no centrinho da Granja Viana, acesso pelo km 24 da Rodovia Raposo Tavares sentido Cotia/SP. Entrou á direita já está na Rua José Felix de Oliveira e até o número 875 é um piscar de olhos! rs Só não esqueça, reserve seu lugar ou periga de chegar e não conseguir entrar!!

Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou, quem sabe, porquê não dia 29 de Setembro?? Saúde