João Filipe Clemente

Encontro Mistral, Uma Visão Diferente do Evento

Sei que vou parecer pedante e metido, mas é que depois de carca de 20 anos fazendo isso tem hora que cansa, especialmente em eventos do porte do Encontro Mistral. O evento ocorre de dois em dois anos e se tornou pioneiro e referência entre os apreciadores de vinho. Neste ano foram mais de 450 vinhos de 78 produtores de todas as partes do mundo a saber França 13 produtores, Itália 12, Portugal11, Espanha 19, Argentina 7, Chile 4, Uruguai 2, Brasil 2, África do Sul 1, Estados Unidos 2, Hungria 1, Alemanha 3, e Austria1.

Gente, é uma verdadeira esbórnia vínica digna de deus Baco que cerca de 3000 visitantes tiveram o privilégio de estar presentes, 1000 por dia!! É gente pra dedéu, difícil conseguir provar os vinhos em diversos stands entupidos de gente na frente incapacitando sequer chegar perto da mesa!!! rs Ainda por cima nego estaciona na frente, complicado. Até entendo quem paga R$590 por convite quer se deliciar com os grandes vinhos presentes e ter a possibilidade de dizer para os amigos que tomou, na verdade provou, um Bric del Marchese Nizza 2018 do Coppo de 1.500 Reais, um  Schidione Rosso do Castello di Montepó de 3.700 Reais, um Mas de Daumas Gassac  Rouge de 1.100 Reais, um Chateauneuf du Pape do Chateau de Beaucastel Rouge de 1.800 Reais, um Veja Sicilia Valbuena 5ºAno de 3.700 Reais ou ainda um El Enemigo As Bravas Malbec de 1.600 Reais, Chateau Kirwan de Bordeaux de pouco mais de 1.300 Reais e um Lapostolle Clos Apalta de 2.200 Reais ou Quinta do Vale Meão de 2.200 Reais, ente muitos outros. Um sonho realizado por quem tinha esse objetivo e, pensando bem, pelo valor pago estão mais é certos. Esse, todavia, não era meu objetivo.

Sempre falei que para falar de grandes vinhos existem dezenas de bons críticos e comentaristas bem melhores que eu, porém meu foco sempre foi naquilo que chamo de vinhos terrenos, ou seja, vinhos que estejam ao alcance da maioria dos aficionados pelos caldos de Baco. Esse também foi o foco da Vino & Sapore quando a abri, trazer vinhos de qualidade, muitos sem nomes conhecidos, com preços que uma pessoa possa pagar. Não vinhos de elite, para poucos, algo que possamos pagar, os outros, esses que mencionei acima, esses são para quem tem gordura financeira para queimar ou podem, eventualmente, trazer de fora sem os impostos aviltantes no Brasil. Então, cá fui eu de novo fuçar por vinhos mais acessíveis porém de muita qualidade, porque mesmo os grandes produtores sempre têm alguma coisa mais acessível para satisfazer nossa sede por bons vinhos. Vejamos o que achei que penso que vale a pena e que entregam bem mais do que o preço cobrado hoje, alguns perigam até de ir parar nas prateleiras da Vino & Sapore! Não vou entrar em detalhes de cada vinho, este texto já está longo demais, mas seguem alguns bons rótulos a conferir que recomendo;

Da França

Famille Perrin Vinsobres le Cornuds – Rhône por volta das 300 pratas / Daumas Gassac Figaro Rouge – Longuedoc por volta das 140 pratas /

Da Itália

Castello di Montepó Bracalle – Toscana por volta das 265 pratas

De Portugal

Meandro Vale do Meão tinto – Douro por volta dos 375 Reais / Prazo de Roriz Tinto – Douro por volta dos 295 Reais / Luis Pato Maria Gomes Branco – Bairrada por volta dos R$150,00 / Luis Pato Maria Gomes Espumante Brut – Bairrada por volta dos R$190,00 / Vinha do Mouro Tinto – Alentejo por volta dos 230 Reais .

Da Espanha

Familia Martinez Bujanda 3 vinhos – Rioja. Vina Bujanda Crianza (R$215), Viña Bujanda Reserva (R$300) e o excelente e barato na comparação com outros Gran Reservas por aí com preço de R$438, um estrepolia para meus parâmetros mas vale muito a pena / Dehesa la Granja – Castilla y Leon na casa dos R$275 / Chivite Gran Feudo Crianza – Navarra na casa dos 175 Reais .

Da Argentina

El Enemigo Bonarda El Barranco – Mendoza por volta dos R$270 / Ernesto Catena Animal Malbec (R$206) e On The Road Merlot Patagonia (R$290). Aqui uma ressalva e um destaque especial, até porque tenho um certo pé atrás quanto a vinhos naturais e especialmente aos Pet Nat da vida, já provei alguns e não tinha achado graça a nenhum. Econtrei o Ramatis Russo por lá no stand da Stella Crinita, e ele manja desse segmento, então me aproximei para provar alguns dos vinhos sendo apresentados. Não fosse ele, provavelmente teria passado batido, ainda bem que ele estava por lá porque dois vinhos fizeram a minha cabeça! Problema é preço, mas aí fica para cada um decidir seu rumo né? Adorei um branco blend de Chardonnay com Viognier o Campo del Cielo por pouco mais de 500 pratas e um, pasmem, rs Pet Nat de Viognier que ainda não chegou ao Brasil, com preço a conferir. Enfim, nunca digas que desta água não beberei e assim que possa falo um pouco mais sobre o que é um Pet Nat para quem ainda não conhece o termo e o estilo do vinho.

Do Brasil

Vallontano – Vale dos Vinhedos – Espumante Nature LH Zanini (R$200), Vallontano Reserva Tannat (R$130) e Talise Pinot Noir (R$122).

Certamente deveriam haver diversos outros rótulos por lá a desbravar dentro dos quesitos que tinha colocado em prática, porém isso foi o que consegui ver e que recomendo, mas o catálogo da Mistral é rico demais, certamente o melhor do Brasil, e vale a pena fuçar por lá.  É isso amigos, fui. Kanimambo e até breve.

PS. ia me esquecendo, dos grandes vinhos em prova nesse grande e importante evento vínico de nossa vinosfera, a internet está cheia, basta buscar no Facebook e Insta.

Cistus Reserva Branco na Taça

Da Quinta Vale da Perdiz no Douro, vem este delicioso corte de Rabigato, Códega do Larinho, Arinto e Malvasia Fina. Desde a primeira prova feita com os vinhos Cistus aqui na Granja Viana na companhia do produtor já faz uns cinco anos, foi um vinho que me seduziu e que mantenho sempre por perto, um tremendo coringa.
Um vinho muito bem elaborado, sem passagem por barrica, só inox, traz um toque mineral, muito frutado com lembrança a frutos de caroço como pessego e damasco, algo de ervas e sua boa acidez nos remete a algo mais cítrico, me gusta! Melhor ainda, na boca que no nariz, com boa cremosidade e volume de meio de boca e boa persistência.
Parece um vinhaço caro né, mas não é. nem vinhaço nem com preço nas alturas, mas um vinho que faz bonito na mesa como fez com este arroz de Bacalhau à Braz caseiro. É, acima de tudo, sedutor na boca e no bolso já que anda na faixa dos 100 a 130 Reais o que me apraz muitíssimo, porque vinhos bons com preços nas alturas o mercado está cheio e eu gosto mesmo é de fuçar e encontrar vinhos que chamos de, mais “terrenos”! recomendo, vale bem a pena e vale explorar seu irmão tinto e alguns mais nobres na hierarquia familiar do produtor, mas aí o bolso tem que ser mais fundo. rs A foto peguei de uns anos atrás, a safra hoje no mercado é outra, porém o vinho segue bom, pode confiar.
A Quinta Vale da Perdiz fica estrategicamente localizada entre a Quinta da Leda e a Vale do Meão, que primazia não? Com essa localização tem que ser muito incapaz para não elaborar vinhos bons né, pelo menos penso assim. É isso meus amigos, em breve falo de um Encontro Mistral de que pouco falaram até agora. Fui, kanimambo e até ao próximo post. Saúde

O Barato de Nossa Vinosfera

Talvez o que mais me encante em nossa vinosfera seja o fato de que surpresas acontecem a toda a hora, não existe monotonia, não existe preconceito que não possa ser quebrado nem idade nem litragem que nos limite a capacidade de aprender se houver humildade para tanto.

Muito recentemente passei por uma experiência maravilhosa que mexeu comigo, abri um malbec argentino da safra 2008 que há muito achava já ter virado vinagre! Tinha na Vino & Sapore  porém há alguns anos achei que já deveria estar moribundo e levei para casa, não ia arriscar vender. Acabou numa adega secundária, não refrigerada, desde então. Nem sei há quantos anos foi, a memória está fraca! Dia de faxina e descartes, jogando coisa velha e sem propósito fora, ainda bem que minha esposa não participou porque poderia ter sobrado para mim!! rs. Antes de jogar fora, todavia, decidi abrir e ver como estava.

Madonna mia, que surpresa! Sim, não está mais tão frutado e vivaz, mas ganhou maturidade o que nem todos apreciam, mas eu curto. A cor ainda se mantendo firme, sem aquele atijolado típico de vinhos com maior idade, apesar de um halo aquoso já mais acentuado, e muito complexo de boca com aromas já bem tímidos e leves notas terciárias, porém ainda com uma acidez bem presente o que jamais poderia esperar.

A Bodega Joffré y Hijas não está entre as mais baladas de Mendoza, não produz vinhos power repletos de taninos e álcool nas alturas, sua pegada é mais leve, mais fina, mais elegante. Jamais poderia esperar que este vinho tivesse essa capacidade de evolução, uma enorme surpresa para mostrar que em nossa vinosfera não dá para generalizar nada, as exceções são muitas e ainda bem que as há. Este, de preço módico no mercado, com 17 anos nas costas me fez um bem danado e me surpreendeu muito positivamente!! 🤗

Moral da história, nunca diga não e nunca vire as costas para um vinho porque, como algumas pessoas, ele pode te surpreender. Esta foi uma bela surpresa e uma lição que me deixou um enorme sorriso na boca. Saúde e kanimambo por ainda estarem por aqui, fui!

I’m back , Estou de volta! 🤗

Faz três anos que não escrevo por aqui, mais do que falta de tempo era pura falta de tesão mesmo, desculpem o termo mas me parece o mais apropriado para descrever meu sentimento. Pior, por mais de uma vez senti aquela fugaz vontade só que tinha perdido o acesso ao WordPress agora recuperado graças ao knowhow de meu sobrinho. 🤗

Hoje não falo de vinhos, só passando para dar a notícia e ver se ainda tem gente por aqui que me segue, curioso. 🤔 Afinal já faz tanto tempo e com tanta gente nas mídias sociais publicando diariamente, nem sei se este folhetim ainda tem qualquer função! ☺️ Todavia, isso é o que menos me importa. Na verdade por aqui os registros permanecem por mais tempo, algo mais perene num mundo cada vez mais efêmero.

É isso, saúde, bom fim de semana e Kanimambo! 🥰

Branco Italiano na Taça, APROVADO!

Sigo na minha saga de sempre, intensificada pela atual conjuntura, da busca de de vinhos PQP, ou seja, de boa relação Preço x Qualidade x Prazer. Hoje em dia a busca é por vinhos que surpreendam num preço entre 50 a 150 Reais, melhor ainda se abaixo das 100 pratas, como este.

Gosto muito de vinhos brancos então não me fiz de rogado quando este me foi apresentado. Um branco de boa estrutura e fresco elaborado com as castas Grechetto e Trebbiano, um blend típico de Soave, não confundir com os nossos “suaves” (!), no Veneto porém este vem da Úmbria mais ao sul da Itália.

As uvas são cultivadas no município de Torrececcona, a 350 metros acima do nível do mar; o solo é de textura média e argiloso, vinhas de 12 anos gerando um vinho de cor amarelo palha com belos reflexos dourados sem passagem por madeira e sem maloláctica. No nariz é possível perceber notas de florais, frutas cítricas, pêssego, damasco e frutas tropicais como abacaxi, um nariz bastante interessante de média intensidade.

Na boca, onde mais aprecio os vinhos (rs), o Terre de la Custodia Desiata Duca Odoardo Bianco Umbria IGT,  revela-se fresco, seco, frutado, equilibrado e de corpo médio, apresenta uma certa untuosidade e cremosidade, um final de boa persistência com notas amendoadas.

Experimentei o vinho acompanhando uma pasta (fetuccine) ao pesto de rúcula coberto por uma boa porção de parmesão ralado fresco e grosso, harmonizou bem demais e, obviamente, deverá acompanhar bem tudo o que é frutos do mar, peixe e até carnes brancas. A experiência foi boa e a safra 2018 está no ponto de sua complexidade não devendo evoluir muito mais, tops mais um ano. Vinho na casa dos 80 Reais, mais ou menos 5 o que acho bastante justo para a qualidade oferecida o que o torna um bom exemplo de vinho PQP.

É isso, Kanimambo pela visita e em breve tem mais coisa por aqui, começo a ter gosto por escrever novamente! rs Saúde

Famille Perrin, O Rhône Engarrafado!

Os vinhos da Famille Perrin estão entre nós já faz um tempinho, mas agora mudaram de casa e aportaram na Mistral. Eu sou fã desde que tive a oportunidade de desfrutar seu incrível Chateau de Beaucastel, um tremendo Chateauneuf-du-pape que com seus 12 a 15 anos é um verdadeiro néctar que nos seduz, um vinho que precisa de tempo para se expressar e mostrar todo seu esplendor, um tremendo prazer hedonístico. A linha de vinhos deles, no entanto, não se restringe a esse grande vinho entre os melhores da região e a Mistral nos convidou para conhecer um pouco mais desse portfolio.

Tristemente não pude comparecer em função de um problema particular que demandou minha atenção no dia, mas minha amiga e fiel escudeira e confreira Raquel Santos me representou com fidalguia e descreveu assim esse momento em que, mais que provar vinhos, teve uma aula sobre a região que ela agora compartilha conosco. Uma verdadeira viagem, valeu Raquel.

“Recentemente tive o privilégio de participar de uma degustação oficial de lançamento dos vinhos da Família Perrin, promovida pela Mistral, com a participação de Jacques Perrin, 4ª geração no comando da bela história do Château de Beaucastel que começou em 1909.

Foram pioneiros na agricultura orgânica e biodinâmica desde o princípio e tem expandido suas propriedades nas melhores regiões do Vale do Sul do Rhône, dentre elas em Gigondas, Vinsobres, Cairanne, Vacqueyras, Rasteau e Beaumes de Venise. Recentemente iniciou um projeto, com parceiros locais, no norte do Rhône, a Domaine et Maisons Les Alexandrins. Além do Rhône a família tem parceria no Château de Miraval, na Provence.

Quero aqui compartilhar com vocês essa viagem que percorre o Vale do Rhône do norte ao sul.

Os vinhos apresentados foram: 1. Maison Les Alexandrins Condrier AOC Blanc 2019. 2. Châteauneuf-du-Pape AOC Château de Beaucastel Blanc 2019. 3. Château Miraval Côtes de Provence AOC Rosé 2020. 4. Les Alexandrins Crozes Hermitage AOC Rouge 2018. 5. Château de Beaucastel Côte-du Rhône AOC Coudoulet de Beaucastel Rouge 2018. 6. Famille Perrin Vinsobres AOC Les Hauts de Julien Vieilles Vignes 2018. 7. Famille Perrin Gigondas AOC L’Argnée VieillesVignes Rouge 2018.8. Châteauneuf du Pape AOC Château de Beaucastel Rouge 2018. 

O Vale do Rhône está localizado entre os Alpes Suíços e o mar Mediterrâneo. Ao norte está a cidade de Lyon , que além de ser um polo industrial, também possui um entorno rural que abastece toda a região com uma produção agrícola de excelente qualidade. 

Ao sul está a cidade de Avignon que se desenvolveu quando no século XIV o papado mudou o castelo de Roma para a região e começaram a cultivar as primeiras videiras.

Se percorrermos os vinhedos que margeiam o rio Rhône de norte a sul, pode-se perceber uma grande diferença de clima, solo, e variedades de uvas.

Ao norte o clima é continental (Rhône Setentrional) com verões bem quentes e invernos frios. As videiras são plantadas em penhascos pedregosos de granito, entremeados de florestas de carvalho que refrescam o ar pela neblina fria ao amanhecer. A uva predominante é a Syrah. Resultam em vinhos robustos, de cor escura e longevos. Para os brancos, destacam-se a Marsanne, Roussanne e Vionier.

MAISON LES ALEXANDRINS CONDRIEU AOC BLANC 2019

Condrieu é considerada a melhor AOC do mundo para a uva Vionier e esse vinho é feito com 100% dela. Incrivelmente perfumado e mineralidade que reflete o solo de granito. Parcialmente fermentado e maturado em barricas de carvalho que aportam um ótimo corpo, enchendo a boca, com final longo e sensação de cremosidade.

LES ALEXANDRINS CROZES HERMITAGE AOC ROUGE2018

Esse vinho, feito com 100% de uvas Syrah, é praticamente uma aula da tipicidade desta casta. Ótima estrutura e equilíbrio entre o álcool, acidez e taninos bem finos. Suculento e cheio de frutas negras, evolui muito na taça, cheio de complexidade em boca e nariz.

Em direção ao sul (Rhône Meridional) podemos notar que à partir de Montélimar as características da região se transformam. O clima passa a ser mediterrâneo, com influências do mar. Os verões são quentes e o inverno ameno, mas às vezes chega a zero grau. Os ventos frios que vêm do sul (Mistral) fazem as chuvas serem fortes e rápidas, baixando a temperatura rapidamente à noite. Os vinhedos se expõem ao sol forte durante o dia, que também aquecem as pedras que cobrem todo o solo, protegendo as videiras do frio à noite. Outra característica importante é a diversidade do relevo que proporciona grandes variações mesmo em pequenas distâncias. Aqui predomina a uva Grenache que se junta com outras variedades, como as Mouvèdre, Cinsault e a Syrah. Das variedades brancas, encontra-se a Marsanne, Roussanne, Viognier, Clairette, Bourboulenc, entre outras, que são vinificadas para tintos, brancos e rosés.

Além das diversidades de solo e clima, a região do Rhône meridional, é mais recortada no que diz respeito às apelações de origem controlada. A mais conhecida delas é a Côtes du Rhône, usada genericamente. As denominações que indicam o nome das comunas provenientes agregam um fator de maior qualificação. É o que acontece no caso do Côtes du Rhône-Village, que representa 95 comunas (départament) com 22 podendo aparecer no rótulo e outras como Châteauneuf-du-Pape, Gigondas,Vinsobres, Rasteau, etc…

CHÂTEAUNEUF-DU-PAPE AOC CHÂTEAU DE BEAUCASTEL BLANC 2019

Um vinho branco proveniente desta AOC, é sinônimo de alta qualidade. Elaborado com 80% de uvas Roussanne, e poucas porções de outras brancas autorizadas da região, resulta num vinho particular. Quando jovem (entre 3 a 4 anos), mostra notas aromáticas, suaves e florais com um toque salino. Em boca é bem encorpado, e potente. Depois desse tempo foi-nos aconselhado guardar em adega e só consumir depois de 10 a 12 anos. Esse tempo faz com que ganhe profundidade e complexidade.  

CHÂTEAUNEUF-DU-PAPE AOC CHÂTEAU DE BEAUCASTEL ROUGE 2018

A comuna do  Châteauneuf-de-Pape é considerada umas das melhores parcelas de produção de uvas em todo Vale do Rhône. Aqui são permitidas 13 variedades de uvas para elaboração do vinho e o Château de Beaucastel está entre os produtores que utilizam todas elas, cultivadas organicamente desde 1960, por tradição. O resultado disso pode ser comprovado na taça, onde a qualidade excepcional, é reconhecida mundialmente. A elegância, o equilíbrio e a capacidade de envelhecimento, fez dele um ícone que nos convida para uma viagem  longa, cheia de capítulos emocionantes, marcando para sempre a vida de quem teve essa oportunidade. Um clássico!

FAMILLE PERRIN GIGONDAS AOC L’ARGNÉE VV ROUGE 2018

Elaborado com uvas de vinhedo com mais de 110 anos de idade, plantado em pé franco em terreno arenoso, é uma raridade e faz parte da linha “Séletions Parcellaires” da família Perrin. O corte da Grenache em maior proporção com a Syrah resulta num vinho único, potente e corpulento com muita elegância, taninos finíssimos e grande complexidade. Um vinho raro!

FAMILLE PERRIN VINSOBRES AOC LES HAUTS DE JULIAN VIEILLES VIGNES 2018

Outro vinho raro, de uma parcela minúscula, vinhedos com mais de 90 anos e o mesmo corte em proporções diferentes (50%Grenache 50% Syrah). Muito aromático, cheio de frutas e taninos aveludados. Mostra muito bem as características de cada casta, alternadamente, resultando num vinho de personalidade

CÔTES-DU-RHÔNE AOC COUDOULET DE BEAUCASTEL ROUGE 2018

Esse vinho possui uma particularidade interessante. Os vinhedos pertencem ao Château de Beaucastel, situado na AOC Côtes-du-Rhône (considerada mais genérica), separado pela estrada A7. Ou seja , do outro lado da via está a AOC Châteauneuf-de-Pape (considerada mais importante).

O vinho porém, mostra muito pedigree, com muita capacidade de envelhecimento. Um vinho enigmático que quebra paradigmas e não é raro causar controvérsias entre especialistas. Eu particularmente achei um vinho muito envolvente.

Ao sul do vale do rio Rhône chegamos ao mar Mediterrâneo onde ele desemboca. Em direção leste, debruçado no litoral, encontra-se a região da Provence. O clima ensolarado predomina e as temperaturas no verão podem ser altas. O vento  Mistral também tem forte influência no clima. Pode ser muito frio no inverno, vindo das neves alpinas e no verão refresca e seca o ar, protegendo as videiras da umidade marítima.

MIRAVAL CÔTES DE PROVENCE AOC ROSÉ 202

O Chateau Miraval se destacou na mídia pela sua ligação com celebridades da música e cinema. Em 1978 seu proprietário foi o pianista de jazz Jacques Loussier, onde montou seu proprio estúdio de gravação (Studio Miraval). Gravou com músicos como Pink Floyd, Elton John, Sting entre outros. Posteriormente, Tom Bove, empresário americano adquiriu a propriedade degradada, convertendo as vinhas lá existentes em produção biológica e ganhando reconhecimento internacional. Em 1993 lança o Pink Floyd Cuvée. Mais tarde se associou com o casal Pitt-Jollie e atualmente pertence apenas ao Brad Pitt que produz o Miraval Rosé juntamente com a família Perrin. Esse apelo mediático fez com que esse vinho fosse muito procurado em todo mundo, impulsionando positivamente o consumo do vinho rosé. Mas como só a mídia não se sustenta sozinha, a qualidade pode ser atestada nesse caso. Trata-se de um rosé bem ao estilo provençal, bem clarinho, delicado, discreto, com ótima acidez, boa estrutura, equilibrado e com um inconfundível aroma de lavandas que nos leva àqueles campos perfumados e ensolarados da região. Um show de vinho que nasceu para ser celebridade!”

Espero que tenham gostado, eu curti essa viagem junto com a Raquel apesar de minha tristeza por não ter podido participar. Kanimambo e nos vemos por aqui, saúde.

Castelo di Montepò, Jantar Harmonizado.

Biondi Santi dispensa apresentações para quem seja aficionado pelos Brunellos de Montalcino, afinal são pioneiros na elaboração desses vinhos e seus rótulos altamante consagrados. O que poucos sabem é que eles possuem um outro investimento, também na Toscana, na região de Maremma o Castelo de Montepó. Diferentemente de seus vizinhos, aqui eles plantaram a Sangiovese Grosso, clones que trouxeram de sua propriedade em Montalcino. Grandes vinhos saem do Castelo de Montepó sendo, talvez, o o mais conhecido o Sassoaloro.

Pois bem, nesta Segunda-feira dia 25, acordem cedo para ver se ainda existem vagas (! rs) Tancredi Biondi Santi, sétima geração de uma das mais reverenciadas famílias do mundo do vinho, e a Mistral montaram um jantar harmonizado com rótulos do Castello di Montepò. .Criadores do grande Brunello di Montalcino, os Biondi Santi têm uma história que se confunde com a trajetória dos maiores vinhos da Toscana. Após um profundo estudo do terroir ao redor do histórico castelo da família em Maremma, Jacopo Biondi Santi – pai de Tancredi – plantou mudas da lendária vinha mãe de Sangiovese BBS11 na propriedade, além de outras castas francesas, perfeitamente adaptadas ao solo e clima da região.

Complexos e saborosos, combinando fruta e um toque terroso com o inegável acento italiano, os vinhos do Castello di Montepò logo se tornaram grandes estrelas do país, entre eles, o famoso Sassoalloro. Jacopo e Tancredi também elaboram quantidades limitadas de alguns dos mais disputados supertoscanos, como Schidione e Sassoalloro Oro. A vinícola também é responsável por um rosado incrivelmente fino e o celebrado Morellino di Scansano, todos selecionados para o jantar.

Serão degustados os seguintes rótulos Castello di Montepò: J&T IGT Toscana Rosé, Braccale IGT, Sassoalloro IGT, Morellino di Scansano DOCG, Sassoalloro Oro Toscana e Schidione IGT 2001. Os vinhos serão harmonizados com um menu de especialidades italianas elaborado exclusivamente para a noite, que inclui:

1. Ravióli recheado com muçarela de búfala ao molho de tomates e manjericão

2. Polenta cremosa com ragu de ossobuco e tomates frescos

3. Cordeiro assado com gnocchi artesanal de abóbora dourado e ervas frescas

4. Torta de maça ao forno com sorvete de canela

Local: Restaurante Mondo Gastronômico – Rua Oscar Freire, 30, Jardim PaulistaPreço: R$ 790,00 por pessoa (em até 3 vezes no cartão de crédito)Reservas: (11) 3372-3401

Saúde e bom proveito! 😉

Bom Prosecco!

Para inicio de conversa, apesar de não ser respeitado no Brasil, Prosecco só tem um, o produzido nessa região do Veneto na itália assim como champagne só se produz na região do mesmo nome na França. A uva não é prosecco e sim Glera elaborada pelo processo Charmat de segunda fermentação em tanque. Tendo deixado isso claro vamos a essa prova que agradou bastante.

Os Proseccos são classificados como Brut, o mais seco e menos comum por aqui com até 12grs de açucar residual, Extra-dry mais comum por aqui e mais adocicado com açucar residual entre 12 a 17grs e o Dry entre 17 a 32grs e a OIV (Organização Internacional do Vinho) permite uma variação em até 3grs. Dependendo da posição na escala, estes espumantes podem apresentar substanciais diferenças no palato, por exemplo um Prosecco Extra Dry com 13 e outro com 19 (na tolerância).

Eu gosto dos meus espumantes mais secos, preferencialmente Nature (proseccos não possuem esta classificação) ou Brut, por isso este Prosecco DOC da Cabert me agradou tanto e foi tão grata surpresa. Muito boa e abundante perlage difusa tomamdo conta da taça, notas florais, frutado puxando para frutos brancos e algumas notas citricas, fresco, vibrante e surpreendentemente seco para um extra dry deixando um retrogosto de quero mais. Fiquei curioso para saber o residual de açucar deste vinho, mas ainda não consegui obter essa informação, assim que consiga coloco aqui.

Fica aí a dica, pode mergulhar nessa que vale a pena, pelo menos na minha avaliação. Kanimambo, saúde e aos poucos estou voltando!! rs

São Paulo Wine Trade Fair É em Maio!

Entre os dias 10 e 12 de Maio acontece a feira e congresso São Paulo Wine Trade Fair, voltado para os profissionais e produtores dos segmentos de vinhos e destilados, acontece no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Simultaneamente acontece a Cachaça Trade Fair, feira focada no segmento de bebidas destiladas em geral. pessoalmente acho que uma coisa não tem muito a ver com a outra, mas….

Para a edição 2022, estão confirmados produtores de vinhos nacionais e internacionais, importadoras, exportadoras, distribuidoras, fabricantes de maquinário, insumos agrícolas, fabricantes de garrafas, gráficas de rótulos e embalagens, entre outros.

São Paulo Wine Trade Fair promove o CICAVI – Congresso Internacional da Cachaça e do Vinho, evento de caráter cultural, social, técnico e econômico que ocorre em paralelo e tem como objetivo disseminar e fomentar o conhecimento tecnológico, agronômico, dos aspectos produtivos, da comercialização, da distribuição e do serviço entre os componentes da cadeia produtiva do vinho e da cachaça.

O tema do congresso deste ano destaca os desafios para os novos cenários de implantação de políticas ambientais, sociais e de governança no setor de bebidas adultas. E o que as indústrias do vinho e dos destilados podem ensinar sobre sustentabilidade. A grade de palestrantes tem presença confirmada de profissionais de destaque, brasileiros e estrangeiros.

O evento conta com parceiros e apoiadores como o Ministério de Relações Internacionais, Secretaria de Desenvolvimento e Agricultura do Estado de São Paulo, SPVINHO, ABRASEL, IBRAC, SEBRAE e SENAC. O credenciamento para os visitantes é gratuito e pode ser feito diretamente no site do evento, que traz as informações completas dos congressos, concursos, master class, como participar e compra de ingressos.

Interessante a presença da Anprovin (Associação Nacional dos Produtores de Vinhos de Inverno), que criou a marca “Vinhos de Inverno”, vinhos de dupla poda com uvas colhidas no inverno. Cerca de 35 dessas vinícolas estarão presentes no pavilhão “Vinhos de Inverno”, algo diferente a ser conferido.

A dupla poda, poda invertida ou colheita de Inverno, é a inversão do ciclo da videira, trazendo a colheita das uvas para o período do Inverno. São realizadas duas podas, a primeira em agosto e a segunda em janeiro. Assim as uvas amadurecem no início da estação mais fria, de pouca chuva e maior amplitude térmica. Essa diferença de temperatura entre o dia e a noite faz com que a uva ganhe maior complexidade, estrutura e acidez, proporcionando ao vinho mais equilíbrio. Essa técnica de cultivo está revolucionando a viticultura em várias regiões do país, incluindo os Estados de SP, MG, MT, BA, RJ e o DF, que e já apresentam alguns vinhos premiados.

Eu devo estar lá para conferir, e você? O credenciamento para os visitantes é gratuito e pode ser feito diretamente no site do evento, que traz as informações completas dos congressos, concursos, master class, como participar e compra de ingressos.

https://www.winetradefair.com.br/

Desafio de Cabernet Franc às Cegas – 1º Embate

Administro quatro confrarias há muitos anos, a mais antiga tem 11 anos, e é algo que me dá enorme prazer porque são momentos de confraternização e de descobertas. Volta e meia fazemos estes desafios que são bastante estimulantes e costumo trazer à taça pelo menos uns cinco rótulos de diversos países para análise. Na “Brinde à Vida” deste mês de Março, lamentavelmente o quórum estava baixo, então nos limitamos a três garrafas apenas, mas valeu a pena, sempre vale!

A Cabernet Franc é originária de Bordeaux tendo sido levada pelo famoso Cardeal de Richelieu (alguém aqui lembra dos 3 mosqueteiros? rs) para a sua abadia de Saint Nicolas de Bourgueil onde ela se tornou uva ícone da região com um estilo diferenciado em função do terroir com grandes vinhos também na vizinha Chinon. È a mãe, ou pai tanto faz (rs), da Cabernet Sauvignon ao ser cruzada com a Sauvignon Blanc. Dependendo do terroir, tende a apresentar uma certa mineralidade, nuances florais, frutos silvestres, leve toque vegetal, ótima textura e taninos macios de acordo com Oz Clarke em seu livro Grapes & Wines.

Para este desafio selecionei um desafiante uruguaio, um argentino e um chileno, pena que faltou espaço para um brasileiro e um francês, o embate teria ficado ainda mais interessante, mas deixa eu te passar minhas impressões sobre os vinhos que possuíam preços entre 120 a 180 Reais. Todos bons vinhos, porém com personalidades bem diferentes e, aí, é uma questão de gosto

Dominio Cassis Cabernet Franc, uruguaio da região de Las Palomas próximo a Punta, safra 2017. O mais pronto e afável dos três vinhos da noite. Tímido no nariz, mostra-se bem na boca com uma certa mineralidade, frutado, leve toque vegetal, frutos silvestres e taninos macios muito bem equilibrado com seus educados 12.5% de teor alcoólico. Passagem por barricas de carvalho francesas e americanas por um período de 12 meses sem que esta se torne muito percepetiva, um vinho fresco e apetitoso que deixa um retrogosto de quero mais. O melhor para um dos confrades, para mim veio em segundo lugar.

Joffré y Hijas Gran Cabernet Franc, argentino do Vale do Uco em Mendoza, safra 2019, com 9 meses de barricas francesas e americanas, apenas 50% do vinho, e o maior teor alcoólico, 14,5%. Leve floral no nariz, bem frutado com notas de eucalipto e baunilha, aromas bastante interessantes de explorar com calma, mesmo para mim que não sou assim tão chegado em coisas olfativas, sou mais palato! rs Na boca demonstra seu equilíbrio com o álcool muito bem integrado, bom volume de boca, ótima textura e meio de boca complexo, taninos finos ainda bem presentes e boa acidez mostrando que que tem predicados para o levar bem mais longe com boa evolução. O primeiro no meu ranking, no dos outros confrades estava em segundo porém com o decorrer do tempo em taça acabou dividindo opiniões.

LFE 360º Series Cabernet Franc 2019, chileno do vale de Colchagua, inicialmente o preferido da maioria, algo que mudou um pouco com o tempo em taça. Afinamento em barricas de segundo y terceiro uso americanas e francesas por um período entre 11 a 12 meses. Veio potente, cor escura, rubi intenso, aromaticamente intenso com menta, frutos negros, algo de pimentão (suave) a famosa piracina, marca de boa parte dos vinhos chilenos.  Seus 14% de álcool se notam bem presentes e ainda por integrar, grande estrutura e volume de boca, especiarias, notas tostadas, vinho resinoso e algo pesado que, no meu conceito de Cabernet Franc, destoa um pouco quanto à tipicidade da casta. Para mim, minha terceira escolha e algo over para meu gosto. Para quem gosta de vinhos power, uma boa opção porém acho que abrimos o vinho cedo demais, precisa de mais tempo de garrafa.

Bem, por hoje é só, porém já tenho agendada mais uma degustação às cegas de Cabernet Franc com outros rótulos e outra confraria agora em Abril, depois conto mais, será o Embate II. rs Kanimambo, saúde