Falando de Vinhos

Revista quase que diária sobre os encantos e segredos de nossa vinoesfera.

Fondue & Vinho, Parceiros do Inverno

O inverno chegou e, desta vez, com um friozinho gostoso e mais constante, especialmente à noite. Uma dica é curtir o friozinho se saciando com um gostoso fondue de queijo, um saboroso vinho e, para fondue1quem pode, o calor de uma lareira acesa e a companhia certa, poucas coisas tão gostosas e tão românticas. Fondue, originário da Suiça e outrora muito elitista em nossas terras tupiniquins, sempre foi algo muito corriqueiro em países europeus de inverno mais rigoroso e, aqui, começa a ganhar um status diferenciado até porque não exige grande conhecimento para elaborá-lo e tão pouco é caro. Com os pacotes prontos para uso e de custo bastante baixo, basta comprar um kit para fondue e começar a curtir sem grandes gastos e, ainda por cima, tem aquele tempero romântico quando “harmonizado” a dois. Um pacotinho desses de fondue de queijo, os puristas vão se revoltar mas é bem mais prático e bom, serve duas pessoas numa boa e, se quiser algo mais, complete com um de chocolate e frutas, bom demais! Eu tenho sempre umas caixinhas de uma marca suiça na despensa, nunca se sabe quando dá vontade, então …..

               Na hora do fondue sempre fica uma pergunta, que vinho tomar? No de carne é fácil; vai-se de tintos, macios, taninos sedosos e “amistosos” ausentes de qualquer adstringência mais acentuada, pelo menos em minha opinião, afinal isto não é churrasco! rs Quanto ao de queijo, há seguidores tanto do branco como do tinto e não existe regra, vá com o que fondue2você mais gosta. Pessoalmente, gosto de harmonizar meu fondue de queijo com um vinho tinto pouco tânico, leve e fácil de beber sem se contrapor ao queijo, mas não deixo de tomar meus brancos também, até porque gosto de variar. Nos brancos devemos evitar aqueles muito citricos e florais de acidez acentuada que, tradicionalmente, são mais companheiros  para frituras, preferindo aqueles um pouco mais untuosos e de maior estrutura porém sem muita madeira devendo ser tomados frescos, mas não muito gelados. Qual o melhor? Bem, eu cá tenho minhas preferências, mas isso depende de disponibilidade financeira e gosto, então já que o inverno promete ser bastante frio, aproveite os próximos 30 dias e não se acanhe, teste diversas combinações e depois, compartilhe conosco qual você mais gostou.  Como costumo frisar, não precisamos gastar rios de dinheiro para curtir momentos destes apesar de que, se alguém quiser fazer bonito e tiver bala na agulha, existem inúmeras opções muito saborosas com preços mais altos.

Fondue chocolate               Para acompanhar o fondue de chocolate, não existem muitas opções e talvez a melhor harmonização seja um Banyuls ( da região de Roussillon no sul da França) como o Chapoutier (Mistral) ou um Vinho do Porto Ruby, eventualmente um Reserva ou até um LBV com alguns anos de garrafa, apesar destes talvez virem a apresentar uma concentração e nível alcoólico um pouco altos demais. Agora, também não precisa ser xiita, vai de fondue sem vinho que vale também, importante é o momento.

Ah, mas eu só falei de queijo e chocolate! Bem, é que a harmonização de fondue de carne, como já falei, é muito mais simples e recai, essencialmente, nos vinhos tintos. Por outro lado, apesar de ser muito simples de fazer, o fondue4segredo para o fondue de carne é a variedade e qualidade dos molhos ofertados como acompanhamento o que pode transformar um momento agradável num verdadeiro desastre. Então, se quiser uma dica, trabalhe bem os molhos! Quanto aos vinhos, mais uma vez depende do gosto de cada um lembrando que o vinho tem que primeiramente, na minha opinião, harmonizar com as pessoas e só depois com o prato, melhor com os dois! Eu acho que um Syrah de médio corpo com pouca ou nenhuma madeira é coringa nesses casos.

Caso queira servir vinhos um pouco mais encorpados com seu fondue de carne, sugiro os de corpo médio, não muito pesados, de taninos mais macios com pelo menos uns dois anos de garrafa para que não briguem com a diversidade de molhos servidos.

Por quaisquer cem a cento e vinte pratas você já consegue fazer a festa com fondue de queijo, chocolate e um vinho para duas pessoas. Lógico dá para sofisticar e aí o custo aumenta, mas não existe desculpa para você deixar de aproveitar este friozinho para namorar e se deliciar com vosso Fondue & Vinho preferido. Quer juntar os amigos e curtir, então a dica é expandir esse universo e começar com fondue de queijo e vinho branco, depois de carne com tinto e termine com o de chocolate. Afora se divertirem, certamente a noite será muito saborosa e alegre.

Para quem preferir botar a mão na massa eis alguns links de receitas;

Não testei nenhuma, mas…….salute e bon apetit! Kanimamab pela visita nesta semana pouco produtiva por aqui. Semana que vem tem mais.

Ps. Revisado de post primeiramente publicado em Julho de 2009.

 

Salvar

Salvar

Frutos do Garimpo de Maio foi de Malbec

Porém algo diferente, mostrando a versatilidade da uva que produz os mais diversos estilos de vinho. Para ilustrar isso e contando com a parceria da Wine Lovers e da Galeria de Vinhos assim como da Barrica Negra que lamentavelmente encerrou as atividades como importadora, trouxe aos confrades e confreiras cadastrados um espumante, um vinho tradicional tinto e um late harvest. Vejam abaixo o que rolou:

Vicentin Rosado brutVicentin Rosado de Malbec Brut, da Galeria de Vinhos, elaborado pelo método clássico, 12 meses de autólise, com um mix de uvas de cinco vinhedos diferentes em Lujan de Cuyo (Mendoza). Linda cor salmonada, fresco, ótima perlage, cítrico, bom volume de boca, acidez equilibrada que combinou ás mil maravilhas primeiramente com o bate papo entre os amigos e posteriormente com uma deliciosa Burrata sob uma cama de tartar de salmão. Um espumante que surpreende por sua textura e de que gosto muito e olha que provo de montão! rs Preço sugerido pela importadora, R$148,00

Penedo Borges Reserva Malbec é isso, um vinho de boa pegada, porém refinado.penedo Borges Malbec Reserva Elaborado com um toque de Cabernet Sauvignon e Syrah que lhe dá um tempero especial, o vinho passa por envelhecimento em barricas francesas (70%) do vinho e americana por 8 meses e posteriormente afina em garrafa por mais uns seis meses antes de sair ao mercado. Muita fruta negra (ameixa), ótima textura de boca com uma entrada marcante, boa estrutura de meio de boca terminando com toque de especiarias e notas tostadas com taninos finos bem presentes, mas sem ferir o palato. Extração no ponto, sem exageros, harmônico, um vinho que dá prazer tomar e certamente acompanhará um bom bife de chorizo com galhardia. O preço de mercado indicado pela  importadora parceira (Wine Lovers) é de R$99,00

vinserusVinserus Malbec de Otono, da Barrica Negra (com ativididades encerradas), um colheita tardia tinto que surpreende quem o prova em função da qualidade que ele entrega por um preço bem camarada. Os bons colheitas tardias tintos de Malbec existentes no mercado costumam andar na casa dos 100 reais e este a cerca de 60 já era um achado, pena que acabou! Desde o primeiro momento que o conheci há um bom par de anos atrás, me encantei, doçura no ponto, muito equilíbrio balanceado por uma acidez muito bem trabalhada. Notas frutadas típicas da malbec, porém compotada, toque levemente doce de açúcar mascavo e taninos aveludados, macios já muito bem integrados ao longo de seus dez anos de vida, pois este é de 2007.

Para acompanhar o Vinserus, excepcionalmente, um saquinho das famosas (aqui na Granja Viana) Ballas de Chocolate da Isabela Amaral, receita de família elaborada BallasChocolate_22artesanalmente com muito esmero e absolutamente deliciosas, para você harmonizar. No entanto,  sobremesas de chocolate a nível geral são uma ótima pedida e se tiverem um toque de frutas vermelhas então! Costumo dizer que esta Ballas vão muito bem acompanhadas de um bom vinho de sobremesa, Porto Ruby, Banyuls, Late Harvest de Malbec, etc., mas o gostoso delas é que também vão muito bem só! De qualquer forma, a Balla já escolhida, o acompanhamento fica por sua conta ou, neste caso, por minha! Clique no link para ver mais e fazer suas encomendas, rs.

Um bom fim de semana para todos, com ou sem Malbec (rs), porém sempre com boa companhia pois faz muita diferença! Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer esquina desta vasta vinosfera, fui!

Salvar

Salvar

“Actualmente No Hay Vinos Pesados y Ni Exagerados en Argentina”

Assim disse James Suckling, critico internacional, em uma matéria parcialmente reproduzida no último dia 22 de Junho pelo site argentino WINE MDQ . Quase verdade, na minha opinião porque há gente que persiste por filosofia, gosto ou por meras razões james sucklingcomerciais por ainda existir quem compre. Nada contra, há gosto e mercado para tudo, porém fica claro que há uma revolução ocorrendo, uma mudança radical de filosofia em resposta aos mercados e suas demandas. Não é de hoje, para quem presta atenção e é menos conservador, essa onda já vem faz um tempo e eu falo disso aqui já faz alguns anos. Está se deixando de lado as bombas tânicas e alcoólicas, os vinhos super extraídos, por vinhos de maior elegância, mais finos com maior estudo dos terroirs.

Esse estudo maior dos terroirs, dos microclimas existentes fez com que novas áreas de plantio fossem desbravadas, castas fossem exploradas e novos vinhos surgissem. Os excessos foram substituídos pela moderação e equilíbrio com o surgimento de grandes vinhos brancos, vinhos single vineyards, cabernet francs, deliciosos e complexos blends, uma pena que essa nova realidade tenha tanta dificuldade de se tornar conhecida da maioria dos consumidores brasileiros.

“Not heavy and not overdone—that’s where Argentine wines are now”  diz James Suckling, e nisso eu concordo com ele, pelo menos quanto a uma boa leva dos novos vinhos hoje sendo elaborados por lá. Leia a matéria de James Suckling sobre o tema clicando aqui, com as notas dadas aos vinhos, talvez algo exageradas na minha opinião que sou mais mão fechada nesse quesito, que comprovam essas mudanças. Dos 900 vinhos provados neste tour dele de 2017, nada menos que 56 tiveram notas acima de 95 pontos entre eles (ver a lista completa no link da MDQ acima) selecionei os top 10 listados :

CATENA ZAPATA CHARDONNAY MENDOZA ADRIANNA VINEYARD WHITE STONES 2014
99 Puntos
EL ENEMIGO CABERNET FRANC GUALTALLARY GRAN ENEMIGO SINGLE VINEYARD 2013
99 Puntos
VIÑA COBOS MALBEC MENDOZA COBOS CHAÑARES VINEYARD 2014
99 Puntos
TERRAZAS DE LOS ANDES MALBEC LAS COMPUERTAS LUJÁN DE CUYO SINGLE PARCEL LOS CEREZOS 2013
98 Puntos
CATENA ZAPATA MALBEC MENDOZA ADRIANNA VINEYARD FORTUNA TERRAE 2014
98 Puntos
TRAPICHE MENDOZA ISCAY SYRAH VIOGNIER 2014
98 Puntos
TERRAZAS DE LOS ANDES MALBEC VALLE DE UCO SINGLE PARCEL LOS CASTAÑOS 2013
97 Puntos
CATENA ZAPATA MALBEC MENDOZA ADRIANNA VINEYARD MUNDUS BACILLUS TERRAE 2014
97 Puntos
EL ENEMIGO CABERNET FRANC MENDOZA GRAN ENEMIGO CHACAYES SINGLE VINEYARD 2013
97 Puntos
SUSANA BALBO WINES VALLE DE UCO NOSOTROS 2012
97 Puntos

Agora, se você for algo São Tomé, faça que nem eu, confira, Prove! Meu maior desejo neste momento, falando de vinhos argentinos, é o Chardonnay White Stones que vem sendo altamente elogiado e é o topo desta lista! Imaginem, quem diria que um dia um chardonnay poderia ser topo de uma lista dos melhores vinhos argentinos??? Ansioso por provar, só preciso achar e ter o din-din para isso, rs, porque o bicho não é fácil de achar e é carinho, doações serão aceitas!! rs Por sinal, o amigo Alejandro Vigil deu show nessas notas do Suckling, afinal desses top 10 ele e sua equipe são responsáveis por cinco dos vinhos e na lista de acima de 95 pontos tem bem mais que isso! Enfim, por hoje o tema foi esse, mas sigo antenado e compartilhando com os amigos sempre que possível. Saúde e kanimambo pela visita.

Salvar

Córdoba, na Argentina, Produz Vinho??

Sim, desde o século XVI quando os jesuítas plantaram as primeiras vinhas nas Sierras de Cordoba, região rica em microclimas porém muito pouco conhecida entre nós. Sabemos que 90% ou mais do vinho argentino vem de Mendoza  e, no máximo, é de conhecimento geral que há produção também na Patagônia, Salta, San Juan e Rioja, porém dos cerca de 15 produtores de Cordoba, pouco se sabe e eu tão pouco, primeiros goles estes! rs
Quando há cerca de dois meses participei de um almoço/degustação com Matias Michelini e seus vinhos, fomos surpreendidos pela presença de dois outros produtores. O Germán de que já falei aqui, e Pablo Asef de quem venho falar hoje. Um produtor biodinâmico, La Matilde comarca biodinâmica produzindo queijos de cabra, mel, ervas, verduras, compotas de tomate e agora vinho com a consultoria do Matias. Por enquanto a capacidade instalada é de 15.000 garrafas anos em quatro hectares de onde sai este bom e raro Tannat, da qual apenas 1.300 foram produzidas. Com cinco ovos de concreto a Bodega instalada a cerca de 800 metros de altitude na base do Cerro Champaquí, tirará da safra de 2017 suas primeira garrafas totalmente integradas (vinhedos e bodega próprios) e estou curioso por conhecê-lo.
Pelo que me informaram, a região ainda em em formação e desenvolvimento de vinhas, tem boas Sierra Roja tannatcondições climáticas para as uvas que pedem regiões mais quentes. Até perguntei sobre a Petit Verdot e sim, poderá até vir a ser uma casta a ser explorada. No momento o projeto é também de um Malbec, o Tannat, um Cabernet Sauvignon e no futuro um blend dos três. Se conseguirem um tico de Petit Verdot só para colocar nesse blend, deverá ficar da hora!! rs
Enfim, o vinho que nos foi apresentado foi esse Sierra Roja Tannat 2016, a primeira safra do vinho, que nos surpreendeu e ainda não está disponível no Brasil. Muito fresco nos aromas, na boca mostra sua raça, meio de boca bastante estruturado e denso, frutos escuros, final com taninos  sedosos e arredondados ainda por integrar porém mostrando já bom equilibrio, alguma especiaria, fresco e longo. Em minha modesta opinião, diferente dos uruguaios (menos austero) e os de Salta (menos fruta), por isso mesmo um vinho de personalidade própria que reflete o seu terroir de forma mais verdadeira, sem querer ser mais nada do que ele é, um vinho minimalista! Não é um vinho barato, lá creio que anda na casa dos 950 pesos, mas certamente gente em quem tem que se prestar atenção no futuro já que novas fronteiras começam a ser desbravadas de forma mais atuante.
Uma ótima semana para os amigos e grato pela visita, espero continuar vendo-os por aqui ou qualquer esquina desta nossa  imensa vinosfera. Saúde e kanimambo!

Salvar

Destaques do Wine Tasting de Maio

Há poucas semanas tive a oportunidade de, em parceria com a Lusitano Import e a Wine Lovers, promover um Sábado de provas com 14 vinhos, queijos e pães artesanais na Vino & Sapore. Todos os 50 convivas presentes aproveitaram bem o evento, mas como bom anfitrião fiz questão de provar tudo, mesmo tendo selecionado os vinhos pessoalmente antes. Baseado em minha percepção pessoal e ao resultado de vendas, mesmo sabendo que todos eram de muita qualidade em sua faixa de preço, oito vinhos se destacaram e gostaria de os compartilhar aqui com quem não pôde estar presente.
20170528_103726
Burson Rosato Brut (Lusitano) – Espumante rosé á base de uma uva rara e pouco conhecida, a Longanesi. Um espumante marcante, com personalidade própria, boa estrutura que surpreende quem acha que todos os espumantes rosés são aquela groselha clara e sem graça, este é um outro mundo! Cor acobreada, complexo, vale experimentar!!
Chateau la Thou Rouge Collection (Wine Lovers) – Languedoc, de vinhedos com mais de 30 anos, blend de Syrah (70%) com Grenache, bem frutado, macio, descomplicado, vinho bem versátil, blend francês de ótimo preço que surpreende, abaixo das 70 pratas! Quem foi que disse que vinho francês barato é ruim???
Nancul Malbec Reserve Collection (Lusitano) – achei muito legal este Malbec chileno num estilo menos potente e mais elegante de taninos finos e fruta abundante porém sem aquela fruta super madura muitas vezes encontrada nos vinhos argentinos de baixo preço. Numa faixa abaixo das 60 pratas, um vinho que, junto com o Le Thou acima , formou a dupla de Best Buys do dia.
Tricky Rabbit Pinot Noir/Syrah Reserva (Wine Lovers) – também do Chile, a leveza da Pinot Noir com o tempero da Syrah que lhe dá um final especiado e um pouco mais de corpo, um vinho muito agradável e fácil de agradar quem gosta de vinhos mais leves porém não abre mão de uma certa complexidade. Oito meses de barricas usadas que só enaltece o vinho sem jamais se sobrepor, aromas florais e notas algo defumadas, fruta acentuada na boca com final levemente tânico e sedoso de média persistência.
Finca Agostino Chardonnay/Viognier (Wine Lovers) – um branco argentino para quebrar preconceitos de quem diz que vinhos branco não emplacam, emplacam sim, desde que as pessoas os conheçam, um dos vinhos que mais venderam no dia apesar de um preço algo mais alto, pouco acima dos 100 Reais. Aromas de boa intensidade de frutos tropicais, muito saboroso, com notas de maçã verde sobre uma base algo abaunilhada típica da Chardonnay com passagem de seis meses por barrica sur lie. Um vinho sedutor e bem balanceado.
Finca Agostino Syrah/Malbec (Wine Lovers) – mais um belo vinho deste produtor mendocino, muito rico, frutado e de corpo médio, com meio de boca muito rico, taninos aveludados e um final de boa persistência que pede a próxima taça. Com 70% de Syrah, as uvas são vinificadas em separado e passam por um estágio de 10 meses de barrica francesa antes do blend ser feiro repousando em garrafa por seis meses antes de sair ao mercado. Especiarias e fruta muito bem equilibrados num vinho que, a meu ver, se mostrou complexo e encantador.
Nancul Family Reserve (Lusitano) – belo e encorpado corte de Cabernet Sauvignon e Syrah que, dentro de sua categoria, arriscaria dizer ser também um Best Buy porque a percepção de valor é bem superior ao preço. Ainda novo, mostra bastante estrutura com taninos firmes, robustos mas finos, bom volume e textura de boca, sem goiabas nem pimentão (apesar de chileno), fruta abundante, complexo e denso na boca, aromas de frutos do bosque negros (mirtilos e coisas do tipo) com um toque de especiarias, a meu ver um vinho que poderia até passar por uns 30 minutos de aeração ou até guardar por mais uns dois anos, mas acho isso tarefa das mais difíceis! rs  Dez meses em tanques de inox, depois passa for 15 messes de barrica e descansa 10 meses em garrafa para afinamento e nosso deleite, senhor vinho!
Burnside Road Sunset Road Red Blend (Wine Lovers)- Sub região de North Coast na Califórnia um vinho não safrado, blend de  que seduziu a maioria por sua sutileza, equilíbrio e finesse. Para quem gosta de vinhos robustos, esta não deve ser sua escolha pois este exemplar prima pela elegância e sutileza de sabores formado um conjunto muito harmônico.
Neste próximo Sábado (24/06/17) tem mais uma gostosa experiência dessas com a realização do segundo Saturday Afternoon Wine Tasting na Vino & Sapore, centrinho da Granja Viana, com a participação das importadoras Almeria e Galeria de Vinhos assim como do Mestre Queijeiro com seus queijos artesanais e da Raquel com seus deliciosos pães. Vale conferir, mas confirme antes se há vagas, pois são limitadas. Fui, kanimambo, saúde e seguimos nos encontrando por aí ou por aqui. Bom fim de semana.

Salvar

Salvar

Bruschetta de Alheira c/Espinafre e Otras Cositas Más!

Tarde Luso- italiana com um toque mendocino!!! Um fim de semana gordo, um Domingo especial em que o almoço terminou já passava das cinco da tarde, dia bom demais. Família reunida, quase toda, e inventei de fazer algo diferente que descobri na internet, uma receita de Alheira à Pedro Jorge que eu chamei de Bruschetta de Alheira e Espinafre e um belo nhoque ao sugo com raspas de parmesão, ambos os pratos escoltados por vinhos do amigo Matías Michelini.
As alheiras com espinafre você poderá ver a receita completa clicando aqui, porém vou adiantar deAlheira com Agua de Roca tão fácil que é. Dá uma escaldada no espinafre (eu usei o já picado e congelado usando uma peneira fina) e nessa mesma água faz o mesmo com as alheiras, depois retira-se lhes a pele e desfaça a alheira.  Refogado básico de cebola e alho, joga o espinafre, depois a alheira e misture bem fazendo uma pasta, sempre caprichando no azeite, leve espremida de laranja para dar uma acidez maior sem lhe dar sabor. Pão tipo italiano levemente torrado, esfrega o alho e joga um fio de azeite em cima, leva ao forno por dois minutinhos, forra o pão com finas fatias de mussarela de búfala e sobre elas colocar essa massa de espinafre e alheira e uma raspa de limão siciliano. Volta ao forno com um fio de azeite por cerca de dez minutos e está pronto. Coloquei bastante azeite, mas também olha só o azeite, da Malhadinha não filtrado presente de meus amigos, o casal Curioso, nunca é demais! Para servir, pode colocar azeite agosto, gente, delícia, sente-se bem o gosto da alheira (adoro!!) porém mais suave. O legal é que dá para preparar antes e só montar levar ao forno poucos minutos antes de servir. Para umas 12 pessoas, duas alheiras e 400grs de espinafre deram conta. Para acompanhar, escolhi um delicioso Agua de Roca Sauvignon Blanc que “ornou” muito bem com seu frescor e mineralidade se contrapondo à untuosidade do prato. Vou repetir, mas terei que trazer mais algumas garrafas porque só me sobrou uminha!! sniff
Nhoque ao sugo, não não fiz o nhoque porque a Beth Massas (daqui do pedaço) já faz um bem bom, para quê me dar ao trabalho?? rs Só o molho Calcáreo e Nhoquefoi caseiro, mas o resultado ficou excelente ao abrir um delicioso Calcáreo Bonarda, que vinho (fruta abundante, equilíbrio, acidez e mineralidade médio corpo e taninos muito sedosos) e que deliciosa harmonização. Me parece que o Matías disse que descontinuou a produção deste vinho, tenho que conferir, então vou tentar que comprar algumas garrafas por lá antes que acabem e a produção não é grande.
Fim de semana pleno de sabores, misturas e harmonizações para lá de diferentes, loira e filhotes (quase todos) por perto, não me canso disso, quero mais é me empanturrar desses momentos de felicidade! rs Saúde, kanimambo e dia 24 tem Saturday Afternoon Wine Tasting na Vino & Sapore com a presença dos vinhos da Almeria, da Galeria dos Vinhos, do Mestre Queijeiro e dos Pães Artesanais da Raquel, não dá para perder e é baratinho! Veja mais aqui, vagas limitadas, e quem sabe nos vemos por lá??

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Wine Tasting na Vino & Sapore Neste Próximo dia 24

Depois do sucesso que foi o último Saturday Afternoon Wine Tasting em Maio na Vino & Sapore e a pedidos, mais um encontro com novos parceiros do vinho, desta feita a Almeria e a Galeria dos Vinhos. Antes de falar do que vai acontecer, que tal dar uma olhada no slide show que montei  do evento de Maio clicando aqui!

Nossos parceiros do vinho trarão espumantes e vinhos tranquilos do Chile, Argentina, Espanha, Portugal, Itália e França num total de 14 vinhos. Vinhos espumantes, rosé, brancos e tintos, vinhos ligeiros, vinhos mais encorpados, um pouco de tudo para que você navegue por nossa vinosfera sem sair do lugar! rs A eles, se juntam agora o Mestre Queijeiro e a Raquel Santos com seus pães artesanais, e o evento ficou ainda mais gostoso. Somente 50 convites disponíveis para venda antecipada a R$40,00 cada!
Mestre queijeiro clipboardDiversos queijos à prova e venda no dia direto com o Mestre Queijeiro, o amigo Bruno que virá de Pinheiros especialmente para abrilhantar este evento.Raquel pães clipboard

A Raquel Santos, amiga e parceira de longa data envereda por um outro caminho, o de deliciosos pães artesanais para serem degustados na hora, compra disponível assim como encomendas. Tanto com a Raquel como com o Mestre Queijeiro, a compra ou encomenda dos produtos será feita diretamente com eles.

Os convites serão vendidos antecipadamente e serão limitados a 50 pessoas, sendo que boa parte já estão vendidos. O custo será de R$40,00 por pessoa dos quais R$15 reverterão em desconto na compra de qualquer um dos rótulos em prova, exceção feita a eventuais rótulos com promoção especifica ou seja, o desconto não é cumulativo nesses casos. Convites disponíveis na loja no horário normal de funcionamento, porém em caso de dificuldade basta me ligar que tenho um plano B para os amigos algo mais distantes!

E os vinhos, o que estará disponível para prova? Junto com a  Almeria e a galeria de Vinhos, escolhemos rótulos que primem por trazer à prova dos presentes a diversidade de nossa vinosfera, marca que diferencia a Vino & Sapore da maioria por aí. Sempre saindo da mesmice, buscando explorar novos sabores!

Espumantes Santa Augusta Brut e Moscatel (melhor do Brasil de acordo com a revista Adega e o Guia Descorchados), Visigodo Verdejo (Rueda/Espanha), Bujeau la Grave (Bordeaux/França), Gouguenheim Malbec (Mendoza/Argentina), VSE Reserva da Família Carmenére (Chile), Campos Reales Tempranillo (la Mancha/Espanha), Villa Panis Rosso (Toscana/Itália), Villa Panis Bianco (Sicília/Itália), Lealtanza Edicion Ltda (Rioja/Espanha), Ondines Cotes du Rhône (França), Quinta dos Termos DOC (Beiras/Portugal), Chilcas Cabernet Franc Single Vineyard (Chile) e, eventualmente, outros a definir.
Local:  Vino & Sapore – Rua José Felix de Oliveira, 875, centrinho da Granja Viana, Acesso pelo km 24 da rodovia Raposo Tavares sentido Cotia.
Dia: 24 de Junho de 2017  Horário: das 16 às 19:30h
Convites: Antecipados a R$40,00 por pessoas com crédito de R$15 para uso na compra de vinhos em prova.
af_cartaz2

Salvar

Salvar

Espumantes Tosti na Mesa.

Recentemente fui convidado para provar os espumantes da Tosti que, não sabia, não atua só em Veneto com Proseccos, mas também no Piemonte. Tosti Prosecco, um dos primeiros a chegar ao Brasil nos idos de 1993, já andou na mão de alguns importadores até chegar, para minha satisfação, na Galeria de Vinhos, gente com quem mantenho uma boa parceira já faz alguns anos. Normalmente vemos espumantes como meras borbulhas de celebração, porém dependendo de seu nível de doçura, podem e dão harmonizações muito interessantes podendo ser fiéis escudeiros a diversos pratos.
A Tosti produz hoje algo ao redor de 14 milhões de garrafas ano das quais 40% são direcionadas ao mercado Norte Americano seguido de Inglaterra, Alemanha, Bélgica, etc. porém o Brasil começa a reagir, novos rótulos vêm chegando e provamos alguns nesse gostoso almoço na presença dos importadores, Giovanni Bosca (presidente da Tosti) e alguns amigos do setor. Eles produzem também vinhos tranquilos no Piemonte, mas desses ainda não há no Brasil, questão de tempo acredito eu. Apresentações feitas, deixa eu agora falar resumidamente o que achei dessa prova junto com os I Like Brutexcelentes pratos de peixe do restaurante Amadeus, show de comida por sinal!
Começamos provando um lançamento que está por chegar ao Brasil, o I Like Prosecco Brut, num estilo moderno, muito fresco com sensações de maçã verde na boca, excelente perlage que “picava” o céu da boca e persistiu por muito tempo na taça. Um estilo mais festivo, leve em que o Brut não me pareceu tão seco quanto esperava. Não vi a ficha técnica, ainda muito recente na linha, porém tendo a acreditar que o residual de açucar esteja bem próximo do limite para esta categoria que determina o máximo Tosti DOC e Muquecade 12grs com tolerância de 3grs/litro. Acompanhou muito bem uns pasteizinhos de camarão, ostras frescas e iscas de peixe. Ainda sem preço no mercado.
O Tosti Prosecco DOC Extra-dry, por outro lado, parece ser bem mais seco apesar de suas 16grs de açucar residual dentro das normas que estipulam o máximo de 17grs/litro. Um prosecco de fina estirpe, com mais corpo, ótima perlage, aromas delicados, cítrico, com boa densidade de boca que o habilita a enfrentar pratos mais estruturados tendo escoltado muito bem a Muqueca que veio á mesa. Gosto bastante e o preço final anda na casa dos 85 a 95 Reais em Sampa está em linha com o que entrega.
20170608_131316Tosti Asti Spumante Dry, novidade total e somente a partir de Agosto chegará pois aguarda a oficialização do DOCG (Piemonte) que normalmente aceita tão somente o doce com mais de 80grs de açucar residual. Um trabalho desenvolvido pela Tosti que culminou num espumante muito interessante. Digo isso porque o primeiro impacto aromático é da Moscatel e você fica esperando uma doçura na boca que praticamente inexiste! Muito saboroso, mediamente seco, fresco, como sempre uma ótima perlage, porém mais leve que Prosecco DOC e não achei que acompanhou tão bem a Muqueca, acho que precisa de algo mais leve e uma pena que as ostras a estas horas já eram, acho que teriam se dado muito bem! Ainda sem preço.
Tosti Pink Moscato, gostei! Elaborado com 85% de Moscato e 15% de de Groppello uma uva tinta autóctone da região, muito boa acidez que se contrapôs bem ao alto residual de açucar. Veio para Pink Moscatoacompanhar um trio de sobremesa e se deu muito bem. Há muita gente que torce o nariz para os espumantes Moscatel e até concordo que há muita coisa doce demais no mercado, até enjoativa, porém os bem balanceados com a acidez correta como este e baixo teor alcoólico (7,5%) são ótima companhia para sobremesas também ácidas e não muito doces. Vão bem com tortas de frutas, salada de frutas com sorvete, bolos de casamento, frutos do bosque flambados e outras criações interessantes como este trio elaborado pelo Amadeus do qual, lamentavelmente, esqueci de tomar notas dos detalhes. Uma grata surpresa na casa dos 65 a 75 Reais que me agradou bastante.
Para quem queira entender um pouco melhor as normas que regem os diferentes estilos de espumantes Ttipos e níveis de doçura) clique aqui, porém de forma sintetizada o gráfico abaixo dá uma boa idéia disso. Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui e por aí nas estradas de nossa vinosfera.
Sweetness in wines

Salvar

O que o Contra Rótulo Não Diz, Mas eu Gostaria de Saber

Quantos dos amigos leem um contra rótulo? Também, cá entre nós o que interessa à imensa maioria saber a quantos graus foi fermentado o vinho e por quantos dias? Muita firula, querendo falar muito para quem entende do riscado mas pouco, muito pouco “user friendly” para com o consumidor em geral! Já toquei neste assunto há uma meia dúzia de anos atrás, porém achei que estava na hora de retomar o tema que, a meu ver, é deveras importante, especialmente no Brasil

Informações sobre a produção mais práticas e objetivas, mesmo que haja alguma descrição lúdica do caldo, são uma forma de contribuir para um maior esclarecimento que ajudaria em muito o consumidor na hora da compra. Considerando-se que o Brasil é um país ainda engatinhando no conhecimento enófilo, esclarecer é educar e a educação, afora o preço, é um dos caminhos para o crescimento do mercado.  Não só os produtores locais, mas também os importadores que já têm que obrigatoriamente providenciar contra rótulos em português, poderiam ajudar muito nesse processo pois um sommelier de qualidade em cada local de venda é totalmente inviável e uma compra mal feita faz um estrago danado! Cabe a quem vende tentar sanar esta falta, não ao consumidor que pode, ou não, se interessar ao ponto de correr atrás.

Luis Lopes, editor da revista de Vinhos em Portugal, foi especialmente feliz em um de seus editoriais lá atrás 2009, por sinal de um humor sarcástico ao ponto, do qual extraí três frases elucidativas, mas recomendo acessar o texto completo aqui.

  • “É uma inutilidade tão diversificada que até pode ser agrupada por temas. Há os contra-rótulos auto avaliativos: “este magnífico vinho”; “este néctar precioso”; “um tinto cheio de personalidade e carácter” (a garrafa custava €1,90, a personalidade é barata hoje em dia).
  • Aprecio igualmente o contra rótulo gastronómico: “óptimo com peixe e saladas”; “perfeito com caça de pena e queijo” (a julgar pelo número de vezes que esta sugestão se repete, acho que metade dos vinhos portugueses são para beber com caça e queijo.
  • A temática tecnológica incide sobretudo na adega. “fez a maloláctica na barrica“ (malo quê? dirão os mais distraídos, mas esta preciosa informação é só para especialistas); “passou 16 meses em barricas de carvalho francês de Allier grão fino tosta média” (nah, esse é para amadores, vou levar este outro que passou 22 meses em barricas de carvalho Nevers, grão médio, tosta forte, coisa de macho).

Jancis Robinson também comentou este mesmo tema na Prazeres da Mesa de Maio de 2011 sob o titulo, “O Que Diz o Rótulo” ao qual respondo, quase nada!

Todos os comentaristas têm sua parte de razão e visões diferentes sempre existirão, até porque, como já disse Nelson Rodrigues, a unanimidade é burra e a divergência serve de fluido para o desenvolvimento. Já vi alguns rótulos, agora não me lembro os produtores, que apresenta um gráfico com uma curva de maturidade estimada do vinho que achei bastante interessante, até porque a maioria dos consumidores ainda acredita na falácia de que vinho quanto mais velho melhor e sabemos que não é bem assim e, por outro lado, não tem ninguém melhor para conhecer o potencial de guarda de um vinho que seu produtor já que vinho pode ter prazo indeterminado de vida, mas uma hora também chega a seu fim! Quem sabe isso não inibiria a atividade de comerciantes e importadores inescrupulosos que saem por aí dando descontos imensos em vinhos que sabem estarem moribundos, um verdadiro desserviço a nossa vinosfera. Já vi promoção de Beaujolais Noveau com DOIS ANOS!!!  Enófilos e apreciadores de vinho dotados de mais conhecimento certamente não caem mais nessa, mas e a maioria dos consumidores sem o mesmo conhecimento? Não nos iludamos, o mercado ainda é imensamente incipiente de conhecimento e por isso acredito piamente que, especialmente nos vinhos de entrada de gama, quanto mais informação melhor pois isso também é educação.

Enfim esta matéria pode gerar discussões acaloradas, mas os produtores e importadores poderiam dar uma forcinha ao consumidor, não? Sem necessidade de leis ou imposições, simplesmente a aplicação de bom senso comercial e recolhi aqui alguns poucos contra rótulos que creio mostram que há luz no fim do túnel e não é um trem em sentido contrário!

Este do TRIO podia ter algumas cositas más, mas gostei da proposta

Este da MILLS até acho que tem algumas coisas interessantes, porém há informação demais e faltou objetividade

O que eu gostaria mesmo de ver nos rótulos:

Gráfico de Pico estimado de Consumo / Tipo de madeira (Barrica/chip/tábua) e por quanto tempo. / Nos blends as uvas e, mesmo que sucintamente, o que cada uma aporta ao corte. Nos vinhos muitas uvas (tipo os portugueses) complica, mas …

Temperatura de serviço / Vinhos e Espumantes NV (não safrados) – data de engarrafamento / Nível de SO2 colocado de forma prática; baixo – médio – alta. Para quem sofre com isso no dia seguinte é uma mão na roda! / Nível de Acidez da mesma forma que o SO2; baixo – médio – alto / Nível de açucar residual, especialmente nos espumantes e vinhos de sobremesa, mas acho que vale para todos.

Sugestão genérica de harmonização / idade média das vinhas usadas / Corpo do Vinho; Leve – médio – médio para encorpado – encorpado e, já que isso começa a tomar conta do mercado com força, porquê não se o uso de leveduras são naturais (selvagens/nativas) ou selecionadas (compradas).

Agora, se é para não dizer nada, diga-se nada com classe como mostra o Oscar da Quevedo no Douro. Criatividade a mil!!

Traduzindo

Olá! Eu sou o Oscar, queria apenas agradecer-te por teres escolhido meu vinho. Convido-te a te comunicares comigo, seja fazendo uma pergunta no Twitter @oscarswine, comentando uma receita do meu blog, www.oscarswine.com, ou, melhor ainda sugerindo-me uma! Não vou encher este rótulo com o habitual palavreado técnico e sugestões gastronomicas ridículas, mas continuarei a mostrar a nossa vida nas margens do Douro através de vídeos que partilho no Youtube. Espero que saboreies este vinho com boa comida e, mais importante, com um ou dois amigos… é que foi mesmo para isso que o fiz!

Salvar

Salvar

Salvar

De Novo, O Melhor Vinho do Mundo Não Existe!

Entra ano sai ano e nada muda, as falácias continuam as mesmas e cada vez fico mais desesperançoso quanto à seriedade de diversos players do mercado que na ânsia de faturar uns trocados a mais seguem em suas toadas de desserviço a nossa vinosfera tupiniquim, uma pena! Nas últimas semanas, mais uma vez um monte de mails recebidos com essa informação falsa. Meus amigos menos antenados nessas coisas do mundo do vinho, caiam nessa não!

Em função disso, achava que tinha que republicar este post de 2015 que segue mais atual que nunca.

Tem algumas coisas em nossa vinosfera que me incomodam uma barbaridade e dizer que um determinado vinho é o melhor do mundo para tentar vender seu peixe é uma delas sendo, no mínimo, falso! Primeiramente porque o fato de um determinado vinho ter ganho um concurso qualquer pelo mundo afora, por mais prestigioso que este seja, não faz dele melhor de nada a não ser daquele concurso, para aqueles jurados num determinado momento assim como o melhor vinho do ano da Wine Spectator é só o melhor vinho do ano de acordo com eles, nada mais do que isso, mesmo já sendo muito!

Já vi importador publicar essa asneira, já vi produtor fazer a mesma coisa e agora tenho recebido, por diversas vezes, um mail marketing de mais um Melhor Vinho Tinto do Mundo! Desculpem, mas acho um tremendo equivoco de quem sai para o mercado fazendo isso, pois está enganando o povo, pelo menos os que eventualmente possam vir a acreditar nisso. Existem no mundo algumas centenas de milhares de rótulos, alguns deles de reconhecida qualidade que não participam desses concursos, não havendo como colocá-los lado a lado numa competição em que se pudesse, eventualmente, chegar a uma conclusão desse naipe. Mesmo que isso fosse viável, ainda assim seria impossível chegar nessa definição devido à subjetividade e às variáveis inseridas no tema.

Quando um corredor detém um recorde mundial, fato matematicamente registrado, ele é o melhor do mundo até que alguém bata sua marca, já a maioria de outros Melhores do Mundo são meros atos mercadológicos sem fundamento mensurável. O futebol brasileiro, por mais que queiramos, não é o melhor do mundo ele só o foi em cinco copas o que já lhe dá um tremendo prestigio, mas é só isso. Nem Pelé, especialmente para os argentinos (rs), é reconhecido unanimemente como o melhor jogador de todos os tempos assim como Muhammad Ali não é o melhor boxeur de todos os tempos para muitos. Subjetividade, avaliadores, concorrentes diretos e momento, fatores importantes a serem levados em conta em qualquer comparativo do tipo.

Hà pouco mais de uma ano, em Abril de 2014, já mencionei algo sobre o tema mostrando como são premiados os vinhos nesses concursos e dava uma cutucada nos que insistem nessa propaganda enganosa do Melhor do Mundo. Gente, quando receberem o próximo mail marketing ou lerem algo nesse sentido na mídia,lembrem-se deste post. Você poderá até estar frente a frente a um belo vinho, mas jamais do melhor do mundo, pois NÃO EXISTE MELHOR VINHO DO MUNDO, mero fruto marketeiro, e já fique com o pé atrás com quem dissemina essa falácia! Condeno essas ações, acho-as anti éticas e um desserviço ao mundo do vinho. Para quem milita no ramo há a obrigação moral de educar e estes procedimentos não estão em linha com essa filosofia confundindo ainda mais a cabeça do consumidor.

Vivemos os tempos do tanto faz como eu faça desde que obtenha os resultados imediatos desejados, os fins justificam os meios, onde cada um quer levar vantagem sobre o outro de qualquer forma, da falta de moral e ética, então vá lá, numa dessas até dá para entender a tentativa de engodo, agora aceitar jamais!

Acredito que podemos ser melhores e, sem querer ser o arauto da verdade, ainda penso que a melhor forma de educação é a retidão dos exemplos dados e esse tipo de atitude não ajuda em nada o setor pois enrolar o consumidor não me parece prática saudável. Sorry, precisava fazer este desabafo em forma de alerta, ojo! Best wine in the world, bull, there is no such thing!!

Kanimambo e tenham todos uma ótima semana! Cheers