Contra Rótulo II

          Alguns amigos participaram e tivemos alguns conceitos bem interessantes. Com a maioria concordo e meu pensamento é de que o contra rótulo deveria ser mais didático e, essencialmente, “customer friendly”! Informações sobre a produção mais práticas e objetivas, mesmo que haja alguma descrição lúdica do caldo, são uma forma de contribuir para um maior esclarecimento que ajudaria em muito o consumidor na hora da compra. Considerando-se que o Brasil é um país ainda engatinhando no conhecimento enófilo, esclarecer é educar e a educação, afora o preço, é um dos caminhos para o crescimento do mercado.  Não só os produtores locais, mas também os importadores que já têm que obrigatoriamente providenciar contra rótulos em português, poderiam ajudar muito nesse processo.

         Luis Lopes, editor da revista de Vinhos em Portugal, foi especialmente feliz em seu editorial de cerca de dois anos, por sinal de um humor sarcástico ao ponto, do qual extraí três frases elucidativas, mas recomendo acessar o texto completo aqui.

  • “É uma inutilidade tão diversificada que até pode ser agrupada por temas. Há os contra-rótulos auto avaliativos: “este magnífico vinho”; “este néctar precioso”; “um tinto cheio de personalidade e carácter” (a garrafa custava €1,90, a personalidade é barata hoje em dia).
  • Aprecio igualmente o contra rótulo gastronómico: “óptimo com peixe e saladas”; “perfeito com caça de pena e queijo” (a julgar pelo número de vezes que esta sugestão se repete, acho que metade dos vinhos portugueses são para beber com caça e queijo.
  • A temática tecnológica incide sobretudo na adega. “fez a maloláctica na barrica“ (malo quê? dirão os mais distraídos, mas esta preciosa informação é só para especialistas); “passou 16 meses em barricas de carvalho francês de Allier grão fino tosta média” (nah, esse é para amadores, vou levar este outro que passou 22 meses em barricas de carvalho Nevers, grão médio, tosta forte, coisa de macho).

         Jancis Robinson também comentou este mesmo tema na Prazeres da Mesa de Maio deste ano, eh/eh ando em boa companhia, sob o titulo, “O Que Diz o Rótulo” ao qual respondo, quase nada!  

        Todos os comentaristas têm sua parte de razão e visões diferentes sempre existirão, até porque, como já disse Nelson Rodrigues, a unanimidade é burra e a divergência serve de fluido para o desenvolvimento. Já vi alguns rótulos, agora não me lembro o produtor, que apresenta um gráfico com uma curva de maturidade estimada do vinho que achei bastante interessante, até porque a maioria dos consumidores ainda acredita na falácia de que vinho quanto mais velho melhor e sabemos que não é bem assim e, por outro lado, não tem ninguém melhor para conhecer o potencial de guarda de um vinho que seu produtor já que vinho pode ter prazo indeterminado de vida, mas uma hora também chega a seu fim! Quem sabe isso não inibiria a atividade de comerciantes e importadores inescrupulosos que saem por aí dando descontos imensos em vinhos que sabem estarem moribundos, um verdadiro desserviço a nossa vinosfera. Já vi promoção de Beaujolais Noveau com DOIS ANOS!!!  Enófilos e apreciadores de vinho dotados de mais conhecimento certamente não caem mais nessa, mas e a maioria dos consumidores sem o mesmo conhecimento? Agora com a loja, é incrível as perguntas e comentários que escuto comprovando como o mercado ainda é imensamente incipiente de conhecimento, não nos iludamos! Acredito piamente que, especialmente nos vinhos de entrada de gama, quanto mais informação melhor pois isso também é educação.

          Enfim esta matéria pode gerar discussões acaloradas, mas os produtores e importadores poderiam dar uma forcinha ao consumidor, não? Recolhi aqui alguns poucos contra rótulos que creio mostram que há luz no fim do túnel e não é um trem em sentido contrário!

Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui      

Agora, se é para não dizer nada, diga-se nada com classe como mostra o Oscar da Quevedo no Douro. Criatividade a mil!!

Traduzindo

 

Olá! Eu sou o Oscar, queria apenas agradecer-te por teres escolhido meu vinho. Convido-te a te comunicares comigo, seja fazendo uma pergunta no Twitter @oscarswine, comentando uma receita do meu blog, www.oscarswine.com, ou, melhor ainda sugerindo-me uma! Não vou encher este rótulo com o habitual palavreado técnico e sugestões gastronomicas ridículas, mas continuarei a mostrar a nossa vida nas margens do Douro através de vídeos que partilho no Youtube. Espero que saboreies este vinho com boa comida e, mais importante, com um ou dois amigos… é que foi mesmo para isso que o fiz!